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sábado, 9 de outubro de 2021

Os 600 mil mortos pela Covid com a ajuda genocida de um governo negacionista, elitista e destruidor da economia e do meio ambiente... Vídeo de José Fernandes e Charge de Beto

 

Corda arrebentou! Quem vai pagar? Bolsonaro e Guedes na cadeia? Jornalismo cínico lamentará as vítimas mas poupará os responsáveis pela destruição social e econômico-ambiental!





A corda arrebentou em várias áreas. Como essa gente que comanda ou "descomanda" o Brasil pensa em escapar? Como conseguem uma blindagem espetacular e cínica? Existe jornalismo nos grandes veículos de comunicação ou são todos membros de uma gangue? Muita coisa hoje para debatermos e mostrarmos no Portal. Sigamos.


quarta-feira, 26 de maio de 2021

Reinaldo Azevedo: Estudo da Fiocruz, apesar dos ataques de bolsonaristas à ciência e pesquisas nacionais, joga luzes no coronavírus. Mas as trevas insistem

 

Do Canal BandNews FM:

Reinaldo Azevedo comenta o estudo da Fiocruz que pode mudar o entendimento sobre o coronavírus. A hipótese é de que a Covid-19 possa reativar um vírus ancestral no nosso genoma. O âncora da BandNews FM exalta a ciência e os pesquisadores brasileiros.





terça-feira, 6 de abril de 2021

Do Justificando: Federação Nacional dos Advogados critica “ressurgimento” do resquício militar autoritário abusivo do uso da Lei de Segurança Nacional

 

 "A par de todos os desmandos que nos conduziram à catastrófica situação a que estamos agora submetidos, com a pandemia fora de controle, colapso no atendimento dos hospitais, risco da falta de medicamentos essenciais ao socorro das vítimas do vírus (e da inconsequência), além da incompetência generalizada para a necessária aquisição de vacinas e adoção de outras medidas que poderiam minimizar os perversos efeitos da pandemia ao invés de agravá-la, ainda se abateu sobre nós, de algum tempo para cá, o ressurgimento do uso da malsinada Lei de Segurança Nacional (LSN) para refrear supostos abusos de linguagem, mesmo quando não exista violência, grave ameaça ou risco às instituições democráticas, de modo a mascarar a intimidação ou – o que é ainda mais grave – a perseguição de críticos do Presidente da República."


Por Redação do site Justificando:

 

A Federação Nacional dos Advogados, entidade que conduz reivindicações de advogados em todo território brasileiro, criticou a falta de vacinas e a postura do governo na condução da pandemia do coronavírus. Em nota, a instituição também alertou para “o ressurgimento do uso da malsinada Lei de Segurança Nacional” e disse que sua utilização está sendo feita para intimidar e perseguir críticos do Presidente da República.

 

Leia a nota na íntegra:

 

A FEDERAÇÃO NACIONAL DOS ADVOGADOS, vem a público para externar sua indignação e perplexidade com acontecimentos que têm tomado proporção no âmbito jurídico, não sem antes se solidarizar com as centenas de milhares de famílias enlutadas pela perda de seus entes queridos, cujas vidas foram prematuramente ceifadas pelos males decorrentes da COVID-19.

 

A par de todos os desmandos que nos conduziram à catastrófica situação a que estamos agora submetidos, com a pandemia fora de controle, colapso no atendimento dos hospitais, risco da falta de medicamentos essenciais ao socorro das vítimas do vírus (e da inconsequência), além da incompetência generalizada para a necessária aquisição de vacinas e adoção de outras medidas que poderiam minimizar os perversos efeitos da pandemia ao invés de agravá-la, ainda se abateu sobre nós, de algum tempo para cá, o ressurgimento do uso da malsinada Lei de Segurança Nacional (LSN) para refrear supostos abusos de linguagem, mesmo quando não exista violência, grave ameaça ou risco às instituições democráticas, de modo a mascarar a intimidação ou – o que é ainda mais grave – a perseguição de críticos do Presidente da República.

 

Não se trata de confundir insultos com a livre expressão do pensamento garantida constitucionalmente, mas além da maior exposição das pessoas públicas, as circunstâncias e a própria conduta desabrida adotada pelo Presidente autorizam o acirramento das críticas, sem que isto possa ser tipificado como crime e, menos ainda, sequer sugerir o enquadramento pela LSN.

 

Urge que a LSN, resquício lapidar do que se convencionou nomear de entulho autoritário, seja substituída por uma Lei de proteção ao Estado Democrático de Direito, como forma de garantir e preservar o bom funcionamento das instituições em benefício da nação brasileira.

 

São Paulo, 22 de março de 2021

 

Oscar Alves de Azevedo

Presidente da Federação Nacional dos Advogados

 

Antonio Ruiz Filho

Presidente da Comissão de Defesa da Democracia e das Prerrogativas

segunda-feira, 15 de março de 2021

Bolsonaro volta a atiçar aliança da morte

 

Um dia depois de usar máscara e defender vacina, ele ataca governadores que protegem população com lockdows. No Congresso, Centrão bloqueia CPI sobre sabotagem sanitária. Negacionismo e velha política unem-se e fazem país refém


COMO ESTAMOS

O Palácio do Planalto prevê que o Brasil vá passar as próximas seis semanas com média diária de óbitos por covid-19 acima de dois mil, segundo uma apuração do Valor. Mas, por aqui, imaginamos quanto tempo deve levar até chegarmos às três mil: ontem foram mais 2.207 e a média móvel bateu seu 13º recorde seguido, ficando em 1.705. Foram quase 12 mil mortes em apenas uma semana.

A maior fila por leitos para covid-19 no país é a do Paraná, que tem mais de mil pessoas. Mas o governador Ratinho Jr. (PSD) anunciou o fim do lockdown de 12 dias, autorizando a volta do comércio e das escolas em modelo híbrido. O detalhe é que todos os indicadores estão piores do que quando o lockdown começou, o que claramente indica a necessidade de mais tempo. Na vizinha Santa Catarina, o Ministério Público e a Defensoria Pública precisaram ir à Justiça para pedir lockdown de pelo menos duas semanas no estado, que também tem a saúde em colapso. O governador Carlos Moisés (PSL) decretou que vai manter abertos shoppings, academias e piscinas de uso coletivo em dias úteis…

No Ceará, o governador Camilo Santana (PT) estendeu o lockdown da capital para todo o estado. Começa a valer amanhã. 

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) decidiu colocar o estado em “fase emergencial” por duas semanas, a partir de segunda-feira. Finalmente vai ser suspensa a realização de missas e cultos, mas as igrejas podem ficar abertas para atendimento individual. Também ficam vetadas atividades esportivas, retirada de comida nos restaurantes e o funcionamento presencial de lojas de construção e de eletrônicos. O home office deve ser adotado para todas as atividades administrativas não-essenciais, e o comércio só pode funcionar por delivery. Quanto às escolas, seguem autorizadas, mas os recessos de abril e outubro vão ser antecipados, para que na prática elas fechem.

Felizmente, as associações de empresas do comércio, serviços e alimentação desistiram de pressionar pela reabertura imediata. 

Não foi o que aconteceu na capital do Rio, onde o Sindicato dos Bares e Restaurantes conseguiu reverter uma decisão do prefeito Eduardo Paes (DEM) de “só” mantê-los abertos até as 17h. Paes deu meia-volta. O horário desses lugares, que são sabidamente focos de superespalhamento, foi estendido para 21h. 

Aliás, Doria e o governador do RJ, Claudio Castro, se estranharam ontem. O paulista criticou o chefe do Executivo fluminense por não assinar o pacto em que governadores se comprometem com medidas contra a covid-19. “Lamento que o Rio de Janeiro, onde vivi parte da minha vida e conheci a minha esposa e tenho tantos e tantos amigos, ao invés de ter medidas que restrinjam – e com isso protejam a sua população – façam exatamente o caminho oposto”, disse Doria. Castro respondeu pelo Twitter: Recomendo a ele um chá de camomila e que cuide de SP, porque, do Rio, cuido eu.”

Enquanto isso… O presidente Jair Bolsonaro não só voltou a atacar os governadores pelas novas quarentenas como acusou os gestores de inflarem o número das mortes com o intuito de prejudicá-lo. 

PRESSÃO PELA CPI

Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) acionaram o Supremo para obrigar o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a instaurar a CPI que tem o objetivo de investigar a condução do governo federal da crise sanitária. No mandado de segurança protocolado ontem, eles lembram que Pacheco, eleito com apoio do Planalto, já se manifestou contra a abertura da comissão, taxando-a de “contraproducente” em entrevista ao Roda Viva. Para os senadores, a fala evidencia a “resistência pessoal” do presidente do Senado em abrir a CPI. “Não há qualquer justificativa plausível para a não instalação da CPI”, criticam.

O assunto tem aparecido com força na reunião de líderes do Senado há algumas semanas, segundo o Valor. E o senador Renan Calheiros (MDB-AL) é quem articula boa parte da pressão. Ele argumenta que o presidente do Senado não tem poderes para decidir se a comissão é válida ou não, apenas julga se o requerimento protocolado contém um “fato determinado” que justifique sua existência.

No plenário, foi a vez de Tasso Jereissati (PSDB-CE) cobrar, usando como gancho a quinta revisão feita por Eduardo Pazuello no número de doses que chegará aos estados em março. “Já está falando de 22 milhões a 25 milhões de doses, ou seja, não há a mínima transparência ou confiabilidade nas informações prestadas pelo ministro. Eu queria fazer um apelo, novamente. Vamos fazer – não é nada de impeachment – uma CPI para que o ministro ou qualquer autoridade que venha aqui, seja de farmacêutica, seja do governo, tenha responsabilidade e juramento sobre o que diz porque o que está sendo dito aqui não é verdadeiro“, criticou. Para o senador, somente com a criação da CPI o Congresso terá condições de recomendar a punição de qualquer autoridade que “omita” ou “minta” sobre as doses contratadas. 

Além de atuar pelo engavetamento da CPI, a base do governo quer emplacar um caminho alternativo, que retire do Ministério da Saúde a centralidade no combate à pandemia (e dilua sua responsabilidade). O vice-líder do governo no Congresso, senador Marcos Rogério (DEM-RO), elaborou um projeto para criar uma coordenação nacional de combate à pandemia, que teria liderança da União, mas contaria com a participação dos estados e municípios. Para nós, é difícil entender como isso seria diferente da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), fórum com esses mesmos atores responsável pela articulação interfederativa do SUS. 

O requerimento que solicita a criação na CPI é assinado por 32 senadores, tendo cinco assinaturas a mais do que o mínimo necessário. Também pesa o clima na casa o fato de haver, no momento, três senadores internados com covid-19: Major Olimpio (PSL-SP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Lasier Martins (Pode-RS).

CAIXA-PRETA

Falando em falta de transparência e vacinas, uma pesquisa da Open Knowledge Brasil e outros parceiros concluiu que mais de 70% dos dados que saem do Ministério da Saúde a respeito deste assunto são incompletos, indisponíveis ou inconsistentes. Além da confusão sobre as doses em si, existem falhas no monitoramento dos estoques de insumos necessários para tirar a campanha nacional de vacinação do papel, como a quantidade de seringas e agulhas disponíveis nos estados, que não tem sido discriminada pelo governo federal.

SUSPENSÃO POR EFEITOS

Pelo menos nove países europeus – Itália, Dinamarca, Noruega, Islândia, Áustria, Estônia, Lituânia, Letônia e Luxemburgo – suspenderam temporariamente a aplicação da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a covid-19. O motivo é a suspeita de que o produto possa estar relacionado a eventos adversos graves. A Dinamarca decidiu suspender o uso do imunizante por 14 dias depois que coágulos sanguíneos levaram uma pessoa à morte. Já nos demais países, só foi interrompido um lote específico depois que três pessoas morreram com trombose – uma na Áustria e duas na Itália.

