quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Portal do José: AGORA: PF ATRÁS DE BOLSONARISTAS GRAÚDOS! FLAVIO DESAFIA MAS ESCONDE 1512 DEPÓSITOS! MALA CONDENADO

 

Do Portal do José:




Bob Fernandes: Flávio 01 rachava empregos com parentes do Queiroz, do matador Adriano... e agora fala em “TodXs” e o deus Mercado e as eleites estão com ele....

 

Do Canal do analista político Bob Fernandes




O STF na mira da extrema direita, das elites e do mercado finaneiros e, com isso, e a eleição de 2026 sob risco, em artigo de Gustavo Tapioca

 

Crise detonada pelo caso Banco Master entra no tabuleiro eleitoral e reativa engrenagem que, em 2018, abriu caminho para a extrema-direita bolsonarista



O STF na mira e a eleição de 2026 sob risco

Pinterest - WestWing


por Gustavo Tapioca

A crise de imagem que atingiu o Supremo Tribunal Federal nas últimas semanas deixou de ser um episódio interno do Judiciário para se tornar peça central do tabuleiro eleitoral de 2026. Reportagem de Daniela Lima, no UOL, mostra que publicitários e estrategistas já tratam o desgaste do tribunal como ativo político com potencial para impulsionar a oposição e alimentar narrativas antissistema. 

Não se trata de mera percepção. Trata-se de método. 

A mesma engrenagem que operou entre 2016 e 2018 — quando a erosão da confiança nas instituições abriu caminho para a prisão de Lula, sua exclusão da disputa e a vitória de Jair Bolsonaro — volta a girar. Em ano eleitoral, com pesquisas indicando disputa apertada e vantagem estreita de Lula sobre o segundo colocado, Flávio Bolsonaro, o ataque organizado ao STF ganha peso estratégico. 

O tribunal que julgou e condenou a tentativa de golpe passa novamente a ser alvo de campanha de deslegitimação em larga escala. A crise atual não surge no vazio: ela é instrumentalizada e amplificada com precisão política. 

Estamos diante de uma Lava Jato 2. 

O caso Master e a captura eleitoral da crise 

A reportagem de Daniela Lima aponta três elementos decisivos: 

  1. O desgaste do STF entrou no debate eleitoral e tende a fortalecer a oposição a Lula. 
  1. A investigação expôs Dias Toffoli e atingiu também Alexandre de Moraes, alimentando narrativas de conflito de interesses. 
  1. Marqueteiros avaliam que a sensação de “desequilíbrio institucional” pode se tornar tema dominante, superando inclusive segurança pública. 

Tradução política: 
a crise institucional virou combustível eleitoral. 

Isso não significa que ministros não devam explicações — devem, e com máxima transparência. O problema está em outro ponto: a transformação de questionamentos específicos em narrativa de colapso institucional total. Quando episódios são convertidos em prova de que “o sistema inteiro está corrompido”, o objetivo deixa de ser fiscalização e passa a ser deslegitimação. 

O manual da ultradireita: cinco pontos de um método global 

O que ocorre no Brasil segue roteiro testado internacionalmente. A extrema-direita opera com método e etapas claras. 

1. Produção de escândalos com foco institucional 

O alvo não é apenas o governo. 
São as instituições que mediam a democracia: 
Supremo, tribunais eleitorais, imprensa, agências reguladoras. 

Desgastar essas estruturas é pré-condição para qualquer ruptura. 

2. Deslegitimação sistemática 

Ataques permanentes ao Judiciário e ao sistema eleitoral. 
Narrativa de que “tudo está aparelhado”. 
Amplificação em redes e canais de desinformação. 

Objetivo: 
minar confiança pública e preparar terreno para contestar derrotas ou justificar intervenções. 

Este é o ponto central do método. 

3. Personalização e moralização 

A instituição é atacada por meio de indivíduos. 
Casos específicos são ampliados até parecerem prova de corrupção estrutural generalizada. 
O foco deixa de ser o fato concreto e passa a ser a ideia de que nada funciona. 

4. Conversão em ativo eleitoral 

A crise vira narrativa de campanha. 
O discurso antissistema unifica direita tradicional e extrema-direita. 
Candidaturas locais e nacionais passam a explorar a ideia de “colapso institucional”. 

5. Preparação para contestação eleitoral 

O objetivo final não é apenas desgaste reputacional. 
É estrutural: 

  • enfraquecer o tribunal que julgou o golpe; 
  • questionar decisões futuras; 
  • criar ambiente de instabilidade; 
  • legitimar eventual contestação de resultados. 

Lava Jato 1 e Lava Jato 2 

Em 2018, Lula liderava as pesquisas. 
Foi preso. 
Permaneceu 580 dias encarcerado. 
Foi impedido de disputar, de dar entrevista, sequer de dizer quem era seu candidato. 

