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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Lutar pelo que julgamos ser justo já nos dignifica e nos enobrece. Por Afrânio Silva Jardim



 "A luta pelo Estado Democrático de Direito deve ser travada a todo tempo e em todos os lugares, tendo em vista a lastimável situação em que nos encontramos atualmente."


Justiça. Foto: Wikimedia Commons

PUBLICADO NO EMPORIO DO DIREITO 
POR AFRÂNIO SILVA JARDIM
Começamos com uma espécie de “palavra de ordem”: abaixo o conformismo” !!!
A luta pelo Estado Democrático de Direito deve ser travada a todo tempo e em todos os lugares, tendo em vista a lastimável situação em que nos encontramos atualmente.
Lutar pelo que julgamos ser justo já nos proporciona uma grande felicidade.
Não podemos nos abater pelo pessimismo. Não podemos “jogar a toalha” …
Este comportamento conformista só serve aos nossos adversários. A “luta” tem de ser permanente. Não podemos nos entregar … A “luta”, por si só, nos dá razão para viver.
Lutar pelo que julgamos ser justo já nos dignifica e nos enobrece perante as futuras gerações.
Pensemos em quantos companheiros idealistas morreram e foram torturados lutando por uma sociedade mais justa. Certo ou errado deram as suas vidas pelos outros, por uma nova ordem econômica, uma nova cultura.
Quando menos se espera, o povo desperta e passa a ser agente de sua própria história.
Enquanto houver injustiça neste mundo, haverá quem lute contra ela. Enquanto houver injustiças neste mundo, o explorador não terá sossego.
A rebeldia é inerente ao ser humano. Não existisse a rebeldia e ainda estaríamos dentro das cavernas.
A evolução da humanidade se deve muito às transgressões das normas impostas pelo poder dominante.
Se não houvesse o comportamento “marginal”, a sociedade não teria evoluído. Falo “marginal” no sentido de agir questionando o status quo. Vale dizer, agir à margem das regras injustas, impostas por quem detém o poder político em determinado momento histórico.
O chamado “Estado Liberal” é a expressão política do massacrante poder econômico.
No momento atual, devemos apenas lutar por um verdadeiro Estado Democrático de Direito. A luta por um modelo de sociedade mais justo virá depois, reunidas as condições objetivas que permitam rupturas e transformações estruturais.
Temos que lutar permanentemente contra o autoritarismo, contra o massacre do poder econômico, contra a retirada de direitos da população, contra o racismo, vale dizer, contra o fascismo.
Lamentavelmente, parece que a nossa sociedade está “anestesiada”, passiva e desalentada. A própria “comunidade jurídica” deixou-se contaminar pelo individualismo e pelo conservadorismo.
Entretanto, como diz a conhecida música “Todo Cambia”, de Victor Heredia, cantada pela saudosa Mercedes Sosa:
Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo”.
Para finalizar, invoco aqui o pensamento de Eduardo Galeano:
“SI ME CAÍ, ES PORQUE ESTABA CAMINANDO
Y CAMINAR VALE A PENA AUNQUE TE CAIGAS”.
(Se eu caí, é porque estava caminhando e caminhar vale a pena ainda que venhamos a cair).
“A UTOPIA ESTÁ NO HORIZONTE. ME APROXIMO DOIS PASSOS, ELA SE AFASTA DOIS PASSOS. CAMINHO DEZ PASSOS E HORIZONTE CORRE DEZ PASSOS. POR MAIS QUE EU CAMINHE, JAMAIS A ALCANÇAREI. PARA QUE SERVE ENTÃO A UTOPIA? SERVE PARA ISSO: PARA QUE EU NÃO DEIXE DE CAMINHAR”.



terça-feira, 6 de novembro de 2018

Publique-se o obituário do brasileiro cordial, por Arion Escorsin de Gody, defensor Público no Rio Grande do Sul


Deveríamos estar discutindo um projeto de país. Poderia ser mais liberal ou menos. Com um Estado mais ou menos intervencionista. No entanto, estamos investindo toda nossa energia social em odiar, em exterminar, em vilipendiar

Do Justificando:
Publique-se o obituário do brasileiro cordial


Arion Escorsin de Godoy

Publique-se o obituário do brasileiro cordial


Arte: Caroline Oliveira

Em 2015 levei a público, com Domingos Barroso da Costa, o texto “A Onda, o poder constituinte originário e os totalitarismos”que integrou o livro “Direito e Cinema: por que devemos filmar narrativas?”. O breve ensaio, escrito em meados de 2014, conflitava com o ânimo reinante na sociedade brasileira naquele momento histórico. Vivíamos uma certa euforia, sobretudo no campo progressista, a contar das chamadas jornadas de junho. Lá, supunha-se a inauguração de um momento de avanços mais robustos em nossa travessia democrática. Na contramão, encerramos aquele texto ponderando:
Como se pode observar, os riscos de que trata o filme “A Onda” são atuais e concretos, tanto em países e sociedades com larga vivência democrática – como a Alemanha e a Grécia, que em 2014 possibilitam o ingresso de congressistas ligados a partidos neonazistas no Parlamento Europeu –, mas especialmente em nações com restrita experiência democrática, como o Brasil, onde sanção e vingança ainda se confundem.
A intolerância cultural – a monoculturação da sociedade –, a oposição entrehomens de bem (nós) e homens de mal (outros), além do incremento da violência pública e privada – em que os linchamentos públicos de hoje sucedem as fogueiras de ontem – conduzem a um cenário de radical intransigência, ao ponto de colocar em risco avanços civilizatórios duramente maturados e conquistados.
É relevante perceber ainda que discursos inflamados de tons sectários enfrentam, por vezes – especialmente em cenários de injustiças sociais, crises éticas e econômicas, como destacado na película em questão –, um caminho muito para curto para se converterem de absoluto absurdo em Direito posto, sobretudo quando, socialmente, normalizam-se práticas de violência dirigidasaos outros.
Portanto, imperioso é postarmo-nos sempre alertas quanto à apropriação do Direito por discursos de ódio e de exclusão que, por encontrarem ressonância social em contextos de adversidade, em um segundo momento, ganham ares de legitimidade ao adquirirem formas jurídicas, com o que o Direito termina por converter-se em instrumento de conforto dos sujeitos que conseguem, ainda que momentaneamente, agruparem-se na casta dos homens de bem – ou, pode-se dizer, integrantes de uma onda –, alcançando o prestígio e pertencimento social perdidos com a ascensão do individualismo, de modo a, assim, toldar precariamente sua incapacidade de lidar positivamente com a sensação de impotência e solidão que acompanham os avanços da liberdade.
acerto, todavia, não empolga. Gostaria que aquela energia social que vagava sem rumo naquele momento que, por certo, poderia ter tido destino diverso, nos levasse a outro cenário. Contudo, o que se consumou foi a subida do capitão.
Depois da esperança de que com a queda de Dilma, no dia seguinte os investimentos voltariamo desemprego desapareceria, a corrupção (sempre ela) seria coisa do passado, tivemos os 30 meses temerários que já receberam as adjetivações adequadas. Depois da crendice de que, com a hoje já quase esquecida Cármen Lúcia à frente, as togas saneariam o País, temos um Supremo Tribunal Federal que é aviltado diariamente por todos os meios e formas. Agora o fetiche volta a ser com fardas, botas e bíblias. Cabos, soldados, família e deus serão nossos redentores. Embora nosso histórico, sempre fundado em bandeiras semelhantes, denotem que nosso atraso, em grande parte, talvez advenha de tal universo simbólico. Afinal, como disse Gregório Duvivier, nunca nenhum governo fez merda em nome do Capeta, da Maconha ou da Sacanagem.
Penso, como 45 milhões de brasileiros e brasileiras, que não há como dar certo. Não pretendo, todavia, discutir isso.
Minha inquietação, neste momento, parte de pensar como todos aqueles que estão compactuando com este cenário se portarão. Não poderão dizer que não era previsível ou esperado. Não há espaço para inocentes. Saímos, como nação,do armário. Publique-se, registre-se, afixe-se em todos os postes e esquinas, o obituário do brasileiro cordial.
Colocando-me no lugar de meus compatriotas que defendem o dito Presidente, mas preservando elementos de minha trajetória de vida, tendo eu me graduado em uma Universidade Estadual e hoje cursando doutorado em uma Universidade Federal, pergunto-me como diria a meus filhos que votei naquele que prometeu acabar (e provavelmente acabará) com a universidade pública? Como direi às cidadãs e aos cidadãos que atendo na Defensoria para confiarem no direito e na justiça se o meu candidato diz que basta um soldado e um cabo para fechar o Supremo? Como diria a minha filha que votei – e por isso sou corresponsável – por eleger um candidato que, no mínimo, legitima uma posição subalterna, de inferioridade, para a mulher?
Como dizer a meus pais que, talvez em algum momento da vida dependam da previdência pública, que uma nação que hoje compromete mais de 40% com pagamento de juros a banqueiros e que possui a maior reserva de petróleo descoberta neste século, não tem dinheiro para pagar uma pensão digna àquelas pessoas que, por todo uma vida, por décadas e mais décadas, dedicaram-se a trabalhar e a contribuir com o país? Como não me importar com o fato de que famílias simples não poderão mais formar seus filhos em universidades públicas e, por conta disso, não poderão sequer sonhar que seus descendentes terão um futuro melhor? Como faço para acreditar que com mais violência, ainda que verbal ou simbólica, e armas teremos um futuro mais pacífico?
Como é possível que juízes apoiem um candidato que reiteradamente menospreza a função judicante e o Poder Judiciário? Como é possível que empresários votem em um candidato que tem um especulador como posto ipiranga? Como é possível que servidores públicos apoiem alguém que considera que o serviço público é o problema do país? Como é possível que trabalhadores legitimem um governo que, do ponto de vista econômico e de modelo social, é a continuidade da gestão de Michel Temer? Como é possível que um jornalista se demita ao vivo por ter sido censurado e seus colegas de bancada tentem justificar o injustificável, valendo-se de argumentos como eu preciso de meu emprego? Como é possível que um dos maiores jornais do país seja judicialmente censurado e não haja uma mobilização dos meios de comunicação?
É certo que, neste momento, mais do que a luta dos bonzinhos contra os mauzinhos, deveríamos ter maturidade política e cívica para percebermos que estamos devastando com o que sobrou de nossa indústria, de nossas empresas e de nossa ciência. Um projeto de uma geração anterior à minha e que deveríamos, no mínimo, defender. Petrobras, Embraer, Embrapa, universidades, IFs e centros de pesquisa, com eventuais problemas e necessárias correções, seriam motivo de orgulho em qualquer país civilizado e estariam sendo aperfeiçoados e não destruídos.
Tenho convicção de que mais solidariedade e menos armas; mais IFs e universidades e menos cadeias; mais BNDES – para auxiliar e financiar aquele que produz – e menos especulação; mais diálogo e menos fake news; mais cidadania e menos togas ou fardas; sanear a Petrobras e não destruí-la.
Enfim, deveríamos estar discutindo um projeto de país. Poderia ser mais liberal ou menos. Com um Estado mais ou menos intervencionista. Com uma ênfase ou outra. Tanto faz. Mas um p-r-o-j-e-t-o. No entanto, estamos investindo toda nossa energia social em odiar, em exterminar, em vilipendiar.
Porém, em algum tempo, ainda que estejamos ainda piores do que hoje, em um conflito social ainda mais aprofundado, poderei dizer a meus compatriotas, familiares, amigos, que não apoiei o golpe contra Dilma Rousseff. Que nem por um segundo considerei o governo Michel Temer como legítimo. Que nunca cogitei que a reforma trabalhista ou a previdenciária, na forma proposta por aqueles que não têm nenhum compromisso com o povo brasileiro, pudesse trazer qualquer resultado socialmente relevante. Que não apoiei o desmonte da Petrobras e a entrega do pré-sal – que poderia financiar uma sociedade mais igualitária – às empresas estrangeiras. Que não apoiei que a Amazônia se tornasse pasto. Que tem jeito e alternativa, mas que temos de reconstruir o desejo de ter um país melhor, uma sociedade mais igualitária, investindo – amor, trabalho, dinheiro – para que isso ocorra. Que, em outubro de 2018, estive ao lado dos derrotados. Detestaria, entretanto, como Darcy Ribeiro a seu tempo, estar no lugar de quem me venceu.

Arion Escorsin de Godoy é defensor Público no Rio Grande do Sul e doutorando em Educação pela Universidade Federal de Pelotas.

Leia mais:

quarta-feira, 16 de maio de 2018

VIDEO: O Sistema de Justiça, tribunais, STF e OABs, por Wadih Damous, antecedida de comentário de Luis Nassif



Do Jornal GGN:



Por Luis Nassif

Em entrevista ao Jornal GGN, o deputado Wadih Damous analisa o Partido do Judiciário e o Estado de Exceção no país.
Mostra como ocorrem os abusos da juíza de instrução, impedindo a entrada de parlamentares na cela de Lula e impedindo o próprio Damous de atuar como advogado de Lula. E o circuito da exceção é completo, mostrando a urdidura da Operação Lava Jato. Os casos devem ser julgados dentro do processo. O tribunal responsável por rever as decisões do primeiro grau é a 8ª Turma preventa, com os três desembargadores alinhados totalmente com a Lava Jato. No Superior Tribunal de Justiça, o paranaense Felix Fischer e, no Supremo Tribunal Federal, o paranaense Edson Fachin.
Damous analisa também os sistemas de sorteio do Supremo, no qual todas as ações contra o PT caem com Ministros claramente antipetistas e todas as ações contra tucanos, com Ministros tucanos. Se a Ministra Carmen Lúcia praticasse a transparência, diz Damous, deveria explicar como é esse sistema de distribuição.
Damous diz que a Constituição, ao conferir poderes sem precedentes ao Judiciário e ao Ministério Público, olhava para trás, para a ditadura que acabava, e Não para frente.
O Ministério Público brasileiro é o mais poderoso do mundo, tem prerrogativas que a própria advocacia não tem. Nos julgamentos penais o promotor senta ao lado do juiz, é parte da lei e do processo penal.
Quando encontra uma turma que namora com o fascismo, como esse pessoal do Paraná, diz Damous, acontece o que estamos vendo. Suas críticas se estendem aos presidentes e conselheiros atuais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Diz ele que a OAB está em débito com a sociedade brasileira, a começar do apoio ao golpe.
A OAB integra o sistema de justiça brasileiro pelo lado negativo, diz ele, refoprçando essa atuação fora de lei, por omissão ou, como no caso do impeachment, todo sistema do OAB, com uma exceção, apoiando o golpe.
Em relação ao STF, a Constituinte pretendia torna-lo eminentemente uma corte constitucional, mas manteve-se a mesclagem histórica, de espécie de 4ª instância. Mas o problema maior foram os últimos governos, especialmente da Dilma, que nomearam pessimamente os Ministros, com um republicanismo trágico.
Fora isso, Ministros que tinham trajetória de defesa de direitos e garantias fundamentais, como Luis Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin, tornaram-se os arautos do populismo midiático-jurídico que resvala no fascismo.
Fala também do direito do PT de indicar o candidato, na qualidade de maior e mais estruturado partido de esquerda. E analisa as dificuldades do campo da direita de não conseguir viabilizar um candidato.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A ditadura começa quando o “moralismo” de ocasião se substitui ao Direito. Por Fernando Brito



crossjust
Ironias e “justiça poética” à parte, há uma situação perigosa na decisão de afastar Aécio Neves do mandato e criar uma “meia-cassação” e uma “meia prisão” tomada pelo Supremo Tribunal Federal.
Fernando Rodrigues, no Poder360, com toda a razão, chama a atenção para o absurdo de vivermos uma situação onde o Judiciário, quando quer e como quiser, definir se e como um mandato parlamentar pode ser exercido.
Com Eduardo Cunha, a gaveta aguardou o necessário para que ele que desfechasse o processo de impeachmente, quando executada, foi o suficiente.
Com Delcídio do Amaral, preso em flagrante, a decisão foi submetida ao plenário do Senado. Aprovada, mas poderia não sê-lo.
Com o deputado Celso Jacob, ele fica preso na Papuda e sair para votar, na plenitude do mandato.
Agora, com Aécio, vive-se a dúvida de se a decisão de “meia-prisão” e da “meia-cassação” vai ao plenário do Senado, com resultados duvidosos.
Tão grave quanto não se ter – ou respeitar – uma regra única quando se trata de suspender um mandato ou “semiaprisionar”, sem prazo definido, uma pessoa, é o fato de que tudo esta eivado de julgamentos “morais”, em lugar dos legais.
O trecho do voto de Luiz Fux, transcrito por Rodrigues, é estarrecedoramente “moral”:
Muito se elogia porque ele [Aécio] se despediu da presidência do partido. Ele seria muito mais lisonjeado, muito mais elogiado se ele tivesse se despedido ali do mandato, tivesse se distanciado. (…) Tudo se resume num gesto de grandeza que 1 homem público deveria ter adotado. E já que ele não teve esse gesto de grandeza, nós vamos auxiliá-lo a que se porte tal como deveria se portar.”
Com a devida vênia, Ministro, vá plantar batatas. O papel do STF não é “auxiliar a se portar como deveria se portar”, é aplicar a lei.
Não importa que Aécio Neves seja um lixo, a esta altura devidamente descartado do projeto golpista.
Se o comportamento de Aécio Neves está – e tudo mostra que está – fora da lei, é papel do STF fazê-lo responder por ele. Dispensam-se as considerações de natureza ética, porque ética é matéria que não pertence ao Supremo, mas ao próprio Senado onde, aliás, foi solenemente ignorada.
A consciência democrática tem de rejeitar o “direito penal do inimigo”, mesmo quando se trata de uma figura abjeta como a de Aécio Neves.
A prisão de Aécio Neves, pela profusão de provas de que ele praticava achaque sobre os “irmãos JBS”, com gravações, malas e ameaças de morte” era plenamente justificável se necessária à instrução do processo e à colheita de provas, como se fez com sua irmã e com o apanhador-“matável” Fred, seu primo.
Quatro meses depois, sem a menor ocorrência de fato novo e deixando que, de das seis às 18 horas, ele possa articular livremente qualquer ato de obstrução à Justiça, desde que fora do Senado, assume ares de “punição moral”, própria do autoritarismo.
Porque, amanhã, o Supremo está legitimado para que seja senador apenas quem ele “quer”.
Fernando Brito, no Tijolaço.