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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O silêncio seletivo da mídia cúmplice....


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"No tempo veloz das redes sociais e da ignorância planejada da mídia sobre o que não interessa ser exposto, a seletividade é a norma. " - Tânia M. S. Oliveira

Do Jornal GGN:



O silêncio dos cúmplices, por Tania M. S. Oliveira
No tempo veloz das redes sociais e da ignorância planejada da mídia sobre o que não interessa ser exposto, a seletividade é a norma. O mundo dos jornais, revistas e, sobretudo, da TV, permite-se descolado da realidade social de tal modo que, no Brasil, é permitido aos grandes meios de comunicação ignorar que há 23 dias 7 pessoas,militantes de movimentos populares, estão em greve de fome, pedindo que o Supremo Tribunal Federal paute uma ação que julga o princípio constitucional da presunção de inocência.
Seria chover no molhado se a poça fosse de água imaginar que a submissão de seres humanos a um sacrifício limite possa merecer um silêncio cúmplice e vil, como a dizer que suas vidas podem ser dispostas e sua dor pode ser enxergada como algo que se vê em uma vitrine, que não se precisa tocar, uma paisagem distante vista de uma janela, um pensamento que ocorre mas não se fixa como relevante. A poça, contudo, é de sangue.
 23 dias de fome de justiça.
A iminência de uma tragédia de vidas perdidas por uma causa que não lhes pertence individualmente - senão como cidadãos de um país que perdeu seus referenciais jurídicos e de democracia - possui algo de muito dramático que não diz respeito a eles, mas às autoridades a quem se dirigem, e que se recusam a recebê-los, bem assim aos donos dos meios de comunicação que lhes negam a publicização de seu sacrifício: torna-os cúmplices do desfecho qualquer que seja ele. Mostra a faceta de homens e mulheres de um país órfão de solidariedade, onde a vida está completamente banalizada.
23 dias de fome de liberdade.
Pedindo que a Suprema Corte cumpra com sua obrigação de fazer a prestação jurisdicional e julgue uma matéria. Um pedido obsceno não em si mesmo, mas pela necessidade de ser feito, exigido, miseravelmente solicitado, colocando a morte na contrapartida, com a mansa passividade de um martírio.
Como instrumento de luta, as greves de fome são historicamente consideradas como significativas formas de resistência e protesto político e social, desde Gandhi. Mulheres e homens fazem da ausência de uma necessidade vital à sobrevivência a marca de sua luta. No caso presente, no outro extremo, os destinatários da exigência firmam um silencioso e cúmplice pacto com os donos da comunicação: fingem não ver, não saber, não compreender, evidenciando um distanciamento inaceitável do outro, que coloca em questão a própria ideia de humanidade.
A Ministra Carmem Lúcia recebeu militantes, juristas e artistas em audiência no dia 14 de agosto de 2018, entre eles Frei Sérgio Gorgen, um dos grevistas. Disse-se sensibilizada pela pauta, comprometeu-se a visitar os demais. Não o fez e recusou-se a recebê-los ao ser solicitada.  Apareceu na redes no dia 20 de agosto, em um evento, cantando e dançando samba, com um grupo de mulheres que exercem altos cargos públicos e a cantora Alcione. Na aparente leveza de sua vida de eventos, não deixa transparecer o grande paradoxo entre o discurso e sua prática, que efetiva a legitimação do esquecimento. Esquecimento não apenas de uma pauta, uma promessa, mas do conteúdo humano que porta. Fora do foco, ela administra o mundo de um poder sombrio, sem pandeiro ou tamborim. As rimas são pobres e o ritmo se afina com o descaso com as reivindicações de uma sociedade, exposta à esquizofrenia de um sistema de justiça que nem mais se reconhece no nome. Falta colocar amor na cadência, como pedia Vinicius.
Lembrando o ator Osmar Prado em sua emocionante intervenção na reunião no STF: quantos mortos ainda serão necessários para que se tome uma atitude republicana e correta? Quantos suportaremos? Respondo eu: depende de quantos morram sem causar alarde. Depende do quanto de silêncio possa ser produzido pelo pacto mortal de vilania e ignorância, com a certeza da impunidade.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Frustração da Globo, da Folha e dos reacionários foi grande e agora o golpe ficou mais difícil, diz Nirlando Beirão


"Convocado pela Rede Globo, insuflado pela manchete marota da Folha de S. Paulo e legitimado por aquelas PMs que só baixam o cacete quando os manifestantes têm cheiro de povo, os protestos deste domingo foram constrangedoramente minguados pela expectativa de seus organizadores-negociantes", diz o jornalista Nirlando Beirão; "A mídia da oligarquia, do privilegio, abriu as câmeras e as páginas parta tentar reanimar o cadáver do impeachment. Acordou cedo no domingo. Mobilizou helicópteros estridentes. Torceu e distorceu", afirma; no entanto, mais uma vez, perdeu a aposta; "que o golpe ficou mais difícil, isso ficou"



NIRLANDO BEIRÃO: O GOLPE FICOU MAIS DIFÍCIL


13 DE ABRIL DE 2015 ÀS 06:08 - Brasil 247

247 - O jornalista Nirlando Beirão, um dos mais consagrados da imprensa brasileira, publicou uma importante análise sobre os protestos deste domingo. Segundo ele, embora tenham sido inflados por uma mídia que deseja o impeachment, fracassaram e, agora, o golpe ficou mais difícil. Leia abaixo:

Quem patrocina o protesto


Por Nirlando Beirão, em seu blog no R7

 Convocado pela Rede Globo, insuflado pela manchete marota da Folha de S. Paulo e legitimado por aquelas PMs que só baixam o cacete quando os manifestantes têm cheiro de povo, os protestos deste domingo foram constrangedoramente minguados pela expectativa de seus organizadores-negociantes.

 Ficou claro que muita gente que foi à manifestação anterior, do 15 de março, movida por um sentimento até que sincero de revolta e de esperança, tratou de debandar.

  Quem estava lá, desta vez, eram os convictamente antidemocráticos – os lambe-botas dos militares – e os tolinhos desinformados, fora os coxinhas do selfie, loucos para extravasar em qualquer evento público, seja velório ou show de rock, o seu despolitizado exibicionismo.

  A mídia da oligarquia, do privilegio, abriu as câmeras e as páginas parta tentar reanimar o cadáver do impeachment. Acordou cedo no domingo. Mobilizou helicópteros estridentes. Torceu e distorceu.

  A Globo quer o impeachment, a Folha também (não cito o Estadão porque, como se sabe, o Estadão faleceu, que descanse em paz). Mas fica difícil convencer o país a tirar a Dilma para botar no lugar um vice – e é a Datafolha quem tem de admitir, ainda que contrariadíssima – o qual ninguém conhece.

  Os antidemocratas e os patetas com certeza voltarão às ruas, incentivados pela mídia dos fariseus e acobertados pelos policiais que, nas outras horas, agridem os verdadeiros revoltosos, os que genuinamente têm sede de justiça.

  Mas que o golpe ficou mais difícil, isso ficou

domingo, 15 de março de 2015

A pouca moral que poderia ainda restar no tacho hipócrita da grande mídia e suas seis famílias caiu por terra com a divulgação de nomes de suas fileiras na lista do HSBC



Carlos Antonio Fragoso Guimarães

  Diz a sabedoria popular que quem muito grita muito esconde. Pois bem, a mesma "grande mídia" das seis poderosas famílias da área de comunicação a imperarem no Brasil, e que tanto faz para estimular mais um golpe neste país (fizeram exatamente a mesma coisa em 1954, com relação a Getúlio, e em 1964, derrubando Jango), teve sua hipocrisia posta a nu com a lista dos envolvidos no escândalo internacional do HSBC, ou SwissLeaks.

 
 Ao menos (e o número ainda pode aumentar, já que a divulgação, aqui no Brasil, primeiramente ficou nas mãos de um empregado da família Frias, da Folha e, agora, está nas mãos da Globo) 22 empresários ligados ao setor das Comunicações e suas famílias, bem como sete jornalistas conhecidos e auto-intitulados "formadores de opinião", estão envolvidos no escândalo de desvio de divisas para o exterior no caso Swissleaks, o que constitui, no mínimo, um crime a ser apurado. Mas o mais importante é que tal fato põe ainda mais sob suspeição a moral e os interesses dos grandes grupos midiáticos deste país e sua associação explícita e amoral com o golpismo. Afinal, eles não parecem estar sozinhos na tática de desviar divisas e devem apoiar que os ajuda neste mister, impreterivelmente gente de direita ou ligadas aos setores mais conservadores da sociedade. Aliás, entre os envolvidos no escândalo, constam nomes e grupos ligados ao escândalo do Trensalão Tucano-Alstom.

 Na lista dos correntistas do HSB em Genebra, Suíça, estejam ou não ainda ativas suas contas, podemos ver, entre outros, os nomes de:

* Octávio Frias de Oliveira, Luis Frias e Carlos Caldeira Filho, do grupo Folha/UOL.

* Quatro integrantes da família Saad, do grupo Bandeirantes: João Jorge Saad (o fundador do grupo, já falecido), Maria Helena Saad Barros, Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet.

* Lily de Carvalho Marinho, viuva de donos de jornais Horácio de Carvalho e das Organizações Globo, Roberto Marinho.

* Membros proprietários do Grupo Edson Queiroz, da TV Verdes Mares e Diário do Nordeste: Lenise Queiroz Rocha, Paula Frota Queiroz e Yolanda Vidal Queiroz.

* Luiz Fernando Ferreira Levy, da extinta mas até então influente "Gazeta Mercantil".

* O histriônico "Ratinho", Carlos Roberto Massa, ligado ao SBT e dono da "Rede Massa", do Paraná, que tanto dizia que Dilma Rousseff (que não aparece na lista) deveria "fugir" do país.

* Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (da rede Transamérica).

Dos jornalista envolvidos, devemos destacar o nome de Mona Dorf, braço direita do ultra-direitista Reinaldo Azevedo (que está na planilha de pagamento do grupo Camargo Correia).

Para maiores detalhes do caso, consulte os textos de Rodrigo Vianna (clique aqui) ou, se desejar de um dos empregados dos grupos envolvidos, o de Fernando Rodrigues (clique aqui).