segunda-feira, 4 de julho de 2022

Eduardo Moreira sobre a aberração da extrema-direita e das elites atualmente no Poder: Governo pilantra, criminosos da pior estirpe!

 

Do Canal de Eduardo Moreira:




Reinaldo Azevedo: Bolsonaro quer PEC Kamikaze das falsas bondades eleitoreiras até dezembro como os efeitos da facada de 2022

 

Da BandNews FM:




EUA-OTAN e a mensagem "Ou você está conosco ou é uma “ameaça sistêmica” ". Artigo de Pepe Escobar

 

Afinal, estamos todos profundamente atolados no espectro do metaverso, onde as coisas são o oposto do que parecem ser

www.brasil247.com - Líderes do G7 reunidos na Alemanha

Líderes do G7 reunidos na Alemanha (Foto: Andrew Parsons/No 10 Downing Street/Fotos Públicas)

Pepe Escobar, para o The Saker

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

Veloz, mas não furioso, o Sul Global pisa no acelerador. O principal resultado da cúpula BRICS+ realizada em Pequim, bem diferente do G7 dos Alpes bávaros, é que tanto o Irã, do Oeste Asiático, quanto a Argentina, da América do Sul, candidataram-se oficialmente a ingressarem no BRICS.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano ressaltou que o BRICS traz "um mecanismo muito criativo de amplos aspectos". Teerã, um parceiro muito próximo a Pequim e Moscou - já havia realizado "uma série de  consultas" sobre essa candidatura: os iranianos estão confiantes de que ela irá "acrescentar valor" ao BRICS expandido.

E dizem que a China, a Rússia e o Irã estão tão isolados. Bem, afinal, estamos todos profundamente atolados no espectro do metaverso, onde as coisas são o oposto do que parecem ser.

O fato de Moscou teimar em não seguir o Plano A de Washington, que é começar uma guerra pan-europeia, vem abalando profundamente os nervos atlanticistas. De modo que, logo em seguida à cúpula do G7, realizada, de forma muito significativa, em um sanatório nazista, entra em cena a OTAN, paramentada para a guerra da cabeça aos pés. 

Portanto, sejam bem-vindos a um show de atrocidades, consistindo na total demonização da Rússia definida como a suprema "ameaça direta"; a promoção do Leste Europeu à condição de "forte"; uma torrente de lágrimas  derramadas sobre a parceria estratégica Rússia-China; e, como bônus extra, a China sendo tachada  de "ameaça sistêmica". 

É isso aí: para o combo OTAN/G7, os líderes do mundo multipolar emergente, bem como as grandes partes do Sul Global que desejam ingressar nesse mundo, são uma "ameaça sistêmica".

A Turkiye, sob o Sultão da Ginga – Sul Global em espírito, artista da corda bamba na prática – conseguiu literalmente tudo o que queria em troca de magnanimamente  concordar com que a Suécia e a Finlândia abrissem caminho para serem absorvidas pela OTAN.

Façam suas apostas quanto ao tipo de mutretas as marinhas da OTAN irão aprontar no Báltico contra a Frota Báltica Russa, a serem seguidas por diversos cartões de visita distribuídos pelo Sr. Khinzal, pelo Sr. Zircon, pelo Sr. Onyx e pelo Sr. Kalibr, capazes, é claro de aniquilar  qualquer movimentação da OTAN, incluindo seus "centros de decisão".

Veio como uma espécie de alívio cômico perverso o lançamento pelo Roscosmos de um conjunto de divertidíssimas imagens de satélite apontando com precisão as coordenadas desses "centros de decisão".

Os "líderes" da OTAN e o G7 parecem estar gostando de encenar um vagabundíssimo jogo de tipo 'tira incompetente'/'tira palhaço'. A cúpula da OTAN disse ao comediante cheirador Elensky (lembrem-se, a letra Z agora é proibida) que a operação policial russa de forças combinadas - ou a guerra -  tem que ser "resolvida" militarmente. A OTAN, portanto, continuará a ajudar Kiev a lutar até o último ucraniano bucha-de-canhão. 

Em paralelo, no G7, o Primeiro-ministro alemão Scholz foi solicitado a especificar que "garantias de segurança" seriam fornecidas ao que restar da Ucrânia após a guerra. A resposta do sorridente primeiro-ministro: "Sim... eu poderia (especificar). E saiu de fininho. 

