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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Bolsonaro, Trump e a República dos Vermes. Artigo de Chico Alves

 

"Para quem imaginou que a irresponsabilidade na pandemia, o ódio ao meio ambiente, a agressividade contra adversários, o golpismo e o apego ao dinheiro vivo eram o máximo de bizarrice dessas figuras, os acontecimentos dos últimos meses provaram que ainda faltava conhecer outras características abjetas."


Colunistas ICL

Bolsonaro, Trump e a República dos Vermes

Dotados de "corpos moles", seres "escavadores" da política brasileira estão agora expostos ao sol



A Biologia ensina que existem algumas formas de vida que só são completamente conhecidas quando flagradas em situações excepcionais.

Os vermes, por exemplo.

Sabemos que existem, mas só conseguimos observá-los em detalhes se o fizermos em laboratório, com ajuda do microscópio.

Esse tipo de método, sabemos agora, faz sentido também para os humanos — principalmente para certo tipo de políticos. Sob determinadas circunstâncias, alguns espécimes dessa classe se revelam em sua plenitude. É uma espécie de biologia política.

O ex-presidente Jair Bolsonaro com os filhos Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan

O ex-presidente Jair Bolsonaro com os filhos Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan (Foto: Reprodução)

O melhor exemplo é o de Jair Bolsonaro, sua família e seus simpatizantes. Para quem imaginou que a irresponsabilidade na pandemia, o ódio ao meio ambiente, a agressividade contra adversários, o golpismo e o apego ao dinheiro vivo eram o máximo de bizarrice dessas figuras, os acontecimentos dos últimos meses provaram que ainda faltava conhecer outras características abjetas.

Diante da possibilidade cada vez mais concreta de que vá para a cadeia como punição pela conspiração contra as instituições democráticas do Brasil, Bolsonaro resolveu apelar. Bancou a estadia do filho Eduardo nos Estados Unidos, para, com apoio do neto de um ditador do regime militar brasileiro, fazer intenso lobby contra o próprio país junto ao governo norte-americano. O objetivo é que a intervenção de Donald Trump consiga livrá-lo do xilindró.

Esses “patriotas” que atuam contra a própria Pátria para salvar a pele são um caso estarrecedor. A situação extrema revelou a totalidade de sua natureza.

Assim como os vermes, citados no início do texto.

Há mais semelhanças. Pela biologia convencional, vermes são “animais invertebrados, rastejantes ou escavadores com corpos moles”. Pode haver melhor definição para Bolsonaro e sua patota? São espécimes que parecem não ter coluna — algo indispensável para quem quer aparentar um mínimo de dignidade. Se curvam a qualquer um que julguem ter mais poder, seja Putin, Netanyahu ou Trump.

No desespero, Bolsonaro se curvou até a Alexandre de Moraes (“Eu gostaria de convidá-lo para ser vice em 26”).

Esse prazer de rastejar, logo se viu, é amplamente compartilhado por todos os políticos que querem tirar vantagem do bônus eleitoral do bolsonarismo, sem o ônus da imagem negativa que Bolsonaro tem para outros públicos.

A chantagem tarifária de Donald Trump contra o Brasil, influenciada pelo lobby de Eduardo e Paulo Figueiredo, trouxe à luz outros invertebrados.

Homer Simpson tenta entender o trumpismo no Brasil trump

O governador Tarcísio de Freitas, por exemplo, correu para elogiar a sobretaxa que Trump anunciou para os produtos brasileiros, mesmo com todo o prejuízo que isso causa a empresários e trabalhadores de seu país. Pegou tão mal que ele mudou de posição. Pouco depois, lamentou sem criticar o presidente dos EUA (óbvio). E num segundo momento passou a responsabilizar o governo Lula pelo descalabro trumpista.

A solução sugerida por Tarcísio a uma plateia de farialimers não poderia ser mais sabuja: a capitulação.

“Ele (Trump) vive da economia da atenção. Ele gosta de sentar, botar um chefe de Estado ao lado dele e dizer: ‘olha, consegui uma vitória’. Por que não entregar uma vitória para ele, fazer um gesto?”, declarou candidamente o governador, em meados de agosto.

Outros pretendentes da direita à Presidência seguem o mesmo figurino. Caiado, Ratinho Jr. e Zema culpam a vítima (Lula) e sugerem que o Brasil se humilhe diante do agressor (Trump).

Como não poderia deixar de ser, uma parte da imprensa (felizmente minoritária, dessa vez) também defende a sabujice, a humilhação, e culpa o presidente brasileiro por não negociar com o norte-americano que o ofendeu.

Aí está um efeito colateral positivo que podemos atribuir às turbulências causadas por Bolsonaro e Trump: dotados de “corpos moles”, seres “escavadores” da política brasileira estão agora expostos ao sol.

É a República dos Vermes.

Vistos assim, tão nitidamente, fica evidente que esses políticos são totalmente desprovidos de algo que deveria ser fundamental para a função que exercem: honra.

Essa é mais uma semelhança com os vermes da biologia convencional. A grande diferença é que os seres microscópicos não seguem padrões morais, apenas são o que são.

Já os vermes de gravata, esses sim, são a melhor justificativa para a existência dos vermífugos.

domingo, 7 de março de 2021

Pela imprensa internacional ficamos sabendo que Eduardo Bolsonaro estava em reunião que articulou ataque ao Capitólio nos EUA, conforme afirma o jornalista americano Seth Abramson

 O jornalista investigativo norte-americano Seth Abramson afirma que há provas significativas de que a equipe de Trump procurou ajuda de um “aliado estrangeiro” através do filho de Jair.

Do Diário do Centro do Mundo:

 

Eduardo Bolsonaro com Ivanka Trump, sua mulher e a bebê na Casa Branca em janeiro

Mike Lindell é CEO da fábrica de travesseiros My Pillow, apoiador e conselheiro de Donald Trump.

Com bigode de galã de novela mexicana, ex-junkie, ele ficou famoso por promover um óleo extraído de uma planta como cura da covid-19 e por financiar a usina de contestações do resultado da eleição nos EUA em 2020.

Está sendo processado pela Dominion por espalhar fake news de fraudes nas urnas a favor de Biden e foi banido do Twitter por inventar que a invasão do Capitólio foi obra de antifas infiltrados.

Na verdade, suas digitais estão no caso.

site Proof deu uma matéria neste sábado sobre o papel de Lindell na tentativa de golpe em Washington no dia 6 de janeiro.

“Com uma nova reportagem de Olivia Little da Media Matters sobre sobre quem Mike Lindell encontrou na noite de 5 de janeiro e, além disso, sobre as pessoas com quem passou os ‘dois dias’ anteriores ao Dia da Insurreição, a lista dos presentes no infame ‘conselho de guerra’ de Trump na ‘residência privada’ no Trump International Hotel está agora crescendo a um nível que ninguém poderia ter previsto”, diz o autor, Seth Abramson.

De acordo com Abramson, escritor e colunista da Newsweek com passagem por CNN, BBC e CBS, esse time de 20 figurões arquitetou a revolta na capital americana.

Um deles era Eduardo Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro e o empresário trumpista e golpista Michael Lindell

Abramson afirma que há provas significativas de que a equipe de Trump procurou ajuda de um “aliado estrangeiro” através do filho de Jair.

Michael Lindell relatou que se encontrou com “o filho do [presidente brasileiro Jair] Bolsonaro na noite passada”.

Falou isso em 6 de janeiro, o que significa que teria cruzado com Eduardo na “residência privada” de Trump.

Eduardo esteve nos EUA na época, oficialmente se despedindo do ídolo Trump.

Visitou a Casa Branca a convite de Ivanka Trump, filha do ex-mandatário, acompanhado da mulher, Heloisa, do bebê Geórgia, e de Nestor Forster, embaixador do Brasil nos EUA.

Nas redes sociais, publicou uma foto com Ivanka.

“Ocasião para reforçar os laços entre os nossos países e para uma agradável conversa”, escreveu.

Postou também uma foto com Lindell em Washington.

“Prazer em conhecer Michael Lindell, ex-drogado e hoje empresário de sucesso nos EUA”, escreveu no Twitter.

Presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo Bolsonaro nunca condenou a insurreição.

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terça-feira, 19 de março de 2019

CNN sobre Bolsonaro: o “Trump dos trópicos” bajula e “adula” o presidente dos EUA

"Para o New York Times, Trump adicionou mais um amigo autoritário à sua lista."

Do DCM:

CNN sobre Bolsonaro: o “Trump dos trópicos” bajula e “adula” o presidente dos EUA

 

Para a CNN, um puxa saco na Casa Branca
A imprensa americana ridicularizou Bolsonaro em seu encontro com Donald Trump.
Para o New York Times, Trump adicionou mais um amigo autoritário à sua lista.
CNN foi além e afirmou que Bolsonaro puxou o saco (fawn over, em inglês) do ídolo de cabelo laranja:
Quando surgiu no outono passado uma conversa sobre o “Trump dos Trópicos” concorrendo à presidência no Brasil, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou grande interesse.
Na terça-feira, o homem que adotou a persona combativa de Trump – pessoalmente e no Twitter – levou sua adulação à Casa Branca, onde criticou “fake news” e previu a reeleição de Trump durante sua primeira visita oficial ao exterior. (…)
Por enquanto, é uma camaradagem mais baseada em táticas compartilhadas, retórica (no caso de Bolsonaro, misógina e homofóbica) populista e lisonja do que qualquer questão em particular, embora Trump tenha dito que o comércio, as questões de segurança e a crise em curso na Venezuela estavam na agenda.
“Eu acho que houve muita hostilidade com outros presidentes”, disse Trump no Salão Oval, quando a visita começou. “Não há hostilidade comigo.” (…)
“Foi um feito incrível”, disse Trump sobre a vitória de Bolsonaro em outubro. “O resultado final foi algo que o mundo inteiro estava falando.”
Sua contraparte retribuiu prevendo a reeleição de Trump no ano que vem – Trump respondeu com um sorriso e uma modéstia fingida – e enfatizando seu compromisso com valores conservadores.
O Brasil e os EUA, disse Bolsonaro, compartilham um “respeito aos estilos de vida tradicionais e familiares, respeito a Deus, nosso criador, contra a ideologia de gênero, as atitudes politicamente corretas e as notícias falsas”. (…)
Embora questões bilaterais importantes tenham sido discutidas, incluindo a situação da Venezuela, a dinâmica mais observada da visita de terça-feira foi a relação interpessoal dos dois homens, que falaram ao telefone, mas que ainda não haviam se encontrado pessoalmente.
Trump telefonou para Bolsonaro poucas horas depois de ter sido declarado vencedor da eleição de outubro, durante a qual defendeu visões pró-América e pró-Trump.
Isso é uma raridade na América Latina ou na maioria dos outros lugares, e Trump tomou conhecimento, de acordo com o alto funcionário do governo que informou os repórteres antes da visita.
“Alguém disse que lembrou um pouco da nossa campanha”, disse ele sobre o esforço de Bolsonaro, “pelo qual estou honrado”.
Em um mundo de inimigos percebidos, Trump muitas vezes olhou para os líderes que imitam sua própria coragem e desrespeito pelas normas políticas como aliados. Às vezes isso significa cultivar laços estreitos com homens fortes ou ditadores.
Em outras palavras, isso significa um alinhamento estreito com líderes recém-eleitos, como o presidente Emmanuel Macron, da França (embora o antigo relacionamento amistoso de Trump com Macron tenha azedado desde então). (…)
Os dois homens também foram aconselhados por Steve Bannon, o ex-consultor da Casa Branca que rompeu com Trump após deixar a Casa Branca em 2017. Bannon jantou com Bolsonaro em Washington esta semana como parte de um evento maior da embaixada.
Trump não reparou seu relacionamento com Bannon depois de uma separação amarga, dizem pessoas familiarizadas com os dois homens.
Sua viagem a Washington foi a primeira visita bilateral de Bolsonaro ao exterior, disseram autoridades da Casa Branca para ilustrar o compromisso do novo presidente de promover os laços com os EUA. Isso é uma mudança em relação ao passado. (…)

New York Times: Bolsonaro é mais um autoritário na lista de amigos de Trump




Para Trump, o presidente do Brasil é como se ele estivesse olhando no espelho, diz o New York Times:
Trump recebeu Jair Bolsonaro, o presidente brasileiro, na Casa Branca na terça-feira, e era algo como olhar no espelho.
Como outros líderes autoritários que Trump abraçou desde que assumiu o cargo, Bolsonaro é um eco do presidente americano: um nacionalista ousado cujo apelo populista vem em parte de seu uso do Twitter e sua história de fazer declarações grosseiras sobre mulheres, gays e grupos indígenas.
“Eles dizem que ele é o Donald Trump da América do Sul”, falou Trump, maravilhado durante um discurso no Farm Bureau em janeiro, observando que Bolsonaro havia sido chamado de “Trump dos Trópicos” desde que assumiu o cargo este ano. (…)
“Nosso comércio com o Brasil aumentará substancialmente”, disse Trump, “e essa é uma das coisas que o Brasil gostaria de ver”.
Autoridades norte-americanas disseram nesta semana que Trump apreciava a maneira pela qual Bolsonaro conseguiu chegar à vitória nas eleições do Brasil ao ser descaradamente pró-americano e declarar repetidamente que queria ter um relacionamento próximo com o presidente dos EUA.
Isso chamou a atenção de Trump, eles disseram. (…)
Mas o calor exibido entre os dois líderes na reunião da Casa Branca também ressalta como Trump superou as tradições usuais de política externa estabelecidas por décadas por seus antecessores. (…)
No topo dos amigos autoritários de Trump, há alguns dos ditadores mais brutais do mundo: Kim Jong-un, da Coréia do Norte; Vladimir V. Putin da Rússia; Xi Jinping da China; Abdel Fattah el-Sisi do Egito; Recep Tayyip Erdogan da Turquia; e Rodrigo Duterte das Filipinas.
O Sr. Bolsonaro é o mais recente a ser adicionado à lista.
Ex-capitão do exército que serviu durante décadas no congresso brasileiro, Bolsonaro saltou para o cenário internacional ao vencer as eleições de seu país no ano passado. Ele fez sua primeira aparição internacional como presidente quando participou do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, no mês passado.
Em uma entrevista no canal Fox News na noite de segunda-feira, Bolsonaro atacou a mídia – da mesma forma que Trump frequentemente faz – pelo que ele disse serem representações imprecisas de suas declarações anteriores sobre raça e mulheres, incluindo ter dito que “eu sou homofóbico e orgulhoso disso.”
“Se fosse tudo isso, eu não teria sido eleito presidente”, disse Bolsonaro a Shannon Bream, da Fox. (…)
Autoridades americanas disseram que esperavam que Trump e Bolsonaro discutissem o futuro da Venezuela durante as conversas na Casa Branca.
Um alto funcionário do governo, que não quis ser identificado, disse aos repórteres que os Estados Unidos apreciam a provisão de ajuda humanitária do Brasil à Venezuela e seu apoio ao presidente interino Juan Guaidó.