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sábado, 7 de novembro de 2020

Apagão no Amapá é culpa de empresa privada, a maravilha dos neoliberais da direita, mas conserto é feito pela Eletrobras, pública e, portanto, para eles o males do mundo

 


Cerca de 700 mil pessoas estão sem energia elétrica, água e combustíveis há três dias, depois do incêndio em um transformador da empresa espanhola Isolux. Técnicos da Eletrobras fazem os reparos

Jornal GGN:
Apagão em Macapá (AP)

por Rosely Rocha

Mais de 700 mil pessoas, em 13 dos 16 municípios do estado do Amapá, estão sofrendo com a falta de energia, água e combustíveis desde a noite de terça-feira (3) quando a subestação de energia que pegou fogo por volta das 20h40, na capital Macapá, levou ao desligamento automático da linha de transmissão.

A empresa responsável é a espanhola Isolux, que tem histórico de maus serviços prestados em outros países, mas quem está fazendo o conserto são os trabalhadores da Eletrobras, que o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) quer privatizar. Privatizar, para este governo é modernizar. As empresas que compram, porém, ficam de olho nos lucros, demitem técnicos experientes e contrata pessoal com menos qualificação para pagar menos e ainda reduz o quadro de pessoal.

Em 2014, a Isolux deu um prejuízo de US$ 476 milhões ao estado norte-americano de Indiana, onde também prestava serviços, segundo o diretor do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (STIU/MA), Wellington Diniz. E agora dá prejuízo ao Brasil e ao povo do Amapá.

O presidente do Sindicato dos Ubanitários do Amapá (STIU-AP), Jedilson Santa Bárbara de Oliveira, critica ainda o desmonte da Eletronorte no estado. Segundo ele, a empresa tinha no estado do Amapá, 220 trabalhadores em 2007, mas com a sanha privatista de Michel Temer (MDB-SP), hoje conta com apenas 110 trabalhadores.

“Oito técnicos da Eletrobras de outros estados que estão ajudando nos reparos são considerados dispensáveis pela empresa por terem muito tempo de casa e estão prestes a se aposentar. A empresa quer incentivar a demissão de trabalhadores experientes por meio de PDVs, mas na hora que mais precisa, são eles que são chamados. As mil demissões que a Eletrobras quer fazer são para baratear os custos para privatizar e entregar ao capital internacional mais uma empresa brasileira superavitária. A Eletrobras teve um lucro no último ano de R$ 20 bilhões” , denuncia Jedilson.

A possibilidade de ocorrerem apagões em todo o país já havia sido levantada, em janeiro do ano passado, pelos sindicalistas do STIU de diversos, que denunciaram o projeto privatista do governo Bolsonaro para a Eletrobras.

Apesar da gravidade da situação, o ministério das Minas e Energia e o governo local, preveem que a situação só se normalize em 15 dias, podendo se estender por outros 15.

A demora, dizem os técnicos, é que um novo gerador só deve chegar em duas semanas porque ele pesa cerca de 100 toneladas e seria levado de barco, o que dificulta ainda mais a logística operacional. A esperança para a população é que o fornecimento de energia seja reestabelecida em 70% em todo o estado do Amapá, conforme prometeram as autoridades governamentais.

Relatos de caos no Amapá

Enquanto lutam contra o tempo para reestabelecer pelo menos parte da energia nos 13 municípios afetados (apenas três estão com energia: Laranja do Jari, Vitória do Jari e Oiapoque, por serem abastecidos pela usina de Coaraci Nunes, sistema independente da linha de transmissão da Isolux ), os relatos do presidente do STIU-AP e da tesoureira da CUT/AP, Maria Neuzina Tavares Castro, são de caos e desespero dos amapaenses.

Segundo os dirigentes sindicais, as filas nos supermercados são imensas, o que já vem causando alguns desentendimentos para comprar água, que está sendo racionada. Há estabelecimentos que vendem apenas dois galões de cinco litros por pessoa. Em plena pandemia do novo coronavírus (Covid 19) em que a água é essencial para a higiene e prevenção à doença, a população não tem como se cuidar.

As padarias também estão limitando a venda de pães a 10 unidades por família. Nos postos de combustíveis as filas quilométricas são formadas por 60 a 50 veículos. Outros postos estão fechados porque suas bombas não  condições de retirar o produto dos poços.

“O calor é insuportável, especialmente para os mais idosos e crianças, que têm de deixar suas portas e janelas abertas para entrar algum vento, mesmo com medo de assaltos ou algum tipo de violência que possam ser cometidos em função das ruas vazias e a escuridão. A temperatura na capital amapaense é em média 35 graus, mas a sensação térmica chega a 40 graus”, diz Jedilson.

