Mostrando postagens com marcador crimes e abusos da Lava Jato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crimes e abusos da Lava Jato. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Começam a surgir na grande mídia vídeos reais em que Tony Garcia delata desmandos de Sergio Moro a Gabriela Hardt da 13ª Vara de Curitiba e sua Lava Jato

 

Em 2023, o GGN mostrou que Hardt engavetou o depoimento por dois anos. Juiz Appio descobriu e enviou o caso ao STF...


Da Redação do Jornal GGN:


Começam a surgir na grande mídia vídeos em que Tony Garcia delata Sergio Moro a Gabriela Hardt




A jornalista Daniela Lima, do UOL, divulgou nesta segunda, 2 de fevereiro de 2026, um trecho do depoimento de Tony Garcia à juíza Gabriela Hardt, onde o ex-deputado federal relata que foi “espião” de Sergio Moro e do Ministério Público Federal do Paraná por vários anos, tendo à sua disposição agentes da Polícia Federal para grampear quem quisesse. A mídia independente divulgou o testemunho em primeira mão. Assista abaixo:

Em 2023, o GGN mostrou que esta oitiva de Tony Garcia ficou engavetada por cerca de dois anos. Quando descobriu o depoimento bombástico, o juiz federal Eduardo Appio, então titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, não pensou duas vezes: encaminhou o caso para o Supremo Tribunal Federal, já que, à época, tanto Moro quando Deltan Dallagnol já dispunham de foro privilegiado. Deltan, no entanto, acabou tendo o mandato cassado pela Câmara.

No depoimento a Hardt, Tony Garcia, que havia firmado uma acordo de cooperação com o MPF, disse que atuou como “agente infiltrado do Ministério Público”. “Eu trabalhei por dois anos e meio diuturnamente, por 24 horas, tendo um agente da inteligência da Polícia Federal ao meu dispor, para eu pedir segurança e interceptação telefônica”, disparou Garcia no trecho do vídeo revelado nesta segunda pelo UOL.

Ante Hardt, Tony Garcia afirmou que Moro o convocava para debater os passos da investigação após ter acessos aos grampos, e cobrava que o então delator abordasse potenciais investigados e os levasse a cooperar com a Justiça do Paraná. Segundo a coluna de Daniela Lima, Garcia tinha de ajudar Moro a apurar “um suposto esquema de venda de sentenças judiciais”.

Decidido a retirar os esqueletos do armário da chamada República de Curitiba, Appio entendeu que estava diante de uma potencial notícia-crime contra agentes lavajatistas, e remeteu cópias do processo de Tony Garcia ao Supremo em 2023. O caso, hoje, tramita nas mãos do ministro Dias Toffoli, que no final de 2025 autorizou a Polícia Federal a vasculhar o antigo gabinete de Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba. Foi lá que as fitas foram encontradas.

Procurado pelo UOL, Moro alegou que os fatos são de 20 anos atrás – ou seja, estariam prescritos. Também disse que, naquela época, a jurisprudência autorizava uso de grampos sem autorização judicial quando a iniciativa partia de um colaborador.

Ao enviar o caso ao STF, Appio sinalizou, com base no depoimento de Tony Garcia a Gabriela Hardt, que entre os alvos dos grampos sem autorização judicial estavam um governador de Estado e ministros do Superior Tribunal de Justiça, todos com foro privilegiado, o que significa que Moro usou de um “colaborador infiltrado sem qualquer formalidade ou observância das leis vigentes no país” para investigar figuras que estavam fora de sua alçada. Há algumas semanas, o UOL mostrou que um ministro do Tribunal de Contas da União estaria entre os grampeados.

Appio ainda transmitiu seu espanto com o fato de Hardt não ter tomado nenhuma providência ao tomar conhecimento das supostas ilegalidades praticadas por Moro e os procuradores de Curitiba. “Ainda que estando presentes em audiência, as autoridades do caso nada fizeram em face do relatado.”

Os autos foram encaminhados por prevenção ao ministro Ricardo Lewandowski, aposentado do STF. Em seu lugar na turma que julga casos da Lava Jato, entrou o ministro Dias Toffoli. Hardt ainda tentou desfazer a decisão de Appio assim que o magistrado foi afastado da 13ª Vara após decisão da Corregedoria do TRF-4. Na sequência, no entanto, Hardt virou alvo de uma ação de suspeição apresentada pela defesa de Tony Garcia, e acabou decidindo, por foro íntimo, se afastar do processo. 

Lançado em janeiro de 2026, o mais novo documentário inédito do GGN, “A Caixa-Preta da Lava Jato”, mostra como Eduardo Appio procedeu diante de outros supostos crimes praticados por Sergio Moro. Assista:

Leia também:

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Juristas exaltam acerto de Dias Toffoli e questionam o jornalismo PiG caça-cliques nas decisões sobre a Lava Jato de Moro, Dallagnol e Hardt

 

Marco Aurélio de Carvalho, do Prerrogativas, e Giuseppe Giamundo Neto, da USP, apontam a correção das decisões do ministro do STF

Do 247:

Dias Toffoli

Dias Toffoli (Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF)

Os juristas Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas, e Giuseppe Giamundo Neto, da Universidade de São Paulo, destacaram os acertos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em artigo publicado na Folha de S. Paulo. Os dois também criticaram o mau jornalismo daqueles que o criticam sem embasamento técnico. "Foi enorme o destaque dado pelos jornais à decisão proferida pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, de suspensão das obrigações de pagamento do acordo de leniência da Odebrecht no contexto da finada Operação Lava Jato. Manchetes caça-cliques do tipo 'liberou geral', 'passou a boaiada' e 'prêmio à corrupção' pulularam pelos veículos de comunicação. Poucos, contudo, deram-se ao trabalho de compreender os seus fundamentos técnicos, assim como a sua correção em um ambiente de devido processo legal de que devem se valer todos os regimes democráticos", afirmam os autores.

"A decisão decorre de um processo que revelou incontáveis abusos e violações à lei e que deixou no país um rastro luminoso de destruição e miséria. Segundo dados do Dieese, o Brasil perdeu R$ 172,2 bilhões em investimentos entre 2014 e 2017, 4,4 milhões de empregos, deixou de arrecadar R$ 50 bilhões em impostos e setores importantes da indústria nacional foram desestruturados (construção civil, engenharia, petróleo e gás e naval). Muitos foram os desmandos neste período marcado pela instrumentalização e pela espetacularização da nossa Justiça criminal. Foram constantes a banalização de prisões temporárias e preventivas como forma de pressão psicológica para obter confissões e os inúmeros vazamentos casuísticos e direcionados de informações sigilosas, entre tantas outras graves irregularidades", acrescentam.

Os dois apontam que os diálogos obtidos na Operação Spoofing revelaram diversos abusos na condução das delações. "É nessa toada de verificação de insistentes arbitrariedades cometidas pelas autoridades da Lava Jato que os pagamentos do acordo da Odebrecht foram cautelarmente suspensos. Note-se que a decisão não anula o acordo, apenas o suspende enquanto se apura eventuais excessos que possam comprometer o seu conteúdo", apontam. "A decisão do ministro é coerente, lógica e orientada por sólidos precedentes. Na prática, estende à pessoa jurídica aquilo que já fora concedido aos réus pessoas físicas. Franqueia acesso à empresa de materiais de prova da Operação Spoofing para que esta os utilize em sua defesa. E a suspensão das obrigações do acordo, enquanto se realiza essa análise, é consequência natural sob o ponto de vista cautelar, especialmente diante do farto histórico de excessos até aqui apurado", destacam.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

A Lava Jato de Moro, Dallagnol & Cia. beneficiou Estados Unidos com pelo menos R$ 1,3 bilhão, mostra estudo inédito

 


Outros R$ 982 milhões foram para os bolsos da Suíça, aponta material do Observatório da Lava Jato

Deltan Dallagnol e Sergio Moro

Fotos: Fernando Frazão/Lula Marques

Jornal GGN:

Graças às investigações da Operação Lava Jato contra grandes construtoras brasileiras, países como Estados Unidos e Suíça saíram ganhando uma fortuna. Somente em multas aplicadas em acordos de leniência, delação premiada e outros compromissos, gigantes nacionais tiveram de desembolsar pelo menos R$ 1,3 bilhão para o caixa dos Estados Unidos, e outros R$ 982 milhões para os suíços.

Os dados são parciais (ou seja, os valores ainda podem aumentar) e foram divulgados pelo Observatório da Lava Jato, organização integrada pelos juristas Carol Proner, Lenio Streck, Fernando Augusto Fernandes, Ney Strozake e Charlotth Back. Com o levantamento inédito, o grupo busca lançar luz sobre o paradeiro dos recursos bilionários que foram arrecadados pela Lava Jato e que, até hoje, seguem sem controle e transparência.

“Os valores referem-se apenas aos acordos que subimos até o momento no Observatório. Não esgotam, no entanto, o total, à medida que ainda estamos tratando e levantando todo material”, explicam os membros dos Observatório.

Entre as empresas que pagaram recursos aos EUA ou Suíça, na esteira das investigações da Lava Jato, estão a Braskem e Odebrecht, que teve provas extraídas dos sistemas Drousys e MyWebDay, usadas em seu acordo de leniência, anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por quebra na cadeia de custódia e outras ilegalidades, incluindo a cooperação internacional ilegal com os suíços.

A tabela do Observatório da Lava Jato contém as pessoas físicas ou jurídicas que foram multadas, o processo que originou a penalidade, a destinação dos recursos e pagamento efetuados. Além dos Estados Unidos e Suíça, a própria Lava Jato foi beneficiada. Há sinalização de milhões de reais para a “força-tarefa” do Ministério Público Federal e também para a Polícia Federal.




sábado, 24 de junho de 2023

Material da Operação Spoofing comprova que a Lava Jato de Curitiba usava do acesso às informações do Estado como instrumento de intimidação ou chantagem. Leia a reporytagem de Luis Nassif

 

Do Jornal GGN:


Spoofing: Lava Jato mirou também Wadih Damous em represália à sua atuação


Publicado em 

Na Lava Jato, a perseguição a Lula estava patente. Nos diálogos captados pela Operação Spoofing, vê-se com clareza como a organização da Lava Jato atuava para avançar sobre todos os relacionamentos de Lula.

Aqui, o homem da Receita na Força Tarefa, Roberto Leonel, ajuda o Ministério Público Federal a investigar os filhos de Lula. Posteriormente, foi indicado por Sérgio Moro para o COAF.

O material é passado para o procurador Douglas Fischer. Tentam, também, levantar material contra o deputado Wadih Damous, em represália contra sua atuação crítica à Lava Jato.

Nesse ponto, revela-se o caráter extraordinariamente autoritário do grupo. Valendo-se do acesso a todas as informações do Estado, usavam como instrumentos de intimidação ou chantagem.

Uma figura chave nessa história – e que poderia fornecer enormes subsídios à corregedoria do Conselho Nacional de Justiça – é a ex-diretora da secretaria da 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, e ex-chefe de gabinete de Sergio Moro no Ministério da Justiça, Flávia Cecília Maceno Blanco. Atualmnente ela trabalha no gabinete da deputada Rosângela Moro.

Era a longa mão de Sérgio Moro na Justiça Federal, encaminhando documentos sigilosos aos procuradores da Lava Jato e tendo informações estratégicas sobre o destino dos depósitos judiciais.

5/16

18:55:09 Julio Noronha Delta, pedi para o Leonel checar aquela questão do telefone e as empresas dos filhos tb alteraram o telefone:

18:55:22 Julio Noronha Positivo Várias alteraram no mesmo dia 21/3/2016 Flexbr Lils LLF Engesaer ? De jairo Cândido Há outras com este telefone ainda no cnpj Luna tecnologia Voloex participações de um chinês Biosyntetica Urban Value

19:01:54 Diogo safadinhos

19:28:54 Julio Noronha Já passamos a info para o Douglas Fischer

19:49:50 Welter Prr http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/05/1767427-janot-oferece-denuncia-contra-ex-presidente-lula-ao-stf.shtml

20:00:20 Laura Tessler Ijuí

20:00:35 Laura Tessler Ijuí

20:00:54 Laura Tessler Uhuuuu

21:10:42 Paulo Q história é essa de temer cassado??

21:11:16 Paulo Condenado pelo tre

21:31:24 Deltan shou

23:10:33 Paulo Wadih damous era suplente e agora o titular voltou… Será q tem material p investigação contra ele?

23:12:33 Roberson MPF Ele “embaraçando” na investigação do Lula

23:12:42 Roberson MPF Mas autos não estão conosco

23:13:28 Athayde esse fdp merece grade… e qdo quiser colaborar vamos virar as costas pq ele disse q preso nao faz espontaneamente.. rs

23:14:27 Roberson MPF Boa Tata! Ótima!!

23:14:34 Diogo To gostando

23:50:03 Deltan Tem sim o projeto que propôs caracteriza embaraço à inv kkk

23:52:41 Deltan Laura e Isabel, dará tempo das improbidades novas para coletiva de sexta? Deixem-me saber Qdo souberem. Seria bom oferecer um pacote

23:53:17 Deltan Precisaremos dos números e dados centrais e um release tb

19 agosto 2015

Aqui Deltan vaza para uma jornalista um documento contra Gleisi Hoffman, que tinha foro no STF. Gleisi era alvo do Deltan..pq ele queria ser candidato ao Senado

6:33:32 Camila Bonfim Oi. Me disseram que há um relatório que aponta o envolvimento de Paulo Bernardo e de Gleisi (como já tínhamos conversado em off que estava em apuração). Estou atrás desse material. O Sr pode me ajudar em off? Documento detalha a participação dos dois
16:33:40 Camila Bonfim Podemos fazer naquele molde

quarta-feira, 13 de abril de 2022

O último suspiro da Lava Jato. Debate entre Luis Nassif, o criminalista Pierpaolo Bottini e Marcelo Auler

 

Da TV GGN:


O jornalista Luis Nassif recebe o colega Marcelo Auler, e o convidado especial, o criminalista Pierpaolo Bottini. Bottini é professor livre docente do Departamento de Direito Penal, Criminologia e Medicina Forense da Faculdade de Direito da USP. Mestre e doutor pela Universidade de São Paulo. Esteve à frente da Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça (2005-2007) e do Departamento de Modernização Judiciária do mesmo órgão (2003-2005). Foi membro efetivo do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária e da Comissão de Juristas instituída na Câmara dos Deputados para revisão da lei de drogas (2019).É Coordenador do Observatório de Liberdade de Imprensa do Conselho Federal da OAB (2019). Foi membro da banca examinadora do concurso para juiz federal substituto (TRF 3ª Região). Juntos, eles conversam sobre os últimos suspiros da Operação Lava Jato.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Correio Brasiliense e Agência Estado: Presidente do STJ pede apuração criminal contra Deltan Dallagnol

 

A solicitação enviada ao procurador-geral da República, Augusto Aras, inclui também o procurador Diego Castor de Mattos, que integrou a força-tarefa




Agência Estado
postado em 06/02/2021 10:57
 (crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
(crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, pediu ao procurador-geral da República Augusto Aras que abra uma apuração criminal e administrativa contra os procuradores Deltan Dallagnol, ex-coordenador da Lava Jato no Paraná, e Diego Castor de Mattos, que integrou a força-tarefa.
O ofício foi enviado após a emissora CNN Brasil revelar diálogos entre Deltan e Diego Castor. As conversas mostram a intenção dos procuradores de investigar, sem autorização, a movimentação patrimonial de ministros do STJ.
As mensagens fazem parte do pacote de conversas apreendidas na Operação Spoofing e cujo acesso foi autorizado à defesa do ex-presidente Lula (PT) pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal.
Na conversa revelada pela CNN Brasil, Deltan escreve: "A RF Receita Federal pode, com base na lista, fazer uma análise patrimonial, que tal? Basta estar em EPROC processo judicial eletrônico público. Combinamos com a RF", escreveu Deltan para, em seguida, emendar: "Furacão 2". O procurador Diogo Castor de Mattos, que integrava a força-tarefa na ocasião, respondeu Deltan: "Felix Fischer eu duvido. Eh um cara serio (sic)", escreveu.
'Furacão 2' seria uma referência à operação Furacão, deflagrada em abril de 2007 e que atingiu o então ministro do STJ Paulo Medina, denunciado por integrar um esquema de venda de sentenças judiciais. O irmão do ministro também foi investigado, assim como o ex-vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região José Eduardo Carreira Alvim, o então procurador regional da República João Sérgio Leal, o então juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas Ernesto Dória.
No ofício enviado a Aras, Humberto Martins afirma que as informações trazidas pela reportagem são graves. "Solicito a Vossa Excelência que tome as necessárias providências para a apuração de condutas penais, bem como administrativas ou desvio ético dos procuradores nominados e de outros procuradores da República eventualmente envolvidos na questão, perante o Conselho Nacional do Ministério Público", frisou o ministro Humberto Martins.
Mensagens da Lava Jato
O pacote de mensagens obtidas pela Operação Spoofing foi liberado à defesa do ex-presidente Lula pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal. Os diálogos revelam troca de mensagens entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol sobre temas que vão desde sugestão de fonte contra o filho de Lula a pedidos de movimentação em processos.
Os advogados do ex-presidente pretendem usar as mensagens para reforçar as acusações de que Moro agiu com parcialidade e encarou o petista como inimigo ao condená-lo a nove anos e meio de prisão no caso do triplex do Guarujá.
A divulgação provocou nova corrida ao tribunal para embargar o conteúdo. Reclamações foram formalizadas pelo núcleo duro da força-tarefa Lava Jato em Curitiba, pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e pela própria Procuradoria-Geral da República. Os pedidos vão desde a anulação de todo o acervo da Operação Spoofing até a decretação de sigilo absoluto sobre novos diálogos.
A decisão de Lewandowski que concedeu acesso à defesa de Lula será julgada pelos demais ministros do Supremo na próxima terça, 9.
Outro lado
Os procuradores da República que integraram a Lava Jato reiteram que jamais praticaram qualquer ato de investigação sobre condutas de detentores de foro privilegiado, sejam ministros do STJ ou não.
Em todos os casos em que foram identificados elementos concretos de informação relacionados a autoridades com prerrogativa de foro, foram feitas as devidas comunicações às autoridades competentes.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Grupo Jurídico Prerrogativas: mensagens de Moro não só impressionam, como escandalizam

 

Advogados Fábio Tofic Simantob e Marco Aurélio de Carvalho afirmam que nas mensagens de Sérgio Moro com procuradores do MPF-PR se vê " um juiz interessado pessoalmente no sucesso da demanda cujo julgamento lhe foi confiado. Mais do que isto, vê-se um juiz assumindo posturas de comando em relação à parte (acusadora), dando ordens, cobrando providências, repreendendo a desenvoltura em audiência, ou seja, assumindo, enfim, postura de quem não está lá para julgar, mas para vencer.". "As mensagens não apenas impressionam, como escandalizam"


(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

Por Fábio Tofic Simantob e Marco Aurélio de Carvalho, do Grupo Prerrogativas - Quando as mensagens trocadas entre procuradores da Força Tarefa da Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro foram liberadas pelo STF, houve forte reação da comunidade jurídica. Muita gente, porém, principalmente os menos familiarizados com a praxe judiciária, não conseguiu alcançar a gravidade que seu conteúdo revela. 

Afinal, não é normal conversas entre juízes e promotores? As partes não podem conversar com o juiz fora dos autos? O que está nas mensagens não é algo corriqueiro, que ocorre todos os dias, e que faz parte da praxe forense? Para combater o crime organizado, o juiz não precisaria estar assim, lado a lado com os procuradores? Afinal, qual seria realmente o papel de um juiz na justiça criminal?

Estas perguntas poderiam compor uma biblioteca inteira, em seções que vão desde Teoria do Estado até o estudo especializado do processo penal. 

Deixemos por ora as teorias e os tratadistas. Usemos o bom senso. 

Advogados e promotores conversam com juízes, às vezes até mesmo por mensagem eletrônicas. Nisto não há qualquer problema ou ilegalidade. Mas, não é recomendável que conversas sobre o caso em que ambos atuam sejam feitas fora do ambiente forense. É um protocolo que costuma ser respeitado à risca. No mundo jurídico, soa como gafe, para dizer o menos, abordar um juiz fora do seu habitat (o fórum) para falar de uma determinada causa. 

A troca diária de mensagens entre o juiz e os acusadores (ou seja, entre o juiz e uma das partes) já não seria, digamos assim, uma prática muito ortodoxa. Ainda assim, não chegaria a ser ilegal, e muito menos criminosa. As mensagens da qual ora tomamos conhecimento, porém, revelam algo muito mais grave. 

Nelas, vê-se um juiz interessado pessoalmente no sucesso da demanda cujo julgamento lhe foi confiado. Mais do que isto, vê-se um juiz assumindo posturas de comando em relação à parte, dando ordens, cobrando providências, repreendendo a desenvoltura em audiência, ou seja, assumindo, enfim, postura de quem não está lá para julgar, mas para vencer. Bastante semelhante à daqueles técnicos de vôlei que, no intervalo, reúnem a equipe, e de forma enérgica orientam novas táticas, ao que a equipe responde apenas com aqueles gritos de guerra motivacionais típicos da caserna, e que foram sendo incorporados à prática esportiva.

Agora imaginem esta mesma cena ocorrendo às escondidas no vestiário, e em vez de pelo técnico as ordens ao time fossem dadas pelo juiz do jogo... 

É neste ponto que as mensagens não apenas impressionam, como escandalizam. Como pode julgar com isenção o juiz que comemora ao saber que a denúncia contra o réu (a inicial do processo criminal) foi finalmente protocolada? Como pode um juiz julgar com imparcialidade um réu, se ele mesmo apontou para a acusação os caminhos que deveriam ser feitos para se obter a condenação? Se o juiz está consorciado desde o início com a acusação, qual a chance de um réu acusado por equívoco ser inocentado? Como pode um juiz fiscalizar o trabalho da parte, e em alguns momentos até repreendê-la, para que a prova contra o réu pudesse ser melhor produzida?

Se um juiz assim não for considerado parcial, nenhum outro, em nenhuma outra circunstância, poderá sê-lo.

Eis o grande desafio...

* Fábio Tofic Simantob é advogado criminalista

* Marco Aurélio de Carvalho é advogado especializado em Direito Público

O conhecimento liberta. Saiba mais