O iliberal liberalismo ocidental

Mais de quatro meses após o início da Operação Z, a zumbificada opinião pública ocidental esqueceu por completo - ou ignora de propósito - que Moscou passou os últimos meses de 2021 exigindo uma discussão séria sobre as garantias de segurança com força de lei oferecidas por Washington, com ênfase no fim da expansão da OTAN rumo a Leste e em um retorno ao status quo de 1997.

A diplomacia falhou, uma vez que Washington respondeu com uma não-resposta. O Presidente Putin deixou claro que o que viria a seguir seria uma reposta "tecnomilitar" (que acabou sendo a Operação Z)  enquanto os americanos avisavam que isso poderia desencadear sanções maciças.

Contrariamente aos desejos irrealistas do Dividir para Governar, o que ocorreu após 24 de fevereiro só fez solidificar a sinergia da parceria Rússia-China – e seu círculo expandido, em especial no contexto dos BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). Como observou Sergey Karaganov, chefe do Conselho Russo de Política Externa e Defesa, ao início deste ano, "a China é nosso amortecedor estratégico (...) Sabemos que em qualquer situação difícil, podemos contar com ela para apoio militar, político e econômico". 

Essa ideia foi detalhadamente traçada para todo o Sul Global no  marco histórico que foi a Declaração Conjunta sobre a Cooperação no Início de uma Nova Era, de 4 de fevereiro  – que incluiu a aceleração da integração da Iniciativa Cinturão e Rota e da União Econômica Eurasiana, concomitante à harmonização da inteligência militar no âmbito da OCX (Incluindo o Irã, o novo membro pleno), as principais pedras angulares do multipolarismo.

Compare-se isso aos sonhos molhados do Conselho de Relações Exteriores ou outros delírios de "estrategistas" de poltrona do "maior think tank nacional na área de segurança", cuja experiência militar limita-se a negociar uma lata de cerveja.

Isso nos torna saudosos daqueles tempos de análises sérias, quando o falecido e grande Andre Gunder Frank publicou "um artigo sobre o tigre de papel" (a paper on the paper tiger), examinando o poderio americano na encruzilhada do dólar de papel e do Pentágono.

Os britânicos, com seus melhores padrões educacionais de tradição imperial, ao menos pareciam ter um certo grau de compreensão de que Xi Jinping "abraçou uma variante do nacionalismo integral não muito diferente das que surgiram na Europa do entre-guerras, enquanto Putin empregava com grande habilidade métodos leninistas para ressuscitar como potência global uma Rússia enfraquecida".

Mas a noção de que "ideais e projetos originários do Ocidente iliberal continuam a plasmar a política global" é pura bobagem, uma vez que Xi se inspira em Mao tanto quanto Putin se inspira em diversos teóricos eurasianistas. O importante é que no processo de o Ocidente mergulhar em um abismo geopolítico, "o liberalismo ocidental se tornou, ele próprio, iliberal".

E pior que isso: ele se tornou totalitário. 

Mantendo refém o Sul Global 

O G7 vem oferecendo à maior parte do Sul Global um coquetel tóxico de inflação maciça, aumento de preços e dívida dolarizada fora de controle.

Fabio Vighi mostrou de forma brilhante que "o propósito da emergência ucraniana é manter ligada a máquina de imprimir dinheiro e culpar Putin pelo estado desastroso da economia mundial". O objetivo da guerra é exatamente o oposto daquele que nos fazem acreditar. Não se trata de defender a Ucrânia, mas de prolongar o conflito e alimentar a inflação na tentativa de desativar o risco cataclísmico no mercado da dívida, que se alastraria rapidamente por todo o setor financeiro".

E se puder piorar ainda mais, vai piorar. Nos Alpes bávaros, o G7 comprometeu-se a encontrar "maneiras de limitar o preço do petróleo e do gás russos": se isso não funcionar com os "métodos de mercado", então "meios serão impostos pela força". 

Uma "indulgência" do G7 – o neo-medievalismo em ação – só seria possível se um potencial comprador de energia russa concordar em firmar um acordo quanto ao preço com representantes do G7.

O que isso significa na prática é que o G7 provavelmente irá criar um novo órgão para "regular" o preço do petróleo e do gás, subordinado aos caprichos de Washington: para todos os fins práticos, uma forte guinada no sistema pós-1945. 

O planeta inteiro, em especial o Sul Global, seria feito refém.

Enquanto isso, na vida real, a Gazprom está indo de vento em popa, ganhando tanto dinheiro com as exportações de gás para a União Europeia quanto ganhou em 2021, embora enviando volumes muito menores. 

A única coisa que este analista alemão acerta é que, caso a Gazprom fosse obrigada a cortar o fornecimento de forma definitiva, haveria  "a implosão de um modelo econômico que depende excessivamente das exportações industriais e, portanto, da importação de combustíveis fósseis baratos. A indústria responde por 36% do consumo alemão de gás".

Pensem, por exemplo, na BASF sendo obrigada a parar a produção da maior indústria química do mundo em Ludwigshafen. Ou no CEO da Shell afirmando que é absolutamente impossível substituir o gás russo fornecido à UE pelos gasodutos com o GNL (americano).

A implosão que temos pela frente é exatamente o que os círculos neocon/neoliberalcon de Washington pretendem – retirar da arena comercial mundial um poderoso concorrente (ocidental). O que é realmente assombroso é que a Equipe Scholz não se dá conta do que está acontecendo.

Praticamente ninguém se lembra do que aconteceu no ano passado, quando o G7 fingiu estar tentando ajudar o Sul Global. A iniciativa foi batizada de BuildBackBeterWorld (B3W). "Projetos promissores" foram apontados no Senegal, em Gana, e houve "visitas" ao Equador, Panamá e Colômbia. O governo do Boneco de Teste de Colisão ofereceu "todo o espectro" de instrumentos financeiros americanos: participação acionária, garantias de empréstimos, seguros políticos, dotações, assessoria técnica em clima, tecnologia digital e igualdade de gêneros. 

O Sul Global não se deixou impressionar. A maior parte dele já havia se juntado à Iniciativa Cinturão e Rota. O B3W colapsou com um gemido.

Agora a União Europeia vem promovendo um novo projeto de "infraestrutura" para o Sul Global, batizado de Global Gateway (Portal Global), oficialmente apresentado pela Führer da Comissão Européia (CE), Ursula von der Leyen e – surpresa! – ligada ao fracassado B3W. Essa é a "resposta" ocidental à ICR, demonizada como sendo – o que mais? – "uma cilada da dívida". 

A Global Gateway, em tese, desembolsaria 300 bilhões de euros em cinco anos; a CE entraria com apenas 18 bilhões do orçamento da UE (ou seja, com dinheiro dos contribuintes europeus), com a intenção de conseguir 135 bilhões de euros em investimentos privados. Nenhum eurocrata foi capaz de explicar a diferença entre os 300 bilhões anunciados e  os esperançosos 135 bilhões.

Paralelamente, a CE vem dobrando as apostas em sua fracassada agenda de Energia Verde – culpando, é claro, o gás e o petróleo. Frans Timmermans, chefão do clima na União Europeia,  pronunciou uma verdadeira pérola:  "Se o green deal tivesse ocorrido cinco anos antes, estaríamos menos dependentes dos combustíveis fósseis e do gás natural.

Bem, na vida real a União Europeia mantém-se firme no rumo de se tornar uma terra arrasada e totalmente desindustrializada até 2030. Energia Verde ineficiente, seja solar ou eólica, é incapaz de oferecer uma fonte energética estável e segura.  

O tipo certo de ginga 

É duro escolher quem é o personagem mais canastrão do jogo  "tira bom/tira ruim" da NATO/G7. Ou o mais previsível. Foi isso que publiquei sobre a cúpula da OTAN. Não agora, mas em 2014, oito anos atrás. A mesma demonização, repetida indefinidamente.

E, aqui também, se pode piorar é bem provável que piore. Pensem no que restou da Ucrânia – principalmente a Galícia do Leste – sendo anexada ao sonho molhado da Polônia: a nova versão do Intermarium, indo do Báltico ao Mar Negro, agora apelidada de "Iniciativa dos Três Mares" (com o acréscimo do Adriático) e compreendendo 12 estados-nação.

O que isso implica no longo prazo é o colapso interno da UE. A oportunista Varsóvia apenas lucra financeiramente com a generosidade do sistema de Bruxelas ao mesmo tempo em que acalenta seus próprios planos hegemônicos. A maior parte dos "Três Mares" vai acabar abandonando a União Europeia. Adivinhem quem irá garantir sua "defesa": Washington, por meio da OTAN. Alguma outra novidade? O conceito do novo  Intermarium data do tempo do falecido Zbig "Grande Tabuleiro"” Brzezinski.

Então, a Polônia sonha em se tornar a líder do Intermarium, seguida pelos "Três Anões Bálticos", por uma Escandinávia ampliada mais a Bulgária e a Romênia. Seu objetivo parece vir diretamente da Comedy Central: reduzir a Rússia ao status de estado-pária – e então toda a pantomima de sempre: mudança de regime, a derrubada de Putin e a balcanização da Federação Russa.

A Grã-Bretanha, aquela ilha irrelevante, ainda investida em ensinar aos novatos americanos como ser um Império, irá adorar. Alemanha-França-Itália bem menos. Perdidos na selva, os euroanalistas sonham com um Quad Europeu (com a Espanha), replicando o esquema Indo-Pacífico, mas no final das contas tudo vai depender de para que lado vai a Alemanha.

E então há aquele imprevisível bastião do Sul Global liderado pelo Sultão da Ginga: a recentemente renomeada Turkiye. Um neo-otomanismo brando parece estar a todo o vapor, ainda expandindo seus tentáculos dos Bálcãs e da Líbia à Síria e a Ásia Central. Evocando a era de ouro da Sublime Porta, Istambul é o único mediador sério entre Moscou e Kiev. E está cuidadosamente cuidando dos mínimos detalhes do processo de integração eurasiana atualmente em curso.

Os americanos estavam prestes a tentar mudança de regime contra o Sultão. Agora eles se veem forçados a ouvi-lo. E aí vai uma lição geopolítica séria para todo o Sul Global: uma "ameaça sistêmica" não quer dizer nada se você tem o tipo certo de ginga.  

Presidente de Portugal mostrou como Bolsonaro é descartável, afirma Mathias Alencastro

 

"Marcelo reagiu ao vandalismo diplomático com uma soberba indiferença", escreve o colunista

www.brasil247.com - Analista político Mathias Alencastro e o ato pelo afastamento de Jair Bolsonaro

Analista político Mathias Alencastro e o ato pelo afastamento de Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução / Reuters)

247 O pesquisador Mathias Alencastro, colunista internacional da Folha de S. Paulo, afirmou que o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo, demonstrou a irrelevância de Jair Bolsonaro ao reagir com indiferença ao "vandalismo diplomático" promovido pelo atual ocupante da presidência da República – Bolsonaro se negou a receber o presidente português porque este também teve agenda com o ex-presidente Lula.

"Marcelo reagiu ao vandalismo diplomático com uma soberba indiferença. Aproveitou o final de semana para dar um mergulho numa praia carioca, exaltar a amizade entre os povos e se encontrar com Lula. Seu gesto deixa evidente o desprezo da comunidade internacional por Bolsonaro. Antes um presidente imprevisível que devia ser tratado com cuidado, hoje ele é um autocrata perfeitamente dispensável", escreveu Alencastro, em sua coluna. "O mergulho de Marcelo, no final das contas, reflete o sentimento de uma parte cada vez maior dos brasileiros de lavar a alma depois de quatro anos de mediocridade e miséria humana."

Desconfiança sobre as Forças Armadas cresce oito pontos durante o governo Bolsonaro

 

Números mostram que Bolsonaro arrasta consigo para a lama a imagem dos militares

www.brasil247.com -

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247Alçados a cargos de confiança no Executivo durante os quase quatro anos de governo Jair Bolsonaro (PL), os militares viram sua popularidade cair no período.

Pesquisa de opinião pública anual “A cara da democracia”, divulgada pelo jornal O Globo nesta segunda-feira (4), mostra que a desconfiança dos brasileiros em relação às Forças Armadas cresceu oito pontos nos últimos quatro anos, ainda que o saldo continue positivo.

>>> Golpismo bolsonarista demonstra isolamento e fraqueza, aponta editorial do Estadão

Há quatro anos, 21% dos brasileiros diziam não confiar nas Forças Armadas. Atualmente, o índice chega a 29%. Os que confiam 'muito' nos militares eram 34% em 2018, e agora são 25%. Representam 70% os que têm algum grau de confiança nos membros da caserna.

A desconfiança em relação às Forças Armadas é maior entre os grupos em que Bolsonaro é pior avaliado. Por exemplo, as mulheres nutrem maior descrença em relação aos militares: 34% dizem não confiar, enquanto o índice entre os homens é de 25%. Entre os que têm renda familiar de até dois salários mínimos, a desconfiança é de 33%, ao passo em que entre os mais ricos - com renda acima de cinco salário - o percentual cai para 24%.

