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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Almirante Othon diz que “houve interesse internacional” em sua prisão na Lava Jato



Do DCM:


Othon Pinheiro

O almirante Othon, ex-presidente da Eletronuclear preso na Lava Jato, deu entrevista à Folha.
Condenado a 43 anos de reclusão, sob a acusação de que recebeu propina de empreiteiras que tinham obras em Angra 3, ele foi solto em outubro com um habeas corpus.
O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) defendeu o indulto de Othon Luiz Pinheiro da Silva por considerar que “ele tem muito mais a contribuir com o país estando livre do que preso”.
“Estamos falando de um cientista, um físico nuclear como poucos no mundo. A quem interessa ter esse homem preso? Independentemente dos erros que ele tenha ou não cometido, a contribuição que ele deu e pode dar ao país é muito maior que isso”, disse.
Othon afirma que houve “interesse internacional” em sua prisão.
O senhor diz que sua prisão interessa ao sistema internacional. Que evidência tem disso?
Como começou tudo isso? Num depoimento que o presidente de uma empreiteira fazia sobre um contrato com a Petrobras.
Ele mencionou que ouviu dizer algo sobre o presidente da Eletronuclear estar de acordo com um cartel.
Isso serviu de pretexto para os camaradas vasculharem a minha vida desde garoto. Havia um direcionamento.
Mas haveria um comando externo nas investigações?
Não comando, mas influência forte, ideológica. Não posso provar mas tenho um sentimento muito forte. Houve interesse internacional.
E por que haveria interesse internacional em sua prisão?
Porque tudo o que eu fiz [na área nuclear] desagradou. Qual o maior noticiário que tem hoje? A Coreia do Norte e suas atividades nucleares. A parte nuclear gera rejeição na comunidade internacional.
E o Brasil ser potência nuclear desagrada. Disso eu não tenho a menor dúvida.
Há setores que acreditam que o Brasil deveria desenvolver a bomba atômica. O país fez bem em abrir mão dela?
Eu acho que fez. O artefato nuclear é arma de destruição de massa e inibidora de concentração de força. Mas, no nosso caso, se tivéssemos a bomba, desbalancearíamos a América Latina, suscitando apreensões.
E a última coisa que a gente precisa na América Latina é de um embate.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Almirante Othon, o pai da ciência nuclear brasileira que foi preso a mando da Lava Jato, é libertado, afinal.



"A ciência brasileira deve a ele amparo e suporte. Foi um homem, durante toda a vida, perseguido e espionado pela CIA. No final da vida, passou a sê-lo por brasileiros que acham que a guerra pela tecnologia nuclear é um honesto joguinho de biriba de senhoras aposentadas." - Fernando Brito

Almirante Othon é libertado, afinal.

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Da Folha, agora há pouco, na coluna de Monica Bérgamo, a tardia libertação do Almirante Othon da Silva, que completa 79 anos em fevereiro,a quem o Brasil deve o alto estágio de domínio do ciclo nuclear:
O TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2a Região) concedeu habeas corpus revogando a prisão preventiva do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva.
Considerado um dos mais importantes cientistas nucleares brasileiros e um dos pais do programa nuclear do país, ele foi condenado a mais de 40 anos de prisão na Operação Lava Jato.
Acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e de tentar embaraçar as investigações, ele estava detido há dois anos, numa instalação da Marinha no Rio de Janeiro.
O almirante está passando por um tratamento de câncer de pele.
Segundo o advogado Fernando Fernandes, “a soltura é um ato de justiça e humanidade”.
A ciência brasileira deve a ele amparo e suporte. Foi um homem, durante toda a vida, perseguido e espionado pela CIA. No final da vida, passou a sê-lo por brasileiros que acham que a guerra pela tecnologia nuclear é um honesto joguinho de biriba de senhoras aposentadas.