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segunda-feira, 27 de março de 2023

A "grande mídia" corporativa, sempre bem paga por bancos e mega especuladores que querem sugar o país como os próprios Marinhos, Mesquitas, Abravanels, etc.,, quer fazer de Moro um "herói" macunaíma... E voltam as táticas da Lava Jato, como demonstra em artigo Armando Coelho Neto, delegado aposentado da Polícia Federal

 

Quem não dá crédito a nada que parte da opinião cristalizada pela grande mídia, especialista em destruir reputações, vive desconfiado.



Do Jornal GGN:


Ok, Lula pisou na bola! Mas, por que não seria armação?

por Armando Rodrigues Coelho Neto

No último dia 22 a Polícia Federal desencadeou uma operação para frustrar um suposto plano do Primeiro Comando da Capital (PCC), que teria por objetivo promover ataques contra servidores públicos e autoridades, por meio de homicídios, sequestros, extorsão. Entre os possíveis alvos estaria um hoje “picareta sem toga”, que no passado prendeu Lula sem provas em troca de cargo, dinheiro e prestígio.

Quem não dá crédito a nada que parte da opinião cristalizada pela grande mídia, especialista em destruir reputações, vive desconfiado. Fique o leitor com Lula e Dilma, entre outros, para que não seja necessário recontar casos como da Escola de Base e ou repisar as escandalosas operações da Farsa Jato, com pessoas sendo presas quando acompanhando parentes em hospitais ou arrastadas em macas.

O que havia por trás dessas operações midiáticas? Por vezes um depoimento insólito, gênero “Maria Louca” do Caso Celso Daniel, que vivia lendo histórias de jornais e se apresentando para prestar depoimentos fantasiosos, com a complacência do Ministério Público, que dava a ela um crédito que nenhum policial rastaquera de plantão daria. Mas, tinha o selo de uma testemunha, um promotor…

Quando do dito “Mensalão”, não importava que a pessoa tivesse uma capivara gigante, nem que fosse um ladrão, traficante foragido, nem se desse um depoimento bombástico e no dia seguinte fugisse do país. O importante era que de alguma forma incriminasse Lula, Dilma, PT. Essa fala é inspirada numa afirmação mais civilizada do jornalista Ricardo Kotcho, ao criticar então o papel da mídia. Nada mudou!

Não há um depoimento? Serve a interpretação de um “araponga” sobre uma escuta telefônica, autorizada ou não. Se houver um pedaço de papel encontrado pela Polícia Federal sujeito a subjetividades na leitura também serve. Mas, bom mesmo é a assinatura de uma juíza “Control C Control V” (copia e cola). Pode melhorar se o juiz vestir preto, tiver um discurso moralista que esconda o cafajeste real que é.

O Brasil assistiu no passado uma farsa contra a presidenta Dilma Rousseff, com toda aparência de legalidade, e teve até o selo de legitimidade conferido pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo que em cadeia nacional de televisão tenha sido dito tratar-se de um grande acordo nacional com Supremo e tudo, mais o Exército (olha ele de novo!) monitorando o Movimento dos Trabalhadores sem Terra.

Neste espaço, por mais de uma vez, o golpe de 2016 foi tratado como “Golpe da maconha intrujada” – prática de maus policiais que por desacordo comercial com bandidos inserem produtos ilícitos nas posses ou casa de alguém. Ou, por não conseguirem provas contra a pessoa, forjam flagrantes, e uma vez apresentada à autoridade ganha ares de legalidade, sem que se questione o vício de origem.

Se políticos, delegados, procuradores da República, juízes e mídia se uniram para promover um golpe, por que bandidos não o fariam? Se autoridades se uniram para consumar duas grandes farsas políticas, por que bandidos do PCC também não o fariam? Por que não poderiam construir uma operação “colar colou”, que no fundo produzisse os efeitos secundários desejados e não os aparentes propósitos finais?

Permita o leitor mais que licença poética! Licença ao delírio! Confiança absoluta numa Polícia Federal, cujos recém-formados gritavam “mito” no encerramento do curso de formação? Ou dos mais antigos que atuaram como capitães do mato da Farsa Jato? No silêncio do Ministério Público Federal quanto à atuação mafiosa de membros que se locupletavam do cargo para galgar postos políticos?

Se autoridades podem se unir para promover uma farsa, bandidos também podem. A “simpatia” do PCC pelo Partido dos Trabalhadores está demonstrada nos ataques promovidos no Rio Grande do Norte, do mesmo modo no corpo mole dos policiais cearenses contra um governo do Partido dos Trabalhadores. Quem ajudou a municiar o PCC com o descontrole de armas está mais próximo dele, não?

Confiar em juíza “copia-cola”? É de se presumir com indiscutível sinceridade que há pessoas honestas na operação contra o PCC, sobretudo o incansável procurador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco). Mas, o que impediria o PCC de criar toda essa situação, para ocultar o “roubo” das joias e outros escândalos relacionados ao ex-capitão?

No mais, quem é o ex-pilantra de toga na fila do pão, para ser alvo do PCC? Assinou uma portariazinha? Mentira! Foi no desgoverno Temer! Fato: o picareta estava apagadinho e em descrédito. Para um grupo fascista que inventou uma facada, construiu diálogos falsos entre bandidos para incriminar Lula durante a campanha eleitoral, seria difícil criar o codinome “Tokyo” ou Pinóquio para um ex-juiz?

“Ah, mas até alugaram casa, coisa e tal”. E daí? Para quem inventou um golpe de estado, uma Farsa Jato, esse suposto “itercriminis” é fichinha. Claro, autoridades não poderiam ignorar os diálogos, teriam de agir, estivessem os bandidos blefando ou não, criando suportes fáticos e ou urdindo verossimilhança para as ameaças com as quais o Gaeco convive há tempo, em especial um insuspeito promotor.

Um pitaqueiro oficioso no GGN pode desconfiar de tudo e tornar público. Lula pisou na bola, mas tem a licença poética de sua dor para expressar sua desconfiança. Foi ele quem passou 580 dias preso sem provas, numa grande armação entre autoridades, que deixou desempregar e morrer brasileiros, quebrar empresas, enriquecer os mais ricos e mergulhar o país numa onda fascista.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br. A publicação do artigo dependerá de aprovação da redação GGN.

segunda-feira, 8 de março de 2021

VÍDEO: No Dia da Mulher, Dilma lembra que o golpe jurídico-parlamentar-midiático militar de 2016 e 2018 elegeu um “misógino, racista e homofóbico”

 

“O Dia Internacional da Mulher de 2021 será lembrado para sempre como uma data em que a humanidade estava submetida a uma das maiores crises sanitárias de nossa história. Ficará evidenciado que o neoliberalismo não tem respostas para as crises que não seja o aumento das desigualdades sociais, de gênero e étnicas produzindo imensa injustiça”. - Dilma Rousseff


Do DCM:

Dilma no Dia Internacional da Mulher. Foto: Reprodução

No Dia Internacional da Mulher, a ex-presidente Dilma Rousseff lembrou da tragédia que é ser uma mulher na era em que o neoliberalismo é a tônica contra a crise.

“O Dia Internacional da Mulher de 2021 será lembrado para sempre como uma data em que a humanidade estava submetida a uma das maiores crises sanitárias de nossa história. Ficará evidenciado que o neoliberalismo não tem respostas para as crises que não seja o aumento das desigualdades sociais, de gênero e étnicas produzindo imensa injustiça”.

Ela relembra as conquistas das mulheres durante os governos petistas e do papel das minorias.

“No Brasil, este oito de março nos faz refletir sobre o que as mulheres estão perdendo depois de tudo o que conquistamos em 13 anos de governos progressistas. No período em que governamos enfrentamos exclusões de classe, de gênero e étnicas”.

A ex-presidente lembra ainda que “é um fator de risco ser mulher negra e LGBT” no país e culpa o golpe pela eleição de Bolsonaro, que é “misógino, racista e homofóbico”.

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domingo, 20 de dezembro de 2020

Golpe de Temert-Cunha-Militares-Fiesp-Lava Jato contra Dilma deixou o Brasil comprovadamente muito mais pobre

 PIB nacional deverá fechar a década com uma expansão de 2,2%, ante 30,5% da economia global. Crise econômica foi agravada com o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, que reduziu investimentos, diminuiu a renda média da população e quebrou o país


(Foto: Stuckert | ABr)

247 - A queda de 4,5% no Produto Interno Bruto (PIB) prevista para este ano deverá fazer com que o crescimento do Brasil ao longo da última década fique abaixo da média mundial. Entre os anos de 2011 e 2020 o PIB nacional cresceu 2,2% contra 30,5% da economia global. A situação foi agravada com o golpe que resultou no impeachment da presidente Dilma Rousseff, que reduziu investimentos, diminuiu a renda média da população e praticamente quebrou o país.  De 2014 para 2017, quando o golpe ganhou força, o PIB per capita caiu 7,8%.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, enquanto a economia encolheu ao longo da década, a população brasileira cresceu 8,7% no período, o que ampliou a desigualdade apesar dos esforços feitos pelo governo Dilma para reduzir a pobreza e a fome no país no período anterior ao golpe que a depôs. 

A economia brasileira também registrou um avanço menor que outras economias emergentes, que devem chegar ao fim da década com um crescimento de 47,6%, e inferior a dos países ricos, que devem registrar uma alta de 11,5%. 

Os efeito dos golpe sobre a economia são visíveis quando o PIB  é comparado com os dez anos anteriores. Entre os anos de 2001 e 2010, o PIB nacional cresceu 43,5%, ficando próximo do ritmo mundial (46,9%), impulsionado pelo boom das commodities e pela descoberta do petróleo na camada do pré-sal..

A situação, porém, começou a se deteriorar com a crise global de 2009 e com as articulações promovidas pela centro-direita após a reeleição de Dilma que resultaram em uma profunda crise política e agravaram a situação econômica. 

De acordo com dados do Ministério da Economia, o PIB brasileiro estimado para o final do ano e para a década é de R$ 7,221 trilhões, correspondendo a uma renda média de R$ 34.101 por habitante, uma queda de 5,9% em relação à década anterior, quando a renda per capita brasileira era de R$ 36.245. 

terça-feira, 12 de maio de 2020

Quatro anos de golpe e destruição explícita do Brasil, por Leonardo Attuch




Naquele dia, em que Dilma era afastada do cargo pelo Senado, eu recebia a mensagem de um amigo: "não desanime, o dia de hoje é apenas o começo da longa marcha para a reconquista da democracia no Brasil"

Do 247:

Dilma Rousseff
Dilma Rousseff

O dia 12 de maio de 2016 jamais sairá da minha memória. Naquela data, eu completava 45 anos de idade e, ao mesmo tempo em que lia dezenas de mensagens que chegavam pelo facebook, acompanhava a votação pelo Senado Federal da maior farsa política da história do País: o golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, afastada do cargo por "pedaladas fiscais". No dia seguinte, uma sexta-feira 13, ela seria substituída por Michel Temer, o vice que a traiu e que, por traí-la, traiu o próprio decoro do cargo, assim como a constituição brasileira. Temer conseguirá apenas um feito em sua apagada biografia: vai reabilitar Joaquim Silvério dos Reis e tomará seu lugar como símbolo maior da traição.

Depois de quatro anos de destruição da imagem e da economia do Brasil, até mesmo aqueles que foram levados por ignorância ou oportunismo a embarcar no golpismo já podem fazer um balanço isento da situação. Quais são as notícias do dia? Judeus condenam o uso de um slogan nazista pelo governo brasileiro, a equipe econômica queima reservas e o dólar se aproxima de seis reais, embaixador aponta que o Brasil caminha para a irrelevância no mapa global… e isso é apenas um retrato parcial deste 12 de maio de 2020.
Era este o destino do Brasil? Não era para ser. Em 2016, o país sediaria os Jogos Olímpicos apenas dois anos depois de sediar a Copa do Mundo. O Brasil era também um dos países que mais atraía investimentos internacionais. E poderia estar hoje, em 2020, preparando as comemorações para seu bicentenário da Independência numa posição de soberania. Infelizmente, tudo mudou para pior e nossa condição atual é a de neocolônia de um império que luta para evitar sua decadência.
Hoje, é também possível fazer um balanço isento do que foi o legado do combate à corrupção no Brasil. Empresas de engenharia, que eram um símbolo da capacidade empresarial brasileira, foram dizimadas e há mais de 100 mil engenheiros desempregados. Cadeias produtivas inteiras foram destruídas, como as dos setores de óleo e gás e da indústria naval. Em Brasília, o Congresso passou a ser povoado por figuras que saíram do anonimato e hoje se dizem arrependidas. Neste mesmo parlamento, o protagonista do golpe, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), segue sendo denunciado por vários casos de corrupção, sob a proteção hipócrita da mídia corporativa brasileira. O ex-juiz Sergio Moro é chamado de "Judas" por aquele que colocou no poder. E até mesmo os símbolos e as cores nacionais foram apropriados pelo fascismo. O verde-amarelo, antes objeto de admiração no mundo, hoje inspira vergonha.
É também fundamental dizer que o golpe contra Dilma foi não apenas uma farsa, mas também uma das maiores violências políticas, se não a maior, da história do Brasil. Como dispensou o uso de tanques nas ruas, como se fazia no passado, foi feito sob a aparência de "legalidade". Uma legalidade apenas formal, que legitimou o discurso hipócrita, usado até hoje pelos golpistas, de que "as instituições estão funcionando". Aliás, quando alguém disser que as "instituições no Brasil funcionam", é batata. Ali estará um golpista, seja por conveniência, interesse próprio, omissão ou covardia.
Naquele 12 de maio de 2016, uma das mensagens chamou a minha atenção. Foi enviada pelo amigo e jornalista Laurez Cerqueira. Ela dizia mais ou menos o seguinte: "não desanime, o dia de hoje é apenas o começo da longa marcha para a reconquista da democracia no Brasil". Não desanimamos nem desanimaremos. Mas receio que estejamos apenas no começo do caminho. E não sei se sobrará Brasil, nem como ideia, nem como nação e nem mesmo como território, após o golpe dos canalhas que foi perpetrado quatro anos atrás.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Afirma o pesquisador e economista norte-americano Mark Wisbrot: EUA usaram Lava Jato para fins de política externa e destruição da soberania e autonomia do Brasil, e Moro ajudou no processo



  Em entrevista a André Neves Sampaio, colaborador do GGN nos Estados Unidos, Weisbrot falou sobre as relações do Departamento de Justiça norte-americano com a Lava Jato, os interesses geopolíticos por trás da operação, a participação de Sergio Moro no processo e do alinhamento de Jair Bolsonaro ao governo Trump.



Mark Weisbrot: EUA usaram Lava Jato para fins de política externa, e Moro ajudou no processo

EUA "queriam demolir essa mudança institucional que ocorreu no século XXI e deu à América Latina uma voz independente. É disso que eles mais queriam se livrar", diz economista e pesquisador norte-americano
Jornal GGN – Os Estados Unidos usaram a Lava Jato para atingir um “objetivo da política externa, que era se livrar de Lula e Dilma Rousseff e avançar um pouco mais no processo de “demolir” a independência dos países latino-americanos que não estão alinhados com o governo norte-americano. É o que avalia o economista e pesquisador norte-americano Mark Weisbrot.
Em entrevista a André Neves Sampaio, colaborador do GGN nos Estados Unidos, Weisbrot falou sobre as relações do Departamento de Justiça norte-americano com a Lava Jato, os interesses geopolíticos por trás da operação, a participação de Sergio Moro no processo e do alinhamento de Jair Bolsonaro ao governo Trump.
Segundo ele, há evidências claras de que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos está “envolvido nesse crime” [uso da Lava Jato para fins geopolíticos], inclusive convergindo com os interesses políticos “do seu amigo [Sergio] Moro”.
De acordo com Weisbrot, a meta principal dos EUA na América Latina sempre foi a de ter países alinhados à sua política externa. “É com isso que eles mais se preocupam agora.”
Com o golpe em Dilma e a condenação e inviabilidade eleitoral de Lula – ações patrocinadas por Moro e Lava Jato – os EUA progrediram um pouco mais com o plano de “demolir” a independência na região. “Acho que é disso que eles mais queriam se livrar.”
Confira, abaixo, a íntegra da entrevista que faz parte da série “Lava Jato Lado B – A influência dos EUA e a indústria do compliance.”
***
André Sampaio: Você acha que o Departamento de Justiça dos EUA tem alguma influência na Lava Jato? 
Mark Weisbrot: Sim, não há dúvida de que o Departamento de Justiça – como sabemos por seus próprios discursos e documentos – está pesadamente envolvido nessa investigação. Eu acho que pode até ter tido alguma influência política também. 
Um número de membros do Congresso dos EUA e da Casa de Representantes, um mês atrás, escreveu ao Departamento de Justiça e fez várias perguntas, e expressou preocupação. Eles escreveram uma carta, liderados por Hank Johnson, que é membro do Comitê Judiciário, que tem papel de supervisionar o Departamento de Justiça, que terá de responder essas perguntas.
Eles dizem na carta que estão muito preocupados com as notícias de ações em conluio entre o ex-juiz Moro e os procuradores do caso, que se basearam em evidências fracas. Que as crenças dos procuradores eram insuficientes para uma condenação, e que Lula não teve um julgamento imparcial. Isso deveria ser uma preocupação para o Departamento de Justiça.
E eles [parlamentes] perguntam o que eles [Departamento de Justiça] realmente sabem disso. Se eles [DOJ] sabiam desse conluio. Qual foi seu papel. Perguntam detalhes do que eles fizeram. Então, espero que em breve teremos mais informações sobre o que o Departamento de Justiça fez. Mas me parece que, esmagadoramente, foi politizado, exatamente como a operação em si. 
AS: Depois do impeachment de Dilma, Aloysio Nunes, na época em que ele era presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, viajou aos EUA para uma reunião com Tom Shannon. E no mesmo período, houve uma coletiva de imprensa com José Serra e John Kerry, no Brasil, durante o impeachment. E Serra disse nessa coletiva que estava buscando melhor relacionamento com os EUA. Você acha que os EUA também influenciaram o processo democrático no Brasil?
MW: Sim, os EUA tiveram um papel muito importante em legitimar e apoiar o golpe contra Dilma. E todo o caminho até a prisão de Lula, eles estavam apoiando através do Departamento de Justiça e outras agências dos EUA. Mas o golpe em si foi muito apoiado. 
Um dos grandes sinais foi quando, um ou dois dias depois que o Congresso votou pelo impeachment de Dilma, o senador Aloysio Nunes, que comandava a comissão de Relações Exteriores no Senado, veio para os EUA e se encontrou com Tom Shannon, que era o número 3 do Departamento de Estado na época, e alguém que se envolveu em muitas atividades terríveis ao longo de sua carreira. Ele se aposentou alguns meses atrás. 
Este encontro foi um meio dos EUA demostrarem de maneira muito clara, para aqueles que estavam prestando atenção, que o País estava apoiando o golpe. Porque a votação do impeachment no domingo antes de Nunes encontrar com Shannon foi vista ao redor do mundo como um espetáculo. Na verdade, foi uma vergonha, que afetou a cobertura da imprensa aqui, que era majoritariamente a favor do processo de impeachment, mas começou a hesitar depois que viu o que os senadores estavam dizendo.
Shannon teve um papel crucial. Todo mundo sabe quem ele é. É um ex-embaixador no Brasil e, como disse, o terceiro no comando do Departamento de Estado na época. Ele se encontrar com Nunes, quando não precisava se encontrar, foi uma tentativa de mostrar o apoio dos Estados Unidos ao golpe. E foi muito inteligente, porque a maioria da mídia ignorou, mas todos no Brasil, toda a classe política no mundo, todos que entendem de diplomacia sabiam que isso era uma maneira de mostrar apoio ao golpe.
E como se não fosse suficiente, em agosto, John Kerry foi ao Brasil e falou em frente da embaixada dos Estados Unidos com José Serra – que na época era o ministro das Relações Exteriores do governo golpista, se assim quiser chamar – e deu todo o apoio ao novo governo. Disseram que iriam trabalhar juntos. Pouco antes disso, o Senado estava votando e preferiram não condenar Dilma [à perda dos direitos político]. Foi sem erro uma demonstração do apoio dos EUA não só ao impeachment, mas para se livrar de Dilma. Todo mundo que prestou atenção entendeu, embora tenha sido ignorado pela mídia.
AS: Como você analisa o relacionamento entre Bolsonaro e Trump, considerando que durante o governo Lula, o Brasil teve outro tipo de relacionamento com os EUA, tentando estreitar o bloco econômico na América do Sul e também se posicionamento contra a guerra no Iraque, por exemplo, e agora Bolsonaro parece fazer tudo o que Trump quer. Como você vê esse relacionamento?
MW: Não há nenhuma dúvida de que o governo Trump está muito feliz com Bolsonaro e o apoia fortemente ou vai tentar apoiá-lo de toda maneira que puder. Isto é porque eles unificaram a política externa. É por esse motivo também que os EUA quiseram se livrar do antigo governo brasileiro, assim como outros governos de esquerda que foram eleitos no século XXI. Não há diferença, e eles tiveram sucesso em se livrar de alguns deles. Mas eles contribuíram, claro, como disse, para se livrar de Dilma e Lula, e agora eles podem ter o que querem. Especialmente Trump. Porque ele é um extremista e eles [Trump e Bolsonaro] compartilham muita ideologia em comum. Você ainda tem nos Estados Unidos toda uma política externa, um establishment – que inclui arma de indução de pânico, o Departamento de Estado, Conselho de Segurança Nacional, as comissões de relações exteriores do Congresso, e o departamento de Defesa. Todos eles têm uma estratégia em comum, e essa estratégia é não ter governos independentes na América Latina. E se livrar daqueles que foram eleitos e das instituições que eles construíram para a independência regional, como por exemplo a Unasur [União de Nações Sul-Americanas] ou CELAC [Comunidade das Nações Latino-Americanas e Caribe]. Eles realmente não querem nenhuma dessas coisas. A transformação da América Latina no século XXI foi a primeira vez em 500 anos que a região teve tanta independência. E, desde o começo do século, a estratégia tem sido de limitar e reverter [o crescimento], mais ou menos como na Guerra Fria contra a União Soviética. Mas eles realmente querem se livrar. E agora eles têm o que querem. De novo: Trump e Bolsonaro têm uma conexão ainda mais especial por sua ideologia racista e de extrema-direita.
AS: Qual é a importância do Brasil, como o maior País da América do Sul, para a política externa dos Estados Unidos?
MW: O Brasil tem sido o grande prêmio para eles. Eles perderam o Brasil depois de 2002 até 2016. Não tinham o País no bolso. O Brasil é mais difícil do que estes outros países [da América do Sul] para os EUA conseguirem se aproximar, porque ele tem uma longa tradição de independência – mesmo na ditadura militar, que foi relativamente independente dos Estados Unidos, ou mais independente do que os Estados Unidos esperavam quando apoiaram o golpe. 
Quando essa história for finalmente escrita, eu acho que o golpe contra Dilma, Lula e o PT será visto como um dos mais importantes apoios dos Estados Unidos, em grande escala, a um golpe na América Latina.
AS: Como você vê o juiz Sergio Moro? Ele foi o cara que primeiro condenou Lula e agora é ministro de Justiça de Jair Bolsonaro.
MS: Moro é claramente um líder disso. Ele tinha os olhos o tempo todo em cima do golpe. Ele teve de pedir desculpas à Suprema Corte por grampear Lula, sua esposa e Dilma, e criou esse grande espetáculo prendendo Lula com todos esses policiais, quando Lula se voluntariou para responder perguntas. Então ele fez todas essas coisas, e claro, fez coisas que descobrimos depois, como colaborar com os procuradores, que é antiético e ilegal. 
E ele era muito próximo dos Estados Unidos. Ele já veio aqui, ele tinha contatos aqui. Na verdade, esteve aqui recentemente com Jair Bolsonaro e teve encontros em uma desses centros de fusão dos Estados Unidos. 
Então acho que ele teve um papel chave. Ele fez tudo ser tão óbvio ao se tornar ministro da Justiça depois de ter entregado a eleição para Bolsonaro prendendo Lula, que teria vencido a eleição de acordo com todas as pesquisas. Acho que esse foi o papel dele e como ele será lembrado.
AS: Você acha que a trama principal da Lava Jato era finalmente tirar Lula da eleição? Acha que Lula na prisão era o principal objetivo dessa operação?
MW: Sim, acho que era o que eles mais queriam: por Lula na cadeia e impedi-lo de disputar a eleição. Você pode ver isso. No julgamento em que ele foi condenado e enviado à cadeia, não havia evidência material. Tudo foi baseado no testemunho de um executivo que não só tinha um acordo de delação, mas como a Folha de S. Paulo publicou, seu acordo foi interrompido e paralisado, até que ele mudasse sua história, porque a história original não implicava Lula, então ela foi cortada desse acordo que poderia salvá-lo de uma temporada na prisão, até que ele dissesse o que queriam.
Essa era praticamente a única evidência que eles tinham, porque Lula nunca comprou esse apartamento, nunca ficou nele. Não havia nada além desse cara e sua delação. Então, estava muito claro o que eles queriam fazer: tirar Lula do jogo. E eles fizeram tudo, até mesmo de maneira subsequente, para assegurar que isso aconteceria.
AS: O que você acha que a Operação Lava Jato significa para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos?
MW: É algo muito desagradável. E acho que por isso esses membros do Congresso escreveram essa carta. É uma carta sem precedentes. Eu não consigo lembrar de nada assim. Claro que o Congresso tem discordâncias com o Departamento de Justiça sobre direitos civis ou sobre a presidência, mas eu não acho que alguma vez [congressistas] já foram atrás deles [DOJ] por algo que fizeram no exterior, em outro país.
Isso realmente esclarece para todos que estão olhando que o Departamento de Justiça tinha um papel importante, e um papel político. Estava perseguindo um objetivo da política externa, que era se livrar do governo do Partido dos Trabalhadores. Claro, estou dizendo isso com base nas evidências que existem agora, a maioria circunstancial, mas espero que teremos evidências mais fortes. 
Esse é um dos problemas da mídia aqui, é que eles tem esse padrão. Sempre que os Estados Unidos fazem algo em outro País que é imoral ou ilegal, eles usam o que chamamos de estratégia de cortina de fumaça. Sabe? No sistema judicial, no sistema criminal, nós temos esse padrão que chamamos de evidências “além da dúvida razoável”, ou nos casos civis chamamos de “preponderâncias das evidências”. 
A cortina de fumaça é algo que a mídia só parece usar para coisas que os Estados Unidos fizeram, mesmo sabendo que é obvio para qualquer observador. Mesmo os depoimentos que o Departamento de Justiça, oficialmente, já fez sobre esse caso, [mostram que] havia elementos, havia motivação, havia oportunidade, e eles estavam envolvidos nesse crime de um jeito que estava diretamente voltado para os mesmos fins políticos que seu amigo Moro estava direcionado.
AS: Por que os Estados Unidos e Departamento de Justiça quiseram se livrar de Lula e seu partido político?
MW: Toda a operação por parte dos Estados Unidos, toda a operação contra Lula e seu partido político… A propósito, não foi a primeira vez, devo dizer. Em 2006, temos documentos, há um artigo na Folha de S. Paulo sobre isso, mostrando que os Estados Unidos intervieram para tentar enfraquecer o PT naquela época. Eles estavam pressionando por uma legislação que poderia enfraquecer o PT e o governo naquela época. Eles sempre quiseram se livrar desse governo. Por que isso?
A meta principal na América Latina, desde sempre, foi ter países alinhados completamente, ou pelo menos alinhados à política externa dos Estados Unidos. É com isso que eles mais se preocupam agora. Talvez, 30 anos atrás, eles se preocupassem mais com interesses corporativos. Mas agora, na última década ou duas, a preocupação tem sido a política externa. Eles derrubaram o governo do Haiti duas vezes desde 1991. O que o Haiti tem? Nada. Eles fizeram isso porque as pessoas elegeram alguém que não estava alinhada com a política externa. E é um país pequeno. Pense no Brasil. 
Brasil quis contrariar a política externa dos Estados Unidos, quis negociar com Irã, Turquia, Rússia por um acordo de troca de combustível nuclear, por exemplo, em 2010. Isso, como vimos na mídia, foi como um ponto de virada. E outra coisa que fizeram, obviamente como líder do movimento de independência da América do Sul, do século XXI, ajudaram a estabelecer a Unasur, CELAC, todos esses outros governos de esquerda, na Bolívia, Equador, Venezuela, Uruguai, Paraguai, Honduras, até o governo dos Estados Unidos vetar estes governos. 
Então foi um preço alto [pago pelo Brasil] que sempre esteve presente. Obviamente, é o maior País da região e a maior economia. Eles queriam demolir essa mudança institucional que ocorreu no século XXI e deu à América Latina uma voz independente no cenário mundial. Acho que é disso que eles mais queriam se livrar.

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segunda-feira, 25 de março de 2019

A longa crise brasileira, por Aldo Fornazieri


Os sinais primeiros da atual crise surgiram em 2013. Naquele momento, nem o governo Dilma e nem as oposições foram capazes de apresentar uma saída satisfatória para aqueles sintomas.

A longa crise brasileira

por Aldo Fornazieri

Nenhum país funciona politicamente se não tiver um ou mais centros de coordenação política dos grupos adjacentes e da sociedade. Normalmente, se configuram dois centros de coordenação política: um é dado pelo governo e outro pelo principal partido da oposição ou por uma frente oposicionista. Quando faltam ou falham esses centros de coordenação o país entra em crise política. As crises tendem a ser rápidas, da mesma forma que surgem subitamente. Em regra, propendem a soluções positivas pela superação ou deslocamento da força que representa o status quo ou pela sua regeneração.
A atual crise brasileira foge a essas características: veio se instalando paulatinamente; colapsou as principais forças políticas do governo e da oposição; o momentum de sua superação (eleições de 2018) representou não só a sua continuidade e seu agravamento, mas também o seu deslocamento para um sentido negativo, retrógrado; e, por fim, a sua duração será longa. No mínimo, até 2022, mas pode ir além.
A crise política veio acompanhada por dois anos de grave recessão econômica e por anos continuados de baixo crescimento, baixo investimento público e privado, alto desemprego e elevada dívida pública. A crise de coordenação política nacional se reflete também na economia e na sociedade.
Os sinais primeiros da atual crise surgiram em 2013. Naquele momento, nem o governo Dilma e nem as oposições foram capazes de apresentar uma saída satisfatória para aqueles sintomas. Não apresentaram direção ou sentido para a sociedade e para o Brasil.
As eleições de 2014 ofereceram a oportunidade de surgimento de uma saída para a crise que já se aguçava. Mas, a campanha eleitoral polarizada, caracterizada pela falta de propostas e pelos xingamentos, não se tornou auspiciosa. Com a posse de Dilma para um novo mandato a crise se agravou, por vários motivos, mas por dois principais: a contestação da legitimidade das eleições por parte de Aécio Neves e do PSDB, o que fez surgir um elemento golpista na conjuntura; e, a crescente perda da capacidade de Dilma de coordenar politicamente o governo e uma maioria no Congresso.
O golpe do impeachment, a radicalização da Lava Jato, a avalanche de denúncias de corrupção as inúmeras prisões de agentes políticos e partidários e, finalmente, a prisão de Lula e o fracasso do governo Temer, colapsaram, primeiro, o PT; depois, o atual MDB e, finalmente, o PSDB. Assim, se abriu o espaço para o fortalecimento de uma força política secundária entre as existentes ou para o surgimento de uma nova força. A sociedade escolheu a última opção, através de Bolsonaro.
É preciso perceber que depois da crise que derrubou Fernando Collor, o Brasil viveu um período de significativa estabilidade política que dourou 20 anos, sendo 8 com FHC, 8 com Lula e 4 com Dilma. Isto ocorreu porque PT e PSDB se instituíram como dois centros de coordenação política nacional junto com a legitimidade e reconhecimento de seus dois respectivos líderes: Lula e Fernando Henrique Cardoso. A coordenação política nacional é exercida por partidos fortes e representativos, por líderes legítimos e reputados ou por uma combinação de partidos e líderes, que foi o caso desse período de estabilidade política. Neste período, o PMDB também jogou um papel importante pois, como tertius, cumpria o papel de garantidor da governabilidade de um e de outro grupo. A traição perpetrada pelo grupo de Michel Temer contra Dilma foi decisiva para romper essa relativa estabilidade que existia.
O resultado de todo esse processo foi o enfraquecimento dos partidos, bancadas encolhidas no Congresso, carência de líderes fortes e populares e vitória de Bolsonaro. Lula foi o único líder cuja liderança havia sobrevivido a essa avalanche destrutiva. Mas, deliberadamente, foi tirado do jogo pelo arbítrio judicial que agiu de forma consciente como representante das forças retrógradas e conservadoras.
A vitória de Bolsonaro é uma desgraça para o Brasil e para as perspectivas de superação da crise. De forma consciente ou atabalhoada, Bolsonaro é em tudo o contrário daquilo que um presidente deveria ser, principalmente neste momento. Um presidente deve unir e apaziguar. Ele desune, agride e dissemina ódio e ressentimentos. Um presidente deve agregar forças. Ele as dispersa, divide e desagrega. Um presidente, como magistrado mais alto do país, deve ter uma conduta respeitosa, respeitada e exemplar. Bolsonaro tem atitudes de um arruaceiro político e perde o respeito dos políticos e da sociedade. Um presidente coordena o ministério e governa. Bolsonaro desgoverna, tuita, desacredita seus ministros, não tem programa, não tem ideias, como disse Rodrigo Maia.
Bolsonaro é o principal opositor à sua principal proposta de reforma: a da Previdência. Os seus dois superministros – Guedes e Moro – viraram ministrinhos. O ministério não tem experiência e nem capacidade. Poucos sabem o que estão fazendo. O presidente afirmou que veio para desconstruir o Brasil. Nisso ele deve ser levado a sério. Um homem que nada fez durante 30 anos de mandato parlamentar, não seria como presidente que viesse fazer alguma coisa. Bolsonaro terçou mentiras durante a campanha inteira. Não era de se esperar que na condição de presidente viesse a ser um laborioso promotor da verdade.
Sem força política partidária, sem força política no Congresso e sem força política popular, o governo Bolsonaro será um governo de crises e destinado ao fracasso. Para sobreviver até 2022, Jair Bolsonaro terá que reinventar-se, acautelar-se. A eventualidade de um governo Mourão também não é auspiciosa, pois também careceria de força política e social. A única viabilidade de um governo Mourão consistiria num pacto nacional no qual ele se colocaria na condição de um governo de transição.
Se o governo vai muito mal, a oposição não vai bem. O PT, principal partido de oposição, vem perdendo, desde 2015, capacidade de coordenação política nacional do campo progressista e democrático. Este campo agora orbita em torno de dois polos: um, constituído pelo PT e outro, constituído pelo PDT, PSB e PCdoB. O PSol se articula numa faixa própria. Com alianças pontuais, os dois polos tendem a caminhar separados até 2022, quando cada um tende a apresentar sua própria alternativa presidencial.
A fraqueza relativa dos partidos e a ausência de um líder inconteste favorece essa fragmentação e a consequente incapacidade de estabelecer uma coordenação política nacional a partir de uma visão de país, de uma plataforma programática e de uma pauta de lutas. Esta incapacidade fragmenta também as lutas dos movimentos sociais que se refugiam em suas especificidades e muitos tendem ao sectarismo invocando o lugar de fala como uma posse privativa, uma exclusividade. Sem a perspectiva de um programa universalizante, partidos e movimentos do campo progressista operarão com suas fraquezas e limites.
A crise política, desta forma, vai se mantendo e prolongando a agonia do Brasil e de seu povo. É uma crise de organização das forças políticas partidárias e uma crise de liderança. É uma crise de capacidade de coordenação e de condução do país. É uma crise de força política. Sem partidos fortes e sem lideranças fortes não há capacidade de coordenação, de aglutinação das forças dispersas e fragmentadas. Partidos e líderes fracos resultam em governos fracos, em fracassos políticos e administrativos.
A direita bolsonarista tende a ser um sopro passageiro, pois Bolsonaro não é um líder autêntico e o PSL é um aglomerado difuso e confuso. O problema está na centro-direita e na esquerda. É preciso construir novas capacidades, renovar as lideranças. Se isto não ocorrer, o Partido Novo, de um lado, e o PSol, de outro, terão espaço para crescer. Esta perspectiva também é de médio prazo. Enquanto isso, os problemas e as tragédias do Brasil se multiplicam.
Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).