>>> Além de viagra, Exército também comprou 60 próteses penianas

Professor da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV/CPDOC) e especialista no estudo dos militares no Brasil, Celso Castro avalia que a queda na popularidade das Forças Armadas está diretamente ligada à presença de seus representantes no governo federal. "Os dados mostram que essa participação e a consequente exposição têm sido danosas à imagem das Forças Armadas. Mesmo assim, a instituição mantém-se com um elevado grau de confiabilidade".

De acordo com o especialista, o prestígio das Forças Armadas ainda está garantido por sua “vinculação simbólica às ideias de Nação e Pátria”.

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Xadrez da grande disputa pelo controle da opinião, por Luis Nassif

 Ainda há muita estrada pela frente até que a comunicação se torne um instrumento de inclusão e de equiparação dos direitos. Se é que se chegará algum dia a esse objetivo.

Para entender a balbúrdia em que se meteu a comunicação no mundo globalizado, nosso Xadrez separa seis personagens centrais:

  1. Os grupos de mídia tradicionais, cujo modelo de negócio entra em crise terminal.
  2. O Departamento de Estado, como síntese dos interesses geopolíticos americanos.
  3. Os bilionários ligados ao Partido Democrata, que fazem as primeiras incursões políticas no âmbito das novas formas de comunicação.
  4. A ultradireita, que elege Donald Trump e espalha o neoconservadorismo pelo planeta.
  5. Os blogs políticos que surgem, à esquerda e à direita.
  6. As big techs

Peça 1 – o ínicio do jogo político das redes sociais

As disputas pelo uso e controle das redes sociais começaram na campanha de Barack Obama para presidente. O Partido Republicano recorreu a um movimento de Fake News tendo como epicentro a Fox News, do australiano Rupert Murdoch. 

Havia má vontade generalizada da imprensa corporativa em relação a Obama. Sua salvação foram grupos de voluntários que se organizaram nas redes, abrindo caminho para sua vitória.

Esses dois movimentos – o da ultra direita em torno dos fake news e o dos voluntários de Obama –  geraram dois tipos de ativismo nas redes, que se espalharam por outros países:.

  1. O ativismo do chamado liberalismo-progressista, bancado por bilionários umbilicalmente ligados ao Partido Democrata, financiando grupos de mídia-ativistas em diversos países.
  2. Na sequência, o ativismo dos algoritmos da Cambridge Analytica, que ajudou a eleger Donald Trump e se tornou a peça chave na expansão da ultradireita mundial.

De certo modo, refletem a polarização entre o que passou a ser denominado de neoliberalismo-progressista e neoliberalismo-reacionário, ambos defendendo os princípios econômicos do ultraliberalismo, mas o primeiro procurando edulcorar-se com o politicamente correto.

Peça 2 – os bilionários do Partido Democrata

São curiosos os caminhos de aprendizado da comunicação nas redes sociais. Desde o fator Cambridge Analytica, o foco se concentrou na ultra-direita, na máquina montada pelo Partido Republicado trumpista, através de Steve Bannon.

Mas o jogo dos bilionários é mais antigo. O impeachment foi possível com a mobilização estimulada por ONGs e associações diretamente financiadas pelos bilionários do Partido Democrata.

No início da década de 2010, os governos Lula-Dilma entraram na mira do Partido Democrata – cuja política externa era dominada por Hillary Clinton – devido à autonomia da diplomacia brasileira e à descoberta do pré-sal. Vários episódios ocorreram no período, como a espionagem de Dilma pela NSA, a denúncia de roubos de computadores da Petrobras, antes disso o papelão de Barack Obama pedindo o envolvimento de Lula em um acordo com o Iraque e, depois, desmentindo.

A década de 1990 havia marcado o início da multiplicação de blogs por todos os países, fazendo o contraponto à mídia tradicional. Ao mesmo tempo, ficava cada vez mais nítido o poder gradativo de mobilização das bolhas de Internet.

O primeiro movimento dos bilionários foi apoiar a construção de uma rede de sites e portais que pudessem não apenas denunciar os fake news da ultradireita, como fazer o contraponto aos sites mais alinhados com a esquerda. 

É nessa quadra que surgem os bilionários financiadores dessas iniciativas, entre os quais se destacaram George Soros, Pierre Omidyar  (fundador do EBay, que banca o The Intercept), outros, através da Transparência Internacional. Eles  financiam e influenciam um conjunto de novos personagens, focando nos jovens, mais suscetíveis à influência das redes sociais, e voltados para projetos de cunho social legítimo, a maioria bem intencionada, mas ignorante em relação aos movimentos da geopolítica americana.

