A Girafa Satírica apresenta uma sátira visceral sobre o comportamento bolsonarista e as táticas de desinformação da extrema-direita no Brasil, mergulhando em:
No Hospício Brasileiro, a loucura não se manifesta em gritos… mas em argumentos perfeitamente ensaiados.
Entre corredores luxuosos, pacientes impecavelmente vestidos e discursos patrióticos repetidos como mantras, a realidade vai sendo lentamente substituída pelo conforto psicológico da própria narrativa.
Aqui, contradições viram detalhes.
Áudios viram perseguição para a seita bolsonarista.
Banqueiros viram aliados morais.
E qualquer fato inconveniente recebe tratamento imediato até desaparecer sob aplausos educados e sorrisos perturbadoramente sinceros.
Guiados pela Girafa Satírica, atravessamos um manicômio político sofisticado onde a insanidade não está no exagero… mas na tranquilidade com que tudo é aceito.
Uma sátira sobre comportamento coletivo, idolatria política e um país onde a narrativa passou a valer mais que a realidade.
A oposição tentou transformar o caso Master em arma contra Lula. Acabou descobrindo que segurava uma granada sem pino
Do ICL:
Áudio de Flávio Bolsonaro mostra que golpe, anistia e Master são uma coisa só
A oposição tentou transformar o caso Master em arma contra Lula. Acabou descobrindo que segurava uma granada sem pino
Por Cleber Lourenço
O áudio de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro mostra que golpe, anistia e Master são uma coisa só. Não porque estejam no mesmo processo, no mesmo inquérito ou na mesma planilha de Excel que algum assessor esqueceu aberta. São uma coisa só porque passaram a compor a mesma engrenagem política em Brasília: proteger Bolsonaro, aliviar os condenados do 8 de janeiro e enterrar uma CPMI que poderia expor interesses do Centrão e da própria família Bolsonaro no caso Master.
A política brasileira tem dessas delicadezas. Quando parece que há três escândalos diferentes, muitas vezes é só o mesmo escândalo usando três ternos. O golpe é a origem. A anistia, ou dosimetria, é a tentativa de apagar a conta. O Master é o cofre que ameaça revelar quem estava no balcão quando a conta começou a circular.
Até a revelação dos áudios, a oposição tentava vender o Banco Master como um escândalo do governo Lula. Era uma operação narrativa previsível: gritar “corrupção” apontando para o outro lado da rua enquanto escondia o próprio endereço no comprovante de entrega. Mas o roteiro desandou quando apareceu Flávio Bolsonaro negociando dinheiro com Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
A partir daí, a frase “Master é do Lula” virou uma dessas peças de propaganda que envelhecem pior do que promessa de campanha do Centrão. O Master não nasceu no governo Lula. O banco cresceu, ganhou musculatura e virou um colosso financeiro durante o ciclo Bolsonaro, sob a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central. Foi nesse período que Daniel Vorcaro assumiu o controle da instituição, rebatizou o banco e viu a operação ganhar escala.
No governo Lula, a fraude foi investigada, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e Daniel Vorcaro acabou preso pela Polícia Federal. Essa diferença não é detalhe. É o centro da história.
Vorcaro tentou pedir socorro ao ministro Fernando Haddad. Queria audiência, queria conversa, queria uma ponte com o governo. Haddad não abriu a porta. A resposta atribuída ao ministro, diante de um recado em tom de ameaça, foi seca: “Você está falando com a pessoa errada”.
Com Flávio Bolsonaro, o tratamento era outro. Ali não havia porta fechada. Havia intimidade, havia conversa direta, havia relação de confiança. Flávio tratava Vorcaro como “irmão”. A diferença é didática o suficiente para dispensar PowerPoint: Haddad fechou a porta; Flávio abriu o WhatsApp.
É por isso que os áudios mudam o peso político da história. Eles não servem apenas para constranger o filho de Bolsonaro. Eles ajudam a explicar por que o bolsonarismo, que fazia barulho contra o Master, também tinha interesse em não deixar a CPMI avançar até o fim. Uma comissão parlamentar com poder de convocar, quebrar sigilo, expor contratos, rastrear pagamentos e produzir holofote diário poderia chegar ao lugar mais incômodo possível: a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Nesse ponto, o golpe e a anistia entram na mesma mesa. A oposição precisava da dosimetria porque ela funcionava como anistia envergonhada para aliviar a situação de Jair Bolsonaro e dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Não era apenas uma discussão técnica sobre pena. Era uma disputa sobre o custo político e jurídico da tentativa de ruptura democrática.
O Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto que reduzia penas de condenados pelos atos golpistas. A oposição ganhou uma pauta fundamental para sua base. O bolsonarismo ganhou um instrumento político para manter viva a narrativa de perseguição e tentar reduzir a fatura do golpe. O Centrão, por sua vez, ganhou tempo e sombra no caso Master.
Não é preciso imaginar uma ata secreta, assinada com firma reconhecida, dizendo: “troca-se anistia por silêncio sobre o Master”. Brasília não é amadora a esse ponto. Os acordos mais importantes raramente deixam recibo. Eles deixam calendário. Deixam silêncio. Deixam sessão que não anda, requerimento que não é lido, comissão que não nasce, veto que cai e personagem poderoso fingindo surpresa diante do óbvio.
Foi nesse ambiente que Hugo Motta também entrou no centro da história. Em fala na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, no último dia 12, Renan Calheiros afirmou que uma emenda proposta pelo presidente da Câmara teria obrigado fundos de previdência e fundos de pensão a aplicar recursos no Banco Master. Renan classificou o episódio como mais grave do que os fatos que haviam dominado a semana anterior, justamente porque, segundo ele, a emenda foi aprovada e sancionada.
Na mesma fala, Renan também disse que a cunhada de Motta recebeu R$ 140 milhões do Banco Master a pretexto de um empréstimo que teria vencido, não sido cobrado e não tido nenhuma parcela paga. É uma acusação grave, que precisa ser confrontada com documentos e com a versão dos citados. Mas politicamente o efeito já é incontornável: o presidente da Câmara deixa de aparecer apenas como árbitro institucional da CPMI e passa a ser citado como personagem de fatos que poderiam ser investigados por ela.
Esse é o ponto que amarra tudo. Alcolumbre segurava a chave da sessão do Congresso. Hugo Motta comandava a Câmara. O Centrão tinha razões para temer uma CPMI. O bolsonarismo, depois dos áudios, também. E a dosimetria apareceu exatamente como aquilo que poderia unir interesses diferentes em torno de uma mesma operação política: aliviar Bolsonaro, reduzir o custo do golpe e soterrar o Master.
Nada mais natural, portanto, para o Centrão, do que ajudar a oposição bolsonarista a se fortalecer de novo. Natural não no sentido republicano, evidentemente. Natural no sentido biológico da sobrevivência política. Se foi no governo Lula que o Banco Master foi investigado, liquidado e teve Daniel Vorcaro preso, uma gestão mais à direita passa a ser vista, por esse bloco, como ambiente mais seguro. Mais previsível. Mais confortável. Um lugar onde certas perguntas talvez demorem mais a ser feitas, certos requerimentos talvez não sejam lidos e certas gavetas talvez voltem a cumprir sua função histórica: engolir problemas.
O Centrão não age por amor ao bolsonarismo. Age por instinto. E o instinto do Centrão é simples: farejar risco, calcular custo e se encostar em quem oferece proteção. Quando Lula e as instituições sob seu governo deixam o Master cair, o recado para quem orbitava o banco é péssimo. Quando Flávio Bolsonaro trata Vorcaro como irmão, o recado para esse mesmo mundo é outro. Em política, às vezes a diferença entre uma porta fechada e uma porta aberta vale mais do que um programa de governo.
A história, aliás, já viu esse filme. No auge da Lava Jato, quando o cerco começava a alcançar gente demais e os discursos morais já não davam conta de esconder a lama, o mesmo Centrão ajudou a forjar o inesquecível “grande acordo nacional”. A frase virou símbolo de uma época: um pacto para “estancar a sangria”, com Supremo, com tudo. Era a política tentando salvar a própria pele enquanto fingia salvar o país.
O paralelo com o Master é inevitável. Antes, a desculpa era tirar Dilma. Agora, a desculpa é dosimetria, pacificação, estabilidade institucional ou qualquer outro nome bonito que se coloque na embalagem. O conteúdo, porém, tem cheiro conhecido: quando a investigação ameaça atingir os donos da festa, aparece sempre alguém propondo moderação, acordo, responsabilidade e silêncio. A língua muda. O método, não.
A beleza cínica do arranjo está aí. Cada lado fingia estar defendendo uma causa nobre. A oposição dizia lutar contra penas injustas. O Centrão falava em responsabilidade institucional. Os aliados de Flávio repetiam que o filme era um projeto privado, sem recurso público e sem contrapartida. Todos muito preocupados com a pureza republicana, essa entidade mitológica que em Brasília aparece menos que recibo de propina.
Mas os fatos, quando colocados em sequência, contam outra história. O Master cresceu no período em que o bolsonarismo governava o país. Quando a bomba explodiu, o governo Lula não salvou Vorcaro. O Banco Central liquidou o banco. A Polícia Federal prendeu o banqueiro. Haddad não recebeu o pedido de socorro. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro mantinha relação direta com o homem no centro da fraude.
A oposição tentou transformar o caso Master em arma contra Lula. Acabou descobrindo que segurava uma granada sem pino. Por isso, a CPMI deixou de ser apenas uma ameaça ao governo ou ao Centrão. Virou ameaça também ao bolsonarismo.
É nesse ponto que golpe, anistia e Master viram uma coisa só. O golpe produziu a necessidade política da anistia. A anistia virou moeda de mobilização do bolsonarismo. O Master virou o escândalo que precisava ser abafado para não expor quem gritava contra o banco em público enquanto conversava com Vorcaro em privado.
O “Estado” bandido de Vorcaro e a República, por Aldo Fornazieri
Daniel Vorcaro - Reprodução Instagram
por Aldo Fornazieri
O escândalo Master se estruturou sobre dois grandes eixos: a criação de um Estado-bandido pelo grupo criminoso e a degradação da república pela corrupção de autoridades. Diferentemente das máfias, o Estado-bandido de Vorcaro se viabilizou de forma superestrutural. As máfias foram organizações de base que se infiltraram nos aparatos estatais de baixo para cima.
O Estado-bandido de Vorcarno se estruturou no alto e se infiltrou pelo alto – pelas estruturas políticas, institucionais e financeiras numa operação que envolveu a colaboração do grupo criminoso com altas autoridades da república e funcionários do Estado. Quer dizer: essa organização criminosa se estrutura de forma intra e extra estatal.
Vorcaro se revelou um grande estrategista na infiltração e na cooptação de autoridades e funcionários. Para isso utilizou um coquetel de meios, destacando-se três: 1) envolvimento de familiares de autoridades com negócios envolvendo o ecossistema das organizações e fundos ligados ao Master; 2) Distribuição farta e generosa de propinas, benesses e favores a autoridades, a exemplo de viagens de jatinhos, hotéis de luxo e pagamentos em dinheiro; 3) festas nababescas regadas a luxo e favores sexuais, com uso de garotas trazidas de países do leste europeu.
No primeiro ponto destacam-se relações contratuais e negócios com familiares de ministros do STF como os irmãos de Dias Toffoli, a esposa de Alexandre de Moraes, o filho de Nunes Marques e o escritório da família do ex-ministro Ricardo Lewandowski. O ex-ministro da Fazenda de governos petistas, Guido Mantega, também prestou serviços a Vorcaro. Os funcionários do Banco Central, comprados para fazer vistas grossas e para viabilizar a ilegalidades financeiras do Master, estão neste mesmo enquadramento.
Já a família Bolsonaro foi cooptada por meio de um nebuloso financiamento do filme sobre o ex-presidente. Há ainda muito por esclarecer neste caso e a perspectiva de novas revelações devem agravar a crise na candidatura bolsonarista. Flavio Bolsonaro, mesmo sabendo das fraudes de Vorcaro, o chama de irmão e declara que estará sempre com ele. “Não tem meia conversa entre a gente”, diz.
No segundo ponto é possível arrolar o senador Ciro Nogueira, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa que está preso, Nikolas Ferreira e vários outros. Ciro Nogueira, além das viagens de luxo, recebia uma mesada de R$ 300 mil a R$ 500 mil mensais. Paulo Henrique Costa receberia imóveis no valor de R$ 164 milhões. Recebeu parte desse montante. A ordem de Vorcaro era de deixá-lo feliz, pois ele viabilizaria a compra do Master pelo BRB.
No ponto três, as especulações são muitas. Fala-se de deputados, senadores, ministros e empresários. Este ainda é um ponto nebuloso, pois tratar-se-ia de eventos da esfera da vida íntimas dos envolvidos. Mas a Polícia Federal está investigando. Juristas e a PF apontam para a possibilidade de dois crimes: tráfico de pessoas para exploração sexual, e uso desses encontros para corrução e tráfico de influência envolvendo autoridades.
O Estado-bandido de Vorcaro articulou várias outras estruturas: Espionagem Digital e Física, contrainformação e operações de desinformação, infiltração institucional na PF, no Ministério Público e na Interpol, articulações internacionais, articulações com o PCC e com o jogo do bicho e milícias no Rio de Janeiro, estruturação de um grupo armado para agir com violência e intimidar adversários e desafetos, incluindo jornalistas.
A partir dessas estruturas e contando com a cobertura de autoridades, com a proteção de funcionários públicos, Vorcaro montou um cipoal de negócios fraudulentos, uma ciranda, uma espécie de pirâmide que terminou por quebrar o banco. Arrastou fundos de pensão de estados e municípios, carteiras de consignados, arrasou o Fundo Garantidor de Crédito. Até agora, o montante das fraudes chega a mais de R$ 50 bilhões.
Se Vorcaro se mostrou eficaz em cooptar, corromper, infiltrar e fraudar, se revelou desastroso em outros pontos estratégicos para organizações criminosas. Foi um péssimo gestor dos recursos, seja para otimizar o que auferiu pelas fraudes, seja para ser mais comedido na distribuição de propinas. Também se mostrou desastroso na proteção da organização criminosa, agindo abertamente, naturalizando seus crimes. As máfias são mais ciosas na proteção de suas organizações às investidas das investigações policiais e das ações judiciais. O Estado-bandido de Vorcaro ruiu como um castelo de areia, tão rapidamente quanto à sua ascensão meteórica.
A contraface do Estado-bandido de Vorcaro é a república degradada. Pode parecer espantoso que ministros do STF, senadores, altos funcionários do Estado, agentes da Polícia Federal, diretores de fundos de pensão, o conselho inteiro do Banco de Brasília, tenham se enredado na teia de corrupção de Vorcaro. Mas bem pensado, não é tão espantoso assim. É mais adequado dizer que é o modo de ser do Brasil, especialmente de Brasília.
É desalentador ver que pessoas, juízes, ministros, senadores, altos funcionários se deixam arrastar pela ambição, pela cobiça ou pela imbecilidade ao fundo do poço. Muitas dessas pessoas são bem instruídas, conhecedoras da história, alcançaram altos postos públicos. Nunca deveriam se esquecer que entre a grandeza e a desgraça a distância é muito pequena.
Corrução, fraudes, rombos, sonegações estão por toda a parte. No Rio de Janeiro, a Refit, a maior sonegadora do Brasil, havia capturado o então governador Cláudio Castro e algumas secretarias do estado para garantir a impunidade e a continuidade de seus crimes. Em São Paulo, algumas grandes empresas que ostentavam reputação pública ilibada, a exemplo da Fast Shop, Ultrafarma, três grandes grupos empresariais do setor de plásticos e resinas, empresas do setor de autopeças promoveram fraudes fiscais bilionárias contra os cofres públicos do estado. Os escândalos do INSS, orçamento secreto, emendas, penduricalhos são apenas peças nesse combo vergonhoso de assaltos ao que deveria ser do povo.
São autoridades da república e altos funcionários que a degradam e a destroem. Destroem o seu caráter público, a coisa do povo, as suas virtudes, a frugalidade, o compromisso, a transparência, a responsabilidade. Muitas dessas autoridades e políticos que se corrompem, usam a máscara hipócrita da religião para fraudar, enganar roubar. O próprio cunhado de Vorcaro, o Fabiano Zéttel, é pastor da Igreja da Lagoinha. Flavio Bolsonaro se declara representante de Deus na luta contra o demônio.
A destruição da república provoca uma rejeição à política. Mais de 60% da população afirma que não confia nos partidos, resultando num processo de desengajamento político e desconfiança institucional. Os poderes da república têm baixa legitimidade. As pessoas se sentem fatigadas. As eleições estão se definindo por um jogo de rejeições. O desafio das esquerdas e de Lula consiste em apresentar um programa e propostas que sejam capazes de reverter esses sentimentos generalizados de desânimo e frustração social.
Aldo Fornazieri – coordenador do curso de pós-graduação em Estratégia e Liderança Política (FESPSP).
Paulo Motoryn, repórter do The Intercept Brasil, dá detalhes de reportagem bombástica que revelou áudios em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master.
A divulgação do áudio pelo The Intercept Brasil provocou uma reação em cadeia na imprensa internacional. Veículos como a agência Reuters, a Bloomberg, a Associated Press e o semanário The Economist noticiaram com estardalhaço o maior escândalo de corrupção já documentado envolvendo a família Bolsonaro.
Neste vídeo, você vai ouvir o áudio constrangedor em que o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro implora dinheiro de origem suspeita ao banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, atualmente preso por fraudes bilionárias que lesaram centenas de milhares de correntistas. O valor total negociado para financiar a obra cinematográfica questionável "Dark Horse" alcança a cifra absurda de R$ 134 milhões, configurando um mecanismo de propaganda política da extrema direita bancado por recursos de procedência duvidosa. Analisamos a repercussão da imprensa estrangeira sobre o áudio de Flávio Bolsonaro cobrando Vorcaro, escândalo de impacto brutal que envolve toda a dinastia, incluindo Eduardo Bolsonaro como operador internacional e Michelle Bolsonaro, já cotada como plano B eleitoral caso o herdeiro naufrague. Veja como os apoiadores mais ferrenhos tentam justificar o injustificável recorrendo à retórica repetida do "E o PT?" e entenda por que esse é o escândalo que ameaça implodir a campanha do autoproclamado herdeiro do mito. A resposta de Flávio Bolsonaro, negando qualquer vínculo mesmo diante de evidências irrefutáveis, expõe uma estratégia de defesa que insiste em desafiar a inteligência do eleitor. A imprensa internacional destaca que a crise política tem proporções ainda incalculáveis, abalando mercados e reconfigurando o tabuleiro sucessório. A própria voz do senador, registrada nas gravações, é a testemunha de acusação que nenhuma nota oficial consegue silenciar. Quando as evidências se sobrepõem às negativas, é a estrutura do discurso que desaba diante dos fatos.