Hoje, Lula volta a liderar — com vantagem estreita. 
O segundo colocado é o herdeiro político do bolsonarismo. 
E o tribunal que condenou a tentativa de golpe volta a ser colocado sob suspeita generalizada. 

A coincidência não é casual. 

A Lava Jato 1 operou via sistema judicial e mídia. 
A Lava Jato 2 também opera via desgaste institucional contínuo, campanhas digitais e amplificação política. 

O mecanismo é o mesmo: 
criar clima de desconfiança estrutural para interferir no processo eleitoral. 

Toffoli e a porteira escancarada 

É impossível ignorar o papel de decisões passadas que contribuíram para o atual cenário. 
Toffoli escancarou a porteira em momentos críticos, permitindo que a boiada passasse sob o berrante do caos. 

Isso não absolve campanhas de desinformação. 
Mas mostra como erros institucionais são capturados e transformados em arma política. 

Ministros precisam se defender de acusações? 
Sem dúvida. 
Mas a instituição precisa ser protegida de campanhas que visam sua desmoralização total. 

O risco eleitoral real 

O ponto central é este: 
o ataque organizado às instituições pode ser decisivo na eleição de 2026. 

Se a narrativa de colapso institucional se consolidar, três efeitos podem ocorrer: 

  1. fortalecimento do discurso antissistema; 
  1. questionamento prévio do resultado eleitoral; 
  1. deslocamento do debate para terreno de instabilidade permanente. 

A eleição deixa de ser disputa de projetos e passa a ser disputa de legitimidade. 

O problema do campo progressista 

Há um erro estratégico recorrente: 
reagir apenas defensivamente. 

A extrema-direita opera com método e coordenação. 
O campo progressista responde de forma fragmentada. 
Subestima a guerra informacional. 
Demora a construir narrativa unificada. 

Esse déficit vem desde a Lava Jato 1 e permanece na Lava Jato 2. 

Sem enfrentamento direto da campanha de deslegitimação, o terreno fica livre para a erosão institucional contínua. 

O tribunal que julgou o golpe volta à mira 

O STF precisa responder a questionamentos com transparência e rigor. 
Isso é obrigação. 

Mas é igualmente necessário reconhecer que está em curso uma ofensiva política estruturada para deslegitimar o tribunal que julgou e condenou a tentativa de golpe. 

A eleição de 2026 começa sob esse signo. 
Com disputa apertada. 
Com ataques coordenados. 
E com o risco de repetição de um roteiro já conhecido. 

A história recente mostra o que acontece quando campanhas de deslegitimação institucional não são enfrentadas a tempo. 

O método está em operação. 
A pergunta é se haverá resposta à altura antes que seus efeitos se consolidem no processo eleitoral. 

Gustavo Tapioca é jornalista formado pela UFBa e MA pela Universidade de Wisconsin. Ex-diretor de Redação do Jornal da Bahia. Assessor de Comunicação da Telebrás, Oficial de Comunicação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do IICA/OEA. Autor de Meninos do Rio Vermelho, publicado pela Fundação Jorge Amado.

Para salvar bets, Câmara retira recursos da segurança e aprova PL Antifacção deformada pelo bolsonarista Derrite e Hugo Motta

 Pressão de Hugo Motta garante votação simbólica; Cide-Bets, que poderia arrecadar R$ 30 bilhões por ano, é retirada do texto final.

Do ICL Notícias:



Por Cleber Lourenço

PL Antifacção foi aprovado simbolicamente pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira (24) e agora segue para sanção presidencial. A votação ocorreu após reunião de líderes marcada por pressão política e disputa em torno de um dos pontos mais sensíveis da proposta: a taxação das casas de apostas online para financiar a segurança pública.

O texto aprovado excluiu a chamada Cide-Bets, contribuição de 15% sobre os valores transferidos por apostadores às plataformas digitais. O dispositivo havia sido incluído pelo Senado como mecanismo de financiamento permanente para ações de segurança pública e para o sistema prisional e poderia alcançar até R$ 30 bilhões em arrecadação, segundo o relator do texto no Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

Apesar da previsão de reforço orçamentário, o centrão insistiu na retirada da tributação das bets e solicitou que o trecho fosse votado separadamente. A movimentação irritou integrantes da base governista, que alegaram haver acordo prévio para manutenção do dispositivo no texto final.

Parlamentares relataram que, durante a reunião de líderes, o presidente da Câmara, Hugo Motta, foi incisivo para garantir que o texto fosse aprovado nos termos do entendimento construído. Segundo esses relatos, houve pressão direta sobre a base para evitar reabertura de discussão e assegurar a votação simbólica.

Os bastidores foram confirmados pelo líder do PSOL na Câmara, deputado Tarcísio Motta, que falou ao ICL Notícias após a reunião. De acordo com ele, houve “ameaça direta de que se não houver respeito ao ‘acordo’, vota (e aprova!) o texto original da Câmara”. A sinalização, segundo o parlamentar, funcionou como forma de enquadramento da base.

Descumprimento de acordo

Integrantes do governo interpretaram a retirada da Cide-Bets como descumprimento do acordo previamente firmado. Na avaliação desses parlamentares, a supressão do dispositivo enfraquece o discurso de endurecimento penal ao retirar uma fonte estruturada de financiamento para o enfrentamento às facções.

Durante a própria reunião, o relator na Câmara, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou um oitavo relatório da matéria. Uma nova versão foi levada à mesa poucas horas antes da votação simbólica, repetindo a dinâmica já vista em etapas anteriores da tramitação, com alterações sucessivas e dificuldade de consolidação de um texto estável.

O projeto cria um novo marco legal para o combate às facções criminosas, amplia tipos penais e endurece dispositivos relacionados à atuação de organizações criminosas. No entanto, a retirada do mecanismo de financiamento aprovado pelo Senado alterou de forma relevante a engenharia financeira originalmente desenhada para sustentar o reforço das políticas de segurança.

Com a aprovação simbólica, a Câmara evitou votação nominal e consolidou o texto final sem a taxação das apostas. O projeto agora aguarda sanção presidencial.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Quem são os irmãos Brazão, julgados pelo STF como mandantes do assassinato de Marielle

 

O Supremo também julga nesta terça Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro acusado de obstruir as investigações do caso

Chiquinho e Domingos Brazão e Marielle Franco (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados | Reprodução/Marielle, o documentário | Mídia NINJA)


247A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta terça-feira (24) os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, executados a tiros em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. Na mesma sessão, os ministros analisam as acusações contra o delegado Rivaldo Barbosa, apontado como responsável por interferências nas investigações do caso.

Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), os irmãos teriam ordenado o crime por interesses relacionados à grilagem de terras e à tentativa de regularização de um condomínio em Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital fluminense. A acusação sustenta que ambos atuavam em defesa de interesses de milícias “junto às instituições de Estado”. Eles foram apontados como mentores do atentado na delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, que confessou ter efetuado os disparos.

A trajetória dos irmãos Brazão

A influência política da família Brazão no Rio de Janeiro se consolidou ao longo de quase três décadas, período marcado por mandatos parlamentares e sucessivas controvérsias judiciais.

Chiquinho Brazão

Chiquinho Brazão, de 64 anos, iniciou a carreira como vereador do Rio em 2004, sendo reeleito por mais três mandatos consecutivos. Entre 2017 e 2018, atuou na Câmara Municipal ao mesmo tempo que Marielle Franco. No Legislativo carioca, presidiu a CPI dos Ônibus, criada para investigar supostas irregularidades no transporte público, mas a comissão terminou sem desdobramentos práticos.

Em 2018, foi eleito deputado federal, cargo para o qual foi reconduzido em 2022. O julgamento no STF ocorre porque ele exercia mandato parlamentar quando a denúncia foi apresentada. Em abril do ano passado, teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados após acumular 72 faltas não justificadas, registradas depois de sua prisão preventiva.

Inicialmente detido no Presídio Federal de Campo Grande (MS), Chiquinho passou a cumprir prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal. A medida foi concedida após a defesa apresentar laudos que apontavam “quadro de múltiplas comorbidades graves”.

Antes de ser preso, ocupou o cargo de secretário municipal de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio, do qual pediu exoneração em fevereiro de 2024, em meio às primeiras suspeitas sobre seu envolvimento no crime.

Domingos Brazão

Domingos Brazão, de 60 anos, é considerado o principal articulador político do grupo familiar. Começou a trajetória pública como assessor parlamentar nos anos 1990. Em 1997, foi eleito vereador e, dois anos depois, assumiu mandato como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde permaneceu por 17 anos consecutivos.

Em 2017, foi indicado pela Alerj para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). No mesmo ano, acabou afastado após ser preso na Operação Quinto do Ouro, da Polícia Federal, que investigou um esquema de corrupção envolvendo integrantes da Corte.

Atualmente, Domingos está preso preventivamente no Presídio Federal de Porto Velho (RO). A defesa pediu transferência para o Rio de Janeiro, alegando que ele estaria submetido a “inúmeras e indevidas restrições”, com prejuízos à saúde física e mental.

Ao longo da carreira, enfrentou outras acusações. Em 2011, teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) por suposta compra de votos, mas conseguiu liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e permaneceu no cargo.

