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segunda-feira, 22 de abril de 2024

O cronograma da PF para os indiciamentos de Jair Bolsonaro. Artigo de Guilherme Amado e Bruna Lima

 

Do Metrópoles:

A depender do planejamento da Polícia Federal, Jair Bolsonaro e seus aliados terão um indiciamento por mês até o final do semestre

 atualizado 

Mateus Bonomi/Anadolu via Getty Images
Former Brazilian President Jair Bolsonaro


A depender do planejamento da Polícia Federal, Jair Bolsonaro e seus aliados terão um indiciamento por mês até o final do primeiro semestre do ano: um em maio e outro em junho.

A PF acredita que até maio o inquérito sobre a venda das joias da Arábia Saudita será finalizado. Para junho, a corporação prevê o fim do inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado por Bolsonaro e seus pares.

Nesta semana, uma equipe de Polícia Federal irá aos Estados Unidos para obter mais informações da cooperação internacional com o FBI sobre a venda das joias por Bolsonaro, Mauro Cid e o pai de Cid, o general Mauro César Lourena Cid.

A corporação acredita que, com as informações obtidas com a cooperação com o FBI, o inquérito será finalizado. Em maio, o relatório será concluído e o indiciamento pedido.

Em junho, será a vez do mais importante dos três inquéritos abertos contra Jair Bolsonaro, sobre os esforços para dar um golpe em 2022, culminando no 8 de Janeiro, em 2023.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Sem anistia! Não aceitamos “passar borracha” nos crimes de Bolsonaro e seus comparsas. Artigo de Valter Pomar

 

"A extrema direita só será derrotada se houver polarização, radicalização programática e mobilização popular", destaca Pomar

Jair Bolsonaro em ato na Paulista

Jair Bolsonaro em ato na Paulista (Foto: Reprodução)

A direção estadual da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida no domingo 25 de fevereiro de 2024, fez uma análise preliminar das implicações políticas da manifestação realizada, no dia de hoje, pela extrema direita, na Avenida Paulista, em São Paulo capital.

A manifestação foi convocada pelo cavernícola e contou com a presença de quatro governadores estaduais (Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, do Republicanos; Romeu Zema, governador de Minas Gerais, do Partido Novo; Ronaldo Caiado, governador de Goiás, do União Brasil; e Jorginho Mello, governador de Santa Catarina, do Partido Liberal). Também estiveram presentes diversos senadores, deputados federais, deputados estaduais e prefeitos de todo o Brasil, inclusive o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Os que estiveram presentes explicitam sua cumplicidade política com o golpismo.

Não existe uma estimativa precisa em relação ao número de pessoas que assistiram ao ato, em alguns casos vindas de caravanas de outras cidades e, inclusive, de outros estados. Mas não deve haver dúvida de que o número de pessoas foi muito significativo, demonstrando que a extrema-direita em geral e o cavernícola em particular mantém grande capacidade de mobilização. Qualquer subestimação deste fato constituiria um erro fatal.

É necessário analisar com toda a atenção o conjunto da manifestação e suas implicações políticas, tomando como ponto de partida os discursos ali proferidos. Dentre estes, destaca-se o do cavernícola. Numa fala que começou e terminou com referências religiosas, o cavernícola fez um retrospecto de sua trajetória pessoal e política; disse que as eleições de 2022 devem ser consideradas “uma página virada na nossa história”, ao mesmo tempo que reafirmou implicitamente sua crítica ao processo eleitoral; explicitou que o objetivo da manifestação de 25 de fevereiro era oferecer uma “fotografia para o mundo”, sugerindo que só ele teria o povo ao seu lado; apresentou seu credo ideológico (“não queremos o socialismo para o nosso Brasil”, “não podemos admitir o comunismo em nosso meio”, “não queremos ideologia de gênero para nossos filhos”, “respeito à propriedade privada”, “direito à defesa da própria vida”, “respeito à vida desde a sua concepção”, “não queremos a liberação das drogas em nosso país”); se afirmou alguém perseguido desde antes de 2018; tentou ridicularizar as denúncias que ele responde na justiça; formulou uma “narrativa” acerca do golpe; e defendeu uma anistia para os golpistas, incluindo aí o direito dele próprio disputar eleições.

Acerca do golpe, o cavernícola disse que “golpe é tanque na rua, é arma, é conspiração”. E, acerca da minuta golpista, agregou a seguinte “explicação”: segundo ele, o estado de sítio e o estado de defesa exigiriam a convocação de conselhos, que não foram convocados; e exigiriam, também, que o parlamento tomasse a decisão final. Portanto, nas palavras do cavernícola, não faria sentido falar que estaria em gestação um “golpe usando dispositivo da constituição, cuja palavra final quem dá é o parlamento”.