São esses grupos que se tornam os principais estimuladores das campanhas de 2013 e das manifestações do impeachment. A ultradireita só entra em cena na fase final da Lava Jato e na campanha de Jair Bolsonaro.

Peça 3 – a rede de aliados

A estratégia dos chamados neoliberais progressistas é relativamente simples. Há que se combater os fake news da direita mas, também, tirar da esquerda as grandes bandeiras humanistas, criando uma nova geração de “empreendedores sociais”, capazes de mobilizar as sociedades emergentes contra as grandes injustiças, mas afastando da discussão qualquer tema de ordem econômica. 

Uma característica do modelo é o repertório de temas politicamente aceitos pela esquerda, embora nunca questionando o modelo econômico e, no meio, temas de interesse direto do Departamento de Estado e dos patrocinadores.

E o caso The Intercept, apoiando a guerra contra a Síria e tratando os White Helmets, ou Capacetes Brancos, como heróis. As imagens abaixo foram tiradas do levantamento da @Gringa Brazilien, um perfil do Twitter que fez um levantamento precioso desse jogo.

O ativismo político do The Intercept ficou nítido quando seu principal jornalista, Glenn Greenwald, pediu demissão depois de vetarem uma reportagem sua, mostrando as ligações da família Biden com o governo da Ucrânia.

Fenômeno semelhante ocorreu com a Pública. Ressalte-se que os temas tratados eram jornalísticos e traziam luz sobre desapropriações e maneiras de esconder a pobreza dos visitantes da Copa do Mundo.

Peça 4 – a agência do Partido Democrata

A atuação dos bilionários tornou-se mais focada quando entrou em cena a Purpose, agência de marketing político que se especializou em organizar, em países emergentes, movimentos em torno de bandeiras humanistas.

Seus proprietários, Jeremy Heimans e David Madden  são também fundadores da Avaaz e GetUp. A Avaaz, site para produção de abaixo-assinados, foi bastante utilizado nas campanhas que antecederam o impeachment de Dilma. 

A agência se apresenta como especializada em marketing político e tem relações estreitas com o Partido Democrata.

Diz em seu site:

Usamos a mobilização pública e a narrativa para ajudar as principais organizações, ativistas, empresas e filantropias engajadas nessa luta, e criamos laboratórios de campanha e novas iniciativas que podem mudar políticas e narrativas públicas quando mais importa”.

Em seu site há inúmeras iniciativas legítimas e, junto com elas, receitas para influenciar a política, como o projeto “Esmagar os intermediários”, que supostamente ensinaria as pessoas a montar sua própria base de eleitores.

No site, ela se vangloria de ter sido retuitada por Hillary Clinton, a personalidade do Partido Democrata que mais se vale das redes sociais.

Um levantamento sobre a agência mostra uma atuação política pesada na América Latina.

Peça 5 –  as investidas do neoliberalismo-progressista

No período que antecedeu as grandes manifestações de 2013, surgiram diversas organizações bancadas por esses bilionários. 

O governo Lula-Dilma já enfrentava resistências nítidas do Pentágono, em parte pelo protagonismo diplomático brasileiro na crise de 2008, em parte pelas descobertas do pré-sal. Dilma foi vítima de espionagem da NSA, houve o episódio do roubo de computadores da Petrobras e, antes disso, o episódio do Iraque, no qual Obama estimulou Lula a negociar o acordo de paz e, depois, puxou-lhe o tapete.

A partir de 2010, tornam-se mais frequentes as investidas dos bilionários americanos ligados ao Partido Democrata. Surgem movimentos como Meu Rio, Vem prá Rua, Anonymous e outros, bancados por personagens do mercado financeiro.

Foi a Purpose quem criou a ONG Meu Rio, elaborou a estratégia para as movimentações pelo passe-livre, início das agitações que levaram, mais tarde, ao impeachment de Dilma. As principais estrelas do Meu Rio – como a presidente Alessandra Orofino, também funcionária da Purpose – foram recebidas pelos principais think tanks do establishment de Washington, incluindo o notório Atlantic Council e a Fundação Obama

A primeira grande experiência de mobilização foram as marchas pelo passe-livre, planejadas pela Purpose. E, confesso, até ler o dossiê da @GringaBraziliene, acreditava que a ideia partira espontaneamente de um grupo de jovens ansiosos por participar da política.

