terça-feira, 22 de setembro de 2026

Xadrez do caso Marielle e do pacto golpista de Braga Netto com Bolsonaro, por Luís Nassif

 

Do Jornal GGN:

Xadrez do caso Marielle e do pacto de Braga Netto com Bolsonaro, por Luís Nassif

Aqui se mostra como o general Braga Netto negociou seu cargo no governo Bolsonaro

    Valter Campanato - Agência Brasil


O vazamento de uma investigação da Polícia Federal, mostrando o senador Flávio Bolsonaro pagando uma emenda parlamentar ao miliciano Robson Calixto, o “Peixe”, envolvido na morte de Marielle, traz de volta o tema que não pode morrer: o envolvimento dos Bolsonaro, dos milicianos com a morte de Marielle, e o pacto de silêncio selado pelo general Villas Boas, general Braga Neto e Bolsonaro.

Capítulo do livro “A Conspiração Lava Jato – o jogo político que comprometeu o futuro do país

“General Villas Bôas, o que já conversamos ficará entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”, disse Bolsonaro ao comandante do Exército durante evento no Ministério da Defesa

No dia 2 de janeiro de 2019, durante cerimônia de posse do novo Ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, em seu primeiro dia como Presidente, Jair Bolsonaro soltou uma frase enigmática para o general Villas Bôas, cujo mandato se encerrava ali.

Qual o teor da conversa? Provavelmente passou pelo caso Marielle Franco. E pode explicar porque, até hoje, não foi desvendado o crime contra Marielle Franco.

Foi um crime de repercussão internacional, em que o provável assassino foi detido quase um ano depois, já encerradas as eleições e Jair Bolsonaro empossado presidente, mantido isolado de qualquer contato com o mundo, criando o mais relevante segredo político dos tempos modernos: quem foi o mandante? Como se prende o assassino e não se identifica o mandante?

O próprio Ministro da Justiça do governo Temer, Raul Jungmann, declarou, certa vez, ter certeza da existência de “poderosos” por trás da morte de Marielle.

Uma cronologia ajudará, se não a elucidar, pelo menos a entender melhor a conspiração que levou Bolsonaro ao poder.

No dia 5 de janeiro de 2018[1] Bolsonaro lançou-se candidato à presidência,

Doze dias depois, no dia 17 de janeiro de 2018[2], o comandante do Exército, general Villas Bôas, dava o nihil obstat da força a Bolsonaro, garantindo que não haveria mais restrições a ele.

Em pouco tempo, Bolsonaro deixou de ser uma sombra e se tornou possibilidade concreta de vencer as eleições. No dia 31 de janeiro[3], o Datafolha já sustentava que o único candidato capaz de vencê-lo seria Lula.

No dia 16 de fevereiro de 2018[4], o governo Michel Temer promulga o decreto de intervenção militar no Rio de Janeiro e nomeia como interventor o general Braga Netto. Bolsonaro critica a forma branda da intervenção[5], mas vota a favor.

No dia 13 de março de 2018[6], Braga Netto muda o comando da Polícia, tornando-se o responsável direto pela segurança no estado.

No dia 14 de março de 2018 ocorre o assassinato de Marielle. As investigações ficam sob responsabilidade de Braga Netto, o interventor.

Nos dias seguintes, Braga Netto repudia os assassinatos[7] e promete punir os assassinos[8].

No dia 7 de junho de 2018[9], Bolsonaro visita o general Villas Bôas, no primeiro encontro formal entre ambos.

No dia 14 de junho de 2018[10], Braga Netto informa ao Ministro Jungman possuir indícios claros sobre o assassino e os mandantes.

No dia 31 de agosto de 2018[11], Braga Netto garante que o crime será solucionado antes do final da intervenção.

No dia 28 de outubro de 2018 Bolsonaro é eleito presidente no 2º turno.

No dia 23 de novembro de 2018[12], Jungman fala da certeza de “poderosos” por trás da morte de Marielle.

No dia 31 de dezembro de 2018 termina a intervenção no Rio de Janeiro.

No dia 11 de janeiro de 2019[13], ainda cumprindo funções burocráticas finais do período da intervenção, Braga Netto diz saber quem matou Marielle, em uma declaração inacreditável.