Acerca da anistia, o cavernícola deixou uma ameaça implícita (“tem gente que sabe o que eu falaria”), mas enfatizou que busca “a pacificação, é passar uma borracha no passado, é buscar maneira de nós vivermos em paz, é não continuarmos sobressaltados, é uma anistia para aqueles pobres coitados que estão presos em Brasília”.

Em defesa do que ele denomina “conciliação”, disse que “nós já anistiamos no passado quem fez barbaridade no Brasil”, afirmação que aliás é verdadeira, uma vez que a anistia decretada pela ditadura militar realmente beneficiou torturadores, assassinos, estupradores e ocultadores de cadáveres, sem que nenhum desses criminosos tivesse sido previamente julgado ou condenado.

O pedido de um “projeto de anistia” foi direcionado, pelo cavernícola, aos 513 deputados e aos 81 senadores. Ressalvando que, “quem porventura depredou o patrimônio, que pague”.

O discurso do cavernícola incluiu um pedido para “caprichar no voto” nas eleições municipais, “em especial para vereadores”. Fazendo várias referências ao governador Tarcísio, à Polícia Militar, Civil e à “guarda metropolitana do Ricardo Nunes”, o cavernícola disse que “não podemos ganhar eleições afastando os opositores do cenário político”, omitindo que foi exatamente isto que fizeram, em 2018, em benefício da extrema-direita e dele próprio.

O discurso do cavernícola terminou com referências à importância de uma “família estruturada” e à boa lembrança que ele tem do seu próprio pai, apesar de “toda a sua truculência”. Tirante estas e outras passagens, que revelam as taras e a dissonância cognitiva típicas da extrema-direita, bem como o lugar central que a luta ideológica tem para a direita - e que também deveria ter, para a esquerda - o politicamente relevante é que o cavernícola está propondo um acordo.

É fundamental que todos os que defendem a democracia, a começar pela esquerda, respondam imediatamente. E a resposta deve ser: não! Nem borracha no passado, nem anistia, nem elegibilidade!

Os fatos são: o ex-presidente da República articulou diretamente um conjunto de iniciativas que pretendiam fraudar o resultado das eleições 2022. Estas iniciativas, desde as ocorridas antes da eleição, até a intentona golpista de 8 de janeiro, não tiveram êxito. Mas, mesmo frustradas, o conjunto destas iniciativas constitui, em si mesmo, um crime.  E os criminosos, desde os participantes diretos de 8 de janeiro, os financiadores, os que acobertaram, os que instigaram, os que planejaram e os que seriam beneficiários da intentona golpista, a começar pelo cavernícola, devem ser julgados, condenados e presos. Sem borracha no passado: não há justiça, sem memória! Sem anistia! Bolsonaro deve ser julgado, condenado, preso e seguir inelegível!

É fundamental que o presidente Lula, associado ao conjunto das forças políticas democráticas e de esquerda, convoquem um ato público em defesa do povo e da democracia. As liberdades democráticas correm risco, quando é a direita quem ocupa as ruas! Ao lado de manifestações populares, precisamos dar cada vez mais conteúdo popular ao governo, pois uma das maneiras mais consistentes de enfrentar a extrema direita é melhorando substancialmente a vida do povo.

Se não houver pressão popular de esquerda, cresce a possibilidade de um “acordo pelo alto” entre a extrema direita e os representantes da direita tradicional, que leve o judiciário a recuar. O acordo entre a extrema direita e setores da direita já existe em vários terrenos, por exemplo na defesa do neoliberalismo e, também, na defesa de Israel.

Embora não tenha comparecido no discurso do cavernícola, a defesa do estado genocida de Israel foi um traço marcante da manifestação da extrema-direita. Isto é revelador do verdadeiro estado de ânimo da extrema-direita, em particular das afinidades entre nazismo e sionismo, apontadas na entrevista dada por Lula em Adis Abeba. Reafirmamos nossa defesa do povo palestino: o genocídio precisa parar, a ocupação deve terminar, a Palestina deve ser livre, os criminosos de guerra precisam ser punidos.

A manifestação da extrema-direita tem, também, implicações diretamente eleitorais. Por exemplo, a presença de Ricardo Nunes na manifestação confirma que as eleições na capital paulistana – como nas demais cidades do estado e do país – será nacionalizada pela extrema-direita. A esquerda não deve temer esta nacionalização, pelo contrário. Cabe defender o governo Lula, inclusive defender a posição do presidente sobre a Palestina.

A presença de Tarcísio de Freitas na manifestação, por sua vez, confirma o lugar central que este governador tem no esquema político da extrema-direita. O PT precisa ampliar a oposição aos projetos privatizantes, ao projeto de educação e à política de (in)segurança pública deste governador. A recente mudança no comando da PM mostra a importância que o controle desta corporação tem no projeto da extrema direita paulista e nacional. E serve como alerta sobre o tipo de “pacificação” que a extrema-direita defende, no Brasil e no mundo.

Por todos estes motivos, levando em consideração também o cenário de recrudescimento da crise internacional, a começar pela vizinha Argentina, é preciso reafirmar: a extrema direita só será derrotada se houver polarização, radicalização programática e mobilização popular.

Sem anistia!!!


terça-feira, 22 de agosto de 2023

Metrópoles: Áudios e vídeo inéditos mostram bastidores da atuação do hacker Delgatti com as tramas de Zambelli e Bolsonaro

 

Material, gravado durante a trama, indica elo com a família de Zambelli, com quem tomou “leite com Nescau”, e protagonismo de Bolsonaro

 atualizado 

Montagem sobre foto de Vinícius Schmidt/Metrópoles
Montagem sobre foto do hacker Walter Delgatti Neto - Metrópoles

Tido como falastrão pelos amigos, advogados e até pelos policiais que já o interrogaram, o programador Walter Delgatti, o chamado hacker da Vaza Jato, reservou revelações bombásticas para sua mais recente aparição pública, na semana passada, sob os holofotes da Comissão Parlamentar Mista (CPMI) dos Atos Golpistas.

Falou tanto que a Polícia Federal (PF) foi obrigada a chamá-lo para um novo depoimento, na última sexta-feira. Os policiais já tinham ouvido Delgatti – mas ainda não haviam escutado muita coisa sobre o suposto plano para gerar uma onda de dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas, ação que teria aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e envolveria até o Ministério da Defesa e um grampo no ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Metrópoles teve acesso, no entanto, a um material mostrando que, longe das câmeras e dos depoimentos ensaiados por advogados, o programador narrou, para conhecidos, os bastidores da trama, enquanto ela estava em curso. Desde o segundo semestre do ano passado, Delgatti já vinha relatando, em conversas mais íntimas, a existência de um plano para tentar mudar os rumos da eleição presidencial de 2022.

São informações ainda desconhecidas para a PF ou para a CPI, registradas durante a própria execução do suposto projeto golpista, entre agosto e setembro do ano passado. O teor das conversas foi mantido dentro do contexto de cada áudio. Cortes foram feitos pela reportagem para preservação do sigilo da fonte.

“O resultado que eles querem”

Na véspera do encontro com o então presidente Bolsonaro, por exemplo, Delgatti foi gravado antecipando o que sabia sobre a pauta da reunião — horas antes do áudio, o programador já havia ido à sede do PL falar com o presidente nacional da sigla, Waldemar Costa Neto, quando a trama também teria sido tratada.

“Eles vão configurar o código-fonte para dar o resultado que eles querem”, disse. “Eles vão pegar agora uma urna. Eles mesmo vão fazer isso”, afirmou. Na ocasião, o programador explicou que as investidas tinham como objetivo provocar o TSE a autorizar a fiscalização das urnas por militares, abrindo caminho para contestar uma possível vitória do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nesse mesmo dia, 9 de agosto, ele foi gravado dentro do hotel Phenícia, no Setor Hoteleiro Sul de Brasília. No vídeo, até então inédito, ele aparece em frente ao balcão, conversando com um funcionário do estabelecimento. Foi lá, antes do encontro com o ex-presidente no Palácio do Alvorada, que um motorista, com placa fria, passou para pegá-lo, como mostrou a revista Veja em agosto de 2022.

“Quem manda aqui sou eu”

No mês seguinte, no dia 22 de setembro, dez dias antes do primeiro turno, o programador conta detalhes do que seria um protagonismo do ex-presidente Bolsonaro na empreitada, dando a entender que os dois teriam se encontrado várias vezes. “O Bolsonaro, ele tá fazendo questão que eu vá lá. Aí, teve alguém da equipe que falou: “Irmão, é bom ele não vir aqui porque pode queimar”. Ele (Bolsonaro) falou: “Quem manda aqui sou eu, e ele vai vir”.

Segundo Delgatti, o projeto beneficiaria diretamente o ex-presidente. “Ou você acha que o Presidente da República estaria correndo esse risco de me receber lá, me receber lá, se não fosse algo que ajudasse muito ele?”

No mesmo diálogo, ele ironiza o fato de que o grupo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indiretamente beneficiado com a atuação de Delgatti nos vazamentos dos diálogos dos procuradores da Lava Jato, não teria o acolhido da mesma forma. “O Lula nunca quis… me falou um “oi.” Nas palavras do programador: “O que eu vou fazer atrás de Lula? Eu nunca vou ser de esquerda. Eu sempre gostei de arma.”

Leite com Nescau

Na sessão da CPI, Delgatti foi indagado sobre a proximidade com a deputada Carla Zambelli, investigada por ter recrutado o programador. Segundo a defesa da parlamentar, a proximidade seria por conta de um projeto de trabalho que envolvia o cuidado com as redes sociais da política. Segundo a gravação obtida pelo Metrópoles, no entanto, o programador e Zambelli tinham uma relação quase familiar, segundo relato do hacker.

“Eles estenderam a mão para mim, cara. A Carla me tratou hoje como se fosse um filho, coisa que nunca aconteceu na minha vida”, disse Delgatti. “A ponto da mãe dela me servir leite com Nescau, na mesa, e acompanhado com ela”, contou o programador, revelando que jogou até vídeo-game com o filho de Zambelli.

Pagamento

Nessa segunda-feira (21/8), veio a público o áudio entregue à PF pela defesa de Walter Delgatti, no que seria a prova do vínculo financeiro entre eles. A mensagem mostra uma mulher, supostamente ligada à campanha eleitoral da deputada federal, prometendo a ele “trocar uma ideia sobre o pagamento” e “sobre essa tua (de Delgatti) proposta”.

Na mensagem, à qual o Metrópoles teve acesso, não fica claro o serviço em discussão nem qual seria a ideia sugerida pelo programador. Segundo advogado de Delgatti, o áudio seria um “caminho da prova”.

O advogado de Carla Zambelli, Daniel Bialski, no entanto, afirma que todas as relações entre a equipe da parlamentar e Delgatti envolviam uma proposta de trabalho que o programador encaminhou aos assessores da deputada, sobre a manutenção das publicações da política em redes sociais. E que outras hipóteses sobre a mensagem são “falácias”.

No último sábado (26/8), o Metrópoles publicou, com exclusividade, prints de um um extrato do banco digital Cora. Foi com base neste documento que os investigadores conseguiram dar o mínimo de credibilidade ao depoimento que o programador e “hacker” Walter Delgatti prestou, contando um plano golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Despida de idoneidade”

Em nota, a defesa de Zambelli afirma que “refuta e rechaça qualquer acusação de prática de condutas ilícitas e ou imorais pela parlamentar, inclusive, negando as aleivosias e teratologias mencionadas pelo senhor Walter Delgatti”. Segundo o advogado Daniel Bialski, as versões do programador “mudam com os dias, suas distorções e invenções são recheadas de mentiras, bastando notar que a cada versão, ele modifica os fatos, o que é só mais um sintoma de que a sua palavra é totalmente despida de idoneidade e credibilidade”.

Ricardo Noblat, no Metrópoles: Melhor Bolsonaro acostumar-se com a ideia de ser preso

 

Para que a normalidade política volte ao Brasil

 atualizado 

Fábio Vieira/Metrópoles
Imagem colorida de manifestação contra Jair Bolsonaro em SP

Colegas do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral compartilham a impressão de que ele está dando um tempo para as pessoas se acostumarem à ideia de que Bolsonaro será preso. E então, para surpresa de ninguém, muito menos de Bolsonaro, o prenderá.

Em Goiânia no último fim de semana, Bolsonaro admitiu que em território brasileiro poderá acabar atrás das grades. Não foi conversa jogada fora só para vitimar-se e despertar a ira dos seus seguidores. Ele sabe o que fez. E sabe que Moraes também sabe. É o que Bolsonaro tem ouvido dos seus próprios advogados.

Os bolsonaristas, por ora, recolheram-se ao silêncio nas redes sociais, e nas ruas limitam-se a tocar a vida, sem indicações de que se revoltarão de novo. Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, que havia saído de cena desde o final do ano passado, voltou e está irritado com sua antiga tropa. Tenta orientá-la. Escreveu no Twitter:

Parem com esse negócio de prisão. Parecem aqueles caras que amam viver a síndrome de Estocolmo. Se quer ajudar, desconstrua a narrativa e não fique correndo atrás de cliques ou lacrações para se sentir importante validando a dor que o adversário sente prazer em fazer você sofrer.”

Não disse como desconstruir “a narrativa”. Carlos é muito bom em construir e desconstruir narrativas, mas parece cansado, sem ânimo. Afastou-se do pai porque ele não lhe deu a merecida atenção na campanha eleitoral de 2022. Carlos discordou dos conselhos dados a Bolsonaro por marqueteiros profissionais.

A tampa do alçapão fechou sobre Bolsonaro. Ele não tem para onde ir. É investigado nos Estados Unidos, onde as joias que subtraiu ao tesouro nacional foram vendidas e compradas para esconder o crime afinal descoberto. Fugir para lá seria arriscar-se a ser preso pelo FBI, muito mais severo do que a Polícia Federal.

Não tem cidadania italiana, como muitos imaginam, que lhe permita evadir-se para a terra dos seus ancestrais. Venezuela? Naturalmente, nem pensar. Acionado por Trump, presidente americano à época, Bolsonaro pensou em invadir a Venezuela. Mas a munição aqui estocada não daria para 24 horas de guerra.

Bolívia? Pode ser uma alternativa. Mas é um país pobre, e Bolsonaro gosta de conforto, riqueza e boa vida. O Paraguai, talvez. Moraes lambe os beiços enquanto espera o sinal de que Bolsonaro pretende fugir. A Polícia Federal monitora os seus passos. Vá, Bolsonaro, dê motivo para ser preso, além dos que já deu.

O Brasil precisa mudar de assunto e voltar à normalidade política. Fora os que rezam em torno de pneus, os que brincam de marcha soldado e a República da Muamba e dos Camelôs que negociam joias roubadas, quem mais lamentará a sua sorte? Nem os militares – salvo os que estão e ainda serão presos.


segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Podcast do programa O Assunto, de Natuza Nery, no G1: A avalanche contra Bolsonaro e os riscos de prisão

 

Do Canal G1 no Youtube:

Nos últimos dias, o ex-presidente foi bombardeado por más notícias em pelo menos três investigações. Primeiro, no caso da atuação da Polícia Rodoviária Federal para atrapalhar o voto de eleitores do Nordeste no dia do 2° turno de 2022. Na quinta-feira passada, Bolsonaro foi ligado a crimes diversos no depoimento-bomba do hacker Walter Delgatti Neto na CPI dos Atos Golpistas. E, por fim, na explosiva investigação sobre o Rolex vendido e recuperado ilegalmente nos EUA, Bolsonaro viu Frederick Wassef fazer uma desastrada confissão e o advogado de Mauro Cid afirmar que fora ele, o ex-presidente, que mandou seu ex-ajudante de ordens vender o relógio. Para fazer a análise jurídica e política da situação de Bolsonaro, Natuza Nery conversa com o advogado Rafael Mafei, professor da Faculdade de Direito da USP e da ESPM, e com o jornalista e consultor Thomas Traumann, pesquisador da FGV-RJ.


- Maffei descreve os dois casos nos quais é cabível prisão em investigações penais: a condenação criminal transitada em julgado (no momento, “distante de Bolsonaro”) e uma medida de natureza cautelar. “Nos casos que ameaçam Bolsonaro, há três possibilidades de prisão cautelar: possibilidade de fuga, adulteração ou destruição de provas, ou coação de testemunhas”, afirma; (3:20) - Ele declara que Bolsonaro está “à mercê de coisas que podem surgir” nas investigações, sejam elas relacionadas ao caso das joias ou às denúncias do hacker Walter Delgatti. Sobre o que já está nas mãos da PF, “estamos falando de suspeitas de delito compatíveis com a eventual decretação de prisão cautelar, caso de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crime contra o Estado democrático de direito”; (8:20) - Thomas avalia que embora o ex-presidente tenha desmobilizado apoiadores nos últimos meses e “esteja numa posição acuada”, segue como “uma força política muito grande”. Em relação ao bolsonarismo, ele afirma, “não podemos supor que fatos sejam suficientes para mudar convicções” e compara a situação dele a de Trump nos EUA, onde o republicano cresceu nas pesquisas de opinião pública; (17:40) - O jornalista compara o episódio da condenação de Lula - no qual houve um hiato de 2 anos entre a prisão coercitiva e a definitiva, em 2018 - com a situação atual de Bolsonaro: “Acho que a tática é um pouco essa”. Ou seja, uma eventual decisão para prendê-lo só deve acontecer após a exposição pública de depoimentos e evidências, caso contrário “haverá comoção popular”.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

UOL: TSE abre nova investigação contra Bolsonaro e aliados (incluindo os filhos) por ataque às urnas e abuso de poder econômico

 


Do UOL:

O ministro Benedito Gonçalves, corregedor-geral eleitoral, abriu duas novas ações de investigação eleitoral contra o presidente Jair Bolsonaro (PL). Os processos foram apresentados pela campanha do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aponta suposto abuso do poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação