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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Lava Jato: Sucessor de Moro na 13ª Vara conta, Eduardo Appio os bastidores podres e criminosos da operação

 

Do Canal da Carta Capital no Youtube:

O juiz Eduardo Appio ganhou os holofotes em sua breve passagem pela 13ª Vara Federal de Curitiba - a Vara da Lava Jato - em 2023. Em cerca de três meses, retirou do armário alguns esqueletos da operação e lançou nova luz sobre casos nebulosos, como as acusações do advogado Rodrigo Tacla Durán e o grampo ilegal na cela do doleiro Alberto Youssef. Foi fundamental, também, para o Conselho Nacional de Justiça iniciar uma investigação na 13ª Vara e no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, responsável pelos processos da Lava Jato na segunda instância. O material, que apontou uma "gestão caótica" do dinheiro de acordos de leniência, já está no Supremo Tribunal Federal. O juiz é o protagonista do recém-lançado livro "Tudo por dinheiro: a ganância da Lava Jato segundo Eduardo Appio" que concedeu, nesta sexta-feira 4, uma entrevista ao vivo ao canal de CartaCapital. Assista!




terça-feira, 1 de outubro de 2024

ENTREVISTA: Eduardo Appio revela bastidores da 13ª Vara e lembra esqueletos podres no armário de Sergio Moro

 

Em primeira entrevista ao GGN após ser afastado da Lava Jato, Appio narra detalhes da batalha que enfrentou tentando abrir a caixa de pandora


Do Jornal GGN:

Em primeira entrevista ao jornalista Luis Nassif desde sua ascensão e queda da 13ª Vara Federal de Curitiba, o juiz federal Eduardo Appio revelou detalhes dos batidores da batalha para tentar passar um pente-fino na Operação Lava Jato.

Appio foi removido em definitivo da Lava Jato após um acordo com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), motivado por uma representação com as digitais de Sergio Moro e do desembargador Marcelo Malucci (pai do genro e sócio do canal Moro). Hoje, Appio atua numa vara cível, enquanto Moro aguarda julgamento no CNJ por atos envolvendo o “orçamento secreto” de cerca de 5 bilhões que ele mantinha sob sigilo na 13ª Vara.

Na entrevista exclusiva para o GGN, Appio avaliou que a imprensa foi a principal responsável por catapultar as figuras salientes da Lava Jato, como Moro e Deltan Dallagnol. O empoderamento artificial subiu à cabeça e levou a uma série de irregularidades que ainda hoje são investigadas e reavalidas pelo Judiciário.

Para Appio, “Sergio Moro é um peão no tabuleiro, como outros agentes políticos foram. Ele não é o homem por trás da cena. Não é o articulador maior que detém o domínio de tudo que acontece no Brasil. Isso é uma redução da complexidade dos fatos. Existe uma conjulgação – e o título do seu livro não poderia ser mais apropriado, ‘a cospiração lava jato’ – uma conjunção de fatores que levaram a tudo que ocorreu.”

Sem rabo preso com o lavajatismo, Appio sofreu resistência da turma leal a Moro e Dallagnol desde o momento em que decidiu se candidatar para substituir Luis Antonio Bonat. Houve pedido de remoção impugnado por lavajatistas que usaram, entre outros motivos, a participação de Appio no programa semanal TVGGN Justiça, onde Appio, como professor de Direito, fazia análises críticas a Lava Jato.

Uma vez dentro da 13ª Vara de Curitiba, Appio constatou que não teria vida fácil como juiz titular. “Os servidores eram a memória viva da Lava Jato desde 2014”, mas seu time de assessores diretos foi esvaziado de propósito.

“O fato é que eu cheguei e só tinha uma assessora, que tive que colocar em indisponibilidade porque o Tacla Duran alegou que ela cometeu uma espécie de infidelidade funcional”, jogando nas mãos da Gabriela Hardt uma ação que questionava justamente sua atuação no caso dele, comentou Appio.

Depois de meses sobrecarregado, Appio pediu reforços à direção geral, à superintendência, ao TRF-4. “Eles nunca ajudaram em nada, lavaram as mãos. Depois tiraram as gratificações aos servidores da Vara, deixando todos com o salário pela metade de uma hora para outra. Depois, mandaram distribuir mais processos para a vara. Foi o caos. Em 2023 eu notifiquei o CNJ de que estávamos entrando em colapso e não sabia mais o que fazer.”

Mas tampouco o CNJ agiu para desafogar o juiz que prometia revirar os esqueletos no armário de Sergio Moro.

TACLA DURAN

Entre os esqueletos deixados por Moro em Curitiba, está o caso Tacla Duran, que acabou sendo o pivô do afastamento de Appio da Lava Jato.

Tacla Duran foi advogado da Odebrecht, uma das empresas investigadas na Lava Jato, e acusou Moro e seu padrinho de casamento, Carlos Zucolotto, de ter tentato extorção em troca de negociar um acordo de delação premiada com os procuradores liderados por Dallagnol.

Appio tentou viabilizar as condições para Tacla Duran depor sobre o caso, mas o desembargador Malucelli – cujo filho é sócio e genro do casal Moro – passou a decidir contrariamente. Foi quando Appio tentou apurar as ligações familiares entre os Moro e os Malucelli, colocando a suspeição do desembargador em pauta.

Quando lembra do caso Tacla Duran, Appio se pergunta: “se Tacla Duran não tivesse nada de relevante, por que essa resistência titânica em ouvi-lo?”

O juiz também conversou com Nassif sobre outros casos embaraçosos para Moro, como o do doleiro Dario Messer, do empresario Tony Garcia e do advogado Roberto Bertholdo.

Segundo Appio, a Lava Jato fez investigações seletivas, muitas vezes poupando doleiros ou grandes bancos, e em outras, perseguindo seus desafetos ou alvos políticos. E o pior: desvirtuando a aplicação das leis e lançando mão de expedientes como a tortura, para conseguir os famigerados acordos de delação premiada.

Appio lembrou que ao tomar posse da 13ª Vara, se deparou com casos de réus qe ficavam cinco dias sem tomar banho ou tomar sol, e eram isolados nas piores condições possiveis na carceragem da PF do Paraná, tendo familiaes ameçados pelas autoridades o tempo tudo. Tudo com a finalidade de induzir o investigado a delatar. “Chegamos a esse tipo de selvageria”, disse.

Para o juiz, foi o trabalho do ministro Luis Felipe Salomão que abriu caminho para que as figuras mais proeminentes da Lava Jato respondam por eventuais erros. “Agora uma luz se abriu.”

Appio narrou mais bastidores da Lava Jato no livro “Tudo Por Dinheiro: a ganância da Lavajato segundo Eduardo Appio”, de autoria de Salvio Kotter, a ser lançado pela editora Kotter a partir de outubro. A obra está em pré-venda e pode ser encomendado aqui.

Assista a entrevista completa de Eduardo Appio no canal TV GGN abaixo:

terça-feira, 13 de junho de 2023

Joaquim de Carvalho: Appio foi afastado quando começou a investigar o destino do dinheiro arrecadado na Vara de Sérgio Moro

 

R$ 300 milhões pagos em acordos de delação e de leniência homologados por Moro ou Gabriela Hardt precisam ser rastreados


Sergio Moro e Eduardo Appio

Sergio Moro e Eduardo Appio (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado | Justiça Federal)

247. - Nota publicada por Juliana Braga na coluna Painel, da Folha de S. Paulo, pode explicar a razão pela qual o juiz Eduardo Appio foi afastado da 13a. Vara da Justiça Federal em Curitiba. 

A repórter informou que R$ 300 milhões em depósitos judiciais feitos por determinação da Lava Jata estão no centro da correição extraordinária na 13a. Vara da Justiça Federal em Curitiba e em gabinetes dos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4a. Região que analisam ou analisaram os casos da Lava Jato.

Essa montanha de dinheiro se refere a multas pagas em acordos de delação ou leniência homologados por Moro ou pela juíza Gabriela Hardt.

"O corregedor nacional de Justiça, Luís Felipe Salomão, quer analisar com lupa como foram tomadas as decisões que os envolvem, além da origem e destinação dos recursos, e pode pedir quebra de sigilos bancários, caso veja necessidade", escreveu a jornalista.

Em 2019, o ministro Alexandre de Moraes, provocado pela então procuradora-geral da república, Raquel Dodge, impediu que R$ 2,6 bilhões da multa paga pela Petrobras nos EUA fossem destinados a uma fundação que Deltan Dallagnol estava criando, com orientação do diretor executivo da Transparência Brasil, Bruno Brandão.

Por determinação de Alexandre de Moraes, os recursos foram depositados na conta do Tesouro, para serem aplicados em saúde e educação, mas outras verbas milionárias, como a do acordo da Odebrecht com o Departamento de Justiça, por exemplo, não tiveram o mesmo desfecho, e é preciso verificar o que foi feito desse dinheiro.

O corregedor Luiz Felipe Salomão desembarca esta semana em Curitiba para acompanhar de perto a correição (fiscalização) e, segundo a jornalista, pretende "avaliar também com especial atenção os acordos de cooperação internacional e a forma como foram conduzidas as delações premiadas".

Indício de que houve aplicação irregular dos recursos surgiu no vazamento das mensagens acessadas pelo hacker Walter Delgatti Neto. 

Em uma conversa com Sergio Moro, em 16 de janeiro de 2016, Deltan Dallagnol fez um pedido estranho. Ele queria que verba depositada na 13a. Vara Federal fosse usada para publicidade da Lava Jato. A transcrição do diálogo segue como postada, inclusive com erros de digitação ou de português.

"Vc acha que seria possível a destinação de valores da Vara, daqueles mais antigos, se estiverem disponíveis, para um vídeo contra a corrupção, pelas 10 medidas, que será veiculado na globo?? A produtora está cobrando apenas custos de terceiros, o que daria uns 38 mil. Se achar ruim em algum aspecto, há alternativas que estamos avaliando, como crowdfunding e cotização entre as pessoas envolvidas na campanha", escreveu Dallagnol.

Dallagnol envia, inclusive, dois PDFs com o orçamento e o roteiro do vídeo. "Avalie de modo absolutamente livre e se achar que pode de qq modo arranhar a imagem da LJ de alguma forma, nem nós queremos", comentou.

Moro respondeu: "Se for so uns 38 mil achi que é possível. Deixe ver na terça e te respondo".

As mensagens, que mais tarde passariam por perícia no Supremo Tribunal Federal, foram publicadas na coluna de Reinaldo Azevedo no UOL e também no Intercept, como parte da série Vaza Jato.

Deltan Dallagnol também participou da operação de compra sem licitação, e com recursos não esclarecidos, de equipamento para gravar conversas telefônicas realizadas pelos procuradores da república em linhas do Ministério Público Federal.

Mensagens também indicam que Moro liberou recursos para a compra de equipamento para a Polícia Federal no Paraná, 

E uma planilha da Lava Jato compartilhada no grupo Filhos de Januário no final de 2017 revela que, na época, a força-tarefa havia reservado R$ 579,6 milhões sem destinatário específico do total de valores pagos em acordos de delação e leniência.

No caso da verba para publicidade, o simples pedido de Deltan Dallagnol – e a concordância de Moro – atenta contra o princípio da moralidade e também da legalidade da administração pública. Não existe lei que autorize o gasto de verbas judiciais ou mesmo do orçamento regular do Judiciário, para propaganda de qualquer tipo.

O afastamento repentino de Eduardo Appio – proibido até de entrar no Fórum da Justiça Federal – é suspeito por si só.

Mas, se estiver ligado à verificação do uso de recursos depositados na conta judicial, o caso adquire contornos de uma ação organizada para impedir a apuração da suspeita de crime de peculato. 

Que a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça conclua o serviço que Appio não conseguiu fazer, pela ação inusitada da corte administrativa do TRF-4, que o afastou abruptamente.

 


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terça-feira, 6 de junho de 2023

Curitiba lavatista em chamas: voz gravada não era de Eduardo Appio, Gabriela Hardt se declara suspeita e novo delator acusa Lava Jato

 

Resumo foi feito pelo comunicador Thiago dos Reis sobre os novos fatos que abalam a "República de Curitiba"

Gabriela Hardt

Gabriela Hardt (Foto: Enéas Gomez/Divulgação)

247 – A chamada "República de Curitiba", que quebrou várias empresas brasileiras e destruiu milhões de empregos durante a Lava Jato, vive seus estertores e seus piores momentos, com as novidades que surgiram nas últimas horas. O melhor resumo da situação foi feito pelo comunicador Thiago dos Reis:

A voz que aparece na gravação entregue pelo ex-juiz suspeito e senador, Sérgio Moro, ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) não pode ser atribuída à do juiz federal Eduardo Appio. É o que atesta um parecer técnico do professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Pablo Arantes. A gravação foi utilizada pelo TRF-4 para afastar Appio da 13ª Vara Federal de Curitiba, que julga os processos da Lava Jato. O estudo do professor e pesquisador em fonética forense foi feito a pedido da defesa do magistrado. "A razão para essa conclusão são a inespecificidade e baixo poder discriminatório das características linguísticas identificadas e analisadas no Laudo", afirma o professor da UFSCar.

A juíza federal Gabriela Hardt se declarou suspeita para julgar ações contra o empresário Tony Garcia, que em entrevista à TV 247, contou como foi usado por Moro como “agente infiltrado” para que ele perseguisse inimigos e adversários políticos, como o advogado Roberto Bertholdo e o ex-ministro José Dirceu. Hardt justificou sua suspeição afirmando que ingressou no Ministério Público Federal (MPF) com pedido de investigação contra Garcia por suposto crime contra a honra cometido por ele contra a magistrada. Em entrevista à TV 247, Tony Garcia disse que decidiu trazer à tona essas revelações devido às reviravoltas recentes em Curitiba, com a remoção do juiz Eduardo Appio e o retorno de Gabriela Hardt, “pau mandado de Moro”, nas suas palavras, à 13ª Vara. O empresário explica que, em 2021, ele decidiu prestar um depoimento completo e honesto à magistrada, relatando tudo o que sabia sobre as irregularidades e abusos de Moro e seus comparsas no Ministério Público. Entretanto, a juíza não apenas arquivou suas denúncias, como também demonstrou ser aliada daqueles que Garcia tinha denunciado, decidindo romper o “acordo” feito, anos antes, entre Garcia e a justiça.

Novo delator – A CNN teve acesso exclusivo a áudios nos quais Ailton Silva, médico veterinário preso na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba em 2014, relata ter presenciado a instalação de uma escuta ilegal na cela do doleiro Alberto Youssef. Ailton Silva afirma ter sido forçado a mudar sua versão sobre o ocorrido após ser ouvido pela PF mais de uma vez.

Segundo o relato de Silva, ele testemunhou o processo de preparação das celas para os novos detentos da Operação Lava Jato. Ele observou a movimentação de agentes que quebraram um cadeado e instalaram uma escuta na cela acima da de Youssef. O médico veterinário alertou Youssef sobre a escuta e, posteriormente, o doleiro encontrou o dispositivo, tirou uma foto e mostrou ao advogado, resultando em reportagens sobre o caso.

No entanto, Silva afirma ter sido pressionado a mudar sua versão pelos agentes da PF. Ele relata que foi levado a identificar o policial responsável pela instalação da escuta por meio de fotos, e reconheceu o agente corretamente. No entanto, em um segundo depoimento, outro delegado o acusou de estar usando má-fé, alegando que o policial em questão estava de folga no dia mencionado por Silva.

O preso afirma que se sentiu ameaçado e coagido a mudar sua versão. O delegado teria mencionado um acordo entre a PF e o advogado de Youssef para interromper a sindicância e garantir que o nome de Silva não apareceria nos documentos. Diante das ameaças, Silva cedeu à pressão e deu o depoimento de acordo com as instruções do delegado.

Ala da PF ligada a Moro e ao TRF-4 produziu “falso positivo” em laudo tendencioso que afastou juiz Appio, aponta novo parecer

 

Para perito contratado pela defesa de Appio, laudo da PF deveria ter sido classificado como inconclusivo



Jornal GGN. - Está possivelmente equivocado o laudo da Polícia Federal que orientou a Corregedoria do TRF-4 na ação que afastou cautelarmente o juiz Eduardo Appio da 13ª Vara Federal da Lava Jato. É o que indica o parecer assinado pelo especialista em fonética forense Pablo Arantes, que chamou atenção para a alta probabilidade da PF ter produzido um “falso positivo” no laudo.

O novo parecer, acessado pela reportagem do GGN e encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta segunda (5), comparou a voz real de Appio com a voz que foi registrada no vídeo gravado pelo filho do desembargador Marcelo Malucelli. Segundo Arantes, as vozes são similares em dois aspectos: (1) ambas as vozes são masculinas e (2) os indivíduos têm sotaque sulista.

Essas semelhanças, contudo, são insuficientes para que se afirme cabalmente que a voz na ligação feita ao filho do desembargador Malucelli tem probabilidade +3 (numa escala de -4 até +4) de ser a voz de Appio, ao contrário do que apontou o laudo da PF.

“(…) o teor do que é apresentado no Laudo não justifica a atribuição do nível +3 (…) meu melhor juízo é que os resultados relatados no Laudo são mais compatíveis com a atribuição do nível 0, que equivale à descrição verbal ‘o resultado nem corrobora nem contradiz a hipótese’“, apontou Arantes.

Pablo Arantes será entrevistado pelo jornalista Luis Nassif no programa TV GGN 20 Horas, ao vivo, nesta segunda. Clique aqui para salvar o link.

Falso positivo

O pesquisador sublinhou que “se tomarmos a população combinada dos três estados da região sul, os falantes das amostras padrão e questionada são dois falantes em um universo de aproximadamente 15 milhões de pessoas. Levando em conta que as duas vozes fazem uso de um registro melódico relativamente mais baixo do que a média da população, esse número pode ser reduzido para aproximadamente 5 milhões, (…) o que, do ponto de vista da possibilidade de um falso positivo na identificação, é inaceitavelmente alto.”

Seguindo a linha da defesa, que não vê no laudo da Polícia Federal uma “prova cabal”, ainda apontou que a metologia usada pela PF não o próprio criador da escala usada no laudo da Polícia Federal admite “margem à subjetividade, em particular quando se pesa e combina os resultados da análise de diversos parâmetros”.

“Portanto, sem um protocolo explícito, motivado e rigoroso que guie a relação entre os achados presentes no corpo evidenciário reunido pelo exame pericial e atribuição de um nível numérico na escala, essa relação corre o risco de ser estabelecida de maneira relativamente livre e subjetiva”, pontuou Arantes.

Defesa alega que Appio não é autor do trote


Em entrevista à CNN Brasil, Pedro Serrano, um dos advogados de Appio, afirmou que o juiz federal não é autor da ligação feita a João Eduardo Malucelli, que também é genro e sócio do canal Rosângela e Sergio Moro.

E mesmo que Appio fosse autor da ligação, não há que se falar, na visão de Serrano, em ameaça a filho de desembargador, pois Appio não usou do cargo para ameaçar quem quer que seja.

Por conta de ligação em que supostamente tenta confirmar a filiação e intimidade entre os Moro e os Malucelli, Appio foi afastado do cargo pela Corregedoria do TRF-4, sem direito à defesa prévia.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Reinaldo Azevedo, em artigo do UOL sobre a História enrolada: O TRF-4 suspende Appio, quem quer calar Tacla Duran vibra...

 Obviamente não sei se a voz era mesmo a de Áppio. Mas uma coisa sei com certeza: como o Brasil teria tido um destino mais feliz nos últimos anos, notadamente a partir de 2014, quando veio à luz a Lava Jato, se o TRF-4 tivesse atuado com tamanha presteza, não é mesmo? Para não falar na dureza! A apreensão dos apetrechos eletrônicos, com a discordância integral de apenas dois desembargadores e a parcial de um, tem, assim, o odor inconfundível do exagero espetaculoso.

Segue trechos do artigo de Reinaldo Azevedo, colunista do UOL, em 23 de maio de  2023:

Eduardo Appio, Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Tacla Duran. Quem ganha com a 13ª Vara Federal submetida à República de Curitiba? - Reprodução
Eduardo Appio, Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Tacla Duran. Quem ganha com a 13ª Vara Federal submetida à República de Curitiba?Imagem: Reprodução

Desde que assumiu a 13ª Vara Federal de Curitiba, o juiz Eduardo Appio era um "cabra marcado" para cair. Se vai mesmo acontecer, é o que se vai ver. Não dá para saber se o conjunto da obra é mais grave do que esquisito ou mais esquisito do que grave. Corriqueiro, com absoluta certeza, não é. Por 12 votos a cinco, a Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região afastou Appio da função. Ele tem 15 dias para apresentar a sua defesa. Os que ficam com frio na barriga só de ouvir falar do nome do advogado Rodrigo Tacla Duran estão em festa. A esperança é que seja calado para sempre. Mas que diabos aconteceu?

Marcelo Malucelli, membro do tribunal, entrou com uma representação contra o juiz, acusando-o de ter ameaçado João Eduardo Barreto Malucelli, seu filho. Para que vocês peguem desde já os fios da meada: João Eduardo é genro e sócio do senador Sérgio Moro (União-PR) e de sua mulher, a deputada Rosângela Moro (União-SP). Appio é considerado um inimigo de Moro, de Deltan Dallagnol e do lava-jatismo.

Mas o afastamento se deu sob qual alegação? Appio teria se passado, num telefonema ao sócio de Moro, por um certo Fernando Gonçalves Pinheiro, suposto servidor da área de saúde da Justiça Federal. Nota: inexiste um funcionário com tal nome na área.

A íntegra da transcrição da conversa está aqui. O tal Fernando fala sobre uma suposta declaração de Imposto de Renda em que Malucelli, o pai, teria o filho como dependente -- entende-se -- do sistema de Saúde ligado à Justiça Federal. Depois de se identificar, diz ao filho de Malucelli :

"O senhor pode ligar novamente pra cá. Não, não há problema nenhum. Eu só preciso é... que o senhor passe é... o telefone ou passe o contato pro doutor Marcelo Malucelli em relação aos extratos aqui do Imposto de Renda referente aos filhos. É uma coisa do passado; é um resíduo do passado, que ele tem um crédito que pode abater no Imposto de Renda, pode computar em favor." 

Sempre desconfiado, João Eduardo, que tem 28 anos, afirma num dado momento:

"Eu... Faz muito tempo já que eu não também não tenho qualquer tipo de cooperação de convênio junto à Justiça Federal por conta é... de dependência de servidor. Eu já sou maior de idade faz tempo e não tenho convênio algum."

A conversa termina assim (identifico o interlocutor do filho do desembargador como "A Voz"): 

João Eduardo: Ah, então tá bom. Então o senhor entra em contato com ele [Marcelo Malucelli], beleza? 

A Voz: Mas se o senhor prefere eu ligo pro seu pai diretamente, eu só não gostaria de incomodá-lo, só isso. 

João Eduardo: Tá bom, claro! Pode ligar então. Faça o que o que for melhor. 

A Voz: Então eu ligarei, digo que eu falei com o senhor, digo que falei com o senhor e que o senhor me autorizou a ligar pra ele, incomodá-lo no próprio tribunal.

João Eduardo: Ah, pode, pode falar. Incomodá-lo! Qual é o nome do senhor mesmo? Fernando Pinheiro Gonçalves, né? 

A Voz: Isso. 

João Eduardo: Ah, tá. 

A Voz: Pode, pode chamar aqui no setor de saúde que nós estamos aqui.

João Eduardo: Setor de saúde.

A Voz: (Incompreensível) 

João Eduardo: Setor de saúde, Fernando Pinheiro Gonçalves. Tem certeza que esse é o nome do senhor? 

A Voz: Tenho certeza absoluta.

João Eduardo: Então tá bom. 

A Voz: E o senhor tem certeza que não tem aprontado nada? 

João Eduardo: Ah agora tá, tá certinho. Aprontado?

A Presidência do TRF-4 e a Corregedoria Regional chamaram, então, a Polícia Federal ao caso, depois de mobilizadas por Malucelli pai, para tentar identificar o autor do telefonema, oriundo de um número bloqueado. Segundo relatório do Conselho, "há muita semelhança entre a voz do interlocutor da ligação telefônica suspeita e a do juiz federal Eduardo Fernando Appio, tendo então a Presidência do TRF4 e a Corregedoria Regional noticiado esses fatos à Polícia Federal e solicitado realização de perícia para comparação do interlocutor da ligação suspeita com aquele magistrado federal".

Notem que, antes mesmo da perícia, o tribunal já havia afirmado à Polícia Federal que a voz era parecida com a do juiz. 

No documento em que a Corregedoria pede o afastamento de Appio, afirma-se:

"Em resposta, a Polícia Federal remeteu ao TRF-4 laudo pericial dando conta de que, a partir da comparação da voz do interlocutor da ligação suspeita com a voz do juiz federal Eduardo Fernando Appio, se 'corrobora fortemente a hipótese'" de que a voz presente no vídeo que gravou a ligação telefônica recebida pelo filho do desembargador federal Marcelo Malucelli fora produzida pelo juiz federal Eduardo Fernando Appio, em nível "+3" ("o resultado corrobora fortemente a hipótese"), numa escala que vai do grau "-4" ("o resultado contradiz muito fortemente a hipótese (de origens diferentes)") ao "+4" ("o resultado corrobora muito fortemente a hipótese (de mesma origem)".

Divergiram da drástica decisão os desembargadores Celso Kipper, Paulo Afonso Brum Vaz, Victor Luiz dos Santos Laus e Roger Raupp Rios. Votaram a favor Ricardo Teixeira do Valle Pereira (Presidente), Maria de Fátima Freitas Labarrère, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, João Batista Pinto Silveira, Luciane Amaral Corrêa Münch, Cândido Alfredo Silva Leal Júnior (Relator e Corregedor Regional), Sebastião Ogê Muniz, Vânia Hack de Almeida, Salise Monteiro Sanchotene, Luiz Carlos Canalli, Taís Schilling Ferraz (Suplente), Luiz Antonio Bonat (Suplente) e Marcelo De Nardi (Suplente).

A coisa não parou por aí. Sem unanimidade, mas quase, a maioria proibiu Appio de entrar em dependências da Justiça Federal; suspendeu seu acesso eletrônico ao sistema e ainda impôs que entregue equipamentos eletrônicos — como notebook, desktop e celular — que use no trabalho. A defesa prévia será apresentada ao mesmo tribunal, que vai decidir se abre ou não um processo administrativo contra o juiz.

AH, QUEM DERA!

Obviamente não sei se a voz era mesmo a de Áppio. Mas uma coisa sei com certeza: como o Brasil teria tido um destino mais feliz nos últimos anos, notadamente a partir de 2014, quando veio à luz a Lava Jato, se o TRF-4 tivesse atuado com tamanha presteza, não é mesmo? Para não falar na dureza! A apreensão dos apetrechos eletrônicos, com a discordância integral de apenas dois desembargadores e a parcial de um, tem, assim, o odor inconfundível do exagero espetaculoso.

Observem: uma medida ainda anterior à abertura de um eventual processo administrativo se reveste com características de mandado de busca e apreensão, mesmo que tais equipamentos lhe tenham sido solicitados, como a convidá-lo a produzir antecipadamente provas contra si mesmo. Reitero: se Appio fez o que se diz, cometeu uma falta grave. A questão é saber se, nessa fase, as medidas já não caracterizam condenação e punição antes da apuração.

E pensar que esse Conselho não se moveu quando um certo juiz gravou a presidente da República e tornou público o conteúdo da conversa, embora o grampo, na hora do registro que incendiou as ruas em favor do impeachment, fosse ilegal. Como ilegal era a divulgação.

AMEAÇA OU ESTRANHEZAS?

Uma única frase do diálogo -- leiam a íntegra -- foi interpretada como ameaça e está na origem de medida tão dura: "E o senhor tem certeza que não está aprontando nada?" Digamos, para especular, que Appio seja mesmo o dono da voz. Qual seria o propósito? Ainda que fosse uma tentativa de intimidação, diria respeito a quê?

A tal ligação é de 13 de abril. É o mesmo dia em que Malucelli, ainda relator da Lava Jato no TRF-4, restabeleceu, na prática, a ordem de prisão de Tacla Duran, o homem que provoca pânico em certos círculos. A informação chegou a ser publicada na página oficial do tribunal e depois foi apagada. Em explicação encaminhada à ministra Rosa Weber, o desembargador negou que fosse aquele o teor de sua decisão.

Era, mas não poderia ter sido. Afinal, as duas ações penais em que Duran é réu estão suspensas por determinação do Supremo, e a instância inferior não pode praticar nenhum ato processual. Em segundo lugar, havia o impedimento ou suspeição.

No dia 21, Malucelli se declarou suspeito para julgar os casos relativos à Lava Jato, depois de ter se tornado alvo no Conselho Nacional de Justiça. Ao abrir mão, chegou a falar em "ameaça". Era essa?

QUEM É MESMO DURAN?

Tacla Duran acusa Carlos Zucolotto, compadre de Moro, de tentar extorqui-lo em US$ 5 milhões em troca de benefícios na Lava Jato. Isso teria acontecido com o conhecimento do então juiz e de Deltan Dallagnol, hoje deputado federal cassado pelo TSE e coordenador, à época, da força-tarefa. Do total, teria pagado US$ 613 mil a Marlus Arns, advogado amigo de Rosângela Moro. Todos negam.

TRF-4 CONTRA APPIO

O TRF-4 já vinha numa escalada contra Appio. O desembargador Thompson Flores, por exemplo, suspendeu decisão sua que havia anulado uma das condenações de Sérgio Cabral -- no caso, imposta por Moro. E lembrou ainda que o juiz deveria analisar as arguições de suspeição que havia contra ele.

Outro membro do tribunal, Loraci Flores Lima, impediu audiência em que o ex-ministro Antônio Palocci pretendia que fossem revistos os termos de seu acordo de delação premiada. O desembargador retirou a questão da 13ª Vara Federal de Curitiba. E, como já se disse aqui, Malucelli, no centro dessa ação que atropelou Appio, já havia impedido o depoimento presencial de Tacla Duran. Também foi ele a revogar a prisão do doleiro Alberto Youssef, o delator de estimação de Moro, que havia sido decretada pelo juiz.

A SENHA

Nesta segunda, mesmo dia em que foi afastado, Appio havia concedido uma entrevista ao programa "Estúdio i", da GloboNews, em que admitiu que usava uma senha de acesso ao sistema de Justiça que fazia alusão a Lula. Afirmou: "Alguns anos atrás, quando o presidente Lula ainda estava preso, a minha sigla de acesso ao sistema da Justiça Federal era 'LUL22'. Na época, eu trabalhava com matéria previdenciária, e esse foi um protesto isolado, individual, contra uma prisão que eu reputava ilegal. E depois, de fato, o STF [Supremo Tribunal Federal] considerou a prisão ilegal".

Derrubar Appio da 13ª Vara Federal de Curitiba era uma questão de honra para os protagonistas da Lava Jato. O já cassado pela Justiça Eleitoral Dallagnol escreveu no Twitter:

"URGENTE: TRF4 acaba de afastar o juiz militante 'LUL22' da Lava Jato. O Tribunal descobriu que a ligação com ameaças feita ao filho do desembargador Marcelo Malucelli foi feita por Appio -- conduta absolutamente inacreditável por parte de um juiz federal, capaz de gerar demissão."

Se Appio fez mesmo aquilo de que o acusam, merece ser punido. Mas olhem quem está falando.

ENCERRO

A tal ligação é de 13 de abril. Appio estava na mira. No dia em que falou sobre a tal senha, veio a suspensão. Se errou, que venha a punição. Mas não é o senso de Justiça que está deixando alguns tão excitados, e sim a esperança de que Tacla Duran seja silenciado.

Moro mostrou ser Moro ao revelar como ajudou a puxar o tapete de Appio: “Fiquei sabendo, recolhi o material e entregamos ao Tribunal”

 

Em entrevista ao vivo na GloboNews, Moro revelou que sabia desde abril do telefonema que afastou Appio da Lava Jato

Do Jornal GGN:



O ex-juiz Sergio Moro revelou em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, que já sabia da ligação de Eduardo Appio para o filho do desembargador Marcelo Malucelli, e ajudou a denunciar a ação ao TRF-4.

“Fiquei sabendo [na época do fato] e fiquei perplexo. Recolhi o material e entregamos ao Tribunal. E depois disso, me distanciei”, alegou Moro.

Segundo Moro relatou na tarde desta terça (23), João Malucelli, filho do desembargador Marcelo Malucelli e sócio do casal Moro, teria mostrado em abril o vídeo que registrou a ligação telefônica de Appio. O GGN publicou o vídeo aqui.

A ligação de Appio para João Malucelli ocorreu em 13 de abril de 2023. Appio foi afastado do cargo pelo TRF-4 na última segunda, 22 de maio.

O TRF-4 levantou evidências de que Appio acessou os dados sigilosos de Malucelli no sistema interno da justiça federal. Depois, ligou para o filho com a intenção de confirmar a filiação. Porém, ao final da conversa, teria feito uma provocação que acabou sendo interpretada por Moro e pelos conselheiros do TRF-4 como uma “ameaça” ao desembargador e seu filho.

Na visão de Moro, não pode um juiz “abusar do cargo” para pegar dados sigilosos e ligar para o filho de um desembargador. “Vamos passar pano só porque o filho do desembargador tem relação comigo?”, perguntou Moro.

O advogado João Malucelli namora a filha de Sergio Moro e é sócio de Ronsagela Moro em um escritório de advocacia no Paraná. O pai, Marcelo Malucelli, desembargador do TRF-4, teve de se afastar de processos envolvendo o desafeto de Moro, Rodrigo Tacla Duran, depois que a intimidade entre os Moro e os Malucelli foi relevada pela imprensa.

O que acontece com Appio


Appio foi orientado por advogados a não comentar o afastamento da 13ª Vara Federal, segundo revelou a jornalista Andreia Sadi, apresentadora do Estúdio i. Ele terá prazo para apresentar defesa ao TRF-4, que decidirá se há elementos para instauração de um processo para apurar infração disciplinar grave. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deve analisar o caso.

Moro disse que Appio é “revanchista” e “meteu os pés pelas mãos” na ânsia de destronar os arautos da Lava Jato.

Reinaldo Azevedo: Erros de Appio não apagam os crimes da Lava Jato

 

Da BandNews FM:




terça-feira, 23 de maio de 2023

Os motivos alegados pelo lavajatista e pai do sócio e genro de Moro, Marcelo Malucelli, para o afastamento do juiz Eduardo Appio, que investiga os abusos da Lava Jato, em reportagem de Luis Nassif

 

Sintomaticamente, enquanto o expediente acontecia, em sigilo, a juíza substituta Gabriela Hardt pediu transferência para Santa Catarina



Publicado em 


Jornal GGN. - O TRF4 (Tribunal Regional da 4a Região) decretou o afastamento cautelar do juiz Eduardo Appio, da 13a Vara.

Segundo o relatório do TRF-4, a representação partiu do desembargador Marcelo Malucelli, da 8a Turma do tribunal – onde ficam os processos da Lava Jato – e que, anteriormente, havia se declarado suspeito de analisar os casos, mas só depois da imprensa ter divulgado as relações de seu filho com o casal Sérgio Moro-Rosângela Wolff. Além de sócio do escritório de ambos, o filho de Malucelli namora a filha do casal.

Logo depois, outro desembargador da mesma turma, Loraci Flores, declarou-se impedido de julgar caso envolvendo o ex-Ministro da Fazenda Antonio Palocci, por ser irmão do delegado Luciano Flores, da Polícia Federal, que atuou na Lava Jato.

O terceiro membro da 8a Turma, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, que atuou ostensivamente em favor da Lava Jato, quando presidia o Tribunal.

Segundo Malucelli, o juiz Eduardo Appio – que assumiu a 13a Federal – teria telefonado para seu filho, para confirmar a filiação, e o teria ameaçado.

O relatório da corregedoria esclarece que o procedimento nada tem a ver com os atos processuais de Appio, nem quanto às entrevistas que concedeu no período. Mas apenas em relação a um episódio de ligação telefônica para o filho de Malucelli, que teria sofrido ameaças e constrangimento.

Quando vazou a informação sobre as ligações do filho de Malucelli com os Moro, era obrigação do juiz investigar a veracidade ou não dela, consultando dados cadastrais do Imposto de Renda. Appio, de fato, não se identificou na ligação. Quanto às supostas ameaças, soam inverossímeis e nem são comprovadas pela transcrição da ligação.

Com base no relatório, decidiu-se pelo afastamento temporário de Appio, “não se considerando que o afastamento seja configurado como medida punitiva em tal espécie de caso, mas, sim, acautelatória, exigindo-se, de toda sorte, decisão fundamentada”. O afastamento se dará até o final do julgamento.

O afastamento implicará:

(a) do ponto de vista físico, imediata suspensão do acesso às dependências e prédios da Justiça Federal , inclusive não podendo acessar a vara e suas dependências;

(b) do ponto de vista dos sistemas eletrônicos, imediata suspensão de acesso aos seguintes sistemas: (1) à rede corporativa interna da Justiça Federal, inclusive com suspensão de acesso à Intranet; (2) aos sistemas corporativos do Conselho Nacional de Justiça, exceto o PJeCor (neste PJeCor ele continua vinculado para que possa exercer seu direito de defesa); (3) ao SEI (assegurado o acesso externo aos expedientes disciplinares necessários à sua defesa); (4) aos demais sistemas corporativos da Justiça Federal, exceto E-mail funcional e SERH.

(c) quanto à arrecadação e ao acautelamento de bens , visando à necessária instrução e por se tratar de bem da União, em relação ao computador de mesa (desktop) do gabinete do magistrado , deverá o Diretor do Foro da Seção Judiciária do Paraná, acompanhado de duas testemunhas, proceder à arrecadação e ao acautelamento do bem em local seguro, em estrutura devidamente lacrada, a ser acautelada na Direção do Foro do Paraná.

Sintomaticamente, enquanto o expediente acontecia, em sigilo, a juíza substituta Gabriela Hardt – notoriamente ligada à Lava Jato – pediu transferência para Santa Catarina. E um novo juiz substituto deverá ser indicado.

Todos os procedimentos, em relação à Lava Jato, ficam suspensos a partir de agora, mostrando que, por outras vias, a 8a Turma conseguiu interromper a revisão de Appio.





domingo, 16 de abril de 2023

O desespero da Lava Jato Moro, Hardt e Dallagnol com o depoimento de Tacla Duran, por Luís Nassif

 

Trava-se uma guerra intestina para devolver o país ao leito da legalidade (das quais foi desviado pela Lava Jato de Curitiba). E o braço de guerra é o depoimento de Tacla Duran


Do Jornal GGN:



Há uma enorme guerra civilizatória, de volta à institucionalidade. Dois eventos tiraram o país da institucionalidade. Um, a Lava Jato, com procuradores e juiz atropelando todas as normas do direito e passando a atuar politicamente. Aliados a eles, alguns desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4a Região. O outro, consequência direta, foi Jair Bolsonaro.

Trava-se, agora, uma guerra intestina para devolver o país ao leito da legalidade. E o braço de guerra é o depoimento de Tacla Duran, que poderia, finalmente, revelar a verdadeira história da Lava Jato.

Entre os aliados de Sérgio Moro no TRF4, montou-se uma verdadeira operação de boicote ao próprio Supremo Tribunal Federal, liderada pelo juiz Marcelo Malucelli e alguns procuradores, procurando desesperadamente impedir o depoimento de Tacla Duran. Ontem, houve a aposentadoria do Ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal. Seu último ato foi uma decisão impedindo a prisão de Tacla, e permitindo que possa prestar seu depoimento. Malucelli esperou a aposentadoria de Lewandowski para pedir para reestabelecer a prisão de Tacla, medida não acatada pelo juiz Eduardo Appio, para se manter dentro da legalidade.

Tentou, também, de todas as maneiras colocar uma parceira de Moro, a juíza Gabriela Hardt, para o lugar de Appio. Ontem, Malucelli – que é conhecido como grande amigo de Moro – pautou três correições parciais contra Appio e colocou as três em sigilo – nem os acusados foram ouvidos, nem têm acesso a elas.

No final do dia, desenterrou uma ação de Moro contra Tacla Duran, parada há cinco anos, para ordenar reestabelecer nova prisão de Tacla.

Ao mesmo tempo, na Comissão de Fiscalização e Controle, o deputado Deltan Dallagnol lidera movimento para impedir a convocação de Tacla Duran para depor sobre a Lava Jato.

São os últimos estertores do estado paralelo criado na última década.

A questão básica é a seguinte:

  1. Há uma suspeita de corrupção forte atingindo diretamente o ex-juiz e senador Sérgio Moro. A revelação dessa corrupção colocará sob suspeita todos os magistrados e procuradores que endossaram suas arbitrariedades.
  2. Fossem inocentes, haveria todo o interesse em ouvir Tacla, na Polícia Federal investigar as denúncias e, se comprovarem sua inconsistência, processá-lo por calúnia. Obviamente, a resistência em ouvi-lo prende-se ao receio de que as provas sejam substantivas.
  3. O TRF4 é composto por mais de 40 desembargadores, mas está sob suspeita. A forma como o lavajatismo se infiltrou na 8a Turma tornou-se ostensiva demais, suspeita demais. 4 ou 5 desembargadores afetam a reputação de todo o colegiado.

A opinião pública não pode ficar sem resposta para a questão Tacla. É impossível a um país minimamente civilizado varrer para baixo do tapete acusações dessa envergadura.

Não é possível se aceitar mais que um desembargador, através de manobras regimentais, desobedeça a uma determinação do Supremo. Desmoraliza-se a Justiça, desmoraliza-se especialmente o TRF4.

O país atravessa um movimento de reinstitucionalização, do qual um dos capítulos mais relevantes é a volta do Judiciário aos trilhos da Justiça.

É momento da corregedoria do Conselho Nacional de Justiça colocar um fim a esse jogo que desmoraliza o Judiciário.