sábado, 24 de julho de 2021

Reinaldo Azevedo: Braga Netto e Bolsonaro deprimidos, coitados, sem voto impresso ou golpe

 

Do Canal BandNews FM:

No programa "O É da Coisa" desta sexta-feira (23), o jornalista Reinaldo Azevedo comenta os ataques à democracia brasileira. O âncora da BandNews FM recorda a ameaça do ministro Walter Braga Netto, da Defesa, contra as eleições presidenciais de 2022. O caso foi divulgado pelo Estadão, na última quinta (22). Reinaldo ainda fala sobre a manifestação do vice-presidente Hamilton Mourão sobre a denúncia.



sexta-feira, 23 de julho de 2021

Xadrez de como Braga Netto tentou operação tipo Covaxin já quando interventor no Rio. Reportagem de Luis Nassif

 

    "A informação de que, quando interventor do Rio de Janeiro o general Braga Netto tentou adquirir coletes de segurança de uma empresa de Miami – sem licitação – pode se constituir na mais relevante informação sobre o grupo militar que se apossou do poder através de Jair Bolsonaro." - Luis Nassif


Do Jornal GGN:


Peça 1 – a prova que faltava 

A informação de que, quando interventor do Rio de Janeiro o general Braga Netto tentou adquirir coletes de segurança de uma empresa de Miami – sem licitação – pode se constituir na mais relevante informação sobre o grupo militar que se apossou do poder através de Jair Bolsonaro.

Reforça a tese de que a eleição de Bolsonaro foi uma operação articulada dentro das Forças Armadas por militares diretamente envolvidos com os negócios da ultra-direita mundial antes mesmo de Bolsonaro surgir como presidenciável.

Vamos por partes.

Primeiro, algumas reportagens pioneiras do GGN sobre os grupos de ultradireita mundiais e Bolsonaro

Aqui, sobre a indústria de armas global e os esquemas globais de neopentecostais.

Aqui, os precursores da guerra híbrida.

Aqui, sobre o pensamento da ultradireita militar.

Peça 2 – os negócios de Braga Netto com a intervenção

No dia 31.12.2019, a Agência Pública divulgou uma reportagem sobre os negócios de Braga Netto no comando  da intervenção militar no Rio de Janeiro.

Segundo ela, Braga Netto fechou R$ 140 milhões em contratos sem licitação. Uma das compras foram 14 mil pistolas Glock para a Polícia Militar do Rio de Janeiro. O principal divulgador  da Glock passou a ser  Eduardo Bolsonaro. A compra antecedeu sua campanha, mostrando que as teias estavam sendo tecidas por Braga Netto mesmo antes da ascensão de Bolsonaro.

Na 5a feira, Brasil de Fato publicou reportagem mostrando acordo fechado por Braga Netto com a CTU Secutiry, para compra de coletes de segurança, no período em que comandou a intervenção no Rio de Janeiro. 

Primeiro, Braga Neto armou a compra de coletes com dispensa de licitação no valor de R$ 40 milhões.

Aparentemente, a jogada foi suspensa após análise da Secretaria de Controle Interno da Presidência da República.

Mas os personagens envolvidos guardam preocupante semelhança com aqueles envolvidos na tentativa de venda das vacinas Covaxin.

Vamos comparar os principais personagens e modus operandi de ambas as operações.

Peça 3 – os personagens da licitação dos coletes

Primeiro, mais dados sobre a tal CTU, que pretendia vender coletes a Braga Netto..

Não é uma fabricante. É uma empresa de segurança em dificuldades financeiras, que até no nome mostrava seus propósitos políticos. A sigla significa Academia Federal da Unidade de Combate ao Terrorismo.

A empresa em questão é presidida por Antonio Emmanuel Intríago Valera, o Tony Intriago, um venezuelano conhecido como Tony Intríago e, agora, investigada pela participação no assassinato do presidente do Haiti. 

https://www.facebook.com/100652334681130/videos/563037504694171

A CTU é especializada em contratar mercenários para operações políticas Segundo a Agência Pública, ela 

“foi citada nas revelações do WikiLeaks em 2015 sobre a Hacking Team, uma empresa italiana conhecida por desenvolver ferramentas de vigilância e espionagem cujos programas foram acusados de roubar senhas de jornalistas e espionar ativistas de direitos humanos em países como os Emirados Árabes Unidos e Marrocos. O vazamento do WikiLeaks mostrou que a CTU buscou a Hacking Team para tentar vender projetos conjuntos de vigilância para o governo do México, revelando interesse, inclusive, na implantação remota de softwares espiões em computadores”.

A imprensa americana menciona que Intriago esteve envolvido com a tentativa de invasão da Venezuela em 2020.

Peça 4 – as coincidências com o esquema Covaxin

Vamos às principais semelhanças entre as duas tramas:

Compra de emergência

Tanto nos contratos da intervenção do Rio de Janeiro quanto nos da Saúde, tentou-se fugir das licitações alegando emergência. Nos dois casos, Braga Netto foi personagem central, como comandante da intervenção militar no Rio, e como Ministro-Chefe da Casa Civil e coordenador do grupo de combate ao coronavirus. Nos dois casos, os órgãos de controle – ainda não desmontados por Bolsonaro – impediram a consumação das compras.

Donos de empresa de segurança e academia de tiro 

Segundo o Miami Herald, além de vender equipamentos, a CTU é uma academia de tiro e uma agenciadora de mercenários para ações políticas. Teria participado de uma tentativa fracassada de golpe na Venezuela em 2020. Seu proprietário, Tony Intriago, é venezuelano.

Segundo a Newsweek, a CTU era uma empresa de segurança em dificuldades, ”que supostamente tinha um histórico de evitar dívidas e declarar falência”. Ou seja, o padrão Precisa (a empresa que intermediava vacinas) já estava presente nas compras de Braga Netto. 

No caso da Covaxin, um dos personagens principais é Carlos Alberto Tabanez, proprietário de um clube de tiro e de uma empresa de terceirização, a G.S.I., que nos últimos anos conquistou R$ 20 milhões em contratos com o setor público, especialmente com o Hospital das Forças Armadas.

Desde 2019 apontamos que os Clubes de Tiro são o principal braço armado do bolsonarismo, a partir das ligações de Eduardo Bolsonaro com o clube de tiro de Florianópolis. 

Eles são peças centrais da ideologia das armas.

O fator Haiti

Outro ponto em comum é o fator Haiti, comprovando que o núcleo original é o da força de paz do Haiti.

Em Brasília, Tabanez deu aulas de explosivos à tropa, quando se preparavam para ir ao Haiti. Já Tony Intriago tem relação umbilical com Haiti, a ponto de participar do assassinato do presidente.

Pastores de empresas benemerentes

No caso da Covaxin, um dos principais personagens é o reverendo Amilton Gomes, atuando através de uma falsa ONG, uma empresa de nome Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), que faz marketing da benemerência mas está aberta para negócios. É apresentada como ligada a uma tal Embaixada Mundial Humanitária pela Paz, além de se dizer parceira da ONU nas metas do milênio. Também se apresenta como especialista terapêutico, em psicologia e psicanálise.

No caso do atentado que matou o presidente do  Haiti, o principal personagem é o reverendo Christian Shanon. do Tabernáculo Evangélico Tabarre,  um haitiano de 62 anos que mora na Flórida há mais de duas décadas e que tem também uma empresa (disfarçada de ONG) de nome Operação Roma-Haiti,. Ele se apresenta como médico, embora não tenha nenhum registro médico em Miami.

Segundo o Miami Herald , Shanon pediu falência em Tampa em 2013 e teve mais de uma dúzia de empresas registradas no estado, a maioria das quais agora estão inativas

Mas juntou recursos para alugar um jatinho e levar as duas dezenas de mercenários para o Haiti.

