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sábado, 7 de novembro de 2020

Luis Nassif sobre a diferença entre as instituições do Brasil e dos EUA em relação às tentativas de golpe (os militares nos EUA respeitam as instituições e a Constituição)

 

GGN:


Nos EUA não se ouviu uma voz sequer militar. Aliás, a única manifestação foi quando Trump tentou criar um evento em frente a uma Igreja, com a presença inadvertida de um chefe das Forças Armadas. Imediatamente ele se pronunciou contra a manobra. No Brasil, o chefe do Estado Maior se vangloriou com Bolsonaro do apoio que lhe deu.


Cada vez que se levanta a hipótese de Donald Trump melar as eleições americanas, vozes se levantam em todos os cantos para asseverar a importância das instituições.

Durante todo o século 20, o valor das instituições foi um dos pontos centrais do modo americano de se vender ao mundo. Em nome das instituições, Al Gore não rebateu a tentativa bem sucedida de George Bush Jr de ganhar as eleições nos tribunais.

Uma pequena comparação entre os EUA e o Brasil.

1.. Trump se insurgiu contra os resultados. As grandes redes de TV interromperam as transmissões, denunciando a mentira. Próceres republicanos criticaram o presidente. No Brasil, Aécio Neves denunciou os resultados das eleições de 2014. Mereceu ampla cobertura e nenhuma voz do sistema rebatendo.

2. Nos tribunais americanos, as tentativas de Trump tem sido derrubadas. No Brasil, houve direcionamento da análise das contas de Dilma e do PT para um Ministro anti-PT e, durante um mês, tentativa de escandalizar qualquer irregularidade contábil da campanha – até o enquadramento incorreto de máquinas de picar papel em bens duráveis (deveria ser semi-duráveis uo vice-versa). Cada informação, por mais irrelevante, merecia ampla cobertura escandalizada da mídia.

3. Mesmo com o ativismo e o conservadorismo da Suprema Corte, não há sinais de que endosse qualquer tentativa de golpe judicial contra as eleições. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal endossou o golpe do impeachment até o limite da infâmia, de tentar impedir entrevistas de Lula.

4. Com exceção do trumpismo, mídia, políticos, instituições combatem os movimentos de rua e a violência difusa. No Brasil, a mídia conclamou a população a ir para as ruas acelerar o impeachment.

5. Nos EUA não se ouviu uma voz sequer militar. Aliás, a única manifestação foi quando Trump tentou criar um evento em frente a uma Igreja, com a presença inadvertida de um chefe das Forças Armadas. Imediatamente ele se pronunciou contra a manobra. No Brasil, o chefe do Estado Maior se vangloriou com Bolsonaro do apoio que lhe deu.



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Aécio reaparece em duas reportagens. É claro, sobre corrupção. Artigo de Rogério Correia




"Nunca é demais lembrar que esta ruína política do Mineirinho da Odebrecht não é de agora. Começa quando ele proclamou o golpe contra Dilma, por não aceitar o resultado das eleições de 2014", diz o deputado Rogério Correia (PT-MG)

Do 247:

Aécio Neves foge dos holofotes e da Justiça
Aécio Neves foge dos holofotes e da Justiça (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Olha só quem reapareceu. Aécio Neves em duas notícias, evidentemente, sobre rolos judiciais. Afinal de contas tenho dito há anos: onde tem Aécio tem rolo, onde tem rolo tem Aécio”.  Matéria do jornal O Globo destaca que Aécio tenta escapulir de uma das ações mais emblemáticas contra ele: o caso de Furnas. 
O parlamentar tucano pediu ao STF arquivamento do inquérito que o acusa de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.  
Leia mais: https://glo.bo/2DXG7UN  
Já a reportagem da Revista Época revela que o ex-presidente da Fetranspor (empresa de transportes do Rio) Lélis Teixeira, em delação premiada, acusou Aécio de receber R$20 milhões em caixa dois nas eleições de 2014.  Dois secretários do governo Witzel também constam na lista das propinas.  
Leia mais: https://glo.bo/2Yx2N7J  
Aécio Neves se transformou basicamente em um funcionário fantasma da Câmara. Aliás, seu mandato hoje só tem como finalidade mexer os pauzinhos para livrá-lo dos rolos com a Justiça.    
Nunca é demais lembrar que esta ruína política do Mineirinho da Odebrecht não é de agora. Começa quando ele proclamou o golpe contra Dilma, por não aceitar o resultado das eleições de 2014. Por liderar o boicote à ex-presidenta com pautas bombas, ele é um dos grandes responsáveis pelo caos brasileiro atual. Tudo isso contribuiu para ascensão de um regime fascista e miliciano que hoje comanda o Brasil.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Como Serra e Aécio escaparam da Lava Jato, por Luis Nassif



