Para Além do Cérebro
quinta-feira, 23 de abril de 2026
O que Tucker Carlson (ex-super apoiador midiático conservador do laranjão insano) revelou sobre Trump que a mídia está escondendo 😱 🇺🇸
A síndrome da sociedade do reconhecimento facial, por Fábio Ribeiro
Atributo pessoal indistinguível, o rosto é objeto de proteção legal. Ninguém pode usar o rosto de outra pessoa para obter lucro.
Do Jornal GGN:
Imagem gerada por IApor Fábio de Oliveira Ribeiro
É natural das pessoas temerem a feiura, porque ela infelizmente é fonte de zombarias, discriminação social e em alguma casos isolamento forçado. A feiura algumas vezes é equiparada a um defeito moral ou mesmo indício lombrosiano de criminalidade inata. Outras vezes é a beleza que esconde e feiura moral e a criminosa. Mas mesmo quando uma pessoa feia é virtuosa, a situação dela não melhora porque no mundo fenomênico a aparência é a essência do ser.
O rosto cola à pessoa. Através das características dela a pessoa é conhecida pelas demais, exceto pelas pessoas que tem uma doença rara que as impede de distinguir as faces das pessoas para reconhecer cada uma delas.
Atributo pessoal indistinguível, o rosto é objeto de proteção legal. Ninguém pode usar o rosto de outra pessoa para obter lucro, muito embora as Big Techs façam isso diariamente com uma naturalidade imensa. O que permite essa exceção é a autorização que as próprias pessoas dão para as Big Techs ao compartilhar suas fotos pessoais.
Num passado distante essas fotos foram usadas para treinar sistemas de reconhecimento facial. A princípio isso parecia uma boa ideia. Depois as pessoas começaram a perceber que era perigoso permitir que empresas privadas e Estados utilizassem esses recursos tecnológicos. Mas a verdade é que o reconhecimento facial continuou a se espalhar por todas as grandes cidades e depois delas ele se propagou para as cidades pequenas. Essa tecnologia se tornou uma realidade onipresente e em algum momento ninguém mais conseguia ficar em casa ou sair na rua sem ser “visto” por diversos sistemas de vigilância privados e públicos.
Em alguns países existir social e economicamente significava ser facialmente reconhecível. Ser designado como “não reconhecível” pelo sistema, uma punição administrativa comum algumas vezes imposta para delitos civis e crimes leves, outras vezes uma consequência automática da falta de dinheiro no banco ou cancelamento do crédito bancário, significava ser rebaixado à condição de não pessoa. Isso porque a pessoa não podia fazer nada, nem mesmo comprar passagem de trem ou de avião ou mesmo pagar pelo almoço num restaurante barato.
Num mundo em que o rosto diz quem você é, em tese não faria diferença ser feio ou bonito. O sistema de reconhecimento facial não faz valorações estéticas, ele apenas liga uma pessoa particular ao conjunto de dados que a representa num data center privado ou no data center estatal.
Os primeiros lugares imaginados dessa forma foram o Inferno, o Purgatório e o Paraíso, da Divina Comédia de Dante, porque o Deus que vê tudo em todos os lugares e em todos os momentos distribui punições e recompensas de acordo com os vícios e as virtudes. Ele não precisa ponderar cada decisão porque o sistema da vida após a morte foi, de certa forma, programado, como dizemos hoje, para funcionar corretamente, reconhecendo cada indivíduo e enviando-o ao lugar que lhe cabe. Na Comédia de Dante, o reconhecimento é total, ontológico, não apenas facial. O inferno de um sistema político real baseado em reconhecimento facial é o rosto que é computado erroneamente por algum motivo, o rosto que foi modificado e não pode ser computado e, claro, a adulteração não autorizada do banco de dados.
Nesse contexto, era natural que os cirurgiões plásticos fossem rigorosamente monitorados. Afinal, em razão de suas habilidades eles podiam interferir no funcionamento do sistema fazendo-o reconhecer como a pessoa A pobre como outra pessoa, a pessoa B rica por exemplo. Eles eram obrigados a documentar fotograficamente todas as pessoas que atendiam antes e depois da cirurgia. Tudo era depois agregado ao banco de dados oficial, para que a pessoa operada A com novo rosto fosse reconhecido como a pessoa A em qualquer lugar. As modificações feitas no sistema público de reconhecimento facial eram imediatamente repassadas aos sistemas privados, para que a pessoas não sofresse algum tipo de constrangimento.
Todavia, sempre que um sistema político ou econômico, ou mesmo tecnológico, coloca nas mãos de alguém um poder excepcional as possibilidades de fraude criminosa se tornaram uma realidade. Cirurgiões plásticos gananciosos começaram a trabalhar para quadrilhas de modificação de personalidade e dando origem à criação do Esquadrão Policial Especial de Prevenção e Repressão dos Face Crimes.
Esses caras eram especialistas na arte do disfarce, da infiltração, do hackeamento de computadores e é claro monitoravam todas as clínicas de cirurgia plástica com bugs. Os cirurgiões plásticos sabiam da existência do Esquadrão Policial Especial de Prevenção e Repressão dos Face Crimes então eles não cometiam crimes nos seus locais de trabalho. Aqueles que prestavam serviços às quadrilhas trabalhavam em consultórios improvisados, geralmente instalados em favelas miseráveis.
Para ser honesto, é preciso lembrar que nem sempre o trabalho desses cirurgiões visava lucro. Alguns deles cometiam crimes por razões políticas, porque existiam lutadores da liberdade que lutavam pelo fim da opressão facial. Mas nas sociedades dominadas de cima a baixo pelo reconhecimento facial a resistência política significava imediato banimento do sistema, um tipo de exclusão que se tornava permanente e lembrado em qualquer lugar a qualquer momento sempre que o rosto do dissidente fosse visto por uma câmera.
Pessoas desesperadas as vezes mutilavam seus rostos simulando acidentes apenas para não serem reconhecidos. Esses casos não eram tratados pelo Esquadrão Policial Especial de Prevenção e Repressão dos Crimes Faciais, mas pela polícia comum. Sempre que o sistema identificava uma face desfigurada por cicatrizes recentes que não podia ser atribuída a alguém o sistema gerava um alerta. E, então os policiais comuns iam palmilhar onde aquele rosto mutilado havia sido marcado como “irreconhecível, mas sem dados computáveis”. A pessoa era então apreendida, identificada por outros meios e o novo rosto dela era acrescentado ao banco de dados. Os casos de reincidência eram sempre dramáticos, os de tatuagens feitos no rosto despertavam grande suspeita.
Assim como os cirurgiões, os tatuadores também eram vigiados de perto Esquadrão Policial Especial de Prevenção e Repressão dos Face Crimes. Tatuar rostos era estritamente proibido, exceto se a pessoa conseguisse uma autorização judicial prévia. Caso em que o procedimento todo no consultório do tatuador era semelhante ao dos cirurgiões plásticos. O sistema tecnológico-político, econômico e social tinha horror à apenas duas coisas: os casos de “erros de reconhecimento facial por falsificação causada mediante cirurgia plástica” e os casos de “irreconhecível, mas sem dados computáveis”.
O Código Penal de uma sociedade inevitavelmente refletirá as necessidades impostas pela tecnologia que predomina e permite a validação de todos os atos públicos e privados. Mutilação do próprio rosto ou do rosto de outrem será crime grave: 10 anos de prisão. Apropriar-se da identidade facial de alguém por meio de cirurgia plástica não autorizada será crime gravíssimo: 20 anos de prisão. Operar o rosto de alguém ou tatuá-lo sem autorização: 10 anos de prisão, cassação da licença profissional e, em última instância, indenização equivalente ao dano causado. Alterar maliciosamente bancos de dados faciais: 15 anos de prisão e amputação de dedos. Danificar ou destruir câmeras instaladas em locais públicos ou abertos ao público: 2 a 3 anos de prisão, dependendo da importância estratégica do local para a polícia, além da perda dos dados faciais computáveis pelo dobro da pena. O uso de máscaras é proibido: multa de US$ 10.000. Usar máscara com o rosto de outra pessoa: 4 anos de prisão. Lembre-se, cidadão: seu rosto não lhe pertence, ele pertence ao sistema.
Usar máscaras era proibido, pena de multa de 10 mil dólares. Usar máscaras com o rosto de outra pessoa podia causar prisão por 10 anos. Em situações excepcionais (baile de máscara, carnaval), poderia haver dispensa da obrigação de não usar máscara. Mas nesses casos todas as pessoas eram reconhecidas facialmente antes e depois do evento e qualquer discrepância nos dados era imediatamente resolvida, sendo que a pena nesses casos era em dobro porque havia ocorrido má-fé para com a generosidade do estado que permitiu o uso recreativo de máscaras em ambientes livres de reconhecimento facial por tempo determinado.
Ser dono da própria face era motivo de orgulho no passado. Não ser dono dela por algum tempo no presente se tornou uma necessidade psicológica, então esses eventos (bailes de máscara e carnaval) se tornaram muito importantes. Talvez até mais importantes do que havia sido.
Nas sociedades do reconhecimento facial, os espiões eram agentes estatais com dispensa parcial ou total de reconhecimento facial. Assim eles podiam não ser vistos onde deveriam estar. E raramente eles eram reconhecidos pelas outras pessoas, porque de fato as habilidades naturais de reconhecimento facial haviam declinado desde que essa atividade passou a ser ostensivamente realizada por câmeras conectadas de alguma maneira aos data centes oficiais e privados.
O espião era um criminoso com liberdade para matar seu próprio rosto no sistema. Ele poderia até matar o rosto de alguém temporariamente, desde que isso se tornasse indispensável ao que ele havia designado para fazer. Esse grande poder não vinha sem um fardo: o espião que usasse mal seu acesso ao sistema de reconhecimento facial não perdia apenas o emprego. Ele geralmente perdia a vida também. Não, ele não era fuzilado. Ele apenas passava a ser reconhecido como alguém eternamente indesejável pelo sistema.
Nesse ponto o leitor deve estar se perguntando quando a história vai começar e quem são os personagens dela. Todavia, a história chegou ao fim porque o personagem dela foi delineado de maneira consistente.
Em um sistema de vigilância total, onde o reconhecimento facial é a regra e há câmeras por toda parte, ninguém consegue escapar de ser visto pelo sistema o tempo todo, pois o acesso ou a negação de acesso a produtos e serviços depende disso. Rebeldes e revolucionários nessa sociedade são hackers ou simplesmente candidatos a punições automatizadas.
Ninguém escapa de ser visto, mas alguém vestindo uma fantasia tipo Homem-Aranha, de corpo inteiro, incluindo a cabeça, feita de tecido espelhado, seria um “rosto não computável”. Algo que se assemelhe a um ser humano com um “rosto não computável” pode disparar alarmes no sistema, mas se um hacker alterasse a rotina para que o “rosto não computável” detectado fosse considerado irrelevante e descartável, o revolucionário vestido dessa forma seria o homem invisível. Ele seria visto por outras pessoas, mas o sistema não o veria.
Esse criminoso perigoso pode fazer qualquer coisa sem ser identificado, processado, condenado e preso. Vestindo sua fantasia de corpo inteiro feita de tecido espelhado, ele será algo que existe muito além da capacidade do sistema de identificá-lo. Ele está vivo, mas é um fantasma computacional. Ele não é invisível, mas não pode ser visto pelas câmeras. O status ontológico do “rosto não computável” é distinto de qualquer coisa já concebida ou imaginada por qualquer escritor. Ele sem dúvida terá uma vida dupla, mas uma de suas vidas será paradoxalmente notável justamente porque ele não tem rosto.
O deus de Dante vê tudo e todos o tempo todo, em todos os lugares, mas um poderoso sistema de reconhecimento facial não é Deus. Ele é cegado pelo terrível homem invisível com um “rosto não computável”.
Dinanzi a me no fuor cose create
se non eterne, e io eterna Duro.
Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate
Nell’inferno del riconoscimento facciale,
solo chi non può mai essere visto è al sicuro.
Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.
ICL: Plano econômico de Flávio Bolsonaro repete o de Milei, mira aposentadorias e enfraquece proteção social para agradar a Faria Lima e os EUA
Do ICL:
Para agradar a Faria Lima, propostas do filho de Bolsonaro ameaçam direitos dos trabalhadores
As primeiras sinalizações da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para a área econômica já demonstram que a população mais vulnerável terá que pagar a conta para que a Faria Lima fique satisfeita. Embora ainda não haja um plano formal apresentado, declarações de aliados e integrantes da equipe indicam que o caminho pretendido pode envolver cortes relevantes em gastos sociais e mudanças estruturais que afetam diretamente aposentados, trabalhadores e serviços públicos.
O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou recentemente que o modelo atual “está estourando” e defendeu a necessidade de revisitar tanto a Previdência quanto a legislação trabalhista. A fala, no entanto, deixa clara a intenção da retomada de reformas que podem reduzir direitos, especialmente em um contexto de alta vulnerabilidade social.
Nos bastidores, a equipe econômica trabalha com um ajuste fiscal inicial de cerca de 2% do PIB. Embora apresentado como um “recado ao mercado”, economistas apontam que esse tipo de estratégia costuma vir acompanhado de medidas que recaem de forma desproporcional sobre a população de menor renda.
Entre as propostas em discussão estão:
- Desvinculação de gastos com saúde e educação dos pisos constitucionais, o que, na prática, pode limitar o crescimento real de investimentos nessas áreas essenciais;
- Mudanças na política do salário mínimo, separando os reajustes reais dos benefícios previdenciários e assistenciais;
- Revisão das regras da Previdência, incluindo possíveis alterações na forma como os benefícios são corrigidos.
Na prática, essas medidas abririam espaço para que aposentadorias e benefícios sociais fossem reajustados apenas pela inflação — sem ganhos reais — o que pode significar perda gradual de poder de compra ao longo do tempo.
Plano de Flávio Bolsonaro traz risco para aposentados e serviços públicos
Os impactos potenciais são significativos. Hoje, cerca de 70% dos beneficiários do INSS recebem até um salário mínimo. Qualquer mudança na regra de reajuste pode afetar diretamente milhões de brasileiros que dependem desses recursos para despesas básicas.
Especialistas também destacam que a política de valorização do salário mínimo, adotada pelo governo Lula, teve papel importante na redução da pobreza e na dinamização da economia. Alterar essa lógica pode ter efeitos negativos tanto no consumo quanto na distribuição de renda.
Além disso, a proposta de desvincular investimentos mínimos em saúde e educação levanta preocupações sobre o sucateamento progressivo desses serviços, especialmente em um país marcado por desigualdades regionais e sociais.
Hoje, despesas com saúde estão condicionadas a um mínimo constitucional de 15% da receita corrente líquida (RCL); o mesmo na educação em relação aos atuais 18% da receita líquida de impostos (RLI).
Discurso de austeridade de Flávio Bolsonaro não inclui taxação de super-ricos
Outro ponto que chama atenção é a forma como o debate fiscal tem sido conduzido. Enquanto se discutem cortes em despesas sociais, o partido de Flávio Bolsonaro atuou contra propostas de aumento de arrecadação, como a tributação mínima sobre rendas mais altas — medida que atingiria uma parcela muito pequena da população de maior renda.
Essa postura evidencia uma assimetria nas prioridades, em que o ajuste das contas públicas recai mais sobre o corte de gastos do que sobre a ampliação de receitas de quem pode pagar mais.
As sinalizações feitas até agora são vistas como um aceno ao mercado financeiro, que há anos pressiona por contenção de gastos obrigatórios. Ao mesmo tempo, a campanha evita detalhar publicamente as propostas, em uma estratégia para reduzir desgaste político em meio à disputa eleitoral.
A cautela não é à toa: medidas que envolvem cortes em benefícios, mudanças na Previdência e redução de investimentos sociais costumam enfrentar forte resistência da população.
Flávio Bolsonaro: o herdeiro do caos, por Lindener Pareto Jr.
E Flávio Bolsonaro, o filho mais velho, supostamente mais "sério" e menos falastrão que os demais - agora repaginado como presidenciável - esteve ao lado do pai em cada passo dessa jornada
Do ICL:
Por Lindener Pareto Jr.
Como nos lembra Chico Alves – em coluna neste portal – há algo de profundamente assombroso na paisagem política brasileira quando nos deparamos com a imagem de Flávio Bolsonaro despontando como pré-candidato à Presidência da República em 2026. A cena evoca um teatro do absurdo, onde o ator principal, sorridente e empertigado, parece ter apagado de seu roteiro pessoal todas as nódoas de um passado recente e traumático. A candidatura do “01”, ungida pelas mãos de um pai inelegível, não é apenas um movimento político, é um ensaio sobre a amnésia coletiva que a extrema-direita – e seus amigos “isentões” do centrão – tenta impor ao país.
Flávio apresenta-se ao eleitorado como uma tábula rasa, uma figura limpa e desvencilhada dos escombros deixados pelo governo de Jair Bolsonaro. Faz vídeos sobre o amor que tem pela família, pelas filhas, pela esposa dedicada, chora, faz jogo de cena, é patriota e cidadão de bem. Contudo, a memória nacional não pode ser tratada como um arquivo corrompido que se apaga com um simples comando. A trajetória do senador fluminense está umbilicalmente ligada às páginas mais sombrias da crônica policial e política do Brasil contemporâneo. Como esquecer o escândalo das “rachadinhas”, aquele esquema paroquial de desvio de salários de servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)? A figura de Fabrício Queiroz, o ex-assessor e faz-tudo que movimentou quantias incompatíveis com seus rendimentos, permanece como um espectro insepulto a assombrar a narrativa de probidade do clã.
O caso Queiroz não foi um mero desvio de conduta administrativa, foi a porta de entrada para o submundo das relações perigosas da família Bolsonaro. A investigação revelou que a mãe e a esposa do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como chefe do grupo de extermínio “Escritório do Crime”, estiveram lotadas no gabinete de Flávio na Alerj. A intimidade com as milícias do Rio de Janeiro, grupos paramilitares que aterrorizam comunidades sob o pretexto de oferecer segurança, é uma mancha indelével na biografia do candidato. A prisão de Queiroz na casa do advogado da família, Frederick Wassef, coroou um enredo de compadrio e proteção mútua que desafia qualquer pretensão republicana.
A blindagem jurídica que salvou o Flávio Bolsonaro das garras da Justiça, através de decisões controversas de tribunais superiores que anularam provas cruciais, não apaga os fatos políticos. Apenas ilustra as fraturas do sistema de responsabilização brasileiro, onde o poder e a influência frequentemente superam as evidências. É munido dessa impunidade que Flávio ousa alçar voos mais altos, não ignorando o legado desastroso de seu pai, pelo contrário, surfando no próprio desastre, mas desta feita sem leite condensado e comendo com garfo e faca. Como lembrou a própria esposa, Fernanda, o “01” é o Bolsonaro vacinado. E é aí que mora o perigo. O Senador Flávio Bolsonaro sabe jogar o jogo e sabe cumprir os ritos do cargo. Vale dizer, ele é a “menina dos olhos” de um centrão e de uma extrema-direita que não vê a hora de entregar de vez o Brasil para a gringa, diga-se, para a sanha atroz do império americano de Donald Trump. E fará tudo isso com o devido tom de solenidade, como se fosse um grande nacionalista e libertador do Brasil.
Lembremos. O governo de Jair Bolsonaro foi um experimento de destruição institucional em larga escala. A gestão da pandemia de Covid-19, marcada pelo negacionismo científico e pela sabotagem de medidas de contenção, resultou em uma tragédia humanitária sem precedentes na história do país. O meio ambiente foi tratado como um estorvo, com o desmonte de órgãos de fiscalização e o avanço predatório sobre a Amazônia e os povos indígenas. A diplomacia brasileira, outrora respeitada, foi reduzida a um alinhamento ideológico tacanho e isolacionista, com Ernesto Araújo abraçado ao pútrido cadáver das ideias de Olavo de Carvalho.
Mas a obra máxima do bolsonarismo foi o ataque sistemático e metódico à nossa quase sempre mambembe democracia. Durante quatro anos, o país foi submetido a uma retórica golpista diária, com ameaças veladas e explícitas às instituições, em especial ao Supremo Tribunal Federal e ao sistema eleitoral. O ápice dessa razão autoritária materializou-se no dia 8 de janeiro de 2023, quando hordas de extremistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. A intentona golpista, alimentada pela recusa em aceitar o resultado das urnas, foi o epílogo previsível de um projeto de poder que sempre flertou com a ruptura.
E Flávio Bolsonaro, o filho mais velho, supostamente mais “sério” e menos falastrão que os demais – agora repaginado como presidenciável – esteve ao lado do pai em cada passo dessa jornada de destruição. Sua candidatura é a continuidade do caos, é manter viva a bílis cruenta de um movimento que se nutre do ressentimento, da desinformação, da política da morte e do enfraquecimento do Estado de Direito. Aceitar a normalidade dessa postulação é condescender com o apagamento da História e validar a impunidade como método político. Não há desculpas que bastem. Com Flávio Bolsonaro no poder, adeus universidades, adeus imprensa “livre”, adeus toda forma aberta e democrática de manifestação. Mais do que o pai, Flávio sabe corroer as instituições democráticas com a mesma desfaçatez e “pantomima” de um Collor, mas sem o compromisso de negociar com as elites quatrocentonas de sempre. Uma vez no poder, algo muito pior e sombrio tomará de assalto a nossa tantas vezes triste e achincalhada nação.
Com série de ações na Justiça, Flávio Bolsonaro (o dito "democrático" à favor da liberdade de expressão) tenta intimidar críticos das redes sociais
No meio jurídico, iniciativa é interpretada como possível prática de assédio judicial
Do ICL:
Por Gabriel Gomes
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem movido, nos últimos meses, uma série de ações judiciais com pedidos de indenização elevados contra internautas que publicam críticas a seu respeito nas redes sociais.
No meio jurídico, a iniciativa é interpretada como possível prática de assédio judicial, estratégia caracterizada pelo uso reiterado do sistema de Justiça para constranger, intimidar e impor custos financeiros a críticos, com o objetivo de gerar efeito inibidor e desestimular novas manifestações.
“Acredito que seja uma tentativa de intimidar críticas. Os valores pedidos são muito desproporcionais, mesmo quando se trata de pessoas que não têm grande alcance, que não são figuras públicas. Principalmente pelo valor elevado e pela repetição desse padrão nos processos, parece sim uma estratégia de intimidação para desencorajar críticas”, explica o advogado Marcelo Lopes, que atua na defesa de uma das pessoas processadas por Flávio Bolsonaro.
Ações de Flávio Bolsonaro contra críticos na Justiça
Desde fevereiro, o pré-candidato já moveu cinco processos nesse sentido apenas na Justiça de Brasília. Um dos alvos é o aposentado William Andrade, de Niterói, no Rio de Janeiro. Em fevereiro deste ano, William compartilhou, na rede social X, uma matéria da revista Fórum que noticiava denúncia do deputado Rogerio Correia (PT-MG) de que Flávio Bolsonaro teria oferecido R$ 5 milhões para um depoente ir contra o presidente Lula (PT) na CPMI do INSS.
No post, William se refere a Flávio como “lavador de dinheiro, miliciano e ladrão”. “5 milhões não é nada para esse criminoso”, escreveu. Flávio, então, processou o aposentado por violação moral e dano moral praticado na internet, com pedido de indenização de R$ 61 mil e a remoção do post.
“O que me surpreendeu é que esse tipo de comentário é muito comum nas redes sociais. Basta abrir qualquer postagem dele que você vê várias pessoas falando coisas semelhantes. E, mesmo assim, o processo veio contra mim”, diz William.
“A impressão que eu tenho é que o objetivo é intimidar, calar militantes e eleitores. E, de certa forma, isso funciona. Eu mesmo passei a ter mais cuidado com o que posto para não prejudicar minha defesa. Mas não deixei de me posicionar”, completou.
A liminar de Flávio pedindo a remoção da publicação foi negada em primeira e em segunda instâncias na Justiça de Brasília, que ainda não julgou o mérito da ação.
Flávio também processou três usuários da rede social X que compartilharam uma imagem gerada por Inteligência Artificial do senador ao lado de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”. Um deles chamou o senador de “Flávio Rachadinha Bolsonaro”.

“Gente phyna”
O jornalista Xico Sá, do ICL Notícias, também foi processado por escrever: ” A inesquecível festa de inauguração do Master. Só gente phyna, elegante e sincera”. Nesse caso, Flávio repete o pedido de indenização de R$ 61 mil a cada um dos alvos da ação.
“O motivo da ação foi que repostei [da conta do deputado Rogerio Correia] uma charge/cartum sobre o rolo do Master. Um conteúdo mais de humor que jornalístico”, explicou Xico Sá. “Pura tentativa de intimidação feita pela turma que se diz radicalmente a favor da liberdade de expressão”, reagiu.
Três páginas nas redes sociais Instagram, Threads e X também foram alvos de processos pela publicação de uma capa de revista falsa, gerada por Inteligência Artificial, do “InfoMoney”, em que Flávio teria afirmado que acabaria com o salário mínimo.
Um outro perfil foi processado por compartilhar a imagem de Flávio Bolsonaro com a suástica, símbolo associado ao nazismo.
Flávio também processou o deputado Rogerio Correia (PT-MG) por uma publicação com referências ao envolvimento de Flávio em uma disputa judicial sobre uma mansão de R$ 10 milhões na Ilha Comprida, Angra dos Reis, comprada pela empresa do jogador Richarlisson. O senador foi arrolado como testemunha no caso envolvendo seu amigo, o advogado Willer Tomaz.
“É incrível, grilagem de mansão, bem ao estilo milícia”, escreveu Rogerio Correia, que agora é alvo de Flávio na Justiça. O senador também pede indenização de R$ 61 mil.
O advogado Marcelo Lopes avalia que há uma contradição entre o discurso de liberdade de expressão propagado pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro e a prática de tentativa de intimidação de críticos com ações na Justiça.
“Ele frequentemente se coloca como defensor da liberdade de expressão, mas, na prática, aciona judicialmente pessoas que o criticam. Isso indica uma aplicação seletiva desse princípio, defendendo a liberdade de expressão em tese, mas restringindo quando as críticas são direcionadas a ele”, conclui.
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A extrema direita na era Bolsonaro: A morte de Bebianno e a técnica do assassinato sem rastro, por Luís Nassif
Ex-lutador de jiu-jitsu, Bebianno era conhecido por seus hábitos saudáveis — não bebia nem fumava — e por seu histórico de boa saúde.
Do Jornal GGN:

Peça 1 – os métodos dos porões da ditadura militar
A falta de uma justiça de transição deu sobrevida ao que de pior a ditadura gerou: os assassinos dos porões. Uma de suas especialidades era a de liquidar adversários com uma técnica de disfarce do assassinato.
O Código 12 foi a designação utilizada pelo regime militar brasileiro (1964–1985) dentro do sistema de informações e repressão política.
Era um código de classificação de prioridade de vigilância usado pelos órgãos de segurança do Estado — especialmente o SNI (Serviço Nacional de Informações), o DOPS e o DOI-CODI — para catalogar e monitorar indivíduos considerados “subversivos” ou ameaças ao regime.
O código indicava que a pessoa era alvo de atenção especial e permanente dos aparatos de repressão.
O sistema de fichas e códigos era parte da doutrina de segurança nacional, importada em grande medida da Escola Superior de Guerra e influenciada pela Escola das Américas (EUA). Cada órgão repressor mantinha arquivos cruzados sobre militantes, jornalistas, religiosos, artistas e qualquer pessoa suspeita de oposição ao regime.
Os repressores brasileiros foram formados por duas escolas.
A Escola das Américas
A Escola das Américas foi fundada em 1946 no Panamá. Dedicava-se a desenvolver métodos de contrainformação, interrogatórios com torturas, execução sumária, guerra psicológica, inteligência militar. Oficiais e soldados de países latino-americanos eram ensinados a subverter a verdade, silenciar sindicalistas, militantes do clero e jornalistas.
A estrutura intelectual americana veio da National War College de Washington, que serviu de modelo direto para a criação da Escola Superior de Guerra (ESG) brasileira — onde se formulou a Doutrina de Segurança Nacional que depois virou lei em 1968.
A escola francesa
Foi desenvolvida na guerra da Argélia. O cérebro foi o coronel Roger Trinquier, maior ideólogo francês de guerra suja, cujo argumento central era que “a tortura é um elemento importante na guerra moderna contrarrevolucionária”.
Os historiadores que estabeleceram os nexos entre as práticas aplicadas durante esses conflitos e as que se viram depois na Argentina, Uruguai, Chile e Brasil chegam a uma conclusão clara: o aperfeiçoamento do choque elétrico, a radiografia das agendas dos detidos, os sequestros em plena noite, a tortura sistemática, a guerra psicológica, os desaparecimentos, o uso de arquivos e os voos da morte são técnicas transmitidas pelos oficiais franceses.
A técnica do assassinato sem deixar pistas foi importada diretamente da Guerra da Argélia (1954–1962), onde foi sistematizada pelo general francês Paul Aussaresses e teorizada pelo coronel Roger Trinquier.
Aussaresses esteve no Brasil em 1973, a convite da ditadura, como adido militar à embaixada da França. Um de seus amigos mais íntimos era o então coronel João Batista Figueiredo, do SNI. O general francês também conviveu com o delegado Sérgio Fleury. E deu aulas de tortura e desaparecimento de opositores políticos em Brasília, Manaus e outros lugares.
O Destacamento de Operações Internas (DOI) do Brasil remonta ao Détachement Opérationnel de Protection (DOP) de criação francesa.
O pesquisador Rodrigo Nabuco de Araújo, autor de Diplomatas de Farda, conclui que “a doutrina da guerra revolucionária foi um elemento-chave para preparar a organização e a estruturação dos serviços de informação brasileiros, que foram calcados nos serviços de informações franceses durante a Guerra da Argélia”. Os militares do 2º Exército em São Paulo se inspiraram amplamente nas sessões administrativas especiais da guerra colonial francesa para estruturar a Operação Bandeirantes.
Os receptores brasileiros foram General João Figueiredo e delegado Sérgio Fleury, que aplicaram as teses no DOI-CODI e no esquadrão da morte.
Peça 2 – as mortes suspeitas
Há um conjunto de mortes, no mesmo espaço de tempo, dadas como acidentes ou doenças. Com o tempo, apurou-se que em algumas delas ocorreu assassinato comprovado. Outras ainda estão sob investigação.
* Morte de Zuzu Angel em acidente de carro. A estilista Zuzu tornou-se a maior ativista brasileira contra a ditadura.
* Morte de JK, em acidente de carro.
* Morte de Carlos Lacerda, de infarto agudo.
* Morte de João Goulart, de infarto agudo. Nos dois casos, há suspeitas da troca de remédios.
* Atentado no Riocentro: a intenção era promover o atentado e atribuir às forças de esquerda.
* Assassinato de Vladimir Herzog, passando por suicídio.
Peça 3 – o Código 12 em 8 de janeiro
A técnica foi mantida ao longo das décadas entre o fim do regime militar e o golpe de 8 de janeiro.
A Polícia Federal revelou um plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, elaborado com nível técnico militar detalhado, cujo objetivo era assassinar o presidente eleito Lula, o vice-presidente eleito Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. A data fixada para a execução era 15 de dezembro de 2022 — três dias após a diplomação de Lula no TSE e antes da posse.
Os alvos eram identificados por codinomes: Lula era “Jeca”, Alckmin era “Joca” e Moraes era “Professora”.
O documento com o planejamento operacional foi elaborado pelo general Mário Fernandes e impresso no Palácio do Planalto em 9 de novembro de 2022 — quando Bolsonaro ainda residia no Palácio da Alvorada, para onde o material foi levado. Uma segunda impressão foi feita no Planalto em 6 de dezembro de 2022.
Em 3 de dezembro de 2022, foram habilitados chips telefônicos utilizados na ação criminosa “Copa 2022”, em nomes de terceiros, em uma Lojas Americanas de Uberlândia. O grupo se comunicava via Signal com codinomes para dificultar o rastreamento.
Os métodos planejados
Para Lula — envenenamento
Para a execução do presidente Lula, o plano considerava, “dada sua vulnerabilidade de saúde e ida frequente a hospitais, a possibilidade de utilização de envenenamento ou uso de químicos para causar um colapso orgânico”. O método planejado para Lula é tecnicamente idêntico ao que laudos periciais argentinos identificaram no caso de Jango em 1976, e ao que foi ensinado pelos instrutores franceses como técnica de eliminação “sem rastros”.
Para Moraes — arsenal de guerra
O documento especificava o armamento a ser utilizado na captura e execução de Moraes: uma metralhadora, quatro fuzis, quatro pistolas e um lança-granada. Também foram consideradas outras condições para o assassinato, como uso de artefato explosivo ou envenenamento.
Os presos e a cadeia de comando
Foram presos quatro integrantes dos “kids pretos” — elite de combate do Exército treinada para operações sigilosas e ambientes politicamente sensíveis — e um policial federal: o general de brigada da reserva Mário Fernandes, o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, o major Rafael Martins de Oliveira, o major Rodrigo Bezerra Azevedo e o policial federal Wladimir Matos Soares.
Investigações apontam que reuniões estratégicas ocorreram na casa do general Braga Netto, ex-ministro e aliado de Bolsonaro. Participaram dessas reuniões Mauro Cid e outros militares. A liderança do grupo seria atribuída aos generais Braga Netto e Augusto Heleno, que coordenariam um “Gabinete de Crise” para gerenciar o país após a execução do golpe.
Peça 4 – as mortes inexplicadas
A partir desse histórico, há a necessidade de uma releitura de algumas mortes do período.
Gustavo Bebbiano
Gustavo Bebianno foi o primeiro ministro de Bolsonaro (Secretaria-Geral da Presidência) e um dos principais articuladores da campanha de 2018. Foi demitido dois meses após a posse, tornando-se um crítico aberto do governo.
Bebianno morreu na madrugada de 14 de março de 2020, vítima de infarto fulminante, quando estava em seu sítio em Teresópolis (RJ), acompanhado do filho e do caseiro. Foi levado ao hospital, mas não resistiu. Tinha 56 anos.
Ex-lutador de jiu-jitsu, Bebianno era conhecido por seus hábitos saudáveis — não bebia nem fumava — e por seu histórico de boa saúde. Dias antes de morrer, planejava concorrer à Prefeitura do Rio pelo PSDB nas eleições de 2020.
Em dezembro de 2019, disse que se sentia ameaçado: “O presidente Jair Bolsonaro é uma pessoa que tem muitos laços com policiais no Rio de Janeiro. Policiais bons e ruins. Me sinto, sim, vulnerável e sob risco constante.”
No programa Roda Viva, 11 dias antes de morrer, Bebianno revelou o plano de Carlos Bolsonaro de montar uma “Abin paralela”.
Em síntese: um homem saudável, que dizia temer pela própria vida, que guardava material comprometedor e morreu dias depois de sua última aparição pública. A causa oficial é infarto, sem indício forense de crime. O caso permanece, na prática, sem resposta definitiva.
Adriano da Nóbrega
Segundo Paulo Emílio Catta Preta, advogado do miliciano, em 5 de fevereiro de 2020 — quatro dias antes de ser morto — Adriano lhe telefonou para relatar “medo de um plano de queima de arquivo” e alegou que “queriam matá-lo, não prendê-lo”.
O advogado declarou: “Ele me ligou e disse que não adiantaria se entregar porque ninguém queria a sua prisão, mas sim a sua morte.”
No domingo 2 de fevereiro de 2020, uma semana antes da operação que resultou em sua morte, a esposa Júlia Mello Lotufo declarou à revista Veja que ele seria assassinado: “Meu marido foi envolvido numa conspiração armada pelo governador do Rio, Wilson Witzel, que queria matar o Adriano como queima de arquivo.”
Conversas telefônicas grampeadas pela Polícia Civil, no âmbito da Operação Gárgula do MP do Rio, revelaram que parentes de Adriano também temiam queima de arquivo. Numa das conversas, uma irmã elogia a postura de Bolsonaro no caso e diz que a morte de Adriano teria sido ordenada pelo governador Witzel.
Adriano era o elo central de uma rede que conectava crime organizado e poder político:
Caso Marielle — era apontado pelo MP como chefe do “Escritório do Crime”, organização de onde partiu o assassinato da vereadora. Ronnie Lessa, condenado pelo crime, era subordinado da mesma estrutura.
Rachadinha de Flávio Bolsonaro — segundo o MP do Rio, Flávio Bolsonaro financiou e lucrou com construções ilegais erguidas pela milícia com dinheiro de rachadinha. Contas bancárias controladas por Adriano foram usadas para abastecer Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.
Conexão direta com a família — a mãe e a esposa de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio até novembro de 2018, quando a investigação estourou. Queiroz admitiu que as demitiu justamente para evitar a ligação pública.
A operação teve início no dia 8 de fevereiro com cerca de 70 homens, mas foi finalizada no dia seguinte com a participação de somente 3 homens, destacados para enfrentar o ex-capitão — conhecido atirador de elite.
Os laudos contradizem a versão policial
Com base nas fotos post-mortem e no laudo de necrópsia, especialistas concluíram que os tiros que atingiram Adriano foram disparados à curtíssima distância. As fotos revelam um ferimento na cabeça logo abaixo do queixo que pode ter sido um tiro dado quando ele já estava caído.
Um especialista em medicina legal, sob anonimato, apontou como possível sinal de execução o disparo na lateral do corpo, provavelmente feito quando ele estava com os braços erguidos, em sinal de rendição. Uma queimadura no lado esquerdo do peito indica que o cano de uma arma de grosso calibre foi encostado no local — e havia reação vital ao redor, indicando que Adriano ainda estava vivo nesse momento.
Um laudo posterior revelou que Adriano foi atingido por uma bala quando estava deitado — informação que contradiz diretamente a versão dos três policiais envolvidos de que teria ocorrido troca de tiros.
Relatórios de inteligência da Polícia Civil do Rio obtidos pelo Intercept revelaram que ao menos duas pessoas ligadas a Adriano mencionaram o presidente Jair Bolsonaro em diálogos grampeados sobre a situação do ex-PM. Após essas menções, o MP do Rio suspendeu os grampos — sem encaminhar as informações à PGR, que teria prerrogativa de investigar o presidente.
Peça 5 – os riscos futuros
Esta semana houve uma boa celebração nos jornalões, com a informação que o Datafolha registrara empate técnico entre a candidatura de Lula e cada um dos candidatos da direita. A rigor, não quer dizer muita coisa, pois Lula ainda não colocou sua candidatura em campo. Mas a comemoração dos jornais mostra esse lado terrível da irracionalidade brasileira.
Não se trata de uma disputa civilizada, entre PT e PSDB, como ocorreu em outras fases da história. Trata-se do risco concreto de colocar no comando do país uma milícia, com táticas de assassinatos que remontam os porões da ditadura.
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