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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Relato de Experiência de Quase Morte - EQM - O Caso de Xavier Melo, matemático

 

Do Canal Muitas Perguntas, poucas respostas:

EQM - Doutor teve uma fantástica experiência de quase morte. Doutor em matemática Xavier Melo dirigia seu carro, quando teve uma EQM e não queria retornar para o planeta terra.



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Pessoas que estão perto de morrer dizem muitas vezes que vêem seus parentes já falecidos...





Segue um breve artigo (traduzido) de Jen Engevik publicado no First tok Now, recentemente, dia 28 de agosto de 2015 (Tradução e Notas de Carlos Antonio Fragoso Guimarães):

A minha busca para entender o que o veem as pessoas ao morrer começou quando eu descobri que minha mãe tinha apenas mais alguns meses de vida. Eu queria estar familiarizado com os estágios que ela iria passar e como eu poderia dar o melhor estando ao seu lado nestes momentos.

Uma das coisas que eu li sobre o morrer é que muitas vezes as pessoas vêem parentes falecidos ou amigos pouco antes do fim.  Eu cresci como um Adventista do Sétimo Dia, e fui ensinado que tais coisas simplesmente não podia acontecer. No entanto, eu li e ouvi muitas histórias de homens, mulheres e crianças em seus leitos de morte, que viram suas mães mortas, pais, avós, vovôs, tias, tios, irmãos, irmãs e amigos. O mesmo acontece com as pessoas que passaram por uma "experiências de quase-morte."

A resposta padrão lógica dada para esse fenômeno é que a falta de oxigênio e/ou consumo de várias drogas podem fazer coisas malucas com o cérebro. Quem sabe o que pode ocorrer quando uma pessoa está enlaçada apenas por um fio de vida?

À medida que nos aproximamos dos últimos dias de vida de minha mãe, mais eu queria entender o que ela estava sentindo e vendo. Um dia antes de seu último suspiro eu decidi perguntar a ela.

Primeiro, eu queria ter certeza de que ela pudesse compreender o que eu estava dizendo. Eu disse a ela que a amava, e ela levantou as sobrancelhas em reconhecimento. Então compartilhamos uma história engraçada sobre uma conversa que eu e minha irmã tivemos. Os cantos de sua boca transformaram-se em um sorriso. Eu poderia dizer que ela estava entendendo cada palavra.

E então eu fui direto ao assunto.

"Mãe, eu posso lhe fazer uma pergunta realmente séria?" Ela virou a cabeça e abriu os olhos completamente. Acredito que ela esforçava-se para captar toda a palavra que saia da minha boca.

"Mãe, você vê qualquer um dos nossos parentes mortos no quarto? Você vê seu pai?" Ela balançou a cabeça para indicar "não ".

"Você vê a sua mãe," ela balançou a cabeça.

"Você vê meu pai?" (O meu pai morreu quando eu tinha 10 anos). Sua resposta foi bem diferente desta vez. Ela começou balançando a cabeça para indicar "sim".

"Ele está aqui nesta sala agora?" Ela assentiu com a cabeça. "Ele pode me ver?", Ela balançou a cabeça novamente. E então ela tentou se comunicar com palavras, mas não conseguia pronunciar as palavras. Eu poderia dizer que ela queria compartilhar sua realidade comigo.

   Nota do Tradutor: Na história das Pesquisas Psíquicas levantadas de modo criterioso desde o século XIX, especialmente com a Society for Psychical Research, em Londres, e com o Instituto Metapsíquico Internacional, de Paris, e, atualmente, com os estudos de Raymond Moody, Karlis Osis, Elizabeht Kübler-Ross e outros, foi levantado um grande número de ocorrências de visões de parentes falecidos no leito de morte, quase sempre vistos pelo moribundo mas, em alguns casos, também presenciados por outras pessoas - parentes, médicos ou amigos. Algumas vezes, a figura do parente falecido é visto pelas testemunhas e não pelo moribundo. Citemos, como exemplo, dois casos curtos, apresentados pelo pesquisador francês Charles Richet (1850-1935), Prêmio Nobel de Medicina em 1913, em sua monumental obra Tratado de Metapsíquica (1923):  
   A senhora Pearson velava, com sua irmã, a senhora Coppinger, à cabeceira da senhora Harriet, sua tia. muito doente, que estava morrendo  Subitamente, a senhora Coppinger, irmã da senhora Pearson, lhe disse: "Emma, olhe, eis tia Anna!" E as duas irmãs viram, então, a figura de uma mulher pequena, envolvida em um velho xale, com um chapéu fora de moda na cabeça. Esta forma entrou no quarto da doente.
  A tia Anna era uma irmã falecida da enferma. A senhora Harriet, antes de morrer, disse que vira sua irmã, que tinha vindo chamá-la (Charles Richet, Tratado de Metapsíquica, 2013, Editora do Conhecimento, volume I, páginas 451-452). 
  A senhora B... estava à cabeceira da mãe moribunda quando viu o fantasma de sua madrinha, uma velha governanta que havia morrido havia muito tempo, sentada, ao lado do fogo, no lugar habitual de sua mãe. Soltou um grito: sua irmã chegou, viu também o fantasma e três outras pessoas (também) o virão (Richet, ob. cit. páginas 454-455).