A explicação de Janot é que as duas testemunhas-chaves haviam morrido




Do GGN:
Desde a prisão de Mariano Marcondes Ferraz, várias vezes manifestamos estranheza com a falta de preocupação da Lava Jato em se aprofundar nas investigações sobre a Trafigura, uma das 50 maiores empresas do planeta, segundo a lista da Forbes.
Trata-se de uma comercializadora de petróleo que montou o maior esquema de corrupção da era moderna – conseguindo o monopólio da extração e da importação de petróleo em Angola.
O autor do feito foi justamente Marcondes Ferraz, promovido a membro do board da companhia. A Trafigura tinha contratos vultosos com a Petrobras para transporte e comercialização de derivados, um mercado imensamente maior do que o das obras da empresa. No início da Lava Jato, Paulo Roberto Costa já havia mencionado a Trafigura.
Surpreendentemente, a Lava Jato se restringiu ao lobby que Marcondes Ferraz fazia para a Decal, uma empresa italiana sediada no porto de Suape, praticamente um bico de lobby, perto dos interesses da Trafigura.
O livro de Rodrigo Janot esclarece a dúvida.
No final de 2016, a PGR recebeu um pedido de colaboração da Espanha, referente a Gregório Preciado, casado com uma prima de Serra. Peciado era suspeito de ter pago subornos no valor de 10 milhões de euros a políticos brasileiros, para a obtenção de um contrato pela Defex, uma sociedade de capital misto controlada pelo Estado espanhol. O contrato da Defex foi para um empreendimento para exportação de minério de ferro, sociedade de Eike Batista com a Trafigura. Segundo as autoridades espanholas, as propinas aos políticos brasileiros teriam sido pagas por uma empresa offshore de nome Iderbras, administrada por Preciado e em nome de Vivencia Talan, prima de Serra.
Para atender à colaboração da Espanha, havia a necessidade de uma formalização através do Ministério da Justiça. Serra era o Ministro das Relações Exteriores de Temer, e figura chave no impeachment. O Ministro da Justiça era Alexandre de Moraes que, logo em seguida, foi substituído por Osmar Serraglio e Torquato Jardim. E a cooperação jamais foi formalizada. Não houve vazamentos para a mídia, não houve pressão da mídia, e o caso dormiu nas gaveta da PGR.
Outro caso emblemático foi o não indiciamento do senador Aécio Neves. Na época, um filho de Teori comentou com amigos a estranheza do pai, pelo fato de Janot ter proposto o indiciamento de Lindberg Farias e negado o de Aécio Neves, segundo Teori, tendo indícios muito mais concretos do que o petista.
A explicação de Janot é que as duas testemunhas-chaves haviam morrido – o ex-deputado José Janene, também beneficiário de Furnas, e que havia descrito em detalhes a participação de Aécio no esquema; e Airton Daré, da Bauruense, empresa que lavava o dinheiro da mesada.
Ora, haviam morrido, mas a contabilidade e as movimentações financeiras ainda existiam. E, desde 2010, repousava na PGR o inquérito Norbert, que localizara contas de Aécio em Liechtenstein, provavelmente para as propinas da JBS.
Segundo Janot, ele não indiciou o conterrâneo para não criar um novo Berlusconi. Pouco importa o fato de não haver a menor relação entre poupar Aécio ou criar um Berlusconi brasileiro.
Aécio só entrou novamente quando a JBS apareceu com as gravações de conversas com ele. Ali, não havia como refugar.

segunda-feira, 25 de março de 2019

A longa crise brasileira, por Aldo Fornazieri


Os sinais primeiros da atual crise surgiram em 2013. Naquele momento, nem o governo Dilma e nem as oposições foram capazes de apresentar uma saída satisfatória para aqueles sintomas.

A longa crise brasileira

por Aldo Fornazieri

Nenhum país funciona politicamente se não tiver um ou mais centros de coordenação política dos grupos adjacentes e da sociedade. Normalmente, se configuram dois centros de coordenação política: um é dado pelo governo e outro pelo principal partido da oposição ou por uma frente oposicionista. Quando faltam ou falham esses centros de coordenação o país entra em crise política. As crises tendem a ser rápidas, da mesma forma que surgem subitamente. Em regra, propendem a soluções positivas pela superação ou deslocamento da força que representa o status quo ou pela sua regeneração.
A atual crise brasileira foge a essas características: veio se instalando paulatinamente; colapsou as principais forças políticas do governo e da oposição; o momentum de sua superação (eleições de 2018) representou não só a sua continuidade e seu agravamento, mas também o seu deslocamento para um sentido negativo, retrógrado; e, por fim, a sua duração será longa. No mínimo, até 2022, mas pode ir além.
A crise política veio acompanhada por dois anos de grave recessão econômica e por anos continuados de baixo crescimento, baixo investimento público e privado, alto desemprego e elevada dívida pública. A crise de coordenação política nacional se reflete também na economia e na sociedade.
Os sinais primeiros da atual crise surgiram em 2013. Naquele momento, nem o governo Dilma e nem as oposições foram capazes de apresentar uma saída satisfatória para aqueles sintomas. Não apresentaram direção ou sentido para a sociedade e para o Brasil.
As eleições de 2014 ofereceram a oportunidade de surgimento de uma saída para a crise que já se aguçava. Mas, a campanha eleitoral polarizada, caracterizada pela falta de propostas e pelos xingamentos, não se tornou auspiciosa. Com a posse de Dilma para um novo mandato a crise se agravou, por vários motivos, mas por dois principais: a contestação da legitimidade das eleições por parte de Aécio Neves e do PSDB, o que fez surgir um elemento golpista na conjuntura; e, a crescente perda da capacidade de Dilma de coordenar politicamente o governo e uma maioria no Congresso.
O golpe do impeachment, a radicalização da Lava Jato, a avalanche de denúncias de corrupção as inúmeras prisões de agentes políticos e partidários e, finalmente, a prisão de Lula e o fracasso do governo Temer, colapsaram, primeiro, o PT; depois, o atual MDB e, finalmente, o PSDB. Assim, se abriu o espaço para o fortalecimento de uma força política secundária entre as existentes ou para o surgimento de uma nova força. A sociedade escolheu a última opção, através de Bolsonaro.
É preciso perceber que depois da crise que derrubou Fernando Collor, o Brasil viveu um período de significativa estabilidade política que dourou 20 anos, sendo 8 com FHC, 8 com Lula e 4 com Dilma. Isto ocorreu porque PT e PSDB se instituíram como dois centros de coordenação política nacional junto com a legitimidade e reconhecimento de seus dois respectivos líderes: Lula e Fernando Henrique Cardoso. A coordenação política nacional é exercida por partidos fortes e representativos, por líderes legítimos e reputados ou por uma combinação de partidos e líderes, que foi o caso desse período de estabilidade política. Neste período, o PMDB também jogou um papel importante pois, como tertius, cumpria o papel de garantidor da governabilidade de um e de outro grupo. A traição perpetrada pelo grupo de Michel Temer contra Dilma foi decisiva para romper essa relativa estabilidade que existia.
O resultado de todo esse processo foi o enfraquecimento dos partidos, bancadas encolhidas no Congresso, carência de líderes fortes e populares e vitória de Bolsonaro. Lula foi o único líder cuja liderança havia sobrevivido a essa avalanche destrutiva. Mas, deliberadamente, foi tirado do jogo pelo arbítrio judicial que agiu de forma consciente como representante das forças retrógradas e conservadoras.
A vitória de Bolsonaro é uma desgraça para o Brasil e para as perspectivas de superação da crise. De forma consciente ou atabalhoada, Bolsonaro é em tudo o contrário daquilo que um presidente deveria ser, principalmente neste momento. Um presidente deve unir e apaziguar. Ele desune, agride e dissemina ódio e ressentimentos. Um presidente deve agregar forças. Ele as dispersa, divide e desagrega. Um presidente, como magistrado mais alto do país, deve ter uma conduta respeitosa, respeitada e exemplar. Bolsonaro tem atitudes de um arruaceiro político e perde o respeito dos políticos e da sociedade. Um presidente coordena o ministério e governa. Bolsonaro desgoverna, tuita, desacredita seus ministros, não tem programa, não tem ideias, como disse Rodrigo Maia.
Bolsonaro é o principal opositor à sua principal proposta de reforma: a da Previdência. Os seus dois superministros – Guedes e Moro – viraram ministrinhos. O ministério não tem experiência e nem capacidade. Poucos sabem o que estão fazendo. O presidente afirmou que veio para desconstruir o Brasil. Nisso ele deve ser levado a sério. Um homem que nada fez durante 30 anos de mandato parlamentar, não seria como presidente que viesse fazer alguma coisa. Bolsonaro terçou mentiras durante a campanha inteira. Não era de se esperar que na condição de presidente viesse a ser um laborioso promotor da verdade.
Sem força política partidária, sem força política no Congresso e sem força política popular, o governo Bolsonaro será um governo de crises e destinado ao fracasso. Para sobreviver até 2022, Jair Bolsonaro terá que reinventar-se, acautelar-se. A eventualidade de um governo Mourão também não é auspiciosa, pois também careceria de força política e social. A única viabilidade de um governo Mourão consistiria num pacto nacional no qual ele se colocaria na condição de um governo de transição.
Se o governo vai muito mal, a oposição não vai bem. O PT, principal partido de oposição, vem perdendo, desde 2015, capacidade de coordenação política nacional do campo progressista e democrático. Este campo agora orbita em torno de dois polos: um, constituído pelo PT e outro, constituído pelo PDT, PSB e PCdoB. O PSol se articula numa faixa própria. Com alianças pontuais, os dois polos tendem a caminhar separados até 2022, quando cada um tende a apresentar sua própria alternativa presidencial.
A fraqueza relativa dos partidos e a ausência de um líder inconteste favorece essa fragmentação e a consequente incapacidade de estabelecer uma coordenação política nacional a partir de uma visão de país, de uma plataforma programática e de uma pauta de lutas. Esta incapacidade fragmenta também as lutas dos movimentos sociais que se refugiam em suas especificidades e muitos tendem ao sectarismo invocando o lugar de fala como uma posse privativa, uma exclusividade. Sem a perspectiva de um programa universalizante, partidos e movimentos do campo progressista operarão com suas fraquezas e limites.
A crise política, desta forma, vai se mantendo e prolongando a agonia do Brasil e de seu povo. É uma crise de organização das forças políticas partidárias e uma crise de liderança. É uma crise de capacidade de coordenação e de condução do país. É uma crise de força política. Sem partidos fortes e sem lideranças fortes não há capacidade de coordenação, de aglutinação das forças dispersas e fragmentadas. Partidos e líderes fracos resultam em governos fracos, em fracassos políticos e administrativos.
A direita bolsonarista tende a ser um sopro passageiro, pois Bolsonaro não é um líder autêntico e o PSL é um aglomerado difuso e confuso. O problema está na centro-direita e na esquerda. É preciso construir novas capacidades, renovar as lideranças. Se isto não ocorrer, o Partido Novo, de um lado, e o PSol, de outro, terão espaço para crescer. Esta perspectiva também é de médio prazo. Enquanto isso, os problemas e as tragédias do Brasil se multiplicam.
Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).


sexta-feira, 13 de abril de 2018

Xadrez do passaralho dos tucanos, por Luis Nassif



"A lógica do golpe é simples e objetiva. Há dois focos centrais. O primeiro, o aprofundamento do desmonte do Estado brasileiro, com as reformas liberais, privatização, destruição do precário Estado de bem-estar construído na última década. O segundo, a garantia de um presidente de direita nas próximas eleições - ou, na ausência de um candidato competitivo, até mesmo o adiamento das eleições. Esses são os fios condutores para entender toda a lógica da turma do impeachment." - Luis Nassif

Do Jornal GGN:

Peça 1 – a lógica do golpe


A lógica do golpe é simples e objetiva.
Há dois focos centrais.
O primeiro, o aprofundamento do desmonte do Estado brasileiro, com as reformas liberais, privatização, destruição do precário Estado de bem-estar construído na última década.
O segundo, a garantia de um presidente de direita nas próximas eleições - ou, na ausência de um candidato competitivo, até mesmo o adiamento das eleições.
Esses são os fios condutores para entender toda a lógica da turma do impeachment.

Peça 2 – o mercado de opinião


Tudo isso se dá no que se convencionou chamar de mercado. Não se trata apenas do mercado em si, mas de todo um sistema de opinião que engloba não apenas a estrutura de poder, mas a gendarmeria.
No topo, Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a Procuradora Geral da República, os grupos de mídia, órgãos de controle de uma maneira geral. Na base, juízes de 1ª instância, procuradores, Polícia Federal, Polícia Militar etc.
Quando determinada questão ameaça os objetivos finais, acende-se uma luz amarela. O clima fica tenso, as autoridades envolvidas começam a receber sinais tácitos indicando que ali não se mexe. Dado o grau de pusilanimidade das organizações burocráticas e suas lideranças, não há a necessidade de ordens diretas, ameaças ou outras formas de pressão. São mais disciplinados que jornalistas da Globonews.
Quem sai da linha, é pressionado por seu próprio meio, colegas ou familiares. Essa sincronização do golpe mereceria um belo estudo acadêmico, sobre a força das ideologias na articulação de movimentos, como o impeachment, mesmo sem haver um cérebro condutor. Aliás, o único cérebro mofa em um presídio de Curitiba.

Peça 3 – os que irão morrer


No início do golpe, Aécio Neves era peça central; o governador Geraldo Alckmin, elemento secundário. Qualquer envolvimento de Aécio enfraqueceria o principal mote do golpe, que era o impeachment de Dilma.
O Procurador Geral da República Rodrigo Janot recomendou seu não indiciamento, apesar de evidências muito mais fortes do que aquelas, por exemplo, que envolviam o senador petista Lindbergh Farias, denunciado.
Mesmo em posição secundária, Geraldo Alckmin também foi poupado, e ajudou a salvar Dilma Rousseff da tentativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comandado por Gilmar Mendes, de cassar seu mandato logo após as eleições. Na última hora descobriu-se que que Alckmin poderia ser atingido por uma das acusações que se lançava contra Dilma.
Na medida em que a Lava Jato foi avançando, foram aparecendo mais e mais evidências contra Aécio.
Criou-se um ping-pong entre dois adversários mortais, mas irmanados na defesa de Aécio: Janot e Gilmar Mendes. OS dois revezavam-se nos pedidos de prorrogação do prazo de investigação de Aécio. Mesmo assim, a cada indício novo e a cada nova postergação das denúncias o capital político de Aécio ia se esvaindo.
Quando ocorreu o episódio JBS, Aécio dançou por dois motivos. Pelo seu excesso de ambição, foi considerado um peru gordo por Joesley Baptista, nas negociações com a PGR. Quando Janot recebeu o pacote, para atirar em Temer não poderia desconsiderar os grampos em Aécio.
A partir dali, Aécio virou pato manco.  Há uma boa probabilidade de que, na próxima semana, o STF autorize a denúncia criminal contra ele, além de mandar para a prisão Eduardo Azeredo, do mensalão tucano, à esta altura uma decisão vazia de significado político.
Principalmente porque a blindagem dos tucanos ficou ostensiva demais para ser aceita até por um país e uma mídia acostumados a toda sorte de hipocrisias.
Dentro dessa lógica, José Serra, Aloysio Nunes e Cássio Cunha Lima poderiam ser liquidados tranquilamente, sem atrapalhar os objetivos finais do golpe. Estão sendo poupados porque o algoritmo viciado do STF jogou seus processos no colo de Gilmar, e Gilmar não é desses de deixar companheiros feridos no campo de batalha. Apenas por isso.

Peça 4 – o fator Alckmin


Embora não desperte nenhum entusiasmo, nem entre os seus próximos, Alckmin ainda é peça chave no jogo político, como único candidato da direita com alguma possibilidade.
Essa é a razão principal da PGR ter remetido seu caso para ser julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, ao invés de remeter para o grupo da Lava Jato. E o autor da façanha foi o subprocurador Luciano Maia, com bela ficha no Ministério Público Federal, e, até assumir o cargo de vice-procurador, considerado corajoso e de posições independentes.
Mas não adianta. A lógica do poder brasiliense é imbatível. Por isso, um caso em que Alckmin, através de seu cunhado, recebe R$ 10 milhões da Odebrecht, que têm obras contratos grandes com o governo de São Paulo, foi transformado em um mero caso de irregularidade no financiamento de campanha. O pagamento foi por fora.
Apesar de federal ,o TRE de São Paulo é majoritariamente composto por juízes e desembargadores paulistas, historicamente alinhados com o PSDB.
A decisão de Maia – certamente endossada pela PGR – expôs de maneira nítida a parcialidade da nova PGR no jogo político.
Aliás, não bastassem essas trapalhadas, e o procurador-bufão Oscar Costa Filho, do MPF do Ceará, o mesmo que tenta todo ano anular o ENEM, intimou a Universidade federal do Ceará a retirar o nome “golpe” de um curso preparado por ela.
Às vezes tento convencer colegas que o MPF é mais que os Ailton Benedito – o de Goiás – ou  Oscar Costa “Enem” Filho, mas os fatos sempre me desmentem, como desmentiram quando supus em Raquel Dodge uma dimensão mais relevante do que a de Janot.

