segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Reinaldo Azevedo: Quanto os americanos pagaram a Moro? O Brasil está vendo. E quer saber tudo. (trechos de sua coluna no UOL)

 "Sergio Moro quer ser presidente da República em nome de uma nova moralidade, mas os termos de seu contrato com uma empresa americana que faz a recuperação judicial de empreiteiras vitimadas pela Lava Jato têm de ser mantidos a sete chaves. Moro nem foi eleito, e seus vencimentos já são tratados como segredos de Estado. É tão patético como vergonhoso."

Segue trechos do coluna de Reinado Azevedo, no UOL:

Documentos da A&M, onde Moro depois foi trabalhar, atestavam que tríplex de Guarujá pertencia à OAS, não a Lula. Um é de 2016, e o outro, de 2017. Defesa do petista apresentou os dois ao então juiz Sergio Moro, que os ignorou. Depois o valente foi ganhar uma bolada, cujo valor se nega a revelar, justamente na A&M. E agora Moro quer prêmio maior: a PresidênciaImagem: Reprodução; Lula Marques/Agência PT

É fabuloso! 

Sergio Moro quer ser presidente da República em nome de uma nova moralidade, mas os termos de seu contrato com uma empresa americana que faz a recuperação judicial de empreiteiras vitimadas pela Lava Jato têm de ser mantidos a sete chaves. Moro nem foi eleito, e seus vencimentos já são tratados como segredos de Estado. 

É tão patético como vergonhoso. Vamos ver.

CONDENAÇÃO SEM PROVAS 

Moro condenou sem provas um ex-presidente da República -- no caso, Lula. "Quem diz isso, Reinaldo? Você?" Não! O próprio Moro. Em embargos de declaração relativos à sua estupefaciente sentença, escreveu, com todas as letras, o que segue quando indagado qual era a relação entre os contratos da OAS com a Petrobras e o tal tríplex que pertenceria a Lula: 

"Este juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobras foram usados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente"

Escrevi um longo texto a respeito já no longínquo 10 de julho de 2017. Quase cinco anos! A íntegra está aqui

O leitor tem o direito de saber, se ainda não sabe, como a justiça penal funciona numa democracia, a despeito de particularidades de cada país: 

1: o órgão oficial encarregado faz a acusação; 

2: a Justiça aceita ou rejeita essa acusação; 

3: se aceitar, o órgão acusador precisa apresentar provas sobre a acusação feita, não sobre uma outra qualquer, inventada no curso do processo; 

4: se o fizer, o juiz condena o réu; se não, então não!; 

5: juiz não condena apenas porque tem uma convicção.

E como a coisa se deu? 

1 - O MPF, na acusação aceita por Moro, afirmou que o tal tríplex do Guarujá era pagamento de propina em razão de benefícios que Lula, indiretamente, teria concedido à OAS em contratos com a Petrobras. 

2 - Caberia ao MPF provar, então, que houve mesmo benefícios indevidos à OAS e que a empreiteira, como paga, deu um apartamento de presente a Lula. 

3 - O MPF não apresentou as provas. 

4 - quando a defesa de Lula indagou onde estavam as provas que justificavam, então, a condenação, Moro se saiu com o que vai acima.

5 - Bem, se os eventuais benefícios recebidos pelo ex-presidente — o que não se provou — NÃO TINHAM relação nem com a OAS nem com a Petrobras, como Moro admite, então inexistia prova da acusação. Nem deveria ter sido ele o juiz da causa, como o STF reconheceu depois. Mas o doutor condenou mesmo assim. Tinha apenas a convicção. 

Tanto isso é verdade que vivo a desafiá-lo: diga em quais páginas de sua sentença estão as provas DA ACUSAÇÃO FEITA, NÃO DA SUA CONVICÇÃO. E ele nunca diz.

PATRÃO DO "CONSULTOR MORO" DESMENTIU O "JUIZ MORO" 

Moro, a exemplo de Bolsonaro, é uma das faces da tentativa da normalização do horror. No caso do ex-juiz e ex-ministro, trata-se do horror jurídico propriamente.

 Poucos se lembram — e já tratei deste assunto aqui —, mas a Alvarez & Marsal, encarregada da recuperação judicial também da OAS, informou ao então juiz Sergio Moro que o tríplex do Guarujá pertencia à empreiteira, não ao ex-presidente. Isso está em documentos oficiais. 

Moro ignorou a informação e, em sua sentença, embora não disponha de provas, trata o imóvel como se tivesse pertencido a Lula. Eis que, depois de migrar para o governo Bolsonaro e de ser, na prática, na prática, defenestrado de lá, esse grande patriota vai trabalhar justamente na... A&M!!!

A empresa, então, de cuja idoneidade ele duvidou — quando informou que o imóvel pertencia à OAS, não a Lula — passa a lhe pagar o fabuloso salário, cujo valor tem de ser mantido em sigilo sabe-se lá por quê. Não custa lembrar que se chegou a anunciar até que Moro seria sócio de um dos braços da Alvarez & Marsal. Depois se deu uma baixada na bola: estava-se contratando um "consultor". Ah, bom...

ASSUNTO É PÚBLICO, NÃO PRIVADO 

O Tribunal de Contas da União quebrou o sigilo referente aos acordos entre a A&M e as empresas de que faz a recuperação judicial. Mas o escritório americano se nega a informar quanto pagou a Moro. Alega tratar-se de relação entre privados. 

Reportagem publicada pela Folha nesta segunda mostra que o STF já se pronunciou três vezes sobre a competência do TCU para quebrar sigilos. Os então ministros Menezes Direito e Joaquim Barbosa entenderam que um Tribunal de Contas não tinha competência para tanto. Luiz Fux, hoje presidente do Supremo e o mais lavajatista do grupo, relativizou: depende do interesse público.

De resto, quem disse que o TCU está "quebrando o sigilo" de Moro? Isso é mentira! O que se quer saber é a relação comercial estabelecida em um caso apenas diretamente ligado à Lava Jato — e, pois, ao Poder Judiciário.

Pois é... Estamos diante do mais escancarado e evidente interesse público, como deixou claro Lucas Rocha Furtado, subprocurador-geral que atua junto ao TCU e que fez a representação inicial para, digamos, tentar iluminar a relação entre Moro e a Alvarez & Marsal. Considerem: 

1: Quando Moro foi trabalhar na A&M, a empresa já fazia a recuperação judicial das empreiteiras que a Lava Jato quebrou;

2 - 75% do que a A&M fatura no país, nessa área, vêm de empresas investigadas pela Lava Jato. A conta já chega a quase R$ 50 milhões; 

3 - Moro era o chefe inconteste da operação; 

4 - ainda que todas fossem justas, decisões tomadas pelo então juiz levaram as empresas à lona;

5 - a Justiça decide quem fará a recuperação. E daí? Quando Moro aceitou o emprego, ele já conhecia os clientes de seu futuro patrão;

6 - Moro alega que seu contrato com a A&M é coisa privada. Uma ova!

7 - decisões que quebraram as empresas, deram sumiço nos empregos e destruíram um setor da economia foram tomadas por agentes públicos; 

8 - a recuperação judicial é um processo público. A empresa encarregada tem, por exemplo, de ser idônea; 

9 - será que parece idôneo que o juiz que comandou as ações que resultaram na quebradeira se torne funcionário da empresa que depois vai lucrar com a recuperação judicial?

10 - é preciso ser muito severo nesse troço. Não basta saber quanto Moro ganhou ao sair da A&M. Também temos de saber se recebeu luvas para entrar na empresa que faturava milhões com as vítimas da Lava Jato; 

11 - com tanta empresa no mundo, por que Moro foi escolher justamente a A&M? Porque certamente a coisa lhe foi estupidamente vantajosa e porque se considera acima do bem e do mal; 

12 - convenham: segundo o "Método Moro", Moro já teria sido alvo de condução coercitiva, estaria em prisão preventiva, e seus bens, bloqueados; 

13 - ainda que a Lava Jato só tivesse feito coisas certas, Justiça e Ministério Público não podem ser trilhas para a riqueza e para o poder político; 

14 - achar isso normal é um convite a que tudo se repita; 

15 - o ente que pagou Moro é o mesmo que lucra com as empresas que a Lava Jato quebrou; 

16 - quanto a A&M pagou a Moro no momento da entrada, durante a sua permanência na empresa e ao sair?; 

17 - por que Moro considera que essa informação é tão prejudicial à sua carreira?

- Veja o texto completo de Reinaldo Azevedo no UOL

Ronny Teles: Reinaldo Azevedo estourando Sérgio Moro

 

Do Canal Ronny Teles:




Reinaldo Azevedo: Até Moro acha seus ganhos imorais?

 

Da Rádio BandNews FM:




domingo, 23 de janeiro de 2022

Damares, Bolsonaro, Queiroga e o circo da morte contra a vacina para agradar o fascismo radical. Reportagem de Rafael Moro Martins para o The Intercept Brasil

  Ministros voaram para São Paulo em busca do primeiro cadáver infantil da vacina no Brasil.


Ministério da Saúde leva médicos para atender população atingida pelas chuvas na Bahia. Brasília, 03.01.2022. Fotos: Walterson Rosa/MS

Foto: Walterson Rosa/Ministério da Saúde

POUCAS VEZES (talvez nenhuma) desde o início da pandemia de covid-19 autoridades federais se mobilizaram com tamanha rapidez por causa da doença como nessa semana.

Na quinta-feira, uma menina de 10 anos teve uma parada cardíaca horas depois de tomar a primeira dose da vacina da Pfizer no interior de São Paulo.

Quem não frequenta as redes sociais e sites da esgotosfera bolsonarista pode nem saber, mas um dos principais argumentos da extrema direita (inclusive do presidente Jair Bolsonaro) para se opor à vacinação de crianças é um alegado relevante risco de miocardite e problemas cardíacos. Na lógica de Bolsonaro, esse risco é tão potencialmente grande quanto pegar covid-19 e se dar mal com a doença.

É lorota. “Nas crianças de cinco a 11 anos, a ocorrência da miocardite associada à vacina da Pfizer/BioNTech foi 16 vezes menor do que a causada pela própria covid-19. Foram casos raros e não teve nenhuma morte associada, ou seja, todos foram de boa evolução clínica e sem sequelas”, esclareceu Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Mas isso não importou para que o governo Bolsonaro se movimentasse de forma espetaculosa para fazer uso político do caso com base em nada além de mentiras. E Damares Alves, a ministra da Família e dos Direitos Humanos, comandou um circo macabro que parecia torcer pela morte de uma criança.

Damares tomou um avião da FAB em Brasília com destino a Botucatu, para onde a criança fora levada de Lençóis Paulista, a cidadezinha onde mora. Ela não foi sozinha: com ela estava o ministro mais fundamental em qualquer governo do mundo neste momento, o titular da Saúde, Marcelo Queiroga. Em vez de se preocupar com vacinas reviradas em caixas de papelão que seu ministério vem jogando nos estados, o doutor achou por bem vestir a fantasia de palhaço.

A ministra não apenas foi para Botucatu como fez questão de tornar público tudo isso em seu perfil no Twitter. E fez isso quando já se sabia que não havia qualquer possibilidade de reação à vacina ter causado o problema. É asqueroso, mas leia:

Não ficou só nisso: “Antes de nosso embarque, ainda no final da manhã, o Presidente @jairbolsonaro também falou com a família por telefone. Desejamos que a menina saia logo do hospital, volte para casa e que fique bem”, disse Damares, também no Twitter.

O Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, que analisava o caso, descartou qualquer ligação do problema manifestado pela criança com a vacina contra a covid-19. Os exames feitos na menina identificaram que ela é portadora de uma doença congênita rara, algo de que a família dela até então nem desconfiava.

Não passou, portanto, de uma coincidência. Mas não importou. Damares fez que não viu o esclarecimento publicado pelos médicos paulistas e sequer o mencionou em seu perfil na rede social. As mensagens em seu Twitter certamente já foram espalhadas pelas redes de desinformação da extrema direita.

Elas se misturam, agora, a outra informação falsa: Marcelo Queiroga, o ministro, dissera que 4 mil pessoas tinham morrido por conta da vacina. Mentira. Quanto aos tuítes de Damares e o circo da morte do qual participou, Queiroga é cardiologista e, por isso, poderia ter esclarecido o assunto aos pais aflitos. Preferiu ignorá-los.

Mas toda a pantomima não foi em vão. Na véspera da viagem de Damares e do telefonema de Bolsonaro para a família da criança, o presidente havia anunciado que deseja ver a ministra como sua candidata ao Senado em São Paulo.

Nesse cenário, um possível caso de uma criança em estado grave por causa da vacina caiu do céu para o discurso mentiroso do bolsonarismo. É fácil imaginar que, assim que foi avisado por assessores a respeito, Bolsonaro tenha mandado Damares e Queiroga voarem a Botucatu e passado a buscar um contato com a família. A morte daquela criança seria um troféu para a extrema direita e suas aspirações eleitorais esse ano.

Exagero? Vamos lá. A extrema direita tem transformado o discurso antivacina para crianças – já que os adultos aderiram em massa à vacinação – em sua principal bandeira. Influenciadores como a ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel, amplificada por jornalistas como Cristina Graeml e Guilherme Fiúza, da Jovem Pan e Gazeta do Povo, têm ganhado audiência e relevância levantando dúvidas sobre a segurança da imunização infantil. O discurso é replicado pelo próprio Jair Bolsonaro, que se aproveita do temor para alavancar a própria popularidade.

Em 6 de janeiro, o presidente disse o seguinte, em entrevista a uma emissora de tevê pernambucana: “A própria Anvisa que aprovou também diz lá que a criança pode sentir, logo depois da vacina, falta de ar e palpitações. Eu pergunto: você tem conhecimento de uma criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de covid? Eu não tenho”.

Ele foi adiante: “Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual interesse daquelas pessoas taradas por vacina? É pela sua vida? É pela saúde? Se fosse, estariam preocupados com outras doenças no Brasil e não estão. Então peço, como se tratam de crianças, não se deixe levar pela propaganda. Converse com seus vizinhos. Quanto garoto contraiu covid e nada aconteceu com ele”.

Bolsonaro mentiu, óbvio. O Instituto Butantan estima que a covid-19 já matou mais de 1.400 crianças de zero a 11 anos no Brasil e deixou outras milhares com sequelas. “A doença está entre as 10 principais causas de morte de crianças e é causa de síndrome que afeta coração e pode matar”, informa o Butantan.

A Sociedade Brasileira de Imunizações diz o seguinte: “O risco de miocardite/pericardite após a vacinação existe, mas é raro. A possibilidade de o quadro ser causado pela covid-19 é muito maior”. Além disso, sabe-se que a miocardite em crianças é leve e benigna.

Um post no site da Sociedade Brasileira de Pediatria informa que “são enganosas as publicações que dizem que a Pfizer teria admitido que as vacinas contra covid-19 de crianças têm um risco maior de causar miocardite do que a probabilidade de evitar mortes pelo novo coronavírus”.

É relevante que a SBP faça menção a uma “notícia” num site de propriedade de auxiliares do filósofo Olavo de Carvalho como fonte da informação mentirosa sobre os riscos da vacina em crianças. Publicações como essa existem justamente para ecoar e amplificar os discursos do presidente.

Parece difícil entender porque, a essa altura, Bolsonaro aposte em uma tragédia – a morte de uma criança em decorrência da vacina – como trunfo político. Mas pode ser o que resta a ele. Sem nada de positivo para mostrar, com a economia em frangalhos, milhões de brasileiros passando fome e visto como mau gestor da pandemia de covid-19, Bolsonaro parece torcer e apostar as fichas num plot twist que lhe permita sair a dizer “eu não avisei?”.

Não vai rolar, lógico. Porque as vacinas são seguras. Mas tudo bem – aconteça o que acontecer, Bolsonaro está alimentando sua base fiel de zumbis no Telegram e gerando ruído e confusão. É o ambiente em que ele opera melhor.

Damares, enquanto isso, vai passar à história como a ministra que agiu pra impedir o aborto de uma menina de 10 anos grávida de um estuprador e, agora, como quem tentou transformar uma criança da mesma idade com uma doença congênita em troféu político. Não creio que ela se eleja senadora – mas certamente o foro privilegiado lhe seria útil.

Onze crianças e bebês indígenas yanomamis morreram de covid-19 em 2020 e 2021. Damares, que costuma se referir aos povos indígenas como “meus indiozinhos” (como quem fala de uma coleção de bonecas) e que tentou ter, sob si, o comando da Funai, jamais visitou ou buscou consolar suas famílias. Aparentemente, dá menos dividendos eleitorais do que explorar um problema de saúde numa criança recém-vacinada. Para ser considerado um “indiozinho da Damares”, pelo visto, é preciso morrer depois de se vacinar.

O Twitter jura ter uma política de retirar do ar conteúdos enganosos sobre a covid-19. É mais um mentiroso nessa história nojenta. O post com informações falsas da ministra continuava no ar até o fechamento deste texto, às 19h de ontem.

 Correção: 23 de janeiro, 12h30

Uma versão anterior deste texto identificava o jornalista Guilherme Fiúza como Rodrigo Fiúza. O texto foi corrigido.

Por fim os sinais de que os abusos de Moro e Dallagnol serão investigados... A articulação para a criação da CPI do Moro e da Lava Jato

 

Do Canal Plantão Brasil:




O preço da ambição de Moro, por Antonio Uchoa Neto

 

Consultoria norte-americana poderia recompensar trabalho de ex-juiz de outras formas, mas e na cabeça do ex-ministro?

O ex-ministro Sergio Moro e o presidente Jair Bolsonaro, em cerimônia oficial realizada em 2019 – Foto: Marcos Corrêa/PR

Comentário sobre o post Xadrez do grande negócio de Sérgio Moro com a Alvarez & Marsal, por Luis Nassif

Por Antonio Uchoa Neto

Sim, existiriam muitas outras maneiras mais práticas de recompensar Moro, sem se expor. Isso, por parte da A & M. Isso, por parte dos americanos, que são profissionais e se movem dentro de uma legislação específica e própria.

Mas, e na cabeça de Moro, um néscio notório, com seríssimas limitações cognitivas? Não era ele o homem da cognição sumária? E não porque fosse a maneira mais rápida de definir uma ação, mas sim porque ele não conseguia ir além disso. Qualquer raciocínio mais complexo, e a caixa craniana do juiz começava a fazer água.

Para um mentecapto, 42 milhões seduzem tanto quanto 4,2 milhões. Seja qual for a quantia, caiu do céu, como os 30 mil do Magri.

Para um provinciano como Moro, antes um pássaro na mão que dois voando. Esperar de alguém como ele qualquer raciocínio mais complexo do que isso, é inútil. Ainda que sua conja tenha, olhando melhor, um certo ar de lady Macbeth.

Ora, tenho claro para mim que Moro pode ter sido induzido – achando que estava fazendo um grande negócio – a assinar o contrato com a A & M para receber seus trinta dinheiros rápida e legalmente.

Quanto a não despertar suspeitas, os americanos estão pouco se lixando para suspeitas nascidas nas mentes tupiniquins, e as consequências respectivas; os dois pilotos do jatinho que derrubou e matou mais de 200 pessoas que o digam.

Moro e sua lady Macbeth que se virem. Bolsonaro está a um passo de detonar aquele que julgam ser seu principal adversário na extrema-direita.

O Macbeth original só poderia ser morto por alguém não nascido de mulher; com todo o respeito à mãe recentemente falecida, mas Bolsonaro só pode ser filho de chocadeira.

“Tu serás presidente, Moro!”

Só que não.

Reinaldo Azevedo: no método Moro, ele já teria sido alvo de coercitiva, prisão preventiva e seus bens estariam bloqueados

 

Jornalista lista problemas sobre a consultoria de Moro à Alvarez & Marsal. “O ente que pagou Moro é o mesmo que lucra com empresas que a Lava Jato quebrou”

www.brasil247.com - Reinaldo Azevedo e Sergio Moro

Reinaldo Azevedo e Sergio Moro (Foto: Reprodução | ABr)

247 - O jornalista Reinaldo Azevedo enumerou uma série de problemas relacionados à consultoria prestada pelo ex-juiz suspeito Sergio Moro à Alvarez & Marsal. Ele lembra por exemplo que “75% do que a Alvarez & Marsal fatura no país vem de empresas investigadas pela Lava Jato”, como revelou uma planilha de pagamentos recebidos pela empresa.

“No método Moro, Moro já teria sido alvo de condução coercitiva, estaria em prisão preventiva, e seus bens, bloqueados”, constata Reinaldo em postagens no Twitter. “Ainda que a Lava Jato só tivesse punido culpados, Justiça e MP não são trilhas para a riqueza e a política”, completa. Leia a íntegra:

 

TCU deve pedir ao Coaf que revele os ganhos financeiros de Sergio Moro

Segundo informa o jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no Globo neste domingo (23), o Ministério Público junto ao TCU estuda pedir um relatório de inteligência ao Coaf para saber quanto Moro recebeu durante o ano que trabalhou na A&M. 

Cogita também solicitar essa informação às autoridades americanas. Ao contrário do que parece, o ministro do TCU Bruno Dantas, que abriu a investigação, não determinou à consultoria que entregasse esses dados. Apenas pediu 'a título de cooperação' que a Alvarez o fizesse. Mas o valor da remuneração recebida pelo juiz da Lava-Jato não consta do material já enviado.

Assine o 247apoie por Pixinscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Xadrez do grande e milionário negócio de Sérgio Moro com a Alvarez & Marsal ao destruir as empresas nacionais por meio da Lava Jato, por Luis Nassif

 

Havia duas cenouras (dos americanos) para atrair procuradores e juízes de outros países. O primeiro, o poder conferido a eles, na medida em que o DoJ, através da DHS (Homeland Security) os alimentava com informações obtidas através de espionagem eletrônica. Informação é poder. O segundo, a parceria com grandes escritórios de advocacia norte-americano – que, ao mesmo tempo, eram colocados como interventores das empresas processadas e serviam de porta de entrada para procuradores no rico mercado de compliance.


Xadrez do grande negócio de Sérgio Moro com a Alvarez & Marsal, por Luis Nassif

Quando se decidiu que o COAF ficaria com o Banco Central, Moro arrancou um decreto de Bolsonaro que permitiu a indicação dos delegados Erika Marena e Márcio Anselmo - do grupo da Lava Jato


Peça 1 – a indústria do compliance


Em 9 de junho de 2017, enquanto a mídia corporativa persistia em seu afazer de repassadora de releases da Lava Jato, o GGN já tinha avançado bastante na teia de interesses que foi montada em torno de operações anti-corrupção – a partir da orientação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

No “Xadrez da indústria de leniência e compliance”, de 9 de junho de 2017 – quase cinco anos atrás – mostramos como foi montado o jogo da indústria da anticorrupção.

Havia duas cenouras para atrair procuradores e juízes de outros países. O primeiro, o poder conferido a eles, na medida em que o DoJ, através da DHS (Homeland Security) os alimentava com informações obtidas através de espionagem eletrônica. Informação é poder. O segundo, a parceria com grandes escritórios de advocacia norte-americano – que, ao mesmo tempo, eram colocados como interventores das empresas processadas e serviam de porta de entrada para procuradores no rico mercado de compliance.

Há várias matérias produzidas sobre a indústria da anticorrupção:

Xadrez da Transparência Internacional e a indústria da anticorrupção, de 11/12/2020

Xadrez de como a Lava Jato entregou o CADE aos EUA, de 28/07/2020

A relação promíscua entre a indústria do compliance e os procuradores nos EUA, de 28/04/2020

Xadrez da tacada de 2,5 bilhões da Lava Jato, de 02/03/2019

E são inúmeras as histórias de procuradores brasileiros, norte-americanos, suiços, envolvidos com a indústria da anticorrupção, que se tornaram advogados das empresas afetadas, visando faturar em cima das redes de relacionamento criadas durante as investigações.

Essa indústria se reúne periodicamente em eventos internacionais e associações de compliance, como o Instituto New Law, a International Compliance Association,

World Justice Project, e o Latin Lawyer

No evento “Latin Lawyer and GIR Connect: Anti-Corruption & Investigations 2021”, entre os conferencistas estavam Sérgio Moro, representando a Alvarez & Marsal, Fernanda Tórtima (que tentou contratar o ex-procurador Marcelo Miller), e advogados de grandes escritórios contratados para trabalhos de compliance, no rastro da Lava Jato – como o Baker Mackenzie e Hogan Lovells.

Como Moro tinha acesso a informações confidenciais das empresas, o TCU (Tribunal de Contas da União) solicitou dados sobre a contratação e abriu as informações para o público.

Peça 2 – os negócios de Sérgio Moro e da Alvarez & Marsal

No ano passado, Sérgio Moro foi contratado como sócio da Alvarez & Marsal, empresa que trabalha recuperação judicial de várias empreiteiras brasileiras.

Segundo o relatório, a Alvarez & Marsal havia faturado cerca de R$ 42 milhões com empresas afetadas pela Lava Jato. O advogado Tacla Duran garantiu – sem apresentar nenhuma prova – que o contrato de Moro teria 8 dígitos – ou seja, mais de 10 milhões de dólares.

Foi a primeira peça no nosso xadrez, invertendo totalmente a suspeita inicial. R $42 milhões não é nada para uma empresa do porte da Alvarez & Marsal. Se a questão era uma contrapartida a Moro por eventuais serviços prestados, a troco de quê um contrato, nos Estados Unidos, que despertaria a curiosidade geral e exporia Moro a problemas com os órgãos de controle nacionais, em troca de honorários pequenos para o porte da empresa? Ainda mais havendo plena convicção da falta de preparo de Moro para qualquer serviço juridicamente mais elaborado.