A interrupção se dá por precaução, mas não há nada de concreto ligando os eventos ao uso desse imunizante. Segundo a EMA (a agência reguladora da União Europeia), até agora foram registrados 22 casos de trombose em mais de três milhões de vacinados nos países do Espaço Econômico Europeu. E essa incidência não é maior do que a normalmente observada na população em geral. 

No Brasil, a Anvisa está acompanhado as investigações das autoridades internacionais, mas ressaltou que o lote usado na Áustria não veio para cá. Disse ainda que, “nas bases nacionais que reúnem os eventos ocorridos com vacinas não há registros de embolismo e trombose associados às vacinas para covid”. A França e o Canadá afirmaram que não pretendem suspender a aplicação do imunizante. 

E no Japão é a Pfizer que anda preocupando. O ministro responsável pela campanha de imunização, Taro Kono, sinalizou que as taxas de anafilaxia (reação alérgica aguda) possivelmente ligadas à vacina estão mais altas do que as relatadas em outros países, como os Estados Unidos e os europeus. Foram 25 casos em cerca de 148 mil profissionais de saúde vacinados, enquanto nos EUA tem sido relatada uma reação do tipo a cada milhão de doses aplicadas. Se o problema se confirmar, é um baita azar para o país asiático, onde a rejeição às vacinas já era muito alta.

POSSÍVEL TRATAMENTO

As farmacêuticas Vir Biotechnology, dos Estados Unidos, e GSK, do Reino Unido, anunciaram ontem que seu tratamento contra a covid-19 reduziu em 85% as mortes e hospitalizações, segundo resultados provisórios de um estudo com 583 pessoas. A droga em questão é o anticorpo monoclonal VIR-7831. Como já estamos habituados, os números foram divulgados sem as informações completas do ensaio. As empresas pretendem pedir aprovação aos órgãos reguladores dos EUA e da União Europeia imediatamente. 

Se as agências confirmarem os dados e derem sinal verde, a droga pode se tornar uma arma importante na pandemia – mas, a exemplo de outros tratamentos com anticorpos, talvez venha a ser cara demais.

Com os resultados rápidos e animadores de tantas vacinas, a pesquisa de novos remédios anda meio fora do foco. Porém, pesquisadores continuam correndo atrás desse tipo de solução, e uma reportagem do site da Science detalha em que pé estão esses trabalhos, tratando especificamente das drogas antivirais. Hoje, cerca de 239 moléculas do tipo estão em desenvolvimento, para mirar várias partes do ciclo de vida viral. Mas talvez nenhum composto venha a conseguir “nocautear” o SARS-CoV-2, e especialistas apostam que a melhor estratégia seja aquela utilizada para combater o HIV e a hepatite C: misturar antivirais que miram proteínas diferentes do vírus. De todo modo, isso ainda vai levar muito tempo.

ENFIM, O AUXÍLIO

A Câmara dos Deputados aprovou a PEC Emergencial nessa madrugada. O resultado do segundo turno da votação ficou em 366 votos a favor e 127 contra, ultrapassando com margem confortável os 308 votos necessários para a proposta passar. 

O texto que destrava o auxílio emergencial também traz alguns gatilhos de ajuste fiscal. Mas segundo um levantamento do Centro de Liderança Pública, a maior parte desse ajuste depende da redução de benefícios tributários. E de acordo com a Folha, essa revisão é “incerta”. De um total de R$ 120,6 bilhões em uma década, esses incentivos fiscais somam R$ 100 bi. O restante do ajuste é todo feito em cima dos servidores e do funcionamento da máquina pública. 

A previsão é que a PEC não seja sancionada antes da semana que vem, o que vai atrasar o pagamento da primeira parcela do auxílio de março para abril. O governo planeja um grande evento para marcar a assinatura do texto.

Depois da sanção, ainda será preciso editar uma medida provisória com as regras do novo auxílio, que deve abranger aproximadamente 40 milhões de pessoas com parcelas que podem variar entre R$ 175 e R$ 375.

A equipe econômica já discute a possibilidade de ter que estender o período de pagamento do auxílio para além dos quatro meses previstos na PEC. Neste caso, o governo enviaria outra PEC ao Congresso, desta vez sem jabutis, só tratando do auxílio. Além do recrudescimento da pandemia no Brasil, há um outro motivo para esse debate ter surgido nas últimas reuniões do time de Paulo Guedes: 

“Outra variável que entrou no radar foi a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Auxiliares próximos ao presidente avaliam que o benefício foi importante para elevar a aprovação de Bolsonaro no ano passado e uma nova rodada pode ser decisiva neste ano”, escreve o repórter Manoel Ventura n´O Globo.

A ECONOMIA SEGUNDO GUEDES

O ministro Paulo Guedes afirmou ontem que a economia do país “está começando a decolar de novo”. A variável que ele usou para sustentar essa afirmação é a arrecadação federal de fevereiro, que segundo ele alcançou um recorde para o período. “A economia voltou em V e está começando a decolar de novo”, disse a parlamentares.

O que de fato decolou nos últimos 12 meses foi o preço dos alimentos. O IBGE divulgou ontem que a inflação da comida ficou em 15%, quase o triplo da taxa oficial de inflação do período, que ficou em 5,20%. A disparada foi puxada por itens como óleo de soja (87,89%), arroz (69,80%), batata (47,84%) e leite longa vida (20,52%). Com o fim do auxílio, alguns preços começaram a cair. Mas a reedição do benefício pode reforçar a tendência de alta.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Profissionais de saúde pedem impeachment de Bolsonaro por reais "atitudes criminosas" durante a pandemia

 

Este foi o primeiro pedido de impeachment protocolado contra Bolsonaro na gestão de Arthur Lira (PP-AL). Epidemiologistas, como Ethel Maciel, citam o charlatanismo com a cloroquina como uma das causas

Ethel Maciel

Ethel Maciel (Foto: Reprodução (TV Gazeta))

Sputnik – A epidemiologista Ethel Maciel, que assinou o documento, cita uma série de ações que considera inaceitáveis para o cargo, dentre elas o incentivo ao uso de medicamentos ineficazes contra a COVID-19, como a cloroquina.

Nesta sexta-feira (5), um grupo de oito profissionais de Saúde protocolou na Câmara dos Deputados um novo pedido de impeachment contra o presidente da República Jair Bolsonaro. A base para o documento é a atuação do mandatário durante a pandemia de COVID-19.

O pedido diz que Bolsonaro "viola incessantemente a dignidade, honra e decoro da presidência, o mais elevado cargo político da República, para disseminar mentiras, propagar desinformação sanitária e projetar dúvidas sobre a higidez de vacinas, também para o que julga ser seu benefício político pessoal".

O texto tem a assinatura de Gonzalo Vecina, fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e de José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde no governo Lula.

"Em meio à maior emergência de saúde pública dos últimos cem anos, o Sr. JAIR MESSIAS BOLSONARO, para sua conveniência política pessoal, usou seus poderes legais e sua força política para desacreditar medidas sanitárias de eficácia comprovada e desorientar a população cuja saúde deveria proteger", diz ainda o pedido.

A epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que também integra o grupo, afirmou, em entrevista à Sputnik Brasil, que Bolsonaro teve "atitudes criminosas" neste período da crise sanitária.

A pesquisadora citou uma série de ações que considera inaceitáveis para o cargo, dentre elas o incentivo ao uso de medicamentos ineficazes contra a COVID-19, como a cloroquina.

"Eu diria que, frente à maior crise sanitária dos últimos 102 anos, as ações para disseminar desinformação, incitar o descumprimento de medidas sanitárias, como o distanciamento e o uso de máscaras, e disseminar a ilusão de 'tratamentos precoces' podem ser apontadas como muito críticas na atuação dele, de fato atitudes criminosas, em face ao conhecimento científico no momento", disse a epidemiologista.

Este foi o primeiro pedido de impeachment protocolado contra Bolsonaro na gestão de Arthur Lira (PP-AL), aliado do presidente da República, que assumiu o comando da Câmara na última segunda-feira (1º). O antecessor, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deixou o cargo com mais de 60 pedidos na gaveta.

Ethel Maciel diz que entende que "a independência dos poderes precisa ser preservada e "os crimes de responsabilidade investigados conforme os ritos democráticos".

A pesquisadora afirma que o presidente é "um protagonista do movimento antivacinas" em um dos momentos mais críticos já vividos pelo país.

"Espero que uma mobilização de pesquisadores e profissionais com experiência na área da Saúde possa ser um fator de fortalecimento para que seja pautado o impedimento e a investigação dos crimes cometidos", disse.

Além de Ethel Maciel, Gonzalo Vecina e José Gomes Temporão, também assinam o documento os seguintes profissionais de Saúde: Eloan dos Santos Pinheiro, ex-diretora da Far-Manguinhos (Fiocruz) e especialista em tecnologia farmacêutica e saúde pública; Reinaldo Ayer de Oliveira, médico e 1º secretário da Sociedade Brasileira de Bioética; Daniel de Araújo Dourado, médico, advogado e pesquisador do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário da USP (Universidade de São Paulo); Ubiratan de Paula Santos, pneumologista; e Ricardo Oliva, médico sanitarista.

O conhecimento liberta. Saiba mais

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

O linguista, filósofo e ativista social norte-americano Noam Chomsky quer ação para levar ultradireita (incluindo Bolsonaro como exemplo maior deinépcia e insensibilidade no trato da pandemia ) ao Tribunal Penal Internacional de Haia

 


Jair Bolsonaro é exemplo mundial da inépcia e insensibilidade no trato da pandemia. Está ao lado de tipos como Trump, Boris Johnson e Narendra Modi. Ligados à aristocracia financeira, devem ser criminalizados pelas mortes que causaram

Por Noam Chomsky e Vijay Prashad, no CounterPunch | Tradução: Gabriela Leite

Os governos federal, estadual e municipal foram comunicados que as reservas de oxigênio estavam chegando ao fim, na cidade de Manaus, uma semana antes da calamidade que levou a dezenas de mortes por asfixia de pacientes com covid-19. Nenhum Estado moderno — como o Brasil — deveria ter de admitir que, após receber um alerta dessa importância, não fez nada e simplesmente permitiu que seus próprios cidadãos morressem.

Um juiz do STF e o procurador geral exigiram que o governo brasileiro aja, mas isso não fez com que Jair Bolsonaro se movimentasse. Todos os detalhes dessa história — esmiuçados no relatório do Advogado-Geral da União José Levi Mello do Amaral Júnior — revelam a bagunça causada pela privatização e incompetência. Funcionários da Saúde sabiam desde o início de janeiro que havia uma escassez de oxigênio iminente, mas seu aviso não teve influência nenhuma. A empresa privada que fornece o oxigênio informou ao governo seis dias antes de a cidade esgotar os estoques de um suprimento crucial na luta contra a covid-19. Mesmo com essa informação, o governo não fez nada; e disse mais tarde — contra todas as evidências científicas — que o “tratamento precoce” não foi usado. A insensibilidade e incompetência do governo Bolsonaro levou ao PGR Augusto Aras a determinar a abertura de um inquérito. Enquanto Bolsonaro hesitava, o governo da Venezuela, em um ato de solidariedade, enviou uma carga de oxigênio para Manaus.

Esses últimos acontecimentos causados por um governo formado por uma  combinação tóxica de privatização, inépcia e indiferença deveriam fortalecer a acusação feita pelos sindicatos de Saúde brasileiros contra Jair Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional (TPI), em julho. Mas a culpa não é apenas de Bolsonaro e o problema não é só do Brasil. O problema são os governos neoliberais, nos EUA, no Reino Unido, na Índia e em outras partes. Governos comprometidos com corporações lucrativas e bilionários, que passam longe do compromisso com seus próprios cidadãos e sua constituição. O que estamos assistindo em países como o Brasil é um crime contra a humanidade.

É chegada a hora de construir um tribunal cidadão para investigar o fracasso total de governos como o de Boris Johnson, Donald Trump, Jair Bolsonaro, Narendra Modi e outros na contenção das infecções por covid-19. Um tribunal que recolhesse informações factuais para assegurar que não seja permitido a esses Estados adulterar a cena do crime; um tribunal que desse ao TPI uma base sólida para fazer uma investigação forense desses crimes contra a humanidade, quando sua própria asfixia política for aliviada.

Deveríamos estar todos ultrajados. Mas ultraje não é uma palavra forte o suficiente.

Esse artigo foi produzido pelo Globetrotter.


domingo, 24 de janeiro de 2021

Ministério da Saúde militar-bolsonarista confirma que recebeu e ignorou pedido de agilidade da Pfizer para compra de vacinas contra o coronavírus/Covid 19, o que comprova as táticas de Bolsonaro contra a saúde pública

 

A pasta alega que o baixo número de doses disponíveis para compra e cláusulas contratuais impediram a aquisição da vacina da Pfizer pelo governo federal

(Foto: Reuters)

247 - Quase dois dias após vir à tona uma carta do CEO da Pfizer, Abert Bourla, de 12 de setembro de 2020, endereçada a Jair Bolsonaro pedindo celeridade do governo do Brasil na aquisição de doses da vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo laboratório, o Ministério da Saúde na noite deste sábado (23) confirmou a autenticidade do documento.

A pasta alegou que o baixo número de doses disponíveis para a compra e cláusulas do contrato estabelecidas pela Pfizer impediram o avanço das negociações. Vale ressaltar que o Brasil, atualmente, conta com uma lentidão no processo de vacinação. Até o momento foram disponibilizadas à população pouco mais de dez milhões de doses, o que é suficiente para imunizar aproximadamente cinco milhões de pessoas.

O ministério afirma ainda que a condição de armazenamento do imunizante da Pfizer - que deve ser guardado a uma temperatura de - 70º graus - também foi um obstáculo para a compra.

"Em nenhum momento, o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde fechou as portas para a Pfizer. Em todas as tratativas, aguardamos um posicionamento diferente do laboratório, que contemple uma entrega viável e satisfatória, atendendo as estratégias do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, uma ação de valores mercadológicos e aplicação jurídica justa que atenda ambas as partes", alegou a pasta.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Um grito de revolta: fora Bolsonaro!

 

Foram 11 meses de negociações, acordos fechados, carregamento pagos, mas a incompetência do governo federal fez com que todo um aparato preparado para receber insumos e iniciar a produção de vacinas fique parado, disse Margareth Dalcolmo.

Jornal GGN – A cientista Margareth Dalcolmo recebe o prêmio São Sebastião da Cesgranrio. A doutora Dalcolmo, muito emocionada, faz seu discurso. Diferente dos agradecimentos protocolares, a médica está chorando por ter acabado de receber a notícia que haverá grande atraso na fabricação de vacinas pela Fiocruz pela incompetência das autoridades brasileiras. A ineficiência do Chanceler Arnesto Araújo foi exaltada: incompetência diplomática que impediu que as notícias fossem outras hoje.

A doutora Dalcolmo mostra-se inconformada com a condução do caso pelo governo brasileiro e diz sentir muito não poder dizer que a única coisa que pode enfrentar a pandemia, a vacina, não estará disponível para toda a população por esta incompetência na condução dos acordos.

Foram 11 meses de negociações, acordos fechados, carregamento pagos e a incompetência do governo federal fez com que todo um aparato preparado para receber insumos e iniciar a produção de vacinas fique parado. É muita revolta demonstrada por Margareth Dalcolmo e que será compartilhada por toda a parte racional deste país.

Veja o vídeo a seguir.

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Perdeu, Pazuello. Artigo de Denise Assis

 

Perdeu, Pazuello

"Bastava observar as orelhas e bochechas afogueadas, o tom ríspido, as frases curtas, ao estilo de quem dá ordem ao batalhão, para ver que o ainda ministro Eduardo Pazuello transbordava irritação e insatisfação, diante do que se viu no Hospital das Clínicas", escreve a jornalista Denise Assis sobre o ministro da Saúde


Eduardo Pazuello

Eduardo Pazuello (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia 

Bastava observar as orelhas e bochechas afogueadas, o tom ríspido, as frases curtas, ao estilo de quem dá ordem ao batalhão, para ver que o ainda ministro Eduardo Pazuello transbordava irritação e insatisfação, diante do que se viu no Hospital das Clínicas, cenário escolhido pelo governador João Doria, para o anúncio da aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da vacina Coronavac, desenvolvida em conjunto com a China.

Para ele, o dia não era de esperança, como para todos nós, que reservamos o domingo para assistirmos plenos de felicidade – independente de ser João Doria ou menos João Doria, a comandar o evento. Para Pazuello, importou marcar na lousa o x da derrota, imposta dele para com ele mesmo, ou de Bolsonaro para com o subordinado. Não tivesse o governo estipulado a aprovação à vacina como uma corrida de cem metros rasos, e estariam todos no mesmo palco, comemorando a vitória da saúde, da vida e do país.

Mas Bolsonaro primeiramente e Pazuello, por submissão, tomaram a si o caráter de batalha dado à conquista da primeira dose de vacina. Um troféu que lhes escapou da mão e, se era vidro, se quebrou. Vamos guardar para depois as observações sobre a sanha marketeira de Doria, vamos comentar mais tarde que ele também topou a disputa. Porém, neste momento, é difícil tirar do governador os motivos para montar com rigor uma cerimônia em que estavam presentes os nomes dos envolvidos neste brilhante trabalho de descoberta científica. Não faltou o senso de justiça social, de elevar à condição histórica duas mulheres representativas – Mônica Aparecida Calazans, 54 anos, e Vanuzia Costa Santos, da etnia Kaimbé, 50 – com a cara do Brasil, que tanto Bolsonaro quanto Pazuello desprezam e torcem para que morram.

Mônica pega ônibus e se expõe ao contágio todos os dias, para estar na linha de frente ajudando os que agonizam na unidade onde trabalha. Ela atua no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, em turnos de 12 horas, em dias alternados, na UTI do Hospital. Vanuzia está na capital paulista desde 1988, representando o povo Kaimbé, da Bahia, e milita na causa dos direitos humanos. Após ser vacinada, Vanuzia contou que sonha um dia retornar para cuidar dos moradores da aldeia de Massacará, na cidade de Euclides da Cunha, onde nasceu.

Ambas receberam as doses de vacina no Hospital das Clínicas, durante o anúncio de aprovação do imunizante coronavac, aprovado havia minutos, pela Anvisa, a despeito de todos os entraves colocados pelo governo federal.

Enquanto isto, em Brasília, um papelucho amarfanhado e escrito à mão – conforme as câmeras deixavam ver -, tremulava nas mãos do ministro, dando mostras de por que foi o governo de São Paulo, e não o seu ministério, que desenvolveu uma vacina capaz de doravante – se realmente seguido o roteiro do Plano Nacional de Imunização, encaminhado para e por exigência do Supremo Tribunal Federal (STF) – salvar vidas no Brasil.

O governador Doria confeccionou camisas, escolheu com critério as primeiras vacinadas, preparou púlpitos, convocou a imprensa nacional e internacional e direcionava pessoalmente as perguntas aos técnicos capazes de respondê-las, quanto ao ministro, não teve o capricho de pedir a um assessor que digitasse o seu roteiro, não destacou alguém para entregar a tempo o microfone para os jornalistas que fariam as perguntas (mal se ouvia o que falavam) e não escondeu a rispidez costumeira, nem sequer por trás de uma falsa alegria, que fosse, pela vitória obtida na tarde de hoje.

Pazuello não só não comemorou, como ainda tentou estragar a festa de Doria, ameaçando judicializar o uso das duas doses de vacinas utilizadas na cerimônia. Perdeu, playboy. A bola estava no campo adversário, e foi enfermeira Mônica quem deu a melhor resposta à frustração de Pazuello: “Não é apenas uma vacina. É o recomeço de uma vida que pode ser justa, sem preconceitos e com garantia de que todos nós teremos as mesmas condições de viver dignamente, com saúde e bem-estar”, disse ela, que é obesa, hipertensa e diabética. E qual é o juiz que vai se colocar contra esses princípios?