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segunda-feira, 4 de março de 2024

Exército liberou armas para condenados, laranjas e até foragidos, diz jornal, citando relatório do TCU

 

Licenças foram dadas para assassinos e pessoas do crime organizado, informa o Estadão

Do iclnoticias.com.br



Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) informa que o Exército concedeu licenças de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs) para condenados por crimes como homicídio, tráfico de drogas, pessoas com mandados de prisão em aberto e outras que podem ter sido usados como “laranjas” do crime organizado.

O documento de 139 páginas traz informações detalhadas sobre o controle de armas por parte dos militares entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, maior incentivador da emissão de carteirinhas de CACs.

Durante a era Bolsonaro na presidência, 5.235 pessoas em cumprimento de pena puderam obter, renovar ou manter os chamados certificados de registro (CR). Dessas, 1.504 tinham processos de execução penal ativos quando submeteram a documentação ao Exército, mas não foram barradas.

Os demais foram condenados após pedirem o CR, mas não tiveram a documentação cancelada. A Força também liberou armas de fogo a 2.690 pessoas com mandado de prisão em aberto, ou seja, eram foragidas da Justiça.

As informações são do repórter Tácio Lorran e Vinícius Valfré, do Estadão.

“A concessão, a revalidação e o não cancelamento de CRs vinculados a pessoas inidôneas possibilita o acesso delas a armas de fogo e munições, representando um risco à segurança pública”, afirma o relatório.

Procurado, o Exército disse que não daria detalhes em razão do caráter sigiloso do documento.

Pela Lei 10.826/2003, conhecida como Estatuto do Desarmamento, apenas pessoas que comprovem serem idôneas, ou seja, que não estejam respondendo a inquérito policial ou a processo criminal, poderiam ter acesso aos certificados. O relatório do TCU conclui que a legislação tem sido descumprida.

CACs e suas armas poderiam ser úteis em tentativa de golpe

Antônio Cruz/Agência Brasil

Antônio Cruz/Agência Brasil

Curioso é que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, disse à Polícia Federal que aliados radicais de Jair Bolsonaro (PL) eram favoráveis à utilização de “um braço armado” para executar o plano golpista do ex-presidente. Em delação, o ex-ajudante de ordens informou que haveria apoio de CACs na tentativa de golpe de Estado.

Um dos motivos apontados é a falta de uma declaração de antecedentes nacional e unificada. Um decreto de Bolsonaro, de 2019, restringiu a documentação ao local atual de domicílio de quem solicita o registro de CAC.

“A emissão delas [certidões de antecedentes] não é unificada a nível nacional, o que, por si só, representa uma debilidade na avaliação da idoneidade dos interessados em obter acesso a armas de fogo nos termos da Lei 10.826/2003. A forma como a matéria foi regulamentada em 2019 — ao restringir a comprovação de idoneidade à unidade federativa (UF) atual de domicílio —, pode ter exacerbado essa fragilidade, que não parece ter sido suficientemente mitigada na regulamentação emitida em 2023”, diz o relatório.

O documento elenca os crimes mais comuns que renderam condenações aos CACs. Entre eles, homicídio, tráfico de drogas, lesão corporal dolosa, direção sob efeito de álcool, roubo, receptação e ameaça.

“A gravidade das condutas, por si só, já reforça indicadores de criminalidade e abala a sensação de segurança, sobretudo daqueles impactados de algum modo pelos delitos. Contudo, quando se leva em consideração que parcela significativa desses indivíduos ainda possui CRs ativos e acesso a armas, entende-se haver disponibilidade de meios para: a reincidência de práticas criminosas; a progressão da gravidade das condutas — por exemplo, a ameaça evoluir para um homicídio ou a lesão corporal contra a mulher evoluir para um caso de feminicídio; e a obstrução das investigações ou dos processos criminais — afinal, a arma pode ser utilizada para fuga, intimidação ou assassinato de testemunhas, entre outros”, diz o TCU.

