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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Moro suspeito. E só? Terminou? Fica por isso mesmo?Texto de Fernando Brito


 Trata-se do que vamos fazer diante da agora reconhecida e sacramentada judicialmente atuação parcial, política e eleitoral de Sergio Moro à frente dos processos de Lula na 13ª Vara Criminal de Curitiba e da cumplicidade que lhe tiveram, por cinco anos a fio, todos os níveis do Poder Judiciário, além da mídia, é claro.



Por Fernando Brito

No Tijolaço

O artigo de Janio de Freitas, na edição de hoje da Folha, coloca uma questão que parece pequena, diante da possibilidade de que o país recupere a capacidade de ter uma disputa democrática e limpa nas eleições do ano que vem, inegavelmente a questão central para o Brasil e para os brasileiros.

Trata-se do que vamos fazer diante da agora reconhecida e sacramentada judicialmente atuação parcial, política e eleitoral de Sergio Moro à frente dos processos de Lula na 13ª Vara Criminal de Curitiba e da cumplicidade que lhe tiveram, por cinco anos a fio, todos os níveis do Poder Judiciário, além da mídia, é claro.

“O juiz, os procuradores, os juízes eram todos um propósito só. Abençoados ora por covardia, ora por semelhança de fins, no concílio do Supremo e pelo procurador-geral da República à época, Rodrigo Janot (…) a conspiração contra a lisura da eleição presidencial não foi de uma figura só. Outros têm contra a Constituição, as leis e a lisura eleitoral, responsabilidades equivalentes ou assemelhadas à de Sergio Moro.”

O que se fará quanto a estas figuras? Seguirão pacificamente em suas carreiras, com farta remuneração, como se tivessem cometido “pequenos erros técnicos”, uma vez que as razões apontadas por Edson Fachin para, ao menos com relação à competência, a fastar a jurisdição de Moro já haviam sido decididas pelo STF em 2015, antes mesmo da apresentação da denúncia?

Não se trata, aqui, de discutir o direito de Lula em processar e buscar indenizações, morais e materiais, pelo que foi feito à sua imagem pública e pelos 580 dias de cárcere no Paraná. Embora seja seu direito como cidadão, não é provável que as busque pessoalmente, até porque é na política que ele irá buscar esta reparação.

O ponto é questionar um sistema judicial que agiu, anos a fio, com as chamadas “razões do lobo”, decidindo que Lula tinha culpa e devia pagar na cadeia por ela em processos flagrantemente ilegais, ao pondo de reunirem 8 votos neste sentido no STF.

É o que é a declaração de incompetência de Moro: é a afirmação de que nada ligava Lula às acusações que lhe faziam com desvios ocorridos na Petrobras. Simples assim, como o argumento do cordeiro de que não podia turvar a água de onde beberia o lobo porque estava rio abaixo.

E se é ilegal o que lhe fizeram, houve que, como agente do Estado, praticou a ilegalidade. Não importa se por motivações que lhes pareciam legítimas, como aos agentes do regime militar pudessem parecer legítimo prender, entregar à tortura, humilhar e volar a humanidade dos que cometiam “crimes de opinião”.

Foi porque, na redemocratização, deixou-se – mais de que puni-los – fazê-los desfilar sua culpa odiosa perante a sociedade que, 50 anos depois, ainda vemos a ditadura ser louvada no Brasil, enquanto nos outros países, da Alemanha à Argentina, seus correspondentes execrados e malditos como devem ser r, por isso, neutralizadas as ameaças autoritárias, enquanto aqui o próprio Poder Público louva criminosos como Brilhante Ustra.

Justiça é que se pague pelo que se fez em afronta à lei. Moro deve pagá-lo, mas não só ele. Não é possível que todos os que se acumpliciaram a ele ainda possam posar de heróis injustiçados.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Porta dos fundos no meio ambiente (ante a aberração que ocorre atualmente no Brasil). Por Fernando Brito

 

  Será esta semana a “Cúpula do Clima”, na qual o Brasil tentará arrancar alguns milhões de dólares dos EUA com compromissos hipócritas de defesa do meio-ambiente que, todos sabem, não se realizarão.

Biden e Bolsonaro

Publicado originalmente no Tijolaço:

Por Fernando Brito

Será esta semana a “Cúpula do Clima”, na qual o Brasil tentará arrancar alguns milhões de dólares dos EUA com compromissos hipócritas de defesa do meio-ambiente que, todos sabem, não se realizarão.

É possível que Joe Biden, apesar das pressões de organismos civis, de lá e de cá, acabe por conceder algum pequeno crédito (literalmente) de confiança ao Governo brasileiro.

Como uma esmola que se dá sabendo que aquilo nada mudará a situação do mendigo.

Paga, talvez, o ingresso de uma sessão de teatro, de um presidente devastador fazendo juras de combate ao desmatamento, que todas sabem falsas, para receber, ali pela porta dos fundos, algumas sobras dos enormes recursos que o seu colega norte-americano tem a oferecer.

Nas não paga o o fato de não termos, a dirigir a postura deste país imenso, um estadista.

Alguém que seja capaz de dizer que exigem – e muito bem o fazem – que dividamos a preservação de nossas florestas com o mundo, porque isso é fundamental para salvar vidas humanas neste planeta.

Mas que não pode aceitar que, na hora de dividir vacinas contra a Covid-19, que igualmente salvam vidas humanas neste planeta, não prevaleçam os mesmos critérios de que a sobrevivência humana não seja igualmente importante em cada grau, minuto e segundo das coordenadas terrestres.

O mundo terá 2 bilhões de vacinas produzidas até meados de maio, publica o jornal Valor Econômico. São o suficiente para imunizar mais de 25% da população do planeta , mas os países pobres ou em desenvolvimento não terão recebido, até lá, nem 10% deste total, ainda que representem 70% da população do planeta.

O governo brasileiro, porém, continua avaliando o valor da Amazônia em metros cúbicos de toras e em quilos de ouro que possam dali ser extraídos e é por isso que se torna incapaz de vê-la como um tremendo ativo a ser posto nas negociações da ordem mundial entre as nações.

Teremos governantes capazes de questionar porque, tendo quatro ou cinco vezes o número de vacinas necessárias a imunizar sua população, o Estados Unidos – e o mundo rico – só consideram repassar o excesso aos países pobres ou em desenvolvimento depois que tiverem vacinado 100% dos seus?

Não nos chamariam de trogloditas insanos – e seríamos isso mesmo – se nos arrogássemos a dizer que só preservaríamos a Amazônia depois de satisfeitas todas as oportunidades de enriquecimento com a sua devastação?

Há só uma Terra e há uma só humanidade.

Nada tem a ver com bravatas nacionalistas: a mata pujante da Amazônia não é “Brasil acima de tudo” e não muda pela linha de fronteira entre Bolívia, Colômbia, Venezuela, Peru, Suriname com o Brasil.

A vida humana também não conhece fronteiras e salvá-la, na defesa do meio ambiente ou no combate a pandemias, é dever que não foge a nenhuma nação do planeta.

Se devemos – e devemos – dividir a Natureza, a preservação da Amazônia, com o mundo, os donos do mundo também devem dividir conosco o que a Ciência criou para salvar vidas.

Mas não o faremos, porque somos um país que se apequenou, embora seja um dos maiores do mundo, que virou um mendigo lazarento, que pede ali, na viela dos despejos, um qualquer que lhe lhe ofereçam.

Não tem a menor ideia do seu tamanho e de sua importância.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Duas "flores da ética" em conversa, Bolsonaro e Jorge Kajuru, e um "relatório sacana" configurando crime de responsabilidade em texto de Fernando Brito

 


"Duas flores da ética e da decência politica – Jorge Kajuru e Jair Bolsonaro – divulgaram uma conversa telefônica onde combinam uma forma original de “melar” a CPI da Covid"


Do site Tijolaço:


Jorge Kajuru e Jair Bolsonaro


Por Fernando Brito

Duas flores da ética e da decência politica – Jorge Kajuru e Jair Bolsonaro – divulgaram uma conversa telefônica onde combinam uma forma original de “melar” a CPI da Covid, que o senador Alessandro Vieira já havia formalizado com um maroto “aditamento” para que os 27 Estados e dos mais de 5.550 municípios entrem no escopo da investigação.

Nem é preciso dizer que se a CPI dedicar as suas sessões à suspeitas em torno de compras de luvas cirúrgicas em Quixeramobim, São José dos Ausentes e de Conceição do Mato Dentro, teria que se estender até 2045 e não produzirá resultado algum.

Mas, segundo a dupla bolsonarista se não for assim a CPI iria fazer, nas palavras presidenciais, “um relatório sacana” contra o Governo, porque “a CPI vai simplesmente ouvir o Pazuello, ouvir gente nossa”.

Quem a CPI deveria ouvir num inquérito sobre uma epidemia em escala mundial e nacional, que já matou já mais de 350 mil pessoas? O prefeito de Conceição do Araguaia, no Pará? Ou sobre as dezenas de mortes horrendas por falta de oxigênio no Amazonas, deveria ouvir o prefeito Barrozo Eufrásio, de Amapurá, no Alto Solimões amazonense?

Seria “sacana” um relatório que listasse que o presidente da República reagiu com “e daí?”, “não sou coveiro”, “é só um gripezinha” ou “sou messias, mas não faço milagres” é a escalada de mortes, aos milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares?

Ou o senhor Jair Bolsonaro também acha “sacanagem” dizer que ele fazia (e faz) propaganda da aglomeração, do não uso de máscaras e de entupir os brasileiros com drogas inúteis para evitar ou combater o vírus?

É óbvio que quer não só usar expedientes diversionistas como, sobretudo, usar o episódio, como ele próprio diz “fazer do limão uma limonada” e investir contra o STF.

Não se espere muito desta CPI, portanto. A própria atitude do senador Kajuru – sim, acontecem coisas estranhas em Goiás – ao pedir que Bolsonaro “livrasse a sua cara” nas críticas que faz à CPI, demonstra bem a altivez e a coragem de nossos senadores. Outros, por certo, hão de pedir favores mais substanciais.

A CPI, sim, vai produzir agitação, mas não é provável que produza resultados formais.

Não é provável, mas também não é impossível.

Haverá pressão da mídia, das redes, dos fatos que surgirão. E da exibição do conteúdo dos intestinos deste governo, com o conteúdo próprio deste tipo de entranhas.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Janio, a Lava Jato golpista e a pergunta de Brizola: “Onde está a CIA”? Por Fernando Brito

 “Onde está a CIA?” é pergunta que, nos tempos de hoje, o veterano daquelas e de muitas situações, Janio de Freitas, ajuda a responder em seu artigo de hoje, na Folha de S. Paulo, a partir da fala – ou ato falho – de Deltan Dallagnoll revelada nas mensagens trocadas no grupo de mensagens que mantinha com os colegas de Procuradoria e com Sérgio Moro.

Janio de Freitas e Deltan Dallagnol. Foto: Reprodução/YouTube

Publicado originalmente no blog Tijolaço

POR FERNANDO BRITO

A frase nunca me saiu da cabeça, por conta das muitas vezes que a ouvi no longo convívio com Leonel Brizola:

Onde está a CIA ? Parece que até que ela fechou. Se foi isso, eu não entendo porque ela tem aquele orçamento, enorme, de bilhões de dólares? Será que não sobram uns trocados para ela aplicar no Brasil?

Bem, como ela não fechou, continuou atuando, espionando e interferindo por longos anos na vida brasileira e há provas – e não só convicções – de quanto isso ocorria nos papéis da Central Inteligence Agency que “Documentos da CIA revelam que Brizola e Erico Verissimo eram monitorados pelos Estados Unidos“, reportagem da Zero Hora, publicou.

“Onde está a CIA?” é pergunta que, nos tempos de hoje, o veterano daquelas e de muitas situações, Janio de Freitas, ajuda a responder em seu artigo de hoje, na Folha de S. Paulo, a partir da fala – ou ato falho – de Deltan Dallagnoll revelada nas mensagens trocadas no grupo de mensagens que mantinha com os colegas de Procuradoria e com Sérgio Moro.

Ainda que provada repetidamente ao longo de décadas, há gente que ainda acha que isso é pura “teoria da conspiração”. Com tantas provas, acertarão se deixarem de lado o “teoria” para ver a real e concreta conspiração.

Leia a coluna de Janio aqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Fernando Brito: agenda de Joe Biden deve de algum modo recusar o ódio e o fundamentalismo dos ressentidos, terraplanistas e neofascistas

 

  Joe Biden "teve, é certo, o apoio de grandes grupos econômicos", diz Fernando Brito, do Tijolaço. "Mas é evidente que foi eleito pela juventude, pelos negros, pelas vanguardas urbanas, pelos que recusaram o ódio e o fundamentalismo como forma de governo, de um país e do mundo. Será, no governo, bem sucedido se colocar esta circunstância à frente de si mesmo", avalia

Joe Biden

Joe Biden (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

Por Fernando Brito, do Tijolaço - “Eu sou eu e minha circunstância, e se não salvo a ela, não me salvo a mim”, diz a frase famosa do filósofo espanhol Ortega Y Gasset e ela corre o risco de servir para interpretar a situação de Joe Biden, agora eleito para a presidência dos Estados Unidos.

Binden é mais um dos políticos clássicos de Washington, talvez não tão diferente daqueles que se retrataram na famosa série House of Cards.

Mas ele vence esta eleição cavalgando não o seu prestígio como político de carreira, mas a rejeição a Donald Trump nas áreas urbanas dos Estados Unidos.

Nas 50 maiores cidades norte-americanas. em apenas cinco Donald Trump teve a maioria dos votos.

Completando 78 anos antes da posse, Biden tem outra originalidade: é um dos raros presidentes norte-americano que não passa a pensar em sua reeleição no dia seguinte a sua primeira vitória, e a finitude humana é certamente algo presente em seu pensamento, depois das perdas precoces da sua primeira mulher e de filhos.

Pode, portanto, correr o risco da ousadia e projetar a política além de si mesmo.

Pode haver dúvidas de que terá esta capacidade, mas não há de que terá, se quiser, esta oportunidade.

E Joe Biden, depois de seus embates e posteriores alianças com Barack Obama e sua vice, Kamala Harris, parece político atento ao que lhe é politicamente conveniente.

Isso é mais importante que a natureza pessoal do candidato recém-sagrado presidente da (ainda) maior potência do mundo.

Leia-se potência econômica e militar que ainda, e mal e mal, segue mantendo. Mas não mais liderança política mundial, a que esteve servida de bandeja para Barack Obama e que ele deixou escapar de olho na reeleição e negligenciando o antibelicismo que, tanto como a pele negra, o transformaram numa espécie de ‘herói’ mundial.

O até agora coadjuvante da política norte-americana teve, até agora, a glória do triunfo alcançado por inimigo do Rei.

Por mais que ele queira alcançar aprovação entre os republicanos, precisa demonstrar que não será mais do mesmo, embora fugindo de colocar Trump e seus apoiadores como “inimigos”.

E, sim, suas políticas negacionistas e isolacionistas.

E dois temas – pandemia e multilateralismo – estão presentes neste início do mandato informal de Biden: amanhã, depois de formar um conselho de médicos e cientistas para conduzir o combate à Covid 19, fará um pronunciamento público para anunciar ações antipandemia e confirmar o retorno dos Estados Unidos ao acordo climático de Paris.

O novo presidente dos EUA teve, é certo, o apoio de grandes grupos econômicos. Mas é evidente que foi eleito pela juventude, pelos negros, pelas vanguardas urbanas, pelos que recusaram o ódio e o fundamentalismo como forma de governo, de um país e do mundo.

Será, no governo, bem sucedido se colocar esta circunstância à frente de si mesmo.

“Se não salvo a ela, não me salvo a mim”.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

‘Ele está de volta’. Isso é só ficção? Assista o filme


Por Fernando Brito:


Na capa do The New York Times a notícia atém pouco tempo atrás inacreditável: a Alemanha assiste à ressurreição de grupos nazistas formados por militares, ex-militares e policiais – entre outros – que planejavam a tomada do poder num certo “Dia X” em que teria chegado ao ápice o caos social.
A Nordkreuz, ou Cruz do Norte, um destes grupos, chegou até a estocar sacos para guardar cadáveres dos que seriam mortos – inimigos políticos e imigrantes -no putsch neonazista.
A história da seus avisos de forma curiosa e, neste caso, em uma obra tragicamente divertida e bem realizada.
Ontem assisti – e recomendo aos leitores e leitoras que o façam – o filme Ele está de Volta, uma sátira do escritor alemão Timur Vermes, transformada em filme por David Wnendt, que fantasia uma ressurreição de Adolf Hitler à frente de seu antigo bunker em Berlim, 70 anos depois do fim da guerra na Alemanha.
Visto como piada, de início, e tolerado em nome da “liberdade de expressão” e do pensamento racista e autoritário que existia sem vestir a imagem nazi, o ressurreto Hitler vai se tornando uma figura popular justamente por seu discurso de ódio, moralidade e intolerância.
Nenhum semelhança é mera coincidência.

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quarta-feira, 8 de abril de 2020

O pandemônio bolsonarista na pandemia do Coronavírus. Por Fernando Brito, em vídeo



Do Canal TV Afiada:



Pouco após anunciar que demitiria o ministro da #Saúde #LuizHenriqueMandetta - e, logo depois, desdizer o que disse - o presidente #JairBolsonaro joga o país em confusão novamente, ao anunciar a possibilidade de afrouxamento das medidas de #IsolamentoSocial em algumas cidades do Brasil. Para #FernandoBrito, editor do blog #Tijolaço, tal medida forma mais um capítulo daquilo que chama de "pandemônio da #pandemia" - a falta de capacidade de #Bolsonaro em gerenciar a crise do #coronavírus. O presidente prefere, ao invés disso, continuar a brigar com o ministro #Mandetta... (texto do TV Afiada)

terça-feira, 16 de julho de 2019

A ‘jabalândia” de Deltan & cia no Ceará, por Fernando Brito

"Numa quinta-feira à noite, 20 de julho de 2017, o ubíquo procurador estava em Fortaleza, ensinando aos empresários cearenses as virtudes da honestidade.

"Mas como a vida não é só feita de sacrifícios, além dos “30 k” – a maneira pela qual se refere ao cachê de R$ 30 mil por cada palestra nas mensagens trocadas com Sergio Moro – Dallagnol arrancou também passagens de avião e hospedagem para sua mulher e filhos no caríssimo hotel e complexo de lazer aquático Beachpark – coisa de R$ 1 mil a diária – para o resto do final de semana"


Do Tijolaço:



Monica Bergamo, na Folha, põe uma cereja cearense na história da lucrativa exploração de prestígio de Deltan Dallagnol, que empresariou a Operação Lava Jato para lhe render um bom dinheiro “por fora” em palestras e eventos.

Numa quinta-feira à noite, 20 de julho de 2017, o ubíquo procurador estava em Fortaleza, ensinando aos empresários cearenses as virtudes da honestidade.

Mas como a vida não é só feita de sacrifícios, além dos “30 k” – a maneira pela qual se refere ao cachê de R$ 30 mil por cada palestra nas mensagens trocadas com Sergio Moro – Dallagnol arrancou também passagens de avião e hospedagem para sua mulher e filhos no caríssimo hotel e complexo de lazer aquático Beachpark – coisa de R$ 1 mil a diária – para o resto do final de semana.

“Eu pedi pra pagarem passagens pra mim e família e estadia no Beach Park. As crianças adoraram”, disse Dallagnol. “Além disso, eles pagaram um valor significativo, perto de uns 30k [R$ 30 mil]. Fica para você avaliar.”

Uma beleza!

Deltan deve ter gostado, pois repetiria a dose, um ano depois, em outubro de 2018, agora às custas do plano de saúde Unimed, seção Fortaleza, palestrando sobre ““Ética e luta contra a corrupção”.

Além da ideia dada a Sérgio Moro que pegasse também o “bocão”, Dallagnol deixa nas mensagens uma cândida observação: de que o abuso não vai dar problemas:

“Não sei se você viu, mas as duas corregedorias —[do] MPF [Ministério Público Federal] e [do] CNMP [Conselho Nacional do Ministério Público]— arquivaram os questionamentos sobre minhas palestras dizendo que são plenamente regulares”.

Plenamente, Deltan, plenamente.

Fernando Brito
No Tijolaço

sexta-feira, 15 de março de 2019

STF proclama sua independência acima da americanófila República de Curitiba. Por Fernando Brito




Os seis votos a cinco foram uma vergonha, porque juridicamente a decisão deveria ser unânime, de tão clara e tantas vezes adotada pelo Supremo, mas a derrota da pretensão do Ministério Público de manter na República de Curitiba e em suas “franqueadas” da Lava Jato do Rio e de São Paulo todos os julgamentos onde houvesse denúncia de “caixa 2” eleitoral começa a devolver o Brasil à esteira do Estado de Direito, cujo pressuposto é o do juiz natural.
Explico, embora seja fácil entender, o que visa o princípio do juiz natural: a que ninguém seja mandado a uma determinada vara judicial porque o “juiz de lá” é um ferrabrás ou tem tal ideologia e, tendo ou não culpa, a condenação é garantida.
Exatamente como aconteceu com Lula, no caso do triplex, que era atribuição da Justiça Estadual de SP mas que, pela ânsia punitiva de Curitiba e pelo acovardamento das cortes superiores, tomou a rodovia Régis Bittencourt em direção às araucárias, onde lhe arranjaram uma ligação vaga com a Petrobras, para que fosse condenado.
Todos os demais réus, cujos processos ficaram em São Paulo, foram absolvidos em duas instâncias, e por unanimidade.
Tecnicamente, como disse, a única surpresa foi o placar apertado, sendo algo em que a legislação e a jurisprudência eram tão claros.
Politicamente, porém, houve grandes momentos no STF, com duas situações em que o silêncio com que se portaram os alvos das críticas foi mais que eloquente.
O primeiro, quando Gilmar Mendes disse que os promotores de Curitiba estavam montando “um fundo eleitoral” com os R$ 2,5 bilhões que conseguiram da Petrobras com a “bondade” do Governo norte-americano.
O segundo, quando Celso de Mello cobrou da Procurador-Geral da República, Raquel Dodge, que “toda a sua instituição” respeitasse as decisões do Supremo, deixando claro que se cobra dela comando sobre a célula de Curitiba do MP.
Há um terceiro, não expresso na sessão do STF, mas completamente perceptível: a derrota de Sérgio Moro, que assumiu publicamente seu desejo de que tudo ficasse com seus amigos da “Força Tarefa”.
Nunca vi o MP ser tão expressamente humilhado num julgamento. Coisa de, como diziam os gaúchos, de “se enfiar no c… de um burro”.
O julgamento de hoje consolidou uma maioria – apertada, é claro – no STF.
A Lava Jato não é mais dona absoluta da Justiça brasileira, embora vá seguir sendo dona de muitas das injustiças deste país.
Fonte: Tijolaço

quarta-feira, 13 de março de 2019

O bolsonarista e armamentista Major Olímpio, do PSL, ultrapassa os limites da estupidez, por Fernando Brito


"O Major Olímpio, senador por São Paulo e figurão do PSL de Bolsonaro o ultrapassou ao afirmar que ‘se a legislação no Brasil permitisse o porte de armas, um cidadão de bem na escola, seja um professor ou um servente, evitaria a tragédia, impedindo que prosseguissem a marcha da morte deles”, referindo-se aos dois jovens que provocaram o massacre de Suzano."

Major Olímpio ultrapassa os limites da estupidez

Há um limite para tolerar-se a estupidez humana.
O Major Olímpio, senador por São Paulo e figurão do PSL de Bolsonaro o ultrapassou ao afirmar que ‘se a legislação no Brasil permitisse o porte de armas, um cidadão de bem na escola, seja um professor ou um servente, evitaria a tragédia, impedindo que prosseguissem a marcha da morte deles”, referindo-se aos dois jovens que provocaram o massacre de Suzano.
Só um energúmeno rematado pode imaginar que um professor dê aulas com um revólver na cintura, ou que uma merendeira tenha um fuzil no refeitório da escola.
Como a escola é de ensino médio e, neste caso, haveira alunos maiores de idade, aptos, portanto, segundo o estúpido senador, a portar armas também, quem sabe teríamos um tiroteio em sala de aula, com os dois lados entrincheirados atrás de carteiras escolares?
E o pior é que se trata de alguém com poder para mudar a lei e fazer este pesadelo virar realidade.
Quem sabe faz, como sugere a charge antiga do Cláudio, fazendo um “test-drive” nas reunião do PSL?
PS: Com a declaração de Jair Bolsonaro de que “dorme com uma arma ao lado da cama”, mesmo no vigiadíssimo Palácio da Alvorada, esperemos que dona Marcelle não tenha problemas de sonambulismo.

Ronnie Lessa não é louco como dizem ser o Adélio. Mata por dinheiro, simples assim. Por Fernando Brito


"Mas Ronnie Lessa, o milionário sargento da PM,  não ficou rico, a ponto de ter apartamento, casa, carro e lancha de luxo matando, se me perdoam o paradoxo, “por amor”."



Sargento reformado da Polícia Militar, Ronnie Lessa (Foto: Editoria de arte do Globo)

Publicado originalmente no Tijolaço
POR FERNANDO BRITO
Preocupante a menção que se fez, na entrevista dos membros do Ministério Público, a que o assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes tenha sido “um crime de ódio”.
Ora, é claro que pode e até deve haver ódio num crime, ainda mais um bárbaro como este.
Mas Ronnie Lessa, o milionário sargento da PM,  não ficou rico, a ponto de ter apartamento, casa, carro e lancha de luxo matando, se me perdoam o paradoxo, “por amor”.
Ninguém que não viva da indústria da morte guardaria, desmontados, uma dezena de fuzis.
Nem mesmo como ‘segurança de bicheiro’ é que lhe veio a fortuna que ostenta.
É por isso que a investigação do patrimônio que possui e de sua movimentação financeira.
É preciso ser muito tolo para acreditar que a tentativa de matá-lo , um mês depois do assassinato de Marielle tenha sido um simples “assalto” na praia.
Ronnie, a esta altura, sabe perfeitamente quem mandou fazer aquele ataque, porque 20 anos como policial o habilitam a descobrir.
É um homem frio, a quem nem mesmo a perda de uma perna, noutro atentado, em 2009, encerrou a carreira das armas.

Odeia, sim. Mas mata por dinheiro, por ordem de alguém.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Davos, a crônica de um constrangimento anunciado, por Fernando Brito


Do Tijolaço:




Nas malas de Jair Bolsonaro, para a viagem a Davos, onde pretendia brilhar pela ausência de chefes de Estado mais importantes iam apenas a arrogância pessoal, a submissão aos interesses do capital, a vaidade de pretender-se um “Trump Tropical” e, claro, um ponto eletrônico emprestado pela Miriam Leitão, para que possa repetir, sem escrever na mão, o ditado de Paulo Guedes sobre política econômica.
Porque no teleprompter que estreou estes dias (veja aqui), ainda está muito tatibitati.
Hoje à noite, porém, quando partir, a bagagem estará acrescida de um enorme baú de preocupações com o escândalo das contas do “filho 01” e do amigo e mutuário Fabrício Queiroz.
A coletiva de imprensa, ponto alto de sua “marketagem” já  havia sido cancelada.
Agora, terá de colocar uma escolta de sujeitos para evitar os contatos com os jornalistas que transitam nos corredores e limitar-se a uma ou duas frases escolhidas, sem ter de responder perguntas.
Não dá mais para tentar se sair com “isso vocês têm de perguntar ao Flávio”, porque qualquer repórter com alguma agilidade perguntará em seguida: “mas o senhor não perguntou?”
Ele e seu ministro da Justiça, o implacável Sérgio Moro, a rigor, não deveriam sair do país sem dar explicações minimamente convincentes sobre o episódio, porque ambos, a esta altura, sabem mais do que a lama que, aos baldes, a cada dia vai se espalhando nas tevês e nos jornais.
É suicida a tese, se for esta, de manter-se em silêncio, por Davos e, depois, pela cirurgia de retirada da bolsa de colostomia, marcada para 28 de janeiro.
Seu recado para os políticos e integrantes do governo para que assumam a defesa de Flávio só por um ou outro – e com renitência e ressalvas – vem sendo cumprido.
Em ritmo infinitamente menor do que brotam dos esgotos de Ministério Público – liberado faz tempo para vazar – as informações cada vez mais assustadoras sobre a movimentação de dinheiro.
A cada dia de silêncio, qualquer história, ainda que minimamente plausível, vai se tornando inacreditável.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

#Caixa2doBolsonaro Whatsapp pago não é ‘apoio voluntário’, é explícito crime eleitoral




A reação do deputado Jair Bolsonaro às denúncias de que empresas pagaram para que centenas de milhões de mensagens do aplicativo Whatsapp, chamando de “apoio voluntário” o que é um crime não o exime das consequências do fato, que vai muito além da punição por propaganda eleitoral irregular, o que seria passível de multas.
É que o uso de recursos empresariais em campanhas politicas não é propaganda em desacordo com as normas, mas financiamento da campanha (que é, essencialmente propaganda) com recursos ilegais. A questão central, juridicamente, é o dinheiro, não a corrente de whattsapp que a admissão do nosso TSE deixou correr frouxa.
É, para usar a  expressão popular, pior que “Caixa 2”, porque esta seria apenas o uso de recursos não  declarados ou contabilizados, mesmo que, na época, não fosse ilegal doação de empresa. Como agora é, passam a ser valores ilegais, criminosos.
Embora seja importante o fato, denunciado pelo PT, de que há provas de que Bolsonaro pediu este tipo de ajuda a empresários, durante jantares, ele ter conhecimento ou não dos detalhes das operações, do ponto de vista legal, não muda o crime, porque o beneficiário é ele.
É o famoso brocardo jurídico do Cui prodest? dito por Cícero, usando as palavras de Sêneca em Medéia: “cui prodest scelus, is fecit”-  “aquele que lucra com o crime foi quem o cometeu”.
A agora presidente do TSE, Rosa Weber, no julgamento da Ação de Inconstitucionalidade movida pela Ordem dos Advogados e acolhida por 8 votos a 3 pelo Supremo disse que ““a influência do poder econômico culmina por transformar o processo eleitoral em jogo político de cartas marcadas, que faz o eleitor um fantoche.”
Resta saber se a Doutora vai deixar que o jogo prossiga com as cartas marcadas e que Jair Bolsonaro ascenda ao governo pelo crime.
Por Fernando Brito, no Tijolaço