Lógico que eu gostaria de ter entregado o caso, mas o próprio novo chefe de Homicídios (delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) deu uma entrevista dizendo que já tomou conhecimento e viu que está muito adiantado (o trabalho de investigação). Nós fizemos todo um trabalho. Nós não procuramos protagonismo. Eu poderia ter anunciado quem a gente acha que foi, dito ao Richard (Nunes, ex-secretário de Segurança) para anunciar. Mas a gente quis fazer um trabalho profissional. Tenho confiança que se mantiver as equipes que estavam na investigação vão chegar a um resultado em breve”, disse o general de Exército.

No mesmo dia, disse que a intervenção evitou “achismos”[14] sobre a morte de Marielle.

Na cerimônia de troca do comando do Exército, em 11 de janeiro de 2019[15], o general Villas Bôas saúda Bolsonaro, diz que sua eleição trouxe “renovação e liberação das amarras ideológicas”.

E diz que Bolsonaro, Sérgio Moro e Braga Netto “fizeram história”.

Não agradece ao Ministro Luis Roberto Barroso que, tirando Lula da disputa, pavimentou a vitória de Bolsonaro. Provavelmente, por considerá-lo apenas um inocente útil.

Moro asssumiu o cargo de Ministro da Justiça e, menos de um mês depois[16], Bolsonaro nomeou Braga Netto para o mais importante cargo do governo, o de Ministro-Chefe da Casa Civil, responsável por toda a interlocução do Presidente com demais Ministérios e com o Congresso. Era um general recém-saído da ativa, sem nenhuma experiência política, que não fazia parte do círculo de amizades ou alianças de Bolsonaro. Mas era integrante do trio de salvação nacional, os afilhados do general Villas Bôas, os novos condestáveis de uma república chamada de Brasil.

Além disso, desde meados de 2018 havia uma disputa surda entre olavistas e militares, por cargos no governo Bolsonaro. A escolha de Braga Netto para a Casa Civil faz o pêndulo virar definitivamente para a ala militar.

No dia 13 de março de 2019[17], é preso Ronnie Lessa, como provável assassino de Marielle. Fica-se sabendo que morava no mesmo condomínio de Bolsonaro, a poucos metros de sua casa, era contrabandista de armas. Ao mesmo tempo, descobrem-se as ligações do vereador Carlos Bolsonaro com o Escritório do Crime, empregando parentes de Adriano da Nóbrega, o chefe do Escritório.

Aceitou-se como normal que Bolsonaro, ligado ao submundo do Exército e das milícias, com ligações diretas com os principais responsáveis pelo Escritório do Crime, morando a algumas dezenas de metros da casa de Ronnie Lessa, sustentasse não ter relações maiores de conhecimento com ele.

Nos meses seguintes, houve um jogo de varrer a sujeira para baixo do tapete, do qual participaram o Ministro da Justiça Sérgio Moro e procuradoras do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro.

O jogo culminou com a informação de que, horas antes do assassinato de Marielle, houve uma reunião na casa de Ronnie Lessa, no próprio condomínio de Bolsonaro, do qual saiu o carro conduzindo o assassino.

Seguiu-se um jogo de apagar-pistas, com Carlos Bolsonaro confiscando o sistema de telefonia do condomínio, Sérgio Moro, colocando a Polícia Federal no encalço do porteiro – que sustentava que o motorista pediu, primeiro, para ir à casa de Bolsonaro, as procuradoras do MPE simulando uma perícia no sistema. E a mídia inteira engolindo o álibi de Bolsonaro de que, na hora, da ligação, estava em Brasilia.

Nem a informação de que o PABX do condomínio estava ligado nos telefones fixos e celulares dos moradores comoveu a imprensa.

Junto com Marielle, o jornalismo corporativo também havia sido assassinado.


[1] https://qrcd.org/49KW

[2] https://qrcd.org/49KX

[3] https://qrcd.org/49KZ

[4] https://qrcd.org/49Kc

[5] https://qrcd.org/49Kd

[6] https://qrcd.org/49Kg

[7] https://qrcd.org/49Kj

[8] https://qrcd.org/49Kl

[9] https://qrcd.org/49Km

[10] https://qrcd.org/49Kn

[11] https://qrcd.org/49Kq

[12] https://qrcd.org/49Ks

[13] https://qrcd.org/49Kt

[14] https://qrcd.org/49Ku

[15] https://qrcd.org/49Kv

[16] https://qrcd.org/49Kz

[17] https://qrcd.org/49Ky

Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano condenado no caso Marielle

 

 Uma assessora de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratou, em 2023, da liberação de emendas parlamentares enviadas pelo senador com o miliciano Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, que foi condenado em fevereiro deste ano pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).