Com o calor e a necessidade de manter alimentos refrigerados, uma barra de gelo chega a ser vendida por R$ 50,00. A comunicação também é precária. As linhas de celulares das operadoras Vivo e Oi não funcionam. A Claro é a única operadora que dá algum sinal e, ainda assim de vez em quando. Há casos em que uma mensagem transmitida pelo whatsAPP pela manhã só é visualizada a noite.  Toda a energia que chega é direcionada apenas a hospitais e serviços essenciais.

“Toda essa situação poderia ser evitada se a empresa que ganhou a concessão da linha de transmissão contratasse profissionais com qualificação, mas ela só se interessa em pagar baixos salários, colocando a população em risco”, critica Jedilson.

Apagão provoca debate nas redes sociais

As redes sociais têm sido utilizadas para manter a população corretamente informada porque a direita tem contado mentiras dizendo que a  subestação era da Eletronorte, diz um técnico da empresa que não quer se identificar.

“Mesmo com o esclarecimento e desmentido por parte das redes sociais a mídia não coloca que a subestação é de uma empresa privada para não ‘melar’ a privatização”, desabafa o trabalhador.

Por outro lado, a direita também tem utilizado as redes sociais para promover a discórdia. Como no exemplo abaixo em que a economista Elena Landau  insiste em dizer que a responsabilidade do apagão é de uma empresa estatal. Ela foi contestada em sua própria publicação.

REPRODUÇÃOReprodução

O ex-prefeito de São Paulo pelo PT e ex-candidato à Presidência da República, Fernando Haddad também utilizou a rede social para criticar a paralisia de Jair Bolsonaro na questão do Amapá. Para ele, tanto o presidente como seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, só se preocupam com a reeleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, enquanto o povo amapaense sofre as consequências de mais um descaso do presidente da República.

REPRODUÇÃOReprodução

 

Edição: Marize Muniz

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O grupo multinacional que controla a concessionária Linhas do Macapá não conseguiu resolver o problema e pediu socorro para os trabalhadores da  Eletrobras. A estatal brasileira está enviando técnicos dos estados do Pará, Maranhão e Rondônia para ajudar no reparo. O problema é que nem um gerador substituto, nem peças de reposição, a Isolux possui no local.

“O que acontece no Amapá pode acontecer em outros lugares. Bolsonaro e ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque vêm dizendo que a Eletrobras não tem capacidade de investimento, e apostam na privatização, só que na hora em que acontece um acidente como este são os técnicos da Eletrobras que são convocados para prestarem socorro à empresa internacional porque ela não tem capacidade para resolver o problema”, alerta Wellington, que também é funcionário da Eletronorte, do holding Eletrobras.

De acordo com o dirigente, a Isolux não tem capacidade técnica, nem trabalhadores em números suficientes para manutenção, nem recompor a energia em pouco espaço de tempo, por isso os técnicos da Eletrobras foram chamados para prestar socorro.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O Acordo de Alcântara, em que Bolsonaro doa a base aérea aos Estados Unidos, sacrificaria a soberania do Brasil, o desenvolvimento, e os direitos dos quilombolas brasileiros, conforme analisa o pesquisador norte-americano Sean T. Mitchell



Como pesquisador norte-americano que viveu, estudou, e escreveu sobre Alcântara por muitos anos, entendo que o dito Acordo fará exatamente o contrário do que vem sendo afirmado por seus apoiadores.

Do Jornal GGN:


O Acordo de Alcântara sacrificaria a soberania, o desenvolvimento, e os direitos dos quilombolas brasileiros

por Sean T. Mitchell

No dia 20 de agosto, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara aprovou o “Acordo de Salvaguardas Tecnológicas” que permite aos Estados Unidos a utilização do Centro de Lançamento de Satélites de Alcântara, no Maranhão, passo chave para a possível ratificação final pelo Congresso brasileiro. 
O presidente Bolsonaro comemorou a votação, tweetando que “há 20 anos esperávamos a efetivação de um acordo que pudesse nos colocar no seleto grupo da corrida espacial.” Cabe ressaltar que tal afirmação representa uma mudança radical e estranha do presidente. Quando congressista, Bolsonaro foi energicamente contra um acordo semelhante que fora proposto no ano 2000. O Senador Eduardo Bolsonaro, presidente da Comissão, ecoando seu pai, tweetou que, “Se ele for revogado EUA seguirá lançando seus foguetes e satélites de outros locais. Mas como ficarão os quilombolas e os cidadãos de Alcântara?” Faz tempo que os defensores do Acordo, assinado em Washington no dia 18 de março, vem afirmando que os mesmo desenvolverá o programa espacial brasileiro e, ao mesmo tempo, ajudará as muitas comunidades quilombolas da região e protegerá a soberania do Brasil. Essas afirmações são corretas?
Como pesquisador norte-americano que viveu, estudou, e escreveu sobre Alcântara por muitos anos, entendo que o dito Acordo fará exatamente o contrário do que vem sendo afirmado por seus apoiadores. Em particular, se aprovado, o Acordo vai minar os direitos constitucionais dos quilombos de Alcântara às suas terras e à preservação do seu modo de vida, comprometendo também de uma vez por todas os planos brasileiros de desenvolver um programa espacial independente e uma política externa soberana. 
Quando o Centro de Lançamento foi anunciado na década de 1980, o (então) Ministério da Aeronáutica o apresentou como o mais ambicioso projeto científico a ser empreendido por um “país em desenvolvimento.” Ao abandonar essas ambições, o Brasil receberá pouco em troca. O fato é que não tem que ser assim. O Brasil pode desenvolver seu programa espacial e proteger os direitos de suas populações tradicionais e as populações minoritárias. 
A construção do Centro de Lançamento expulsou mais de 300 famílias de quilombolas de suas casas costeiras para agrovilas do interior, onde não tinham terra suficiente ou acesso aos recursos oceânicos para manter o modo de vida que desenvolveram após o declínio da exportação de algodão e do trabalho escravo na região durante o século XIX.  Esses moradores, antes independentes, agora se encontravam mais pobres e dependentes dos pequenos salários disponíveis no Centro de Lançamento. Decepcionados com o fracasso das promessas governamentais de desenvolvimento e com a pobreza visível nas agrovilas, as centenas de famílias quilombolas que ainda vivem nas suas comunidades costeiras resistem há muito tempo a expropriação de suas terras. São comunidades que vivem na península da periferia da Amazônia Legal que continuam a exercer pesca e agricultura sustentáveis. 
Essas famílias conseguiram permanecer no território por duas razões principais. Primeiro, o Centro de Lançamento existente já dispõe de terra suficiente. Os quase 9.000 hectares ocupados pelo atual Centro de Lançamento têm uma extensa infraestrutura de lançamento já construída. O programa espacial brasileiro pode florescer na terra que já possui. Segundo, o governo federal reconheceu os territórios de Alcântara como “remanescentes das comunidades dos quilombos” em 2004, assegurando seu direito constitucional às suas terras sob a Artigo 68 da Constituição (ADCT).  Mas apesar dessas proteções constitucionais, o novo Acordo faz parte de um projeto de expansão da área ocupada pelo Centro Espacial e resultaria na expropriação de cerca de 800 dessas famílias quilombolas de suas terras ancestrais. Para os defensores do mesmo, esse sacrifício seria necessário para assegurar que o Brasil entre no “seleto grupo da corrida espacial,” como disse o presidente Bolsonaro. Mas a realidade é muito diferente. 
Sob os presidentes Temer e Bolsonaro, o Brasil desistiu de investir no desenvolvimento de um programa espacial competitivo. Em 2019, por exemplo, apenas 179 milhões de reais foram autorizados para o programa espacial brasileiro, uma queda abrupta comparada aos 603 milhões autorizados em 2012, quando o Real era muito mais forte do que é hoje. Da mesma forma, quando o Brasil iniciou seu programa espacial, em 1961, teve um importante avanço em desenvolvimento espacial em relação aos países como Índia e China. Agora essas nações saltaram à frente, com programas espaciais independentes e bem-sucedidos, e que recebem investimentos na casa dos bilhões de dólares (EUA), enquanto o Brasil gasta apenas milhões nestas atividades científicas.  
