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domingo, 30 de abril de 2017

Mauro Santayana: Sobre a Greve Geral e o discurso único da mídia


A imagem pode conter: céu, árvore e atividades ao ar livre



Vendida por alguns meios de comunicação como parcial e totalmente dependente da paralisação do transporte público, a greve geral conseguiu paralisar a maior parte das cidades brasileiras na última sexta-feira.

Não faltaram - como costumeiramente - a violência, muitas vezes iniciada pela própria policia, e a infiltração de vândalos convenientemente vestidos de vermelho, cujo papel, todos sabemos - com a destruição gratuita de patrimônio público e privado e o incêndio de ônibus - é jogar a opinião da população que está em casa, assistindo aos telejornais, contra aqueles que ousam se levantar contra o status-quo, o sistema e o discurso dominante.

Nem as reações fascistas à greve, com a rápida montagem de páginas na internet, com violentas e estúpidas mensagens anticomunistas, contra um movimento do qual participou até mesmo a insuspeita - para os padrões vigentes - Força Sindical.

A intenção dos comerciais do governo - que beiram a ideologia e são descaradamente políticos - é convencer os brasileiros de que se herdou um caos para o qual se exige a adoção definitiva de uma série de remédios amargos, porém necessários, que se pretende empurrar goela abaixo da população, como se não houvesse uma infinidade de outros aspectos, a maior parte deles estruturais, a serem considerados.

É por isso que a Greve Geral de ontem, embora represente um primeiro esforço de resistência ao que está ocorrendo com a Nação, constitui uma espécie de alerta e deve ser levado em consideração para além das superficiais e distorcidas "análises" da "mídia".

Os parlamentares que cederam, esta semana, em questões como a da lei de Abuso de Autoridade, têm que entender que, embora exista um discurso acachapante, quase único, nos jornais, revistas, emissoras e redes sociais, ele está longe de ser unânime, e perceber que se arriscam a perder votos, do mesmo jeito, se fizerem apenas o que querem o governo ou a plutocracia.

Embora interesse a muita gente culpar apenas o PT ou a "corrupção", os grandes problemas econômicos do país - além da Lava Jato, com a interrupção de dezenas de projetos estratégicos e a virtual quebra de algumas das maiores empresas brasileiras - são os juros, a sonegação e a baixa taxação de quem mais ganha, principalmente o mercado financeiro.

Os bancos particulares - ao contrário daqueles que são públicos, cujo lucro se reverte, ao menos em parte, para todos nós - lucram, e muito, não apenas explorando seus clientes, mas principalmente a União, os Estados e Municípios, o que faz com que, correntistas ou não, sejamos, todos os brasileiros, explorados por eles.

Enquanto os juros da SELIC continuarem, em 10, 20, vezes, superiores, em média, aos países que nos acompanham no grupo das dez maiores economias do mundo, o governo - que já tem sua legitimidade contestada - não terá moral para cobrar dos trabalhadores e de seus filhos e netos os ingentes sacrifícios que está impondo, olímpicamente - sem discussão com a sociedade - por meio das pseudo reformas que está executando.

Ao estender, na mutilação da legislação trabalhista e previdenciária, a conta dos déficits para a população brasileira.

Ao mesmo tempo em que, contraditoriamente, "paga", antecipadamente, 100 bilhões de reais deixados pelo PT nos cofres do BNDES ao Tesouro - sem nenhuma necessidade e sem praticamente nenhum efeito na Dívida Pública.

Quando a maior parte da mídia oculta da Nação, ou ignora, deliberadamente, em seu esforço cotidiano de manipulação e contra-informação, que o país tem mais de 370 bilhões de dólares, ou mais de um trilhão de reais, em reservas internacionais, também economizados pelo PT - que além disso pagou, desde que chegou ao poder, mais 40 bilhões de dólares em dívidas de FHC ao FMI.

O governo livra a cara da parcela mais rica da sociedade.

Engessa, por 20 anos, os gastos estratégicos do país com a nefasta PEC 570.

Sufoca e sabota também, recessivamente, a capacidade de recuperação dos empregos, da renda e do consumo.

E estrangula, nas duas pontas - a da produção e a das vendas - a economia, quebrando os exportadores com o câmbio.

É nesse coquetel - desses e outros equívocos - ortodoxo, suicida e orwelliano, referendado por um Congresso Nacional majoritariamente acoelhado e conservador, que se faz de ignorante, que se tem que procurar as razões para a tragédia da economia.

E não apenas nas desonerações de Dilma ou no fundo do bolso vazio de dinheiro e de esperança, e agora, também, de futuro, dos trabalhadores brasileiros.

The Intercept: A greve geral tomou conta do país, policia das elites reage com violência no Rio e governo minimiza



Segue artigo de Juliana Gonçalves para o The Intercept, em 28 de abril de 2017, às 20h32


MANIFESTAÇÕES PELO PAÍS  reuniram pessoas insatisfeitas com as reformas trabalhista e da previdência, além de medidas com a Lei da Terceirização. Mesmo com paralisações afetando transporte público,  aeroportos, bancos, escolas, comércio e bloqueios nas estradas pelo país, o governo não assume a existência de uma greve. Em nota, Michel Temer afirmou que os atos que acontecem durante todo dia são ações de pequenos grupos “para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente”, mas que houve ampla garantia ao direito de expressão.
Temer também lamentou os atos de violência ocorridos no Rio de Janeiro. A manifestação na capital carioca teve pontos de concentração na Assembléia Legislativa e na Cinelândia. De acordo com relato de manifestantes, a Polícia Militar dispersou a manifestação pacífica com violência, o que acabou dando início a um confronto nas ruas do centro da cidade. A OAB-RJ repudiou o ocorrido em nota assinada pelo presidente da entidade, Felipe Santa Cruz: “Nada justifica a investida, com bombas e cassetetes, contra uma multidão que protestava de modo pacífico. Se houve excessos por parte de alguns ativistas, a Polícia deveria tratar de contê-los na forma da lei. Mas o ataque com métodos de tocaia e a posterior perseguição por vários bairros a pessoas que tão-só exerciam seu direito à manifestação representa grave atentado à Constituição e ao Estado democrático de Direito”.
“O ataque com métodos de tocaia e a posterior perseguição por vários bairros a pessoas que tão-só exerciam seu direito à manifestação representa grave atentado à Constituição.”
Em São Paulo, os manifestantes se concentraram no Largo da Batata durante o dia e, `a noite, partiram em marcha em direção a residência da família do presidente Michel Temer, no Alto de Pinheiros.  Já em Brasília, as manifestações se concentraram na Esplanada durante a manhã.
Selecionamos algumas fotos dos atos  que aconteceram no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Tem imagens de protestos em outras capitais do país? Envie para The Intercept Brasil ou poste em suas redes com a hashtag #TheInterceptBrasil.

Brasília

Rio de Janeiro

São Paulo


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Juliana Gonçalves✉juliana.goncalves@​theintercept.com@jollyxx

The Intercept sobre o dia 28 de abril: Brasil em greve - Manifestantes ocupam as ruas contra as reformas trabalhista e da Previdência, Grande mídia e governo golpistas tentam minimizar...


   "Além de se preparar para o confronto, Michel Temer prometeu cortar o ponto dos funcionários públicos que faltarem o trabalho para participar das manifestações. O governo se baseia na decisão do Supremo Tribunal Federal de outubro de 2016, a qual estabeleceu que o poder público deve cortar os salários de servidores em paralisação. No entanto, durante a semana, o Ministério Público do Trabalho, divulgou uma nota assinada pelo procurador geral do trabalho, Roberto Fleury, legitimando a greve geral e lembrando que se trata de um direito do trabalhador."

Artigo de Juliana Gonçalves para o The Intercept, em 28 de abril de 2017:

COM APENAS 4% de aprovação, Michel Temer enfrentou nesta sexta-feira, dia 28, a insatisfação popular contra o seu governo e suas reformas que representam o maior retrocesso de direitos em gerações. A greve geral convocada por nove centrais sindicais e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo atinge o transporte público, os aeroportos, bancos, escolas e comércio. Manifestações acontecem nas principais cidades do país.
Em São Paulo, trens, metrô e ônibus pararam, assim como escolas e bancos. A circulação de transporte público também foi suspensa em Salvador. O bloqueio de estradas também acontece em todo o país. No Rio de Janeiro, vias como a Linha Vermelha e a Ponte Rio-Niterói foram bloqueadas por manifestantes.
Em Brasília, protestos também marcaram a manhã. Na quinta, 27, homens da Força Nacional estocaram bombas e outros artefatos de contenção de multidões no pátio do Ministério da Justiça.
Além de se preparar para o confronto, Michel Temer prometeu cortar o ponto dos funcionários públicos que faltarem o trabalho para participar das manifestações. O governo se baseia na decisão do Supremo Tribunal Federal de outubro de 2016, a qual estabeleceu que o poder público deve cortar os salários de servidores em paralisação. No entanto, durante a semana, o Ministério Público do Trabalho, divulgou uma nota assinada pelo procurador geral do trabalho, Roberto Fleury, legitimando a greve geral e lembrando que se trata de um direito do trabalhador.
Quem também ameaçou cortar o ponto funcionários públicos foi o prefeito de São Paulo. João Doria chegou a fazer campanha para que os servidores não aderissem ao movimento e ofereceu serviço de uber e táxi para todos, o que acabou fracassando com o vazamento da planilha da prefeitura. Em 2013, o político apoiou a greve contra Dilma Rousseff, mas em seu discurso atual, diz que o movimento grevista não é justo.
O mesmo movimento se observa no Jornal Nacional, que antecipadamente destacava os protestos contra o governo Dilma, ignorou a greve na transmissão de ontem e foi criticado nas redes. E o maior telejornal do país não está sozinho. Um levantamento feito pelo Repórter Brasil mostra que cobertura da Reforma da Previdência feito pela mídia tradicional é esmagadoramente a favor da proposta. O espaço para cobertura positiva sobre o plano do governo é amplo chegando a 91% na TV Globo, 90% no jornal O Globo, 87% no Estado de São Paulo, 83% na Folha de São Paulo e 62% no Jornal da Record. Ainda  assim, milhares de manifestantes estão nas ruas nesta sexta-feira.

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Juliana Gonçalves✉juliana.goncalves@​theintercept.com@jollyxx

sábado, 29 de abril de 2017

Luiz Carlos Azenha: Na histórica Greve Geral de 2017, Globo fez pior do que nas Diretas Já de 1984



  "Desta feita a TV Globo e seus satélites não tem onde se esconder: o apoio dado às medidas do governo Temer expressa acima de tudo o interesse político e econômico dos próprios donos da mídia e dos usurpadores do poder no Planalto e no Congresso que os representam." - Luiz Carlos Azenha, Repórter


Do Viomundo

Em 1983 eu era repórter da TV Bauru, afiliada da Globo no interior paulista. Porém, vivia “cedido” à emissora em São Paulo, cobrindo férias de colegas. Morava no Hotel Eldorado da rua Marquês de Itu, no Higienópolis, na capital paulista, como repórter do chão de fábrica.

Fui, como pessoa física, à primeira manifestação pelas Diretas Já em São Paulo, diante do estádio do Pacaembu, à qual compareceram cerca de 15 mil pessoas. Foi em 27 de novembro de 1983, poucos dias depois de meu aniversário.

Outros protestos já tinham acontecido antes, pedindo que a ditadura estabelecida em 1964 tivesse fim com eleições presidenciais diretas. Outras aconteceriam depois, com destaque para Curitiba, onde se reuniram cerca de 40 mil pessoas.

Portanto, posso dizer que eu estava lá vivendo a realidade paralela pela primeira vez: enquanto as notícias fundamentais para o futuro do Brasil aconteciam do lado de fora, a TV Globo desconhecia as notícias do lado de dentro — especificamente, na sede da emissora em São Paulo, na praça Marechal Deodoro.

Era uma sensação bizarra. As ordens vinham do Rio: na Globo, nada de Diretas Já.

Portanto, não houve exatamente surpresa quando, no aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro de 1984, o repórter Ernesto Paglia falou sobre a manifestação de cerca de 300 mil pessoas na praça da Sé, que reivindicava outra vez Diretas Já, como se fosse a comemoração da efeméride. Sim, é fato que a reportagem tratou dos discursos e da manifestação em si, mas foi embalada pelos editores, a mando da direção da Globo no Rio, como se fosse a cobertura de uma festa.



A maneira como a TV Globo tratou a histórica Greve Geral do 28 de abril de 2017 é, na minha avaliação, muito pior do que aconteceu com a cobertura das Diretas Já em 1983/1984.

Àquela época, a emissora poderia alegar — como alguns globais chegaram a alegar — que vivíamos os estertores de uma ditadura militar e que desafiar o regime poderia ter consequências para a própria abertura “lenta, gradual e segura” prometida pelo ditador João Figueiredo.

Agora, não. Graças às redes sociais — facebook, twitter, whatsapp — qualquer pessoa pode avaliar o grau de descontentamento com as medidas de impacto social tomadas por um governo que tem o presidente da República e nove de seus ministros sob suspeita e/ou investigação, medidas que por sua vez são submetidas a um Congresso igualmente sob suspeita.

Mesmo os mais devotos apoiadores do impeachment de Dilma Rousseff e antipetistas vários sabem que Michel Temer não foi eleito vice-presidente para tomar o rumo que tomou, nem tem legitimidade para golpear os direitos sociais da forma como pretende fazê-lo.

Age em nome do 1% do topo, com 4% de ótimo/bom na pesquisa de opinião pública mais recente e desemprego na casa dos 14%, quando a promessa era de que a derrubada de Dilma provocaria um cavalo-de-pau imediato na economia.

Portanto, desta feita a TV Globo e seus satélites não tem onde se esconder: o apoio dado às medidas do governo Temer expressa acima de tudo o interesse político e econômico dos próprios donos da mídia e dos usurpadores do poder no Planalto e no Congresso que os representam.

No caso da emissora, é absolutamente impossível do ponto-de-vista jornalístico que uma organização com tantos tentáculos espalhados por todo o Brasil tenha sido incapaz de registrar o descontentamento popular ANTES da greve geral, de forma a expressá-lo em seu noticiário.

Será que só nós, internautas, vimos por exemplo as manifestações da CNBB e de um terço dos 100 bispos da Igreja Católica, os quais certamente não podemos acusar de agirem a mando do anarco-sindicalismo?

A Globo, para ficar apenas na nave mãe, simplesmente fez mau jornalismo. Não foi pela primeira, nem será pela última vez.

Agora, porém, não tem como se esconder atrás da ditadura, da qual foi a principal beneficiária, como fez em 1984.

Agora, fez mau jornalismo — distorcido, omisso, descontextualizado — porque coloca seus interesses empresariais, representados pelo governo Temer, acima do interesse da maioria dos brasileiros.

PS: Que fique registrado. Quando Lula se elegeu presidente e foi à Globo do Rio dar entrevista ao Jornal Nacional — estava em minha segunda passagem pela emissora — eu fui um dos poucos jornalistas presentes que não o aplaudiram na entrada. Não acho que o papel de jornalista seja bater palma para autoridade, tampouco negar a realidade que o cerca.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo

‘Deutsche Welle’ da Alemanha: Brasil realiza “maior greve da história” após 21 anos




Matéria publicada nesta sexta-feira (28) pelo jornal alemão Deutsche Welle conta que os sindicatos brasileiros convocaram a primeira greve nacional em 21 anos, contra as reformas trabalhistas e de aposentadoria, sugeridas pelo governo conservador do presidente Michel Temer.
“Teremos a maior greve geral da história do Brasil”, disse Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Muitos sindicatos apoiados por vários movimentos sociais estão previstos para participar na greve, acrescenta o Welle. Os transportes rodoviários, ferroviários e aéreos foram todos afetados, bem como fábricas, escolas e empresas.
São Paulo, a cidade mais populosa do Brasil, foi a mais afetada no início da sexta-feira, afirma o texto
São Paulo, a cidade mais populosa do Brasil, foi a mais afetada no início da sexta-feira, afirma o texto. Todas as redes de transportes públicos foram paralisadas. Enquanto isso, a polícia recorreu bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes que bloquearam uma rodovia.
Cenas semelhantes foram relatadas no Rio de Janeiro, onde os manifestantes bloquearam uma grande ponte, interrompendo o tráfego de passageiros, descreve o noticiário. A polícia também disparou gás lacrimogêneo em um pequeno grupo de manifestantes fora da principal estação rodoviária. Enquanto muitos bancos no Rio foram fechados, a cidade pareceu ser menos afetada em geral, com cafés, restaurantes e lojas funcionando como normal.
Os serviços de transporte também foram completamente fechados na capital Brasília, Belo Horizonte e Curitiba, informa o vespertino alemão.


De acordo com Welle a Agência Nacional de Aviação Civil do Brasil informou que “as operações nos aeroportos estão funcionando normalmente”, embora houvesse vários relatos de vôos atrasados e cancelados.
Deutsche Welle destaca que a greve reflete baixa popularidade de Temer. Segundo pesquisa da consultoria Ipsos divulgada esta semana, apenas 4% dos brasileiros aprovam o governo atual enquanto 92% acreditam que o Brasil está no rumo errado.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A Globo, a população, o serviço de utilidade pública, a notícia e a Greve Geral




por Alexandre Tambelli, no GGN
Certa vez Geraldo Alckmin determinou que haveria aumento da tarifa de ônibus rodoviária (metropolitano e intermunicipais) entre cidades do Estado de São Paulo.
Só que ele fez um acordo com os meios de comunicação aliados, Globo, Band, JP, Estadão, Folha, etc. para que não fosse divulgado o aumento para a população.
Estaria no Diário Oficial do Estado a informação, mas não seria informado o usuário do serviço rodoviário paulista. (Assim, quem não pega diariamente um ônibus na rodoviária/terminal não saberia que o Governo Alckmin aumentou o preço da passagem - evitou, em benefício próprio, alguma manifestação contrária ao aumento e a perda de Ibope pessoal).
Imaginemos se eu sou trabalhador e tenho 20 reais e a minha passagem custa 20 reais. Eu viajo e vou trabalhar, certo?
Naquele dia do aumento da passagem o trabalhador que tinha somente 20 reais e uma marmita ou ticket alimentação e nenhuma possibilidade de um cartão de débito ou crédito não foi trabalhar, porque a passagem não era mais 20, havia subido para, por exemplo, 22.
Este é um fato numa proporção micro.
Imaginemos, agora, um fato como a Greve Geral de hoje, fato de proporção macro, não se tornar notícia de destaque, e um serviço de informação/utilidade pública por parte da Rede Globo, que é o canal maior de informação da população brasileira.
Se não é favorável a Greve Geral vá lá, diga que não é, mas um fato que paralisou São Paulo e muitas partes do Brasil não pode ser uma escolha ou não de virar notícia. É gravíssimo.
Era condição Sine qua non manter a população bem-informada desde sempre, nos dias anteriores principalmente, para alertar seus ouvintes e telespectadores sobre os serviços públicos que aderiram a Greve Geral, como seria o sistema de rodízio, como estavam se preparando os hospitais e serviços essenciais, mais as repartições de Governo, etc. para o dia 28 de abril.
E quando, assim, não acontece duas coisas, ao menos, merecemos discutir:
1) Estamos diante de Jornalismo?
2) Receber Concessão Pública para utilização do espectro eletromagnético e agir desta maneira é tolerável numa sociedade que quer se acreditar em pleno desenvolvimento?
Repensemos as coisas.
Jornalismo é informação ou defesa intransigente de uma única Ideologia e dos seus interesses privados?