Da Folhapress, divulgado também pelo ICL Notícias:

Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano condenado no caso Marielle

Peixe, ligado aos irmãos Brazão, teria procurado gabinete por verba para projeto na Taquara



Por Isadora Albernaz, José Marques e Raquel Lopes

(Folhapress) – Uma assessora de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratou, em 2023, da liberação de emendas parlamentares enviadas pelo senador com o miliciano Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, que foi condenado em fevereiro deste ano pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).

O montante de R$ 199 mil foi enviado por Flávio a um projeto de futebol do Ifop (Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio), no Rio. A entidade fica localizada no bairro Taquara, uma área de influência do ex-deputado Chiquinho Brazão e do conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Rio de Janeiro) Domingos Brazão –condenados como mandantes da morte de Marielle.

A Polícia Federal vê indícios de desvios de recursos no envio dos repasses. As informações foram inicialmente publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em diálogos obtidos pela PF entre Calixto e a assessora de Flávio, Maria de Fátima Bezerra Castro. A Folha de S.Paulo também teve acesso às conversas.

Em nota, a assessoria de Flávio, atualmente candidato à Presidência pelo PL, disse que os repasses foram feitos dentro da lei e seguiram critérios técnicos do Ministério do Esporte.

“A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei”, afirma.

Os irmãos Brazão foram condenados, cada um, a 76 anos e 3 meses de prisão pelo STF em fevereiro por terem sido os mandantes da morte de Marielle e chefiarem de uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro. Calixto recebeu pena de 9 anos de reclusão por integrar o grupo.

A reportagem entrou em contato com o advogado de Robson Calixto, Gabriel Habib, por mensagem e por ligação nesta segunda-feira (21), mas não houve resposta. Cleber Lopes, que representa Chiquinho, disse que não se manifestaria. A defesa de Domingos Brazão no caso Marille informou que não cuida desse tema relacionado a emendas. O espaço segue aberto para os demais citados.

Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão, a 9 anos de prisão por envolvimento no assassinato de Marielle Franco (Foto: Reprodução)

Conversas

Nos diálogos, coletados de um celular de Calixto em março de 2024, quando ele foi alvo de busca e apreensão no caso Marielle, o miliciano afirma ao contato salvo como “Fafa Flávio Bolsonaro”: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue [sic] nos ajudar”.

A assessora do candidato do PL pede que ele mande um email ou um ofício com a solicitação, o que é feito por Calixto. Ela, então, pergunta quando o miliciano iria a Brasília. “Vou em Novembro, será que consegue nos ajudar com alguma coisa?”, respondeu.

Os diálogos entre eles se estenderam até março de 2024, com cobranças de Calixto por “notícias boas” e um pedido para que Flávio Bolsonaro não esquecesse o Ifop. “Vê se o senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto”, diz ele em uma conversa de novembro. “Pode deixar”, afirma a assessora. Dias depois, Mária de Fátima declara que ligaria para Calixto.

“Consultamos as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso Senador, porém estamos no aguardo”, escreveu o miliciano em 22 de março de 2024.

Além da negociação envolvendo as mensagens, os registros mostram a funcionária do senador pedindo ingressos para um desfile na Sapucaí. “Joinha!!! Já estou te perturbando rsrsrs será que consegue 4 ingressos pro desfile das campeãs no camarote Arpoador?”, enviou a assessora de Flávio a Calixto.

A solicitação foi classificada pelos investigadores como vantagem indevida.

Em outra troca de mensagens, de outubro de 2023, Maria de Fátima convida o assessor de Chiquinho Brazão para ir a uma cerimônia de entrega de coletes para a Polícia Militar do Rio e cobrar pessoalmente Flávio pela liberação dos recursos. “Leva o deputado”, diz ela a Calixto.

Em julho, a PF deflagrou uma operação sobre suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas por Chiquinho Brazão a ONGs no Rio, para apurar os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A investigação, diz a polícia, identificou que parte dos recursos provenientes de emendas parlamentares federais destinados a entidades sem fins lucrativos, que mantinham contratos e parcerias com órgãos da administração pública federal, teria sido desviada mediante pagamentos indevidos, utilização de empresas interpostas e mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino dos valores.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Em prol da manipulação e do Golpe à favor da extrema-direita e interesses não-nacionalistas, o STF, úlitma barreira contra o golpismo, está no centro da guerra híbrida, como mostra Luís Nassif

 

E o Supremo, com todos os seus defeitos, é uma das últimas cidadelas contra o avanço da ultradireita, associada ao crime organizado.


Do Jornal GGN:

    STF no 8 de janeiro de 2023 - foto de Joedson Alves - Agência Brasil


É fato que o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu a guarda. Nos últimos anos, deixou o pudor de lado, permitiu seu uso para enriquecimento pessoal de ministros e abusou de viagens patrocinadas e seminários pagos. Com isso, criou uma enorme vulnerabilidade geopolítica para o país, da qual se valem os quinta-colunistas do trumpismo.

A campanha midiática contra o STF vai além de qualquer limite jornalístico. Trata-se de uma guerra de extermínio, uma sucessão diária de notícias — como ocorreu no início do caso Master, interrompida pelo áudio de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.

Essa obsessão tem alvo certo e deve ser analisada no foco da grande guerra pelo controle do país, que será decidida nas próximas eleições. E o Supremo, com todos os seus defeitos, é uma das últimas cidadelas contra o avanço da ultradireita, associada ao crime organizado.

Nas últimas décadas, houve um aumento exponencial do poder dos grandes grupos financeiros internacionais, que se tornaram forças políticas expressivas. A eles vieram se somar as big techs. Sua lógica de crescimento é a derrubada de todas as barreiras regulatórias. E essa soma de forças globais encontrou o escoadouro no personalismo do governo Donald Trump.

Todo o arcabouço de organizações e regulações construído após a Segunda Guerra Mundial foi sendo paulatinamente desmontado. Liquidaram organismos multilaterais, como os dedicados a combater a fome e a promover a saúde global. E agora, sob Donald Trump, investem contra a última cidadela: os estados nacionais, os países..

A questão da soberania não envolve apenas o sentimento nacional. Passa a ser tratado como obstáculo  para grandes negócios internacionais.

A diplomacia Trump

A diplomacia de Donald Trump combina três elementos: poder de Estado, interesses de grandes empresas e negócios ligados à própria família. Não se trata de uma aliança formal com divisão pública de cotas, mas de um método recorrente. Washington oferece proteção, financiamento, acesso ao mercado ou alívio regulatório; empresas norte-americanas, e alguns de seus parceiros nacionais, recebem oportunidades em energia, minerais, tecnologia e reconstrução; governos aliados ganham sustentação política; e os negócios da família Trump operam no mesmo ambiente criado pelas decisões presidenciais. Esse modelo, agora, expande-se para o controle político de países – especialmente da América Latina.

O método

  1. O Estado abre a porta. Tarifas, sanções, ajuda militar, crédito público e pressão diplomática são usados como instrumentos de negociação, interferindo nas eleições nacionais.
  2. O setor privado ocupa o espaço. Fundos, petroleiras, mineradoras e empresas de tecnologia entram nos projetos apresentados como estratégicos para os Estados Unidos.
  3. O aliado local recebe apoio. Governos alinhados obtêm financiamento, respaldo eleitoral ou integração preferencial com empresas norte-americanas. E grupos internos, associados, ganham parte do butim.
  4. A família monetiza a proximidade. Criptomoedas, imóveis, mídia e contratos privados atraem recursos de empresários e governos que também possuem interesses diante da Casa Branca.

A nova diplomacia do bolo

A novidade não é a associação entre Estado e empresas — ela sempre existiu na política externa norte-americana. A diferença está na personalização. Trump atua ao mesmo tempo como presidente, negociador-chefe, promotor de empresas norte-americanas e centro de uma marca familiar global.

Segundo levantamento da Associated Press, uma criptomoeda ligada a Trump gerou pelo menos US$ 320 milhões em taxas, enquanto um fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos utilizou US$ 2 bilhões na stablecoin USD1, da World Liberty Financial, empresa associada à família. A estrutura permite que os sócios reinvistam os recursos e recebam juros estimados em até US$ 80 milhões anuais. [7]

A Reuters calculou que a família ganhou cerca de US$ 500 milhões com a World Liberty desde seu lançamento. Uma empresa ligada aos Trump tinha direito a 75% do dinheiro obtido com a venda do token WLFI, descontadas reservas e despesas. [8]

Há ainda contratos que conectam diretamente grandes empresas à família presidencial. A Amazon fechou um acordo de US$ 40 milhões para um documentário sobre Melania Trump, ao mesmo tempo que mantinha interesses regulatórios, fiscais e comerciais diante do governo. [7]

É essa fusão que define sua diplomacia: o poder público abre os mercados, os grupos aliados ocupam os ativos e a proximidade com o presidente se converte em valor econômico.O padrão comum é a transformação da política externa em uma plataforma de negócios:

  • A Ucrânia oferece receitas futuras de recursos naturais em troca de reconstrução e compromisso estratégico por parte dos Estados Unidos. As negociações foram tocadas por Jared Kushner, genro de Trump (casado com Ivanka). 
  • Em Gaza, Jared Kushner e Steve Witkoff foram negociadores-chave do cessar-fogo entre Israel e Hamas. Witkoff é amigo próximo de Trump e bilionário do setor imobiliário.( aol yahoo). No Conselho da Paz, a lista também inclui Marc Rowan, CEO da Apollo, que doou US$ 1 milhão à campanha de 2024, e Yakir Gabay, bilionário imobiliário cipriota-israelense. Kushner e Gabay apresentaram o “plano diretor” para a “Riviera Mediterrânea”. (Agência Pública)
  • A Venezuela abre petróleo a empresas escolhidas após intensa pressão norte-americana. Alejandro Betancourt, venezuelano dono da NABEP, foi intermediário com capital privado e operadores americanos. O acordo dá à NABEP uma concessão de 100 anos sobre 17 campos, com cerca de 65 bilhões de barris de reservas. 
  • A Argentina recebe socorro financeiro enquanto direciona setores estratégicos ao capital dos Estados Unidos. Barry Bennett, lobista que assessorou Trump em 2016, tornou-se o canal privilegiado entre Washington e Buenos Aires (Elagora La Política Online), contando com Rob Citrone, dono do fundo Discovery Capital, investidor importante na Argentina e cliente de sua consultoria (Buenos Aires Times Exame). Leonardo Scatturice, empresário da OCP Tech e ex-agente da SIDE, é sócio de Bennett — uma foto de 11 de junho de 2025 mostra os dois com Trump (Perfil Perfil).
  • As Big Techs apoiam o governo e recebem desregulação, infraestrutura e acesso a mercados.
  • A família Trump mantém negócios capazes de captar a parte privada do valor produzido por essa rede de relações.

O complexo de vira-lata

No caso do Brasil, juntaram-se vários fatores, tornando a ameaça externa um risco iminente.

Primeiro, o histórico sentimento de vira-lata, que faz com que qualquer manifestação de soberania e de defesa do interesse nacional receba críticas. O comentarista do Estadão produziu um clássico sobre o tema:

O segundo ponto foi o controle de duas fontes de narrativas: as redes sociais e a mídia corporativa. Há meses, os jornais esmeram-se em manchetes negativas sobre o país.

Um dos objetivos mais profundos da guerra híbrida não é convencer a população a apoiar uma tese específica. É algo anterior: romper a confiança de uma sociedade em si mesma. Um país que perde o amor próprio deixa de se perceber como sujeito da história e passa a se enxergar apenas como problema, atraso ou fracasso.

A partir daí, toda disputa fica mais fácil. Se nada funciona, qualquer tutela externa parece razoável. Se o Estado é apresentado como incapaz por natureza, privatizar deixa de ser uma escolha econômica e passa a parecer exigência técnica. Se a política é sempre sinônimo de corrupção, o governo dos “especialistas”, dos militares, dos juízes ou do mercado surge como solução inevitável. Se o país não possui futuro, vender ativos, tecnologia e recursos naturais torna-se apenas uma maneira de escapar do naufrágio.

O ponto principal é que, no final do túnel, encontram-se a estagnação econômica, a rapinagem sobre todas as riquezas nacionais e o retorno dos Estados nacionais ao estágio de dependentes crônicos de produtos primários, com instituições definitivamente estraçalhadas, abrindo mais espaço para o crime organizado.

Mais que isso, refém de uma aliança entre grupos políticos espúrios, o crime organizado infiltrado no mercado financeiro e em todas as instâncias da vida nacional. Com a ultradireita internacionalista assumindo o controle do Executivo, do Congresso e da Suprema Corte, o fim inexorável da democracia.



O uso político das notícias contra Alexandre de Moraes, por Luís Nassif

 


A intenção não é fazer jornalismo: é anular o STF, como última trincheira contra o golpe, por isso manchetes recorrentes.


Do Jornal GGN:


Há um pecado original na relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master: o contrato firmado pelo escritório de advocacia de sua esposa com a instituição de Daniel Vorcaro. É fato relevante e merece apuração rigorosa.

A contratação de escritórios politicamente bem relacionados pode obedecer a duas lógicas distintas. A primeira é a compra de prestígio: ao anunciar que contratou familiares de um ministro do STF, o cliente exibe força e acesso institucional. Isso é eticamente questionável, mas não comprova, por si só, corrupção. A segunda hipótese é que o contrato tenha produzido influência concreta sobre votos ou decisões favoráveis ao cliente.

Até agora, não surgiu uma evidência objetiva sequer de que o contrato com o escritório de sua esposa tenha levado Moraes a votar em favor de Vorcaro. Ainda assim, parte da imprensa procura novos elementos para manter essa conexão na pauta. O episódio mais recente foi o uso, por Moraes, de um helicóptero da Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio por meio do fundo Patrimonial Blue até setembro de 2025.

As imagens são de 22 de agosto de 2025. Pode ter sido uma locação comercial regular? Pode. A hipótese precisa ser verificada antes de se converter a coincidência em prova de favorecimento. Mas os fatos, ah!, os fatos, servem apenas para atrapalhar a manchete. Ou seja, há um enorme alarido em torno de uma tese duvidosa – se foi aluguel normal ou oferta do banqueiro – e não se consegue encontrar uma prova de beneficiamento de Vorcaro.

Ao mesmo tempo, a divulgação de mensagens de Vorcaro e os episódios recentes no Supremo trouxeram elementos mais concretos sobre a atuação de outros ministros e que não mereceram sequer o acompanhamento dos jornalões.

O caso de maior interesse para o banqueiro era o reconhecimento de precatórios da Destilaria Alcídia, que mereceu bela reportagem de Breno Pires na revista Piauí:

  • Kássio Nunes Marques havia se declarado impedido. Depois, atribuiu o registro de impedimento a um erro, pediu vista, devolveu o processo com um voto de dez páginas favorável à destilaria e formou maioria de 3 a 2. Quatro minutos após o resultado, Luiz Rennó, diretor jurídico do Master, enviou a Vorcaro o contato de Kevin Marques, filho do ministro, acompanhado da frase: “Dominado aqui”.
  • Dias Toffoli também alterou sua posição: votou inicialmente contra a destilaria e, depois, passou a apoiar a tese favorável aos precatórios. Há uma montanha de suspeitas contra Toffoli, mas só enquanto interessava a sua queda da relatoria do Master. 
  • Mendonça também decidiu sobre os custos dos cemitérios de São Paulo, tema de interesse direto de Vorcaro, um dia depois de se reunir com o banqueiro na capital paulista, na sede do Instituto Iter.

Esses fatos constam da reportagem de Bruno Pires na revista piauí. O ponto central não é retirar Moraes do escrutínio, mas exigir coerência: se vínculos indiretos justificam manchetes sucessivas, mensagens, mudanças de voto e possíveis benefícios a familiares exigem investigação jornalística ainda mais intensa.

Mas a intenção não é fazer jornalismo: é anular o STF, como última trincheira contra o golpe.

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domingo, 20 de setembro de 2026

Reinaldo Azevedo – De Willer Tomaz ao jogo do bicho: relações incômodas cercam Flávio Bolsonaro e seus aliados

 

Do Canal Metrópoles:

A relação de Flávio Bolsonaro com Willer Tomaz virou motivo de desgaste para a campanha. O advogado, investigado sob suspeita de envolvimento no escândalo do INSS, acompanhou Flávio em viagens internacionais, incluindo um safári na África do Sul, e cedeu ao senador um apartamento usado durante a campanha. A PF identificou ao menos cinco viagens dos dois juntos no primeiro semestre de 2025. Paralelo a isso, planilhas encontradas pela Polícia Federal com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontam pagamentos de mais de R$ 10 milhões a aliados da família Bolsonaro, segundo o ICL Notícias. Os registros citam nomes como Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Hélio Lopes e Alexandre Ramagem. Reinaldo Azevedo comenta:



Portal do José: DOMINGÃO PÉSSIMO PARA BOLSONARISMO! FLAVIO EXPOSTO! JEGUE DANÇA! ARGENTINOS E LULA: REAÇÃO INCRÍVEL

 

Do Portal do José: