Em 2023, o GGN mostrou que Hardt engavetou o depoimento por dois anos. Juiz Appio descobriu e enviou o caso ao STF...
Da Redação do Jornal GGN:
Começam a surgir na grande mídia vídeos em que Tony Garcia delata Sergio Moro a Gabriela Hardt
A jornalista Daniela Lima, do UOL, divulgou nesta segunda, 2 de fevereiro de 2026, um trecho do depoimento de Tony Garcia à juíza Gabriela Hardt, onde o ex-deputado federal relata que foi “espião” de Sergio Moro e do Ministério Público Federal do Paraná por vários anos, tendo à sua disposição agentes da Polícia Federal para grampear quem quisesse. A mídia independente divulgou o testemunho em primeira mão. Assista abaixo:
Em 2023, o GGN mostrou que esta oitiva de Tony Garcia ficou engavetada por cerca de dois anos. Quando descobriu o depoimento bombástico, o juiz federal Eduardo Appio, então titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, não pensou duas vezes: encaminhou o caso para o Supremo Tribunal Federal, já que, à época, tanto Moro quando Deltan Dallagnol já dispunham de foro privilegiado. Deltan, no entanto, acabou tendo o mandato cassado pela Câmara.
No depoimento a Hardt, Tony Garcia, que havia firmado uma acordo de cooperação com o MPF, disse que atuou como “agente infiltrado do Ministério Público”. “Eu trabalhei por dois anos e meio diuturnamente, por 24 horas, tendo um agente da inteligência da Polícia Federal ao meu dispor, para eu pedir segurança e interceptação telefônica”, disparou Garcia no trecho do vídeo revelado nesta segunda pelo UOL.
Ante Hardt, Tony Garcia afirmou que Moro o convocava para debater os passos da investigação após ter acessos aos grampos, e cobrava que o então delator abordasse potenciais investigados e os levasse a cooperar com a Justiça do Paraná. Segundo a coluna de Daniela Lima, Garcia tinha de ajudar Moro a apurar “um suposto esquema de venda de sentenças judiciais”.
Decidido a retirar os esqueletos do armário da chamada República de Curitiba, Appio entendeu que estava diante de uma potencial notícia-crime contra agentes lavajatistas, e remeteu cópias do processo de Tony Garcia ao Supremo em 2023. O caso, hoje, tramita nas mãos do ministro Dias Toffoli, que no final de 2025 autorizou a Polícia Federal a vasculhar o antigo gabinete de Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba. Foi lá que as fitas foram encontradas.
Procurado pelo UOL, Moro alegou que os fatos são de 20 anos atrás – ou seja, estariam prescritos. Também disse que, naquela época, a jurisprudência autorizava uso de grampos sem autorização judicial quando a iniciativa partia de um colaborador.
Ao enviar o caso ao STF, Appio sinalizou, com base no depoimento de Tony Garcia a Gabriela Hardt, que entre os alvos dos grampos sem autorização judicial estavam um governador de Estado e ministros do Superior Tribunal de Justiça, todos com foro privilegiado, o que significa que Moro usou de um “colaborador infiltrado sem qualquer formalidade ou observância das leis vigentes no país” para investigar figuras que estavam fora de sua alçada. Há algumas semanas, o UOL mostrou que um ministro do Tribunal de Contas da União estaria entre os grampeados.
Appio ainda transmitiu seu espanto com o fato de Hardt não ter tomado nenhuma providência ao tomar conhecimento das supostas ilegalidades praticadas por Moro e os procuradores de Curitiba. “Ainda que estando presentes em audiência, as autoridades do caso nada fizeram em face do relatado.”
Os autos foram encaminhados por prevenção ao ministro Ricardo Lewandowski, aposentado do STF. Em seu lugar na turma que julga casos da Lava Jato, entrou o ministro Dias Toffoli. Hardt ainda tentou desfazer a decisão de Appio assim que o magistrado foi afastado da 13ª Vara após decisão da Corregedoria do TRF-4. Na sequência, no entanto, Hardt virou alvo de uma ação de suspeição apresentada pela defesa de Tony Garcia, e acabou decidindo, por foro íntimo, se afastar do processo.
Lançado em janeiro de 2026, o mais novo documentário inédito do GGN, “A Caixa-Preta da Lava Jato”, mostra como Eduardo Appio procedeu diante de outros supostos crimes praticados por Sergio Moro. Assista:


