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sábado, 11 de junho de 2016

Um País. Um só grito: Fora Temer

Contra Temer, 100 mil vão às ruas de SP. Centenas de milhares lotam todas as outras capitais.

Da Frente Popular Brasil
Perto de completar um mês de governo ilegítimo, Michel Temer é alvo de protestos que aconteceram no Brasil e em dezenas de cidades fora do País. São Paulo reuniu 100 mil pessoas; Minas Gerais 40 mil; Rio de Janeiro 30 mil, Pernambuco 30 mil; Brasília 10 mil. Centenas de milhares de pessoas gritaram Fora Temer nesta sexta-feira, 10 de junho.
O ato unificado nacional organizado pela Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo teve como mote as bandeiras Fora Temer; Não ao golpe; Nenhum Direito a Menos e começou na véspera com uma série de paralisações e ocupações em sedes do Incra e agências do INSS. No final da noite, a TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo no Ceára também foi ocupada.
Em São Paulo, o ato contou com a participação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e artistas do movimento #OcupaCultura que desde o início do governo interino estão ocupados nos 27 estados.
Lula criticou os cortes que Temer está fazendo em áreas estratégicas como educação e saúde e também os cortes nos ministérios.
“Não é possível imaginar que alguém não tenha sensibilidade para entender a questão dos negros da nossa sociedade que foi escravizada por muitos anos. Não é possível que não reconheça a violência contra os direitos humanos, a violência na periferia, contra os pobres e acaba com ministério dos Direitos Humanos”, indignou-se Lula.
A sede de poder de Michel Temer também criticada por Lula. Segundo o ex-presidente, o pemedebista não respeitou a interinidade. “Eu fico imaginando a atitude do Temer que deu um golpe na decisão do Senado. Ele pegou a interinidade e não agiu como um presidente interino”.
Lula ainda apelou para o senso de advogado criminalista do atual presidente. "Não vou dizer Fora Temer, não pega bem. Temer é um advogado constitucionalista, deve devolver o poder para uma presidenta legitimamente eleita"
Unidade
A unidade dos movimentos sociais foi ressaltada pelos dirigentes das entidades que compõem as Frentes.
De acordo com Vagner Freitas, presidente da CUT, “a coisa mais importante que foi construída nesse processo todo foi essa linda unidade da esquerda e dos movimentos sociais para impedir o impeachment e retomar a democracia”.
A presidente da União Nacional dos Estudantes, Carina Vitral, afirmou que esse é um momento de valorizar as bandeiras que unificam as entidades do movimento social. “Hoje estamos na rua para pedir Fora Temer, essa é a bandeira que nos unifica e esse é o objetivo principal dos movimentos sociais”.

Veja como foi o ato nos estados acessando a nossa página no Facebook

Em São Paulo, manifestantes ameaçam promover greve geral no país

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Milhares de pessoas se reúnem na Avenida Paulista em protesto contra o presidente interino, Michel Temer (Elaine Patrícia Cruz/Agência Brasil)
Manifestantes ocuparam a Avenida Paulista e os organizadores estimam que 100 mil pessoas participaram do ato na noite desta sexta-feiraElaine Patrícia Cruz/Agência Brasi
Durante ato realizado na noite desta sexta-feira (10), na Avenida Paulista, em São Paulo, movimentos sociais e sindicais ameaçaram  promover uma greve geral no país, caso o governo do presidente Michel Temer promova mudanças na Previdência Social ou a perda de direitos de trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, disse que “Se passar a pauta conservadora de mexer com a Previdência, de tirar os direitos dos trabalhadores, estamos conclamando vocês: vamos organizar a maior greve geral que este país já teve”,



“O governo Temer não vai ter sossego porque nós não admitimos que o capital financeiro faça os ajustes retirando os direitos e acabando com os direitos do povo brasileiro”, disse Gilmar Mauro, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
O ato foi convocado pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo sem Medo e reuniu movimentos e centrais sindicais. Teve também a presença de muitos políticos  da região, além de um show do cantor Chico César. “Aqui é momento de unidade de todas as forças populares, democráticas e de esquerda para barrar o golpe e depor um governo ilegítimo”, disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão.
Também participou do ato o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, pela manhã, recebeu a visita da presidenta afastada Dilma Rousseff, na capital paulista, para conversarem, segundo o Instituto Lula, sobre “a situação política do país”.
Na Paulista, Lula discursou por cerca de 35 minutos. No início de seu discurso, Lula disse que não poderia convocar uma greve geral no país: “Não posso falar em greve geral porque não estou dentro da fábrica e porque aposentado não faz greve”.
Segundo os organizadores, o ato contou com a presença de 100 mil pessoas. A Polícia Militar não fez uma estimativa do público presente à manifestação.