Em 2014, durante discussão com a então deputada estadual Cidinha Campos, declarou: "Matei, sim, uma pessoa. Mas isso tem mais de 30 anos, quando eu tinha 22 anos. Foi um marginal que tinha ido a minha rua, em minha casa, no dia do meu aniversário, afrontar a mim e a minha família. A Justiça me deu razão". Segundo ele, o caso foi reconhecido como legítima defesa.

Rivaldo Barbosa e a acusação de obstrução

Também julgado nesta terça-feira, o delegado Rivaldo Barbosa está preso desde março de 2024 e é acusado de interferir nas investigações do assassinato. As suspeitas ganharam força após a delação de Ronnie Lessa, que afirmou que o então chefe da Polícia Civil teria oferecido aos irmãos Brazão a “certeza da impunidade”.

Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior assumiu o comando da Polícia Civil do Rio em março de 2018, um dia antes da execução de Marielle e Anderson. O convite partiu dos generais Braga Netto, então interventor federal na segurança pública do estado durante o governo Michel Temer, e Richard Nunes, secretário de Segurança à época.

Antes de chefiar a corporação, ocupou cargos estratégicos, como subsecretário de Inteligência, titular da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e diretor da Divisão de Homicídios, setor responsável por coordenar investigações de assassinatos no estado. Ele permaneceu no comando da Polícia Civil entre março e dezembro de 2018.

Durante as primeiras fases da apuração, comunicou ao então titular da DHC, delegado Giniton Lages, que policiais federais teriam localizado uma testemunha do crime. Posteriormente, a Polícia Federal concluiu que a pista era falsa, no âmbito de uma apuração paralela que ficou conhecida como “investigação da investigação”.

Em outro episódio, determinou que Lages interrogasse o policial militar Rodrigo Ferreira, o Ferreirinha, que teria relatado conversa entre o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, e o então vereador Marcello Siciliano sobre um suposto plano para matar Marielle. Meses depois, a versão também foi descartada após novas conclusões da Polícia Federal.

Logo após o crime, Rivaldo reuniu-se com parlamentares do PSOL e familiares da vereadora e afirmou que o caso seria solucionado rapidamente. Em entrevista, declarou que a polícia estava “no caminho certo” para identificar os responsáveis.

Em fevereiro de 2026, o Ministério Público Federal apresentou nova denúncia contra o delegado no âmbito do Inquérito 4.954, que tramita no STF. Além de Barbosa, também foram denunciados Giniton Lages e o ex-comissário Marco Antonio Pinto Barros, conhecido como Marquinhos. Segundo o MPF, os três teriam integrado associação criminosa voltada à obstrução de investigações e à garantia de impunidade em crimes cometidos por organizações criminosas.

Rivaldo tornou-se réu no Supremo e segue preso no Presídio Federal de Mossoró (RN). Em depoimento à Polícia Federal, em junho de 2024, negou participação nos preparativos do assassinato e rejeitou ter atuado para proteger os supostos mandantes do duplo homicídio.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Portal do José: BOLSONARISMO ESTRAÇALHADO! BRIGAS AUMENTAM! FIEIS ESCUDEIROS TOMAM RASTEIRA! DINO DÁ NOVA LIÇÃO!

 

Do Portal do José:

23/02/26 - DIREITA EM CONFLITO! "OLHA O JUDAS AÍ GENTE"!



Lava Jato 2 (novamente com a Globo e "grande mídia" controlada por banqueiros) tenta acuar STF e ‘Xandão’ vai pra cima!, por Tony Garcia

 

É a LAVA JATO 2 tentando renascer das cinzas com o mesmo objetivo de sempre: usar o aparato do Estado para chantagear e intimidar

Do Jornal GGN:


Lava Jato 2 tenta acuar STF e ‘Xandão’ vai pra cima!, por Tony Garcia



    Grafite no Brooklyn - Nova York - reprodução do site Vontade de Viajar

por Tony Garcia

Meus amigos, prestem atenção no que eu vou dizer porque eu conheço esse modus operandi como ninguém! O que estamos vendo em 2026 com esses auditores da Receita e do COAF não é novidade. É a LAVA JATO 2 tentando renascer das cinzas com o mesmo objetivo de sempre: usar o aparato do Estado para chantagear, intimidar e colocar de joelhos quem não pertença ao grupo deles.

EU CONHEÇO O MONSTRO POR DENTRO!

Vocês sabem da minha história. Eu vi de perto como a força-tarefa de Curitiba usava seletividade, vazamentos encomendados e “pressão” em órgãos de controle para fabricar culpados e proteger aliados. Capturado por Moro, fui, à força, peça central naquele tabuleiro e denunciei o uso político da justiça! Agora, o feitiço quer virar contra o feiticeiro? NADA DISSO!

Esses auditores pegos acessando dados da família do Alexandre de Moraes e do Gilmar Mendes estão seguindo a cartilha do “Estado Policial” que eu tanto combati. Eles entram no sistema, pegam o que querem, montam o dossiê e depois “vazam” para a imprensa amiga destruir o alvo. É o crime perfeito… ou era!

COMPARAR MINISTRO COM O PCC? É O FIM DA LINHA!

O presidente da Unafisco, Kleber Cabral, passou de todos os limites. Dizer que é mais perigoso fiscalizar autoridade do que o PCC? Isso não é crítica sindical, é INTIMIDAÇÃO PURA! É uma tentativa de acuar o Supremo usando o discurso do medo. Mas eles esqueceram de um detalhe: o ministro Alexandre de Moraes não é de se intimidar com bravata de quem usa crachá do Estado para fazer política rasteira. TORNOZELEIRA NELES!

O STF REAGE PARA SALVAR A DEMOCRACIA

O “Xandão” partiu pra cima ao melhor estilo: com a lei na mão! A reação foi cirúrgica. Se você usa o seu cargo para quebrar o sigilo de quem não é investigado, você não é um auditor, você é um agente político infiltradoBusca e apreensão: Para saber quem são os “generais” por trás desses soldados da Receita. Intimação de Kleber Cabral: Para que ele explique onde termina a liberdade sindical e onde começa a apologia ao crime organizado de colarinho branco!

O BRASIL NÃO VAI VOLTAR PARA O PORÃO!

Eu denunciei os abusos da primeira Lava Jato para que o Brasil nunca mais vivesse sob o império dos “justiceiros” de gabinete. Essa tentativa de criar uma nova estrutura de chantagem dentro da Receita Federal e do COAF precisa ser esmagada agora!

Quem acha que pode usar dados sigilosos para fazer guerra política contra a Suprema Corte precisa entender que o tempo da impunidade acabou. No meu tempo, eles faziam o que queriam. Hoje, eles encontram a Polícia Federal na porta e uma tornozeleira no pé!

BRAVO, MINISTRO MORAES! A democracia agradece a firmeza. Quem tem saudade de Curitiba que vá visitar o museu, porque no Brasil da lei, o crime não compensa — nem com cargo de auditor!

COMPARTILHEM! O POVO PRECISA SABER QUE A “MÁQUINA DE MOER” NÃO VAI VOLTAR!

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A Folha de São Paulo mostra sua tendenciosidade no embuste publicado chamando o trabalhador brasileiro preguiçoso. Entenda o caso lendo o revelador artigo deLuís Nassif

 

As pesquisas de força de trabalho medem horas trabalhadas na semana anterior, sem incluir deslocamento, que é um tempo dedicado ao trabalho.


Do Jornal GGN:

A Folha e o embuste do trabalhador brasileiro preguiçoso, por Luís Nassif



    Foto de José Cruz - Agência Brasil

Uma das maiores manipulações econométricas brasileiras é praticada nas estatísticas sobre o mercado de trabalho. Passei a década de 90 ajudando a desmistificar essas jogadas.

Quando veio a abertura da economia, nos anos 90, o bordão preferencial dos economistas do trabalho era comparar o tempo de estudo do brasileiro com o do norte-americano e do japonês. E tirar a conclusão definitiva: o trabalhador brasileiro é ineficiente.

Não era isso o que me diziam os executivos estrangeiros com quem eu conversava. Perguntei ao presidente da Samsung, recém instalada em Manaus, sobre a maior surpresa com o país. E ele: a qualidade do trabalhador brasileiro. Fiz a mesma pergunta para o executivo da Nokia. Mesma resposta.

Indaguei do diretor de recursos humanos da Mercedes, o impacto da diferença de estudos em relação ao trabalhador alemão. E ele me contou que mudou uma área da Mercedes, de mecânica para digital. Depois de um mês de curso, os metalúrgicos, “nordestinos com curso primário” estavam mais habilidosos que seus colegas alemães.

A troca dos nove foi com Carlos Salles, presidente da Xerox brasileira, nos tempos em que a Xerox era símbolo mundial de inovação. Ele me disse de um concurso anual de qualidade, entre todas as Xerox do mundo. Havia cinco prêmios. Indaguei qual foi a premiação brasileira. 6 prêmios me disse. Mas não são 5 prêmios? O 6º era pelo fato de, pelo segundo ano seguido, a Xerox brasileira ter vencido os 5 outros prêmios. Perguntei se era uma característica da Xerox brasileira. E ele: de toda multinacional instalada no país.
Qual a razão? O “jeitinho” brasileiro, a capacidade de encontrar soluções no dia-a-dia, a facilidade em se adaptar a toda sorte de método de trabalho.