Peça 5 – os próximos passos


Não se imagine que o impacto da prisão de Lula vá refrear a marcha do fascismo.
As recentes votações do Supremo e as decisões da PGR comprovam que continuam a reboque da Lava Jato. E continuarão até a Lava Jato completar sua obra, de destruição final de Lula e de inviabilização do PT.
De qualquer modo, foram tantas as críticas que Dodge recebeu, até de jornalões, por sua benevolência contra Alckmin, que provavelmente deve ter-se dado conta de que foi mais realista que o rei, o que condicionará suas próximas ações. É possível que o país comece a assistir episódios inéditos de tucanos engaiolados.
Aliás, a análise política de autoridades do Judiciário, da PGR ao Supremo, mereceria estudos de Pavlov.
Depois de liquidado Lula, será fácil acabar com a operação. Bastará a mídia levantar a pauta proposta por Gilmar Mendes na última sessão do Supremo, sobre os indícios de corrupção, devido ao poder absoluto de que passaram a dispor.
PS – a ave da voto representa o Passaralho, figura mitológica que sobrevoa as redações nas vésperas das grandes demissões.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Rogério Correia: Há 175 dias o STF livrou Aécio, ninguém foi às ruas protestar com camisas da CBF


Do Viomundo:



RESUMO DA HISTÓRIA DO BRASIL EM APENAS 175 DIAS
por Rogério Correia, via whatsapp
Há exatos 175 dias, o STF decidiu livrar Aécio Neves de qualquer punição e deixou-o livre, leve e solto no Senado.
Ninguém bateu panelas ou saiu às ruas com a camisa da CBF para protestar.
Nenhum militar, de pijama ou da ativa, manifestou-se contra a impunidade.
Nenhum procurador da Lava Jato foi ao Twitter ameaçar com jejum.
A TV Globo limitou-se a uma nota protocolar no Jornal Nacional.
Aécio é aquele que quebrou Minas Gerais, depois não aceitou perder a eleição para presidente e promoveu um golpe para “sacanear o PT”.
Mais tarde acabou pego com a boca na botija pedindo propina e ameaçando matar o primo antes que ele delatasse. Praticou crimes gravados em áudio e vídeo.
Ontem, 3 de abril, as camisas da CBF voltaram às ruas pedindo a prisão de Lula. Eram poucas pessoas, mas voltaram a bater panelas.
O comandante do Exército foi às redes sociais para chantagear o Supremo.
O chefe da Lava Jato ameaçou com uma dieta alimentar. E a TV Globo fez o que é da sua natureza: passou horas conspirando pela prisão do ex-presidente.
Lula é aquele que deixou a presidência com 87% de aprovação, o mais popular da história. Aquele que retirou 40 milhões de brasileiros da miséria.
Outros tantos milhões deixaram a pobreza. Aquele que criou mais universidades do que todos os outros presidentes juntos. Aquele que deixou o cargo com a economia bombando em crescimento de 7%.
Lula é também aquele que teve a vida devassada como nunca antes neste país. Os quatro anos de investigação resultaram em zero prova. Não há um contratinho assinado, uma gravaçãozinha pedindo propina. Sequer uma continha em algum paraíso fiscal no exterior. Nada.
Aécio nasceu rico, é de família tradicional e defende o sistema.
Lula nasceu pobre, é nordestino, foi operário e é de esquerda.
Hoje o STF está diante de um dilema: ou cede às chantagens e edita um novo AI 5 prendendo Lula , ou faz justiça respeitando a Constituição e concedendo o hábeas corpus ao povo pobre e trabalhador do Brasil!

domingo, 11 de março de 2018

“Ele foi aconselhado a sair para deputado”: a agonia do golpista Aécio, vítima de si mesmo. Por Kiko Nogueira

Do Diário do Centro do Mundo:


Acabou
A história de Aécio Neves é uma fábula moral sobre aonde levam os baixos instintos na política — e, por que não, na vida.
Com todos os sinais à frente de si e o exemplo de Carlos Lacerda no passado, Aécio se atirou numa aventura golpista que acabou por engoli-lo.
Ainda vamos ouvir falar muito dele neste ano. Dificilmente sob um aspecto positivo.
Aécio tenta lutar para concorrer ao Senado, mas esbarra no PSDB. Além, é claro, do desprezo do eleitorado.
A divulgação das conversas com Joesley foram determinantes para seu fim.
“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação”, disse o jagunço, referindo-se ao primo Fred, mostrando sua verdadeira cara.
No Estadão, o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, do PSB, antigo aliado, falou das ambições do Mineirinho.
“Por onde passo em Minas as opiniões são que a imagem de Aécio que ficou, justa ou injustamente, muito prejudicada”, afirma, usando de sutileza mineira.
Segundo Márcio, “as pesquisas mostram uma rejeição muito grande a ele. Tem sido aconselhado a se candidatar a deputado federal. Eu dei essa opinião a Andrea Neves antes dele enfrentar esse problema mais grave da gravação do Joesley”.
Aécio deve desculpas ao país. Ele e a mana Andrea.
Jamais o farão.
O que torna sua agonia ainda mais patética.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Fernando Brito escreve sobre o falso desembarque "pró-forma" do PSDB e o jogo de traíras que continuam, de fato, com Temer


"O iminente encontro entre Michel Temer e Geraldo Alckmin para tratar da encenação de um desembarque do PSDB do Governo – encenação porque, além de cargos, o comando do partido se mantém decidido a sustentar o único projeto deste governo, a reforma da previdência – lembra os versos  de Gita, a inesquecível música de Raul Seixas e Paulo Coelho: “eu estou em você, mas você não está em mim”."


