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sábado, 11 de julho de 2026

Debatendo sobre as EQMs - Experiências de Quase Morte

 

Do Canal de Carlos Antonio Fragoso Guimarães:

Entrevista do Psicólogo e Professor Carlos Antonio Fragoso Guimarães ao Podcast Pauta Espírita sobre as Experiências de Quase Morte - EQM, suas características, histórico e estado atual das Pesquisas.



terça-feira, 29 de abril de 2025

Necropolítica, neofascismo e a Ascensão da Extrema Direita: O Caso do bolsonarismo no Brasil, por Carlos Antonio Fragoso Guimarães

  

    O conceito de necropolítica enfatiza o controle soberano sobre os corpos humanos por meio de imposição de práticas, discursos e instituições, utilizando-se da violência e, na práitca,  da morte (real e moral) de seres humanos como instrumento político.



Introdução

O conceito de necropolítica  foi cunhado e apresentado pelo filósofo, historiador e cientista político camaronês Achille Mbembe. Descreve como o poder estatal, sob controle de uma elite econômica e suas estruturas de dominação na defesa dos seus interesses, decide quem pode viver e quem deve morrer. Essa noção parte do conceito de biopolítica de Michel Foucault, mas vai além, enfatizando o controle soberano sobre os corpos humanos por meio de imposição de práticas, discursos e instituições, utilizando-se da violência e, na práitca,  da morte (real e moral) de seres humanos como instrumento político. Historicamente, a expressão mais conhecida da necropolítica foi a aplicação da morte planejada dos chamados indesejados (segundo os interesses dominante e sua visão polarizada de mundo) por meio de processos de genocídio explícito, como o ocorrido na Alemanha na época da dominação nazista. Atualmente, como aponta os estudiosos da necropolítica, o drama dos palestinos em Gaza serve igualmente de infeliz e gritante exemplo do conceito.

Nos últimos anos, é visível a ascensão da extrema direita no mundo — e, no Brasil, o exemplo converge no fenômeno do bolsonarismo. A ascenção foi e é estimulada pela acentuação da exploração humana e ecológica no atual estágio do capitalismo, com a queda da qualidade de vida e a sensação difusa de que o futuro é perigoso. A frustração quanto isso é canalizada pela mesma estrutura que levou à situação de instabilidade, desfocando a perceção das causas reais pelos detendores do poder para inimigos e bodes expeiatórios através de estimulação do medo ao diferente e aos contestadores do estatus quo, pelo discuros de medo, ódio ou falso moralismo, que traz à tona ideias de eliminação do inimigo e práticas que exemplificam a necropolítica como instrumento de segregação e controle, seja através do descaso com vidas marginalizadas, da militarização da política, da exploração da fé em igrejas empresariais que dividem a comunidade entre "homens de bem" e "inimigos" ou da promoção de discursos que legitimam a exclusão e a violência.

Vejamos um panorama para entender como a necropolítica se articula com as ações da extrema direita global e, em particular, com o bolsonarismo, analisando suas consequências para a democracia e os direitos humanos.

1. Necropolítica: O Poder de Decidir Quem Pode Viver e Quem Deve Morrer

Achille Mbembe define a necropolítica como sendo a capacidade dos Estados e dos atores políticos associados à estrema direita, mas socialmente aceitos como autoridades, para gerenciar o uso da violência e da morte através de políticas de segregação, abandono ou extermínio de grupos considerados indesejáveis. Isso inclui:

  • A militarização da vida cotidiana, como o uso excessivo da força policial contra populações pobres e negras, bem como da sedimentação calculada da figura do militar como exemplo de integridade moral por sobre os considerados marginais, periféricos e, em nível mais extremo, sobre a própria sociedade, vista como ignorante e potencialmente subversiva, portanto, devendo ser tutelada pelos mesmos militares em associação com as elites que querem manter o controle sobre a política e a economia que as sustentam.

  • O abandono sistemático de grupos vulneráveis, como índios, desempregados, sem tetos, aposentados, como foi visto na gestão de crises sanitárias, como no caso dramático da última pandemia de Covid -19, entre os anos 2020 a 2023.

  • A retórica desumanizadora que justifica a morte de certos grupos (imigrantes, professores, cientistas críticos, favelados, LGBTQIA+, indígenas, etc.).

Essas dinâmicas não são exclusivas de regimes ditatoriais, no sentido clássico; elas podem ser observadas em democracias sob governos de extrema direita, que normalizam a violência como ferramenta de controle social. Isso, por exemplo, ocorre hoje mesmo no antes considerado “Farol da Democracia”, os EUA, sob o tacão da extrema direita plutocrática nucleada ao redor de Donald Trump.

2. A Extrema Direita Global e a Necropolítica

Movimentos e governos de extrema direita ao redor do mundo têm adotado práticas diferenciadas de necropolíticas:

  • Políticas anti-imigração: Na Europa e nos EUA, governos como o de Viktor Orbán (Hungria) e Donald Trump (EUA) promoveram medidas cruéis contra refugiados, incluindo campos de detenção e deportações em massa.

  • Negacionismo da Covid-19: A gestão da pandemia por líderes como Jair Bolsonaro (Brasil), Donal Trump (EUA) e Boris Johnson (Reino Unido) revelou um cálculo político que privilegiou a economia em detrimento de vidas, especialmente de idosos e pobres.

  • Negacionismo científico: Questionamento dos estudos e pesquisas, tanto naturais quanto sociais, que apontem para os erros da percepção de mundo e de socidade da extrema-direita naquilo que frustra seus intesses (por exemplo, a crítica dos ambientalistas aos incêndios estimulados em áreas ambientais, exploração irracional dos recursos naturais, associados aos ataques à disciplinas que fazem pensar como a História, Filosofia e Sociologia, em busca contante de desmoralização e controle de instituições críticas de educação e de pesquisa, especilamente Universidades ) e seu discurso de poder destroçando direitos sociais e ambientais. 

  • Ataques a minorias: Discursos de ódio contra opositores e em minorias como LGBTQIA+, negros e indígenas legitimam violências físicas e simbólicas, reforçando hierarquias sociais baseadas na exclusão.

Esses exemplos mostram como a extrema direita opera sob uma lógica que naturaliza a morte de certos grupos em prol de uma ordem política excludente.

3. O Bolsonarismo como Expressão da Necropolítica no Brasil

O governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) foi um caso paradigmático claro e patente de necropolítica na América Latina. Entre suas práticas, destacam-se:

  • A gestão genocida da pandemia: Bolsonaro minimizou a Covid-19, opôs-se a medidas de isolamento, promoveu tratamentos ineficazes (como a cloroquina) e atrasou a compra de vacinas. O resultado foi mais de 700 mil mortes, muitas evitáveis.

  • A política armamentista: O estímulo ao porte de armas, à inolerância com críticos e opositores e a defesa da violência policial aumentaram os homicídios, especialmente em periferias.

  • O ataque a povos indígenas e ao meio ambiente: O avanço do agronegócio sobre terras indígenas e o desmonte de órgãos de fiscalização ambiental (como o IBAMA) levaram ao aumento de assassinatos de lideranças e à destruição de biomas.

  • A retórica da exclusão e do ódio: Bolsonaro incitou ódio contra mulheres, negros, LGBTQIA+ e opositores, criando um clima de permissividade para a violência.

Essas ações não foram meros erros de gestão, mas parte de um projeto político que deliberadamente sacrificou vidas em nome de uma agenda conservadora e neoliberal e no culto a personalidade de um pretenso “mito” e “líder forte, imbrochável, incomível e imorrível”.

Conclusão: A Necropolítica como Ameaça à Democracia

A necropolítica não é um acidente, e assim como o fascismo clássico de Mussolini e Hitler, constitui uma estratégia de poder. A extrema direita, incluindo o caso do bolsonarismo, utiliza-a para consolidar um projeto autoritário que divide a sociedade entre pretensos "cidadãos de bem", formada pela elite tradicional rica que não tem o mínimo pudor de financiar golpes, e os "inimigos a serem eliminados", que questionam o poder da mesma elite que segrega e explorar esse últimos.

O desafio para as democracias contemporâneas é resistir a essa normalização da morte, reafirmando a dignidade humana e a justiça social como valores centrais. Caso contrário, o futuro será marcado pela barbárie institucionalizada — onde o Estado não protege, mas decide, segundo seus critérios e interesses, quem merece viver.

Reconhecer a necropolítica insidiosa que se espraia até mesmo pelo discurso convencional da grande mídia nas mentes e nas atitudes das pessoas sem tempo ou costume de refletir criticamente sua realidade, naturalizando a violência e o assassinato de “indesejados” é um passo importante para se compreender o retorno do fascismo nos dias atuais. A luta contra a naturalização da violência de Estado e a desumanização de grupos vulneráveis é urgente, e debates como esse são fundamentais para entender e combater esses mecanismos de poder.

Referências Bibliográficas

  • MBEMBE, Achille. Necropolítica. 2016. Editora N-1 Edições.

  • FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. 1976. Ed. Paz & Terra

  • Dados sobre violência e pandemia no Brasil (Fontes: CPI da Covid, Anistia Internacional).



quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

O fim do Estado Laico e os fundamentalistas arrogantes de pretensa "Consciência Cristã" evangélica de Campina Grande

 

Renunciando por vezes - pela falta de oportunidade de desenvolver-se plenamente enquanto ser pensante e autônomo - a própria liberdade, o fanático fundamentalista se sente ou se faz um "instrumento" ou acredita se tornar um instrumento nas mãos daquele a quem ele percebe como autoridade, ainda que suposto líder de comunidade religiosa que contorce os dizeres de suas escrituras no modo mais politicamente conveniente aos seus interesses.




Texto de 

Carlos Antonio Fragoso Guimarães


 Em nosso tempo instrumental de tecnologia avançada, mas de anulação do humano, do cooperativo em prol do competitivo, do consumismo em detrimento do construtivo e da dessacralização das relações humanas e da natureza, a reação fanática e fundamentalista surge como mais um sintoma de patologia social em que o atual capitalismo condiciona a muitos pois retira a possibilidade de maturação emocional e intelectual na luta pela sobrevivência em um mundo de crescente agressividade interpessoal.