No dia seguinte, mãe em um reino diferente. Ela não estava respondendo a mim ou a meus familiares, mas ela estava tendo conversas inaudíveis com um ser que eu não podia ver. Talvez o meu pai?

Às vezes ela se tornava bastante animada, emitindo algo do fundo de sua garganta e fazendo sons guturais. Em um ponto, ela continuou balançando a cabeça e dizendo "não". Era óbvio que ela estava lutando contra algo. Sentei-me ao lado dela e tentei abraçá-la. Minha irmã também entrou no quarto para deixar a mãe saber que ela estava lá. Então chamei meu irmão e deixá-lo dizer "Olá".

Pouco tempo depois, a mãe começou a ter conversações novamente. Quando ela falou para o ser invisível desta vez, era como se eles estivessem tendo uma conversa coesa - uma que eu ainda não conseguia entender porque  suas cordas vocais estavam comprometidas. Falava algo e, em seguida, ouvia e falava novamente. Era como se ela estivesse tentando dar algum sentido ao que estava sendo dito.

A conversa terminou, e um pouco mais tarde, seu corpo se contraiu. Sua testa ficou franzida. Então, alguma coisa profunda aconteceu. Sua alma (a mãe que eu amava e valorizado tanto)  deixou completamente seu corpo. Seu corpo continuou a respirar, mas não houve mais conversas. Sem mais olhares severos ou caretas quando ajustava as pernas ou costas.

O que eu vi me levou a concluir que ela finalmente concordou em ir. Poderia ser possível que ela se foi com o meu pai? Que ele foi enviado para levá-la e mantê-la segura ao longo do caminho?

Conquanto eu não posso ter certeza, isso é o que pareceu se dar.

De acordo com David Kessler, autor e especialista em morte e no morrer, as seguintes coisas acontecem muitas vezes quando uma pessoa está prestes a partir.

Os moribundos são frequentemente visitados por suas mães mortas.
Suas mãos com frequência se elevam em direção a uma força que não pode ser vista. (Minha mãe fez isso)
Familiares e amigos dos moribundos não podem ver suas visões ou participar de conversas.
Visões ocorrem frequentemente em um intervalo que vão de horas a semanas antes de morrer.

Conquanto não haja ainda nenhuma "prova" de que suas visões e comunicação com familiares ou amigos falecidos são reais, alguns especialistas em morte e morrer são inflexíveis ao afirmarem que elas devem ser levadas à sério.

"As pessoas pensam que é apenas confusão ou efeito de drogas", explica Maggie Callanan. Como uma enfermeira  por mais de 27 anos, ela já ajudou mais de 2.000 homens e mulheres em seus últimos dias. "Mas, francamente, a confusão é nossa. O paciente sabe o que está acontecendo. "

Dra. Martha Twaddle, diretora médica do Midwest Palliative & Hospice CareCenter, explica ainda: "Você pode desconsiderar e dizer que é uma alucinação, que eles não estão recebendo oxigênio suficiente em seu cérebro, mas não, isso não se aplica para muitas pessoas nessas situações. Eu tenho que acreditar que eles estão em transição; eles estão em uma fase que não entendemos física ou metafisicamente. E é profundamente reconfortante ver isso acontecer. "

Após a morte de minha mãe, fiquei mais aberto à idéia de que algo incrível (como o meu pai estar lá para buscar) pode ocorrer. A experiência foi algo que eu nunca poderia esquecer - e honestamente eu não quero esquecer.

Apenas algumas semanas atrás, eu estava me perguntando por que não tive muitos sonhos de minha mãe desde que ela morreu. Como eu estava dirigindo para casa do trabalho, eu disse em voz alta: "Mãe, é hora de você vir me visitar em um sonho! Onde está você, afinal? "  Eu, então, ri  e me distraí dirigindo através do meu canyon favorito.

Naquela noite, enquanto eu estava dormindo, aconteceu. Eu tive um dos sonhos mais lúcidos em um muito tempo. Mamãe estava vestida lindamente. Ela olhou para mim com um sorriso enorme. Seus olhos estavam brilhantes e cheios de vida. Ela estava mais feliz do que eu tinha visto em anos. E ela era mais jovem, talvez ela 45 ou 50 anos de idade eu. Nós não trocamos nenhuma palavra, mas estava claro que ela está curada, feliz e livre.

Acordei com alegria em meu coração.

domingo, 11 de maio de 2014

O fenômeno da Experiência de Quase Morte, EQM. Características e Implicações



Detalhe do quadro "A Ascenção dos Abençoados", do pintor renascentista Hyeronimus Bosch, em que se apresenta a famosa visão do "túnel" relatada por grande parte das pessoas que passaram pela Experiência de Quase Morte (EQM)

Apresentamos aqui o vídeo produzido pela ASSEPE, Associação de Estudos e Pesquisa Espíritas da Paraíba, sobre o fenômeno da Experiência de Quase Morte. Abaixo do vídeo a transcrição de parte do texto introdutório, de Carlos Antonio Fragoso Guimarães, e uma discussão das características e implicações da EQM.



“Na natureza, nada se cria, nada se acaba. Tudo se transforma”. Estas conhecidas palavras do químico francês Antoine de Lavoisier nos aponta que, no mundo natural, todas as coisas estão em permanente estado de desenvolvimento, modificação, recomposição e este processo mantém e garante a vida. 

 Toda a vida se expressa na Terra através de relações, interação e troca cíclica de elementos com seu meio, garantindo a renovação constante do fluxo de matéria e energia que formam os organismos vivos.



De fato, todos os elementos básicos que constituem os corpos vivos e que são formados por elementos atômicos que, unidos, constituem as moléculas que formaram os tecidos e órgãos do nosso corpo, são praticamente indestrutíveis. Eles são usados para constituir a base orgânica da vida e, depois, são devolvidos à natureza para que possam novamente ser reutilizados em novas manifestações vitais.

Também a energia obedece à lei de conservação e transformação. A energia do universo, em termos de quantidade, permanece sempre constante, mas se expressa sempre transformada. Uma energia potencial quando utilizada se transforma em energia mecânica, por exemplo, e em calor.

Diante desta perpetuidade dos elementos básicos do mundo físico, que, quando relacionados no fenômeno da vida, se apresentam como um ciclo de manifestação, poderíamos nos perguntar se o mesmo princípio também não valeria para a essência psíquica do ser humano, caracterizado pela sua consciência, senso de identidade, memória e afetividade.

A Crise da Morte

Em nossa cultura e no atual modo que temos de ver a vida, a morte é um momento de extrema crise.

Tendemos a interpretar a morte como o fim total da vida, a cessação definitiva de nossa identidade, de nossa consciência.

 No entanto será este realmente o fim de tudo?


 A EQM


Há algumas décadas, em especial nos últimos quarenta anos, diversos pesquisadores, entre médicos, psicólogos, enfermeiros e outros profissionais, vem coletando relatos de pessoas que, ao enfrentarem a crise da morte nas mais diversas situações, conseguiram retornar à vida com ajuda médica e, para surpresa das testemunhas, relatam ter observado as tentativas de ressuscitamento de um ponto de vista bem diferente de onde estava o seu corpo, e como se comportaram as pessoas ao redor, o que elas disseram e fizeram.

O termo EQM (NDE, em inglês) foi cunhado pelo médico americano Raymond Moody Jr., em meados dos anos 70, para englobar estes relatos. Em 1975 ele publica seu livro “Vida depois da Vida” relatando as experiências de uma parcela de pacientes que foram ressuscitados após terem tido morte clínica. No entanto, relatos parecidos eram conhecidos desde há muitos anos (citar um caso). Elizabeth Kübler-Ross (1926-2004) pesquisou relatos deste tipo em pessoas que viveram em campos de concentração na Polônia.

O resultado do interesse despertado pelos estudos de Moddy e Rosso foi mais diretamente exposto na fundação da International Association for Near-Death Studies (Associação Internacional de Estudos do Quase-Morte), em 1978. 

A associação faz um levantamento global de relatos de EQM, tanto de pacientes quanto da equipe médica e multidisciplinar associada aos pacientes ou pessoas que passam pela experiencia, utilizando sempre a "near-death experience scale" ("escala de experiência de quase morte"), um método criado pelo psiquiatra, professor universitário e parapsicólogo Bruce Greyson para determinar as EQMs legítimas. Estas apresentam um conjunto de características, que se desenrolam em estágios, e que, se não todos os estágios, são encontradas quase sempre nos relatos das pessoas que vivenciaram o fenômeno. 

Estágios da EQM:

a)      Todos os relatos de EQM possuem elementos de semelhança (possuem alguns pontos em comum). A imensa maioria consegue dos que vivenciaram a morte clínica e tiveram a experiências conseguem ver seu próprio corpo bem como os médicos, paramédicos ou, em caso de acidentes ou mortes súbitas, os amigos tentando reanima-lo, de um ponto de vista privilegiado, quase sempre acima destes. Muitos se srupreendem com esta visão. Vários chegam mesmo a estranhar o fato de que tentem reanimar um corpo doente quando se sentem plenamente vivos, com um corpo idêntico, porém mais saudável, que aquele embaixo, neste momento.

b)      Relatam ter deixado de sentir dores e, por vezes, sentem uma grande calma e uma sensação de maior conscientização de si e do ambiente, não se sentindo realmente "mortos". Em grande parte destes relatos, pode haver a sensação de uma presença espiritual amiga a apoiar o paciente, mas que nem sempre é visível, embora possam ouvi-la ou entende-la. Parentes ou amigos já falecidos também são normalmente vistos na ocasião, como pessoas normais,  interagindo com o paciente, mas que não ésão percebidos pelas pessoas que tentam reanima-lo.

c)       Ocorre a visão – e por vezes,também a atração – de um túnel - provavelmente a contrapartida polar do canal de nascimento. A pintura de Hyeronimus Bosch sobre o tema é vista acima, no início desta home page.

d)      Pode ocorrer no correr da travessia deste túnel, ou logo depois de passá-lo, um flashback panorâmico e estranhamente rápido, mas integral, de toda a experiência vivida pelo paciente desde o nascimento (por vezes, desde a vida intrauterina) até o momento da morte.

e)       Muitos relatam que a experiência do túnel é encerrada com a visão de alguma espécie de barreira simbólica, indicando um ponto de não retorno. Esta barreira pode ser expressa por um portão, uma porta, uma ponte, um muro ou qualquer outra coisa que indica entrada ou limite de um outra realidade. Nesta ocasião é comum a visão de mais parentes e amigos já falecidos que amorosamente os recebem e que avisam que o cruzamento deste limiar representa a morte definitiva do corpo. Neste ponto, algumas pessoas são aconselhadas a voltar e, em outros relatos, lhes são perguntados se querem continuar no processo e ir além ou retornar ao corpo para cuidar de parentes, de assuntos pendentes ou para ajudar pessoas.

f)       Há a visão de “seres de luz” que, geralmente, são interpretados, de acordo com a origem religiosa ou a cultura onde a pessoa foi formada, como sendo Jesus, Buda, um anjo, etc. Estes seres também perguntam se a pessoa quer ficar ou retornar ao corpo e à vida física. Eles podem aconselhar o retorno, explicando algum motivo para voltar.

g)      Relutância a retornar ao corpo em boa parte dos casos. Muitas vezes, o retorno é feito com certa contrariedade por parte do sobrevivente (veja, no video, o caso de Sam Reynolds)

h)      A personalidade da pessoa nunca mais é a mesma ao retornar. Perde-se geralmente o medo de morrer na maior parte dos casos e na grande maioria ocorre uma completa reformulação da percepção e concepção da vida, das prioridades e dos valores, quase sempre tornando-se mais calmos, espiritualizados e centrados (incluindo ateus).

i)        Apenas em uma parcela ínfima se tem notícias de uma EQM ruim (geralmente ocorrentes em casos de tentativas de suicídios, ou após a prática de crimes, etc.). Dos 150 relatos confirmados pelo Dr. Moody em seus dois livros clássicos, apenas 3 descrevem experiências negativas. A proporção permanece praticamente a mesma nas pesquisas de outros cientistas.

j)        As experiências religiosas, crenças ou cultura não afetam a probabilidade ou profundidade de uma EQM, apenas a forma de interpretá-las após o evento. Existe mesmo uma estatística que mostra que ateus tiveram mais EQMs que pessoas religiosas.




Apesar do impacto existencial e espiritual destas experiências nas pessoas que as vivenciaram e em muitas que as pesquisaram (Moody, Ross, Lommel, Fenwick, etc) a interpretação de que a consciência não se reduz ao cérebro e que, portanto, pode sobreviver à crise da morte não é aceita (ao menos abertamente) pela maioria dos cientistas. As explicações mecanicistas para as EQMS são geralmente as que seguem: 

A visão do túnel seria fruto da anóxia cerebral. O “falso” abandono do corpo é encontrado em pessoas que passam por situações de estresse e de interferência sináptica por conta de medicamentos ou por problemas neurológicos e de orientação. A sensação de paz é resultado da liberação de endorfinas. 

Mas existem casos onde tais explicações não fazem sentido ou nada explicam. Houve ao menos um caso bem documentado em que todo o sangue do paciente foi drenado, estando o corpo em hipotermia e, ainda assim, a paciente relatou as práticas efetuadas pelo cirurgião vários minutos após o inicio da cirurgia, citando atos e até o que foi dito durante o procedimento.

Para entender o debate entre os pesquisadores pró e contra a explicação de que a EQM demonstraria a sobrevivência após a morte, vejamos o que sobre o assunto é descrito na Wikepedia:

 Pesquisadores explicitamente atrelados ao paradigma mecanicista, como a psicóloga britânica Susan Blackmore e o anestesiologista Lakhmir Chawla, acreditam, por uma questão de preferência e ideologia, na teoria de que as EQMs são alucinações complexas causadas pela falta de oxigênio no cérebro durante a etapa final do processo de morte. No entanto, muitos outros pesquisadores, como o neurologista Peter Fenwick, o cardiologista Pim van Lommel e os psiquiatras Raymond Moody e Bruce Greyson, discordam destas teorias reducionistas, defendendo as experiências como evidências de que a consciência do ser humano existe independentemente do cérebro, argumentando principalmente que muitas pessoas demonstram percepções extrassensoriais com precisão em seus relatos de EQM24 (como por exemplo o famoso caso de EQM da cantora Pam Reynolds) e que não há sinais de funções mentais prejudicadas nas situações clínicas em que as EQMs ocorrem. Como pode uma alucinação provocada por anóxia permitir a percepção de informações posteriormente confirmadas?


O físico Sir Roger Penrose e o anestesiologista Stuart Hameroff, baseados na teoria desenvolvida e denominada por eles como orchestrated objective reduction, defendem que em EQM a "alma quântica", ou seja, a consciência como um campo quântico, deixa o sistema nervoso e re-entra no cosmos. De acordo com Hameroff, "é possível que a informação quântica que constitui a consciência possa mudar para planos mais profundos e continue a existir puramente na geometria do espaço-tempo, fora do cérebro, distribuída não-localmente", como uma "alma quântica" à parte do corpo.
Um dos primeiros estudos clínicos sobre experiências de quase morte em pacientes em estado de parada cardíaca foi feito pelo cardiologista holandês Pim van Lommel e sua equipe médica, tendo sido publicado em 2001 pela revista científica Lancet . De acordo com o cardiologista, dos 344 pacientes estudados que foram reanimados com sucesso depois de sofrerem parada cardíaca, 62 (18%) tiveram EQMs e lembraram com detalhes as condições que passaram quando estavam clinicamente mortos. Na conclusão de Lommel, nossa consciência existe independentemente do cérebro; este sendo um veículo físico de expressão da consciência mas não o produtor da mesma.
Entre os relatos intrigantes descritos por Moody em sua obra, encontra-se esse no livro A Luz do Além (1988): "Em Long Island, uma mulher de setenta anos cega desde os dezoito, foi capaz de descrever, com detalhes vívidos, o que aconteceu, enquanto os médicos tentavam ressuscitá-la de um ataque do coração. Ela conseguiu dar uma boa descrição dos instrumentos que foram utilizados, e até mesmo de suas cores. E o mais surpreendente para mim é que a maioria daqueles instrumentos sequer fora concebida na época em que ela ainda podia ver, havia cerca de cinquenta anos. Além de tudo isso, ela ainda disse ao médico que ele usava um jaleco azul quando começou a ressuscitá-la".
Mesmo diante de relatos que para muitos são surpreendentes, a visão materialista reducionista de que alterações funcionais e químicas no cérebro são as responsáveis pelas experiências de quase morte, ao menos até o momento é a dominante em virtude da vigência de um paradigma mecanicista, cuja visão subjacente é eminentemente materialista que, orientando o pensamento, impede uma percepção dos indícios que deem suporte a uma visão dualista mais ampla como científica; e em segundo devido a considerações levantadas quanto se busca definir de forma rigorosa o que é "consciência".