Em ambos os casos, os pastores mantêm relações com militares e praticam o discurso da anti-corrupção.

Peça 5 – um movimento maior do que o bolsonarismo

Não há coincidências, mas um modus operandi  que liga esquemas da ultra-direita armada com pastores neopentecostais, em cima das mesmas bandeiras: interferência política para salvar a humanidade das esquerdas, ligações com Israel, montagem de ONGs para exercitar o marketing da benemerência.

No site da Senah, menciona-se que a tal Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários integra uma rede mundial que atua em 18 países.

O maior engano que poderia ocorrer, a esta altura do campeonato, é a extraordinária miopia de alguns analistas políticos, de supor que o Centrão está ocupando o espaço dos militares. Alguns artigos manifestam até solidariedade, como se os militares de Bolsonaro fossem cadetes ingênuos, sendo engolidos por raposas

Para com isso! Trata-se de um governo militar, composto por militares ambiciosos, das mesmas turmas do então tenente Jair Bolsonaro, que vão defender a ferro e fogo o espaço político conquistado. Bolsonaro é um agente do grupo militar.

As ligações de Braga Netto com empresas especializadas em atentados políticos, o eixo Haiti, a enorme quantidade de militares envolvidos em irregularidades, os abusos de contratos sem licitação beneficiando  os neo-empresários, militares da reserva que estão conseguindo contratos polpudos com o setor público, tudo isso leva a crer que o Twitter do general Villas Boas não foi o início da tentativa militar de empalmar o poder, mas o tiro de largada.

O remanejamento do general Ramos da Casa Civil não foi medida isolada de Bolsonaro. Sua entrevista ao Estado, dizendo-se atropelado por um trem, visou esconder o óbvio: a entrega de anéis ao Centrão foi uma decisão conjunto dos militares no governo, visando salvar o mandato de Bolsonaro.

As concessões ao Centrão foram planejadas pelos próprios militares sabedores de que as revelações da CPI do Covid, especialmente a comunicação entre o então Ministro-chefe da Casa Civil, general Braga Netto, e a Saúde, desnudarão de vez a grande armação das vacinas.

Do mesmo modo, a indicação dos novos comandantes das Forças Armadas não foi um gesto de autonomia em relação a Bolsonaro. Foi uma escolha pessoal do Ministro da Defesa, Braga Netto. E uma escolha a dedo, a julgar pelas manifestações dos comandantes da FAB e da Marinha em endosso ao factoide criado para justificar a Nota Oficial contra o presidente da CPI Omar Aziz.

Nas próximas semanas, haverá a explicitação da parte mais complexa da infiltração militar: os grandes negócios realizados no âmbito do orçamento militar que estão sendo levantados pelo Tribunal de Contas da União.

Para manter o poder, a julgar pelas manifestações dos Ministros militares, não haverá limites. As manifestações públicas de militares são reflexo mínimo das manifestações que ocorrem nos grupos de WhatsApp e na calada da noite política. 

Se nada for feito agora, os próximos 17 meses serão terríveis. 

Em ritmo de Olimpíadas, a Internet viraliza o vídeo da "campanha" Bolsonaro em #Haia2022 (ou seja, Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional de Haia em 2022)

 

Do Canal Cortes 247:

Viralizou um vídeo que mostra um dos momentos mais esperados da história: o julgamento do presidente Jair Bolsonaro no Tribunal de Haia. Confira.



TV GGN: Braga Netto em estreita sintonia com a extrema-direita mundial antes mesmo de Bolsonaro

 

Do Canal TV GGN:

Exclusivo no programa de hoje: A prova definitiva de que os militares montaram todas as parcerias com a ultradireita mundial bem antes do Bolsonaro assumir o poder. Outra pauta desta sexta é a premiação em Cannes de Jasmin Tenucci, diretora do curta brasileiro "Céu de Agosto", que planeja fazer filmes sobre a igreja evangélica e as tensões do Brasil.



Governo atual é de coabitação do ‘toma lá, dá cá’ entre Bolsonaro, generais e o Centrão. Texto do jornalista e sociólogo Milton Alves

 

"O governo Bolsonaro recorreu ao bloco parlamentar do Centrão, — em troca da blindagem para não correr o risco de impeachment — e liberou mais ainda a prática do velho toma lá, dá cá. Um vale tudo de fisiologismo", diz o colunista Milton Alves. Os atos do 24J, diz ele, serão mais um momento de "luta pelo fim do governo de Bolsonaro e dos generais golpistas"

Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS)

Nada como um dia após o outro para mostrar a verdadeira face política do presidente Jair Bolsonaro aos que se deixaram enganar pela pregação moralista de ocasião empregada por ele durante a campanha eleitoral de 2018. Evidente, que tiro dessa conta os núcleos militantes do bolsonarismo e o “partido militar”, envolvido em bilionárias falcatruas nos escaninhos ministeriais de Brasília.

Segundo Bolsonaro, em entrevista concedida à rádio Banda B, nesta quinta-feira, 22, ele se define como um político profissional do Centrão. “O Centrão é um nome pejorativo. Eu sou do Centrão. Eu fui do PP metade do meu tempo. Fui do PTB. Fui do então PFL. […] O tal Centrão são alguns partidos que lá atrás se uniram na campanha do Alckmin. Algo pejorativo. Não tem nada a ver. Eu nasci de lá”, afirmou.

Bolsonaro é um dos frutos podres da farsa da Lava Jato. Após o golpe de 2016, que degolou o mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff, ganhou impulso no país a campanha de demonização e criminalização do PT e da política, criando o caldo de cultura para emergência da extrema direita bolsonarista, montada no cavalo de troia do combate à corrupção.

A farsesca campanha anticorrupção do então candidato presidencial Jair Bolsonaro catalisou e agrupou o eleitorado de classe média, principal segmento envenenado pelo ódio contra o Partido dos Trabalhadores, esvaziando a campanha da velha direita representada por Geraldo Alckmin [PSDB].

O fenômeno político da onda bolsonarista só foi possível graças ao trabalho de sapa da operação Lava Jato. Ou seja, a praga política do bolsonarismo, primo tropical do neofascismo, foi nutrida pela engrenagem movida nos diversos escalões do Ministério Público Federal e das estruturas do Poder Judiciário, açambarcadas pela visão classista do lavajatismo — que operava um arbitrário sistema de justiça, com acentuada prática punitivista e autoritária.

No quadro de histeria golpista provocada pela Lava Jato, que armou a condenação e prisão de Lula sem crime para tirá-lo da disputa presidencial, Bolsonaro cavalgou na demagogia antissistêmica contra a “velha política” e o indecifrável presidencialismo de coalizão – eufemismo para o velho toma lá, dá cá -, inaugurado pelo presidente José Sarney durante a transição pactuada com a moribunda ditadura militar.

Bolsonaro monta governo de coabitação do toma lá, dá cá

Sob desgaste político crescente e sem resposta para debelar a crise econômica e social, agravada pela gestão criminosa da pandemia causada pela Covid-19, o governo Bolsonaro recorreu ao bloco parlamentar do Centrão, — em troca da blindagem para não correr o risco de impeachment — e liberou mais ainda a prática do velho toma lá, dá cá. Um vale tudo de fisiologismo: Liberação de recursos para os parlamentares do grupo, entrega de cargos em ministérios e empresas estatais e a criação de uma espécie de governo de coabitação entre Bolsonaro, os generais e o Centrão.

O bloco parlamentar do Centrão, um ajuntamento de diversos partidos no Congresso, ganhou mais musculatura política no interior do governo bolsonarista, reduzindo o espaço dos generais. Bolsonaro teve que ceder a estratégica Casa Civil para o senador Ciro Nogueira [PP-PI].

Com isso, o PP, principal partido do Centrão, amarra Bolsonaro que depende, cada vez mais, da trinca pepista: Nogueira na Casa Civil, Arthur Lira [PP-AL] na presidência da Câmara dos Deputados e do enrolado Ricardo Barros [PP-PR] na liderança do governo.

Todo o esforço de Bolsonaro busca assegurar a coabitação do “toma lá, dá cá” e sobreviver até 2022, aplicando as medidas a favor do grande capital nacional e estrangeiro contra o povo trabalhador, ou seja, passando a boiada neoliberal das privatizações e da retirada de direitos, com a providencial ajuda da turma da terceira via — integrada pelos partidos da velha direita neoliberal [PSDB, MDB, DEM, Novo e de setores do PDT].

Uma saída política progressiva da crise somente virá da mobilização popular. É um erro político grave cultivar ilusões de que a maioria do atual Congresso – sob o comando de Lira e Pacheco – que sustenta o governo, sob tutela militar, votará o impeachment de Bolsonaro. Não há nada mais urgente para deter a destruição da nação do que derrubar o governo Bolsonaro, responsável pela volta da fome, do desemprego e do genocídio de quase 500 mil brasileiros pelo coronavírus.

A nova jornada de mobilização do 24J será mais um momento do combate da frente única de esquerda e dos movimentos sociais para acumulação de forças na luta pelo fim do governo de Bolsonaro e dos generais golpistas — e também para barrar as manobras políticas urdidas pela velha direita, como a proposta de semiparlamentarismo. Um expediente feito sob medida para a possibilidade de uma vitória do ex-presidente Lula nas eleições presidenciais de 2022.

#24J: Ruas de 430 cidades serão ocupadas por atos contra governo

 


Jornal GGN Mais de 430 cidades do Brasil e do exterior irão realizar atos pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro neste sábado, 24 de julho.

Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), estão programadas manifestações pelo #ForaBolsonaro em todas as capitais e no Distrito Federal, além de cidades do países como Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Portugal e França.

Além de pedir o impeachment do presidente, outras pautas serão igualmente defendidas, como a luta contra as privatizações; luta contra a reforma administrativa; reforma tributária justa solidária e sustentável; por salário, emprego, trabalho decente e renda; contra a inflação, carestia e a fome; vacina para todos; auxílio emergencial de R$ 600; e defesa da agricultura familiar e luta por segurança e soberania alimentar.

“Desde que assumiu a presidência da República, ele afundou a economia, aumentou o desemprego, colocou o Brasil de volta ao mapa da fome, atacou a democracia e retirou direitos trabalhistas, entre tantas maldades praticadas por um só governante”, diz a CUT, em nota. “O país está assistindo estarrecido as denúncias de corrupção que atrasaram a compra de vacinas contra Covid-19 que poderiam ter salvado milhares de vida e o que o presidente faz? Passeios de motociata, sem máscaras e sem cuidados para evitar a contaminação”.

A CUT listou em seu site as localizações dos atos programados para este sábado. Clique aqui para obter outras informações.

Sem informar agenda, Braga Netto se reuniu com Forças dias antes de ameaça chegar a Lira, por Hugo Souza. A conspiração da extrema direita armada continua...

 

 "O voto impresso é uma comiseração de Jair Bolsonaro, que sonha com o que costuma chamar de “eleição auditável” – pelas milícias -, além de pretender baralhar, confundir, conturbar o cenário político nacional, como sempre."


Do Come Ananás

Sem informar agenda, Braga Netto se reuniu com Forças dias antes de ameaça chegar a Lira

por Hugo Souza

General de Exército Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, Almirante de Esquadra Almir Garnier Santos e Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Júnior (Foto: Alexandre Manfrim).

Walter Souza Braga Netto se reuniu com os comandantes das Forças Armadas dias antes de Arthur Lira receber o “avisa lá”, a la milícia, enviado pelo general terrivelmente golpista que chefia o Ministério da Defesa.

A reunião não consta na agenda oficial de Braga Netto.

“Ao dar o aviso, o ministro estava acompanhado de chefes militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica”, diz a reportagem do Estadão que revelou a ameaça do ministro da Defesa de pular as eleições de 2022 se o voto não for impresso.

O voto impresso é uma comiseração de Jair Bolsonaro, que sonha com o que costuma chamar de “eleição auditável” – pelas milícias -, além de pretender baralhar, confundir, conturbar o cenário político nacional, como sempre.

Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica reuniram-se com Braga Netto na manhã do dia 29 de junho. Na semana seguinte, no dia 8 de julho, o guinchar dos gorilas chegou a Lira pela boca de algum macaco-prego, classificado pelo Estadão como um “importante interlocutor político”.

A reunião do dia 29 de junho não aparece na agenda do ministro da Defesa, mas pode ser confirmada em três outras agendas, as do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, do almirante de esquadra Almir Garnier Santos, e do tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior.

As agendas dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica mostram reunião entre os três e Braga Netto no dia 29 de junho na parte da manhã, precisamente às 11:30h.

A agenda do comandante da Marinha mostra ainda uma reunião imediatamente anterior, às 10:50h, apenas entre o almirante de esquadra Almir Garnier Santos e Braga Netto. Este encontro também não aparece na agenda do ministro.

A agenda de Braga Netto para o dia 29 de junho informa apenas “despachos internos” ao longo da manhã e, à tarde, uma única reunião – com o presidente da República.

As outras duas mais recentes reuniões de Braga Netto com os chefes das três armas, uma anterior e outra posterior àquela do dia 29 de junho, foram devidamente informadas na agenda do ministro. Uma foi no dia 7 de junho, a outra foi no dia 16 de julho.

A ciboulette fica por conta de que dois dias após aquela reunião de 29 de junho com os chefes das Forças, sem informação na agenda do ministro, Braga Netto reuniu-se, e isto estava na agenda, com o chefe da CIA, Wiliam Burns, e com o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman.

Ainda sobre cronologias

O “avisa lá” de Braga Netto chegou a Lira um dia depois da nota da Defesa e das Forças Armadas ameaçando o Senado da República; e um dia antes de sair n’O Globo entrevista em que o tenente-brigadeiro do ar que comanda a Aeronáutica engatilha os canhões revólveres dos caças da FAB contra seu próprio país, dizendo que “homem armado não ameaça”.

Pois sim…

Além disso, foi no dia 29 de junho que membros da CPI começaram a aventar publicamente a possibilidade de a comissão investigar, além de Pazuello, a atuação de outros ministros militares de Bolsonaro na pandemia, nomeadamente Braga Netto.

A reportagem do Estadão informa que, “para ministros do Supremo, a ameaça de golpe não passa de um blefe para tentar evitar a investigação de militares pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid”.

E que:

“Na prática, a escalada da crise política que culminou com a ameaça dos militares foi motivada por um episódio. Na última semana de junho, os ministros do Supremo Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes haviam se reunido com dirigentes de 11 partidos. As conversas reverteram a tendência de aprovação do voto impresso na Câmara”.

Em nota divulgada na manhã desta quinta, para rebater a reportagem do Estadão, Braga Netto afirmou que “não usa interlocutores para comunicação com presidentes de poderes”, no melhor estilo Eduardo Pazuello, que tampouco negociava diretamente com representantes de empresas e, bem…

Na mesma nota em que negou que tenha ameaçado cancelar eleições se o voto não for em papel, na mesma nota, repito, Braga Netto voltou à carga, fazendo a defesa da “discussão sobre o voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso”.

É que os gorilas machos, por instinto, dão golpes no país e o peito.

TSE desmente Fake News de Bolsonaro e desmonta "suspeita" dos militares bolsonaristas, como Braga Netto, sobre urnas eletrônicas

 Ainda, hoje atacado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Defesa, general Braga Netto, o sistema de voto eletrônico adotado no Brasil há mais de 25 anos foi desenvolvido pelos militares nos anos 90.


TSE desmente Fake News de Bolsonaro sobre urnas eletrônicas


Jornal GGN – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu a informação falsa divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro, de que a apuração das urnas eletrônicas é feita “por meia dúzia de pessoas, de forma secreta, em uma sala no TSE”.

“Utilizado há mais de 25 anos, sem nenhuma comprovação de fraude, o sistema de voto eletrônico adotado no Brasil pode ser auditado antes, durante e após a eleição”, informou. A instituição esclareceu que a contagem de votos é feita automaticamente pela urna eletrônica logo após o encerramento da votação.

Também ressaltou que há uma comprovação em papel dos resultados dos votos, com o Boletim de Urna (BU), que a urna imprime em 5 vias, onde contém a quantidade de votos registrados naquela urna para cada um dos candidatos, partidos, votos nulos e brancos.

Um dos boletins de urna é colocado no local de votação, de forma pública, visível a todos. Outras vias do BU são entregues a fiscais dos partidos políticos e quem solicitar a auditoria.

Assim, a contagem dos votos é feita pela própria urna eletrônica, com uma rede de transmissão de dados criptografados, e não como disse o mandatário, por “meia dúzia de pessoas”. A soma de cada um dos resultados das urnas eletrônicas espalhadas por todo o Brasil também é feita por um “supercomputador localizado fisicamente no tribunal”.

Quando verificado e auditado, seja por qualquer cidadão, partidos políticos, candidatos, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), “o resultado final divulgado pelo TSE sempre correspondeu à soma dos votos de cada um dos boletins de urna impressos em cada seção eleitoral do país”. Há, ainda, um teste público de segurança que pode ser acompanhado pelos cidadãos no dia da votação.

“Portanto, o resultado definitivo de cada urna sai impresso e é tornado público após a votação, e ele pode ser facilmente confrontado, por qualquer eleitor, com os dados divulgados pelo TSE na internet, após a conclusão da totalização. Os partidos e outras entidades fiscalizadoras também podem solicitar todos os arquivos das urnas eletrônicas e do banco de dados da totalização para verificação posterior”, acrescentou o TSE.

Ainda, hoje atacado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Defesa, general Braga Netto, o sistema de voto eletrônico adotado no Brasil há mais de 25 anos foi desenvolvido pelos militares nos anos 90.

Conforme divulgou coluna de Monica Bergamo, o grupo que criou o protótipo da urna era formado por três engenheiros do Exército, Aeronáutica e Marinha do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e um engenheiro do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações).

“A proposta de contagem de votos impressos manualmente pelos próprios mesários, em substituição à apuração automática pela urna eletrônica, não criaria um mecanismo de auditoria adicional, mas representaria a volta ao antigo modelo de voto em papel, marcado por diversas fraudes na história brasileira”, conclui, em nota, o TSE.

Reinaldo Azevedo: Chora, Jair! Vai ter eleição, não vai ter golpe

 

Do Canal BandNews FM:




Vídeo de Leandro Demori, do The Intercept: O treinamento secreto de Mayra Pinheiro, a Capitã Cloroquina

 Do Canal The Intercept:

O terceiro episódio do Cama de Gato, novo programa semanal do Intercept no YouTube, revelou com exclusividade uma bomba: o treinamento secreto de Mayra Pinheiro, a Capitã Cloroquina, para se preparar para a CPI. A secretária do Ministério da Saúde, grande defensora do tratamento precoce, mostrou seu desconhecimento sobre os estudos e ainda deixou claro como funciona o jogo de cartas marcadas com os senadores governistas na CPI. CAMA DE GATO é o novo programa do Intercept Brasil no YouTube. Toda quarta-feira, 19h30, ao vivo.