Clima pesou na GloboNews! Flávio Bolsonaro bateu boca com jornalistas ao vivo, ficou encurralado e protagonizou um dos momentos mais tensos da política. Veja uma parte de tudo o que aconteceu!
Reportagem publicada pelo The Intercept Brasil revelou trocas de mensagens entre o senador e Daniel Vorcaro sobre um possível repasse milionário para a produção cinematográfica
Áudios de Flávio Bolsonaro para Vorcaro inspira memes nas redes
Após a revelação do áudio do senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (13), as redes sociais foram tomadas por uma nova onda de memes e piadas. Usuários de plataformas como X, Instagram e TikTok passaram a compartilhar montagens, vídeos irônicos e comentários fazendo referência ao episódio, que rapidamente entrou entre os assuntos mais comentados do dia.
A revelação de que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro para financiar o filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou uma enxurrada de reações nas redes. A reportagem publicada pelo The Intercept Brasil revelou trocas de mensagens entre o senador e Daniel Vorcaro sobre um possível repasse milionário para a produção cinematográfica.
Além das críticas em tom satírico, muitos usuários aproveitaram o momento para relembrar episódios anteriores envolvendo a família Bolsonaro. A repercussão ampliou ainda mais o alcance do tema nas redes sociais, mantendo o nome de Flávio Bolsonaro entre os assuntos mais comentados do dia e reforçando o uso do humor como ferramenta de crítica política no ambiente digital.
O site The Intercept Brasil publicou na quarta-feira, dia 13 de maio, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria negociado 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões) com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção de "Dark Horse", filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Florestan Fernandes Júnior é jornalista, passou pelas principais redações e emissoras do Brasil, como Folha de S. Paulo, TV Globo, TV Cultura, TV Manchete.
A investigação continua. Depois de desvendar os primeiros fios dessa teia, o segundo episódio do nosso especial sobre o Banco Master dá continuidade na apresentação dos esquemas financeiros e nas conexões políticas que muitas vezes passam despercebidas
Daniela Lima desmente Flávio Bolsonaro ao vivo após áudio vazado envolvendo Vorcaro, e Reinaldo Azevedo reage sem poupar críticas 😳🔥 O climão tomou conta da transmissão!
Htórico do golpismo fascista de Bolsonaro e o conluio da extrema direita com políticos envolvidos no escândalo do Banco Master para soltar criminosos de direita condenados
A Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero e revelou um escândalo que atinge o coração do bolsonarismo. O senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e presidente nacional do PP, é acusado de receber uma mesada de propina de até 500 mil reais por mês do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master. Segundo a investigação da PF, mensagens e documentos mostram como Ciro Nogueira instrumentalizou seu mandato parlamentar para redigir e apresentar emendas que beneficiavam diretamente os interesses do banco. A imprensa internacional classificou o caso como “escândalo explosivo”. A Reuters noticiou que a operação contra Nogueira marca uma escalada na esfera política da investigação. O InfoBae, da Argentina, destacou que o senador era o “destinatário central” das vantagens indevidas. O Valor International, principal veículo financeiro em inglês do Brasil, revelou que aliados do governo Lula apelidaram o esquema de “BolsoMaster” e cobram a investigação do elo com Flávio Bolsonaro. Este vídeo reúne e analisa todas as notícias publicadas entre os dias 7 e 8 de maio de 2026, mostrando como a fachada anticorrupção da extrema-direita brasileira esconde um balcão de negócios que vendia leis para banqueiros investigados por fraudes bilionárias. Entenda cada detalhe do caso e por que este é o escândalo que pode implodir a campanha eleitoral da direita em 2026.
Fontes citadas: Reuters, InfoBae (EFE), Valor International, BBC News Brasil, The Star (Malásia).
Os agentes brasileiros se concentraram em fazer visitas ao Estádio Nacional do Chile, que àquela altura –34 dias depois do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende – era usado como cárcere para prender e torturar opositores perseguidos pela junta militar comandada pelo general Augusto Pinochet.
No dia 15 de outubro de 1973, um bimotor brasileiro pousou na pista do Aeroporto Los Cerrillos, em Santiago, capital do Chile. Nele, chegaram a terras chilenas cinco agentes de diferentes órgãos de repressão da ditadura militar brasileira. Faziam parte da comitiva o major Victor de Castro Gomes e o capitão Paulo Barreira. Os agentes brasileiros se concentraram em fazer visitas ao Estádio Nacional do Chile, que àquela altura –34 dias depois do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende – era usado como cárcere para prender e torturar opositores perseguidos pela junta militar comandada pelo general Augusto Pinochet.
A escolha de Victor de Castro Gomes e Paulo Barreira tinha um motivo: os dois oficiais integravam as fileiras do CIE (Centro de Informações do Exército) no Rio de Janeiro. O órgão teve papel central na eliminação de opositores políticos ao longo das década de 1960 e 1970, o auge da violência do regime no Brasil. Castro Gomes e Barreira fazem parte de uma lista inédita com os nomes, patentes – e em muitos casos os codinomes– de 73 oficiais e praças que integraram o CIE do Rio em meados dos anos 1970.
A lista faz parte dos documentos do coronel Cyro Etchegoyen que estão sendo publicados no projeto “Bandidos de farda”, do ICL Notícias, produzido nos últimos sete meses com uma série de reportagens e um documentário que estreará no dia 17 de maio. O projeto revela os crimes que o coronel Cyro escondeu em um imenso arquivo mantido por ele até sua morte. São 23 pastas e 3 mil páginas de documentos públicos inéditos, que pertenciam ao acervo do Exército brasileiro, mas que foram levados ilegalmente pelo coronel Cyro e que ficaram guardados com um outro militar após a sua morte. Em outubro do ano passado, uma fonte, que terá sua identidade mantida em sigilo por segurança, entregou uma primeira parte ao Instituto Fernando Santa Cruz, idealizado pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Fernando era militante da Ação Popular (AP), está desaparecido desde 23 de fevereiro de 1974 e Felipe é seu filho. Uma segunda parte foi entregue pela mesma fonte em fevereiro deste ano à jornalista Juliana Dal Piva, repórter do ICL Notícias.
Victor de Castro Gomes depois se tornaria coronel e, antes de ir ao Chile, atuou nas torturas e assassinatos da “Casa da Morte” de Petrópolis. O ICL Notícias descobriu que ele é o “Dr Pepe” apontado por Inês Etienne Romeu como um de seus torturadores. Ela morreu em 2015, mas desde que foi presa no cárcere clandestino, em 1971, denunciou uma série de militares, alguns constam da lista do coronel Cyro.
A identificação nominal dos agentes revela uma grande parte do efetivo do CIE no período em que o coronel Cyro chefiou a seção de contrainformações, entre 1969 e 1974. Até hoje, muitos ex-integrantes da repressão não foram identificados e não há dimensão do total do efetivo utilizado nas operações secretas de captura, assassinatos e tortura.
Apenas sete dos 73 militares na lista do coronel Cyro constam entre os 377 torturadores identificados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV). Outros dois integrantes do CIE – os sargentos Carlos Quissak e Clodoaldo Paes Cabral aparecem no relatório da CNV em uma denúncia de tortura, mas não foram incluídos na relação dos torturadores.
Desses nove torturadores que constam no relatório da CNV, foi possível identificar que apenas um segue vivo: o sargento Jacy Ochsendorf e Souza, um dos réus pela tortura, assassinato e desaparecimento forçado do ex-deputado Rubens Paiva.
O ICL Notícias cruzou diversas bases de dados para identificar cada um dos nomes apontados. Os 73 militares listados no documento guardado por décadas por Etchegoyen – com direito a anotações feitas a mão pelo coronel– tomaram parte de vários dos episódios de violência mais infames dos 21 anos do regime militar, como o sequestro e assassinato do ex-deputado federal Rubens Paiva, a perseguição ao líder guerrilheiro Carlos Lamarca e na Operação Condor.
Não é possível saber a data exata em que a planilha –uma espécie de controle de pessoal do CIE do Rio– foi elaborada. Contudo, há pistas. Entre as informações contidas no documento está a data da última promoção de cada um dos militares. Essa informação mostra que a relação foi elaborada depois de fevereiro de 1974, já durante o governo Geisel. Isto porque é a promoção mais recente, referente à mudança de patente do então 1º sargento Américo da Costa Magalhães.
Durante 50 anos, a memória sobre a ditadura militar brasileira convencionou tratar o aparato de repressão como algo marginal dentro do autoritarismo do regime. Essa narrativa foi condensada em uma expressão: os porões da ditadura. No entanto, os documentos inéditos obtidos com exclusividade pelo ICL Notícias contam uma versão diferente dessa história.
Das condecorações mais cobiçadas a compensações financeiras, a análise das carreiras dos 73 militares listados em um desses documentos mostra um grupo de profissionais altamente valorizado pelos generais que governavam o país.
Ao menos 28 dos oficiais e praças listados na planilha de Cyro Etchegoyen foram contemplados com a Medalha do Pacificador, uma dos mais importantes reconhecimentos oferecidos pelo Exército brasileiro.
A pesquisadora Maria Celina Araújo se dedica há alguns anos a sistematizar todas as pessoas que já receberam a medalha. Nem todos os homenageados ao longo dos anos estão envolvidos em crimes de direitos humanos, em especial, durante a ditadura. Mas, segundo ela e as demais pesquisas sobre os crimes da época, a grande parte dos militares que foram premiados naquele período foram reconhecidos por suas ações contra opositores políticos.
“Foram as pessoas (militares da ditadura) que mais se envolveram com repressão, que mais foram longe no sentido de às favas com os escrúpulos, né? As pessoas que tiveram mais iniciativa no sentido de prender, de torturar, de. Enfim, demonstrar serviço, né?”, explica Maria Celina.
A valorização pela cúpula do regime, no entanto, era bem mais do que simbólica. Mais da metade dos mencionados no documento recebeu durante vários anos uma gratificação financeira especial por estar lotada oficialmente no gabinete do ministro do Exército.
Essas bonificações financeiras deixaram rastros no Diário Oficial da União (DOU). A pesquisa no acervo mostra que, em vários casos, movimentações como a concessão e fim das gratificações, bem como transferências de local de serviço eram feitas em bloco. O fato aponta que os militares listados na planilha de Etchegoyen de fato trabalhavam em uma mesma equipe.
O caso mais emblemático diz respeito a uma publicação no DOU de 21 de dezembro de 1972. As duas portarias do general Orlando Geisel –ministro do Exército e irmão do futuro presidente Ernesto Geisel– transfere do estado da Guanabara para Brasília um grupo de 12 oficiais e 39 praças. Eles foram lotados, a partir de 1973, em Brasília.
O grupo viria a participar do planejamento e das ações operacionais que acabaram por desmantelar a Guerrilha do Araguaia, mantida pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil).
Entre os transferidos estavam o coronel José Luiz Coelho Netto, subcomandante do Centro de Informações do Exército no Rio, e o próprio Etchegoyen. Também figuram na relação vários dos mais famosos torturadores da ditadura brasileira, todos lotados no CIE carioca: casos do capitão José Brandt Teixeira –um dos militares que atuou na “Casa da Morte” de Petrópolis e nos desaparecimentos da Guerrilha do Araguaia.
Brandt foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) no Pará pelo assassinato, decapitação e desaparecimento forçado do militante do PCdoB Arildo Valadão, em novembro de 1973. Também figuram na lista 15 dos 73 militares
Encontro bilateral de 3 horas não teve cobertura da imprensa no Salão Oval, evitando emboscadas tradicionais de Trump. Americano destaca negociações sobre tarifas
Reportagem do analista político internacional Jamil Chade
Quase três horas de um encontro e sem emboscadas públicas. Assim foi a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Fontes que estiveram na Casa Branca contaram ao ICL Notícias de que o encontro foi marcado por um debate “franco” sobre temas espinhosos. Mas o Palácio do Planalto comemora um clima positivo, “sem pegadinhas” por parte de Trump e nem qualquer troca de farpas.
O encontro deveria durar apenas 45 minutos, nesta quinta-feira. Mas acabou sendo ampliada para mais de uma hora e 20 minutos no Salão Oval. A prorrogação da conversa elevou as expectativas entre os assessores do Palácio do Planalto sobre os resultados da viagem. Os dois líderes então seguiram para num almoço oferecido pelo americano, em seu próprio gabinete e em outro sinal considerado como positivo.
Não houve, porém, qualquer anúncio de acordos e nem o Itamaraty previa que isso seria possível. Nos principais temas bilaterais, não havia ainda um consenso suficiente para que tratados ou projetos fossem anunciados.
Ao final do encontro, Trump foi às redes sociais e deu um foco especial na questão comercial.
Ele declarou:
Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo Comércio e, especificamente, Tarifas. A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário. Presidente DONALD J. TRUMP
A viagem de Lula foi marcada por uma quebra de protocolos e da postura tradicional do republicano.
Ao sair do comboio, o brasileiro foi recebido pelo republicano em um tapete vermelho. Trump, ao contrário do que tem feito com dezenas de interlocutores para intimidá-los, não usou o aperto de mão para “puxar” o brasileiro. O gesto foi recebido com alívio por diplomatas, já que a marca registrada do republicano tem sido alvo de polêmicas em diferentes capitais pelo mundo. Já o brasileiro deu um tapinha no ombro do americano ao sauda-lo. “Como vai?”, disse Lula.
O brasileiro entrou na Casa Branca pela ala Sul, o mesmo local usado pelo rei Charles, na semana passada.
Lula evita emboscada de Trump
Outro sinal considerado como positivo foi a decisão da Casa Branca de aceitar não abrir o Salão Oval para a imprensa antes do início das reuniões e como é de costume. A expectativa era de que isso poderia significar que as delegações preferem dar maior atenção ao conteúdo do encontro para que, só depois, fariam anúncios concretos sobre o que foi debatido.
Mas, diante do avançado da hora, o pronunciamento conjunto no Salão Oval e local de várias emboscadas por parte de Trump foi cancelado.
Lula dará ainda nesta quinta-feira uma coletiva de imprensa na embaixada do Brasil em Washington.
O gesto de mudança de protocolo teria sido adotado depois de um pedido do governo brasileiro, o que foi atendido por Trump. No ano passado, na Malásia, Lula teria ficado irritado com a presença da imprensa americana antes do encontro, o que acabou reduzindo o tempo de discussão entre os dois líderes.
Os temas, porém, não são dos mais fáceis. Quando a reunião entre os dois presidentes foi confirmada, a ala bolsonarista passou a fazer pressão e subsidiar pessoas próximas ao presidente dos EUA com informações para prejudicar o encontro ou, pelo menos, minar os resultados da reunião.
Trump, porém, recebe Lula num momento complicado de seu governo. Sua popularidade está em seu nível mais baixo e sua campanha militar no Irã está sendo questionada até entre sua base mais radical.
No encontro, o lado americano estava sendo representado pelo vice presidente JD Vance, pelo secretário de Tesouro, Scott Bessent, o secretário de comércio, Howard Lutnick, além da chefe de gabinete do Trump, Susie Wiles e o Representante Comercial Jamieson Greer.
Marco Rubio, secretário de Estado e um aliado dos bolsonaristas, não estará presente. O chefe da diplomacia dos EUA está em Roma.
Além de Lula, a delegação contou com os ministros Mauro Vieira e Dário Durigan, além de Márcio Rosa, Alexandre Silveira e Wellington Silva.
Pauta na mesa
Lula pretendia propor ao americano uma cooperação para lutar contra o crime organizado, mas se recusa a falar na possibilidade de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. O Brasil ainda tentaria explicar aos chefes da Casa Branca que não se justifica a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros.
Do lado americano, Trump esperava fazer propostas para uma aproximação ao país na exploração de terras raras. O Brasil, porém, rejeita a ideia de ser simplesmente um fornecedor de minérios e quer o processamento também no país.
De uma forma geral, porém, a missão de Lula é a de desenhar um pacto de não ingerência por parte de Donald Trump. Num ano eleitoral, a prioridade declarada da diplomacia brasileira é a de defender a democracia do país contra ataques externos.
A meta é a de manter aberto o canal entre os dois principais líderes no Hemisfério Ocidental e desmontar eventuais espaços para ataques contra a soberania brasileira.
Uma das linhas de atuação do Palácio do Planalto é a de fazer uma diferenciação entre o que são temas legítimos da relação entre Brasil e EUA e o que seria considerado como uma ingerência.
Lula irá levar a mensagem, por exemplo, de que classificar grupos criminosos brasileiros como “terroristas” não se justifica e rebater as investigações comerciais contra o país.
O governo diria com todas as letras: “não existem terroristas no Brasil”.
Durante o encontro, a delegação brasileira levaria dados do combate ao crime organizado e vai mostrar a diferença entre o narcotráfico e o terrorismo. Os membros do governo iriam insistir que o Brasil “não tem grupos terroristas”.
Tudo, porém, terá como pano de fundo a tentativa de construção de uma relação que dê garantias ao Brasil de sua capacidade de autonomia na região e a preservação do processo eleitoral sem a interferência do governo dos EUA.
A esperança é de que, com a visita, Lula consiga evitar que Trump se envolva diretamente numa tentativa deliberada de desestabilização do Brasil. O risco continua sendo alto mesmo com o republicano neutralizado. Para a diplomacia brasileira, essa ingerência pode ocorrer por meio das big techs, de grupos ultraconservadores da sociedade civil americana e por ações encobertas por parte de alas mais radicais do trumpismo.
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.