O Acordo de 2019 é muito semelhante ao outro que fora feito em 2000, mas rejeitado pelo Congresso brasileiro por várias falhas apontadas, inclusive pelo então deputado Jair Bolsonaro, que disse que tal acordo iria “abrir mão de parte da nossa soberania para ganharmos alguns milhões de dólares por ano, não alugando o Centro de Lançamento de Alcântara, mas, na verdade, alienando-o“. Isso era verdade quando o deputado Bolsonaro o disse em 2001 e continua sendo verdade agora que ele é presidente. 
A criação de “áreas restritas” em Alcântara fora do alcance dos brasileiros, parte central do novo Acordo, talvez pudesse ser justificada pela dita necessidade de proteger e prevenir a transferência da tecnologia americana. No entanto, sob seus termos, o Acordo também imporá limites rígidos à transferência de tecnologia de outros países e das suas empresas para o Brasil. Além disso, o Acordo restringe os países que poderão aguar em Alcântara. Países que não tenham assinado o Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis (MTCR, em inglês), por exemplo, estarão proibidos de transferir tecnologia, financiamento, ou pessoal para projetos desenvolvidos em Alcântara. A China, principal parceiro brasileiro no lançamento e desenvolvimento de satélites na última década, não é signatária do MTCR e, portanto, será proibida de participar de ações em Alcântara, bem como qualquer nação que os Estados Unidos considerem ter cometido “atos de terrorismo”.
Essas limitações darão aos Estados Unidos um veto efetivo à cooperação internacional brasileira em seu principal centro de lançamento. Além disso, o Acordo proíbe que o Brasil “use o dinheiro dos lançamentos no desenvolvimento de veículos lançadores”, colocando limites ao desenvolvimento do próprio programa de lançamento de satélites do Brasil. Fica claro, pois, que o prometido Acordo limita severamente a capacidade do Brasil de possuir essa tecnologia em si, tornando o Brasil dependente dos Estados Unidos. 
Nada disso, nem o sacrifício das comunidades quilombolas, nem o sacrifício de um programa espacial soberano, são necessários. O Brasil já esteve muito próximo de desenvolver com sucesso a tecnologia de lançamento de satélites, principalmente antes da trágica explosão do foguete VLS-1 em 2003, que matou 21 engenheiros e técnicos, e da qual o programa de lançamento de satélites do Brasil nunca se recuperou. Com este acordo, e com os atuais níveis lamentáveis de financiamento do programa de lançamento de satélites do Brasil, o programa espacial brasileiro nunca se recuperará, e o governo brasileiro limitará desnecessariamente sua soberania e minará os direitos dos quilombolas de Alcântara.  
A Índia e a China não precisaram colocar cláusulas destruidoras da soberania em acordos de salvaguardas tecnológicas, porque já têm programas espaciais independentes que lhes permitem negociar a partir de uma posição de força.  O Brasil, ao abandonar seu próprio programa espacial e ao minar o desenvolvimento tecnológico e social brasileiro, está negociando a partir de uma posição de fraqueza. 
Há uma solução para Alcântara que une os direitos dos quilombolas de Alcântara a um projeto de desenvolvimento tecnológico brasileiro soberano. O Brasil deve retomar o investimento em seu próprio programa espacial e buscar parcerias internacionais que não requeiram o abandono de uma política tecnológica soberana. Os quase 9.000 hectares de terra já expropriados em Alcântara, e a formidável experiência em instituições brasileiras como o INPE e o IAE, fornecem ampla base para um programa de lançamento que poderia aproveitar as vantagens gravitacionais de Alcântara nos mercados de lançamento internacionais. O que é necessário é investimento e garantia dos direitos do povo brasileiro.  
Como um estrangeiro que ama e acredita no Brasil e no povo de Alcântara, espero que o Congresso rejeite este Acordo e, em vez disso, reinvista no desenvolvimento tecnológico soberano e atue para proteger os direitos das populações minoritárias do Brasil, objetivos que são ao mesmo tempo alcançáveis e desejáveis. 
Sean T. Mitchell é professor de Antropologia na Rutgers University, Newark (EUA). Realizou muitos anos de pesquisa em Alcântara e é autor de “Constellations of Inequality: Space, Race, and Utopia in Brazil” (University of Chicago Press, 2017).