Haveria inúmeras maneiras mais práticas de recompensá-lo, sem se expor. Ainda mais sabendo do interesse de vários partidos em tê-lo como candidato a presidente da República.

Se o ganho total da Alvarez & Marsal foi de R$ 42 milhões, de quanto seria a participação de Moro? Valeria a pena abrir mão de uma candidatura a presidente – que abre inúmeras possibilidades profissionais – por um contrato de um, dois milhões de reais?

A divulgação dos ganhos da Alvarez & Marsal levantou outra lebre: e se a contratação fosse para negócios muito maiores?

Peça 3 – a Sociedade de Propósito Específico

O jogo seria infinitamente maior se o alvo da Alvarez & Marsal fosse outro: utilizar o conhecimento acumulado para adquirir empresas brasileiras, em vez de meramente administrá-las judicialmente. Aí, as possibilidades de ganho ascenderiam a centenas de milhões de dólares.

A segunda peça ajuda a decifrar o jogo. A Alvarez & Marsal ingressou na B3 com o primeiro pedido de listagem de uma SPAC – uma Sociedade de Propósito Específico. No caso, especificamente para captar dinheiro para adquirir outras empresas. O pedido está em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

E, aí, a contratação de Moro começa a fazer sentido. Ele é o sponsor – o garantidor do projeto, na linguagem do mercado. Sponsor é o técnico, ou personalidade pública, que tem credibilidade suficiente para convencer o investidor de que ele tem um bom negócio pela frente, investindo na SPE.

Em princípio, compras de empresas sob emaranhados legais – como é o caso das empreiteiras quebradas pela Lava Jato – esbarram em uma sucessão de dúvidas e armadilhas. Como ficam os acordos de leniência, as multas a serem pagas? E há as informações que circulam no COAF (Conselho de Controle da Atividade Financeira). Eventuais ilegalidades detectadas em transações anteriores poderiam comprometer a venda das empresas.

Daí a importância do sponsor, com amplo conhecimento do mercado. Quem poderia ser melhor sponsor do que Moro e procuradores envolvidos com a Lava Jato? Por isso mesmo, interessava à Alvarez & Marsal bater bumbo com a contratação. Mesmo se não utilizar o nome de Moro nos panfletos de venda, o mercado já sabe que ele foi sócio da empresa por algum tempo.

E por aí se entende outras atitudes de Moro, ao aceitar o cargo de Ministro da Justiça de Bolsonaro. Sua primeira batalha foi o controle do COAF. Planejou até colocar no comando uma pessoa de absoluta confiança, a delegada Erika Merena. Originalmente só poderiam ser do COAF funcionários públicos. Quando se decidiu que o órgão ficaria com o Banco Central, Moro arrancou um decreto de Bolsonaro que permitiu a indicação dos delegados Erika Marena e Márcio Anselmo – do grupo da Lava Jato.

.

Entende-se também a insistência da Lava Jato de Curitiba de manter o controle absoluto sobre o banco de dados acumulado, criando um enorme problema administrativo quando a Procuradoria Geral da República tirou esse controle.

Peça 4 – o papel do TCU

Agora, o TCU tem outro tema para trabalhar. Até agora, conseguiu os dados da Alvarez com as empresas brasileiras. Ainda não conseguiu o contrato com Sérgio Moro.

Para solucionar o quebra-cabeça terá que incluir a nova peça no jogo: quais as empresas que a SPC tem em mente? E quais os trabalhos efetivamente prestados por Moro em sua estadia nos Estados Unidos. 

Anti-Corruption & Investigations 2021

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Veja os valores milionários recebidos- com a ajuda de Sérgio Moro - pela Alvarez & Marsal: 75% dos pagamentos são de empresas quebradas desavergonhadamente pela Lava Jato

Só a Odebrecht, que entrou em recuperação judicial pelas decisões de Moro, paga mensalmente à consultoria cerca de R$ 1,2 milhão. E já são 30 meses de contrato

 Leia e assista:


247 - O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), retirou nessa quinta-feira (20) o sigilo de todos os documentos referentes ao processo sobre os valores recebidos pelo ex-juiz Sergio Moro, declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos processos contra o ex-presidente Lula na Lava Jato, quando foi contratado pela consultoria norte-americana Alvarez & Marsal, administradora judicial da construtora Odebrecht.

Segundo a tabela de pagamentos feitos à Alvarez & Marsal no Brasil como administradora judicial, que o Brasil 247 teve acesso, 75% deles são provenientes de empresas quebradas pelas investigações da Lava Jato, que tinha em Sérgio Moro o juiz principal, na 13ª Vara Federal de Curitiba. 

O Grupo Odebrecht é o principal cliente. A Alvarez & Marsal recebeu por mês R$ 1 milhão da Odebrecht e da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial). Além disse, a empresa também auferiu R$ 150 mil da Galvão Engenharia; R$ 115 mil do Estaleiro Enseada (que tem como sócias Odebrecht, OAS e UTC); e R$ 97 mil da OAS.

Confira todos os valores:

Pagamentos recebidos pela Alvarez & Marsal


O assunto não é novidade para os leitores do Brasil 247, que leram reportagem nesta quinta-feira (20) sob o título “Esquema Lava Jato: 75% do que fatura a Alvarez & Marsal vem de empresas quebradas pela operação”.

Com a Odebrecht já são 30 meses de contrato. Do que se tem notícia, a construtora baiana tem honrado os pagamentos milionários — que estão sendo depositados judicialmente, em razão de uma decisão da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Mas a Odebrecht quer revisar seu acordo de leniência e está inadimplente com a União.

A decisão pela publicidade do processo que tramita no TCU foi tomada após pedido do subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público junto ao TCU. Na última terça-feira (18/1), Dantas já havia concedido ao MP acesso integral ao contrato de Moro com a empresa.

No despacho, o ministro explica que a documentação da contratação de Moro até o momento não foi apresentada na íntegra. Apenas foram indicados excerto de cláusula contratual e termo de distrato do ex-juiz com uma das empresas que compõem o grupo empresarial no Brasil. Segundo Dantas, não haveria necessidade de tratamento sigiloso aos documentos, e os trechos especificamente sigilosos já estão tarjados.

Quanto às informações relativas aos processos em que a Alvarez & Marsal atua como administradora judicial e aos honorários estabelecidos, o ministro lembrou que são públicas e podem ser obtidas por meio de consultas às respectivas varas de falências e recuperações judiciais. (Com informações do Conjur) 

Assine o 247apoie por Pixinscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

PUBLICIDADE

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Diálogo entre Luis Nassif e o psicanalista Christian Dunker: Como o monstro do ódio e do fascismo foi parido no Brasil

 


Da TV GGN:


Luis Nassif entrevista o psicanalista Christian Dunker, que lançou no dia 14/01/22 o primeiro livro “Lacan e a Democracia: clínica e crítica em tempos sombrios”, pela Boitempo. 📕 Em "Lacan e a democracia", Christian Dunker apresenta uma associação entre psicanálise e democracia no atual contexto de ascensão de fenômenos antidemocráticos e conservadores. Na obra, ele mostra como a psicanálise contribui para a reflexão histórica sobre a democracia. Christian Dunker é psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), analista membro de Escola do Fórum do Campo Lacaniano e fundador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (Latesfip-USP). Entre suas obras de mais sucesso, estão "O palhaço e o psicanalista", "Mal-estar, Sofrimento e Sintoma" e "Uma biografia da depressão".

Alexandre de Moraes amplia rol de sites bolsonaristas e de discusro de ódio no inquérito das fake news

 Dentre os sites denunciados estão o Jornal da Cidade, Crítica Nacional e Senso Incomum

www.brasil247.com - Ministro do STF Alexandre de Moraes

Ministro do STF Alexandre de Moraes (Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil)

247O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que cinco sites bolsonaristas fossem incluídos no âmbito do inquérito das fake news que tramita na Corte. De acordo com O Antagonista, o aditamento ocorreu a partir de denúncia feita pelo deputado federal Fausto Pinato (PP-SP). 

Na petição, o parlamentar listou diversos sites e canais bolsonaristas como disseminadores de fake news e de ataques à Corte. Dentre os sites denunciados estão o Jornal da Cidade, Crítica Nacional e Senso Incomum, que já foram alvos de investigações pela CPMI das Fake News e CPI da Covid.

“A atuação de veículos de comunicação de maneira aparentemente orquestrada, com o fim de atingir o regime democrático e o equilíbrio entre os poderes, com a divulgação de Fake News contra nossa Suprema Corte, é uma questão muito grave que deve ser apurada com todo rigor”, disse Pinato na petição.