Edição: Jorge Wamburg

terça-feira, 17 de março de 2015

A bolsonária malafáica infeliciana olavettiana "revolução"/involução da Elite Branca

Texto narrativo de Eduardo Guimarães, extraído do Blog da Cidadania:

A Revolução da Elite Branca



elite 3
Residente da região da avenida Paulista, onde centenas de milhares de cidadãos organizados se reuniram no último domingo (15/3) para exigir a deposição da presidente Dilma Rousseff, ao sair de casa, por volta do meio dia, para ir registrar imagens, vejo-os saindo dos condomínios ao lado daquele em que resido.
Espalhafatosos e reluzentes em suas “armaduras” verde-amarelas, deixavam imóveis que custam entre 1 e 20 milhões de reais, em média, na região.
Caminho pelas ruas limpas, servidas por coleta de lixo eficiente, por policiamento farto, por todos os serviços públicos e privados de que se possa necessitar. Misturo-me a eles, ouço o que dizem enquanto marchamos, todos, rumo à paulista.
Quando chegamos à extremidade Sul da avenida, noto que aqueles que deixavam suas residências ainda sonolentos e de cabelo molhado, ingressam no shopping que leva o nome da avenida. Vou com eles. Grande parte tinha ido comer alguma coisa antes de ir à cruzada contra o governo que abomina.
elite 2
Reflito que, se todos os que moram na região forem se manifestar, somarão centenas de milhares, pois, apesar de ser uma região pequena, a esmagadora maioria das residências é composta de edifícios de 10, 15, 20 andares. Cada condomínio abriga 100, 200 pessoas.
Mas não eram só os habitantes daquela região que vinham chegando à Paulista. Eles também brotavam do chão, vindos dos bairros servidos pelo metrô – ou seja, só os bairros centrais.
Dizem que o governo Alckmin liberou as catracas do metrô para que todos pudessem se manifestar de forma mais econômica. Quem paga? Todos os paulistas, inclusive os que discordam da manifestação.
elite 1
Volto à avenida e eles continuam chegando de suas residências nas ruas transversais ou do subsolo. Encantam-se com um homem vestido com a bandeira norte-americana, sugerindo coisa diferente do que diziam suas roupas verde-amarelas.
elite 3
Caminho mais alguns passos e vejo uma multidão de camisas amarelas aos berros, xingando, mostrando o dedo, vaiando alguma coisa que parecia estar no céu. Espantado, ergo os olhos e vejo alguém, no alto de um prédio, agitando uma bandeira vermelha do PT.
elite 4A caminhada até manifestação gigantesca me permite afirmar que quem se manifestou contra Dilma Rousseff foi uma classe social de uma região específica de uma cidade que tem 11 milhões de habitantes, o que agiganta qualquer aglomeração humana que for convocada com sucesso.
O Blog produziu um vídeo dessa caminhada que permite comprovar o que diz o parágrafo anterior. Assista-o, abaixo, e tire suas conclusões. Em seguida, assista ao vídeo de entrevista que este blogueiro deu à TV dos trabalhadores
Entrevista à TVT

sábado, 14 de março de 2015

E o povo foi para a rua lutar pela Petrobrás e proteger a democracia....


  A manifestação robusta que irrompeu no coração do conservadorismo brasileiro surpreendeu o mundo político, surpreendeu a mídia conservadora, surpreendeu os sindicalistas, surpreendeu um PT, de lideranças graúdas inexplicavelmente ausentes, e certamente surpreendeu também o golpismo, assim como não era esperada tampouco pelo governo.
 A agenda do golpe foi maciçamente afrontada — no seu núcleo duro e em mais 23 cidades brasileiras.