terça-feira, 6 de agosto de 2019

A Escola de Chicago (privatista adotada por Paulo Guedes)não viaja bem, por Andre Motta Araujo




É surpreendente que mentes tão medíocres e toscas como os atuais comandantes da economia brasileira tenham sido alunos de Chicago na época de Friedman, pouco absorveram do seu refinamento intelectual e transportaram suas ideias ao Brasil embrulhadas em papel de padaria.



A Escola de Chicago não viaja bem

por Andre Motta Araujo, no GGN

Uma combinação de má fé, insanidade, estupidez e ignorância alega que o País vai crescer com ajuste fiscal, a arrecadação cai e isso justifica mais cortes orçamentários, sob o eufemismo de “contingenciamentos”. Mais cortes reduzem a atividade econômica e a arrecadação cai mais, aí se tornam necessários mais cortes, em um círculo infernal sem fim, como se isso fosse ciência e não fé numa seita fundamentalista enterrada pelo mundo, menos no Brasil.
Aí aparece em um mês um microcrescimento de emprego, rojões são comemorados pela GLOBONEWS, cujo programa FATOS E VERSÕES desta semana parecia ter sido feito para o Canadá, tais os sorrisos de satisfação de Cristiana Lobo pela ótima situação da economia brasileira, segundo sua “análise”.
Micro variações estatísticas não significam tendência, são da natureza de um organismo vivo, como é a economia de um grande País, até doentes terminais têm momentos de melhora antes do último suspiro. NENHUMA recessão dura cinco anos, quando isso acontece há um persistente erro de manejo da política econômica, há algo de profundamente errado na operação da política monetária que induz o País a andar para trás.
O que o País NÃO CRESCEU nestes cinco anos, comparando-se com a média de países como Peru, Paraguai, Bolívia e Colômbia, mostra que o Brasil EMPOBRECEU em 11% do PIB pelo que não cresceu, algo inacreditável comparando-se com períodos em que crescia mesmo com alta inflação e crises cambiais mas sem a praga daninha que destrói os fundamentos de nossa política econômica especialmente desde 1994. A presença no comando da economia de “economistas de mercado” ligados ao mundo financeiro de Nova York, um biotipo mortal para qualquer economia que pretenda ter um projeto nacional para toda a população.
A ESCOLA DE CHICAGO MAL EXPLICADA
A cúpula do comando atual da economia brasileira se gaba de ter cursado o departamento de economia da Universidade de Chicago, cujo maior doador de recursos foi o primeiro John Rockefeller. Essa escola de economia, ao contrário das escolas de economia da Costa Leste, Harvard, Princeton, Yale, MIT, John Hopkins, Columbia, tem um viés ideológico como marca registrada, tornou-se uma seita para os neoliberais do mundo, enquanto as demais grandes escolas americanas são ecléticas e não identificadas com uma ideologia fixa.
Chicago representa não só uma escola de economia, é também uma ideologia política misturada às lições de economia. Sua época mais gloriosa nasceu com a segunda fase da Escola Monetarista de Milton Friedman. A primeira escola monetarista de Irving Fisher terminou em desgraça, quando esse então famoso economista disse, duas semanas antes da quebra da bolsa em 1929, que “a economia dos EUA nunca esteve tão forte e teremos anos de prosperidade pela frente”. Com o “crash” de 24 de outubro de 1929 essa profecia liquidou com a reputação de Fisher para sempre e desmoralizou a primeira Escola Monetarista, reinventada nos anos 60 por Milton Friedman no departamento de economia da Universidade de Chicago.
Narrei com mais detalhes essa trajetória da segunda escola monetarista em vários capítulos de meu livro MOEDA E PROSPERIDADE, de 900 páginas. Milton Friedman era um grande economista, com nome consagrado na sua obra mais conhecida História Monetária dos Estados Unidos, escrito com Anne Schwartz, outra grande economista falecida depois de Friedman, ambos com mais de 90 anos.
Friedman ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 1976 e teve grande influência no governo Reagan e no relançamento de uma sub-ideologia conhecida como” neoliberalismo”. Mas, ao contrário da visão pedestre, Friedman era mais que um neoliberal, tinha inteligência superior para criar conceitos que seus seguidores não querem lembrar, Friedman foi o pai intelectual da ideia de uma “bolsa família” para os mais pobres e tinha visões avançadas sobre drogas e outros temas sociais.
É surpreendente que mentes tão medíocres e toscas como os atuais comandantes da economia brasileira tenham sido alunos de Chicago na época de Friedman, pouco absorveram do seu refinamento intelectual e transportaram suas ideias ao Brasil embrulhadas em papel de padaria.
No Chile, a aplicação das ideias de Chicago levou o Pais a um desastre econômico e social que levaram à expulsão dos “economistas de Chicago” com a queda do Ministro da Fazenda Sergio de Castro após uma crise cambial que levou a economia chilena à ruína completa, com a previdência capitalizada levando à miséria, até hoje, os idosos chilenos. Um projeto maluco e sem sentido em países emergentes, onde pobres não tem sobra para esse tipo luxo.
Política muito parecida com o plano Paulo Guedes foi aplicada à Argentina no Governo Carlos Menem, onde o Ministro todo poderoso da economia era Domingo Cavallo. Ao fim da gestão Cavallo, que privatizou tudo, até o jardim zoológico de Buenos Aires, a economia da Argentina estava destruída.
Assim como certo vinhos, a Escola de Chicago viaja mal fora do meio oeste americano, onde é hoje peça de museu, depois da mega crise financeira de 2008, quando o desprezado ESTADO salvou a economia de mercado. Logo o Estado, que segundo a teoria de Chicago não deveria atrapalhar o mercado.
AMA

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Elitismo, recessão e o terraplanismo de economistas e empresários, por Luis Nassif



Aqui criou-se a teoria da geração espontânea e das falsas identidades. Basta o Estado sair, que o setor privado ocupará o espaço. Assim, como se não houvesse nenhuma relação entre ambos.