A esses novos movimentos veio se somar a Transparência Internacional, trazida anos antes ao país pela ONG Amarribo – cujo fundador, Josimar Verillo,  se valia da imagem anticorrupção para organizar lobbies em disputas comerciais.

Leia aqui o “Xadrez da Transparência Internacional e a Indústria da Anticorrupção

Quando começaram as manifestações no Brasil, em comício, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, alertou para o jogo de desestabilização no Brasil, comparando aos protestos registrados na Turquia.  “O mesmo jogo está sendo jogado sobre o Brasil. Os símbolos são os mesmos, os cartazes são os mesmos, Twitter, Facebook, são os mesmos, a mídia internacional é a mesma.” Erdogan afirmou ainda que “eles estão fazendo o máximo possível para conseguir no Brasil o que não conseguiram aqui. É o mesmo jogo, a mesma armadilha, o mesmo objetivo”.

É importante não expor todos os personagens generalizadamente a julgamentos morais, especialmente os jovens ativistas. As redes sociais inauguraram novas formas de linguagem e novas formas de participação política. Muitos jovens ativistas foram influenciados pelo discurso moralista, pelas bandeiras humanistas, pelos novos modelos de participação e, em alguns casos, pelas verbas gordas dos patronos. E, alguns, entregam e entregaram trabalhos relevantes de denúncias. 

Mas eram – e são – absolutamente jejunos em relação aos interesses da geopolítica americana. O caso mais emblemático tem sido a autocrítica de Felipe Neto, um dos principais influenciadores seduzidos pelo discurso social-moralista da Purpose.

Um podcast da Purpose com Orofino explica sua estratégia.

Peça 6 – a luta pelo controle da informação

Aí se entra no busílis da questão. As disputas em jogo não são pela moralização da informação, mas pelo seu controle. Entram na disputa as big techs, os oligarcas ligados ao Pentágono e a ultradireita trumpista.

A Cambridge Analítica prosperou em cima dos dados fornecidos pelo Facebook. Houve uma jogada de mestre do Atlantic Council para enquadrar Mark Zuckerberg, do Facebook, descrito no artigo “Xadrez do jogo político dos fake news”. 

Um blog pouco conhecido, mas em um domínio bancado pelo Atlantic Council, apareceu com um pretenso trabalho acadêmico multiplicando por centenas de vezes o alcance das campanhas russas em favor de Trump. Ofereceu a vários veículos. Quase todos recusaram por ver falta de seriedade acadêmica no trabalho. A exceção foi aberta por The Washington Post, divulgando o trabalho e sendo criticado por todos os veículos sérios do país.

Mas, com base no trabalho, Zuckerberg foi convocado pelo Congresso, enquadrado. Saiu de lá e foi direto atrás da consultoria da Atlantic Council. A recomendação foi a de que o Facebook filtrasse as notícias através de agências de checagem.

Com isso, tirava-se a regulação das mãos dos governos e estados nacionais, reduzia-se o poder absoluto das grandes redes e limitava-se o alcance das vozes dissidentes – não apenas da ultra direita, mas dos blogs e portais que não se enquadrassem nas regras do neoliberalismo-progressista.

Esse movimento ficou nítido em duas tentativas capitaneadas pela Agência Pública de calar um grupo de blogs taxados de forma genérica como progressistas – e que compunham a linha de frente contra o golpe do impeachment.

A primeira, foi ter bancado um trabalho de Pablo Ortellado. Ambos recusaram-se a indicar o patrocinador do trabalho. Mas a metodologia utilizada consistiu em uma análise dos sites extremistas criando o falso paralelismo entre blogs de direita, explicitamente geradores de fake news, e blogs progressistas, que faziam contraponto jornalístico à mídia corporativa. 

É curioso esse movimento da Pública, uma organização de boa qualidade jornalística. Pouco antes do trabalho de Ortellado, a Pública me convidou para uma palestra no Rio de Janeiro. O próprio Ortellado era um colaborador constante do GGN, a pedido dele próprio.

Houve uma mudança repentina de posição de ambos, incluindo o GGN na relação de sites radicais de esquerda, com outros sites que, em nenhuma hipótese, poderiam ser considerados geradores de fake news. Em nenhum momento revelou-se quem pagou pela pesquisa.

Pouco tempo depois, o estudo foi apresentado em um seminário da revista Veja – a maior geradora de fake news da história – destinado ao mercado publicitário. Ao mesmo tempo, Ortellado foi enaltecido como grande especialista pela revista, de maneira a conferir reputação acadêmica a uma tese imprestável. Assim como as falsas teses acadêmicas da Atlantic Council, possivelmente serviram de guia para que agências de publicidade e redes sociais passassem a ver com desconfiança sites que disputavam a opinião com a mídia convencional.

