Mostrando postagens com marcador Armando Coelho Neto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Armando Coelho Neto. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de maio de 2023

O genocida real não é o Lula perseguido pela Farsa Jato e a demora para pegar o ex-militar mostra que a Justiça tem lado, por Armando Coelho Neto, delegado aposentado da PF

 

Os inquéritos contra o ex-capitão não terão o tempo recorde do justiçamento de Lula ou de Dilma. A Justiça tem lado e nunca foi o do povo.


Até o dia 30 de março, circularam muitas especulações sobre o retorno do ex-capitão, até então homiziado nos Estados Unidos da América. A mídia “bota-pilha” criou teorias sobre o “vem-não-vem” daquele que desgovernou o país por quatro anos, tendo antes, parasitado na Câmara Federal por décadas abrindo caminhos para enriquecer a sua própria família. Cansado de fazer nada resolveu descansar.

Nada impediria o ex-capitão de regressar ao Brasil, mas como se fosse um jogo para animar a militância de esquerda, o jornalismo bota-pilha criou fantasias, inclusive sobre se seria preso após o desembarque. Noutros flancos, se fugiria para a Itália ou para alguma republiqueta tirânica qualquer, tudo com toque de lacrações, especulações, na base do como seria se assim não fosse.

Enquanto o jornalismo bota-pilha tentava animar a militância, hipóteses ventiladas cairiam no vazio. O meliante não foi deportado dos Estados Unidos, está livre, leve, solto, continua espalhando veneno, e fazendo pirotecnia política para abafar escândalos como a tentativa do “roubo” das joias, rombos no orçamento, fraude nos cartões de vacina, enquanto estreita laços com a extrema direita internacional.

Na esteira dos “desacontecimentos” eclodiram expectativas frustradas. Denúncias deram em nada, notícias-bombas ficaram reduzidas a leituras torpes sem reflexo na realidade jurídica, ainda que respaldadas na fala do Doutor Fulano de tal – mestre e doutor nisso e naquilo, com suas análises perfunctórias sobre meras conjecturas. Um frenesi de lacrações que não lacram, de “casa caiu” mas que estão de pé.

Fulano vai ser ouvido dia tal. O que o senhor acha que ele vai dizer? O que vai acontecer? E, tomem-se mais hipóteses que não se concretizam. Os esperados reflexos na área penal se diluem, notícias caem no esquecimento. O que sobra de real e palpável acaba agonizando na criminosa omissão da Procuradoria da República, a qual, quando age acaba vitimizando o criminoso.

Direito se faz com fatos e provas. A prova testemunhal é conhecida no meio jurídico como a prostituta das provas. Mesmo assim criam-se expectativas bombásticas sobre testemunhos em inquéritos, audiências na Câmara Federal que mais servem para criar burburinhos do que para esclarecer fatos. O ex-capitão, por exemplo, disse que estava “doidão”, leia-se sob efeito de morfina… Haja…!

Cabe lembrar que mesmo elementos materiais, tais como papeis (com ou sem assinaturas), arquivos de áudio e vídeos, provas digitais virtuais são passíveis de perícia cujos resultados, ainda que contundentes podem ser motivo de apresentação de contraprova. Portanto, nada pode ser considerado absoluto por mais que as evidências sugiram suporte a uma acusação criminal.

Pois bem. A Lei está aí, e, ainda que não necessariamente justa, cabe, pela regra, a sua aplicação, com ou sem jabutis, tenham origem duvidosa, sobretudo num país no qual o Direito Civil é para os ricos e o Direito Penal é para os pobres. De qualquer forma, tem seu ritmo e as coisas correm no seu tempo normal, ainda que muito anormal, já que o tempo da Justiça tem fuso horário próprio.

Esse gigante nariz de cera é para dizer que quem deseja ver o ex-capitão condenado e preso precisa ter paciência. O elitismo do Judiciário tem um pé na mesma lama onde bolsopatas chafurdam. Quem assistiu a maior farsa jurídica do pais protagonizada por juízes e procuradores federais em múltiplas instâncias precisa ficar atento. O compadrio judicialesco tem raízes hereditária, e o TRF 4 que o diga!

No mais, permanece obscuro e quase desapercebido o recente e aparente conluio da Republica de Curitiba com o TRF4.Aliás, não é de hoje as especulações sobre as estranhas (promíscuas?) relações do ex-meliante de toga com aquela Corte de Justiça. Farsas à parte, o tempo da Justiça corre de forma diferente, sempre aliado aos mistérios das leis, humores políticos, “embargos auriculares”.

O país ainda vive sob o espectro de golpe. “Estão mexendo com fogo”, teria dito um graduado bolsopata no dia em que prenderam o ajudante de ordem do ex-capitão, supostamente envolvido na fraude dos cartões de vacina. Nesse espectro, Lula pisa em ovos – seja pelo fantasma militar, seja por conta da arapuca do Banco Central. E, sejamos claro, ainda não se sabe ao certo como o Brasil virou de ponta-cabeça.

No mais, juízes não vêm de outro planeta e sofrem dos mesmos vícios e paixões sociais. Nesse sentido, é preciso deixar de lado o jornalismo bota-pilha, ficar atento e trabalhar com a realidade.

Engana-se quem sonha que os processos contra o ex-capitão possam ter a agilidade que marcou os processos contra Lula. A quadrilha da Farsa Jato corrompeu e escancarou a estrutura do Judiciário.

Quem defendeu a normalidade jurídica, não pode apelar para a anomalia só para ver o ex-capitão na cadeia e inelegível. Com garantias legais, sem conluio, mas também e sobretudo sem quixotismos, o Brasil quer respostas aos mortos por Covid, às suspeitas de peculato, prevaricação, negligência, charlatanismo, corrupção, uso da máquina pública, “roubo” de joias, fraude nos cartões de vacina e o que mais virá.

Mas, o genocida não é o Lula da Farsa Jato. Os processos e inquéritos contra o ex-capitão não terão o tempo recorde do justiçamento de Lula ou do que golpeou Dilma. A Justiça tem lado e nunca foi o do povo.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Venda de sentenças da Farsa Jato e o TRF4, por Armando Coelho Neto

 

No caso Tacla Duran, o TRF4 parece agir em causa própria. Foi ele quem ratificou as excrescências da Farsa Jato.




Venda de sentenças da Farsa Jato não pode respingar no TRF4

por Armando Coelho Neto, publicado no Jornal GGN

Coação de presos (seja com o alongamento de prisões temporárias e ou insinuações contra familiares), aparelhos de escuta clandestinos, grampos ilegais, documentos falsos, arquivos de mídia adulterados, acusações sem prova e ou suportada em documentos sem relevância jurídica. Se fosse possível reduzir em poucas palavras a indústria de delações premiadas seria possivelmente assim.

Em quaisquer dos casos o resultado era (foi) uma acusação contra um terceiro e ou confissão. Bom lembrar, porém, que pela lei, uma confissão só pode ser aceita quando coerente com a prova dos autos. Entretanto, como tudo era um “acordão”, qualquer tramoia era aceita. Ao final de tudo, benefícios como solturas, diminuição da pena e até conchavo para corrupto ficar com parte do “roubo”.

Assim ou mais ou menos assim eram os conhecidos métodos da Farsa Jato, conduzida por justiceiros da República de Curitiba. Urdida no exterior, foi uma espécie de “Operação Mãos Limpas” na Itália, que a pretexto de combater a corrupção acabou levando a máfia de Silvio Berlusconi e a extrema direita no poder. No Brasil, a Farsa Jato colocou Temer, o ex-capitão e a extrema direita no poder.

Quem, internamente, ousou denunciar, acabou sendo transformado em inimigo da lambança jurídico-política. É o caso do delegado federal Mário Renato Castanheira Fanton, sobre quem recaiu uma avalanche de processos nas esferas criminal, civil, disciplinar. Destruído física, psicológica e moralmente, até hoje tenta se reabilitar. Absolvido em tudo, vive introspectivo em casa, à espera de reparação judicial.

Agora, o mais grave: pode ter ocorrido, também, venda de sentença. Quantas foram vendidas? A que preço? Quem se locupletou? Juízes, procuradores, desembargadores? O advogado Rodrigo Tacla Duran diz que só a ele a máfia pediu 5 milhões de dólares para “facilitar as coisas”, tendo ele inclusive adiantado 612 mil dólares para um advogado próximo à criminosa tesouraria judiciária curitibana.

O TRF4 nada sabia? Todas as tramoias da República de Curitiba tornaram-se públicas, seja as praticadas antes, durante e ou depois, inclusive a transmissão de audiência sigilosa por meio de celulares para correspondentes da extrema direita que a tudo dava publicidade. Uma farsa que ao final seria examinada por aquela Corte de Justiça, que por vias transversas antecipava e ou insinuava o resultado.

Em tempo recorde desembargadores “leram” páginas e páginas, sugerindo à imprensa que a pauta de julgamento seria ajustada ao calendário eleitoral, ou seja, o julgamento ocorreria antes das eleições de 2018, o que levou o advogado Cristiano Zanin a declarar que o tribunal deveria divulgar a pauta de julgamentos “para mostrar transparência e não tentar vincular o julgamento de Lula ao calendário eleitoral”.

No caso Tacla Duran, o TRF4 parece agir em causa própria. Foi ele quem ratificou as excrescências da Farsa Jato. Converteu-se em puxadinho do espólio da República de Curitiba e seus tungueiros? Sua mais recente esquizofrenia diz respeito à ordem de prisão contra tal advogado, o qual denunciou supostas vendas de sentenças, que podem ter sido ratificadas (confirmadas) por aquele tribunal.

Ora, se houve venda de sentenças e o TRF4 teria ratificado decisões, a postura daquele Tribunal deveria ser outra, ou seja, deixar as apurações às claras, conhecer a verdade e adotar providências decorrentes. É, portanto, no mínimo suspeito, que dali tenha partido a ordem que na prática criou obstáculo para que a verdade se torne pública. Portanto, torna-se exigível que se saiba o que aconteceu.

O TRF4 foi palco do prende-solta de Lula, quando o desembargador Rogério Favreto foi afrontado por policiais federais e sofreu interferências espúrias por parte do ex-juiz hoje senador, os quais desobedeceram à ordem superior do próprio TRF4, que no caso era representado pelo desembargador de plantão – o juiz Favreto. Ainda que a prisão fosse mantida, o que houve dentro e fora do tribunal foi anômalo.

Recentemente, um desembargador do TRF4, na prática, “cassou” decisão do Supremo Tribunal Federal, decretando a prisão preventiva do advogado Rodrigo Tacla Duran, suspendendo dessa forma, a audiência no qual seriam apresentadas provas contra os justiceiros da Farsa Jato. Para piorar, quem concedeu a ordem tem estreitos e suspeitos laços com o autor dos crimes denunciados por Tacla Duran.

O desembargador que decretou a prisão preventiva de Duran é pai de um sócio do ex-juiz da Farsa Jato. Além disso, o filho desse mesmo desembargador seria namorado da filha do ex-juiz da 13ª Vara de Curitiba. Os dois fatos revelam estreitas ligações do desembargador com o carrasco da Farsa Jato, principal acusado dos fatos criminosos apontados pelo advogado denunciante, que diz ter provas.

Muito se critica o ex-juiz da Farsa Jato, mas paira o silêncio sobre o TRF4 que sempre endossou os seus atos, o que o torna tão suspeito e parcial quanto. Se um ex-membro está pondo em risco a imagem da Corte, entre notícias de crimes, vantagens financeiras ilícitas, torna-se imperativo o empenho daquele Tribunal em descolar sua imagem das suspeitas de corrupção. Exceto em caso de conivência.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

sexta-feira, 31 de março de 2023

Dia 31 de março, desordem do dia (aniversário do golpe criminoso militar). Gregório Bezerra presente!, por Armando Coelho Neto

 

"O trauma militar faz parte da história do Brasil. Após prender fora da lei, torturar, matar, exilar, humilhar, os militares se auto-anistiaram e voltaram para casa como cães sarnentos livres leves e soltos, mas nunca largaram o osso. Mais que isso, mantiveram privilégios e entram para a história como a força armada que mais matou seu próprio povo do que quaisquer inimigos externos."

#ditaduranuncamais



Dia 31 de março, desordem do dia. Gregório Bezerra presente!

por Armando Coelho Neto

Algum militar de alta patente da ativa foi preso, denunciado, sequer apontado como autores, coautores, cúmplices, incentivadores, financiadores no que diz respeito à tentativa de golpe de estado desencadeada no dia 8 de janeiro último, quando dos ataques terroristas aos edifícios-sede da praça dos Três Poderes, em Brasília? Pelo menos, até a colocação do ponto final dessa conversa, parece que não.

O trauma militar faz parte da história do Brasil. Após prender fora da lei, torturar, matar, exilar, humilhar, os militares se auto-anistiaram e voltaram para casa como cães sarnentos livres leves e soltos, mas nunca largaram o osso. Mais que isso, mantiveram privilégios e entram para a história como a força armada que mais matou seu próprio povo do que quaisquer inimigos externos.

Sem justiça de transição, perdoaram seus próprios crimes, e por falta de argumento melhor, disseram que houve vítimas de ambos os lados. Na mais recente tentativa de golpe, em nome da normalização, da pacificação, pegaram carona no dístico de que “o amor venceu o ódio” e é o amor que dever ser imposto. Dessa forma, os culpados declararam que não é hora de procurar culpados. A conferir, também.

O velho modelo militar cristalizou no tempo. O nacionalismo, o patriotismo faz parte um ideário difuso, de cunho aforístico, lendário e/ou cinematográfico, tudo com cheiro de mofo e coturnos manchados de sangue. Movidos pela paranoia do fantasma do comunismo – que nunca ameaçou e nem ameaça o Brasil, vivem distantes da sociedade, sobretudo dos mais pobres e das questões sociais.

Sim, ficou batido dizer que a República nasceu de um golpe, cujo principal protagonista foi o marechal Deodoro da Fonseca (15/11/1989). Desde então vige a sanha da caserna em querer tutelar o Brasil. O cão do golpe com sarnas e pulgas expostas, exercita na surdina sua convivência com a população civil, ora rosnando, ora fingindo dormir, com as patas sobre o osso que não larga, faz do país seu refém.

“Generais de hoje são (cúmplices dos) torturadores de ontem …” é o título de um artigo de Ivônio Barros, membro Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos. Nela, o autor lembra vícios seculares das Forças Armadas, destacando entre outros pontos, que os comandantes, oficiais-generais são contrários à abertura dos arquivos da ditadura militar (1964-1985) querem esconder a verdade.

Segundo o autor, grande parte dos militares são contra a verdade, mesmo que não tenham se envolvido nos casos bárbaros de torturas e assassinatos de militantes políticos. Como são fartas as notícias sobre arbitrariedades nos tempos da ditadura militar, ao assumirem postura contrária às investigações, abertura de arquivos e tudo o mais, mesmo os novos acabam se tornando cúmplices dos crimes da ditadura.

Se para assaltos e corrupção as penas possam estar prescritas, caberia advertir que a tortura é crime que não prescreve, alerta Ivônio Barros. Quem não participou da barbárie, mas ajuda a esconder o passado tem culpa no cartório. São indiscutivelmente cúmplices de torturadores e ou de seus auxiliares. Aliás, a lei pune todo aquele que tem o dever de apurar, com agravante para servidor público.

Se os militares que têm posição de mando e comando hoje não têm nenhuma responsabilidade com os crimes do passado, diz Ivônio, deveriam ser os primeiros a lutar, reivindicar arquivos abertos e que uma comissão especial de investigação fosse formada para identificar quem torturou, quem matou e quem foi partícipe desses atos (incluindo médicos, legistas, policiais, funcionários públicos etc).

“Quando um filho olha para o pai, oficial das Forças Armadas, tem dúvida se ele foi torturador”, pontua o articulista. Quando um cidadão participa de uma cerimônia oficial e vê um oficial-general, olha para ele e vê um potencial assassino torturador, alguém que não deveria estar ali. Na sequência, ele pergunta: será que esses oficiais não sentem nenhum constrangimento? O leitor pode presumir que não.

O constrangimento é zero. À revelia das leis da caserna e dos bons militares (existem, pasmem!) a candidatura do ex-capitão foi urdida nos quarteis, com inequívoco apoio do suposto templo da pretensa idoneidade militar, que é a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), a qual serviu de palco para manifestações políticas conforme vídeos removidos das redes sociais.

Com o advento do AI-5 (13 de dezembro de 1968), o autor do texto lembra que as prisões, torturas e assassinatos se avolumaram. “Os aparelhos de repressão das Forças Armadas ficavam mais cruéis e mais sofisticados. Ao mesmo tempo, o pessoal da área de ‘inteligência’ se tornava mais poderoso na estrutura administrativa e política do governo ditatorial”. Deu no que deu, caro leitor.

Não adianta tentar dizer que não houve tortura e matança entre os anos de 1964 e 1968. O próprio Superior Tribunal Militar já admitiu essa realidade. E, nesse momento, cabe lembrar que os próprios militares foram os torturados pelos seus pares, em especial os quadros de praça (cabos, sargentos) envolvidos em rebeliões e ou em movimentos de apoio ao governo João Goulart.

O sargento Gregório Bezerra (1900 a 1983) é um deles. Militante político do Partido Comunista, deputado constituinte de 1946 e forte opositor da Ditadura Militar de 64, foi torturado em praça pública e foi arrastado pelas ruas do Recife num primitivo espetáculo medieval. Vivo fosse, fugindo a lógica dos chamamentos do Criador, estaria aniversariando no dia 13 de março. Acolham essa fala como homenagem.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br. A publicação do artigo dependerá de aprovação da redação GGN.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Notas esquizofrênicas sobre esquerda, direita e militares, por Armando Coelho Neto

 


A horda criminosa fascista-bolsonarista está ativa nas redes, enquanto parte da esquerda está confusa entre a euforia da vitória e a ressaca do terror.

Notas esquizofrênicas sobre esquerda, direita e militares

por Armando Coelho Neto

“Mentir faz parte da guerra”. Essa fala absurda de um general pilantra e paranoico não sai de cena. Legitimar fake news é atestar o que muitos já sabiam: o ex-governo foi uma farsa, pautado pela mentira, a corrupção. A grotesca fala do general definiu os rumos da Nação, na qual só militares e especuladores se deram bem. Nem Paulo Guedes trouxe seus milhões de dólares ao pais que apregoava ir bem. Esquecer?

Também não dá para esquecer que a esquerda dita inteligente, sobretudo a replicadora de fatos, notas e apelos não necessariamente verdadeiros, alimentou uma guerra de burros (maioria de pobres) contra intelectuais (suposto privilegiados cúmplices dos ricos). Bozo encarnou o pobre burro, sem que nem todo burro fosse pobre ou que todo pobre fosse burro. Desvios de caráter à parte, claro!

Inteligentes X burros, a esquerda patinou em piadas com os erros crassos dos bolsopatas, demorando a entender que errar era método: kafta no lugar de Kafka, acepipes em vez de assecla, ventrículo no lugar de ventríloquo, rugas e rusgas, conja x cônjuge era tudo diversionismo, enquanto se urdiam tramas “nas alcovas e breu das covas”, saques, roubo, sabotagem de vacina, matança de indígenas…

Para as elites, Lula era um burro, analfabeto, um retirante sem eira nem beira. Mas, rapidamente concluíram que burros não chegam à presidente da República e não tardaram a descobrir estar diante de um estadista de projeção internacional. Portanto seus referenciais primários de inteligência caíram por terra e logo se aliaram aos laboratórios internacionais de manipulação de corações e mentes.

Lula, ainda não candidato, apelou para que parassem de chamar eleitores do Bozo de burros, que fosse adotada outra forma de lidar com eles. Na trilha inversa, a militância que já havia abandonado as bases, fechou-se em bolhas e com orgulho abraçou o oba-oba de estrelinhas, bloqueando chances ainda que mínimas de diálogo. Afinal, nem todos eram fascistas, mas também incautos e decepcionados.

Escrachado pela mídia, qualquer PowerPoint, papel em branco, ladrão chamando Lula de ladrão, pedalinho com o nome de um neto do líder; qualquer fronha bordada com o nome de Dona Marisa – agrado comum da classe média para hóspedes ganhou status de prova contra Lula. Como então desqualificar o voto de quem contra isso se revoltou? Por que incautos não depositaria esperança num falso messias?

Bom lembrar. “Forças primitivas, sexuais e agressivas estavam ocultas na mente de todas as pessoas”… E se essas forças não fossem controladas levariam os indivíduos e a sociedade ao caos, teria dito Sigmund Freud. Tais teorias há tempos são usadas pelo poder para controlar pessoas, e nesse GGN, em algumas passagens, falamos sobre o imperdível documentário “O Século do Ego” (Youtube).

Maldade organizada, a farsa-mito teve direito a uma “facada”: um cidadão qualquer rompeu todos os círculos primários e secundários de segurança (pessoal e institucional) e “atingiu” o então candidato Bozo. Se a realidade imita a arte, quem assistiu a morte de Odorico Paraguaçu (O Bem Amado, TV Globo) pode dar asas à imaginação. “Meu pai acabou de ganhar a eleição”, atestou o filho do farsante.

Com método e inteligência as forças primitivas estavam sendo bem utilizadas, na qual a esquerda estava apanhando de 7 x 1 na guerra de narrativas. O pensamento civilizado foi satanizado, e o que virava piada na esquerda era potencializado na energia reprimida com versão própria, por vezes de um Bozo vitimizando. Ainda que os urubus já estivessem aí e o Bozo tenha sido mera carniça que os atraiu, os uniu.

O golpe de 2016 foi fase um, e não se sabe quantos cheques voltaram sem fundos, o que explicaria a reviravolta. Bozo surge na fase dois do golpe, pronto para a fase três, frustrada em 08/01. Tática, trapalhada ou acaso, mescla de Turma da Mônica com Trapalhões, os ataques terroristas se deram em boa hora. Afinal, as coisas passaram a ser chamadas pelos nomes reais e receberam tratamento à altura.

O Exército (todo?) acolheu a chocadeira de fascistas. Sem pudor caiu no ridículo de aliar-se ao tosco, com parentes de generais, fanáticos orando e batendo continência para pneus, discos voadores… Falsas loiras no melhor estilo João Bosco (“lingerie, sobrancelha feita a lápis e perfume da Coty”) fizeram jograis e a imagem de um maluco preso ao para-brisa de um caminhão rodou o mundo. Viva as FFAA!

Assassinos, pastores estelionatários, empresários corruptos, terroristas, espancadores de mulheres, rufiões, praxenetas, baderneiros contratados, mais uma legião de vagabundos com ficha suja, e muitos incautos, claro (!) foram acolhidos na placenta da patriotada golpista, com a anuência de quem deveria respeitar a Constituição. Eis as forças do mal unidas, manipuladas e potencializadas.

A horda fascista está ativa nas redes, enquanto parte da esquerda está confusa entre a euforia da vitória e a ressaca do terror. É preciso subir o morro e dançar pisadinha, recuperar o espaço perdido nas comunidades e, tanto quanto possível repor a verdade. Afinal, cadelas do fascismo já foram diplomadas, não dormem nem saem do cio. Dado o puxão de orelha na esquerda, o dos militares vem a seguir.

Sem a inserção de civis nos quarteis, a mentalidade militar ficará refém do ideário mofado da velha casta, parte dela desejosa em comemorar golpes, homenagear torturadores, conceder medalhas a puxa-saco, com famas que vão de só pintar meios-fios a de haver matado mais brasileiros que estrangeiros. Tudo isso a um custo orçamentário de R$ 86 bilhões, mais que saúde e educação juntas. Basta!

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

"Não há luta entre esquerda e direita, mas sim luta da civilização contra a barbárie." E sobre o papel da PF no retrocesso, nos golpes de 1964 e 2016 e na volta da direita mais ao estilo fascista ao poder. Por Armando Coelho Neto, delegado aposentado da PF, advogado, ex-representante da Interpol

 

Quando comecei a escrever neste espaço não trouxe grandes novidades, exceto quanto mergulhava um pouco nas entranhas da Polícia Federal, sobre o desserviço dela à Nação, seu papel de capitã do mato nos golpes de 1964 e 2016, e, mais recentemente na vergonhosa formação de seus novos jagunços… “Mito mito! ”


Do Jornal GGN:


Banksy

Notas torpes sobre um quase adeus ou até breve ao GGN

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Quando comecei a escrever neste espaço não trouxe grandes novidades, exceto quanto mergulhava um pouco nas entranhas da Polícia Federal, sobre o desserviço dela à Nação, seu papel de capitã do mato nos golpes de 1964 e 2016, e, mais recentemente na vergonhosa formação de seus novos jagunços… “Mito mito! ”

Minhas palavras geraram revolta dentro da PF e seus calhordas, enquanto os policiais sérios quedavam amordaçados sujeitos a um regime jurídico decadente, com regras de valas comuns nos quais seus servidores são enquadrados, conforme humores administrativos. Aos inimigos a lei é a regra número zero.

Por conta delas (minhas palavras), sofri interpelações, já que para a PF é mais fácil conviver com mentiras e hipocrisia do que com a verdade. Ela nega até mesmo os bons préstimos da gestão petista em seu favor e que lhe deram projeção. Entre eles, mais autonomia, instrumentos legais, recursos materiais e humanos (1).

Segui o desafio de dizer algo às segundas-feiras, quando já se havia dito tudo sobre tudo, e com muita propriedade, na verve de jornalistas, juristas, cientistas políticos… a respeito das escrotices promovidas pela elite sabuja, com a proteção do Supremo Tribunal Federal e das covardes Forças Armadas – pátria amada raio que o parta!

Ao começar a escrever nos primórdios do golpe de 2016, tinha ilusão de mostrar o reduzido contingente na PF ávido por justiça social, honesto, preocupado com direitos humanos. Gente séria para quem direitos humanos protegem o cidadão contra a tirania do Estado. Mas, para a maioria é mesmo proteção de bandidos.

Para se ter ideia, a unidade que trata do meio ambiente é chamada de “Delebambi” (2). A ambientalista mirim Greta Thunberg só perde para Lula em termos de ironias. Isso mostra o sentimento retrógado sobre uma importante questão mundial. É coisa para inglês ver, com as ressalvas obrigatórias quanto às honrosas exceções.

Assim era, assim é, mas era preciso dizer que havia gente refletindo na instituição. Desse modo, à exceção das particularidades da PF, tudo o quanto mais registrei neste GGN repercutia muito mais em razão de quem (um delegado federal) estava dizendo, escrevendo, do que mesmo pelo ineditismo ou contribuição ao debate.

É como se um delegado federal dizendo “é golpe, foi golpe” fizesse alguma diferença. Sempre chamei de Farsa Jato a maior tramoia jurídica da história, urdida por entreguistas, corruptos, por capitães do mato da elite do atraso. Parecia fazer a diferença chamar o herói da TV Globo de Zé Roela, hoje a serviço de corruptos.

Se fez ou não fez diferença, não se sabe. Mas, já deu. Bateu o cansaço, parecido com o de Álvaro de Campos (“O que há em mim é sobretudo cansaço — Não disto nem daquilo; Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço… infecundo, cansaço; Um supremíssimo cansaço, Íssimo, íssimo, íssimo”).

Ocupar nossa precária massa cefálica com histrionices, macaquices, pouca vergonha, com a horda de assassinos e ladrões da gangue do Planalto é demais. Chega de reverberar a hemorroida do Bozo, o pinto mal lavado dos adolescentes, gripezinha, ambientalistas maricas, e daí (?), não sou coveiro, jacaré…

Basta de o … da tua mãe, enfia no… fdp, ela quer dar o furo, chicletes, leite Moça, alfafa, o compromisso diário com a podridão aplaudida por insanos. Às favas o culto ao ódio, à família nepotista, o processo de imbecilização de uma sociedade doente, programada para sê-la, por que a alienação é a galinha dos ovos de ouro deles.

Não há luta entre esquerda e direita, mas sim luta da civilização contra a barbárie. Esquerda, já o disse, é concessão da direita para que ela, a direita, apareça limpinha e cheirosa na fita, como quem dá direito de defesa num processo aberto para condenar. O “golpichimam” de Dilma e o justiçamento de Lula falam por si (3).

A imprensa bate de mentirinha no Bozo, pois sabe que vitimizando Bozo ele ganha apoio popular. Enquanto reverbera sandices e maldades do Bozo, Paulo Guedes passa a boiada. Alimenta o embate futuro entre Bozo e Dória (o cocô puro contra o cocô com chantili) com Supremo, FFAA, Transparência Internacional et caterva.

A rigor, cansei de falso “Brazil quebrado”, de ver ladrão chamando Lula de ladrão, farsas jurídicas no Supremo, bandidos julgando inocentes (como a gangue de Eduardo Cunha), juízes larápios com “juridiquês” empolado livrando a barra das elites, com autoridades querendo furar a fila da vacina. Vão todos às favas!

Sob silêncio sepulcral das exceções, grassa a covardia e sabujice das Forças Armadas sempre a serviço do sistema, e que só apareceram na história para derrubar governos populares e pintar meio-fio. Aos quintos dos infernos também!

Acho que já deu. Por certo farei como Adriana Calcanhoto, e escreverei “cartas pra ninguém”, já que o inverno no Leblon é quase glacial.

Aliás, não só no Leblon. Na Praça Roosevelt também, onde a inútil e assassina Polícia Militar de S. Paulo, na cara de pau, cínica e autoritariamente rouba centímetro a centímetro o espaço público, com a cumplicidade de sua omissa “corregedoria” e do Ministério Público.

São essas minhas notas torpes de um quase adeus ou até breve ao GGN. É possível que eventualmente, reapareça por aqui, talvez em razão do que se diz ou se possa dizer, e, não mais em razão de quem diz… É possível que me dedique a um livro ou a uma saudade intensa que dói, dói, dói por que ser nervo exposto é fo…

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-representante da Interpol em São Paulo.

1-     https://jornalggn.com.br/artigos/desculpas-delegados-da-pf-mas-foi-dilma-quem-fortaleceu-voces-por-armando-coelho-neto/

2-     https://www.youtube.com/watch?v=hI2WnEPXAFY

3-     https://jornalggn.com.br/crise/e-o-golpe-da-maconha-intrujada-lewandowski-por-armando-coelho-neto/

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

ASSINE AGORA

sábado, 12 de dezembro de 2020

Moro gerente do butim. Na guerra híbrida, foi borracheiro malandro, por Armando Coelho Neto, advogado, jornalista, delegado aposentado da PF e ex-representante da Interpol em São Paulo

 

Moro foi agente local da Farsa Jato, e agora se tornou o gerente de extração da massa remanescente.

Jornal GGN:

Moro gerente do butim. Na guerra híbrida, borracheiro malandro

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Deixem-me explicar para o leigo o que é butim. Nos verbetes das nets da vida constam que butim é o conjunto de bens materiais e de escravos, ou prisioneiros, que se toma do inimigo depois de um ataque, batalha, guerra. É produto de roubo, pilhagem. Leia-se, depois da tempestade vem a bonança para o vitorioso.

Moro gerente de butim é uma metáfora real. Roubei a expressão do Facebook de Piero Leirner – antropólogo (vasto currículo), professor da Universidade Federal de São Carlos, experiente estudioso de guerra, sistemas hierárquicos. Ele se referia ao modelo americano de gerir os estragos das guerras promovidas pelos EUA.

O Iraque vítima do diletantismo dos EUA é exemplo. Citando a jornalista canadense Naomi Klein (autora da obra Doutrina do Choque), Leirner diz que, depois de arrasar um país, invasores se tornam os administradores da reconstrução local, usando suas próprias firmas. Ganham muito dinheiro na reconstrução do que destruíram.

A multinacional americana Halliburton, ligada a exploração de petróleo, obteve um lucro de US $ 39,5 bilhões na guerra do Iraque. A empresa foi comandada por Dick Cheney, vice-presidente de George W. Bush. É o que informa a Eco Link Brasil com o subtítulo “Máquina de Guerra que mata pessoas, povos, nações e culturas”.

Aliás, Jonh Perkins (ex-CIA, já falei dele neste GGN*) disse: “Somos muito bem pagos para enganar países ao redor do mundo e subtrair-lhes bilhões de dólares”, para atender interesses americanos. Ele conta muitas histórias sobre como os EUA ganharam dinheiro com golpes de estado. Qualquer semelhança com a Farsa Jato…

No caso do Brasil, o butim é consequência da guerra híbrida. Grosso modo, guerra híbrida é um conjunto de fatores – inclusive manifestações populares e o uso da lei utilizados para perseguir o alvo, desestabilizar governos. Para Leirner, a guerra híbrida pátria teve como sócia as Forças Armadas, a alma invisível do golpe.

Estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) provou que a Farsa Jato deu origem à crise de emprego no país, pois desorganizou a cadeia de petróleo e gás, com importante impacto na construção civil. Acesso a crédito, licitações, realizar negócios foram impedidos às empresas investigadas.

Com números de 2015/2016, a revista Carta Capital mostrou que os investimentos da Petrobras eram 2% do PIB; o conjunto das empreiteiras envolvidas pela operação faziam investimentos da ordem de 2,8% do PIB. A OAS tinha 120 mil trabalhadores e caiu para 30 mil, a Engevix de 20 mil empregados foi para apenas 3 mil.

A mesma matéria revela que o desastre chegou ao mercado informal de trabalho, já que, por exemplo, um o desempregado egresso da OAS dispensou a diarista, e pode ter aberto mão de outros serviços. Desse modo, por incompetência ou mesmo como recurso da guerra híbrida, a Farsa Jato é parte da crise e do golpe de 2016.

O ex-presidente Lula, com base em dados de sua assessoria, tem dito que a Farsa Jato se vangloria de haver devolvido R$ 500 milhões à Petrobras. Mas, fez desaparecer mais de 2 milhões de empregos na construção civil, desmontou a indústria da infraestrutura, causando prejuízos em torno de R$ 142 bilhões ao país.

A cifra de Lula está defasada, pois já atingiu R$ 146 bilhões, segundo a professora Rosa Maria Marques, do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da PUC-SP. Numa entrevista ao Brasil 247 ela fala que não é economista progressista quem confirmam os prejuízos, mas sim empresas de consultoria.

Empresas estrangeiras envolvidas em escândalos financeiros, tais como Ericsson, Volkswagen Hoechst, Bayer, Basf estão firmes e fortes, mesmo tendo participado de esquemas de corrupção. A Farsa Jato como instrumento da guerra híbrida ajudou a fomentar o golpe de 2016. Sem crise o golpe ficaria mais difícil, claro!

Estrago feito, golpe dado, projetos frustrados, Moro torna-se ex-juiz, ex-ministro, ex-professor, ex-estrerma direita e …

Volto ao professor Leirner. “Não há outro nome para isso que não seja ‘administração do butim’”, diz ele. Moro foi agente local da Farsa Jato, e agora se tornou o gerente de extração da massa remanescente. O novo emprego do ex-tudo, para ele, é mais que um “reconhecimento pelos serviços prestados”.

Mas, que raio de emprego é esse? Em pleno dia da eleição, sabe-se lá por que motivo, veio a notícia de que o ex-juiz se tornou sócio da companhia americana Álvaro e Marçal (A&M), empresa que trabalha com a recuperação da Odebrecht, empresa essa que a Farsa Jato ajudou a destruir. É gerência de butim ou não é?

A Farsa Jato engordou os bolsos de muitos de seus capitães do mato, seja com palestras, livros e estrelato em círculo vicioso. Como diz um polêmico jornalista da Band News, se Moro fosse hoje juiz de Moro, ele estaria na cadeia. O dinheiro que Moro recebe vem, em parte, da empresa que ele ajudou a quebrar. Virou troca-troca.

Gerência de butim à parte, o raciocínio hediondo que Moro e os procuradores da República fizeram sobre as palestras de Lula valeria também para Moro? Seria o cargo (sócio) uma recompensa pelos benefícios concedidos às empresas investigadas? Seriam benefícios inespecíficos, aleatórios em troca de favores?

Na prática, Moro teria agido mesmo como um borracheiro malandro que manda moleques espalhar pregos nas redondezas para faturar com a recuperação de pneus furados. Será?

 (*) https://jornalggn.com.br/artigos/rosa-weber-deu-o-salve-e-o-golpe-comecou-por-armando-coelho-neto/

Armando Rodrigues Coelho Neto – Jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-integrante da Interpol em São Paulo.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

ASSINE AGORA

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Do advogado, jornalista, ex-representante da Interpol em São Paulo e delegado aposentado da PF Armando Coelho Neto, no GGN: Moro gerente do butim. Na guerra híbrida pró-interesses externos, borracheiro malandro

 

Moro foi agente local da Farsa Jato, e agora se tornou o gerente de extração da massa remanescente.

Jornal GGN:

Moro gerente do butim. Na guerra híbrida, borracheiro malandro

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Deixem-me explicar para o leigo o que é butim. Nos verbetes das nets da vida constam que butim é o conjunto de bens materiais e de escravos, ou prisioneiros, que se toma do inimigo depois de um ataque, batalha, guerra. É produto de roubo, pilhagem. Leia-se, depois da tempestade vem a bonança para o vitorioso.

Moro gerente de butim é uma metáfora real. Roubei a expressão do Facebook de Piero Leirner – antropólogo (vasto currículo), professor da Universidade Federal de São Carlos, experiente estudioso de guerra, sistemas hierárquicos. Ele se referia ao modelo americano de gerir os estragos das guerras promovidas pelos EUA.

O Iraque vítima do diletantismo dos EUA é exemplo. Citando a jornalista canadense Naomi Klein (autora da obra Doutrina do Choque), Leirner diz que, depois de arrasar um país, invasores se tornam os administradores da reconstrução local, usando suas próprias firmas. Ganham muito dinheiro na reconstrução do que destruíram.

A multinacional americana Halliburton, ligada a exploração de petróleo, obteve um lucro de US $ 39,5 bilhões na guerra do Iraque. A empresa foi comandada por Dick Cheney, vice-presidente de George W. Bush. É o que informa a Eco Link Brasil com o subtítulo “Máquina de Guerra que mata pessoas, povos, nações e culturas”.

Aliás, Jonh Perkins (ex-CIA, já falei dele neste GGN*) disse: “Somos muito bem pagos para enganar países ao redor do mundo e subtrair-lhes bilhões de dólares”, para atender interesses americanos. Ele conta muitas histórias sobre como os EUA ganharam dinheiro com golpes de estado. Qualquer semelhança com a Farsa Jato…

No caso do Brasil, o butim é consequência da guerra híbrida. Grosso modo, guerra híbrida é um conjunto de fatores – inclusive manifestações populares e o uso da lei utilizados para perseguir o alvo, desestabilizar governos. Para Leirner, a guerra híbrida pátria teve como sócia as Forças Armadas, a alma invisível do golpe.

Estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) provou que a Farsa Jato deu origem à crise de emprego no país, pois desorganizou a cadeia de petróleo e gás, com importante impacto na construção civil. Acesso a crédito, licitações, realizar negócios foram impedidos às empresas investigadas.

Com números de 2015/2016, a revista Carta Capital mostrou que os investimentos da Petrobras eram 2% do PIB; o conjunto das empreiteiras envolvidas pela operação faziam investimentos da ordem de 2,8% do PIB. A OAS tinha 120 mil trabalhadores e caiu para 30 mil, a Engevix de 20 mil empregados foi para apenas 3 mil.

A mesma matéria revela que o desastre chegou ao mercado informal de trabalho, já que, por exemplo, um o desempregado egresso da OAS dispensou a diarista, e pode ter aberto mão de outros serviços. Desse modo, por incompetência ou mesmo como recurso da guerra híbrida, a Farsa Jato é parte da crise e do golpe de 2016.

O ex-presidente Lula, com base em dados de sua assessoria, tem dito que a Farsa Jato se vangloria de haver devolvido R$ 500 milhões à Petrobras. Mas, fez desaparecer mais de 2 milhões de empregos na construção civil, desmontou a indústria da infraestrutura, causando prejuízos em torno de R$ 142 bilhões ao país.

A cifra de Lula está defasada, pois já atingiu R$ 146 bilhões, segundo a professora Rosa Maria Marques, do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da PUC-SP. Numa entrevista ao Brasil 247 ela fala que não é economista progressista quem confirmam os prejuízos, mas sim empresas de consultoria.

Empresas estrangeiras envolvidas em escândalos financeiros, tais como Ericsson, Volkswagen Hoechst, Bayer, Basf estão firmes e fortes, mesmo tendo participado de esquemas de corrupção. A Farsa Jato como instrumento da guerra híbrida ajudou a fomentar o golpe de 2016. Sem crise o golpe ficaria mais difícil, claro!

Estrago feito, golpe dado, projetos frustrados, Moro torna-se ex-juiz, ex-ministro, ex-professor, ex-estrerma direita e …

Volto ao professor Leirner. “Não há outro nome para isso que não seja ‘administração do butim’”, diz ele. Moro foi agente local da Farsa Jato, e agora se tornou o gerente de extração da massa remanescente. O novo emprego do ex-tudo, para ele, é mais que um “reconhecimento pelos serviços prestados”.

Mas, que raio de emprego é esse? Em pleno dia da eleição, sabe-se lá por que motivo, veio a notícia de que o ex-juiz se tornou sócio da companhia americana Álvaro e Marçal (A&M), empresa que trabalha com a recuperação da Odebrecht, empresa essa que a Farsa Jato ajudou a destruir. É gerência de butim ou não é?

A Farsa Jato engordou os bolsos de muitos de seus capitães do mato, seja com palestras, livros e estrelato em círculo vicioso. Como diz um polêmico jornalista da Band News, se Moro fosse hoje juiz de Moro, ele estaria na cadeia. O dinheiro que Moro recebe vem, em parte, da empresa que ele ajudou a quebrar. Virou troca-troca.

Gerência de butim à parte, o raciocínio hediondo que Moro e os procuradores da República fizeram sobre as palestras de Lula valeria também para Moro? Seria o cargo (sócio) uma recompensa pelos benefícios concedidos às empresas investigadas? Seriam benefícios inespecíficos, aleatórios em troca de favores?

Na prática, Moro teria agido mesmo como um borracheiro malandro que manda moleques espalhar pregos nas redondezas para faturar com a recuperação de pneus furados. Será?

 (*) https://jornalggn.com.br/artigos/rosa-weber-deu-o-salve-e-o-golpe-comecou-por-armando-coelho-neto/

Armando Rodrigues Coelho Neto – Jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-integrante da Interpol em São Paulo.