   Segue texto de Saul Leblon, extraído do Carta Maior:

  Se existe aprendizado em política, as mobilizações registradas no Brasil nesta sexta-feira, 13, mas sobretudo, a passeata de cerca de 50 mil pessoas que tomou conta da avenida Paulista, em São Paulo debaixo de um temporal diluviano, não deve ser tratada com negligência.

   Nem pela direita.

  Quanto mais pela esquerda.

  A manifestação robusta que irrompeu no coração do conservadorismo brasileiro surpreendeu o mundo político, surpreendeu a mídia conservadora, surpreendeu os sindicalistas, surpreendeu um PT, de lideranças graúdas inexplicavelmente ausentes, e certamente surpreendeu também o golpismo, assim como não era esperada tampouco pelo governo.

 Quem esteve lá sabe do júbilo estampado nas faces de homens e mulheres de origem predominantemente popular que ali se reuniram vindos de pontos distantes da Grande São Paulo, igualmente deslumbrados ao se identificarem com a alma e o corpo lavados como protagonistas de um acontecimento ímpar.

  Uma virada paulista.

  O ato que que se estendeu pelos três quilômetros da avenida, de dimensões absolutamente impensáveis horas antes, desafiou todas as circunstancias adversas que o cercavam.

 Tinha tudo para dar errado.

 Uma agenda ambígua de apoio e crítica ao governo, a convocação confusa, quase revogada no meio do caminho, o distanciamento desencorajador do governo, o vai não vai das lideranças do PT — que, ao final, não vieram, o fim de tarde de uma sexta-feira, ainda por cima 13, a chuva — imprevista pela meteorologia, que para cúmulo das provações desabou como um temporal copioso na descida da Consolação, ademais do medo de enfrentamentos com a direita, martelado insistentemente pela mídia, etc.

 Enfim, só um milagre autorizava apostar no êxito de um ato num quadro político até então tomado por uma vertiginosa e aparentemente incontrolável escalada golpista.

 Daí o olhar cúmplice do tipo ‘nós fizemos’’ que os marchadores trocavam em meio à cortina de água que chicoteava de cima e gelava os pés à caminho da praça da República, na altura do cemitério da Consolação, quando a culatra da passeata ainda deslizava sua grandiosidade pela Paulista.

 Alguns preferiram não acreditar no que viam, especialmente a mídia.

 Caso escandalosamente deliberado do O Globo, por exemplo.

 Incapaz de explicar o que deu errado com a sua esférica avaliação de um governo Dilma crepuscular e isolado, o jornal dos Marinhos, sapecou em seu site um irrisório ‘atos pró-governo reúnem 33 mil em 24 estados’.

 Assim, numa aritmética sem pejo, sonegou aos heróis da virada paulista uma existência física, mas sobretudo política, inscrita no caudal sem fim que o seu telejornalismo não teve a coragem de mostrar em perspectiva e tampouco nas imagens aéreas feitas e sonegadas aos seus telespectadores.

 A blindagem cognitiva fica escancarada quando a própria e insuspeita Datafolha, de conhecidas tradições, reconhece o que era ostensivamente incontornável: havia mais de 40 mil pessoas emendando toda a extensão dos três quilômetros da avenida Paulista até as proximidades da Igreja da Consolação, mais dois quilômetros abaixo.

A lguns, os mais entusiasmados, falavam em 100 mil lavadas pelas das águas de março na descida da Consolação, rumo à praça da República.

 Que tenham sido 50 mil. Ou, por baixo, os 41 mil do Datafolha.

 A verdade é que depois de aguaceiro humano e político desta improvável sexta-feira 13, o Brasil não é o mesmo.

 E o Brasil não é o mesmo porque em São Paulo a rua não é mais da direita.
 Não sendo mais da direita no coração do conservadorismo brasileiro, a agenda política nacional mudou.

 E de tal forma que não importa o que acontecer domingo na mesma avenida porque ela já não é mais o balneário da reação.

 Poucas vezes foi tão importante a presença das forças progressistas e democráticas nas ruas como aconteceu nesta sexta-feira.

  Não importa o que ocorrer dia 15 , a virada já aconteceu.

 A agenda do golpe foi maciçamente afrontada — no seu núcleo duro e em mais 23 cidades brasileiras.

 Mas o que se deu em São Paulo foi adicionalmente significativo por enviar um recado de uma parcela específica da população para o centro da disputa política.