Do Jornal GGN:


Acho que foi Nelson Rodrigues quem definiu o subdesenvolvimento como um trabalho de gerações. A maneira como economistas, mercado, empresários do setor real da economia estão reagindo a esse desmonte do país (e da economia), é demonstração acabada do nível de desinformação a que chegou a sociedade brasileira.
Criou-se uma fábula ideológica, que não consta do manual de nenhuma economia desenvolvida. A de que o Estado tem que sair de TODAS as atividades, não apenas da produção, mas de suas próprias responsabilidade como Estado. E que bastaria o Estado sair para o setor privado ocupar o espaço e a banca ganhar e dividir com os empresários do setor real.
Em qualquer sociedade minimamente racional, há uma complementaridade entre Estado e setor privado, com o Estado servindo de alavancagem para os negócios privados, investindo em educação, inovação, financiamentos de longo prazo, gastos públicos. Principalmente em períodos de recessão, os gastos públicas têm papel essencial.
Despesa do Estado significa receita do setor privado.
Aqui criou-se a teoria da geração espontânea e das falsas identidades. Basta o Estado sair, que o setor privado ocupará o espaço. Assim, como se não houvesse nenhuma relação entre ambos. Tenho um produto 1, uma parte é do Estado, outra do setor privado. Se tiro o Estado, fica tudo para o setor privado. Aí descobrem – alvíssaras! – que o produto ficou bem menor que 1 e que o setor privado ficou menor do que no período em que havia mais Estado.
A isso se chama recessão. O setor privado não aparece para suprir os vácuos, a recessão se prolonga, o desemprego aumenta. E o que acontece? O Secretário Executivo do Ministério da Fazenda dá uma entrevista dizendo que pediu um diagnóstico para sua equipe, porque não tinha ideia de que havia tantas empresas que dependiam dos gastos públicos. Como assim?
Qualquer curso de economia ensina conceitos de medição do PIB (Produto Interno Bruto), de matriz insumo-produto. Têm-se uma instituição exemplar, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) medindo mensalmente o pulso da economia, permitindo avaliar o peso do Estado na produção, do setor privado, as implicações da redução dos gastos públicos.
E o brilhante Secretário diz que não tinha noção de que os gastos públicos eram tão relevantes e que iria criar um grupo para analisar as implicações da sua redução na atividade produtiva.
Jogou-se a economia para ser administrada por aprendizes de feiticeiro, sem noção básica sobre a estrutura econômica. E eles não estão apenas no Banco Central.
Os modelitos dos cabeças de planilha
Lembro-me das primeiras conferências de economia que fui cobrir, ainda no início de carreira. Me chamava a atenção os modelos econômicos propostos. O sujeito definia um modelo, colocava três ou quatro variáveis e tirava suas conclusões.
Aí a banca de examinadores questionava. Faltou incluir o fator trabalho. Faltou incluir o fator agricultura. Faltou incluir o fator político. Faltou incluir o fator receita pública. Quando o examinado reincluía tudo, o modelo não fechava.
Sugiro uma leitura atenta do artigo “Economistas dão receitas para o Brasil voltar a crescer após a reforma da Previdência” (clique aqui). É de um nonsense total.
Desde a gestão Joaquim Levy, em cima da uma crise externa (a redução dos preços das commodities) seguiu-se uma política extremamente ortodoxa de corte de gastos públicos, redução da demanda pública jogando a economia em quedas recordes, mesmo com o país sentado em reservas cambiais expressivas e sem riscos cambiais (que estão na raiz de todos os grandes problemas econômicos de países). Depois de quedas expressivas do PIB, a recuperação costuma ser rápida, porque há capacidade ociosa na economia. Mas nada disso ocorreu. Qual a razão?
Ora, não se trata de discussões econômicas esotéricas, mas de analise de caso, dissecação do cadáver.
Vamos a uma analise das receitas propostas por economistas ouvidos pelo Valor

Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

“A estagnação atual é o preço que a sociedade está pagando pelos erros de política econômica dos últimos anos, especialmente pela era em que o país foi comandado por Dilma Rousseff (PT).
Em 2009 e 2010, na sequência da crise financeira mundial, avalia, a reação brasileira de curto prazo foi positiva, e a economia brasileira reagiu. “Só que passamos a utilizar políticas de reativação de curto prazo como políticas de estímulo de longo prazo e intensificamos o uso da política fiscal para alavancar o crescimento da economia. Esse foi o grande equívoco da política econômica”, diz Castelo Branco. Para ele, não há espaço para o uso de qualquer política fiscal nessa retomada. Mais reformas, menos juros e mais crédito (especialmente para pequenas e médias empresas) compõem sua receita para voltar a crescer”
Observação 1 – os erros de Dilma explicam a queda do PIB em 2015 e 2016. Dali em diante, a responsabilidade total é das políticas econômicas implementadas por Temer e Bolsonaro. Mesmo porque, a literatura econômica mundial é unânime na constatação que, depois de uma longa queda do PIB, a recuperação costuma ser bastante rápida. E a recessão brasileira prossegue até hoje.
Observação 2 – ele divide a crise brasileira em três períodos. Período 1: na crise de 2008-2010 foram tomadas medidas positivas (aumento dos gastos públicos, estímulos ao consumo, políticas fiscais expansivas. Período 2 –  de Dilma foi errado, porque Dilma usou instrumentos de reativação de curto prazo como políticas de estímulo de longo prazo. Período 3 – agora, necessita-se urgentemente de estímulos de curto prazo, como foi no Período 1. De repente, essas medidas de estímulo passam a ser impraticáveis.
Observação 3 – diz que não há espaço para políticas fiscais, ignorando completamente as relações entre gastos públicos e recuperação da economia no curto prazo, ainda mais em uma situação de ampla capacidade ociosa da indústria. Propõem o arroz com feijão do mercado, de mais reformas, menos juros e mais crédito. Quem vai tomar crédito sem haver demanda? É pergunta básica que não é respondia.

