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sexta-feira, 28 de maio de 2021

Fábrica para produzir Butanvac, vacina nacional contra o coronavírus, “não tem um centavo do governo federal”, disse Dimas Covas na CPI da Covid Pandemia Genocídio

 

Negando o pedido de ajuda financeira do Butantan, o governo atrasou também a produção nacional da ButanVac e não somente a compra de doses prontas

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – Além do atraso para a compra das vacinas prontas, seja da CoronaVac, seja da Pfizer, o governo de Jair Bolsonaro também atrapalhou a produção nacional da vacina brasileira contra a Covid-19. A conclusão foi exposta pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, na CPI da Covid no Senado, nesta quinta (27).

Isso porque desde o início do acordo junto ao laboratório chinês Sinovac, o Instituto Butantan fechou parceria para a transferência de tecnologia e detinha a capacidade de produzir o IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo). Esse, na verdade, era o objetivo final do acordo com a China.

Mas, ainda em 2020, o Instituto Butantan enfrentava dificuldades financeiras para a continuidade do desenvolvimento da vacina e solicitou ajuda financeira do governo federal, tanto para os investimentos com a transferência de tecnologia chinesa, como para a reativação de uma das fábricas, que seria capaz de produzir o IFA, trazendo a autonomia para o Brasil na corrida mundial pela vacina.

Para ambos os pedidos de ajuda do Instituto Butantan, o governo de Jair Bolsonaro negou [leia mais aqui]. “A fábrica atual está sendo construída com dinheiro da iniciativa privada”, afirmou Dimas Covas. “Não tem um centavo do governo federal, estará pronta até o final deste ano, e até 2022 vamos operar a produção integral da vacina”, afirmou o diretor do Butantan.

O acordo do Butantan com a Sinovac previa três fases: na primeira, a entrega de uma porcentagem de doses prontas da vacina; em um segundo momento, a produção da CoronaVac com o IFA enviado pelo laboratório. Por fim, com a transferência de tecnologia, a terceria fase consistia na produção do IFA pelo Butantan.

Assim, com a omissão ao pedido de ajuda financeira no ano passado, o governo atrasou também a produção nacional e não somente a compra com as ofertas feitas de doses prontas.

Segundo Covas, somente com o aporte da iniciativa privada é que a Fundação conseguiu reativar a fábrica, que está prevista para começar a operacionalizar a partir do final deste ano. A expectativa inicial é de uma produção de 100 milhões de doses da Butanvac por ano.

Questionado pelo senador Humberto Costa (PT-PE) quantas doses já foram produzidas pela Butanvac para a admissão na Anvisa, o diretor do Instituo respondeu que 6 milhões já estão prontas, em estoque, e outras 18 milhões estão previstas até julho, mas que também depende da agilidade da Anvisa de aprovar, o que barra a maior produção. “É uma produção em risco, estamos produzindo, mas aguardando a aprovação, temos uma capacidade muito maior, de 40 milhões de doses”, respondeu.

“O Butantan domina essa tecnologia, que é a mesma tecnologia da vacina da gripe, já está produzindo essa vacina, como mencionei, 6 milhões [de doses], e é uma vacina que já incorpora variantes. É possível fazer essa incorporação muito rapidamente. Estamos no processo final de aprovação da Anvisa e esperamos muito rapidamente concluir esses estudos clínicos”, narrou.

“Se tudo acontecer como planejado, no último trimestre de 2021, no quantitativo, pode ser minimamente 40 milhões de doses. Nós temos condições dessa produção neste momento. Estamos produzindo 6 milhões, vamos produzir 18 milhões até julho, mas em risco, porque é produzir a vacina e deixar aguardando os resultados do estudo clínico. Sendo aprovada, nós já vamos estar com a vacina pronta, para fornecer ao Brasil”, informou.


Acompanhe o depoimento de Dimas Covas à CPI da Covid no Senado:

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“Essa vacina (Coronavc-Butantan) não teve apoio”, confirma Dimas Covas em crime do governo contra a vida da população durante a CPI. Reportagem de Patrícia Faermann para o GGN

 

"Considera que o governo não só não estimulou, como dificultou a viabilidade dessa vacina brasileira?". "Essa vacina não teve o apoio na hora que foi solicitado", confirmou.

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira (27), confirmou que o governo federal não só cometeu crime de omissão, por negar as primeiras ofertas da vacina CoronaVac, como também cometeu crime de forma direta, ao prejudicar a produção e a disponibilização das vacinas para a população brasileira.

Já nos minutos finais da sessão, após mais de 7 horas de sabatina junto aos parlamentares, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) fez duas pergunta a Dimas Covas: “o governo atuou para estimular a produção de vacinas no Brasil?”. “No caso do Butantan, não”, respondeu o diretor.

“No caso dessa vacina, não houve estímulo governamental, do governo federal para o seu desenvolvimento”, explicitou.

Em seguida, o senador trouxe o segundo questionamento: “Por fim, isso caracterizaria culpa, mas para caracterizar dolo, o senhor considera que o governo não só não estimulou, como atrapalhou deliberadamente, ou dificultou a viabilidade dessa vacina brasileira?”.

E, de forma positiva, o diretor do Butantan confirmou: “Essa vacina não teve o apoio, na hora que foi solicitado, isso poderia ter dado uma velocidade maior ao desenvolvimento. Nós poderíamos ter, como mostrei por vários documentos, um quantitativo maior de vacinas disponíveis para o Brasil no momento adequado.”

Ainda, em resposta a questionamento anterior do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), Covas deixou claro, assim como ao longo de toda a sessão da CPI desta quinta, da responsabilidade direta do presidente Jair Bolsonaro na falta e atraso das vacinas para imunizar a população contra a Covid-19.

“Era possível, em outubro, ter obtido um uso emergencial dessa vacina”, lembrou, expondo anteriormente que o país poderia ter recebido de 60 a 100 milhões de doses da Coronavac ainda no ano passado e que poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação.

Como o GGN mostrou, o silêncio do governo federal se estendeu para além da aquisição das doses ofertadas, em si, como também revelado no depoimento do CEO da Pfizer na América Latina, mas também na negativa ao pedido de socorro financeiro feito pelo Instituto Butantan para a continuidade da pesquisa, desenvolvimento e para a construção da fábrica que produzirá a ButanVac.

O depoimento, considerado crucial para a CPI, confirmou a tese de que o governo cometeu crimes diretos na omissão e manejo da pandemia no país.