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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

GGN: STF terá desafios para varrer para baixo do tapete o claro cartel de São Paulo




Jornal GGN – O acordo de leniência fechado pelo CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) a respeito do cartel das empreiteiras nas obras de São Paulo, é apenas no plano administrativo. A questão penal está em suspenso. Ao simular medidas penais contra o cartel, o governador Geraldo Alckmin tenta se eximir da responsabilidade pelos contratos firmados.
Mas como todas as empreiteiras envolvidas financiaram campanhas tucanas, a relação de causalidade é nítida: há o benefício (os preços superestimados) e o pagamento (as propinas).
Segundo especialistas consultados pelo GGN, a maneira com que os tucanos serão liberados é através de uma discussão infindável sobre as instâncias de julgamento. No STF, o Ministro Luiz Fux tem convalidado todas as denúncias. As únicas denúncias que ele mandou arquivar são as referentes ao trensalão de São Paulo e a de Paulinho da Força.
No caso do cartel de São Paulo, o STF terá que recorrer a todo seu expediente de medidas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Moro trabalha para garantir o PSDB livre da Lava Jato



Do Canal Notícias Comentadas:



Apesar de haverem diversos indícios do envolvimento de políticos do PSDB em processos de corrupção nas empresas investigadas pela operação LAVA JATO da Política Federal, o Juiz Sérgio Moro deixa claro que não encontra motivos para investigar políticos do PSDB. Ao analisar os fatos, concluímos que o PSDB está livre da LAVA JATO.


Links
JOSÉ SERRA RECEBE R$ 23 MILHÕES DA ODEBRECHT
https://www.youtube.com/watch?v=EVX0R...


A LISTA DA ODEBRECHT
https://www.youtube.com/watch?v=7EFzs...


GLOBO OMITE NOMES DA LISTA DA ODEBRECHT
https://www.youtube.com/watch?v=8Z1DE...


JANOT QUER DIVIDIR LAVA JATO E LIVRAR PSDB
https://www.youtube.com/watch?v=cBFYg...


RODRIGO JANOT ANUNCIA NOVO POTENCIAL ENGAVETADOR GERAL DA REPÚBLICA
https://www.youtube.com/watch?v=QqevN...


O INÍCIO DA CORRUPÇÃO NA PETROBRAS
https://www.youtube.com/watch?v=Gek-L...


O BRASIL REFÉM DO PSDB
https://www.youtube.com/watch?v=UjAQu...


Sérgio Moro diz que não recebeu casos sobre PSDB
http://www.valor.com.br/politica/4635...


Nos EUA, Sergio Moro explica por que não julga políticos do PSDB
http://www.ocafezinho.com/2016/08/03/...


A Lava Jato chega ao PSDB
http://veja.abril.com.br/brasil/a-lav...


Operação Lava Jato
https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C...


José Serra (PSDB), ministro das Relações Exteriores do governo Temer
http://g1.globo.com/politica/noticia/...


Moro decreta sigilo em inquérito da Lava Jato que envolve o PSDB
http://www.ocafezinho.com/2016/09/30/...


Gilmar Mendes suspende inquérito contra Aécio Neves
http://paranaportal.uol.com.br/operac...


Procurador da Lava Jato visita Folha acompanhado de marketeiro do PSDB
http://www.ocafezinho.com/2016/11/19/...

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Marcio Valley: "Lava Jato poderia ser uma ótima operação, mas não é"



A Lava Jato poderia ser uma ótima operação, mas não é.
Não tenho dúvida alguma de que crimes ocorreram e ainda ocorrem na política brasileira, antes e após o ingresso do PT no governo federal. Tampouco tenho dúvida alguma de que, infelizmente, continuarão a existir após a saída do PT.
É evidente que esses criminosos, sempre que possível, devem ir para a cadeia. Qualquer pessoa minimamente honesta assim deseja.
Não é por apologia à corrupção que defendo o governo e critico a Lava-Jato, mas por verificar que essa operações se degenerou, transformando-se num mecanismo antidemocrático de oposição ao governo. Praticamente todos os ilícitos praticados por pessoas públicas da oposição estão sendo acobertados. De que forma isso pode ser classificado como combate honesto à corrupção?
Penso tratar-se de um projeto pensado e planejado pelos cabeças da Lava-Jato.
O primeiro ponto que precisa ser compreendido é que não existem vestais somente pela integração a uma determinada categoria funcional. Antes de serem policiais, promotores e juízes, as pessoas são apenas pessoas, com todas as idiossincrasias que dessa natureza decorre, como, por exemplo, um sentido de proteção de tudo ou todos por quem se nutre simpatia, perseguição das antipatias e temor de retaliações.
Quem trabalha ou trabalhou no setor policial e no judiciário, sabe que operações de certo porte demandam reuniões para o planejamento prévio quanto aos seus objetivos e suas possíveis repercussões. Os alvos são selecionados com cuidado. Se gravadas as reuniões nas quais se planeja uma intervenção-invasão a alguma favela, não seria difícil escutar altas autoridades policiais respondendo com um "foda-se" a alguém que indagasse sobre os transeuntes eventuais e inocentes. Claro, o que interessa é o alvo, danos colaterais que não atinjam pessoas queridas são plenamente suportáveis.
Pessoas públicas, que exercem cargos públicos, são apenas homens e mulheres, e, como tal, capazes de cometer as maiores atrocidades e insensibilidades a título de interesses materiais rasos, como em geral os seres humanos são, mesmo os mais gentis (Hanna Arendt descobriu isso, perplexa).
Penso que ingenuidade é imaginar, como inacreditavelmente se imagina de ordinário, que empresários milionários e bilionários possuam qualquer identidade de interesse com o povo.
Não chego ao ponto de afirmar a existência de um canal direto entre a Lava-Jato e o PSDB, embora até seja possível. O projeto político, contudo, é idêntico. Não há necessidade de uma conspiração para que essa identidade se forme, basta uma similaridade memética de pensamentos e comportamentos adquiridos ao longo da vida para que se saiba exatamente o que fazer e como fazer.
Como todos os demais animais, somos propensos a repetir os padrões aprendidos. Obviamente, para quem é criado num ambiente de favela, esses padrões são distintos daqueles aprendidos por quem cresce numa cobertura da Park Avenue. Com o software correto instalado, nada mais precisa ser dito. Claro que tudo isso admite exceções, mas são somente isso: exceções.
A Lava Jato poderia ser uma grande operação, saudável. Infelizmente, não é. Está sendo daninha para o Brasil.
Nada justificava que, para pôr fim a uma guerra que já estava no fim, e não mataria mais do que algumas centenas de pessoas ainda resistentes, os americanos despejassem duas bombas atômicas no Japão, matando, imediatamente ou logo a seguir, quase duzentas e cinquenta mil pessoas, mas incrivelmente existem pessoas que conseguem racionalizar essa catástrofe.
Isso é o que chamo de remédio muito pior do que a doença e é assim que classifico a Lava Jato.

Márcio Valley

Fonte: Blog do Marcio Valley

domingo, 15 de novembro de 2015

Dos atentados em Paris e da tragédia sócioambiental em Mariana: o atentado político com tiros, o atentado econômico com entulhos e descaso com a vida



Os atentados em Paris e o crime ambiental em Mariana não são hierarquizáveis; o problema consiste em minimizar uma das tragédias por determinadas conveniências

De Paris ao Rio Doce: do horror político ao horror econômico

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho), do Blog do Castilho
Muita gente no Brasil está falando sobre os atentados em Paris, com mais de cem mortos, em comparação com a maior tragédia socioambiental brasileira do século XXI, o rompimento de barragens em Mariana (MG), com mais de 20 mortos e desaparecidos e uma destruição incalculável do ambiente, entre espécies extintas, impacto por décadas e ameaça direta à sobrevivência de um rio importante, o Rio Doce.
Existe a percepção de que a tragédia francesa abafará a tragédia brasileira. E a verbalização dessa percepção gera um ruído: como se quem dissesse isso fosse indiferente a cada francês morto e ao horror específico dos massacres em Paris, à covardia e ao fanatismo. Com isso se cria um falso problema. Ou, no mínimo, secundário: a nossa suposta insensibilidade. A dos cidadãos, a dos internautas.
E não, não somos nós os culpados. Existem dois horrores simultâneos acontecendo. Um deles é político, mais precisamente geopolítico: o horror que desemboca no massacre de Paris, nos atentados de 11 de setembro, no atentado ao Charles Hebdo, movido também a profundos abismos religiosos e culturais, potencializado por ações tresloucadas e cinicamente moralizantes do Ocidente. O outro horror é econômico.
“Horror Econômico” é o nome de um livro da escritora francesa Viviane Forrester, que dissecava com qualidade literária, em 1996, a lógica abominável de nosso sistema econômico, e as farsas discursivas utilizadas para perpetuá-lo. Era um libelo humanista em defesa dos trabalhadores, da vida e do ambiente, e sobre a planejada cegueira coletiva em relação às desigualdades inerentes ao nosso sistema de produção.
O economista francês Jacques Généreux respondeu no ano seguinte que o horror era político, e não econômico. E deu esse nome ao livro: “Horror Político”. Tanto pela estratégia de poder dos governos (em parceria com as grandes corporações) como pela aceitação dos cidadãos, pelo silêncio, pela incapacidade de reação, de se fazer outras escolhas.
HORRORES SIMULTÂNEOS
Os horrores coexistem e são simultâneos, muitas vezes convergentes. Mas há diferenças. Dos arredores da Torre Eiffel (feita de ferro) ao ferro extraído irresponsavelmente em Mariana há uma hierarquia de fatores, e não de dor, uma gama de responsabilidades específicas. O Estado Islâmico e a Vale não representam o mesmo campo ideológico; nem a mesma religião; nem têm os bolsos recheados com a mesma intensidade. Um aposta no desespero como recurso político; a outra aposta no amortecimento.
O Estado Islâmico é um inimigo conveniente para o sistema. O que não o exime de seus horrores. A Samarco, não. A Samarco é o próprio sistema. A Samarco é a brasileira Vale e a anglo-australiana Billinton. A Vale tem capital japonês, tem dedo do Estado brasileiro, tem fundo de pensão, tem o Bradesco. A Vale é o sistema que se perpetua diariamente nas páginas da imprensa – tanto as jornalísticas como as publicitárias.
E, portanto, essa mesma imprensa cantará com mais força o horror distante, com o inimigo consensual. Não há possibilidade de “acidente” em um massacre movido a metralhadoras, e fica decretada a impossibilidade de contextualização (nunca de justificação), de tentarmos entender o que acontece, por que acontece esse tipo de barbárie e qual o papel dos que não se julgam bárbaros na perpetuação dessa violência.
No Brasil, define-se uma lógica contrária. A morte de milhões de animais, a destruição de um povoado inteiro (que não mais existirá), as cinco crianças mortas ou desaparecidas e a incrível sequência de impactos ambientais (como a falta d’água em municípios inteiros de Minas) são tratadas como se fossem um mero detalhe, “desculpa aí, foi mal, mas nós geramos empregos na região e somos muito bem intencionados, nós somos o desenvolvimento”.
NÃO FOI UM ACIDENTE
O papel da imprensa graúda é o de reforçar a imagem de um “acidente” – como se esse acidente não fosse inerente a esse sistema econômico genocida. Não fosse também o horror. Alguns profissionais nos grandes jornais resistem e produzem notícias importantes. Mas o problema é o dimensionamento. Não haverá avalanche noticiosa sobre o desastre ambiental como o volume de exclamações sobre Paris. O efeito geral, a médio prazo, é o de minimização.
Um dos problemas desse noticiário é que ele só reporta os espasmos dos conflitos políticos e econômicos. Só as erupções. E não o rio diário de impactos sociais e ambientais. Precisaríamos criar uma cultura de acompanhar o sistema político e o sistema econômico de forma mais orgânica, para que não apenas enxuguemos gelo midiático a cada tragédia. E entendamos melhor o que leva a tudo isso. Sempre questionando o poder – e não as vítimas.
O mundo não está dividido entre “os loucos do Estado Islâmico” e “as necessárias empresas geradoras de emprego”. Que se multipliquem as nuances e os adjetivos. Sem ilusão de que nossa sociedade e nosso modo de vida seja superior. Nós também temos (e no poder) nossos fanáticos, nossos obsessivo-compulsivos e nossos psicopatas. Basta de naturalizar um modelo violento de apropriação dos recursos naturais sem que os trabalhadores e a sociedade possam dizer: “Não. Desengatilhem essa metralhadora”.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Professor da Federal de Santa Catarina discute a hipocrisia da grande mídia comprometida, citando o escândalo dos Zelotes e outros, que são convenientemente abafados

  O silêncio em relação à Operação Zelotes, com fraudes e sonegação que envolvem 19 bilhões de reais junto à Receita Federal, dos quais 672 milhões de reais dizem respeito à sonegação do grupo de comunicações RBS (Rede Brasil Sul) , não é resultado apenas de restrições jurídicas, mas sobretudo do interesse particular e do cinismo que envolve praticamente todos os grandes veículos, seja de mídia impressa, de radiodifusão ou de suas versões na internet – hoje sócios de empresas de telefonia, de bancos e até mesmo do setor armamentista. No caso da Operação Zelotes, o Banco Santander é o maior sonegador, com mais de 3 bilhões de reais. O Grupo RBS, o sétimo na lista, além da sonegação, teria pago propina que chega a 15 milhões de reais para “abonar” outros 150 milhões. Um lucro e tanto no suborno. A distância entre intenção e gesto, entre discurso e prática, é enorme. E aproxima a falsa intenção do gesto; aproxima o discurso moral do cinismo e da hipocrisia.


JORNAL DE DEBATES > COBERTURA DA CORRUPÇÃO

A hipocrisia como critério de noticiabilidade

Por Francisco José Castilhos Karam em 14/04/2015 na edição 846 do Observatório da Imprensa

Reproduzido do objETHOS, 13/4/2015; título original “Empresas jornalísticas – a hipocrisia como critério de noticiabilidade”, intertítulos do OI


O Código de Ética da Associação Nacional de Jornais garante: “Apurar e publicar a verdade dos fatos de interesse público, não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses” (da ANJ são sócios muitos jornais, entre eles O Globo, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Diário Catarinense e Zero Hora).

O código de Ética da Associação Nacional de Editores de Revistas determina: “Assegurar ao leitor as diferentes versões de um fato e as diversas tendências de opinião da sociedade sobre esse fato” (da ANER são sócias, entre muitas, a revista Veja). A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão subscreve a Declaração de Chapultepec, que assegura: “A credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade, à busca de precisão, imparcialidade e equidade e à clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais.” (da Abert são sócias, entre muitas, a TV Globo e a Rede Brasil Sul de Comunicações, esta última essencialmente representada pela RBS TV tanto de Santa Catarina como do Rio Grande do Sul).

O silêncio em relação à Operação Zelotes, com fraudes e sonegação que envolvem 19 bilhões de reais junto à Receita Federal, dos quais 672 milhões de reais dizem respeito à sonegação do grupo de comunicações RBS (Rede Brasil Sul) , não é resultado apenas de restrições jurídicas, mas sobretudo do interesse particular e do cinismo que envolve praticamente todos os grandes veículos, seja de mídia impressa, de radiodifusão ou de suas versões na internet – hoje sócios de empresas de telefonia, de bancos e até mesmo do setor armamentista. No caso da Operação Zelotes, o Banco Santander é o maior sonegador, com mais de 3 bilhões de reais. O Grupo RBS, o sétimo na lista, além da sonegação, teria pago propina que chega a 15 milhões de reais para “abonar” outros 150 milhões. Um lucro e tanto no suborno. A distância entre intenção e gesto, entre discurso e prática, é enorme. E aproxima a falsa intenção do gesto; aproxima o discurso moral do cinismo e da hipocrisia.

Se nos últimos 300 anos os pilares do Jornalismo foram a legitimidade social que granjeou e a credibilidade em que presumivelmente se assentava, os rumos da atividade profissional – menos por vontade de seus jornalistas e mais por imposição dos aspectos mercadológicos e ideológicos sobre o processo de produção jornalística – apontam a perda da crença de que a imprensa, como instituição da modernidade, tem algo ainda a ver com o esclarecimento público.

Exceções à regra

Os “dois pesos e duas medidas” na comparação Operação Lava Jato e Operação Zelotes atestam que, se havia ainda alguma vergonha em defender interesses pessoais, em defender o bolso dos empresários da comunicação, ela foi pelo ralo. Junto está indo o patrimônio moral de vários profissionais. Obviamente, não é possível generalizar, mas parte dos repórteres, colunistas, comentaristas e apresentadores incorporaram de tal forma a defesa de seu emprego e de seu patrão que é cada vez mais ilustrativa a charge de Henfil, publicada em 1989 na capa do livro Jornalistas pra quê? Os profissionais diante da ética, produzido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro. A imagem representava Cristo sendo crucificado e o soldado que o pregava na cruz se desculpando: “Eu tenho que sobreviver, entende?”

Pode-se sobreviver, mas o respeito vai se reduzindo a pó; pode-se defender o bolso do patrão, mas a legitimidade da atividade profissional se reduz à medida em que cresce a desconfiança com uma forma de fazer jornalismo em que fatos são o que menos importam, já que o lucro vem da audiência, da venda de outros produtos conexos e do valor de mercado informativo baseado na especulação e na escolha cirúrgica de determinadas fontes.

Se o mesmo critério jornalístico de cobertura da Operação Lava Jato fosse aplicado na Operação Zelotes, a repercussão seria outra e mostraria os danos da sonegação à saúde, à educação e à vida dos cidadãos, destacando o assalto aos cofres públicos e o sangramento do Estado a partir do lucro particular desonesto. Se o critério jornalístico, policial e jurídico fosse o mesmo, dirigentes do Banco Santander e do Grupo RBS estariam provavelmente na cadeia.

Ao analisar a mídia, o pesquisador holandês Teun Adrianus van Dijk já tinha constatado uma velha estratégia que se aplica ao cenário de cobertura jornalística atual a partir dos centros de decisão das empresas de mídia, pelo menos na Política e na Economia: “1) as virtudes dos amigos nós maximizamos; 2) as virtudes dos inimigos nós minimizamos; 3) os defeitos dos amigos nós minimizamos; 4) os defeitos dos inimigos nós maximizamos”.

A síntese de Teun van Dijk cabe tranquilamente em uma cobertura tendenciosa, de uma moral particular, de um cinismo exacerbado. Exceções, como a de Janio de Freitas, da Folha de S. Paulo, com sua honestidade e correção, confirmam a regra. Conta-se nos dedos, na grande mídia hegemônica (grandes empresas com rádio, tevê, jornal, revista e internet) os jornalistas que ainda apuram e informam com os requisitos éticos, técnicos e estéticos pelos quais a profissão obteve certo reconhecimento social.

Sem resposta

O cinismo, transformado em valor habitual, amplia a hipocrisia como valor universal. E ajuda a disseminar a má informação, a confusão informativa, a ideia de que jornalistas não servem senão para fazer propaganda travestida de jornalismo, e que, a despeito dos fatos, a angulação e a narrativa final são dadas pelos centros do poder econômico, pelas fontes beneficiárias de tal poder, pelos acionistas e pelos anunciantes. Há, com tal perspectiva, claros prejuízos ao esclarecimento público; aumentam os preconceitos e os estereótipos. E preconceitos e estereótipos são o suporte valorativo que dão margem ao linchamento moral generalizado e eventualmente físico.

O jornalismo como esclarecimento precisa se reinventar com novas fontes, novas abordagens, novos atores e novas narrativas. Ele parece passar à margem da grande mídia. E é aí que entra o Estado como protetor da Democracia. E, até agora, o Estado não consegue apostar no surgimento de novas mídias; não consegue investir em meios públicos e alternativos qualificados e em mídias menores mas mais honestas, ao invés de descarregar muito dinheiro em publicidade na grande mídia e despejar dinheiro público para socorrer poderosas mídias endividadas. O Estado, representado pelo governo eleito, não consegue responder aos ataques do jornalismo que tem a hipocrisia como critério de noticiabilidade e o cinismo como valor universal.

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Francisco José Castilhos Karam é professor da Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisador do objETHOS