O segundo passo foi a criação de uma associação de grupos de checagem, associados a uma organização internacional, com o fito de assessorar as redes sociais em relação ao conteúdo. No Brasil, a associação foi montada com grupos de mídia – entre os quais o notório Gazeta do Povo, do Paraná – e sites alinhados com o sistema. E a primeira iniciativa foi uma denúncia contra a revista Fórum, acusando-a falsamente de fake news, em uma matéria em que relatava que o papa Francisco havia presenteado Lula (preso em Curitiba) com um livro. A notícia era verdadeira.

Houve uma reação pesada dos blogs progressistas. A partir daí, houve um refluxo das agências de checagem, mas há pouca transparência sobre sua influência atual sobre as redes sociais.

Peça 7 – o jogo atual

As associações de checagem não prosperaram. Limitam-se a conferir fatos objetivos. Por exemplo, foram incapazes de denunciar o fake news de que a Petrobras estava quebrada, divulgado pela mídia corporativa na mesma época em que a empresa lançava bônus perpétuos com demanda várias vezes superior à oferta.

Houve mudanças em algoritmos do Google que quase quebraram as pernas da mídia alternativa. Não se sabe se inspiradas em falsos trabalhos acadêmicos, como o de Ortellado, ou por precaução em relação aos factóides sobre a Covid-19.

Mas, hoje em dia, o jornalismo migrou decididamente para as big techs. Há muito mais jornalistas e jornalismo espalhados pelas redes  do que na mídia corporativa.

Gradativamente, o Google vai ampliando suas alianças e se livrando da tentativa de enquadramento pelas agências de checagem. Fechou contratos de remuneração de conteúdo com organizações jornalísticas e passou a negociar institucionalmente com sites independentes, organizados em associações. Mas todos dependendo de seus sistemas de busca e remuneração.

Recentemente, enviou uma mensagem alertando sites que notícias pró-Rússia seriam desmonetizadas. Foi o suficiente para que sites progressistas se tornassem mais anti-Rússia que a própria Globonews.

É um processo ainda em construção. Os diversos agentes estão se organizando, discutindo, gradativamente as instituições estão se familiarizando mais com o tema. As próprias big techs se mostram mais suscetíveis aos direitos de opinião. Por outro lado, a ultradireita e seus algoritmos continuam acesos, alimentando grupos radicais por todo o planeta.

Ainda há muita estrada pela frente até que a comunicação se torne um instrumento de inclusão e de equiparação dos direitos. Se é que se chegará algum dia a esse objetivo.

domingo, 3 de julho de 2022

Eduardo Moreira: Pegamos Guedes e Bolsonaro na mentira!!!

 

Do Canal de Eduardo Moreira:


Vídeo 01: Pegamos Guedes e Bolsonaro na mentira!!!


Vídeo 02: Pegue o vale e não vote em Bolsonaro #ficaadica





UOL: Governo Bolsonaro não quis ampliar benefícios até ver risco de perder no 1º turno, diz Sakamoto

 

UOL:

No UOL News, o colunista Leonardo Sakamoto fala sobre a tramitação da PEC que amplia benefícios em ano eleitoral.



Do cientista político Christian Lynch: “Bolsonaro prepara uma baderna jamais vista no país. O tripé de Bolsonaro é: intimidação, mentira e suborno”

 

Da TV Fórum:

Christian Lynch é cientista político, doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), professor de Pensamento Político Brasileiro na UERJ e pesquisador da Fundação Casa de Rui Barbosa



quinta-feira, 30 de junho de 2022

Portal do José: INESPERADO! Meteoro midiático atinge Bolsonaro! Globo muda estratégia. Quem escapa vivo?

 

Do Portal do José:

EXTRA! Fatos inesperados podem mudar tudo no quadro eleitoral!

30/06/22- Faltam 94 dias para que o Brasil se livre dessa gente inclassificável no poder! Ontem o TV Globo apresentou um Jornal Nacional jornalístico. Essa foi uma grande novidade, afinal a cobertura sobre o governo Bolsonaro tem sido extremamente generosa.

Mostrarei fatos incríveis em nosso encontro de hoje.

Se a emissora fizer jornalismo de verdade, Bolsonaro terá seríssimos problemas. Vamos observar. Sigamos.