Quando o inominável José Pastore – o mais preconceituoso dos especialistas em economia do trabalho – dá o exemplo dos bares para mostrar a baixa produtividade do trabalhador brasileiro, não entende que maior ou menor produtividade depende do modelo de trabalho implantado, desde o bar até a grande empresa.

Hoje em dia, na maioria dos bares vê-se garçons de todas as idades manobrando com toda familiaridade celulares para anotar os pedidos e fechar as contas.

Os embustes estatísticos

Mesmo assim, os embustes estatísticos continuam frequentes.

Algumas décadas atrás, um pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) constatou que 55% dos lares brasileiro tinha ou um aposentado ou um pensionista como arrimo de família. E, nesses lares, era maior o tempo de escolaridade das crianças, menores os gastos com saúde, maior a blindagem contra a cooptação pelo crime organizado. Enfim, uma defesa fantástica dos efeitos do aumento do salário mínimo na Previdência.

O mercado entrou em pânico e contratou José Márcio Camargo para comprovar que o aumento do SM na Previdência aumentava a propensão dos jovens à “vagabundagem”, Para dar credibilidade do trabalho, Camargo trouxe como parceiro um pesquisador do IPEA. E só conseguiu emplacar a tese da “vagabundagem” no final, como uma hipótese, mas sem comprovação do estudo.

Mas a aventura mais extravagante foi do economista Cláudio Haddad. Ele estimou o custo do salário de um executivo. Depois, o atraso que os donos de carrocinhas provocam no trânsito. E cruzou o salário hora dos executivos com a perda de tempo por conta desses exploradores de executivos, as carrocinhas. A partir daí gerou um índice de desperdício e a bandeira para serem proibidas as carrocinhas, de pessoas que recolhem objetos pela cidade, para sobreviver.

O brasileiro que trabalha pouco

Faço essa introdução para comentar a inacreditável manchete da Folha de hoje, claramente alinhada com a ofensiva conservadora para impedir a escala 5 x 2 . 

O trabalho é do economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, a partir de um novo banco de dados global de horas trabalhadas organizado pelos economistas Amory Gethin, do Banco Mundial, e Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).

Vamos a algumas características desse estudo: as pesquisas de força de trabalho medem horas trabalhadas na semana anterior, normalmente perguntando “quantas horas você trabalhou?”, não “quanto tempo você dedicou ao trabalho incluindo deslocamento”.
Ou seja, se um trabalhador trabalha 44 horas por semana, gasta 10 horas semanais no trajeto (ida e volta), o estudo registrará 44 horas, não 54.

Vamos incluir o tempo no trânsito com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Censo de 2022, Eurostat e United States Census Bureau.

A média aproximada diária de tempo no trânsito:

Brasil: 64 minutos.

União Europeia: 50 minutos

Estados Unidos: 53 minutos

Como no Brasil a semana é de 6 dias e na União Europeia e EUA é de 5 dias, a conta semanal, de tempo gasto no trânsito, fica assim:

Brasil: 384 minutos, ou 6,4 horas semanais.

União Europeia: 250 minutos, ou 4,2 horas semanais

Estados Unidos: 265 minutos ou 4,4 horas semanais.

Agora vamos acrescentar essas horas nas estatísticas apresentadas.

Média mundial: 42,7 horas

Media brasileira: 40,1 horas, ou 6% a menos.

Incluindo tempo de transporte:

Média mundial: 47,1

Média brasileira: 46,9

MedidaBrasilUnião EuropeiaEUA
Dias da semanadias655
Transporte/diaminutos dia645053
minutos semana384250265
horas semana6,44,24,4
Horas trabalhadas40,142,742,7
Diferença0,00%6,48%6,48%
Horas trabalhadasMais translado46,546,947,1
Diferença0,00%0,79%1,33%

O economista Daniel Duque é definitivo:

“Sob qualquer desses critérios, o brasileiro trabalha menos do que seria esperado. Para Duque, o que provavelmente explica o desvio brasileiro é uma questão cultural, uma preferência por maior quantidade de lazer”.

“Sob qualquer critério”! Peguei o mais básico dos critérios, o critério óbvio, de incluir o tempo gasto no transporte, e a média brasileira se iguala estatisticamente à internacional

Aí, o economista conclui que o brasileiro trabalha menos por “uma preferência por lazer”. E, magnânimo, concede que “não é necessariamente ruim”.

No final dos anos 40, um grupo de funcionários públicos sérios, trabalhando as ideias originais do conceito de previdência – e liderados pelo professor Luiz Palmério – defendia a semana de 5 dias e, mais que isso, a possibilidade do trabalhador escolher os dias de folga.

A ideia era que o comércio ficava aberto só durante a semana. Assim, as folgas em finais de semana não permitiam ao trabalhador o acesso aos bens de cultura, de lazer e de consumo.

Entre dr. Palmério e Daniel Duque não há apenas 75 anos: são 300 anos, período que separa a Idade Média do Iluminismo.

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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Jornalista revela bastidores do antidemocrático conselho editorial da Globo

 

Paulo Nogueira, editor do Diário do Centro do Mundo, que já integrou este grupo, como responsável pelas revistas da casa, revela como é o processo de comando no grupo de mídia dos Marinho, com destaque para o papel de Ali Kamel, diretor de Jornalismo, e do colunista Merval Pereira. "Pareciam odiar Lula e qualquer coisa que partisse do governo petista. E pareciam também querer que João Roberto [Marinho, um dos donos] soubesse disso", diz ele

Do Brasil 247:

    Jornalista Paulo Nogueira revela bastidores do conselho editorial da Globo


247 - O jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor da Abril e da Globo, decidiu revelar como funciona, por dentro, o conselho editorial do grupo de mídia dos Marinho. Confira:

Como funciona o Conselho Editorial das Organizações Globo

Sob o comando de João Roberto Marinho, o Conedit reúne os editores das diversas mídias da Globo para alinhar ações e debater assuntos. As reuniões são realizadas às terças, por volta das 11 horas, no prédio da Globo no Jardim Botânico, no Rio. Frequentei-as ao longo dos dois anos e meio em que fui diretor editorial das revistas da Globo. Quando cheguei, Kamel já estava lá, e ali permaneceu depois que saí.

A referência mais longa que eu tivera dele veio de um jornalista da Abril que o procurara em busca de emprego. A operação deu certo. O jornalista me contou que lera que Kamel valorizava gente que tivesse passado por revistas, por ser mais apta a mexer com palavras. O próprio Kamel passara pela Veja no Rio antes de se fixar nas Organizações Globo.

Kamel não confirma o folclore do carioca simpático, ao contrário de outros editores com quem convivi naquelas manhãs de terça. Seu chefe, Carlos Schroder, um gaúcho afável e sempre com um sorriso no rosto, parece mais carioca que ele.

De um modo geral, o ambiente no Conedit reflete o humor, a alegria, a capacidade de rir dos cariocas. (E também a falta de pontualidade.) Mesmo Merval Pereira, colunista de várias mídias da Globo e ex-diretor do jornal, ri com frequência – uma surpresa para quem lê seus textos em geral num tom de elevada preocupação, quase sempre ligada a um pseudopecado mortal de Lula.

Kamel, pela importância da TV, é uma presença destacada no Conedit. Sua expressão solene sublinha esse papel. Não sei se Kamel costuma beber no bar com os amigos para falar bobagens como futebol, mas não me pareceu.

O que inicialmente mais me chamou a atenção em Kamel, e em muitos outros ali, foi a obsessão com São Paulo. “Os jornais de São Paulo” são constantemente citados, como se representassem o mal. Não sou exatamente um admirador nem do Estadão e muito menos da Folha, mas achava engraçada a presença dos  “jornais de São Paulo” nos debates. Nós, jornalistas de São Paulo, jamais nos referimos aos “jornais do Rio”.

Não é exatamente confortável ser um paulista naquele plenário, logo entendi. Eu me sentava num canto próximo da porta, por razões de conforto. “Este é o canto dos paulistas”, ouvi, em tom de brincadeira, uma vez, de Luiz Erlanger, uma espécie de RP do alto escalão das Organizações.

Havia uma alta rotatividade naquele canto. O ambiente é carioca, para o bem e para o mal. E o ressentimento pelo tamanho que São Paulo tomou no Brasil acaba repercutindo, de uma forma ou de outra, em paulistas que participem do Conedit.

Ali Kamel não facilita a vida de ninguém, logo vi. Não é hospitaleiro. Lembro o dia em que Kamel foi apresentado ao jornalista Adriano Silva, na sede da Globo no Rio de Janeiro. Adriano estava sendo contratado com a missão de chacoalhar o Fantástico.

Adriano fizera isso na Superinteressante. Daí o interesse da Globo. Quem negociou com Adriano foi Carlos Schroder, então diretor de telejornalismo da Globo e hoje seu diretor-geral. Eu estava com ambos no prédio do Jardim Botânico quando Ali se aproximou.

Não deu um sorriso para Adriano. Seco, quase ríspido, colocou a Superinteressante na conversa — afirmou que a enteada a lia — para comentar supostos erros da revista. Ficou claro naquele momento que a vida de Adriano perto de Kamel não seria fácil. Não foi.

Adriano logo foi tocar sua vida longe da Globo, e o Fantástico continuaria a padecer dos problemas que levaram a Globo a procurá-lo — desinspiração editorial, perda de repercussão e um Ibope brutalmente em queda para um programa que se confundira com a noite de domingo dos brasileiros por muitos anos.

O caso do Fantástico me faria lembrar um comentário que certa vez ouvi, segundo o qual a força criativa da Globo repousava em Boni, “um fanático guardião da qualidade”. Achei isso podia fazer sentido ao ler que, numa corrida em que Galvão Bueno gritou triunfal “eu já sabia, eu já sabia!” quando Senna entregou a vitória ao segundo piloto de sua equipe, Boni teve uma reação irada no bastidor. “Se sabia, por que não contou para o espectador?”, perguntou a Galvão.

No Conedit, numa mesa em forma de U, João Roberto se senta no centro, na reunião. À sua esquerda,  numa das laterais, fica Merval. Na esquerda, na outra lateral, Kamel. Há uma tensão muda entre os dois, uma espécie de duelo pela preferência e pela simpatia do chefe. São os que mais falam lá.

Não daria o prêmio de simpatia a Kamel. E nem o de originalidade. Logo percebi que ele expressava com ênfase, com a fé cega de um jihadista, amplificando-as, as conhecidas ideias das Organizações Globo.

Não havia desafio a essas ideias, não havia uma tentativa de reolhá-las e reavaliá-las.  Bolsa Família? Assistencialismo. Ponto. Cotas em universidades? Absurdo, Ponto.

Um dia comentei isso com Luiz Eduardo Vasconcellos, sobrinho de Roberto Marinho e acionista das Organizações. Luiz teve cargos executivos durante muitos anos, mas depois se recolheu às funções de acionista minoritário.

É simpático, interessado nas coisas do mundo, simples no traje e no trato, como aliás os primos. Você não diz que ele é um dos donos da Globo se se sentar numa reunião do Conedit sem conhecê-lo.

“Sinto falta de pensamentos alternativos na reunião”, comentei com ele num almoço depois da reunião do Conedit. “A sensação que tenho é que as pessoas, principalmente o Kamel e o Merval, falam apenas as coisas que imaginam que o João vai gostar de ouvir.”

Quanto isso devia estar me incomodando estava claro em meu ataque de sinceridade no almoço. Era evidente o risco de que meu comentário fosse espalhado, ainda que Luiz Eduardo sempre tenha me parecido discreto e reservado.

Nas eleições de 2006,  meu diagnóstico do Conedit pareceu se confirmar para mim. João Roberto tinha um tom sereno ao debater a campanha. Vi João criticar várias vezes ações de militantes petistas, mas jamais o vi sair do tom no Conedit.

Curiosamente, dada sua posição de dono, o ambiente muitas vezes não refletia a tranquilidade de João Roberto. Kamel e Merval davam um tom épico, em branco e preto, a muitas discussões políticas. Pareciam odiar Lula e qualquer coisa que partisse do governo petista. E pareciam também querer que João Roberto soubesse disso.

Se o julgamento deles fosse acertado, Lula teria errado em todas as decisões que tomou em seus oito anos de administração. Quanto aquela inflamação toda era genuína ou não, é uma dúvida que carrego até hoje. Será que eles pensam mesmo aquilo, ou no bar, com os amigos, dão uma relaxada?

Não sei.

Minha intuição é que, como o poeta segundo Fernando Pessoa, o fingimento é tanto que uma hora você acredita no que fingia antes acreditar. A alternativa é um sentimento automassacrante de que você é uma pena de aluguel.

Há uma lenda urbana segundo a qual Kamel seria o homem por trás da ideologia das Organizações Globo, o “Ratzinger” da empresa. Kamel não é nenhum Hayek, ou Friedman. Não é formulador de pensamentos, não é um filósofo, não é carismático, não é nada daquilo que confere a alguém o poder de persuadir outras pessoas pelo vigor não dos gritos mas das ideias.

Uma designação provavelmente mais próxima da realidade é que Kamel comanda os “aloprados” da Globo. Relembremos. Num determinado momento da campanha de 2006, veio à cena, na mídia, a expressão “aloprados”, para designar petistas mais apaixonados. A certa altura, Lula disse a João Roberto Marinho que seguraria os “seus aloprados”, mas que queria que os “aloprados do outro lado” também fossem controlados.

Foram? Basta ouvir um comentário de Jabor ou um artigo de Merval para saber que não. A cobertura em 2010 do atentado da bolinha de papel contra Serra, ou mais recentemente a forma como foi tratado o julgamento do Mensalão, mostra que os aloprados estão de mãos livres na Globo.

Uma possibilidade que deve ser considerada é que aloprados não sejam exatamente alguns comentaristas ou colunistas, ou mesmo diretores da área jornalística – mas a própria Globo, em sua alma e em sua essência.