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terça-feira, 2 de julho de 2024

Extrema-direita fascistóide bolsonarista brasileira deflagra perseguição a cientistas que pesquisam desinformação

 

Para coordenador do INCT, respaldo jurídico pode ser necessário, mas ataques legitimam ainda mais o trabalho dos pesquisadores

Do Jornal GGN:




Foto: sociedade on-line

A disseminação de fake news praticada pela extrema-direita no Brasil, disfarçada de “liberdade de expressão”, agora tem uma nova missão: a pressão – ou até mesmo lawfare – contra pesquisadores e instituições que trabalham cientificamente no combate à desinformação. 

Apesar da tentativa de intimidação sistemática àqueles que se baseiam na ciência, semelhante à utilizada nos Estados Unidos contra pesquisadores que criticam o sionismo, o resultado parece ir na direção contrária do que os extremistas queriam: fortalece ainda mais a área da pesquisa e a valorização desses profissionais. 

A visão é do professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Disputas e Soberanias Informacionais (INCT-DSI), Afonso Albuquerque, convidado do programa TVGGN 20 Horas, com o jornalista Luis Nassif [confira o link abaixo].

“A coisa opera naquele bullying de chamar para prestar contas, mas é importante discutir uma cobertura judicial a quem atua para preservar o direito à liberdade de expressão, porque o ataque vai além disso. É movido por setores cuja lógica de atuação é, a priori, anticientífica, é contra a ciência. Mas a tendência desses ataques é legitimar esses pesquisadores e mostrar que estão fazendo um trabalho sério”, expõe Albuquerque.

A “perseguição legal” contra estudiosos, de acordo com o professor da UFF, costuma imitar as táticas norte-americanas sem considerar as diferenças contextuais entre as nações, marca do movimento reacionário. 

Nos EUA, as consequências podem ser mais danosas devido à relação mais frágil entre professores e instituições, o que resulta em pressões administrativas e até demissões. No Brasil, por outro lado, apesar dos desafios por mais valorização, os profissionais gozam de maior estabilidade, e as universidades tendem a defender com mais vigor a liberdade de cátedra.

“Acho que a extrema-direita brasileira copia muito a tecnologia dos Estados Unidos sem entender eventualmente que os contextos são diferentes. O impacto disso nos Estados Unidos é muito mais forte do que aqui”, opina Albuquerque.

Os ataques vazios às instituições

Um dos principais alvos dessas perseguições atualmente é a NetLab da UFRJ. Deputados do PL alegam que o grupo de pesquisa “persegue críticos do governo” Lula e centram seus estudos apenas na extrema-direita, de maneira supostamente tendenciosa.

Nesse imbróglio, o ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal cassado, Deltan Dallagnol, aproveitou o momento para tecer elogios ao jornalista Cláudio Dantas, que escreveu sobre a “atuação da NetLab da UFRJ em favor daqueles que o financiam”, referindo-se aos recursos recebidos de fundações públicas e privadas [que ele associado à “esquerda” global] e do governo federal.

Outro caso envolve a produtora de conteúdo Brasil Paralelo, que além de admitir ter formado historiadores de forma remota, agora mira cursos de história, geografia e ciências sociais para estudantes de baixa renda, com o propósito de descredibilizar as instituições de ensino. Leia mais>>> Peterson compara Marx a Caim em evento divulgado pela Brasil Paralelo

“Há um esforço sistemático de esvaziar a autoridade das universidades, das instituições universitárias como sendo movidas por interesses partidários, um clássico. Acho que a desse povo é pegar o que eles próprios fazem e atribuir a outros”, analisa o professor.

O controle soberano sobre a informação

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) é um dos projetos vinculados ao CNPq, que tem como um dos principais objetivos desvendar o controle soberano sobre a informação.

A discussão sobre soberania digital no Brasil, explica o coordenador Afonso de Albuquerque, envolve plataformas digitais que operam fora do controle nacional.

Essas plataformas prometem financiar o “bom jornalismo”, mas fazem isso sem transparência, o que acaba aumentando ainda mais a concentração de poder no ambiente digital, especialmente das Big Techs.

Já na pesquisa internacional sobre desinformação, que cresceu exponencialmente em poucos anos, segundo o professor, nota-se que 10% dos trabalhos tratam a desinformação como uma ação da Rússia, ignorando a influência das plataformas sediadas nos EUA ou as operações do próprio governo americano, conhecidas como PsyOps [em tradução livre, operações psicológicas].

“A produção do conhecimento científico é majoritariamente controlada pelos Estados Unidos, o circuito do conhecimento científico é controlado a partir dos Estados Unidos. (…) Nós vamos para a China justamente para reforçar o nosso laço com pesquisadores de diferentes partes do mundo, e tentar criar um núcleo, uma rede de pesquisadores [mais plural]. A gente sabe que a grande mídia, de maneira geral, opera a partir de uma dinâmica subordinada.”

Assista a entrevista completa abaixo:


terça-feira, 14 de maio de 2024

Xadrez do segundo tempo de 8 de janeiro, agora envolvendo as inundações do RS com enchentes de fak news calculadas, e o New Deal de Lula, por Luís Nassif

 

Há inúmeras semelhanças com a tentativa de golpe de 8 de janeiro com a ação de políticos, parte da grande mídia empresarial-rentista e bolsonaristas hoje. Essa semelhança pode ser sintetizada em três eixos, confome aponta Luis Nassif em seu artigo.





Monto esse Xadrez com a ajuda inestimável do Luiz Melchert, na identificação da estratégia bolsonarista.

Há inúmeras semelhanças com a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Essa semelhança pode ser sintetizada em três eixos.

Eixo 1 – Bolsonaro se abrigando no seu bunker

Na intentona de 8 de janeiro, Bolsonaro abrigou-se, antecipadamente, no seu bunker em Orlando. Agora, se abriga em um hospital. Na condição de paciente, pode receber visita de todos seus filhos, do governador paulista Tarcísio de Freitas e de envolvidos no 8 de janeiro, sem ser incomodado.

Efeito 2 – a operação de Fakenews

No pré-8 de janeiro, foi a campanha articulada contra as urnas eletrônicas. Agora, é a mesma estrutura de Fakenews contra a suposta incapacidade dos governos em enfrentar o problema. Desligitamam o governo, dão a entender que o povo é dono do seu próprio destino e, por trás desse discurso, a figura do bolsonarismo.

Os personagens centrais da atual onda são todos bolsonaristas: Pablo Marçal, Nego Di, Eduardo Bolsonaro, Senador Cleitinho, governador Jorginho Mello, Nikolas Ferreira, Gayer. É significativo que a primeira fake de Pablo Marçal tenha sido endereçado a Eduardo Bolsonaro. Aliás, hoje é a figura central do discurso de ódio, um mitômano com milhões de seguidores.

O prefeito de Farroupilha – perfeito idiota de novela de Dias Gomes – escancarou o jogo na tentativa de armação em cima do Secretário de Comunicação de Lula, Paulo Pimenta.

Efeito 3 – a teoria do choque

É óbvio que há um comando central, o mesmo de 8 de janeiro. Tenta-se reeditar parcialmente a estratégia da “teoria do choque” – desenvolvida na Universidade de Chicago de Milton Friedman.

Na economia, a teoria do choque se refere à ideia de que a implementação rápida e radical de reformas econômicas, mesmo que dolorosas no curto prazo, pode levar a um crescimento econômico de longo prazo. Essa teoria foi popularizada pelo economista Milton Friedman e tem sido aplicada em vários países, incluindo o Chile e a Polônia. É chamada de teoria do choque porque é implementada em situações de choque – político, desastres naturais -, em que há espaço para desestabilização das instituições.

Foi o que ocorreu no Brasil no pós-impeachment, reeditando o que ocorreu em várias regiões dos Estados Unidos, após o furacão Katrina. Houve a privatização selvagem dos serviços públicos, deslocamento de populações, impacto desproporcional sobre comunidades marginalizadas, tudo isso na esteira da desorganização que tomou conta das regiões afetadas e da desmoralização da ação pública.

O cenário dos conspiradores é relativamente óbvio:

  1. A tragédia do Rio Grande do Sul terá longa duração. À medida em que o tempo passe, aumentará a revolta contra a incapacidade do Estado brasileiro em administrar a crise na velocidade exigida pelas vítimas. Pela complexidade do problema, haverá problemas em qualquer nível de eficácia que o governo demonstre.
  2. Ao mesmo tempo, haverá impactos severos sobre a economia, acabando com a fantasia do déficit zero e abrindo espaço de conflito com o mercado.
  3. A economia real será afetada pelo impacto sobre a safra e a economia gaúcha.

Em suma, haverá meses de turbulências pela frente, com impacto no mercado e na macroeconomia, discussão sobre a distribuição da ajuda. Enfim, um pandemônio que jogará pela janela toda a tentativa de normalizar o dia a dia da economia e da política.

E, aí, entra em cena o modelo do New Deal.

Efeito 4 – o modelo do New Deal

A crise de 1929 inspirou o New Deal, de Franklin Delano Roosevelt. A base do plano foi a criação de um sentimento de união nacional, inclusive utilizando os novos meios de comunicação (das rádios, com programas diários de Roosevelt, aos filmes de Frank Capra), e obras públicas com o intuito de gerar empregos e renda.