Do Tijolaço:

micos

O iminente encontro entre Michel Temer e Geraldo Alckmin para tratar da encenação de um desembarque do PSDB do Governo – encenação porque, além de cargos, o comando do partido se mantém decidido a sustentar o único projeto deste governo, a reforma da previdência – lembra os versos  de Gita, a inesquecível música de Raul Seixas e Paulo Coelho: “eu estou em você, mas você não está em mim”.
E olhe que no caso tucano-temerista algo do PSDB continuará no Governo, ao que tudo indica, além do furor privatizante e anti-trabalhador dos tucanos. O desapegadíssimo Aloysio Nunes Ferreira anuncia para quem quiser ouvir que seguirá ministro das Relações Exteriores.
Alckmin terá de lidar com o complicadíssimo “front” interno do PSDB: Aécio e seu desgaste público; João Doria e sua ambição sem limites e as “viúvas do Huck”, que sonhavam em atropelar a máquina partidária e fazer um governo – favas contadas, para eles – no brilho dos salões.
A simbiose PSDB- Temer seguirá e, a rigor, não se pode dizer que haja alguma diferença substancial entre o “Ponte para o Futuro”, com que a dupla Michel Temer – Moreira Franco dourou a pílula do desmonte dos direitos trabalhistas e do patrimônio nacional e o “remake” do ‘choque de capitalismo’ que o tucanato acaba de desenterrar da candidatura Covas de 1989.
Como se o Brasil, logo em seguida com Collor e depois com Fernando Henrique já não tivesse levado um choque de altíssima voltagem privatizante.
Na ribalta da falsa política, aquela que se move em torno de vaidades e ambições, os jornais falam numa aliança de Rodrigo Maia com o “centrão”, para fazer de Henrique Meirelles candidato a presidente.  Passa pela cabeça de alguém que ele possa ser eleitoralmente viável?
Óbvio que não, é jogo para negociar posições. Esta é a política brasileira: um jogo de dissimulações e traição.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Dr. Eugênio Aragão, jurista, discute o desespero da direita golpista de “mercado” com os cenários de 2018


Imagem relacionada


A implosão do PSDB com a destituição de Tasso Jereissati deixou a direita golpista, aquela que bajula o “mercado” e outrora se proclamava “liberal”, feito barata tonta. Com o gesto kamikaze de Aécio para salvar a própria pele, o partido paga a conta de sua cumplicidade com os bandidos que assaltaram o poder em 2016 e fica reduzido a um saco de gatos incapaz de se mobilizar como alternativa de poder.
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E agora, “mercado”? (Aqui entendida a turma do capital financeiro que nunca perde, por mais que custe ao país). Aliar-se ao Sr. Temer foi bom para destruir direitos e criar uma terra arrasada do lado de quem poderia resistir a seu apetite ilimitado por porções orçamentárias de Leão. Mas não é uma alternativa sustentável no médio prazo, dada a impopularidade avassaladora da corja que representa.
A saída para a extrema direita parece ser o caminho natural para garantir a continuidade da irrigação de sua plantação financeira. E Bolsonaro, que pode não entender nada de economia, mas tem fome enorme de poder, logo se apercebe que tem que investir no discurso das “reformas” para confiscar essa bandeira do governo golpista e se estabelecer com alternativa para o “mercado”.
E assim caminhamos.
O “mercado”, que se aliou ao golpe, se junta à extrema direita, para continuar mamando nas tetas do Estado e impedir que Lula volte a reconstruir o consenso social necessário para reequilibrar o cenário político e reconstruir o tecido institucional esgarçado com a destituição da presidenta Dilma Rousseff.
Trata-se de aventura que não deu certo em 1933. Talvez devêssemos aprender com a história e lembrar que a ascensão de Adolf Hitler foi possibilitada apenas pelo apoio do capital financeiro e da grande indústria na Alemanha de Weimar, temerosos com o “perigo” bolchevique.
E deu no que deu. Achavam que iam domesticar o austríaco desvairado e submetê-lo à orientação conservadora de Von Papen. Mas erraram redondamente. Fascistas de raiz não são domesticáveis. Seu ódio fala mais alto que a razão.
Admitir que alguém que chutou em colega parlamentar seu por ser homoafetivo ou que disse a outra colega que não “merecia ser estuprada” definitivamente não tem estatura para ser chefe de estado e chefe de governo. É ledo engano de conservadores de salão achar que Bolsonaro se civiliza com um cursinho Socila. Sua eleição significa rompimento com todos os marcos civilizatórios e nos projetará no mais abjeto do fascismo troglodita, com a negação do sentimento de empatia e de solidariedade social.
Namorar politicamente com Bolsonaro é sinal de completa deformação moral e de ruptura com os valores democráticos. Seu patriotismo de papel é, em verdade, o discurso oco de um homem sem programa e com desejo, apenas, de estabelecer o totalitarismo fascista entre nós.
Fica o recado: quem com ele acredita poder se aliar para impedir Lula estará assinando seu testamento de traidor da sociedade e da democracia e, no futuro, se excluirá de qualquer composição civilizada para reconstruir o Brasil.
Eugênio José Guilherme de Aragão
Fonte: GGN

