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terça-feira, 2 de agosto de 2022

Carta Pela Democracia e pelo Estado de Direito Permanente

 


Bolsonaro ataca carta pela democracia e fala em 'caras de pau' e 'sem caráter


Manifesto organizado pela sociedade civil em reação a falas golpistas do presidente já tem mais de 661 mil signatários


Por Marianna Holanda

O presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou nesta terça-feira (2) de "cara de pau" e "sem caráter" quem assinou o manifesto pró-democracia organizado pela USP e que será lido no próximo dia 11 de agosto.

Hoje já são mais de 661 mil signatários na Carta em defesa do Estado Democrático de Direito, organizada pela sociedade civil e por setores do empresariado como reação às falas golpistas do chefe do Executivo.

"Esse pessoal que assina esse manifesto é cara de pau, sem caráter, não vou falar outros adjetivos, porque sou uma pessoa bastante educada", disse o mandatário, em entrevista à Rádio Guaíba.

Na véspera, ele havia chamado empresários de aderiram à carta de "mamíferos".

Apoiaram o texto os banqueiros Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, copresidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco, e Candido Bracher, ex-presidente da instituição financeira e hoje também integrante de seu conselho, dentre outros importantes nomes do setor.

Bolsonaro disse na entrevista desta terça-feira que o manifesto é apoiado por banqueiros que perderam cerca de R$ 20 bilhões de receita por causa do Pix, artistas "desmamados" da Lei Rouanet, e comunistas.

Segundo pesquisa Datafolha desta semana, a campanha golpista de Bolsonaro contra o sistema eleitoral e o Judiciário é vista com preocupação pela maioria dos brasileiros, que acreditam que as ameaças têm de ser levadas a sério pelas instituições. Ao mesmo tempo, o mesmo contingente não vê o presidente dando um golpe.

Nos últimos meses, Bolsonaro retomou com força sua carga contra as instituições, seja por convicção, seja pelo temor de derrota na eleição e possível exposição sua e de sua família à Justiça comum —as acusações contra o clã Bolsonaro se acumulam.

Bolsonaro convocou a população a ir às ruas novamente no 7 de Setembro deste ano criticando os "surdos de capa preta", ou seja, ministros do Supremo e do TSE.

Isso ocorreu em 2021, quando acabou entregando o controle do governo ainda mais ao centrão devido ao risco de ruptura e eventual processo de impedimento.

Postagem que atribui criação do Pix a Bolsonaro é enganosa, diz Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central

 

"O projeto de criação e implementação do Pix não recebeu nenhum apoio, ou mesmo citação, durante a campanha eleitoral que elegeu o atual presidente da República", diz o sindicato

www.brasil247.com -

(Foto: Reuters | ABR)

247 - É falsa a postagem no Twitter que alega que o Pix, sistema de pagamentos instantâneos, foi criado por Jair Bolsonaro. O sistema, lançado em 2020, foi desenvolvido por uma equipe técnica do Banco Central (BC) em 2018, durante o governo Michel Temer (MDB). O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) destacou, em nota, que, Bolsonaro, na realidade, criou dificuldades para a implementação do mecanismo. A entidade também criticou o uso político do Pix por políticos. 

“O projeto de criação e implementação do Pix não recebeu nenhum apoio, ou mesmo citação, durante a campanha eleitoral que elegeu o atual presidente da República", afirmou o Sinal, de acordo com a Folha de S. Paulo. 

Segundo o projeto Comprova, de checagem de notícias que circulam na internet, “também é enganosa a alegação de que o Pix tira bilhões dos bancos decorrente da cobrança de tarifas”. Em 2021, primeiro ano de operação do Pix, a perda de receita com taxas por parte das instituições financeiras foi inferior a 2%, sobre um lucro recorde de R$ 81,6 bilhões, o maior em 15 anos.

A reportagem observa, ainda, que “o autor do tuíte usa a criação do Pix como contraponto a um suposto apoio que o candidato ao Palácio do Planalto pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, estaria recebendo de banqueiros. Em 25 de julho, os banqueiros Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, copresidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco, e Candido Bracher, ex-presidente da instituição financeira e hoje também integrante de seu conselho, assinaram uma carta em defesa da democracia elaborada pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo".

"Carta pela democracia é importante, mas não é tudo", diz Cristina Serra

 

"É preciso coragem e grandeza cívica para abrir mão de projetos político-partidários e admitir que o melhor para o país seria uma eleição decidida no primeiro turno", afirma

www.brasil247.com - Cristina Serra e manifestação contra Jair Bolsonaro

Cristina Serra e manifestação contra Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Youtube | Reuters)

247 - A jornalista Cristina Serra afirma, em sua coluna na Folha de S. Paulo, que “a  notícia mais auspiciosa dos últimos dias foi a ‘Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito’, uma vez que “espanou a letargia em que parte da sociedade civil parecia mergulhada, à espera de 2 de outubro, como uma data mágica”. Apesar disso, ela observa que “a derrota do herdeiro da ‘linha dura’ nas urnas é importante, mas não é tudo”.

    “Para expulsá-lo do poder e arrancar as raízes do bolsonarismo é preciso coragem para muito mais. Por exemplo, para não aceitar qualquer conchavo que dê a ele o foro privilegiado, como pretendem os que concebem uma indecência chamada PEC do senador vitalício. A reconstrução ética do Brasil não será possível sem que Bolsonaro seja julgado pelos crimes que cometeu. Bolsonaro precisa de uma Comissão Nacional da Verdade”, destaca.

Ainda segundo ela, “também é preciso coragem e grandeza cívica para abrir mão de projetos político-partidários, por mais legítimos que sejam, e para admitir que o melhor para o país seria uma eleição decidida no primeiro turno. E em favor do candidato que representa o embate político minimamente civilizado e um esforço de pacificação social”.

“Este é o momento de saber quem vai sair da campanha eleitoral maior do que quando nela entrou. Para isso é preciso fazer política com sentido histórico, com os olhos no amanhã e nas próximas gerações. Vamos lá, coragem”, finaliza.