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quinta-feira, 26 de abril de 2018

“O Processo”: Filme com F maiúsculo. Análise do crítico de cinema e advogado Filippo Pitanga


"A obra se torna, através de uma grande montagem dialética de dar orgulho ao saudoso Eisenstein, numa evidência jurídica das mais possantes do Golpe Parlamentar criminoso que está sendo cometido contra esse país."

Do site Justificando:

“O Processo”: Filme com F maiúsculo

Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

“O Processo”: Filme com F maiúsculo

Foto: Divulgação
Enfim chega ao Brasil um dos filmes mais aguardados de todos os tempos para o nosso povo, “O Processo” de Maria Augusta Ramos, aclamado no último68º Festival de Berlim e premiado com o terceiro lugar pelo voto popular, presente agora na programação do maior Festival de documentários da América Latina, o É Tudo Verdade, e em breve estreando no circuito comercial de salas de cinema no dia 17 de maio deste ano. E este que vos escreve esteve presente tanto na primeira exibição mundial do filme na Berlinale quanto em sua chegada no Brasil, com recepções ovacionadas em todos os espaços lotados. Não apenas por pessoas inteiradas da situação política do país, como também por leigos, vide o caso da exibição no exterior que contou com muitos alemães, turistas de outros países e mesmo realizadores da América Latina que também estavam competindo em Berlim e queriam conferir “O Processo”. A questão é que Maria Augusta e sua montadora Karen Akerman tiveram de traçar uma linha narrativa coerente e cronológica, com pungência o bastante para formar um longa-metragem, desbravando por todo o processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff em mais de 400 horas registradas por sua equipe (formada em sua maioria de mulheres, por sinal, o que fez toda a diferença para o ‘olhar opositivo’ contestador e crítico para o que se estava captando, como diria a pensadora bell hooks). Sem falar na disponibilidade quase infinita de acervo de arquivo, de jornais a canais televisivos como da TV Senado, ou mesmo de inúmeras outras equipes também filmando a política do país, para outros filmes concomitantes ou outros trabalhos… Dezenas de câmeras todos os dias por vários ângulos numa narrativa que até agora só havia sido contada pelos “vencedores”… ou deveria se dizer: “golpistas”? Ou mesmo “usurpadores”? Então, o que estaria se perdendo entre tantas imagens que talvez não deixassem um ângulo escapar sob tantos olhares?
Estamos vivendo uma disputa de narrativas. Isto é um fato. Porém, acrescenta-se a isto que não se trata de uma disputa justa. Por um bom tempo andamos sendo expostos ao “perigo da história única”, parafraseando a máxima bastante pertinente da escritora africana Chimamanda Ngozi Adichie. As grandes redes de comunicação, impressas e televisivas, receberam muitos incentivos dos últimos governos democráticos que priorizaram acesso à informação e liberdade investigativa, mas as mesmas redes não devolveram absolutamente nenhuma responsabilidade inerente a estas informações prestadas. Como se fossem aquele tipo de documentarista que filma a fome e a pobreza, polui o ambiente ao redor dos documentados, afeta o meio, consome os mesmos recursos que ali estão em jogo, e depois vai embora sem se preocupar no valor da imagem captada e do seu uso potencialmente transformador. Contanto que lucre com a ultraexposição e a coisificação do que antes eram sujeitos de direito — ora transformados em produtos. Produtos na vitrine. Vitrines isoladas. Um produto não pode contaminar o outro, como carnes expostas, pois possuem valores diferentes, de acordo com o quão difícil foi pagar o fornecedor e o abatedouro, e, como estamos lidando com carne humana…alguém teve de se tornar a caça e outrem o caçador. Foi assim que foram feitos negócios lucrativos pelo monopólio da imagem, e que vem sendo tratada como imagem única, sem mostrar os outros lados espelhados desta vitrine de consumo instantâneo e descartável.
A primeira prova cabal desta inversão de valores no filme “O Processo” já começa com a filmagem do fatídico dia da votação da Câmara dos Deputados pelo acolhimento ou não do Impeachment… E que dia!

Marcado a ferro e fogo na memória dos brasileiros que, mesmo diante da ciência da disputa de narrativas ocorrendo ali e ante quem registrava e transmitia as imagens, independente de “lados”, direita ou esquerda, todos ficaram impressionados com a virulência e deturpação da matéria tratada através de discursos dos mais ensandecidos. Discursos feitos, aliás, pelos mesmos agentes políticos que deveriam representar todas as regiões desta Nação… Um horror dantesco. Pessoas votando em nome do Estado de Israel (ou seja, por outra nação que não a nossa), por valores puros e “contra a corrupção” (estas mesmas pessoas que foram indiciadas por corrupção em seus respectivos estados no dia seguinte, e seus votos sequer foram invalidados!). Ou, pior ainda, votando em nome da aclamação de torturadores e da Ditadura Militar! Ou seja, defendiam a democracia em nome de algo que a retira e cancela das mãos do povo. E tudo isso é dolorosamente revivido no filme de Maria Augusta Ramos. Então como ela alcançou algo tão catártico e inovador a partir de uma história aparentemente já conhecida e saturada? Qual foi o tratamento da imagem e o ordenamento lógico que conseguiriam enxugar as gorduras daquilo que foi tão manipulado, de modo a encontrar a essência inalterada, separando o joio do trigo, para olhos tão cansados ou marejados dos espectadores até então impotentes?
Logo no primeiríssimo plano de “O Processo”, a câmera vai se aproximando em silêncio sepulcral de um magnânimo quadro aberto do vasto corredor da Praça dos Três Poderes, na direção do Congresso Nacional, onde três fileiras se estendem de forma quase indistinta e murada, somente separadas por borrões de cores: um terço vermelho e a outra terça parte verde e amarela, sendo o vão do meio completamente vazio com a estática das tensões contrapostas. E talvez seja nesta lacuna entre dois extremos em que iremos encontrar as maiores informações que, de outra forma, poderia se deixar passar despercebidas historicamente… ou seja, iremos falar sobre o que está entre os quadros do filme.
“O Processo” irá se destilar por uma montagem dialética de planos e contra-planos que passam a traduzir a disputa de narrativas que se instalou na separação de um país, onde até então havia se priorizado os relatos de apenas um dos lados nas principais mídias de (des)informação. Um esmagamento ao direito de se ter uma oposição, parte intrínseca da política, em geral representando a mão-de-obra trabalhadora brasileira, tratada de forma não proporcional a seu merecimento e pisoteada pela hierarquia de poder unilateral, hegemônica e elitista.
A montagem prossegue e o som volta a se impor, como única âncora de coerência em espaços de loucura entre os planos onde ninguém escuta a razão, mesmo quando bradada de forma tão lúcida por alguns que ainda ousam se erguer ante a violência imagética indiscriminada. Ser obrigado a adjetivar com a palavra ‘loucura’ um dos lugares onde se decide o destino de uma nação é inclusive um absurdo de se cogitar, mas o que não é exatamente loucura calculada senão tentar calar a dialética com a qual se almeja chegar a algum nível de racionalidade? A política brasileira anda sendo feita na base do sufocamento da palavra e imposição de silenciamentos e pontos de surdez seletivos, e o que é política da Polis, das cidades, da sociedade, senão justamente ‘Palavra’ colocada em exercício compartilhado? Palavra é diálogo, é dialética, e temos hoje em dia uma via única de ordens em contraposição à obediência, sob risco de considerar quaisquer diferenças como um erro a ser penalizado, o que se traduz como sinônimo de uma ditadura. Este silenciamento de defesa é a maior significação da poderosa e evidente simbologia que o filme adota com o título homônimo ao livro de Franz Kafka, onde o protagonista é alvo de um processo e condenado à morte sem jamais saber do que está sendo acusado, e, portanto, não possuindo defesa. E isto é verbalizado até explicitamente quando o senador Lindbergh Farias chama a ex-presidenta de ‘Dilma Joseph K.’, nome do personagem principal do livro. O óbvio precisa ser enunciado, para limpar os ouvidos.
E o som deste filme, realizado por Marta Lopes, é tão importante que invade através do extra-campo, vai além, como real linha cronológica narrativa, libertando a dialética e curando a política padecida pela unilateralidade que a aprisionou e condicionou através das mídias jornalísticas tendenciosas por tempo demais. Também ousa na forma como, por exemplo, na maneira que a câmera se ajeita às vezes para reenquadrar personagens, de acordo com o ânimus dos sujeitos, todos participantes deste processo já decidido e imposto como um circo pelos acusadores, desafiando o conteúdo retratado que fora da bolha do filme não permitiria o reenquadramento de seus agentes afixados. Um bom exemplo disto são as cenas de transição, com respiros entre acusações do julgamento, como nos encontros oblíquos de personagens recorrentes do naipe dos Senadores Raimundo Lira e Antonio Anastasia, membros da Comissão de Impeachment, abraçados com participações especiais tipo Romero Jucá, alguns dias antes do vazamento do áudio em que este assume acordo junto ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machadopara “estancar a sangria” através do controle do STF.

A obra se torna, através de uma grande montagem dialética de dar orgulho ao saudoso Eisenstein, numa evidência jurídica das mais possantes do Golpe Parlamentar criminoso que está sendo cometido contra esse país.

“O Processo”, como uma obra cultural resultante da participação de quem o realizou e de quem o assiste, torna-se ele próprio testemunha ocular e prova da nulidade do processo em si a que retrata. Um filme-evidência, que talvez chegue tarde para voltar atrás o relógio dos efeitos processuais, mas não para o tempo de uma Nação. Sem falar que o faz sem parecer um fardo imposto como remédio goela abaixo de uma criança, apenas porque é obrigada a aceitar o que lhe faz bem. Pois o trabalho de Maria Augusta Ramos possui um intenso carisma e até mesmo pequenas doses de humor, surpreendentes para tema tão pesado para o país. Muito por causa dos momentos de respiro que a câmera se permite entre uma cena e outra, especialmente para mostrar a reação de um ou outro personagem à fala de terceiros (como a sobrancelha levantada da senadora Gleisi Hoffmann em incredulidade às ilações de Janaína Paschoal). Ou mesmo nos momentos de ócio, onde mostra que todos ali são humanos, feitos igualmente com qualidades e fraquezas. — o que aproxima o espectador dos personagens e agrega um tom de ironia à montagem de Karen Akerman, sem nunca faltar ao respeito com os envolvidos.
Apesar de ser um filme verborrágico, focado em debates e reflexões orais, porém prescindindo de depoimentos diretos para a tela, e sim como uma câmera observacional (às vezes, mais de uma) que naturaliza aqueles ao redor e seleciona o que irá iluminar para seguir uma coerência narrativa, o curioso é que o roteiro fala ainda mais através de seus silêncios; das não-respostas a perguntas óbvias. Como pelo exemplo do rosto engessado e amorfo no cinismo conivente do Senador Anastasia; ou do sorrisinho insolente de Eduardo Cunhaque rejeita interpelações pertinentes e incisivas quando se vê acuado, pois sabe que nada pode ser dito para mudar a realidade dos fatos quando se tornam evidentes em suas rugas de expressão. Há sim momentos de revelações extremamente diretas, como alguns dos protagonizados por outro dos personagens centrais, o senador Lindbergh Farias, que em vários momentos precisa ser um cortador de gelo a singrar contra o bullying de politicagem midiática que parece ter criminalizado o Partido dos Trabalhadores como um todo, simplesmente por respirar de forma diferente aos interesses hegemônicos. Mas é justamente no absurdo das acusações tão facilmente refutadas que as idiossincrasias da injustiça no Impeachment se revelam ainda mais, especialmente pelo abismo desproporcional entre as concessões legais em detrimento dos direitos de Dilma. Na verdade, é até curiosa a ambivalência oposta do comportamento de Lindbergh e a senadora Gleisi Hoffmann, os dois principais responsáveis pela defesa da ex-presidenta ao menos na edição do filme, que opõe de forma interessante as questões de gênero no Senado em relação à misoginia dos acusadores e a inversão de papéis da defesa, onde Gleisi permanecia impassível enquanto seu colega era obrigado a adotar as posturas mais enérgicas. Existe todo um tratado antropológico acontecendo ali dentro que reflete as mesmas injustiças a pesar sobre o povo na ascensão deste conservadorismo fascista.
O tempo é outro aspecto interessante de estudos na dinâmica cinematográfica trazida em “O Processo” por Maria Augusta Ramos. Há a passagem de dias e meses e ano. Não apenas pelas cartelas de datas mais importantes, como no dia da infame e vergonhosa votação da Câmara dos Deputados, ou do acolhimento do pedido de Impeachment ou do depoimento de Dilma ao Senado… Mas pelos pequenos detalhes captados pelo corpo popular através dos olhos da lente das várias câmeras, e revelados com minúcias intimistas na edição sucessiva de imagens temporais: como a ferida, provavelmente ao fazer a barba, do advogado de defesa no Impeachment José Eduardo Cardozo, ou os tons do cabelo da impávida senadora Gleisi, pequenas transformações pelo desgaste da passagem do processo como um trator impiedoso. — Tanto pela quantidade de tempo decorrido em tela para cada fase dos argumentos, quanto pelo estresse decorrente de jogar um jogo de cartas marcadas, com extrema segurança da condução do suspense como num thriller político. — Aliás, demonstra, conforme o processo se afunila, e vira determinismo fatalista kantiano e unilateral de uma Lei hierarquizada pelo poder, que cada vez mais a imprensa vai se fazendo presente nas arestas até chegar no eixo central do quadro…, bem como o uso da palavra ‘polícia’ passa a se intensificar, desvelando a verdadeira força draconiana metaforicamente por trás de tudo, como uma ameaça constante de tomada de poder caso algo saísse fora do planejado (como visto recentemente de novo quando do julgamento do habeascorpus de Lula pelo STF, onde generais ameaçaram um golpe militar, caso o ex-presidente não fosse preso).
Por falar na senadora Gleisi Hoffmann, parte indispensável da defesa da Presidenta Dilma Rousseff, não é à toa que uma equipe deste filme predominantemente composta por mulheres refletiria na tela o protagonismo feminino das participantes do processo. De Gleisi a Fátima Bezerra a Vanessa Grazziotin, a tantas outras mulheres nos bastidores misóginos do Impeachment, de modo que até mesmo a acusação do outro lado do julgamento também é prestigiada com uma personagem feminina realçada: Janaína Paschoal. A equipe de produção de Maria Augusta Ramos procurou autorização de todos os envolvidos dos dois lados do processo para tentar acompanhar cada lado da história, porém, curiosamente, a única a dar acesso bastante amplo e autorizar o uso das imagens foi a controversa Janaína, que, mesmo parecendo o alívio cômico do filme por seu histrionismo e gestos pantomímicos impensados, parece levar a si própria muito a sério. Quase como se estivesse ela mesma fazendo campanha através destas imagens, como em duas cenas cruciais onde se autodenuncia filiando sua lealdade a momentos de moral duvidosa. Acontece que esta não deixa de ser a perfeita metáfora de todo o caso: um absurdo que parecia impossível e gerava risos à mera menção, e que de repente se levou a sério o bastante para se concretizar além de qualquer ponto de retorno.
A clareza com que os fatos e direitos são dispostos deixam de forma inequívoca o quanto o absurdo se tornou a nova referência de normalidade, mesmo diante da tranquilidade com que personagens como Gleisi manteve para refutar cada ataque deliberado contra Dilma, contra o PT ou mesmo até contra sua própria vida pessoal — Pois uma espécie de toxicidade se espalha como lepra a todos que tentam sequer erguer a lei em defesa do que se tornou um inconveniente que a coligação corrupta do governo, com nomes como os do Lava Jato, não queriam permitir que fugisse ao controle deles. Simples assim, como o áudio vazado de Romero Jucá. Para haver impunidade para poderosos de partidos cujo interesse estava no mesmo sentido, como PSDB e PMDB, há de citar como exemplos, eles precisavam retomar o governo para estancar a sangria da hemorragia deles. Deter as investigações da Lava Jato.
E tudo isto ordenado de forma simples, e sem o glacê sensacionalista em que as principais mídias se tornaram, consegue transmitir de forma transparente quais foram os reais interesses por detrás. Uma lenta e longa manipulação para que nem o povo com toda sua potência coletiva pudesse se opor, já anestesiado por tantas fake news e pautas bombas. Ninguém mais sabe o que era verdade e o que não era, e passou a ser alvo fácil para informações expressas sem fundamento. Por isso o advogado José Eduardo Cardozo em determinado momento fala que eles não tinham pressa na defesa, porque qualquer delação premiada ou novo vazamento de informações só iriam queimar mais ainda os próprios mandantes do Impeachment, que são aqueles a querer tanta pressa.
Por sinal, em parte é por esta mesma razão que o presente texto também não se precipitou a discorrer sobre a personagem principal, que deveria ser a mais citada nesta resenha, e não o é: Dilma Rousseff. Assim como no próprio filme ela é a mola motora que a tudo move, está no subtexto de tudo, mas também não tem sua imagem desgastada. E isso se dá por uma razão consciente: como já supracitado, o PT, Dilma, Lula e etc já sofreram consecutivas desconstruções vexatórias de forma seletiva e imposta pelas grandes mídias, num processo lento e longo de desarme da governabilidade e do modusoperandi de políticas públicas assistencialistas, que não serviam aos interesses do Capital, mas ajudou muita gente grata até hoje. À conta disso, eles foram praticamente demonizados para outra parcela da população que não tenha usado de senso crítico a discernir uma enxurrada de placebos prometidos a curar esta suposta crise econômica privativa do Brasil, quando na verdade foi a pior crise mundial desde a quebra da bolsa de 1929 nos EUA.
A ex-presidenta aparece em momentos de calmaria, entre inúmeras batalhas travadas, para não apenas poupá-la até a última parte do filme, com o depoimento que violenta terrivelmente sua pessoa para o Senado, bem como para dar chance de humanizar uma figura a quem nunca foi dado tempo de se conhecer melhor. Não pensem os detratores políticos que “O Processo” se escora numa chapa branca à conta disso, pois, muito pelo contrário, alguns dos melhores momentos são justamente os de admissão de mea culpa por parte dos erros cometidos para deixar chegar nesse estado de divisão de um país (como os momentos de lucidez esfuziante de Gleisi sobre o feminismo da juventude e de Gilberto Carvalho sobre a perda da comunicação do PT com o povo de quem ele se originou).
Afinal, é o povo quem enquadra e ancora todas as passagens do filme, não apenas na cena inicial e final, de impactos equivalentes, bem como em sutis presenças, como no mar de rosas para Dilma no início; nos cânticos de guerra intermitentes; no rapaz da selfie com Dilma vestindo a camisa LGBTQ; ou a senhora com a camisa do MST tentando furar a corrente de seguranças para dar apoio à sua presidenta. Até mesmo no fato de o braço direito de Cardozo, Gabriel, ser um profissional negro – o único membro negro em meio a todo o julgamento da Comissão de Impeachment. Em outras palavras, é a representatividade das pessoas que importa.
O documentário “O Processo” é isso. É palavra, é tempo. É documento. É Filme com F maiúsculo, pois, mesmo que se tratasse de uma ficção, consegue alcançar um nível de ritmo e roteiro dignos de figurar dentre os melhores filmes do ano desde já. Ainda mais para o cinema brasileiro, que em geral é tratado injustamente como primo pobre frente o cinema americano de importação, visto que quase nenhum de nossos filmes atrai a atenção local e mundial com tanta repercussão como “O Processo” atraiu este ano. Já viralizou discussões na internet e enfileirou quilômetros de pessoas por horas a fio na porta dos cinemas, como no recente Festival É Tudo Verdade. E isto tudo com uma produção independente que não teve qualquer suporte do governo (mesmo lembrando que incentivo à cultura e ao cinema é direito fundamental na Constituição Federal). A obra acaba construindo uma narrativa tão impressionante com a sucessão de diálogos registrados num espaço de tantos meses de história real condensada em 2h20min que a proximidade ficta dada pela edição nos faz sentir dentro do julgamento, sentindo os dois lados. E, ao mesmo tempo, faz com que recebamos a transferência psicanalítica na pele. Uma empatia de nos colocar no lugar do outro de que quaisquer quebras de direito ou formas de torcer a lei, no pseudo intuito de fazer o fim justificar os meios, sempre irá arrebentar para o lado mais fraco da corrente. Ou seja, se eles fizeram isso com os ex-presidentes Dilma e Lula, não apenas se abre precedentes e jurisprudências contra os réus em geral, como amplia o punitivismo cego e não sociabilizante contra as camadas mais pobres e leigas do Brasil, que não podem arcar com uma defesa melhor, e mais facilmente cairão na vala comum dos precedentes abertos. Mas o filme decerto se tornará uma das maiores defesas democráticas dos nossos tempos, contanto que o povo saiba usá-la bem.
Filippo Pitanga é Jornalista e Advogado. Membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro – ACCR. Professor na Academia Internacional de Cinema – AIC-RJ, curador de Cineclubes no Estação Net de Cinema e Editor-chefe do Almanaque Virtual

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

De um Juiz realmente digno sobre o filme partidário da Lava Jato: "Se o filme fosse sobre algum processo que eu já tive em minhas mãos, ninguém iria sorrir, nem eu, nem ninguém."




Jornal GGN - O juiz do Amazonas Luís Carlos Valois publicou um comentário nas redes sociais criticando a postura da plateia que assistiu ao filme sobre a operação Lava Jato, incluindo os juízes Sergio Moro e Marcelo Bretas, que aparecem sorrindo e comendo pipoca na sessão de pré-estreia. Segundo Valois, nenhum filme que retrate com fidelidade a justiça penal brasileira arranca sorrisos em salas de cinema. Pelo contrário: a realidade dá nojo e faz querer chorar.
"Não importa se a atuação da justiça penal pode ser transformada em algo plasticamente belo, o que já é uma deturpação da verdade, a justiça penal é triste, deve ser triste, para o bem da sociedade e da possibilidade de se manter são", disse o juiz.
Valois ficou conhecido nacionalmente no início deste ano, quando uma rebelião em uma penitenciária no Amazonas provocou a morte de dezenas de detentos. Em meio à crise, ele, considerado um juiz com visão humanitária, foi convocado para ajudar na negociação.
Por Luís Carlos Valois
"Se o filme fosse sobre algum processo que eu já tive em minhas mãos, ninguém iria sorrir, nem eu, nem ninguém. Talvez fosse um filme de drama, talvez um de suspense, podia até ser um de terror, mas nenhum com a capacidade de se fazer sorrir comendo pipoca. Poderia fazer chorar, fazer virar a cara, dar nojo e até dar vontade de sair do cinema, mas nunca fazer sorrir. A justiça penal verdadeira não devia ser local, motivo, de alegria, mas de tristeza sempre, porque, quando age, age demonstrando o quanto falhamos como sociedade. Não importa se a atuação da justiça penal pode ser transformada em algo plasticamente belo, o que já é uma deturpação da verdade, a justiça penal é triste, deve ser triste, para o bem da sociedade e da possibilidade de se manter são. Eu não vi esse filme, mas se ele é sobre justiça penal, polícia e prisão, e causa essa alegria toda, eu não vou ver..."

domingo, 5 de março de 2017

Sobre o filme "O Invasor Americano", de Michael Moore







Texto de Carlos Antonio Fragoso Guimarães


 Sim, 2016 foi um ano horrível. Mas isto não quer dizer que foi um ano em que a imbecilidade venceu todas. No cinema - apesar de todo o boicote de uma mídia golpista e golpeadora - vimos filmes excelentes, como SNOWDEN, de Oliver Stone, e o nosso AQUÁRIOS, de Kléber Mendonça FIlho com o brilhantismo de Sônia Braga em uma história de resistência contra a opressão do poder econômico (por sinal, os dois filmes foram boicotados pelos envolvidos no Golpe de 2016 no Brasil, especialmente a cínica "grande mídia")... E que chamou parte da atenção do mundo sobre o Golpe Midiático-Parlamentar-Jurídico de 2016...

 Mas não apenas estes chegaram a nossas vistas - ou, ao menos, aos interessados pelo cinema de conteúdo e de crítica social. Depois de seis anos desde seu último trabalho, Capitalismo, uma história de amor, o cineasta Michael Moore, de Tiros em Columbine, Farenheit 11 de setembro, Roger e Eu e SIKO - $O$ Saúde (todos excelentes e indispensáveis a quem quer se inteirar dos motivos pelos quais o mundo hoje está como está), mais uma vez apresentou um trabalho radiográfico sobre os desmandos do Grande Irmão do Norte, ou melhor, de seu governo, controlado pelos interesses do deus-Mercado.

  Em "Where to Invade Next"  (literalmente "Onde Vamos Invadir Agora"),  de 2015 - que por aqui também apareceu com o titulo "O Invasor Americano" (e com este título pode ser assistido no Netflix, que, aliás, Temer pode acabar à mando da Globo)- Moore é o "invasor" americano que vai visitando diversos países para ver como estes tratam de questões como educação, saúde, universidades gratuitas, etc - países como Itália, França, Finlândia, Eslovênia, Alemanha, Portugal, etc.,  em que se valoriza o trabalho, se tem 13 terceiro salário, 35 dias de férias remuneradas, de uma a duas horas para o almoço, boa assistência à saúde, licença maternidade, aposentadoria garantida e todos defendem estas coisas, inclusive os empresários (o que estamos fazendo no Brasil dos golpistas e coxinhas?). Moore constata tudo isso e compara-os com o sistema dominante americano e sua mentalidade mecanicista-taylorista-fordista "time is money" onde a preocupação com o humano é entendida pelos donos do poder como prejuízo, o que faz o sistema neoliberal rejeitar e atacar o modo como os outros tratam destes temas de bem-estar social e valorização das pessoas, sem querer ver que estes países não deixaram de crescer e de lucrar com isto. Fica patente que a principal vítima do sistema "empresarial" imposto pelo neoliberalismo no governo americano é a sua própria população, e Moore sabe como deixar isso bem patente, de forma humorada e, ao mesmo tempo, séria... E é este modelo americano, onde uma nova forma de escravidão se impõe, que os golpistas querem para o Brasil.

   Moore também não deixa de alfinetar o imperialismo e a indústria da Guerra capitaneada pelo lucrativo mercado da violência e das invasões a pretexto de... manter a Democracia! Infelizmente, este trabalho não será apreciado por todos, em especial pelos que se deixam simplesmente moldar pelo que fala ou manda a chamada "grande mídia" empresarial... O midiota aceita tudo o que vem da mídia empresarial e não se dá ao trabalho de questionar ou aprender com outras culturas e com a História.

  Deixo ao leitor, agora, o link para o filme esperando que tire suas próprias conclusões sobre a obra...




quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Sobre o filme SNOWDEN, de Oliver Stone, por Carlos Antonio Fragoso Guimarães



Carlos Antonio Fragoso Guimarães

  Oliver Stone, cineasta americano, com seu novo filme, SNOWDEN - que no Brasil, devido ao poder mesmérico de uma "grande mídia" comprometida com a Direita mais infame e sua americanofilia, tem o subtítulo de "Herói ou Traidor?", querendo agradar não aos esclarecidos que conhecem a história da espionagem americana, mas aos zumbis paneleiros vestidos com a camisa da CBF - retoma de uma só vez sua veia crítica e seu talento de contar uma história real de forma envolvente e reflexiva, como já o fizera em seus filmes Platoon, Nascido em 4 de julho, Wall Street e em seus documentários Comandante e Ao Sul da Fronteira.

  Ao lado do igualmente genial cineasta político franco-helênico Costa Gravas e do documentarista americano Michael Moore, Oliver Stone tem sido um dos mais brilhantes divulgadores de um pensamento crítico sobre a política e formas de modelação de mentalidades por parte do governo americano e sua elite econômica (vide Platoon e Wall Street). Agora, ele traz às telas em um momento conturbado da história mundial os acontecimentos envolvendo a vida de Edward Snowden e a sua luta para esclarecer o mundo dos meios usados pelos Estados Unidos para espionar e sabotar a tudo e a todos. Para nós brasileiros - ao menos os ainda capazes de refletir e pensar os fatos sem a lavagem cerebral da Globo, Veja, Folha e similares -, a cena em que a voracidade de espionar e interferir no mundo é apresentada usando-se imagens da Petrobrás e de Dilma Rousseff é, ao mesmo tempo, reveladora e consoladora: mostra a um só tempo o jogo político e geopolpitico dos EUA sobre governos e empresas por eles considerados impróprios aos seus interesses. Mas o filme vai ainda além mostrando que todos, sem exceção, podem ser - e são - objetos de espionagem e fichamento. Ninguém escapa. A revelação de Snwden dos grampos americanos repercutiu no mundo inteiro, ainda que os EUA tenham feito todo o possível para minimizar a importância do fato.

  Lembremos que um dos principais responsáveis pela divulgação dos grampos americanos a partir da coragem de Snowden, o jornalista e prêmio Pulitzer Glenn Greenwald - retratado no filme pelo ator Zachary Quinto - mora no Brasil e tem sido uma das vozes mais claras a repercutir no mundo o Golpe da Direita Casa Grande, capitaneado pela Fiesp, Globo e forças internacionais, tendo possibilitado a versão em português do jornal The Intercept com váriios argtigos sobre o golpe e as maldades de Temer e Cia. Greenwald possibilitou que o mundo inteiro soubesse das táticas e métodos de espionagem da NSA e fez de Snowden um nome reconhecido internacionalmente.

  O filme em si é um trabalho primoroso, com roteiro muito bem escrito e ritmo preciso, envolvente. Começa com o primeiro encontro entre Snowden (Joseph Gordon-Levitt) , Greenwald e Laura Poitras (interpretado por Melissa Leo) em Hong Kong e vai, por meio de Flhasbacks, reconstruindo a historia do joven Snowden, seu acesso á CIA e ao NSA, seu despertar ante às arrogâncias e hipocrisia do imperialismo americano, seu relacionamento com a namorada e ativista Lindsay Mills (interpretado por Shailene Woodley), relacionamento, aliás, que possibilitou a decisão de Snowden de se arriscar ao divulgar o que sabia, com documentos que conseguiu salvar (numa cena de tirar o fôlego. Veja o trailer abaixo).

  Ao contrário dos filmes "padrão" de Hollywood, SNOWDEN - que praticamente se fez com a ajuda de produtras menos conhecidas, mas de uma qualidade muito superior a dos estúdios famosos - é um filme não apenas crítico e que faz pensar, mas uma obra de arte com profundidade, riqueza e que contribui para, ao menos por umas poucas horas, pensar no nosso papel e na História... Seremos nós a faze-la ou nos deixaremos ser vítimas dela, a partir do poder de alguns poucos?


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Aquarius, um filme-denúncia atual e uma fresta para o futuro


Kleber Mendonça abre, em praça pública, a estrutura apodrecida de um certo Brasil. É filme de resistência e mudança — uma tempestade que a Casa Grande fez de tudo para evitar, mas está prestes a cair
160906-Sandra2
Por Cristina Martins Tavelin, no Outras Palavras
Em algumas passagens da História, a escuridão é tão densa que mal se pode imaginar uma brecha por onde entre luz. Apenas quando a estrutura já podre apresenta, na superfície, os sinais da destruição plantada há tempos, é que finalmente o primeiro raio atravessa o presente para ressignificar o passado e apontar o futuro.
Com Aquarius, Kleber Mendonça Filho vem com um machado para abrir, em praça pública, a estrutura já oca de uma certa História do Brasil. Não à toa, o final desse filme leva o espectador a uma espécie de êxtase inominável. Algumas obras antecedem novas conjunturas que ainda não podem ser traduzidas em palavras, e Aquarius carrega consigo essa marca do que está por vir.
Construído em três capítulos, trata de uma memória palpável e viva. O início, no ano de 1980, traz as cores, as dores e um resto de esperança herdada dos anos 70. Família reunida, crianças brincando no quintal e a jovem protagonista Clara que acaba de atravessar um câncer constroem esse primeiro momento — com uma fotografia notável –, o qual servirá de base e contraste para as passagens seguintes.
Anos depois, no mesmo apartamento do prédio Aquarius, a jornalista Clara explica o porquê gosta de colecionar discos de vinil: eles contam uma história, assim como as fotografias tão táteis e presentes durante o longa. Também aí se inicia a insistência para a venda do apartamento por parte dos emissários de uma construtora.
Quando percebe, Clara já está imersa em uma disputa diária com esse inimigo sem rosto, o qual instala-se no apartamento de cima, dá festas, passa a rondar a sua vida e falar com os seus filhos. Assim como as sociedades anônimas não têm uma identidade específica no fluxo do capital, o inimigo de Clara não tem corpo ou face.
A questão do corpo se apresenta de forma mais evidente em outra passagem. A rejeição sofrida pelo parceiro após o baile reduz à insignificância a história da personagem, onde as cicatrizes são vistas apenas como indícios de uma ausência. Sobre o corpo de Clara, vale ainda ressaltar outro detalhe: a forma como usufrui do prazer do sexo.
Ao analisar a moral cristã em História da Sexualidade, Foucault aponta seu cerne na ideia de que “a carne é a subjetividade do corpo” e precisa ser controlada no caminho para a salvação. O poder pastoral se realizou por meio dessa subjetividade. Clara vai em oposição a essa moral, à obediência enraizada que define até hoje a política como uma relação de submissão.
Um dos emissários da construtora, Diego — formado nos Estados Unidos, racista, meritocrático até o osso — está inserido nos negócios por ser neto de uma pessoa influente, o que traduz muito bem a forma como as relações de poder se dão no Brasil. Esse mesmo tema perpassa O Som ao Redor, mas agora com um toque possivelmente mais “moderno” ao ter uma grande empresa por trás. Impossível não lembrar do episódio de Fausto, em Goethe, quando a modernidade esmaga o casal de idosos sem nenhum remorso ao passar por cima de sua casa.
De O Som ao Redor, Aquarius também traz uma Recife em transformação, onde a nova estética se assenta às custas da memória. A cicatriz urbana se instala em edifícios de alto padrão e condomínios cercados por medo.
Os insetos, os emissários da construtora, a curiosidade e a angústia causadas pelo enigma dos apartamentos de cima: pontos que remetem brevemente à tensão das obras de Kafka, onde o protagonista nem ao menos consegue entender o que se passa, mas entra no fluxo dos acontecimentos. Também de Kafka pode-se trazer a ênfase nos gestos, em mãos que tateiam o nada ou deslizam junto ao véu fantasmagórico despencando do edifício.
De todos os méritos de Aquarius, talvez o maior seja o de não se submeter a nada. Pelo contrário, uma mulher forte — um devir feminino — encara essa rede indefinida para manter a própria sanidade. A única alternativa é o enfrentamento, pois algumas estruturas não têm mais salvação. Assim fica mais simples entender o êxtase coletivo ao final da exibição. Aquarius é um filme de resistência e de mudança — uma tempestade que a Casa Grande fez de tudo para evitar, mas que está prestes a cair.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A aula de história de Sônia Braga ao atual e golpista ministro da Cultura


Atual ministro da Cultura, Marcelo Calero definiu o protesto de Sonia Braga e do elenco do filme Aquarius no tapete vermelho do Festival de Cannes como “quase infantil”. A veterana atriz rebateu a crítica com uma aula de história

Sonia Braga Marcelo Calero cultura
A atriz Sônia Braga e Marcelo Calero, atual ministro da Cultura de Michel Temer

Do Pragmatismo Político:

A atriz Sônia Braga, estrela do filme Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, rebateu as críticas do atual ministro da Cultura, Marcelo Calero, que definiu o protesto de elenco e equipe do filme no tapete vermelho do Festival de Cannes como “quase infantil”.
A veterana estrela do cinema respondeu a crítica com uma ‘aula de história’.
E tom professoral, Sônia resgata informações sobre a criação da Lei que regulamenta a profissão de artista no Brasil, promulgada em 1978; recorda seu papel de destaque na história do cinema brasileiro e declara que a ofensa do ministro aos artistas brasileiros “é inadmissível”.
No Facebook, a atriz escreveu: “O Ministro da Cultura ofendendo artistas é inadmissível. O senhor está nesse cargo para dialogar, para nos ajudar, para fazer a ponte com quem nos explora”. Ela cita ainda a luta para a conquista de melhores condições para os atores nacionais, lembrando que foi a maior estrela do cinema nacional nos anos 1970 e 1980, chegando a divulgar filmes no exterior.
“Naquela época, acredito, o senhor Marcelo ainda não havia nascido. Por isso, não deve ainda ter tido tempo de aprender sobre os nossos problemas e os nossos direitos. E pouco se importou, ou não notou, que uma atriz brasileira era campeã de bilheteria do cinema brasileiro e sustentou este título por 30 anos – também ganhando, com filmes brasileiros, além de projeção internacional, muitos prêmios no exterior, promovendo assim o nome de Brasil e de nossa cultura”, diz Sônia.
O diretor Kleber Mendonça também se pronunciou via Facebook. Ele compartilhou uma notícia do New York Times que dava “medalha de ouro da corrupção” ao presidente interino Michel Temer. “Talvez isso aqui redefina sua noção de o nosso país passar vergonha internacionalmente”, escreveu.

Entenda o caso

Durante o Festival de Cannes, realizado em maio, o cineasta Kleber Mendonça, a atriz Sonia Braga, Maeve Jinkings e outros integrantes do filme Aquarius exibiram cartazes com dizeres do tipo: “54 milhões de votos foram queimados”; “Nós resistiremos” e “O povo não pode aceitar um governo ilegítimo”.
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Maeve Jinkingls: Temer, o cínico golpista, tenta sabotar o filme Aquarius

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“Este governo tem dado todos os indicativos de que quer sabotar a trajetória do filme. Ao mesmo tempo, a comunidade cinematográfica tem se unido para resistir”, disse a atriz Maeve Jinkings, uma das primeiras a denunciar o golpe de estado no Brasil, durante o festival de Cannes, à jornalista Sonia Racy

247 – Uma das estrelas do filme Aquarius, a atriz Maeve Jinkings acusa o governo provisório de tentar sabotar o filme, segundo informa acolunista Sônia Racy:
“Este governo tem dado todos os indicativos de que quer sabotar a trajetória do filme. Ao mesmo tempo, a comunidade cinematográfica tem se unido para resistir”, afirmou à coluna.A atriz se comoveu, por exemplo, com a atitude de Gabriel Mascaro – que decidiu não submeter seu longa, Boi Neon, à comissão que indica o representante nacional ao Oscar, em solidariedade aos colegas de Aquarius.