  O que se via debaixo do aguaceiro era maciçamente um painel do rosto da periferia brasileira.

  Um rosto de maciça composição popular que demonstrou o poder de mobilização da CUT e dos movimentos populares.

  O rosto de um personagem que não tocou panelas no levante da varanda gourmet no domingo anterior.

  Mas que agora mandava um recado líquido e pluvial a quem possa interessar.

  A contrapelo de muitos, São Paulo provou que o capital político do governo Dilma é maior do que diz o agendamento conservador. Maior do que o próprio governo e o PT supõem.

  Resta não desperdiçá-lo.

  Um bom começo é aprender a lição do poder que tem o desassombro político.

  A política não é uma equação estática.

  A mudança de uma peça altera o equilíbrio de todo o tabuleiro.

 A pretensão tucana de sangrar o governo Dilma até 2018 e assim ferir de morte também uma eventual candidatura de Lula, só ganha aderência real se o outro lado se enquadrar no figurino da paralisia política.

 A prostração pode mudar com uma iniciativa que inaugure uma nova referência política.

 Ou não foi a versão extremada disso que aconteceu em 24 de agosto de 1954?

 O sacrifício pessoal de Vargas e uma carta testamento memorável escancaram a natureza antipopular do cerco conservador ao seu governo incendiando a revolta nas ruas contra os adversários golpistas.

 Não é preciso o gesto extremo, porém, para reverter a escalada de um golpe de Estado.

 O importante a reter — que a virada paulista desta sexta-feira reafirmou — é a coragem da iniciativa política.

 Em 1961, a mesma cepa que hoje se propõe a sagrar o Brasil tentou impedir a posse de Jango, após a renúncia de Jânio Quadros.

 Só uma resistência organizada — é oportuno escandir a palavra or-ga-ni-za-da — impediria a consumação do golpe branco.

 Mas ela tardava.

 Foi então que Leonel Brizola mexeu uma peça no tabuleiro do xadrez político.

 Em 27 de agosto, ele personificou o gesto redefinidor com a criação da ‘Cadeia da Legalidade’.

  De início, formada por uma rede de rádios gaúchas, a resistência operava do porão do Palácio Piratini, para onde o líder gaúcho requisitara os transmissores da rádio Guaíba, de Porto Alegre.

 As tropas da Brigada Militar protegiam o Palácio em vigília diuturna.

 Através das ondas médias e curtas ocupava-se o noticiário 24 horas por dia.

 Brizola conclamava o povo a ir às ruas em defesa da legalidade democrática, contra o golpe da junta militar que, em Brasília, recusava autorização para Jango, em viagem oficial ao exterior, retornar ao país.

 Aos poucos, outras emissoras de Porto Alegre e do interior do Estado uniram-se à Rede, que chegou a cravar 100% de audiência no estado.

 O efeito contagiante da resistência romperia a fronteira gaúcha para formar uma cadeia com 104 emissoras de todo o Brasil e de países vizinhos.

 Boletins noticiosos em inglês, espanhol e alemão passaram a ser emitidos.

 Foram 10 dias que abalaram o Brasil.

 Finalmente, o III Exército rachou e declarou solidariedade ao movimento.

 O conjunto forçou o Congresso conservador a buscar uma solução negociada.

  Em 7 de setembro de 1961, Goulart receberia a faixa presidencial.
  O inusitado ocorrido na avenida Paulista nesta sexta-feira 13 contém a contagiante vitalidade dos gestos que devolvem o poder de iniciativa ao campo progressista.

 Forças que se imaginava menos mobilizáveis e mais frágeis ergueram-se pelos próprios cabelos para devolver a bola do jogo ao governo e ao PT.

 Cabe-lhes não desperdiçar o precioso espaço reconquistado.

 Um bom começo é perder o medo da rua.

 Mais que perder o medo.

 Apostar na rua.

 Nas próximas manifestações — porque serão necessárias — seria interessante que lideranças do partido, inclusive as mais graúdas, voltassem a essa origem.

 E marchassem ao lado do povo.

 Esse povo ‘pago’, segundo a mídia, que veio das periferias distantes tem algo a ensinar às suas lideranças.

 Em defesa da democracia, do pré-sal e do Brasil é preciso sair na chuva para se molhar.

Saul Leblon