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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Ao contrário de Bolsonaro, militares defenderam reservas indígenas, diz ex-presidente da Funai




Foto: Agência Brasil

Jornal GGNO ex-presidente da Funai Sydney Possuelo (1991-1993), disse em entrevista ao Estadão "que o índio vive o seu pior momento no País" e que "há um risco de extinção da Funai, que já não tem força." Segundo o indigenista, Jair Bolsonaro adotou um discurso em favor do agronegócio e contra a demarcação de terras que conflita com a política adotada pelos militares ao longo da história.

"A questão indígena nasceu no meio militar, com o Marechal Rondon, nosso herói, que criou em 1910 o Serviço de Proteção ao Índio, o SIP. Se formos analisar especificamente o período do regime militar, depois de 1964, tivemos uma das melhores épocas da Funai na questão de estrutura e recursos. Havia poder de demarcar as terras, de vigiá-las, de não permitir invasões. Manter essa tradição seria um fato fantástico desse novo governo", comentou.
Apesar disso, Possuelo admitiu que "não é isso que está ocorrendo", embora tenha "esperanças de que essa postura mude. A retórica antiga de que há muita terra para pouco índio é perigosa. Primeiro, é preciso deixar claro que índio não tem um só palmo de terra no Brasil. Ele não é dono de nada. O dono é a União, que lhe garante o usufruto exclusivo daquela área."

Ainda de acordo com o indigenista, abrir terras indígenas para o agronegócio seria "acabar com os índios, é um erro. Temos uma quantidade imensa de terras onde já cabe o agronegócio, que é importante para o País, mas as florestas nacionais e as terras indígenas também são. Tudo cabe neste País imenso."

Leia a entrevista completa aqui.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Na agenda de retrocessos do golpe das elites, agora, a caça está liberada?



Do Outras Palavras:


Agenda de retrocessos: agora, caça liberada?


Lobo guará, espécie ameaçada de extinção
Estimulado pela bancada ruralista, projeto permite matar animais mesmo em Unidades de Conservação e abre caminho para “fazendas de abate”. Só mobilização social pode frear deputados
Por Nilto Tatto - publicado no Outras Palavras
A pretexto de conter a disseminação de espécies exóticas, como o javali, que se alastrou em todo o país, a bancada ruralista está propondo a liberação da caça no Brasil, por meio do Projeto de Lei (PL) 6268 de 2016. Busca-se legislar sobre uma matéria já contemplada em legislação vigente, que é a Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197 de 1967). Um debate honesto pode gerar propostas para melhorar esta lei, mas não é este o caso. O propósito é simples: permitir a caça profissional e comercial no Brasil. Uma ideia que guarda grande afinidade com as visões do notório ruralista catarinese, Valdir Colatto (PMDB/SC), autor do PL.
Como relator desta proposta na Comissão de Meio Ambiente, venho trabalhando para evitar a aprovação deste projeto. Em pleno século XXI, com tanto acúmulo no debate ético em relação ao sofrimento dos animais, e com todo o reconhecimento científico da importância de todas as formas de vida para a mitigação dos desequilíbrios ecológicos causados pela espécie humana, este projeto, moralmente, me soa como um escárnio.
Vale a pena destacar alguns pontos do projeto.
A partir de 1967, com a Lei de Proteção à Fauna, o Estado entra em cena decisivamente, afirmando que os animais de quaisquer espécies que vivem naturalmente fora do cativeiro, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha.
É preciso frisar: propriedade do Estado, ou seja, coisa pública, do interesse comum. É justamente a oposição ao interesse comum e à coisa pública que este projeto representa.
O PL da Caça revoga a Lei de Proteção à Fauna e repõe quase todos os seus dispositivos alterando, contudo, termos e definições cruciais, e suprimindo outros pontos igualmente importantes.
Suprime o artigo segundo, que prevê a proibição de caça profissional. Em seu lugar estabelece, no artigo 35, que a caça será permitida desde que o agente possua licença para tal.
A revogação do parágrafo 5º do artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais, no qual se encontra a tipificação do crime de caça profissional, sela a legalização desta modalidade de caça. Estabelece a peça funcional para permitir graves atrocidades contra a fauna silvestre: o plano de manejo aprovado por órgão ambiental competente.
Com a tomada do Estado por grupos sem qualquer comprometimento com o bem público, muitos deles capitaneados por pessoas com antecedentes criminais, é fácil perceber a temeridade de conferir tanto poder a este mecanismo.
O projeto autoriza, conforme previsto no plano de manejo, a captura de animais na natureza para comércio, sem deixar claro, aliás, se este comércio é de animais vivos ou abatidos.
Sempre “de acordo com o plano de manejo de fauna”, regulariza o comércio ilegal de animais silvestres provenientes de Unidades de Conservação como Reservas Extrativistas (Resex) e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), o que atualmente é proibido pela Lei 9985 de 1997.
O PL 6268 estabelece, ainda, a possibilidade de criação de fazendas de caça, o que é uma excrescência anteriormente prevista em lei, mas que nunca se efetivou no Brasil, e foi revogada em 2000.
As propriedades privadas, ao que tudo indica, se tornariam um reino de permissividade para aqueles que tenham prazer em caçar. No seu artigo 38, o PL da Caça retira a proibição do abate de espécimes da fauna silvestre “fora do período de permissão de caça, mesmo em propriedades privadas”. Com isso os proprietários poderão abater qualquer animal em qualquer época do ano, desde que estejam no interior de sua propriedade.
As espécies em risco de extinção tampouco escapam. Apesar de ser de conhecimento público que, em muitos casos, não há como manejar espécies em extinção, o PL da Caça torna possível a licença, mesmo em áreas de fragilidade ecológica, mediante apresentação de um plano de manejo. É uma clara invasão à área do licenciamento ambiental, cujos fundamentos legais também estão sendo atacados pelos mesmos ruralistas.
O tráfico internacional de animais deverá encontrar mais facilidade, caso o PL da Caça seja aprovado, pois abre várias brechas para desvios de espécies da fauna nacional para este crime.
Há outras perversidades no PL da Caça. Ao mesmo tempo em que o projeto estimula a proliferação do porte de arma entre civis, retira dos agentes de fiscalização o direito de portar armas. Devemos esperar que os agentes de fiscalização, para dissuadir caçadores e criminosos, entrem nos ermos da Floresta Amazônica portando cópias da legislação ambiental?
Este PL é, evidentemente, mais uma peça em um jogo muito mais amplo, que está sendo conduzido no sentido de cassar direitos individuais e coletivos, e de promover uma espécie de saldão do patrimônio nacional, liquidando os recursos que pavimentariam um projeto de nação mais autônoma e mais justa. Um estado de exceção avança no país.
O mesmo grupo que patrocina esta revogação da Proteção à Fauna encobre o trabalho escravo e quer liberar ainda mais o uso de agrotóxicos, reduzir as Unidades de Conservação, paralisar e mesmo retroceder na demarcação de terras indígenas e territórios quilombolas, todos importantíssimos na conservação da biodiversidade.
A mesma bancada ruralista faz avançar na Câmara uma proposta grotesca de flexibilização das regras de licenciamento ambiental que, na prática, vai transformar o país em um grande salve-se-quem-puder, favorecendo o lucro predatório, em detrimento do nosso patrimônio natural.
A bancada ruralista tem o suporte de poderosos interesses econômicos e tem sido fundamental na sustentação ao governo ilegítimo, recebendo, em troca, o apoio político para fazer avançar suas agendas de retrocesso. São tantas, que pareciam represadas, e agora fluem como se uma barragem tivesse se rompido.
Os avanços autoritários são paulatinos, e ninguém sabe seu limite. A única coisa que se sabe é que, quando as portas estão se fechando, toda e qualquer luta por direitos encontrará dificuldades crescentes.
Cabe a todos nós reconduzir o país para um caminho no qual os mais vulneráveis possam viver com liberdade e dignidade, estejam eles onde estiverem.
Finalmente, é preciso salientar que, no Congresso Nacional, a composição parlamentar mais conservadora desde o fim da ditadura é, sem dúvida, um cenário desfavorável, com grandes chances de aprovação do PL da Caça no plenário da Câmara dos Deputados.
Por isso, é muito importante que sua tramitação seja barrada na comissão de mérito, que é a Comissão de Meio Ambiente. Para tanto, precisamos de uma rápida e ampla mobilização social.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Bob Fernandes:Derrubaram Presidente na Farsa da Pedalada e agora se "indignam" com gambiarras pro-Aécio, Trabalho Escravo, Fim de Direitos? Hellô!!


Comentário político importante de Bob Fernandes, para a TV Gazeta:



Para suspender o mandato de Eduardo Cunha o Supremo usou uma gambiarra. Inventou um saída legal. . Cunha já era Cunha. Mas só depois de Cunha dar largada para o impeachment a gambiarra do Supremo o afastou. . Aécio Neves é acusado de crimes. Deve ser investigado e, depois, declarado culpado ou inocente. . Crime incontestável cometido por Aécio, de conhecimento geral, foi político. Foi não aceitar a derrota em 2014 e arrastar o país para o que vivemos hoje. . Teve gente fina, elegante e sincera nas ruas. Mas também teve gente ingênua. E espertalhões e corruptos bradando moralismo caolho, de ocasião. . Para suspender o mandato de Aécio, nova gambiarra do Supremo. Para tentar consertar, devolução da gambiarra aos senadores. Que protegeram Aécio para proteger a si mesmos. . Com Aécio e Delcídio Amaral, telefonemas gravados e casos assemelhados. Mas o que valeu para Aécio não valeu para Delcídio. Gambiarra. . Muita gente apoiou o jogo de Aécio que levaria ao impeachment. . Muita gente que apoiou aquele jogo hoje busca purgação bradando contra Senado e Supremo. . Sempre hipocrisia e cinismo. Agora há quem escreva, alardeie espanto com a penúltima medida do governo em direção ao século 19: "Regras para Trabalho Escravo". . Daqui por diante, só com flagrante da polícia se poderá caracterizar Trabalho Escravo. Trabalho degradante, jornada excessiva, não é mais Trabalho Escravo. . Só o ministério do Trabalho poderá divulgar, ou não, a lista dos Patrões de escravos. . Para salvar o pescoço, mais esse favor de Temer à bancada ruralista. Uma das BBBs: bancadas do boi, da bala e da bíblia. . Espantoso é jornalista não ter entendido ANTES quais forças pilotavam o impeachment. Quem, o que e como tomaria o Poder. . Espantoso é quem é do ramo não saber das consequências. Ou pior: fazer de conta não saber a que rumos e gambiarras a gambiarra "pedalada fiscal" nos arrastaria. . Presidente da República se tira nas urnas, não com Farsas. Só agora alardear espanto e revolta com gambiarras?...Hellô!!!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Portaria do trabalho escravo é a nova “Renca” de Temer?


"A bancada ruralista pode ter recebido a sua Antilei Áurea e, depois de ter pago com votos, vê-la revogada. Ninguém se esqueça de com que nível de escroques se lida quando se trata do atual governo do país."


debcred
Marcelo Auler, em seu blog, levanta hoje a hipótese de que haja um  conteúdo de encenação ou de, ao menos, um “se colar, colou” na portaria do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, reduzindo a capacidade da fiscalização em caracterizar e punir o trabalho escravo no Brasil.
A prevalecer a Portaria. o governo Temer viverá mais um escândalo internacional. Tal como ocorreu ao tentar extinguir a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca). No caso da Renca, a pressão interna e externa foi tanta que o presidente golpista e mal visto por todos abandonou a ideia um mês depois de assinar o primeiro decreto liberando a área à sanha das mineradoras. A tendência da pressão internacional no caso da fiscalização ao trabalho escravo é real. Não será estranho, inclusive, se uma censura, ainda que de forma diplomática ou, quem sabe, como se fosse uma oração, partir do Papa Francisco.
Mas, em uma hipótese que deve ser considerada em se tratando do grupo que se aboletou no poder e dele não quer sair, pode estar em trama um jogo maquiavélico. A Portaria foi editada em surdina e veio ao conhecimento público -estrategicamente, como dissemos – às vésperas de a Câmara decidir o futuro da denúncia contra o presidente. Ela atende os anseios da bancada ruralista. Quem garante que, após obter os votos destes deputados, o governo golpista não irá, invocando a pressão popular e possivelmente externa, dar o feito por não feito?
Nada impede que, como no caso da liberação da reserva amazônica, alguém tenha comprado, recebido e, ao final das contas, “ficado sem”.
E como cobrar a devolução do que foi feito na sombra e na surdina?
A bancada ruralista pode ter recebido a sua Antilei Áurea e, depois de ter pago com votos, vê-la revogada.
Ninguém se esqueça de com que nível de escroques se lida quando se trata do atual governo do país.
E nós aqui ficamos na torcida que o bandido esteja sendo bandido com os bandidos.

O mundo se levanta contra liberação do trabalho escravo por Michel Temer em favor da bancada ruralista e golpistas


"A repercussão de compra e venda de deputados e senadores por Michel Temer atravessou o Atlântico e ganhou as manchetes em todo o mundo.
Com a mudança no sistema de fiscalização, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) passou a identificar o Brasil como exemplo negativo no combate ao trabalho escravo"

Do Blog de Esmael Moraes:

O mundo se levanta contra liberação do trabalho escravo por Michel Temer






O afrouxamento na fiscalização ao trabalhado no escravo no Brasil somado às emendas parlamentares e à “cartinha” são os ingredientes usados por Michel Temer (PMDB) para livrar-se, na Câmara, da denúncia de organização criminosa e obstrução à justiça.
Dito isto, os deputados Aliel Machado (REDE-PR) e Alessandro Molon (REDE-RJ) e o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) prometem colocar água no chope do peemedebista. A bancada propôs Projeto de Decreto Legislativo para sustar os efeitos da portaria do governo que facilita o trabalho escravo no Brasil.
A repercussão de compra e venda de deputados e senadores por Michel Temer atravessou o Atlântico e ganhou as manchetes em todo o mundo.
Com a mudança no sistema de fiscalização, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) passou a identificar o Brasil como exemplo negativo no combate ao trabalho escravo.
O texto do Ministério do Trabalho restringe a definição de trabalho em condição análoga à de escravidão, inviabilizando o enquadramento de condutas ilegais e dificultando a fiscalização dessas situações.
A portaria também determina que a ‘Lista Suja’ do trabalho escravo só será divulgada após a aprovação do ministro do Trabalho. Antes, a publicação ficava a cargo de equipe técnica do ministério.
A medida de afrouxamento beneficia e atende à bancada ruralista na Câmara formada por cerca de 200 deputados.
Se para salvar o mandato de seu comparsa o senador Aécio Neves (PSDB-MG) torrou R$ 200 milhões em emendas parlamentares, imagine caro leitor quanto Temer não despenderá para salvar ao próprio pescoço nesta segunda denúncia em votação na Câmara. Tenha sempre em mente, caríssimo, que essa verba sai da viúva (os cofres públicos).

domingo, 3 de janeiro de 2016

Saiu no El Pais: Direitos Indígenas> Kerexu, a cacica ameaçada de morte que tenta salvar sua aldeia


Do El País:


Cacica Kerexu, ameaçada de morte com avanço da PEC 215 (da bancada ruralista)


Artigo de Aline Torres

Kerexu avisou: “vamos ter que nos preparar”. Não deu tempo. Três dias após a PEC 215 ser aprovadaem comissão especial no Congresso no final de outubro, a cacica Guarani foi ameaçada de morte. Trinta homens atacaram a aldeia Itaty, liderada por Kerexu, situada no Morro dos Cavalos, no município de Palhoça, a 30 quilômetros de Florianópolis, no sul do Brasil. As 39 famílias que vivem ali testemunharam a entrada de um caminhão, duas motos e 10 carros. Os estranhos dispararam para o alto com revólveres, soltaram rojões, disseram que iriam expulsar as famílias, invadiram uma casa e, se autointitulando donos do pedaço, fizeram churrasco, com direito a música alta.




Para a cacica Kerexu, o recado foi curto. Ela está na mira. Os homens não foram identificados e apesar de quatro deles terem passado a noite na aldeia, a Polícia Federal não os prendeu e apenas os retirou por insistência da procuradora da República Analúcia Hartmann. O argumento dos invasores foi que se a PEC iria tirar os indígenas dali, eles poderiam antecipar o serviço.
Essa não foi a primeira ameaça do ano. Há dois meses, motoqueiros entraram em Itaty disparando. A aldeia é habitada principalmente por crianças e adolescentes, que representam 60% do grupo. O alvo foi a casa de Kerexu, onde vivem seus dois filhos Karaí, 9 anos, e Rayana, 14 anos. Também não foram poucos os telefonemas anônimos que a juraram de morte.
Itaty está situada no quilômetro 233 da BR-101, onde uma passarela conecta as 39 famílias, que sofrem o peso das manobras no Congresso para enfraquecer o direito a seu espaço. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito, pautada pela bancada ruralista e autorizada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha(PMDB-RJ) no dia 28 de outubro, foi instalada um dia após a aprovação da PEC-215, que propõe uma manobra à Constituição para delegar justamente aos deputados a competência de julgar a demarcação de terras indígenas, quilombolas e reservas ambientais brasileiras.
O foco da CPI é investigar as ações da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), algo visto com enorme preocupação por colocar em risco uma legislação que reconhece o direito indígena, que avançou com muita dificuldade.
E os Guaranis, que por meio da dança, espantam os maus espíritos, sabem bem disso. Desde a fundação dos mitos, o espírito mais perverso entre eles se chama Anha, o demônio. Mas Anha perdeu seu posto recentemente para a PEC 215, também chamada pelos índios de "PEC da morte".
Deputados catarinenses e o Governo do Estado questionam a permanência dos Guarani nas terras de 1988 hectares entre a ponte do rio Massiambu e a ponte do rio do Brito. Ignoram 23 anos de processos vencidos em todas as instâncias jurídicas e o reconhecimento do Ministério da Justiça, publicado em abril de 2008.
Durante 30 anos, pesquisadores da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), a principal instituição científica do país, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade de Brasília (UNB) publicaram estudos históricos, fundiários, cartográficos, ambientais e antropológicos sobre o Morro dos Cavalos. Há 978 artigos científicos nas bibliotecas virtuais desses centros de ensino sobre a existência legal e legítima da região indígena e suas raízes ancestrais ali. Mas, bastou um único laudo, escrito por um antropólogo contratado pelos latifundiários, para exibir como trunfo em meio à CPI. Um laudo que sugere que não são índios de verdade, mas trazidos do Paraguai.
Na ponta mais fraca, quem segura a pressão é a indígena baixinha de pele amorenada, longos cabelos pretos e olhos sestrosos. Kerexu Ixapyry, 35 anos, foi nomeada a primeira cacica do Morro dos Cavalos em fevereiro de 2012. Sua fala é mansa e pausada e apesar da aparente calma, não dobra a espinha. Se quase 70.000 homens lideram suas tribos no Brasil, ela é uma das 12 cacicas, gênero feminino do cacique.



Kerexu é conhecida por exibir seu alto cocar de penas vermelhas, amarelas e azuis nos grandes encontros em Brasília, reunida entre lideranças masculinas de outras etnias, dispostos todos a sair da invisibilidade em que vivem. Se antes ela não passava despercebida entre os seus, atualmente é conhecida como a primeira vítima das brutalidades que serão desencadeadas caso a PEC 215 vigore.
Os homens que invadiram a aldeia faziam tortura psicológica entre os seus. “Me falaram que fomos trazidos do Paraguai, que a CPI vai tirar nossas terras. Eu nunca tinha visto eles. Se alguém falasse alguma coisa teria morte, eles tinham ódio. Fiquei quieto, só ouvi. Não duvido que numa noite qualquer alguém entre atirando e mate todo mundo”, disse Verá Ixapyry, 22 anos, irmão da cacique, que mora ao lado da casa que foi invadida. Kerexu resiste, mas também fraqueja. “Às vezes me sinto na beira de um abismo, onde me propõem: pula ou te empurramos”, diz.
Na aldeia, ouve-se o barulho dos caminhões mais do que dos pássaros. A terra Guarani foi cortada ao meio pelos militares durante a construção da BR-101, a maior rodovia brasileira, que liga o Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte em 4.542 km de extensão. Desde então, a estrada é vista como progresso. E os índios que vivem às suas margens têm a pecha de representarem o atraso.
Dos 21 deputados que votaram a favor da PEC 215, dois são catarinenses. Valdir Colatto (PMDB), uma das principais lideranças pela revogação do Estatuto do Desarmamento, foi financiado pela indústria armamentista e recebeu 36,9% do dinheiro de sua campanha do agronegócio, de acordo com dados do Instituto da Justiça Federal.




Jovem indígena com bebê no colo às margens da BR-101 / 

Os índios Guarani da aldeia Itaty, no Morro dos Cavalos, vivem à margem da BR-101, desde que a estrada construída na época do Governo militar cortou suas terras ao meio.

Celso Maldaner recebeu 15%. Ele explicou o incentivo financeiro pela defesa que faz aos agricultores do Oeste catarinense. “Eles compraram terras na boa fé e agora tem que entregá-las aos índios, não é justo”, disse. Sobre os indígenas do Morro dos Cavalos, ele sugere que eles sejam paraguaios, trazidos por ONGs para faturar verbas da União.
Por fim, defende que a PEC seja benéfica aos indígenas. “Eles vão poder explorar a terra, os minérios, construir hidrelétricas ou arrendar o que têm. Afinal, precisam de dinheiro. Ninguém gosta de viver no miserê”. O Morro dos Cavalos faz parte da unidade de conservação Serra do Tabuleiro, onde há 2.292 nascentes e o mais diverso bioma do Estado.
Colatto não quis conversar com a reportagem. Em seu discurso, durante a votação, afirmou que os indígenas catarinenses eram favoráveis à PEC. Essa versão foi desmentida por meio de carta aberta divulgada pelas três etnias catarinenses, Guarani, Xokleng e Kaingang.
Apesar de viver com pouco, os Guarani não vestem a carapuça da pobreza que lhes empregam. “Nhanderú disse: ‘Vocês vão morar nessa terra e vão proteger ela’. Esse é o nosso destino. Não queremos terra para vender. Terra é de Nhanderú, não pode ser vendida. Ela está viva, todos os seres que a habitam são nossos parentes. Essa é nossa riqueza, não nos preocupamos com outros bens materiais”, disse Tupã Karaí, 60 anos, xamã da Itaty.
Tupã mora na casa mais alta do lado esquerdo da BR-101 com a mulher, as duas filhas, os genros, cinco netos e muitos cachorros. Sua pele morena é talhada pelo tempo, as mãos parecem cascas de árvores, ele só não sorri para tirar fotos, no mais, é pura gentileza.
Além das rezas, é responsável pela preservação das sementes crioulas do milho, repassadas de gerações em gerações há milênios. Tupã planta milho vermelho, preto, roxo, amarelo, com pintas. Entre agosto e setembro de cada ano colhe as sementes e as leva à opy (casa de reza) para serem consagradas por Nhanderú.
Celebra-se então o Ara Pyau, ano novo Guarani, novo ciclo de renovação da Mãe Terra. Os recém-nascidos são batizados, recebem seus nomes espirituais, soprados pelos ancestrais desencarnados através da fumaça do Petyngua (cachimbo sagrado). Esse rito chama-se Nhemongarai (consagração e batismo) e envolve as pessoas da comunidade e também de outras aldeias que trazem seus alimentos para somar ao plantio.
Aldeias próximas a Itaty plantam feijão preto, abóbora e erva mate. Paralelamente, ao Nhemongarai é praticado o Guatá, a caminhada que traz fertilidade a terra. O ritual permite que as aldeias se visitem e mantenham a sensação de unidade. Quando um índio chega com sementes é recebido com festa e decide se quer partir novamente para sua aldeia. Muitos ficam. Kerexu morou em 10 aldeias antes de liderar a Itaty.
Esse rito principal é o mais atacado. O deputado federal Alceu Moreira (PMDB – RS) crê que “esse ir e vir é só para aumentar terra para índio”. Nos seus depoimentos ele defende que os indígenas invadem fazendas e aos poucos se somam para tomá-las. A fraude seria orquestrada pelo CIMI, que segundo sua visão, estaria a serviço da inteligência norte-americana europeia para não permitir a expansão das fronteiras agrícolas do Brasil. Moreira foi um dos principais articuladores pela redução da proteção das matas com a flexibilização do Código Florestal em 2012. Votou a favor da PEC 215 e é presidente da CPI da Funai.
Ao seu lado está o coordenador da Frente Parlamentar de Agropecuária, deputado federal Luís Carlos Heinze (PP-RS), como vice-presidente da CPI. Ficou famoso em 2013 ao definir, durante uma reunião de uma Comissão, que “quilombolas, índios, gays e lésbicas... tudo que não presta estão aninhados [no gabinete de Gilberto Carvalho, então ministro da Secretaria Geral da Presidência, do primeiro mandato de Dilma] ”. Na mesma comissão, Moreira chamou a demarcação de índios e quilombolas de “vigarice” e disse que Carvalho estava no comando.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Como o Congresso Nacional, o mais retrógrado da história recente, está nos devolvendo ao Brasil Colônia




Texto de Leonardo Sakamoto:

Como o Congresso Nacional está nos devolvendo ao Brasil Colônia

Fiz uma lista, em abril deste ano, de dez coisas que a atual legislatura do Congresso Nacional – que despontava como um vetor de retrocessos históricos, tendo a Câmara dos Deputados à frente – poderia fazer em quatro anos para nos devolver ao Brasil Colônia. Para ser bem honesto, na época achei que estava exagerando.

1) Liberação da terceirização para qualquer atividade da empresa
2) Transferência do poder de demarcação de Terras Indígenas para deputados e senadores
3) Redução da maioridade penal para 16 anos
4) Proibição de adoções por casais do mesmo sexo
5) Alteração do conceito de trabalho escravo contemporâneo para diminuir as possibilidades de punição
6) Redução da idade mínima para poder trabalhar de 14 para 10 anos
7) Proibição do aborto nos casos de estupro, risco de vida para a mãe e má formação fetal
8) Aprovação da pena de morte
9) Fim do voto feminino
10) Revogação da Lei Áurea

Seis meses depois, acho que fui bastante conservador. É claro que tudo isso precisa ser aprovado
pelas duas casas, passar pela sanção presidencial (quando não for emenda à Constituição) e não ser contestado no Supremo Tribunal Federal. Mas dá uma boa ideia do nível de nosso parlamento. Veja o porquê:

1) Liberação da terceirização para qualquer atividade da empresa (em andamento)

A discussão está em curso e conta com defensores inclusive dentro do próprio governo, como no Ministério da Fazenda.

2) Transferência do poder de demarcação de Terras Indígenas para deputados e senadores (em andamento)

Deputados tentam acelerar a aprovação de uma mudança constitucional que deixará com o Congresso Nacional a responsabilidade pela demarcação de territórios indígenas (PEC 215, de 2000) – o que dificultará a devolução de terras a essas populações.

3) Redução da maioridade penal para 16 anos (em andamento)

Um projeto de lei foi aprovado na Câmara dos Deputados e está em análise no Senado. Essa votação ficou famosa: foi aquela que, após perder, o presidente Eduardo Cunha manobrou para que fosse votada novamente no dia seguinte, obtendo vitória na segunda vez. Outras propostas de emenda à Constituição semelhantes também estão em trâmite no Senado.

4) Proibição de adoções por casais do mesmo sexo (em andamento)

Esse pode ser um dos desdobramento do Estatuto da Família (que restringe “família'' a  apenas uma união entre um homem e uma mulher), que já passou em uma comissão especial na Câmara dos Deputados. A proposta é extremamente ofensiva a famílias que fujam desse modelo hegemônico nuclear heterossexual.

5) Alteração do conceito de trabalho escravo contemporâneo para diminuir as possibilidades de punição (em andamento)

Há três propostas tramitando na Câmara e no Senado para reduzir o conceito apenas à privação de liberdade. Ou seja, tratar a pessoa como um instrumento descartável de trabalho, submetendo-a a condições abaixo de patamares mínimos de dignidade, deixa de ser escravidão contemporânea.

6) Redução da idade mínima para poder trabalhar de 14 para 10 anos (em andamento)

Pelo menos três propostas de emenda à Constituição para reduzir a idade mínima para a contratação de adolescentes foram desarquivadas e estão prontas para serem analisadas pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

7) Proibição do aborto nos casos de estupro, risco de vida para a mãe e má formação fetal (em andamento)

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados tornou mais difícil, nesta quarta (21), o aborto em caso de gravidez resultante de estupro, pois a vítima passará a ter que registrar boletim de ocorrência e fazer exame de corpo de delito – hoje, isso não é necessário. Também criminaliza a orientação sobre o aborto, com penas maiores se quem ajudar for agente de saúde.

8) Aprovação da pena de morte (impossível, mas também não precisaria)

É uma questão de tecnicalidade, a bem da verdade. Porque a pena de morte já foi adotada no Brasil para quem é pobre, negro e jovem. Como mudar esse item na Constituição é muito difícil, a não ser em época de guerra com outros países, então seguimos na informalidade. E com aprovação de mudanças no Estatuto do Desarmamento, que estão despontando na Câmara dos Deputados, somada à crescente sanha justiceira, imagina só.

9) Fim do voto feminino (impossível, mas também não precisaria)

Esse retrocesso é impossível. Mas as mulheres são minorias no Congresso Nacional, nas Assembleias e Câmaras de Vereadores, sem falar de cargos executivos e no Poder Judiciário. Poucos partidos possuem políticas claras para garantir a quantidade de candidatas previsto em lei e garantir a elas a mesma competitividade que a dos homens e, por isso, têm sido punidos pela Justiça Eleitoral.

10) Revogação da Lei Áurea (era piada, mas sei lá, né…)

O Brasil teria que ir contra uma quantidade tão grande de tratados e convenções internacionais que, certamente, seria expulso das Nações Unidas e não conseguiria exportar nem sacolé se tentasse. Mas considerando que nunca conseguimos inserir a população libertada no final do século 19 e seus descendentes continuam a ser tratados como carne de segunda, a sofrer todo o tipo de preconceitos e a receber bem menos que os brancos pela mesma função, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, então não há muito o que comemorar também. O Congresso Nacional poderia aprovar leis que contribuíssem com mudanças nas estruturas arraigadas: como ampliar a reforma agrária, promover uma reforma tributária socialmente justa e garantir uma revolução na educação e na saúde públicas invertendo prioridades, enfim, vocês entenderam o recado.

Mas um Congresso Nacional de grandes realizações para o bem dos que mais precisam dele é um pensamento tão absurdo quanto o fim da Lei Áurea.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Incrível! Quando Cunha é alvo de denúncias, propostas ruins são votadas

 "A Câmara dos Deputados está pautando uma série de projetos que atentam contra a dignidade humana. Isso ocorre em um momento em que a imprensa revela que Eduardo Cunha, presidente da Câmara, possui contas milionárias na Suíça (apesar de ter dito à CPI da Petrobras que não as possuía) e carros de luxo em nome de um site religioso registrado em seu nome, realiza gastos exorbitantes que seriam incompatíveis com seus ganhos e foi citado por várias testemunhas como tendo pedido e recebido propina." - Leonardo Sakamoto



Segue o texto de Leonardo Sakamoto:

A Câmara dos Deputados está pautando uma série de projetos que atentam contra a dignidade humana.

Isso ocorre em um momento em que a imprensa revela que Eduardo Cunha, presidente da Câmara, possui contas milionárias na Suíça (apesar de ter dito à CPI da Petrobras que não as possuía) e carros de luxo em nome de um site religioso registrado em seu nome, realiza gastos exorbitantes que seriam incompatíveis com seus ganhos e foi citado por várias testemunhas como tendo pedido e recebido propina.

A tática diversionista não é novidade e já foi usada outras vezes. A ideia é passar projetos esdrúxulos de interesses de bancadas retrógradas, como uma parte dos ruralistas e do pessoal da segurança pública e os fundamentalistas religiosos em geral, em comissões ou mesmo no plenário. Assim, o bafafá desvia o foco dos jornalistas e do público em geral.

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) tornou mais difícil, nesta quarta (21), o aborto em caso de gravidez resultante de estupro, pois a vítima passará a ter que registrar boletim de ocorrência e fazer exame de corpo de delito – hoje, isso não é necessário. Também criminaliza a orientação sobre o aborto, com penas maiores se quem ajudar for agente de saúde.

Portanto, vale a pena sempre lembrar: Isso ocorre em um momento em que a imprensa revela que Eduardo Cunha, presidente da Câmara, possui contas milionárias na Suíça (apesar de ter dito à CPI da Petrobras que não as possuía) e carros de luxo em nome de um site religioso registrado em seu nome, realiza gastos exorbitantes que seriam incompatíveis com seus ganhos e foi citado por várias testemunhas como tendo pedido e recebido propina.

Deputados federais também tentam acelerar a aprovação de uma mudança constitucional que deixará com o Congresso Nacional a responsabilidade pela demarcação de territórios indígenas (PEC 215, de 2000) – o que dificultará a devolução de terras a essas populações.

Portanto, vale a pena sempre lembrar: Isso ocorre em um momento em que a imprensa revela que Eduardo Cunha, presidente da Câmara, possui contas milionárias na Suíça (apesar de ter dito à CPI da Petrobras que não as possuía) e carros de luxo em nome de um site religioso registrado em seu nome, realiza gastos exorbitantes que seriam incompatíveis com seus ganhos e foi citado por várias testemunhas como tendo pedido e recebido propina.

E também a revisão do Estatuto do Desarmamento (PL 3722, de 2012) – o que facilitará ter uma arma no Brasil.

Portanto,  vale a pena sempre lembrar: Isso ocorre em um momento em que a imprensa revela que Eduardo Cunha, presidente da Câmara, possui contas milionárias na Suíça (apesar de ter dito à CPI da Petrobras que não as possuía) e carros de luxo em nome de um site religioso registrado em seu nome, realiza gastos exorbitantes que seriam incompatíveis com seus ganhos e foi citado por várias testemunhas como tendo pedido e recebido propina.

Sem contar o Estatuto da Família, que a define como papai, mamãe e filhinhos – excluindo outras formas de organização social, homoafetivas ou não.

Portanto, vale a pena sempre lembrar: Isso ocorre em um momento em que a imprensa revela que Eduardo Cunha, presidente da Câmara, possui contas milionárias na Suíça (apesar de ter dito à CPI da Petrobras que não as possuía) e carros de luxo em nome de um site religioso registrado em seu nome, realiza gastos exorbitantes que seriam incompatíveis com seus ganhos e foi citado por várias testemunhas como tendo pedido e recebido propina.

Essa movimentação, caso vá para frente, dará mais trabalho para o Supremo Tribunal Federal – que vai acabar tendo que responder sobre a constitucionalidade de muita coisa aprovada sob a gestão de Eduardo Cunha.

Portanto, vale a pena sempre lembrar: Isso ocorre em um momento em que a imprensa revela que Eduardo Cunha, presidente da Câmara, possui contas milionárias na Suíça (apesar de ter dito à CPI da Petrobras que não as possuía) e carros de luxo em nome de um site religioso registrado em seu nome, realiza gastos exorbitantes que seriam incompatíveis com seus ganhos e foi citado por várias testemunhas como tendo pedido e recebido propina.

Mas tudo isso não importa. Parte do governo federal e da oposição defendem a permanência de Cunha no cargo porque acreditam que ele é a chave para a manutenção de Dilma ou sua deposição.

Enquanto isso, vamos vendo direitos sendo triturados. Repetidas vezes. Como um misto de “A Hora do Pesadelo'' com  “O Dia da Marmota''. Ou seja, um filme de terror que nunca termina.

domingo, 10 de maio de 2015

Bancada Evangélica se une à bancada dos ruralistas para aprovação de Projeto de Lei que nega ao povo o direito de informação sobre os alimentos transgênicos




   Mais um exemplo dos males que um Congresso conservador de direita pode e irá fazer: uma lei em prol dos interesses de empresários e ruralistas contra o direito do povo de ter a informação de quais alimentos industrializados foram feitos com sementes e plantas geneticamente modificados (transgênicos). Na aprovação desta "Lei" em favor dos interesses do capital contra o povo, papel fundamental teve a aprovação em massa de deputados da Bancada Evangélica, capitaneada por Eduardo Cunha, do que se deduz que a união da Bancada da Bíblia com a do Boi (ruralistas) e a da Bala (ligados à polícia e militares) pouco se importa com a opinião pública. Depois vem um hipócrita privatarista, como é o casdo do Pastor Everaldo, junto com Infeliciano e Bolsonaro filho, posar de salvadores da pátria....  

O artigo que se segue foi extraído site Mídia, Religião e Política:

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Bancada evangélica apoia aprovação de Projeto de Lei que nega direito à informação sobre alimentos transgênicos


A bancada dos empresários na Câmara dos Deputados venceu mais uma batalha. O grupo de deputados federais que representa os interesses do agronegócio aprovou em 27 de abril um projeto de lei que dispensa as indústrias de informarem no rótulo se o produto comercializado tem origem transgênica.


Nada menos do que 320 parlamentares votaram favoravelmente ao PL 4148/2008, do ruralista Luiz Carlos Heinze (PP/RS). Outros 120 deputados recusaram a proposta. O texto derruba a atual lei, de 2003, que estabelece a obrigatoriedade dessa informação por meio de um símbolo estampado no rótulo: um T amarelo.

Apenas as bancadas do PSOL, PCdoB e PTC votam em bloco contra a mudança. No PV, Evair de Melo (ES) disse sim. O PT, dono da maior bancada da Casa, rejeitou a mudança, mas José Guimarães (CE) e Luiz Sérgio (RJ) acompanharam o voto dos conservadores, enquanto Merlong Solano (PI) preferiu se abster. No PSDB, apenas três parlamentares disseram não à mudança: Bruno Covas (SP), Daniel Coelho (PE) e Otávio Leite (RJ).

Para os críticos, a proposta fere o direito do consumidor que prefere não consumir produtos que tenham passado por modificação genética. O texto será, agora, apreciado pelo Senado. Saiba mais aqui sobre os alimentos transgênicos e sobre os riscos que eles trazem para quem produz e para quem consome.

Fonte: Carta Capital

Mantendo a tendência conservadora da bancada evangélica, 46 deputados votaram "sim" para a desinformação dos consumidores e apenas nove votaram "não"; um se absteve. Veja como os deputados evangélicos que votaram:

SIM À AO PL QUE NEGA INFORMAÇÃO AOS CONSUMIDORES:
Aguinaldo Ribeiro PP/PB
Alan Rick PRB/AC
André Abdon PRB/AP
Altineu Côrtes PR/RJ
Anderson Ferreira PR/PE
Antonio Bulhões PRB/SP
Antônio Jácome PMN/RN
Bruna Furlan PSDB/SP
Carlos Andrade PHS/RR
Carlos Gomes PRB/RS
Carlos Manato SDD/ES
Christiane de Souza Yared PTN/PR
Cleber Verde PRB/MA
Erivelton Santana PSC/BA
Ezequiel Teixeira SDD/RJ
Gilberto Nascimento PSC/SP
Irmão Lazaro PSC/BA
Jefferson Campos PSD/SP
Jhonatan de Jesus PRB/RR
JHC SDD/AL
João Campos PSDB/GO
Jorge Tadeu Mudalen DEM/SP
Josué Bengtson PTB/PA
Júlia Marinho PSC/PA
Lindomar Garçon PMDB/RO
Marcos Rogério PDT/RO
Laercio Oliveira SDD/SE
Márcio Marinho PRB/BA
Marquinho Mendes PMDB/RJ
Max Filho PSDB/ES
Missionário José Olimpio PP/SP
Onyx Lorenzoni DEM/RS
Paulo Freire PR/SP
Pastor Eurico PSB/PE
Pr. Marco Feliciano PSC/SP
Professor Victório Galli PSC/MT
Roberto Alves PRB/SP
Ronaldo Fonseca PROS/DF
Ronaldo Martins PRB/CE
Rosangela Gomes PRB/RJ
Sérgio Brito PSD/BA
Silas Câmara PSD/AM
Sóstenes Cavalcante PSD/RJ
Tia Eron PRB/BA
Vinicius Carvalho PRB/SP
Washington Reis PMDB/RJ

NÃO À AO PL QUE NEGA INFORMAÇÃO AOS CONSUMIDORES:
Benedita da Silva PT/RJ
Cabo Daciolo PSOL/RJ
Clarissa Garotinho PR/RJ
Eliziane Gama PPS/MA
Jony Marcos SE PRB/
Lincoln Portela PR/MG
Stefano Aguiar PSB/MG
Ronaldo Nogueira PTB/RS
Sergio Vidigal PDT/ES

Abstenção
Marcos Soares PR/RJ

Clique aqui para ver a lista completa dos votantes.

terça-feira, 21 de abril de 2015

10 bons motivos para se temer as bancadas BBB: 'Bíblia, boi e bala', do Congresso Nacional


"Que esta versão da Câmara dos Deputados é uma das mais conservadoras da história, não há dúvidas. O projeto que reduz a maioridade penal, em tramitação desde 1993 e até então sempre postergado, não causou só comoção social como acendeu um sinal de alerta. Há outros no caminho."



Texto de Grasielle Castro, do Brasil Post


Que esta versão da Câmara dos Deputados é uma das mais conservadoras da história, não há dúvidas. O projeto que reduz a maioridade penal, em tramitação desde 1993 e até então sempre postergado, não causou só comoção social como acendeu um sinal de alerta. Há outros no caminho.

Apelidados de Bancada BBB, da bíblia, boi e bala, pela deputada Erika Kokay (PT-DF), em referência a quantidade de religiosos, delegados e ruralistas eleitos, os conservadores apresentaram uma pauta robusta esta legislatura.

O grupo tem se articulado para tirar do limbo da Casa projetos de consenso da bancada que eram facilmente rejeitados. Eles contam com um aliado forte, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para se eleger presidente, Cunha fez promessas como aceleração na redução da maioridade penal e na PEC 215, que beneficia os ruralistas.

Além disso, o próprio deputado é autor de projetos polêmicos, como o que institui o dia do orgulho hétero.

O Brasil Post listou os 10 principais projetos apoiados pela Bancada BBB:

- Redução da maioridade penal

A Câmara dos Deputados trabalha para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. Em uma comissão de 27 parlamentares, com apenas 6 contra a proposta, a batalha dos progressistas é para formar um texto menos conservador.

Na opinião da maioria dos deputados que compõem o colegiado, o projeto, relatado pelo ex-delegado Laerte Bessa (PR-DF), atende os anseios da sociedade. De acordo com o Datafolha, 87% da população são a favor da proposta. A intenção dos deputados é votar a matéria no plenário até o fim deste semestre.

- Alteração no Estatuto do Desarmamento

Nesta legislatura, a Câmara também instalou uma comissão especial para analisar o projeto de lei que modifica o Estatuto do Desarmamento.

A norma em estudo facilita a compra e o porte de armas de fogo. Diminui os impostos e reduz de 25 para 21 anos a idade mínima para a compra de armas. Dos 27 integrantes do colegiado, 14 são favoráveis às alterações.

- Arma de fogo para parlamentar

Projeto de lei de autoria do presidente da bancada da bala, deputado Alberto Fraga (DEM-DF), libera o porte de armas para os parlamentares.

De acordo com ele, a demanda é grande, porém velada. "Tem gente que fica com medo do que as pessoas vão achar, mas quer e não tem coragem de falar isso publicamente", defende. Segundo ele, quem se sentir incomodado, que não use.

- Estatuto da Família

O PL 6583/13, que cria o Estatuto da Família, esteve nos holofotes no ano passado por causa de uma enquete que perguntava qual a definição de família para as pessoas.

Para o relator do texto na legislatura passada, família só pode ser constituída por homem e mulher. Para complicar ainda mais, a definição dele proíbe casais gays de adotar filhos.

O texto continua em tramitação na Câmara, agora em uma comissão especial presidida pelo teólogo, integrante da bancada evangélica, Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ). O relator é Diego Garcia (PHS-PR), também da bancada religiosa.

- PEC 215, contra os interesses dos índios

Uma das promessas de campanha do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aos ruralistas foi desengavetar a tramitação da PEC 215. Ela transfere do governo federal e da Funai para o Congresso a responsabilidade por fazer a demarcação de terras indígenas.

O temor das comunidades indígenas é que deputados ruralistas paralisem os processos e passem a legislar em causa própria.

A comissão especial que analisa a proposta é presidida pelo deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). Além de integrar a bancada ruralista, ele votou a favor da flexibilização da regularização de imóveis rurais no Código Florestal.

- Estatuto do Nascituro

Bandeira da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, de 236 parlamentares, o Estatuto do Nascituro dá direitos ao feto e inviabiliza qualquer oportunidade de se discutir a descriminalização do aborto.

Apresentado no PL 478/2007, o texto também foi desengavetado este ano. Em junho de 2013, quando tramitava na Comissão de Finanças, o texto foi considerado uma violência contra a população, as famílias e a sociedade.

A medida proíbe inclusive o aborto em caso de estupro. Para alguns, defende o direito do bebê. Para outros, como o Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres, a proposta legitima o estupro e é cruel com as mulheres.

- Aborto como crime hediondo

No dia 10 de fevereiro, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu desarquivar o PL 7443/2006 do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que inclui a prática do aborto entre os crimes hediondos.

Na justificativa do projeto, Cunha argumenta que incluir o aborto como "crime contra a vida implica atribuir a esse tipo penal tratamento diferenciado e severo, o que o equipara ao crime de homicídio".

- Punição maior para o médico que pratica aborto

Assim que passou a presidir a Mesa Diretora da Câmara, Cunha também desengavetou outro projeto de sua autoria, o PL 1545/2011. Esta proposta tipifica o crime de aborto praticado pelo médico quando não for dos tipos admitidos pela lei brasileira.

A sugestão do deputado é punir o médico com reclusão de 6 a 20 anos, além de proibir o exercício da profissão. O projeto aguarda parecer do relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Casa.

- Criminalização da "heterofobia"

Mais um polêmico projeto do presidente da Câmara incomoda os que defendem avanços na legislação. Também em fevereiro, o deputado desarquivou o projeto que penaliza a discriminação contra os heterossexuais.

A matéria já passou pela Comissão de Direitos Humanos no ano passado e a relatora do texto, Erika Kokay (PT-DF) rejeitou a proposta por considerar que não há discriminação contra heterossexuais. O texto foi arquivado no dia 31 de janeiro, com o fim da legislatura anterior e desengavetado dez dias depois.

- Dia do orgulho hétero

Em contrapartida ao Dia Internacional do Orgulho Gay, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, decidiu apresentar um projeto de lei para criar o Dia do Orgulho Hétero. O PL 1672/2011 estabelece que a data seria comemorada no terceiro domingo de dezembro.

No projeto, Cunha alega que "no momento que discutem preconceito contra homossexuais, acabam criando outro tipo de discriminação — contra os heterossexuais — e além disso o estimulo à 'ideologia gay' supera todo e qualquer combate ao preconceito".