A auditoria alertou ainda para o risco de milhares de “laranjas” terem sido registrados como atiradores para providenciar armas ao crime organizado. Ao cruzar dados do Exército com a base de pessoas de baixa renda aptas a receber benefícios sociais, o levantamento encontrou 22.493 pessoas inscritas no Cadastro Único com pelo menos uma arma de fogo. O cadastro contempla pessoas com renda familiar per capita de até meio salário mínimo.

“A equipe de auditoria entende que o exame de pessoas com baixa renda proprietárias de armas de fogo, que possuem custo de aquisição elevado, pode compor uma tipologia de risco capaz de auxiliar na identificação de possíveis ‘laranjas’”, diz o documento. “São indivíduos potencialmente de baixa renda e que são proprietários de armas, alguns com quantidade elevada delas, suscitando questionamentos sobre a viabilidade de as aquisições dessas armas terem ocorrido com recursos próprios.”

Desde que Bolsonaro afrouxou critérios para acesso aos itens, inquéritos policiais vêm identificando intermediários da compra de armas para facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em São Paulo, um deles foi encontrado com arsenal avaliado em R$ 50 mil, apesar de renda declarada de R$ 2 mil.

“Eles (integrantes do PCC) pagavam de R$ 35 mil até R$ 59 mil num fuzil no mercado paralelo e agora pagam de R$ 12 mil a R$ 15 mil um (fuzil calibre) 556 com nota fiscal”, afirmou em uma entrevista ao Estadão o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos maiores especialistas em combate ao crime organizado do País.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Jeferson Miola: Sem expulsar Mauro Cid, o Exército vincula sua imagem ao crime e à corrupção

 

"Ou o Exército prova que roubar patrimônio público não é missão militar ou vincula a imagem da instituição ao crime", escreve o colunista Jeferson Miola

Tenente-coronel Mauro Cid na CPMI dos Atos Golpistas

Tenente-coronel Mauro Cid na CPMI dos Atos Golpistas (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

Ao escrever que o relógio Rolex cravejado de diamantes “foi um presente recebido em viagem oficial de negócios”, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid assumiu que planejava roubar um bem pertencente ao patrimônio da União e ilegalmente vendê-lo no estrangeiro.

Este ilícito é mais um que passa a integrar o diversificado catálogo de desvios, crimes e ilegalidades cometidas pelo multi-delinquente fardado.

A variedade de crimes cometidos por Mauro Cid – filho de um general [Lorena Cid] e neto de um coronel do Exército [Antônio Carlos Cid] –, sugere que o cargo de ajudante de ordens era, na realidade, uma fachada para práticas criminosas.

O tenente-coronel está preso, mas por determinação do STF, não em decorrência de apurações do Exército, que se omite e prevarica diante da ficha corrida dele, que justificaria sua expulsão do Exército.

Até aqui, a impunidade tem sido a regra das Forças Armadas em relação a todos delinquentes fardados que cometeram ilíticos e participaram dos atentados à democracia e ao Estado de Direito.

Mauro Cid cumpre pena de prisão num quartel do Exército em Brasília, onde é tratado com regalias e recebe apoio psicológico, espiritual e, claro, a solidariedade da família militar, que levanta sua moral com romarias diárias de visitas.

O comando do Exército mandou Mauro Cid comparecer fardado na CPMI dos atos golpistas. A intenção era afrontar o poder político e colocar a instituição militar em sua defesa. Mexer com Mauro Cid é o mesmo que mexer com o Alto Comando do Exército.

Em comunicado, o Exército justificou a decisão alegando que, ao ser designado pelo comandante da Força para se desempenhar como ajudante de ordens do Bolsonaro, Mauro Cid “cumpria missão militar”.

O Exército encontra-se, agora, numa encruzilhada.

Ou expulsa Mauro Cid do Exército e prova que roubar patrimônio público e passar o Código Penal em revista não é missão militar; ou, então, o Exército vincula irremediavelmente sua imagem ao crime e à corrupção.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Frederico II comandou exércitos e ele sabia das coisas… Por Fábio de Oliveira Ribeiro

 

A julgar pelo desempenho de Jair Bolsonaro como oficial militar subalterno, como deputado federal e como presidente devemos admitir que os exércitos continuam recrutando seus membros no rebotalho da sociedade.

Jornal GGN:

Frederico II comandou exércitos e ele sabia das coisas…

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Em seu “O Anti-Maquiavel”, Frederico II (1712-1786 ) atacou as teses do diplomata florentino com alguma eloquência. É possível discordar de algumas coisas que o rei da Prússia disse sobre Maquiavel. Mas ele estava coberto de razão quando disse que:

“A soldadesca é composta da parte mais baixa do povo, preguiçosos que preferem a ociosidade ao trabalho, libertinos que procuram a devassidão e a impunidade nas tropas [homens que não têm docilidade e obediência diante dos pais], jovens desajustados que se alistam por libertinagem, e, [servindo apenas por leviandade,] têm tão pouca inclinação e apego ao seu senhor quanto aos estrangeiros. Como essas tropas são diferentes daqueles romanos que conquistaram o mundo!” (O Anti-Maquiavel, Frederico II, editora Martins Fontes, São Paulo, 2014, p. 67)

A julgar pelo desempenho de Jair Bolsonaro como oficial militar subalterno (ele foi expulso do Exército; o general Ernesto Geisel disse que ele era mau militar), como deputado federal (ele passou duas décadas na Câmara dos Deputados e nunca apresentou um Projeto de Lei proveitoso para a sociedade brasileira) e como presidente (sob o comando dele, o Brasil caiu para a 13a. posição entre as nações mais ricas; Bolsonaro já é responsável por 200 mil mortes e continua sabotando o combate a pandemia) devemos admitir que os exércitos continuam recrutando seus membros no rebotalho da sociedade. Ironicamente, o mito parece ter sido convencido de que é um homem branco superior com um destino manifesto.

Bolsonaro desdenha os brasileiros dizendo que eles não são capazes de fazer nada. Ele faz questão de exibir publicamente seu ódio e desprezo por negros quilombolas, índios, gays, mestiços, etc… Sempre que abre ele abre a boca, o presidente brasileiro vomita o excremento tóxico do qual se alimentou ao conviver com a soldadesca e os milicianos cariocas.

Ao que tudo indica, a tese de Frederico II também é aplicável às Polícias Militares. Portanto, podemos dizer que as milícias comandadas pela família Bolsonaro são organizações compostas pelo rebotalho do rebotalho da sociedade brasileira. Os milicianos geralmente são recrutados entre policiais expulsos das PMs em virtude de terem cometido infrações funcionais gravíssimas e/ou crimes comuns (assassinato, roubo, apropriação indébita, agressão, estupro, tráfico de drogas, etc).

Nesse sentido, é preocupante a tramitação de um Projeto de Lei que retira o comando das PMs das mãos dos governadores estaduais para outorgá-los à presidência da república. Na prática, as milícias passarão a comandar contingentes policiais que, em tese, podem e devem ser usados para reprimir a criminalidade política e comum dos próprios milicianos bolsonaristas.

Depois que comandarem as PMs, as milícias bolsonaristas certamente desejarão se transformar em uma corporação político-militar com poder de supervisão sobre o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Isso já ocorreu no passado. Esse foi o caminho utilizado por Adolf Hitler, cuja milícia de ex-soldados criminosos, racistas, violentos, assassinos, ladrões e arruaceiros foi transformada na SS. Em pouco tempo, a própria SS virou um exército pessoal do Führer dentro do Exército do III Reich.

Apesar do discurso oficial de Heinrich Himmler acerca da superioridade racial dos seus subordinados, a SS também foi composta pelo rebotalho do rebotalho da sociedade alemã. Isso explica porque ela se tornou uma máquina de moer gente utilizada para exterminar doentes mentais, judeus e ciganos, para suprimir liberdades políticas e, inclusive, para reprimir qualquer tipo de insubordinação política dentro das Forças Armadas do III Reich. Todavia, quando finalmente entraram na guerra, as divisões da SS foram rapidamente derrotadas por tropas regulares do Exército Vermelho e fugiram do campo de batalha. A superioridade dos milicianos nazistas era um mito.

A superioridade de Bolsonaro e de sua milícia também é um mito. Mas ninguém pode se enganar. Se conseguirem comandar as PMs em todos os Estados da Federação, os milicianos bolsonaristas se transformarão numa força política tão perigosa e letal quanto a SS nazista. E quando isso ocorrer, nem os cidadãos comuns nem os oficiais militares brasileiros estarão em segurança.

No mais, Frederico II também estava certo quando disse que:

“O peso da tirania nunca se faz sentir tanto como quando o tirano quer cobrir-se das aparências de inocência e quando a opressão se dá à sombra das leis.” (O Anti-Maquiavel, Frederico II, editora Martins Fontes, São Paulo, 2014, p. 36)

O peso da tirania da milícia já é insuportável. Ela se tornará ainda maior quando as PMs ficarem sob o comando de milicianos fascistas e criminosos.

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domingo, 20 de dezembro de 2020

Jânio de Freitas: O custo do desprestígio que o Exército viria a pagar para ter Bolsonaro foi previsto, dito e escrito

 

Da Folha de São Paulo:




O Exército, que formou esse capitão, tem pago caro em desprestígio por cada asnice do presidente

Os níveis mais altos de militares do Exército, incluídos os reformados-mas-não-muito, estão sob interrogações sem respostas e, por isso, possíveis inquietações mal definidas. Nada indica, no entanto, o sentido adverso a Bolsonaro que exala dos comentários sobre contrariedade de altos estrelados com seu capitão-comandante. Na falta de indícios resistentes, a onda parece seguir a mesma pressa dedutiva que há pouco criou um Bolsonaro aderido à moderação.

​Não há sinais de insatisfação no Exército com o governo. Nisso se tem confirmado a comunhão de visões entre Bolsonaro e os referidos militares do Exército. Mesmo nas práticas que mais choquem o mundo da cidadania, como a entrega da Saúde e da vigilância farmacológica a militares sem a formação específica. Ou a destruição da riqueza natural, sobre ela recaindo a recente advertência aprovadora do general-vice Hamilton Mourão: “A eleição [nos EUA] não muda a política ambiental”.

O presidente Jair Bolsonaro ao lado de de vice, Hamilton Mourão - AFP/Evaristo SA

O eventual desagrado é com os transbordamentos de cretinismos, haja ou não discordância. O Exército, que formou esse capitão hoje mais representativo que qualquer general, tem pago caro em desprestígio por cada asnice de Bolsonaro. E lá é natural que se perguntem o que fazer.

O desgaste já é em nível de ridículo. Quem, no grupo de militares palacianos, tentou conter um pouco a produção bestial, teve como resultado a demissão grosseira, caso dos generais Santos Cruz e Rêgo Barros. Ou rompeu relações, como o indemissível Mourão. Os demais conduzem-se como acovardados. Para essas pessoas que se pensam admiráveis, poderosas, distinguidas pela força da arma, responsáveis pelo país que nem entendem, verem-se até em anedótico desafio a militares de verdade, convenhamos, há de doer. Mourão nem percebeu que seu remendo usual também ficou grotesco: a pólvora contra os EUA “foi retórica”. Não, foi mesmo insuficiência mental.

Nenhum dos incomodados sabe como deter a corrosão. E todos sabem que vai continuar. Com risco de chegar ao paroxismo de um impeachment atrasado, o capitão-comandante e seus subordinados generais, almirantes e coronéis a sair, ou melhor, marchar pela porta da cozinha. Todos pisando na imagem do Exército.

O vice Mourão tenta transferir as responsabilidades: ”Política não pode entrar no quartel”. O Exército não foi buscado por político algum, nenhum partido, por ninguém. A política, sim, foi invadida pelo Exército na pessoa do seu então comandante, Eduardo Villas Boas, que interveio no processo eleitoral, com disposição ostensiva, por ao menos duas vias. Uma, a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal, para o impedimento eleitoral de Lula. Outra, ao patrocinar, na condição de comandante do Exército e sempre no cenário do seu gabinete, a candidatura presidencial, a violência e a desordem mental de um excluído das Forças Armadas, elevado a símbolo político dos militares. O custo que o Exército viria a pagar para ter Bolsonaro, com um governo militarizado por generais e coronéis, foi previsto, dito e escrito. Por civis. Quem não previu o óbvio, muito menos preverá o desfecho.

O que é o que é Luciano Huck reapareceu. Era presença permanente nos jornais até que Bolsonaro começou a mostrar a que veio. Huck preferiu sumir. Não teve nem uma só palavra a dizer sobre as barbaridades sucessivas de formação e ação do governo. Vieram a pandemia, as demissões na Saúde, a propaganda de Bolsonaro contra a prevenção, o confinamento, o lockdown, os encerramentos no comércio e na indústria, a penúria da falta de trabalho — Huck não teve nem uma só palavra a dizer. Agora, maré mais tranquila, reaparece. Sem uma só palavra sobre o que a população passou e passa ainda. Isso é um pretendente à Presidência? Huck acha que é. Mas, na verdade, é apenas um oportunista.

EM TEMPO

O carioca desta vez parece decidir-se pelo senso prático. Não quer voto ideológico nem sequer partidário, deduz-se das pesquisas. Quer votar pela cidade, no ex-prefeito que lhe deu muitas realizações importantes, sem se ocupar de política, ou na delegada séria, determinada, deputada alheia à politicagem que é a ocupação no ramo. Bem, entre eles está o prefeito Crivella, mas aí o assunto é mais de igrejas e fiéis que de urnas e eleitores. Se confirmar a aparente intenção, a cidade pode salvar-se. Do contrário, paciência. O crime Estudo do IBGE: o Brasil ocupa o nono lugar entre os países mais desiguais do mundo.

Janio de Freitas

Jornalista


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Exército brasileiro torrou R$ 6 milhões em simulação de guerra contra Venezuela

 


Em meio à crise econômica que o Brasil enfenta, o Exército brasileiro gastou R$ 6 milhões somente em combustível, horas de voo e transporte para simular uma guerra entre dois países na Amazônia


Do Brasil 247:

A simulação ocorreu num momento de animosidade com a vizinha Venezuela, praticamente ao mesmo tempo em que o governo brasileiro decidiu retirar as credenciais dadas aos diplomatas do regime de Nicolás Maduro que atuam no Brasil, que tem no Ministério da Defesa o general Fernando Azevedo e Silva

Fernando Azevedo, Bolsonaro e Nicolás Maduro (Foto: Marcos Corrêa/PR | CMA | Reuters)

247 - Em meio à crise econômica que o Brasil enfenta, o Exército brasileiro gastou R$ 6 milhões somente em combustível, horas de voo e transporte para simular uma guerra entre dois países na Amazônia, numa operação militar inédita, que ainda não havia sido feita no país. Os militares decidiram criar um campo de guerra em que um suposto país “Vermelho” invadiu um país “Azul”, sendo necessário expulsar os invasores. A informação é do jornal o Globo. 

A simulação ocorreu num momento de animosidade com a vizinha Venezuela, praticamente ao mesmo tempo em que o governo brasileiro decidiu retirar as credenciais dadas aos diplomatas do regime de Nicolás Maduro que atuam no Brasil. A operação envolveu 3,6 mil militares e se concentrou nas cidades de Manacapuru, Moura e Novo Airão, no Amazonas, num raio de 100 a 300 quilômetros de Manaus.

Segundo a reportagem, a “guerra” na região amazônica ocorreu entre 8 e 22 de setembro. No dia 18 daquele mês, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, fez uma visita a Roraima, região de fronteira com a Venezuela. O chefe da diplomacia de Donald Trump esteve em Boa Vista — a 840 quilômetros de Manacapuru — e foi ciceroneado pelo chanceler Ernesto Araújo. A visita foi duramente criticada, por ter ocorrido durante a campanha eleitoral em que Trump busca a reeleição, por ter se passado na região de fronteira e por ter emitido um sinal belicoso da relação de EUA e Brasil com a Venezuela.

Mike Pompeo, visitou Roraima recentmente Roraima mais uma vez, numa clara ameaça aos venezuelanos. A diplomacia  brasileira foi duramente criticada pelo nível de completa submissão que o Brasil oferta ao governo Trump.