Joaquim de Carvalho é jornalista. Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa).
Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável do Brasil 247.
O jornalista concordou com o ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), que comparou o bolsonarismo ao nazifascismo
Joaquim de Carvalho e Jair Bolsonaro (Foto: Brasil247 | ABr)
247 — O jornalista Joaquim de Carvalho, na TV 247, concordou com o ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), que comparou o bolsonarismo ao nazifascismo. Na época do nazismo, “você tinha ataques às autoridades daquela época”, apontou Joaquim. “As instituições enfraquecidas foram apoderando o [ditador nazista Adolf] Hitler”, afirmou.
Na manhã desse sábado (22), o ministro Flávio Dino destacou no Twitter que:
“Em nome do princípio da proporcionalidade, considero que os autores de crimes contra a ordem democrática e seus guardiões devem ser punidos com firmeza, em face da lesividade das condutas ilícitas e da relevância do bem jurídico tutelado: a defesa da Constituição”.
“Por isso, sustento projetos de lei, decisões judiciais ou investigações da Polícia Federal que sejam coerentes com essa atitude de combate ao perigosíssimo nazifascismo do século 21, que mata crianças em escolas, destrói o prédio do Supremo e se acha autorizado a agredir pessoas por questões políticas. Respeito as críticas, mas manterei a mesma linha de atuação”, acrescentou.
Dino ainda reforça que “quem minimizou os riscos antidemocráticos, há 100 anos atrás na Alemanha ou na Itália, alimentou um monstro. Busco não pecar por omissão. Assim se constrói a verdadeira PAZ, aquela que nasce do RESPEITO À CONSTITUIÇÃO”.
Segundo Joaquim, o que o ministro disse “é absolutamente coerente. Quando você tolera… Não é um ato democrático. Não é democrático você constranger um ministro porque você discorda da posição dele no momento em que ele está com a família. Fizeram isso com várias pessoas”.
R$ 300 milhões pagos em acordos de delação e de leniência homologados por Moro ou Gabriela Hardt precisam ser rastreados
Sergio Moro e Eduardo Appio (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado | Justiça Federal)
247. - Nota publicada por Juliana Braga na coluna Painel, da Folha de S. Paulo, pode explicar a razão pela qual o juiz Eduardo Appio foi afastado da 13a. Vara da Justiça Federal em Curitiba.
A repórter informou que R$ 300 milhões em depósitos judiciais feitos por determinação da Lava Jata estão no centro da correição extraordinária na 13a. Vara da Justiça Federal em Curitiba e em gabinetes dos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4a. Região que analisam ou analisaram os casos da Lava Jato.
Essa montanha de dinheiro se refere a multas pagas em acordos de delação ou leniência homologados por Moro ou pela juíza Gabriela Hardt.
"O corregedor nacional de Justiça, Luís Felipe Salomão, quer analisar com lupa como foram tomadas as decisões que os envolvem, além da origem e destinação dos recursos, e pode pedir quebra de sigilos bancários, caso veja necessidade", escreveu a jornalista.
Em 2019, o ministro Alexandre de Moraes, provocado pela então procuradora-geral da república, Raquel Dodge, impediu que R$ 2,6 bilhões da multa paga pela Petrobras nos EUA fossem destinados a uma fundação que Deltan Dallagnol estava criando, com orientação do diretor executivo da Transparência Brasil, Bruno Brandão.
Por determinação de Alexandre de Moraes, os recursos foram depositados na conta do Tesouro, para serem aplicados em saúde e educação, mas outras verbas milionárias, como a do acordo da Odebrecht com o Departamento de Justiça, por exemplo, não tiveram o mesmo desfecho, e é preciso verificar o que foi feito desse dinheiro.
O corregedor Luiz Felipe Salomão desembarca esta semana em Curitiba para acompanhar de perto a correição (fiscalização) e, segundo a jornalista, pretende "avaliar também com especial atenção os acordos de cooperação internacional e a forma como foram conduzidas as delações premiadas".
Indício de que houve aplicação irregular dos recursos surgiu no vazamento das mensagens acessadas pelo hacker Walter Delgatti Neto.
Em uma conversa com Sergio Moro, em 16 de janeiro de 2016, Deltan Dallagnol fez um pedido estranho. Ele queria que verba depositada na 13a. Vara Federal fosse usada para publicidade da Lava Jato. A transcrição do diálogo segue como postada, inclusive com erros de digitação ou de português.
"Vc acha que seria possível a destinação de valores da Vara, daqueles mais antigos, se estiverem disponíveis, para um vídeo contra a corrupção, pelas 10 medidas, que será veiculado na globo?? A produtora está cobrando apenas custos de terceiros, o que daria uns 38 mil. Se achar ruim em algum aspecto, há alternativas que estamos avaliando, como crowdfunding e cotização entre as pessoas envolvidas na campanha", escreveu Dallagnol.
Dallagnol envia, inclusive, dois PDFs com o orçamento e o roteiro do vídeo. "Avalie de modo absolutamente livre e se achar que pode de qq modo arranhar a imagem da LJ de alguma forma, nem nós queremos", comentou.
Moro respondeu: "Se for so uns 38 mil achi que é possível. Deixe ver na terça e te respondo".
As mensagens, que mais tarde passariam por perícia no Supremo Tribunal Federal, foram publicadas na coluna de Reinaldo Azevedo no UOL e também no Intercept, como parte da série Vaza Jato.
Deltan Dallagnol também participou da operação de compra sem licitação, e com recursos não esclarecidos, de equipamento para gravar conversas telefônicas realizadas pelos procuradores da república em linhas do Ministério Público Federal.
Mensagens também indicam que Moro liberou recursos para a compra de equipamento para a Polícia Federal no Paraná,
No caso da verba para publicidade, o simples pedido de Deltan Dallagnol – e a concordância de Moro – atenta contra o princípio da moralidade e também da legalidade da administração pública. Não existe lei que autorize o gasto de verbas judiciais ou mesmo do orçamento regular do Judiciário, para propaganda de qualquer tipo.
O afastamento repentino de Eduardo Appio – proibido até de entrar no Fórum da Justiça Federal – é suspeito por si só.
Mas, se estiver ligado à verificação do uso de recursos depositados na conta judicial, o caso adquire contornos de uma ação organizada para impedir a apuração da suspeita de crime de peculato.
Que a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça conclua o serviço que Appio não conseguiu fazer, pela ação inusitada da corte administrativa do TRF-4, que o afastou abruptamente.
Antigo delator da 13a. Vara Federal reafirmou que tem provas das denúncias que fez contra Moro à TV 247, repercutidas pela CNN
Tony Garcia e Sergio Moro (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Reportagem de Joaquim de Carvalho, publicada no Brasil 247:
O empresário Tony Garcia, ex-deputado e delator na 13a. Vara Federal de Curitiba, disse que a curta nota de Sergio Moro, lida pela CNN, revela que o ex-juiz está "com medo".
A nota foi a primeira manifestação de Moro depois que, em entrevista à TV 247, Tony Garcia revelou como foi usado de maneira ilegal num acordo de colaboração realizado com o ex-juiz.
"O relato do ex-deputado (Tony Garcia) é mentiroso e dissociado de qualquer amparo na realidade ou em qualquer prova", disse o juiz, por meio de nota.
A manifestação de Moro foi lida pela apresentadora Tainá Falcão, no programa CNN 360o., depois da entrevista com Tony Garcia.
A CNN procurou Tony Garcia depois da entrevista à TV 247, em que ele contou que ajudou Moro a localizar e apreender um vídeo em que desembargadores do TRF-4 apareceriam de cuecas e gravatas, numa festa com prostitutas na suíte presidencial do hotel Bourbon, em Curitiba.
Segundo ele, a festa foi organizada pelo advogado Roberto Bertholdo, em 19 de novembro de 2003, depois do jogo da Seleção Brasileira contra o Uruguai, no Pinheirão, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.
Bertholdo era conhecido pela influência no TRF-4 e também no Superior Tribunal de Justiça.
Um sócio de Bertholdo na época, Sérgio Costa, gravou a festa, sem que Bertholdo soubesse, para pressioná-lo caso rompesse a sociedade.
Quando soube, Bertholdo obrigou Costa a lhe entregar o vídeo, segundo relato de Tony Garcia.
Sergio Moro estava à frente da 2a. Vara Federal, mais tarde renomeada 13a., fazia cerca de dois anos quando determinou a Tony Garcia que tentasse localizar a vídeo. Tony tinha feito acordo de colaboração depois de ser acusado de fraude no Consórcio Nacional Garibaldi.
"Ele queria porque queria o vídeo. Eu indiquei a ele um endereço em São Paulo onde Bertholdo guardava um Jaguar (carro) e depois, quando fui novamente chamado por Moro, ele me cumprimentou e disse que a operação tinha sido bem-sucedida. Ou seja, pegaram o vídeo", disse Tony.
Segundo a investigação, que não tem desfecho conhecido, as prostitutas que participaram da festa com os magistrados foram contratadas pela cafetina Mirlei de Oliveira, antiga prestadora de serviços a Roberto Bertholdo.
Segundo reportagem da revista IstoÉ, em uma conversa interceptada com autorização judicial, ela comentou que estava sendo pressionada a revelar detalhes de sua relação com Bertholdo.
A reportagem informa: "Numa das conversas, ela (Mirlei) se refere a uma festa específica, ocorrida no Hotel Bourbon, em Curitiba. 'Fiz tanta festa para atender juízes, que não sei que festa é essa', responde".
A entrevista divulgada neste domingo pela CNN destaca o trecho da entrevista que realizou com Tony Garcia em que ele conta que Moro interferiu para afastar o juiz federal Eduardo Appio da 13a. Vara Federal de Curitiba, há cerca de duas semanas.
Tony disse acreditar que essa interferência aconteceu porque Appio levaria adiante as denúncias que ele fez à responsável anterior pela operação, Gabriela Hardt, em 2021.
Segundo Garcia, essas denúncias se referiam a fatos da época em que teria ficado por anos trabalhando para a Lava Jato para obter informações de interesse da operação.
“Eles me amarraram nesse acordo durante dez anos. Eles ficaram me usando para obter informações, usaram informações para perseguir o PT, eles usaram da minha amizade com o Eduardo Cunha para eu colher informações de operadores do PT, operadores da Petrobras, operadores do Zé Dirceu, de tudo, eles queriam pegar tudo”, afirmou.
Depois da entrevista, procurado pelo 247, Tony Garcia reafirmou que tem provas que confirmam suas denúncias. O vídeo, inclusive, teria sido usado para o ex-juiz chantagear os desembargadores do TRF-4. "Esse é o método Moro", disse.
O que você achou da nota sucinta do Moro à CNN, Tony? "Medo, muito medo. Conheço ele", respondeu, também sucintamente.
Ex-presidente é um caso clássico de patrimonialismo: enriqueceu e fez o que quis nos cargos que ocupou, não o que podia ou a lei autorizava
Jair Bolsonaro e Mauro Cid (Foto: Isac Nóbrega/PR)
247. - Um servidor público que trabalhava no Palácio do Alvorada quando Jair Bolsonaro morava no local contou ao jornal Metrópoles que uma noite, querendo uma garrafa de vinho, arrombou a adega com um chute porque a porta tinha sido trancada e ele estava sem chave.
A cena é a síntese do que foram os quatro anos dele no posto mais importante da república, a Presidência. Fosse só a porta da adega, o problema seria menor.
Mas, nesta quarta-feira, o público toma conhecimento de que o sistema de vacinação foi adulterado para que ele, a filha e os aliados mais próximos fizessem constar informação falsa de que haviam sido imunizados contra a covid-19, a fim de que pudessem entrar em outro país.
Some-se a esse fato outros que já estão comprovados, como a apropriação de jóias que pertenciam ao acervo público da União e a pressão sobre auditores da Receita Federal para subtrair outro lote de bens de alto valor, que teriam sido dados de presente pela monarquia saudita, "generosidade" ainda obscura.
Poderia-se atribuir o comportamento do ex-presidente da república à insanidade. Mas, como diz o ditado popular, "louco não rasga dinheiro". Bolsonaro é, pelo que mostra sua história à frente de cargos públicos, apenas desonesto, e a vítima são o povo, com a violação do princípio da administração republicana.
Desde que era candidato a presidente, sabe-se que o patrimônio dele e da família é incompatível com recursos de fontes lícitas.
Parte da origem da riqueza acumulada se deve a rachadinha, eufemismo de um crime grave, peculato, mas o desvio de salário de assessores (fantasmas ou não) não explica tantos imóveis e empresas, estas em nome de parentes.
Bolsonaro é um caso clássico de patrimonialismo, vê a coisa pública como se fosse propriedade dele. Faz o que quer, não o que pode e a lei autoriza.
Para o subprocurador geral Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, o caso da fraude no sistema de vacina é muito grave.
“Com a prisão preventiva de Mauro Cid, as investigações sobre desmandos do governo de Bolsonaro assume um novo patamar. A suposta falsificação de dados vacinais para o então presidente não vacinado viajar aos Estados Unidos da América do Norte é notícia gravíssima que insere o ex-chefe do governo na seara de crimes contra a Administracao”, afirma.
“Chega-se perto de medida constritiva de liberdade contra Bolsonaro”, acrescenta. Em outras palavras, seria o caso de prisão preventiva.
Não se trata de punitivismo, mas de ação judicial para proteger a instrução criminal, dado que, tendo filhos e aliados influentes, três com grande poder (os governos de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina), Bolsonaro pode pressionar testemunhas.
Além disso, é impossível entender por que seu ajudante de ordens foi preso e ele não. "Se Mauro Cid foi preso, Bolsonaro, em tese, terá o mesmo tratamento, pois é o beneficiário", observa Aragão.
Tantos desmandos precisam de uma resposta enérgica por parte do Estado.
ATENÇÃO: O Vídeo da TV 247 foi censurado pelo YOUTUBE por mostrar a extrema-direita bolsonarista e seu antecipado - pelo "deus" Mercado e sua grande mídia - candidato antecipado à substituir o inelegível Jair Bolsonaro.
O repórter Joaquim de Carvalho mostra as imagens que a campanha de Tarcísio de Freitas quis censurar e explica por que. Por trás da operação, está o interesse de evitar de evitar mostrar a ligação do grupo com a chamada Abin Paralela. Pai e irmão do jovem assassinado em Praisópolis falamà 247. "Temos medo", diz o irmão. Veja também detalhes do inquérito e como a polícia alterou a cena do crime.
Joaquim de Carvalho e Tarcísio de Freitas (Foto: Brasil 247 | Reprodução/TV Globo)
247 - O jornalista Joaquim de Carvalho, da TV 247, cravou no Bom Dia 247 desta quinta-feira (27) que o tiroteio em Paraisópolis no último dia 17 foi uma farsa montada pela campanha do candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) para "manipular a opinião pública e fraudar a eleição".
Carvalho foi a Paraisópolis e conversou com familiares do homem que morreu no que teria sido a 'cena' do tiroteio: Felipe Silva de Lima. Segundo o jornalista, "Felipe não estava armado, e essas foram as imagens que o Tarcísio tentou apagar, ou que a campanha do Tarcísio mandou apagar".
"Mas eu tenho essas imagens, nós vamos mostrar”, prometeu Carvalho, que publicará ainda nesta quinta-feira uma reportagem detalhada na TV 247 com novas revelações e imagens sobre o caso.
"Não tenho dúvida nenhuma de que foi uma farsa, e tem ligação com o submundo da Abin - ou o aparelho que se tornou a Abin depois da eleição do Bolsonaro, a chamada ‘Abin paralela’ que o Gustavo Bebianno combatia, e isto até levou à queda dele do governo. Essa Abin paralela foi montada pelo Carlos Bolsonaro”, disse o jornalista.
Episódio de hoje em São Paulo tem semelhancas com o caso de Juiz de Fora, em 2018, que nunca foi investigado sob a perspectiva de autoatentado
Tarcísio de Freitas e General Heleno (Foto: Reprodução/TV Globo | Reprodução/Twitter)Por Joaquim de Carvalho
247. - O episódio de hoje em Paraisópolis, envolvendo a campanha de Tarcísio de Freitas, precisa ser cabalmente investigado, mas não só pela linha do atentado, pouco plausível, mas principalmente pela possibilidade de armação, com o objetivo de manipular a escolha do eleitor e, portanto, de fraude na campanha.
Tarcísio cumpria agenda de campanha na favela, a segunda maior de São Paulo, quando houve tiroteio. Ninguém de seu estafe ou da imprensa sofreu ferimento, um homem que estava em uma moto, supostamente criminoso, foi baleado, e Tarcísio postou na rede social a versão de que ele sofrera um atentado na condição de candidato.
Veículos bolsonaristas, como a Jovem Pan, imediatamente começaram uma cobertura sob esse viés. Mas Polícia Militar, que atendeu à ocorrência, não confirmou. O tiroteio teria ocorrido, inclusive, longe do local onde estava Tarcísio.
Bolsonaristas como o vereador Paulo Chuchu, de São Bernardo do Campo, que estava bem longe do local dos fatos, também começaram a postar mensagens na linha do atentado.
Lembra o caso de Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018, quando, logo após o episódio envolvendo Jair Bolsonaro e Adélio Bispo de Oliveira, um jornalista de Santa Catarina postou nota com foto de Adélio em uma manifestação de Florianópolis ao lado de um cartaz “Renuncia Temer”.
E foi vazada a informação de que Adélio tinha sido filiado ao PSOL, e que, em 2014, havia registrado a entrada na portaria da Câmara dos Deputados. O jornalista de Santa Catarina não mencionou que a manifestação em Florianópolis tinha sido organizada por um apoiador de Bolsonaro, pouco depois deste defender a renúncia de Michel Temer, que aquela altura cogitava disputar a reeleição.
Também não se mencionou que, entre os pertences de Adélio Bispo de Oliveira, o único documento que o ligava à política partidária era uma carta protocolada na Justiça Eleitoral em que pedia a desfiliação do PSD e um cartão de visitas do deputado Marcos Montes, da bancada ruralista, com o número do telefone celular.
Marcos Montes era o líder do PSD em Uberaba e mais tarde integraria o governo Bolsonaro, como secretário executivo do Ministério da Agricultura. Também não se noticiou que Adélio Bispo de Oliveira divulgava bandeiras bolsonaristas no Facebook, como a redução da maioridade penal.
Sobre o registro de entrada na Câmara dos Deputados, é estranho que, minutos depois, já se soubesse de sua visita à casa - o que teria ocorrido no intervalo de manifestações de 2014 contra Dilma Rousseff, então presidente.
Entretanto, com a informação do registro de entrada, logo a rede social bolsonarista começou a associar Adélio Bispo de Oliveira ao deputado Jean Wyllys, do PSOL, embora não houvesse nenhum fiapo de informação de que ele visitara o parlamentar.
Era uma narrativa em construção, para associar o ato de Adélio Bispo de Oliveira à esquerda e, portanto, transformar Bolsonaro em vítima e impulsionar sua candidatura rumo ao Palácio do Planalto.
Como todos sabemos, deu certo. E Adélio permanece isolado em um presídio federal em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sem apoio da Defensoria Pública da União e de nenhum advogado e sem que tivesse sido atendida à solicitação de que fosse visitado pela família.
Até hoje, só conversou com representantes do escritório de advocacia de Zanone Júnior, que ele pediu para ser afastado, com delegado da Polícia Federal, defensores públicos da União e com peritos de uma junta médica.
No caso em Paraisópolis, só Tarcísio de Freitas, seus seguidores e veículos bolsonaristas afirmam que foi atentado. O que torna o caso mais estranho é que, em evento recente, o general Heleno de Freitas, do Gabinete de Segurança Institucional, disse que Tarcísio poderia ser vítima de um ataque por razões políticas.
“Inclusive com a recomendação de que, toda vez que fosse sair de casa, fizesse um vasculhamento no entorno da casa dele, e jamais saísse de casa com hora marcada. Então, o não comparecimento ao debate, que muita gente está associando a um medo de ele sair e debater com o Haddad, não se trata disso, ele está realmente ameaçado. E não é um mero tiro de sniper, é um atentado terrorista, onde tem uma organização criminosa que não vou citar o nome por motivos óbvios envolvida, comprovado por mensagens, por escutas telefônicas. Então, isto é absolutamente verídico”, afirmou.
Outra coincidência: Em 2018, duas semanas antes do episódio em Juiz de Fora, o estrategista da extrema direita Steve Bannon disse a Eduardo Bolsonaro, em Nova York, que seu pai seria alvo de um atentado.
O episódio em Juiz de Fora foi determinante para que Jair Bolsonaro vencesse as eleições, pois não compareceu a nenhum outro debate — havia participado de um, na Band, em que se saiu muito mal.
Tarcísio também está fugindo dos debates com Haddad, e, no caso dele, a questão da segurança é o motivo alegado para não atender ao convite dos veículos de comunicação. Com o evento em Paraisópolis, o argumento ganha reforço.
Portanto, como em todo a investigação, a primeira pergunta que a Polícia deve se fazer é: quem se beneficia com o crime. Em Juiz de Fora, foi Bolsonaro. Em Paraisópolis, é Tarcísio.
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PS: A versão do atentado em Paraisópolis é pouco plausível em razão do interesse do crime organizado. O PCC, efetivamente, controla o bairro, e hoje tem muitos outros negócios, além do tráfico. A organização não tem nenhum interesse de atrair a atenção sobre si e sobre a região. Portanto, não faz sentido que tenha atentado contra um candidato em plena campanha eleitoral, na região em que tem muitos imóveis e alta de renda em aluguel comercial. Pouco se fala sobre o fato de que, em determinadas ruas, o metro quadrado de Paraisópolis tem o mesmo valor de um imóvel na rua Oscar Freire, de alto luxo em São Paulo. A razão é o movimento, já que Paraisópolis tem população aproximada de 100 mil habitantes, em área relativamente pequena, e demanda por produtos e serviços.
Veja.o vídeo em que o general Heleno fala da possibilidade de atentado contra Tarcísio:
Enquanto bolsonaristas faziam arruaça em Aparecida, Bolsonaro se recusava a participar da comuhão durante a missa. Não surpreende. Ele foi batizado duas vezes - na Igreja Católica e na Igreja Evangélica e já participou de rituais hindus. Ele já deu muitas demonstrações de que usa a religião para fazer política. A reportagem é de Joaquim de Carvalho.
"Bandido": Moro é escrachado ao fazer campanha em área nobre de Curitiba
O repórter Joaquim de Carvalho mostra imagens de Moro sendo escrachado na feira do Juvevê, área nobre de Curitiba. Ele estava com três seguranças e ninguém da feira o defendeu. Poucos o cumprimentaram. "Juiz parcial, vai para a cadeia", disse um manifestante.
Joaquim de Carvalho mostra quem foi Jô Soares, que nasceu no seio da elite brasileira, queria ser diplomata, viu o pai entrar em dificuldade e abraçou a arte em suas múltiplas dimensões. O traço mais destacado de sua biografia é a coragem. Ser sucedido por Danilo Gentili no SBT e Pedro Bial na Globo diz muito sobre a decadência dos veículos de comunicação tradicionais.
"O repórter Joaquim de Carvalho mostra que o nazismo continua presente no Brasil. Casa em Piraju, interior de São Paulo, preserva piso com a suástica, fazenda em Campina do Monte Alegre tinha tijolos com o símbolo nazista e teve experiência inspirada em Hitler. Santa Catarina tem ainda hoje 530 células nazistas, com cerca de 10 mil participantes, o que levou o Ministério Público a fazer acordo de cooperação com a Confederação Israelita do Brasil para educar a população catarinense e punir os criminosos."
"E foi fraude mesmo. Acabou a era em que Moro era um cidadão acima da lei. Tem que pagar por seus crimes", escreveu o jornalista no Twitter.
O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) e o diretório do Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo haviam entrado com um recurso, em maio, contra Sergio Moro.
O ex-juiz disse que, no dia 30 de março, morava em um flat no Itaim Bibi, zona sul da capital paulista, e, em consequência, estava apto a transferir seu domicílio eleitoral de Curitiba (PR) para São Paulo. O contrato dele com a empresa que administra o flat, mostrou que, embora o documento tenha sido assinado no dia 28 de março, a "data de início" do aluguel era o dia 1º de abril. Ou seja, no dia em que Moro afirmou ser morador no local, o apartamento não tinha sido ocupado.
Ao contrário do que alguns dizem, a ditadura impôs governo corrupto. Os áudios do STM desmontam a farsa e reforçam a necessidade de governo civil. Sempre.
Tortura derrubou a ditadura e está derrubando Bolsonaro PorJoaquim de Carvalho, ex subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa)
Em entrevista exclusiva, o advogado Fernando Fernandes conta como foi a luta que travou durante mais de 20 anos nas cortes superiores para ter acesso aos áudios dos julgamento no Superior Tribunal Militar (STM) durante a ditadura.
A entrevista está publicada na TV 247 (veja abaixo). Fernandes conta que o supreendeu a resistência que enfrentou para ter acesso a esses áudios que mostram a verdadeira face do governo dos militares.
Ele acredita que a tortura era um método, criado após orientação de autoridades dos Estados Unidos. Para Fernandes, há semelhanças entre o que ocorreu na ditadura e na Lava Jato, que criou "a Guantánamo brasileira".
A referência é à prisão que os Estados Unidos mantém na ilha de Cuba. Ele trata do tema no seu livro mais recente, Geopolítica da intervenção, que depois de algumas edições no Brasil ganhará tradução para o inglês.
Fernandes e o pai, Tristão, ex-advogado de preso político e ex-preso político, entraram na Justiça em 1997 para ter acesso aos áudios dos julgamentos entre 1976 e 1979 -- antes da anistia --. período em que os juglametos no STM passaram a ser gravados.
O ministro do Supremo Tribunal Federal Maurício Corrêa, que foi presidente da OAB no Distrito Federal, senador e ministro da Justiça no governo de Itamar Franco, indeferiu o pedido de liminar. Eles recorreram, e vinte anos depois os áudios foram liberados.
Ele agora pretende disponibilizar todas as gravações em um site, onde já estão disponíveis alguns de seus livros, o Ffernandes.adv.br.
"Precisamos todos saber em detalhes o que foi a ditadura, para que nunca mais algo do tipo aconteça", afirmou.
Uma pequena parte dos áudios foi revelada neste fim de semana, no blog da jornalista Miriam Leitão, ela mesma ex-presa política, que chegou a denunciar, em 1973, que havia sido torturada com o uso de cobras e cachorros.
A Justiça militar, mesmo ciente dessas informações, não mandou investigar. Os áudios do STM confirmam que as altas autoridades tinha ciência dos abusos, alguns até queriam investigação.
Mas, como todos sabem, a tortura no Brasil, como método para implantar o terror de Estado, restou abolutamente impune. E hoje líderes das Forças Armadas até defendem aquele regime de exceção.
Deveriam ser os primeiros interessados nos esclarecimentos dos fatos, para que Exército, Marinha e Aetonáutica rompam definitivamente com um passado vergonhoso.