Do Canal do Analista Político Bob Fernandes:
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quarta-feira, 13 de novembro de 2019
Bob Fernandes: Bolsonaro, candidato a ditador, ameaça Lula com Lei de Segurança Nacional. No Congresso, aliados do primeiro querem aprovar pacotes de leis ditatoriais...
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
TV GGN: Vetos deformam lei e convalidam toda sorte de abusos, fortalecendo o Estado Policial pretendido por Sérgio Moro. Veja a vídeo análise de Luis Nassif
Os vetos impostos à Lei de Abuso de Autoridade confirmam a criação do Estado Policial defendido por Sergio Moro.
Jornal GGN – Os vetos impostos à Lei de Abuso de Autoridade confirmam a criação do Estado Policial defendido por Sergio Moro. Com os vetos, abrem-se as portas do horror em cima da sociedade civil. Ouça o comentário de Luis Nassif.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
Guedes, o dragão da maldade e o presidente miliciano, por Francisco Celso Calmon
Paulo Guedes, é o Dragão da Maldade do povo brasileiro. Vale elencar algumas das suas maldades.
Do GGN:

Ian Cheibub/Folhapress
O dragão da maldade e o presidente miliciano
por Francisco Celso Calmon
Algumas assertivas devem virar mantra até que as forças democráticas da sociedade se deem conta da tragédia que se abate sobre o país. O “projeto” bolsonarista, elaborado ou não, é o de destruir a plataforma civilizatória que vinha sendo construída no Brasil até o golpe de 2016.Para tanto, caminha sobre dois eixos: 1 – desregulamentar a economia, seguindo as recomendações do “Consenso de Washington”; 2 – implodir o Estado democrático de direito.
Sobre esses dois eixos se ergue o Estado policial, sustentado por milícias, militares e togas fascistas.
Paulo Guedes, notório especulador e sonegador, e que recentemente foi descoberto em um esquema de lavagem de cerca de R$ 560 mil na empresa GPG Consultoria, da qual é sócio, está encarregado do eixo 1.
As torres gêmeas da lava jato, Moro e Dallagnol, cujas revelações do The Intercept os comprometem até a medula em crimes gravíssimos, também acusados de acobertar o esquema de lavagem de dinheiro na qual Guedes estava envolvido durante a campanha eleitoral de Bolsonaro, estão encarregados do eixo 2.
Paulo Guedes, é o Dragão da Maldade do povo brasileiro. Vale elencar algumas das suas maldades.
Essa Reforma não caiu das nuvens, talvez possa ter caído do inferno, mas é, sobretudo, fruto do golpe de 2016, cujo projeto, reafirmo, é o da destruição da plataforma civilizatória e alienação do patrimônio nacional. Ela diminui gradativamente a massa de consumo ao longo dos anos vindouros.
Em entrevista dada para o Estado de São Paulo, o dragão da maldade afirmou que “gostaria de vender tudo”, se referindo as empresas públicas e estatais. Recentemente, o governo anunciou a privatização de mais 18 empresas.
Não obstante as perdas dos trabalhadores e da nação, já se fala em mais uma reforma, a tributária, que nos moldes desse governo tem a semântica da destruição de direitos e aprofundamento das injustiças. Continuar a penalizar a classe média e os trabalhadores em geral, é o mesmo que querer que o carro ande sem combustível. Uma reforma tributária, que retire das costas dos pobres boa parte da carga tributária – já que 32% dela, segundo a OCDE, incide sobre o consumo – não é pauta dos aloprados gestores da economia.
A taxação de lucros e dividendos, que poderia levar, segundo estudos do IPEA, a um aumento de R$ 22 bilhões a R$ 39 bilhões na arrecadação e ajudar na redução da desigualdade social passa longe do radar do governo atual, bem como, a criação de novas alíquotas de impostos sobre a renda dos mais ricos não lhes interessam, pelo contrário, estão reduzindo de 27,5% para 25% a alíquota máxima. Por que não ter uma alíquota de 35% para os que percebem acima de 30 mil/mês e de 50% para os que ganham acima 70 mil por mês?
“O estudo do Ipea destaca que, dentre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o “clube dos países ricos”, apenas a Estônia, pequeno país báltico, não tributa lucros e dividendos. No mundo, as alíquotas variam de 6,9%, na Nova Zelândia; a 44%, na França. A média dos países chega a 25%”.
A agenda de desmonte do Estado Social já tem dado, desde que começou a ser implementada por Temer, demonstrativos da incapacidade de resolver os problemas econômicos e sociais do país. Desde 2015 o patrimônio financeiro dos milionários subiu 45%, desemprego dobrou e o salário estancou. A Reforma Trabalhista de Temer, que prometeu criar empregos de carteira assinada, fracassou: hoje, somado os desempregados, subocupados e desalentados, chegamos a 29 milhões de brasileiros; e a informalidade atingiu níveis nunca alcançados, 50 milhões, segundo dados da PNAD. Metade dos “conta própria”, que trabalham sem direitos e sem futuro, recebem menos de um salário mínimo, segundo estudo da consultoria IDados.
O crescimento pífio de 0,1% do PIB no último ano é um dos sintomas graves desse capitalismo de desastre em implementação desde o golpe de 2016. A desigualdade aumenta há quatro anos consecutivos, reduzindo em 17% a renda dos 50% mais pobres.
A crença ideológica na irracionalidade do capitalismo levará o Brasil a viver o desemprego como estratégia perversa do controle da inflação.
O retrato disso foi a comemoração do CEO do banco mais lucrativo do país, Itaú-Unibanco, Candido Brecher, dizendo que a situação macroeconômica do país nunca esteve “tão boa”. E explicou o motivo: o desemprego está alto, daí que o país pode crescer sem que a inflação suba junto. O mesmo Itaú que em 2018 teve um lucro recorde de 25 bilhões de reais.
Brecher, como capitalista insensível e desprovido de humanidade, advoga que quanto maior o número de desempregados, os da ativa ficam mais sujeitos às condições precárias de trabalho, por não quererem perder seu emprego. Ou seja, uma taxa de desemprego alta significa a disponibilidade de uma força de trabalho de reserva que se sujeita a quaisquer condições de trabalho para sobreviver, implicando a queda do valor da força de trabalho.
O modelo perverso do dragão da maldade é, além de tudo, burro. A economia capitalista só cresce se houver consumo, e só se desenvolve se houver crédito a juros compatíveis. Consumo e crédito são os combustíveis da economia capitalista, sem os quais viverá em cíclica estagnação.
Guedes, Moro, Dallagnol e a famiglia bolsonara, além de serem nazifascistas, padecem do mesmo mal: a cremástica, isto é: a obsessão que algumas pessoas têm em acumular riquezas e posses. Quem sofre dessa obsessão se sujeita a qualquer coisa para ganhar mais e mais, pouco se importando com as suas vítimas.
As ondas do mar da história estão agitadas, os caminhos cheios de armadilhas, o ar poluído pelos saques diuturnos que o Estado policial faz aos direitos dos trabalhadores, das minorias e do patrimônio nacional, entretanto, nada disso deve nos esmorecer e a cada dia devemos reagir com mais inteligência, indignação e criatividade.
As torres gêmeas, Moro e Dallagnol, da lava jato estão implodindo. É a hora e a vez do dragão da maldade virar o alvo dos atingidos por suas maldades. Sem as torres gêmeas e o dragão da maldade, o presidente miliciano ficará mais enfraquecido e sujeito ao xeque-mate.
A luta contra o Estado Policial bolsonarista pode ser longa. É necessário a organização pela base social – Comitês Populares pela Democracia, para derrotar a camarilha protonazifascista do governo. Resistir é também organizar.
Francisco Celso Calmon é Advogado, Administrador, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017).
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terça-feira, 30 de julho de 2019
Truculência bolsonarista, auto-golpe, escalada autoritária, estado policial e a necessidade urgente de derrotar o punitivismo, por Josias Pires e Celso Rocha de Barros
O caminho para a montagem de um estado policial vem sendo percorrido desde o impeachment.
Do GGN:

Auto-golpe, escalada autoritária, derrotar punitivismo, por Josias Pires
Havia rabiscado mais algumas linhas sobre a crise política antes de ler o texto de Celso Rocha de Barros, publicado hoje (29) na Folha. O que escrevi complementa o texto dele e resolvi publicar abaixo, como comentário ao do sociólogo paulista.
Escalada autoritária
Bolsonaro passou a campanha falando em destruir a democracia brasileira
Por Celso Rocha de Barros
Justiça seja feita: se Bolsonaro não tentasse destruir a democracia brasileira, teria praticado estelionato eleitoral. Foi isso que passou a campanha inteira dizendo que faria.
Durante todo o ano de 2018, Bolsonaro repetiu que não reconheceria uma derrota —isto é, que tentaria um golpe de Estado se Fernando Haddad tivesse sido eleito.
Seu filho Eduardo Bolsonaro, nosso futuro embaixador em Washington, declarou que, para fechar o STF, bastariam um soldado e um cabo.
Quando indagado, no programa Roda Viva, sobre seu livro de cabeceira, Bolsonaro citou, às gargalhadas, as memórias falsificadas do torturador Brilhante Ustra, que já havia homenageado na votação do impeachment.
Faltando uma semana para a eleição, compontos de vantagem sobre o opositor, Bolsonaro discursou dizendo que para a esquerda só restariam o exílio ou a prisão.
Sinceramente, vocês acharam que a Presidência desse sujeito ia ser o quê?
Nesses seis meses, não houve nenhum gesto de moderação. A deputada bolsonarista Bia Kicispropôs revogar a PEC da Bengala para permitir que Bolsonaro nomeasse mais ministros para o STF —um entre vários movimentos extraídos do repertório do ditador húngaro Viktor Orban.
Militares filmaram ostensivamente uma palestra na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência porque o palestrante tinha críticas à política ambiental de Bolsonaro.
O general Santos Cruz foi demitido de maneira humilhante porque entrou em conflito com a extrema direita bolsonarista.
Os ataques à imprensa começaram contra a Folha; prosseguiram —sempre sórdidos, sempre imundos— contra jornalistas do Estado de S. Paulo, da Globo e de toda a imprensa independente.
As universidades estão sob cerco, e toda a máquina governamental brasileira está engajada em uma guerra contra a ciência.
O Brasil passou a votar com a Arábia Saudita na ONU em todas as questões relativas a direitos humanos. Olavo de Carvalho começou a fazer doutrinação de graça para policiais, para a eventualidade de os militares se provarem democratas.
Depois da votação da reforma da Previdência, a escalada autoritária se acelerou.
Convicto de que a elite agora estava devidamente comprada, Bolsonaro tornou-se mais ousado. Os ataques contra Míriam Leitão foram o começo dessa ofensiva.
Mas foi com a guerra à Vaza Jato que Bolsonaro percebeu a possibilidade de destruir a democracia em nome do combate à corrupção. Não há combate nenhum, é claro: há, sim, um acordão para livrar Flávio Bolsonaro, com Supremo, com tudo. Mas, na falta de uma reputação de honestidade própria, Bolsonaro parasitou a de Moro, que, coitado, acha que isso tudo é para defendê-lo.
Como parte dessa escalada, no último sábado, Bolsonaro cruzou uma linha: sugeriu que Glenn Greenwald, fundador do Intercept, havia se casado e adotado duas crianças para não ser deportado, acrescentando que o jornalista poderia “pegar uma cana” no Brasil.
É inaceitável e é mais um esforço bolsonarista de nos fazer cansar sob o peso do nojo.
Quanto antes os brasileiros entenderem que o bolsonarismo odeia tudo que neles é livre, maiores serão as chances de preservarmos a liberdade que nos resta. A escalada autoritária prossegue e é cada vez mais acelerada.
Celso Rocha de Barros
Servidor federal, é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra)
Comentário
Por Josias Pires
De fato, a pretensão do governo eleito em 2018 sempre foi criar as condições para o auto-golpe, anunciado por generais e pelo próprio presidente – este, inclusive, falou por telefone, na noite da eleição, cujo som foi transmitido para a avenida Paulista. Confirmado o resultado, anunciou sua disposição de eliminar a esquerda. Todos acreditamos naqueles dias terríveis que nas próximas semanas o céu desabaria sobre todos nós, sobretudo a partir de janeiro.
Mas como dizem que Deus é brasileiro, fomos todos surpreendidos, ainda no mês de dezembro de 2018, antes da posse, portanto, com o rumoroso caso do Queiroz e do filho deputado agora senador. A repercussão do assunto retirou parte da legitimidade para uma blitzkriegernos primeiros dias de governo. O deboche do Queiroz produziu uma crise política que repercutiu intensamente no Carnaval. Enquanto isso, o governo trabalhou nas sombras para fazer a série de decretos de fortalecimento da espionagem governamental, como bem revelou Piero Leirner e Romulus Maya.
O caminho para a montagem de um estado policial vem sendo percorrido desde o impeachment. Esta percepção está presente no imaginário da esquerda e de setores democráticos da população e da imprensa brasileira desde antes das eleições. É uma pauta presente em nossas conversas desde 2016, pelo menos, em todos espaços de lutas políticas no Brasil.
Neste contexto torna-se indispensável entender o caráter da operação de espionagem em torno da Vaza Jato. Como bem sabemos a espionagem entre atores políticos e econômicos no Brasil cresceu enormemente desde o final da ditadura. Neste momento tornou-se questão relevante saber quem pagou os serviços do hacker de Araraquara, que tem toda a cara de arapuca armada pela espionagem do próprio governo. Contra-informação? Com a palavra a PF. O fato é que a Vaza Jato serviu para rasgar a aura da LJ junto a parcelas influentes da opinião pública, desmontou e trouxe as provas da farsa punitivista armada por Moro.
Alguns ainda afirmam que Moro nada perdeu politicamente com a Vaza Jato. A queda da popularidade, no primeiro momento, está longe do que ainda pode ocorrer. A tendência de queda é alta e depende das verdades que continuarão vindo à tona. Desmontar o ideário punitivista de Moro assentado no direito penal do inimigo e do MPF agora é tarefa essencial.
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quarta-feira, 24 de julho de 2019
Greenwald, os "hackers" e a PF de Moro que prende e arrebenta a democracia e o Direito: Pedro Zambarda e Kiko Nogueira entrevistam o jurista Pedro Serrano sobre a ação macartista de Moro contra Glenn Greenwald
Operação Spoofing não mostra elo entre hacker e vazamentos do Intercept
As autoridades atingidas pela suposta atuação dos 4 hackers presos até agora são do Rio de Janeiro e São Paulo, e não têm relação com a Vaza Jato

Jornal GGN – Embora sirva de combustível para os bolsonaristas que defendem a Lava Jato a qualquer custo – como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que está ansiosa pela “delação premiada” dos hackers presos na terça (23) – o fato é que, até agora, a Operação Spoofing não mostrou qualquer elo entre as alegadas invasões em celulares de autoridades e o vazamento de mensagens de Telegram que fomentou as reportagens do Intercept.
A edição de O Globo desta quarta (24), por exemplo, é pura indecisão sobre esse “detalhe”: alguns textos misturam a Operação Spoofing com a Vaza Jato, mas outros admitem que “ainda não há indício de relação direta”.
Quem está usando a Spoofing para subir o tom contra Glenn Greenwald e equipe esquece, deliberadamente, de olhar para a lista das vítimas da suposta atuação dos 4 hackers presos até agora:
Além de Sergio Moro, estão:
- O desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que fica no Rio de Janeiro.
- O juiz federal Flávio Lucas, da 18ª Vara Federal do Rio.
- O delegado da Polícia Federal Rafael Fernandes, da Superintendência paulista.
- O delegado da Polícia Federal Flávio Vieitez Reus, que atua em Campinas.
O que esses nomes têm a ver com a Vaza Jato do Intercept ou mesmo com a operação conduzida antes por Moro?
A invasão relatada por Deltan Dallagnol, segundo O Globo, não consta no documento que autorizou a busca e apreensão e as prisões dos hackers, a maioria do interior de São Paulo.
Apenas 3 dos 4 presos já tiveram a identidade divulgada: “Gustavo Henrique Elias Santos, de 28 anos, que trabalha como DJ e já respondeu por porte ilegal de arma; sua esposa, Suelem; e Walter Delgatti Neto. Outro suspeito é conhecido em Araraquara pelo envolvimento em golpes na internet.”


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quinta-feira, 21 de março de 2019
A prisão de Temer pela Lava Jato neste momento, após a briga de Maia com Moro, mostra como o estado policial manipula a justiça e o populismo para saciar interesses em torno do poder. Reportagem de Tiago Barbosa
"A indignação coletiva é, então, apropriada pela Lava Jato para tentar exibir força justamente quando tem abusos freados pelo STF e pelo Congresso."
Do DCM:
Com prisão de Temer, Lava Jato manda recado à classe política. Por Tiago Barbosa

A prisão de Temer mostra como o estado policial manipula a justiça e o clamor popular para saciar interesses em torno do poder.
O ex-presidente tem esquemas criminosos há décadas, mas permaneceu intocável enquanto servia como preposto do golpe contra Dilma.
A mediocridade na presidência e o ataque à democracia inspiraram ódio à direita e à esquerda do espectro político – e a prisão dele virou objeto de desejo unânime.
A indignação coletiva é, então, apropriada pela Lava Jato para tentar exibir força justamente quando tem abusos freados pelo STF e pelo Congresso.
O encadeamento dos fatos é espantosa: Rodrigo Maia passa um pito em Moro, pai da Lava Jato, e o amigo do ex-juiz, Marcelo Bretas, manda prender Temer e Moreira Franco, “sogro” de Maia.
A Lava Jato faz teatro para a sociedade ao mandar à prisão – de forma irregular, um drible na proibição de condução coercitiva – um pária público em torno de quem ninguém derrubará uma lágrima.
E manda um recado à classe política para inibir quem se colocar contra interesses autoritários de policiais, procuradores e juízes.
É, em linhas gerais, o braço armado e investigativo do Estado desviado para fins políticos para se sobrepor à sociedade.
A captura tardia de Temer deixa, sim, um sorriso aberto pelo papel deletério desse crápula na queda de Dilma, no desmonte do país e na eleição do tosco Bolsonaro.
Mas é ilusão associá-la a senso de justiça ou seriedade da Lava Jato, há tempos a constituição formal de um poder paralelo criado para distorcer as leis, insuflar o ódio e subjugar o país pelo punitivismo enquanto entrega tudo aos americanos.
Temer, corrupto notório, e companhia calaram nos abusos contra Lula e ajudaram a criminalizar a política, sobretudo a esquerda – e agora, sofrem na pele o preço cobrado pelos tentáculos do estado policial.
No cadafalso do golpe, Dilma profetizou: não vai sobrar pedra sobre pedra entre os golpistas – o problema é que, sob essa ruína, estamos todos, eu, você e um país destroçado por uma elite avessa ao poder popular.
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quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Moro e o Estado Policial, por Jeferson Miola
"No livro “Estado de exceção: a forma jurídica do neoliberalismo”, Rafael Valim afirma que “a exceção, ao negar a lei, principal produto da soberania popular, toma de assalto a democracia. A pretensão de um governo impessoal das leiscede lugar ao governo pessoal dos homens. O povo é destronado em favor do soberano, o que explica a afirmação de Giorgio Agambem de que a exceção é o absolutismo da contemporaneidade”. " - Jeferson Miola
Do Jornal GGN e Blog de Jeferson Miola:
por Jeferson Miola
Sérgio Moro se encaixa com perfeição no conceito de déspota do dicionário Houaiss:
“1. que ou quem exerce autoridade arbitrária ou absoluta (diz-se degovernante); tirano
2. que emprega ou quem quer que empregue de autoridade tirânica para dominar, revelando caráter autoritário
3. que ou o que exerce alguma forma de imposição ou autoritarismo, em qualquer campo”.
2. que emprega ou quem quer que empregue de autoridade tirânica para dominar, revelando caráter autoritário
3. que ou o que exerce alguma forma de imposição ou autoritarismo, em qualquer campo”.
Moro não é um déspota por acidente. Sua forma de agir, como autoridade dotada de poderes ilimitados que despreza a ordem constitucional e legal vigente, foi sendo legitimada e banalizada por um judiciário de exceção, permissivo com a transmutação do juiz provinciano em agente político e celebridade influente da cena brasileira.
Os tribunais superiores e o CNJ fecharam os olhos para os arbítrios e ilegalidades cometidas por ele e outros agentes da Lava Jato que pretextam o combate à corrupção para perseguirem e aniquilarem inimigos.
No livro “Estado de exceção: a forma jurídica do neoliberalismo”, Rafael Valim afirma que “a exceção, ao negar a lei, principal produto da soberania popular, toma de assalto a democracia. A pretensão de um governo impessoal das leiscede lugar ao governo pessoal dos homens. O povo é destronado em favor do soberano, o que explica a afirmação de Giorgio Agambem de que a exceção é o absolutismo da contemporaneidade”.
Valim sustenta que os estados de exceção irrompem do antagonismo entre o neoliberalismo e a ordem democrática. E conclui que, “em última análise, o estado de exceção é uma exigência do atual modelo de dominação neoliberal”, e “o soberano na contemporaneidade é o mercado”.
Para atender ao interesse do mercado e do establishment, “A fim de preservar o estado de coisas vigente, o Estado empreende uma guerra incessante contra um inimigo virtual, constantemente redefinido, do qual se retira, em alguns casos, a própria condição de pessoa, reduzindo-os a um outro genérico, total, irreal. Em síntese, o mercado define os inimigos e o Estado os combate”.
Na opinião de Valim, “o principal e mais perigoso agente da exceção no brasil é o poder judiciário”. Se poderia dizer que Sérgio Moro é o principal agente da exceção, ao passo que Lula é o inimigo definido pelo mercado para que o Estado o combata [ou o assassine].
A nomeação do Moro como ministro do Bolsonaro avaliza a narrativa de que a Lava Jato foi instrumentalizada para banir Lula da eleição presidencial e viabilizar a vitória do antipetismo.
Com Moro no ministério da justiça, o Estado de exceção tende a avançar na direção de um Estado policial, inclusive para garantir as condições ambientais e institucionais para a consecução do devastador projeto econômico que será imposto não sem enfrentar enorme resistência popular.
A historiadora francesa Maud Chirio arrisca que “no dia 3 de janeiro de 2019, o MST e o MTST serão declarados organizações terroristas. No começo de fevereiro, o PT vai ser interditado. Haverá um expurgo na administração pública, que já está em preparação” [Ilustríssima da FSP, 4/11/2018].
Esta previsão, embora pareça exagerada à primeira vista, não pode ser menosprezada, pois alerta para o risco, bastante real, de introdução do terror de Estado pelo regime bolsonarista senão em 3 de janeiro, possivelmente no período sombrio que sua eleição inaugura.
Quando político de toga em Curitiba, Moro subverteu o Estado de Direito com a adoção do direito penal do inimigo e de medidas ilegais e arbitrárias, como a condução coercitiva sem recusa do acusado em depor espontaneamente; a delação premiada como método de tortura psicológica e chantagem dos denunciados; o cumprimento antecipado de pena; a destruição midiática de reputações etc.
Bolsonaro entregou a Moro um superministério com hiperpoderes e satelizado por órgãos que podem ser desvirtuados para funcionarem como polícia política.
Não surpreenderá que como super-ministro que terá formidável autoridade administrativa e poder discricionário, o despótico Moro implante dispositivos de perseguição, repressão, controle, espionagem e intimidação dos inimigos e oponentes do regime na perspectiva do Estado policial.
Não por acaso os primeiros escolhidos para sua equipe ministerial são aqueles agentes da PF e do MP mais organicamente identificados com práticas de exceção e com o extremismo de direita.
Muito se especula sobre supostos vínculos do Moro com agências do governo norte-americano que atuam justamente nas áreas por ele anunciadas como prioritárias na sua gestão: “uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado”.
Em breve este discurso do “combate ao crime organizado e à corrupção” será substituído pela retórica de “combate ao inimigo interno” e aos “terroristas” que se opõem ao regime, ou seja, o conjunto da cidadania, em especial os movimentos sociais, intelectuais, ativistas e militantes progressistas e de esquerda.
A implantação do Estado policial e o revigoramento do aparelho repressor que subsiste desde a ditadura é uma perspectiva absolutamente realista destes tempos sombrios em que os militares atuam com assombrosa desenvoltura.
O endurecimento autoritário do regime é, aliás, um requerimento para que o establishment consiga impor a selvagem agenda anti-povo, anti-nação e anti-democracia dos Chicago Boys e dos cônsules dos EUA que pretendem fazer do Brasil uma terra arrasada e dominada por interesses estrangeiros.
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