domingo, 29 de outubro de 2017

Do 247: Sócios no golpe, Temer e Aécio se consolidam como os mais odiados do País




Michel Temer salvou Aécio Neves no Senado e Aécio Neves salvou Michel Temer na Câmara dos Deputados, mas ambos foram condenados pelo povo brasileiro; é isso o que mostra a nova rodada da pesquisa Ipsos, sobre aprovação e rejeição aos políticos brasileiros; enquanto Temer é rejeitado por 95% dos brasileiros, Aécio tem a rejeição de 93%; os dois são os principais responsáveis, ao lado de Eduardo Cunha, condenado a 15 anos de prisão, pela destruição da democracia brasileira e da imagem do País no mundo; enquanto isso, o ex-presidente Lula já aparece como o político mais admirado do País, com 41% de aprovação

Do 247:

Michel Temer e Aécio Neves conseguiram assaltar o poder por meio de um golpe parlamentar forjado aceito por Eduardo Cunha, hoje condenado a 15 anos de prisão, mas se tornaram os políticos mais odiados do Brasil.

É o que mostra a nova rodada do barômetro político, do Instituto Ipsos, divulgado neste domingo.

Segundo a reportagem de Daniel Bramatti, os campeões da rejeição são "o senador Aécio Neves (MG), cuja desaprovação chegou a impressionantes 93%, em empate técnico com a do presidente Michel Temer (95%)".

Curiosamente, os dois sócios no golpe de 2016 se socorreram mutuamente nos últimos dias. Enquanto Michel Temer articulou para salvar Aécio Neves no Senado, Aécio Neves salvou Michel Temer na Câmara dos Deputados com o relatório de Bonifácio Andrada (PSDB-MG), mas ambos foram condenados pelo povo brasileiro.

Enquanto isso, o ex-presidente Lula já aparece como o político mais admirado do País, com 41% de aprovação, a despeito do massacre midiático e da perseguição judicial.

Abaixo, reportagem da Reuters sobre a nova pesquisa presidencial, em que Lula aparece em primeiro lugar:

SÃO PAULO (Reuters) - O ex-presidente Lula e o deputado federal Jair Bolsonaro iriam para o segundo turno se as eleições presidenciais fossem hoje, segundo pesquisa do Ibope publicada na coluna do jornalista Lauro Jardim no jornal O Globo deste domingo.

A primeira pesquisa do instituto sobre as eleições de 2018 trouxe Lula com mínimo de 35 por cento e máximo de 36 por cento nas intenções de voto em todos os cenários, enquanto Bolsonaro teria 15 por cento se disputasse contra Lula.

Marina Silva é a terceira colocada em qualquer cenário com Lula, com entre 8 por cento e 11 por cento.

Mas, sem Lula, Marina lideraria a corrida, empatada com Bolsonaro, que teria 18 por cento se o adversário fosse o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ao invés do ex-presidente.

Na pesquisa espontânea, que não apresenta nomes ao entrevistado, Lula apareceu com 26 por cento das intenções de voto, seguido por Bolsonaro com 9 por cento e Marina Silva com 2 por cento.

Segundo o jornal, a pesquisa do Ibope foi feita entre 18 e 22 de outubro, com cerca de 2 mil pessoas em todos os Estados do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O apresentador de televisão Luciano Huck também teve o nome testado na pesquisa do Ibope, e variou de 5 por cento, em eventual disputa com Lula, a 8 por cento, em caso de Haddad ser o candidato petista.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, teve entre zero e 1 por cento, dependendo dos adversários.