 Pela falta de meios de formação emocional e mental apropriadas, muitas pessoas não conseguem amadurecer o suficiente para construir uma relação pessoal equilibrada com o ideal da divindade e esperam, diante das dores do mundo moderno, uma panaceia que venham tanto a lhes aliviar a dor quanto a valorizá-los, mesmo que simbolicamente, frente aos demais. Renunciando por vezes - pela falta de oportunidade de desenvolver-se plenamente enquanto ser pensante e autônomo - a própria liberdade, o fanático fundamentalista se sente ou se faz um "instrumento" ou acredita se tornar um instrumento nas mãos daquele a quem ele percebe como autoridade, ainda que seja um suposto líder de comunidade religiosa que contorce os dizeres de suas escrituras no modo mais politicamente conveniente aos seus interesses. 

    Busca o "missionário" imerso na sua fantasia de ser um escolhido a converter quase à ferro e fogo os não prosélitos de seu culto, ao entregar qualquer possibilidade de pensamento crítico ao líder, o pretenso apoio  tocado pelo divino e dententor de uma "verdade" espetaculosamente apresentada que lhe sirva de muleta psicológica, a aparente rocha que esconda suas dúvidas íntimas, incertezas e inseguranças, as quais busca calar ao personalizá-las nos outros.

 O fundamentalista, pois, é um escravo que assim se deixa estar, consciente ou inconsciente, pela renúncia do pensar autônomo em troca do que ele acha serem ganhos, imediatos (riquezas, sucesso, salvação) ou secundários (sentir-se aceito ou amado por iguais, etc.) pessoais, passando a ser intolerante a todo o pensamento diverso do seu e de sua comunidade por este ser um contraponto perigoso às suas crenças e verdades e assim o fanático se vê como soldado e guerreiro de uma "guerra santa" contra as diferenças que podem questionar suas verdades. Que Deus Pai acharia bom ter filhos que não soubessem discernir o certo do errado, dando a líderes e doutrinas a responsabilidade de decidirem por eles, muitas vezes criando contextos e situações de conflitos com seus outros filhos?

 Achando ter o poder e a missão de exorcizar pessoas e posições que ele não aceita por não seguirem sua familiar e muitas vezes reducionista visão de mundo, o fundamentalista está sempre pronto a atacar os outros, acusando-os de serem possuidos pelo "demônio", não percebendo que este demônio muitas vezes habita primariamente em si mesmo e se faz visível nos outros por um fenômeno psicológico chamado de projeção do inconsciente...

  E não existe exemplo mais gritante deste fenômeno de projeção e consequente perseguição, coletivamente visto, do que no surrel Encontro da Consciência "Cristã", um evento evangélico que compete agressivamente com um outro mais equilibrado e antigo, chamado Encontro da Nova Consciência, que, ao contrário do dos evangélicos, se caracterizou exatamente pelo encontro ecumênico e diálogo entre correntes de pensamento diferentes, em uma atmosfera de fraternidade e equilíbrio, teólogos, filósofos e representantes de diversas correntes espirituais podiam dialogar fraternalmente com ateus, agnósticos, cientistas e pessoas dos mais diferentes misteres. Pois bem, para a grande maioria dos evangélicos do tal Encontro para a Consciência "Cristã" (na sua maior parte, constituída de pentecostais e neo-pentecostais, havendo, como se sabe, evangélicos melhor esclarecidos, amadurecidos e críticos dos exageros daqueles), todos os participantes do Encontro para a Nova Consciência são dominados pelo diabo e este encontro, então, tem de ser exterminado pelos missionários e esclarecidos evangélicos. Não há diálogo, não há fala, há discursos de perseguição.

  Vejamos um exemplo disto neste trecho de "artigo" do Pastor Ridalvo Alves da Silva no site do movimento-seita Consciência "Cristã":

É verdade que o evento emerge dentro do contexto do Nordeste do Brasil, especificamente na cidade de Campina Grande, no momento em que se realizava o VIII Encontro Esotérico intitulado Encontro para a Nova Consciência - Uma Cultura Emergente, como os organizadores a denominaram. Houve nesta conjuntura uma grande preocupação relacionada ao destino da Igreja Cristã Evangélica, pois ninguém havia se levantado até aquele momento para refutar e comparar em nível de reflexão teológica e apologética cristã os ensinos perniciosos que submergia a comunidade campinense como um todo atingindo já naquela época 48 eventos paralelos.

A perplexidade e angústia já haviam chegado ao coração de muitas pessoas reivindicando da Igreja Evangélica de Campina Grande uma tomada de posição firme quanto à invasão esotérica em nossa cidade. A princípio não se sabia como fazer para criar uma estratégia eficaz, não somente para combater os ensinos distorcidos da Nova Era, como também trazer diretrizes seguras para a comunidade quanto aos ensinos de uma Teologia Cristã sadia. Aconteceu somente em fevereiro de 1999 o I Encontro Para
a Consciência Cristã quando os alunos do Instituto Teológico Superior de Missões - ITESMI, sob a nossa direção, que dirigíamos pela orientação e urgência do Espírito Santo de Deus, aceitaram o desafio de enfrentar não somente as dificuldades de recursos financeiros, mas também de recursos humanos.

No início houve crítica, falta de compreensão e de ajuda por parte de muitos, porém, não era hora de olhar para as circunstâncias e sim exercer a fé em Deus que opera nas coisas impossíveis. Aí entra a disponibilidade do homem. Por isso, quero destacar a pessoa do pastor Euder Faber Guedes Ferreira, que nos instantes decisivos, acreditou plenamente na visão de Deus, que estava brotando, e largou seu emprego secular para se dedicar integralmente à grande causa prioritária do Reino de Deus. Quero trazer à memória de nossos caros leitores que foi muito difícil para implantarmos o I Encontro Para a Consciência Cristã, no entanto, o milagre aconteceu.

Não obstante, a razão do Encontro Para a Consciência Cristã não somente abrange a cidade de Campina Grande em seu contexto esotérico de evento anual, mas prepara a igreja contra os falsos ensinos que se alastram em nosso território nacional e também em outras regiões do mundo ocidental e oriental. O pluralismo religioso será certamente o maior desafio da Igreja Cristã neste novo milênio. Não temos dúvidas que por trás de tudo isto está o Império da religião ecumênica liderada pelo seu grande mentor, o Anticristo.

 Vê-se, pois, o quanto salta aos olhos a construção lógica e o grau de civilidade e de maturidade intelectual dos mentores do tal Encontro da Consciência "Cristã", não apenas na falta de adesão ao mandamento de Cristo de "Amar ao próximo", como na total falta de respeito com quem não partilha de suas idéias, em uma quase paranóia que abarca a proteção de um "mercado religioso" altamente lucrativo, baseado na cobrança de dízimos. Estranho ainda é essa expliticidade em se auto-denomiar de cristãos reais e agirem como egoístas mesquinhos com a "missão" de criticar e mesmo perseguir os demais. Por isso reflete o filósofo, teólogo e sociólogo Frei Betto, sobre os atuais fundamentalistas midiáticos:
"Todo fundamentalista é, a ferro e fogo, um “altruísta”. Está tão convencido de que só ele enxerga a verdade que trata de forçar os demais a aceitar o seu ponto de vista... para o bem deles! Há muitos fundamentalismos em voga, desde o religioso, que confessionaliza a política, ao líder político que se considera revestido de missão divina. Eles geram fanáticos e intolerantes."
  Fanáticos intolerantes que se acham no direito de agredir o diferente e que se sentem ofendidos, "perseguidos" se aqueles a quem agridem ousarem criticar seu posicionamento hipócrita. Este comportamento farisáico foi bem discutido pelo psicanalista  e professor universitário da UEM, Dr. Raymundo de Lima, quando, eu seu artigo "O Fanatismo Religioso entre outros", destaca alguns de seus sintomas:


O fanático não fala, faz discursos; é portador de discursos prontos cujo efeito é a pregação de fundo religioso ou a inculcação política de idéias que poderá vir a se tornar ato agressivo ou violento, tomado sempre como revelação da "ira de Deus" ou "a inevitável marcha da história" ou, ainda, a suposta "superioridade de uns sobre os demais". Faz discursos e não fala, porque enquanto a fala é assumida pelo sujeito disposto ao exercício do diálogo, da dialética, do discernimento da verdade, os discursos - especialmente odiscurso fanático - fazem sumir os sujeitos para que todos virem meros objetos de um desejo divinizado; servir ao desejo divino e à produção da repetição de algo já pronto, onde o retorno do recalcado do sujeito faz do Eu (ego) um porta-voz de um sistema de crenças moralistas carregado de ódio em relação ao suposto inimigo ou adversário que precisa ser destruído para reinar o Bem.
Os textos sagrados, tomados literalmente, fornecem a sustentação "teórica" do discurso fundamentalista religioso; com ele, o indivíduo acredita, a priori, estar de posse de toda a verdade e por isso não se dá ao trabalho de levantar possíveis dúvidas, como confrontar com outro ponto de vista, ou desvelar outro sentido de interpretação, ou ainda, contextualizá-lo, etc. O fanático tem certezae isso lhe basta. Creio porque é absurdo, já dizia Tertuliano. Certeza para ele é igual a verdade. (Segundo Popper, no campo científico, a certeza nada vale porque é "raramente objetiva: geralmente não passa de um forte sentimento de confiança, ou convicção, embora baseada em conhecimento insuficiente", já a verdade tem estatuto de objetividade, na medida em que "consiste na correspondência aos factos", na possibilidade da discussão racional com sentido de comprovação. (Popper, 1988, p. 48).
 O problema da religião não é a paixão "fé", mas a inquestionalidade de seu método. O método de qualquer religião traz uma certezadivulgada em forma de monólogo, jamais de diálogo ou debate de idéias. O pastor, padre, rabino, ou qualquer pregador de rua, vivem o circuito repetitivo do monólogo da pregação; acreditam que "vale tudo" para difundir a "verdade única" que o tocou e o transformou para sempre! O estilo fanático usa e abusa do discurso monológico delirante, declarações, comunicados, que jamais se voltam para escuta ou o diálogo, exercício esse que faria emergir a verdade - não a "certeza".
Psicopatologia do fanatismo
Do ponto de vista psicopatológico, todo fanatismo parece ter relação com a fuga da realidade.  A crença cega ou irracional parece loucura quando se manifesta em momentos ou situações específicas, porém se sua inteligência não está afetada, o fanático aparentemente é um sujeito normal. No entanto, torna-se um ser potencialmente explosivo, sobretudo se o fanatismo se combinar com uma inteligência  tecnologicamente preparada. Fanático inteligente é um perigo para a civilização. O terrorismo, por exemplo, que atua com a única meta de destruir inimigos aleatórios é realizado por indivíduos fanáticos cuja inteligência é instrumentada apenas para essa finalidade. No terrorismo é uma das expressões do fanatismo combinado com uma inteligência tecnológico, mas totalmente incapaz de exercitá-la por meios mais racionais, políticos e legais. Para o terrorismo sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos; a destruição deve ser a única linguagem possível e a construção de um novo projeto político-econômico, não está em questão, porque a realidade no seu todo é forcluída. 
O fanatismo parece surgir de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, de "ter sido escolhido por Deus" para uma missão "x", já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem aí uma loucura ou psicose. Mas, seguindo o raciocínio de Freud, vemos que "aquilo que o psicótico paranóico vivencia na própria pele, o parafrênico experiência na pele do outro", ou seja, somos levados a supor que o fanatismo está mais para a parafrenia que para a paranóia. Hitler, antes considerado um paranóico, hoje é mais aceito enquanto parafrênico, pois seus atos indicam sua idéia fixa pela supremacia da raça ariana e a eliminação dos "impuros"; mais ainda, o gozo psíquico do parafrênico não se limita "ser olhado" ou "ser perseguido", tal como acontece com paranóicos, mas sim se desenvolve "uma ação inteligente de perseguição e extermínio de milhares de seres humanos", donde extrai um quantum de gozo sádico. Portanto, deve existir membros de um grupo de fanáticos paranóicos, mas certamente o pior fanático é o determinado pela parafrenia, pois visa de fato destruir em atos calculados "os impuros", "os infiéis", enfim, todos os que não concordam com ele.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

O Capitalismo retirou Jesus de Nazaré do Natal. Texto de Carlos Antonio Fragoso Guimarães

 



Então... Como no lembra John, Yoko e Simone, mais uma vez é época do Natal... E o que de fato fizemos desta data nas últimas décadas? 

Qual o sentido que demos a esta dada? O que, em realidade, comemoramos, hoje em dia, nesta época? Será a lembrança e agradecimento pelo nascimento de uma das mais importantes personalidades da História, que canalizou e influenciou toda uma civilização ou temos hoje mero um evento capitalista incentivador neurótico de compras, futilidades, propaganda e incentivo ao consumismo desenfreado? A estima, a fraternidade a confraternização precisam mesmo ser medidos pelo valor dos presentes? Onde está, hoje, aquele "clima" ou "cheiro de Natal" que os mais velhos sentiam nesta época, onde a alegria estava em reunir a família e falar sobre Jesus e o significado do amor? Abafados foram pela pressão neurótica do consumo, exercida pelo comércio, e pelos problemas urbanos criados pelo próprio capitalismo, hoje mais agudos que há alguns anos.

  Onde fica a representação do nascimento de Jesus, como a criança simples, um inocente excluído pelas demais pessoas, nascida num estábulo e deitada em uma manjedoura? Foi suplantada pela do capitalismo, que pôs o elitista "Papai" Noel no lugar de Cristo para incentivar o consumo... O comércio, a mídia mercantil, os cartões de crédito e os bancos comemoram... os shoppings (os novos templos) comemoram... A "igrejas" eletrônicas midiáticas comemoram (por ser mais um momento de enriquecer seus cofres pelo comércio de uma nova fé calcada em ganhos materiais)... E assim, o "deus" Mercado comemora... E o significado do Natal está se perdendo... Agora, mais do que nunca, é o espírito do Capitalismo (tão incentivado que foi pela ética protestante calvinista e afins) predomina em nossos corações...

 

E, então, no dia 26 as árvores e os enfeites do Natal começam a dar lugar para os enfeites do próximo feriado (o Carnaval, também cada vez dominado e descaracterizado pelo capitalismo, cuja prévia é o Reveillon, hoje evento meramente profano, pouco tendo do sentido de uma confraternização universal ligado ainda ao Natal, como antes), e logo não se pensa mais no significado do que ocorreu há dois mil anos. E assim somos levados a ser joguetes dos interesses dos figurões do mercado...

 No fim, veja-se a que fim o comércio - incentivado por muitos fundamentalistas - o "natal" do consumo reverteu os símbolos de gratuidade e amor do Natal de Jesus. O simbolismo do nascimento humilde daquele que revolucionou a ética por uma vida de coerência pelo amor deu lugar a dinâmica materialista representada pela figura fabricada de um velho - deturpação da bonita história de São Nicolau -, que carrega um saco de presentes para os bem nascidos e que, cruelmente, faz pouco dos infortunados, já que tais presente nunca chegarão às crianças pobres.. Figura cruel que se se popularizou vestido de vermelho e branco devido ao marketing da Coca-Cola.


  Como bem reflete Frei Betto:

"Por ser festa de origem c ristã, para celebrar o nascimento de Jesus, a sociedade laica e religiosamente plural a descaracteriza pela introdução da figura consumista de Papai Noel. O que deveria ser memória da presença de Deus na história humana, passa a ser mero período de miniférias centrada em muita comilança e troca compulsiva e compulsória de presentes.

"Daí o desconforto que todo Natal nos traz. Como se o nosso inconsciente denunciasse o blefe. Sonegamos a espiritualidade e realçamos o consumismo. Ótimo para o mercado. Mas o será também para as crianças que crescem sem referências espirituais e valores subjetivos, sem ritos de passagem e senso de celebração?

Longe de mim pretender restaurar a religiosidade repressiva do passado. Mas se há algo tão inerente à condição humana, como a manutenção (comer) e a procriação (sexo) da vida, é a espiritualidade. Ela existe há cerca de um milhão de anos, desde que o símio deu o salto para o homo sapiens. As religiões são recentes, surgiram há menos de dez mil anos.

"Se a espiritualidade não é fomentada na linha da interiorização subjetiva e da expressão de conexão com o Transcendente, ela corre o sério risco de, apropriada e redirecionada pelo sistema, cair na idolatria de bens materiais (patrimônio) e de bens simbólicos (prestígio, poder, estética pessoal etc). Talvez isso explique por que a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas similares a catedrais pós-modernas...
Já não são princípios religiosos que norteiam a nossa vida. Desestimulados ao altruísmo e à solidariedade, centramos a existência no próprio umbigo - o que certamente explica, na expressão de Freud, "o mal-estar da civilização", hoje acrescido desse vazio interior que gera tanta angústia, ansiedade e depressão."



  E, assim, os feriados que foram criados para levar a pensar hoje levam a comprar. Regojize-mo-nos! A História, para os que enriqueceram com o sistema, acabou! Não há outros deuses além do capitalismo! E se a fórmula de exploração funciona para o Natal, por que não para outros feriados que, originariamente, nada tinham de comerciais? Então, até a vinda do "Coelhinho da Páscoa"!

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Paulo Freire e Edgar Morin sobre Saberes, Paradigmas e Educação

 


  Todas as áreas do saber, do senso comum ao conhecimento mais formal, são influenciadas por estruturas de crenças e modelos de realidade implícitos, denominados de paradigmas. Esses paradigmas, ao condicionarem o comportamento em geral e a prática científica e acadêmica, exercem também a sua influência sobre a Educação e, consequentemente, nas práticas pedagógicas e no processo de formação de professores, impactando no modo como entendemos o mundo. Contudo hoje em dia está claro que os pilares paradigmáticos que deram sustentação à cultura ocidental em geral, por mais de trezentos e cinquenta anos, estão apresentando sinais de esgotamento. Por isso a sua influência sobre a sociedade e no modo como pensamos a realidade também merecem uma reavaliação crítica. 


  O livro Paulo Freire e Edgar Morin sobre saberes, paradigmas e educação: um diálogo epistemológico repensa as fragilidades do paradigma cartesiano, base da chamada razão instrumental e do modelo de relações de trabalho do capitalismo moderno, bem como apresenta as linhas de pensamento, tanto clássicas quanto emergentes, que propõem a sua superação. E dentro desse quadro de propostas críticas de superação à razão instrumental mecanicista, expomos, como exemplos coerentes e de efetiva práxis, as ideias de Paulo Freire e Edgar Morin, ambas desafiadoras da visão reducionista ainda persistente nestes dias conturbados em nosso país e em toda a civilização dita industrial.

Detalhes do livro

  • Capa comum: 335 páginas
  • Editora: Appris; Edição: 1ªª (29 de abril de 2020)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 6555230401
  • ISBN-13: 978-6555230406
  • Dimensões do produto: 22,8 x 15,8 x 2 cm
  • Peso de envio: 522 g

sábado, 19 de dezembro de 2020

Natal... Entre Jesus da fraternidade e justiça e as lojas com a ansiedade consumista.... Por Carlos Antonio Fragoso Guimarães

 



Carlos Antonio Fragoso Guimarães


Então, como lembram John Lennon, Yoko e Simone, mais uma vez é Natal... e o que nós fazemos? Qual significado damos a esta data?

Recordamos do nascimento daquele menino que iria se tornar o Homem que iria despertar as esperanças e estimular a espiritualidade, a tolerância e a fraternidade ou, ao contrário, caimos na paranóia do consumismo, da hipocrisia, do egoísmo e do estresse de mercado? Mercado que, inclusive, desenvolveu uma forma compatível de religião igualmente midiática, espetaculosa e banal a envolver noites e madrugadas a mesmerizar a gente ingênua?

A quem a mídia exalta, o Cristo humilde no coração de todos, especialmente dos mais simples,  ou o Papai Noel que só é de fato generoso para quem já nasceu acima da miséria?

Nos reunimos para repartir a ceia com carinho ou esperamos apenas os presentes e a mesa farta (que, para alguns, não existe)?

Não é estranho que uma festa que deveria destacar a paz e a espiritulidade seja, pela mídia, transformada no seu oposto mesquinho e materialista? E ainda assim, permitimos que isso aconteça....