O pesquisador-associado do Ibre Bráulio Borges

“Uma parte importante da frustração com a atividade econômica “se deve a um excesso de cautela da política monetária”. “Não é coincidência a inflação estar correndo sistematicamente abaixo da meta e termos, do outro lado, a retomada atipicamente lenta da atividade econômica”, argumenta. (…). O primeiro impulso à atividade, defende, virá quando o Banco Central baixar fortemente a taxa básica de juros. E se ela voltar a subir em 2020 depois de cair até o fim deste ano – como preveem os economistas ouvidos pelo Banco Central -, o crescimento pode ser, novamente, contido, avalia”.
Foge que nem o diabo da cruz de qualquer frase que possa parecer estímulo à demanda, porque o tema está anatematizado no sistema. Repito: de que adianta reduzir os juros se não demanda. As empresas tomam crédito ou para reestruturar dívida ou para financiar planos de investimento. Com recessão se espalhando por todos os quadrantes, não há planos de investimento a serem financiados.

Fernando Honorato Barbosa, economista-chefe do Bradesco

“Ele e e sua equipe, passaram a considerar uma tese nova. Além de choques tradicionais que vieram diferentes do esperado (como o menor crescimento mundial, a crise argentina, a greve dos caminhoneiros no ano passado, entre outras), eles dizem acreditar que a presença do setor público na economia se estendia muito além dos 20% calculados no PIB. Programas como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), entre outros, ampliaram o tamanho da relação entre o setor público e o privado nos anos anteriores à recessão.
“Quando você corta o gasto público com o teto de gastos, em 2016, uma parte da economia que vivia do setor público para de crescer.
Finalmente, uma lufada de bom senso. Mas aí vem a interdição total do debate, que obriga o economista a pedir desculpas por ver o rei nu:
Não estou dizendo que isso é o culpado pela desaceleração, o caminho é esse e está correto. Mas esperávamos que, quando o governo saísse de cena, o setor privado seria o protagonista do crescimento, e ele não tem sido. É aqui que está a frustração, e não propriamente com a saída do governo”.
É fantástico! Admite que a saída do Estado acelerou a recessão. Mas está frustrado apenas com o resultado – a recessão – e não com a causa – a saída do Estado. Entenderam? Nem eu.

Jose Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do IBRE

Senna, ao contrário, é bastante cético sobre a capacidade de uma redução adicional da taxa básica de juros ajudar a economia brasileira. Ele ancora sua avaliação na já expressiva queda dos juros formados no mercado. “Estímulos de demanda não vão produzir efeitos expressivos. Não podemos acionar o instrumento fiscal quando o governo precisa reduzir seus gastos. Talvez possamos ter uma redução modesta dos juros, mas a atividade não responde só a juros, como a zona do euro nos ensina. Além disso, o mercado financeiro já fez o afrouxamento monetário. Os juros mais longos, formados no mercado, já caíram ao longo deste ano, e não vimos nenhuma euforia das empresas para tomar crédito. Esse é um grande sinal de que o estímulo monetário não é a solução”, diz ele.
Ou seja, não tem saída monetária – no que está certo – e não tem saída fiscal, porque o governo esta quebrado.  Resta cortar os pulsos ou fazer um pneumotórax.  Nenhuma curiosidade em analisar o impacto de gastos públicos na receita fiscal e no crescimento, como se aumento de despesas públicas fosse absolutamente neutro em relação ao aumento da receita fiscal.

Conclusão

A exemplo do que ocorreu na Europa e nos Estados Unidos, no período pré-crise, toda a discussão econômica fica subordinada aos dogmas criados pela ortodoxia e consagrados pelo mercado. Análises que não resistem a uma mera observação empírica, passaram a ser tratadas como ciência pura, da qual não se pode questionar sob risco de perder o respeito da plateia de ignaros que acredita no terraplanismo da economia.

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sexta-feira, 24 de maio de 2019

O projeto econômico privatarista de Paulo Guedes vai resultar em demissões em massa, é da lógica mundial de privatizações, CORTAR CUSTOS, como a VALE fez com as barragens




Os mercados não vão criar empregos

por André Motta Araújo

A vergonhosa submissão da grande mídia aos mercados participa do engodo que diz que “após a reforma da previdência virão investimentos que criarão empregos” bla, bla, bla. Total mistificação que qualquer mídia minimamente inteligente deveria contestar. Sabem mas são coniventes na mistificação.
O investimento dos “mercados” para o Brasil, quando e se virão, será de fundos não conservadores que só se interessam por taxas de retornos altíssimas, tipo 15 a 18% ao ano. São fundos especulativos, um pouco acima de fundos abutres. Essas taxas de retornos só são possíveis em operações altamente alavancadas, por exemplo uma usina de energia onde o equity (capital de risco) é 30% e o financiamento em reais é de 70%. Eles se interessam por galinhas mortas de privatizações na bacia das almas, compram para revender depois, não tem nenhum interesse em investimentos a longo prazo, só querem negócios onde entram com 100 e saem com 300 dois anos depois.
Esse tipo de negócio pirata não gera NENHUM emprego, ao contrário, desemprega. Típico negócio de bancos de investimento cariocas, lembrando que empresas como LIGHT RIO, OI, BRASIL TELECOM, VALE, CSB, ELETROPAULO, CESP 3 (Duke), CPFL, AES SUL, foram compradas e REVENDIDAS nesse jogo especulativo. Quem arrematou na privatização depois revendeu, NENHUMA GEROU EMPREGOS, os negócios que o “plano Paulo Guedes de privatizações” está montando e disso para pior, jogadas especulativas, empregos ZERO.
Fundos conservadores americanos, fundos de pensão, consideram o Brasil muito arriscado, o BRASIL NÃO TEM GRAU DE INVESTIMENTO, está três níveis abaixo desse grau, só fundos piratas, um pouquinho melhores que abutres, podem arriscar alguma coisa no Brasil, o resto é lenda para trouxas.
A ideia que depois da “reforma da Previdência” virão grandes investimentos no Brasil´ é uma MIRAGEM, é mistificação, só virão fundos especulativos.
INVESTIMENTOS REAIS NA INFRAESTRUTURA
Tradicionalmente rendem taxas de retorno modestas, 5 a 8%, SÓ CHINESES SE INTERESSAM, mas eles estão ariscos com a atitude anti-chinesa já declarada pelo governo Bolsonaro. Os chineses são altamente sensíveis ao ambiente político em países onde investem, estão receosos de investir no Brasil.
As estatais chinesas já tem US$ 63 bilhões de dólares investidos no Brasil, especialmente STATE GRID em linhas de transmissão,  na compra da CPFL, segunda maior distribuidora  do País, pela qual pagaram ao grupo Camargo Correa R$1 2 bilhões e na antiga CESP Paranapanema, recompra do que era a americana DUKE ENERGY, dos americanos da primeira leva dos anos 90, só sobrou um pedaço da poderosa AES na antiga CESP Tietê.
OS ESPECULADORES DE OLHO NAS PRIVATIZAÇÕES
A fina flor dos especuladores de Nova York e Greenwich, Conn., que tem metas alucinadas de retorno de 18% ao ano tem interesse em comprar estatais que valem US$ 20 bilhões por US$ 3 bilhões e ainda financiando, no BNDES, 70% do preço de compra em Reais. O time Guedes sabe disso e está preparado para essas transações, eles são ideologicamente favoráveis às privatizações, acham bom negócio para o País, mesmo que deem as empresas de graça.
A QUESTÃO DOS EMPREGOS
Alguém em sã consciência acha que quando o pernóstico presidente da PETROBRAS Paulo Roberto Castello Branco, com sua pose de Rei Luis XV, vender as OITO refinarias, quem comprar não vai cortar 70% dos empregos? A ELETROPAULO estatal, que sempre foi lucrativa, foi privatizada com 27.000 empregados, nível adequado a uma empresa com 8 milhões de clientes, em dois anos tinha 3.600, o resto foi demitido. Nas refinarias o corte vai ser por aí.
O projeto econômico Paulo Guedes vai resultar em demissões em massa, é da lógica mundial de privatizações, CORTAR CUSTOS, como a VALE fez com as barragens, é a forma clássica de elevar as taxas de retorno e garantir os bônus dos executivos, a VALE é a síntese da lógica das privatizações.
Quem achar que estou exagerando, fui consultor dos principais compradores de privatizações na Era FHC, depois diretor de empresas privatizadas representando o comprador estrangeiro, depois consultor de fundos americanos e canadenses interessados em privatizações no Brasil.
Meu conhecimento é POR DENTRO do processo e não de acadêmico, o novo ciclo de privatizações será muito pior do que o ciclo da Era FHC.
AMA