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Aproximações e complementaridades sobre a visão de mundo, ciência e educação presentes no livro "Paulo Freire e Edgar Morin: sobre Saberes, Paradigmas e Educação", de Carlos Antonio Fragoso Guimarães

 



  Todas as áreas do saber, do senso comum ao conhecimento mais formal, são influenciadas por estruturas de crenças e modelos de realidade implícitos, denominados de paradigmas. Esses paradigmas, ao condicionarem o comportamento em geral e a prática científica e acadêmica, exercem também a sua influência sobre a Educação e, consequentemente, nas práticas pedagógicas e no processo de formação de professores, impactando no modo como entendemos o mundo. Contudo hoje em dia está claro que os pilares paradigmáticos que deram sustentação à cultura ocidental em geral, por mais de trezentos e cinquenta anos, estão apresentando sinais de esgotamento. Por isso a sua influência sobre a sociedade e no modo como pensamos a realidade também merecem uma reavaliação crítica. 

  O livro Paulo Freire e Edgar Morin sobre saberes, paradigmas e educação: um diálogo epistemológico repensa as fragilidades do paradigma cartesiano, base da chamada razão instrumental e do modelo de relações de trabalho do capitalismo moderno, bem como apresenta as linhas de pensamento, tanto clássicas quanto emergentes, que propõem a sua superação. E dentro desse quadro de propostas críticas de superação à razão instrumental mecanicista, expomos, como exemplos coerentes e de efetiva práxis, as ideias de Paulo Freire e Edgar Morin, ambas desafiadoras da visão reducionista ainda persistente nestes dias conturbados em nosso país e em toda a civilização dita industrial.

Detalhes do livro

  • Capa comum: 335 páginas
  • Editora: Appris; Edição: 1ªª (29 de abril de 2020)
  • Idioma: Português
  • ISBN-10: 6555230401
  • ISBN-13: 978-6555230406
  • Dimensões do produto: 22,8 x 15,8 x 2 cm
  • Peso de envio: 522 g

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Lançado o livro Carl Gustav Jung e os Fenômenos Psíquicos, de Carlos Antonio Fragoso Guimarães





Sinopse: Carl Gustav Jung tem um lugar proeminente, figurando ao lado de Freud, nas origens da psicoterapia psicanalítica. O que a maioria ignora são suas relações profundas e diversificadas com o mundo dos fenômenos psíquicos, ditos paranormais, que compareceram em profusão ao longo de toda sua vida, com raízes em sua família, e perpassam suas vivências, pesquisas e reflexões.

Esta obra, de feição biográfica, é um detalhado registro de todas as ligações de Jung, ao longo da vida, com o universo dos fenômenos psi – cuja existência sempre o atraiu e foi um dos dois motivos capitais de sua divergência e afinal distanciamento de Freud, que se negava a admitir sequer a pesquisa deles.

Entre os temas abordados, as ocorrências de fenômenos psíquicos na família Jung, suas experiências com os fenômenos paranormais, sozinho ou com outros psiquiatras, suas relações com os pesquisadores da parapsicologia, como o dr. Joseph B. Rhine, da Universidade de Duke, o dr. Willian James, considerado o pai da psicologia moderna, e os diversificados fenômenos que pontuaram a trajetória de Jung, merecendo-lhe profundas reflexões, orientando a direção de suas pesquisas e comparecendo de variadas formas em sua obra e na construção de suas teorias sobre o mundo da psique humana. 

Nenhuma análise da obra e postulados de Jung será completa sem esta visão do universo dos fenômenos psi, que figuram nas raízes de sua visão de mundo, da qual a presente obra faz uma abordagem ampla, detalhada e fascinante, lastreada em sólida documentação.´
Site para compra on-line pela editora: 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Lançado o volume I da obra O Espiritualismo Ocidental, de Carlos Antonio Fragoso Guimarães



Sinopse da obra: 

 Esta obra, a primeira de uma série de três, constitui-se num estudo acessível, porém profundo, da evolução das ideias espiritualistas no Ocidente, desde os tempos homéricos ao século IV da Era Cristã. Mais que um levantamento cronológico voltado para a história da Filosofia, ela vai além e apresenta uma discussão das ideias de Alma, Psique, Reencarnação, Paligênese, a função psicológica da Mitologia e outros temas em diálogo com pesquisas científicas atuais, como as do Centro de Estudo da Consciência da Universidade de Virgínia, EUA, ou das discussões sobre o que se sabe atualmente a respeito do “Jesus histórico”, discutindo as diversas escolas históricas, inclusive atuais, voltadas ao estudo de tais temas. O texto é enriquecido com a apresentação das recentes descobertas arqueológicas que lançam novas luzes sobre temas como a formação do cristianismo, por exemplo. Do mesmo modo, as implicações filosóficas e sociais das ideias espiritualistas são confrontadas com o que hoje sabemos sobre a psicologia humana e as manifestações culturais de diferentes sociedades pelo mundo.

 Pensadores do porte de Heráclito, Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Antístenes, Diógenes, Jesus de Nazaré, Fílon de Alexandria, Orígenes de Alexandria, Plotino, Apolônio de Tiana, Plutarco, Hipácia de Alexandria, e outros, são introduzidos para o leitor, especialmente os que não tiveram chance de ter contato com a Filosofia, de forma a que se entenda a pessoa do pensador em foco dentro do seu contexto histórico. Também são apresentadas e discutidas as ideias destes luminares no que toca à espiritualidade, ao mundo espiritual, ao fato de existirmos e à ética do viver, sempre que possível comparando as ideias originais com o que vivemos hoje neste conturbado mundo moderno.

 Em um período em que vivemos um obscurecimento de certa forma planejado por parte de alguns, que desejam o solapamento do pensamento sensível, holístico e integral mais amplo, voltado ao conjunto e às questões fundamentais referentes ao porquê da vida, a presente obra constitui um estímulo e um convite à reflexão, ao questionamento do valores mecanicistas, egoístas e antissociais que perpassam nossa sociedade, e um raio de esperança para o reencontro com a Alma...

Título:O Espiritualismo no Ocidente - Vol. 1
Autor:Carlos Antonio Fragoso Guimarães
Coautor:Sem coautor
Formato:14x21cm
Páginas:522
Categoria:
Capa:4 cores (Laminação fosca)
Acabamento:Cola PUR
ISBN:9788576184591
Edição:1ª
Lançamento:Março de 2019
Preço:R$ 48,00


Para comprar este livro on-line, clique em http://edconhecimento.com.br/?livros=o-espiritualismo-no-ocidente-vol-1

sábado, 23 de março de 2019

Cinebiografia de Allan Kardec chega aos cinemas no dia 16 de maio de 2019


Kardec chega aos cinemas

Por Carlos Antonio Fragoso Guimarães

  Depois de mais de cinco anos de espera, desde o lançamento da biografia de Hipollyte Leon Denizard Rivail (1804-1869), mais conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec, escrito por Marcel Souto Maior, em 2013, concretiza-se a  adaptação da obra "Kardec" para as telas. Allan Kardec foi, dentro outros do mesmo período, o mais bem sucedido teórico dos chamados fenômenos psíquicos e em que estes, em certos casos, deixam entrever a influência de mentes outras que não a das pessoas que vivenciam tais experienciais, ou seja, dos espíritos. Por isso, Kardec é considerado o formulador mais coerente do espiritismo, ou, como dizem os espíritas, o seu codificador.

  Denizard Rivail foi um educador francês do século XIX que, por volta de meados dos anos 1840, passou a prestar atenção a eventos que, na ocasião, faziam furor na sociedade parisiense: as chamadas table mauvents, ou mesas girantes, que, em certas ocasiões, costumam movimentar-se estranhamente pela sala e mesmo, por meio de pancadas dadas pelos pés da mesmas, a responder perguntas dos participantes, fato que também chamou a atenção de outros intelectuais eminentes da época, como o escritor e político francês Victor Hugo, e a escritora e feminista socialista francesa Aurore Dudevant, mais conhecida como George Sand. Foi a partir destes eventos e se pergunta por suas origens que Denizard Rivai chegou ao estudo dos médiuns e de que como diferentes médiuns que não se conheciam podiam dar respostas semelhantes a determinadas perguntas filosóficas e científicas que escapavam ao grau de instrução dos médiuns mas que eram, no conteúdo, semelhantes e coerentes. Foi a partir da coleta de tais respostas que Rivail elaborou a obra fundamental do chamado "kardecismo", o Livro do Espíritos, lançado em 18 de abril de 1857 e deu início a uma série de obras e uma revista "De Estudos Psicológicos" que buscava teorizar e orientar o estudo de tais fenômenos, com conceitos que se antecipam à vários dos que mais tarde foram elaborados pela Metapsíquica de Charle Richet (1850 - 1935) e da Parapsicologia de Joseph Rhine (1895-1980). ]

A obra de Kardec, como era de se esperar, causou polêmica, mas durante cerca de 40 anos exerceu forte influência no movimento espírita Europeu, especialmente nos países de lingua latina como França, Bélgica, Espanha e Itália. Após a II Guerra Mundial o espiritismo kardecista na Europa entrou em declínio com o avanço do paradigma mecanicista e a visão de mundo materialista a ela associada mas desde fins do século XIX as ideias de Kardec (especialmente seu elemento que mais facilmente pode ser acomodado no contexto religoso fortemente presente no país) encontrou grande aceitação (com adaptações culturais, que praticamente desconsiderou os aspectos filosóficos e científicos da obra kardequiana) no Brasil, que hoje é o maior país espírita do mundo.

É a história do homem Hipollyte Leon Denizard Rivail e sua transformação, por meio de seus estudos e obras, em Allan Kardec que é o tema do filme dirigido por Wagner de Assis (o mesmo de Nosso Lar) e que chegará aos cinemas brasileiros no dia 16 de maior de 2019.

Filmado em locações em Paris e no Rio de Janeiro, o filme tem como protagonista o ator Leonardo Medeiros no papel de Kardec e destaca a trajetória de um cético que, aos poucos, se convence da realidade de um mundo espiritual que pode, de maneira mais ou menos difícil, entrar em contato com as pessoas que habitam o mundo físico. Veja, abaixo, o trailler oficial do filme. Esperamos que o mesmo faça justa personalidade forte e ainda um tanto misteriosa do educador que se tornou um dos mais universais pensadores do pensamento espiritualista mundial. Após o trailler, assista ao vídeo sobre os bastidores da produção.


Veja, abaixo, parte dos bastidores do filme Kardec, efetuado pelo site Set:




Kardec Making Of