A campanha de ódio – que tem no mitômano Pablo Marçal a peça central – visa impedir essa solidariedade. É relevante observar que um dos alvos dos ataques são as Forças Armadas envolvidas na operação.

O desafio do governo será em duas frentes:

  1. Frente política.

Montar um plano eficiente de promoção da solidariedade, recorrendo a artistas populares, influenciadores, lideranças civis empresariais e de. movimentos sociais.

  1. Plano de recuperação

O segundo desafio será um plano de ação eficiente para coordenar a recuperação do Rio Grande do Sul.

O New Deal criou vários mecanismos de coordenação:

  • Criação de novas agências governamentais: O New Deal criou uma série de novas agências governamentais, como a National Labor Relations Board (NLRB), a Federal Housing Administration (FHA) e a Works Progress Administration (WPA). Essas agências foram responsáveis por implementar os programas e políticas do New Deal.
  • Conselhos de assessoria: O presidente Roosevelt criou uma série de conselhos de assessoria para fornecer conselhos sobre questões econômicas e sociais. Esses conselhos incluíam o Council of Economic Advisers (CEA), o National Recovery Administration (NRA) e o Agricultural Adjustment Administration (AAA).
  • Cooperação intergovernamental: O governo federal cooperou com os governos estaduais e locais para implementar os programas do New Deal. Isso foi feito por meio de doações federais, acordos de compartilhamento de custos e outras formas de assistência.
  • Relações com o setor privado: O governo federal também trabalhou com o setor privado para implementar os programas do New Deal. Isso foi feito por meio de regulamentações, incentivos fiscais e outras formas de cooperação.
  • Comunicação pública: O governo Roosevelt usou uma variedade de ferramentas de comunicação pública para promover o New Deal e explicar seus objetivos ao público americano. Isso incluiu discursos de rádio, conferências de imprensa e materiais informativos.

Os especialistas atribuem o sucesso do New Deal aos seguintes fatores:

  • Liderança forte: O presidente Roosevelt forneceu uma liderança forte e visionária para o New Deal. Ele foi capaz de articular uma visão clara para o país e mobilizar o apoio do público e do Congresso para seus programas.
  • Pragmatismo: O governo Roosevelt estava disposto a experimentar novas ideias e programas para lidar com a crise. Essa flexibilidade foi essencial para o sucesso do New Deal.
  • Compromisso com a justiça social: O New Deal estava comprometido com a promoção da justiça social e da igualdade de oportunidades para todos os americanos. Isso se refletiu em programas como a Social Security e a Fair Labor Standards Act.

Para o bem ou para o mal – espera-se que para o bem – o governo Lula começará agora.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Governo Lula cria grupo de especialistas para combater discursos de ódio nazifascistas militaristas golpistas bolsonaristas nas redes sociais

 

Especialistas em redes sociais e ataques bolsonaristas integram o grupo, como Christian Dunker, Esther Solano e Guilherme Casarões


Grupo irá focar discursos de ódio nas redes sociais que embasaram bolsonarismo

No mesmo dia em que o governo Lula defende uma atuação global para combater Fake News e discursos de ódio na internet, internamente o Ministério dos Direitos Humanos criou um grupo de trabalho para impedir atuação de grupos radicais e extremistas, principalmente nas redes sociais.

O grupo foi oficializado nesta quarta-feira (22), em portaria publicada no Diário Oficial da União. Trata-se de uma atuação do Ministério dos Direitos Humanos, com representantes da pasta e da sociedade civil.

Constituirão o grupo especialistas em redes sociais e ataques bolsonaristas, entre eles colaboradores do Jornal GGN: o psicanalista Christian Dunker, a cientista social e acadêmica Esther Solano, a antropóloga Débora Diniz, o cientista político e colaborador da TVGGN Guilherme Casarões, a antropóloga Isabela Oliveira Kalil e o epidemiologista Pedro Hallal.

A ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) comandará a equipe, com também membros do governo federal e 24 representantes da sociedade civil, entre eles a repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, e o influenciador Felipe Neto.

O objetivo dos trabalhos é encontrar propostas de combate às redes de ódio e extremismo, constituídas nas redes sociais, e que ameaçam a democracia. Em 6 meses, o grupo irá assessorar o ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos, promover estudos e estratégias para o enfrentamento do cenário.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Dez lições da tragédia Bolsonaro ao Brasil, por Roberto Malvezzi

 

Entre outros, cai o mito de que militares são incorruptíveis. STF mostra que é possível arrefecer fake news. Religião torna-se central às eleições. Nas crises, fascistas pensam com as pernas. Alvo sempre foi o Estado; é hora de resgatá-lo

Protesto contra Jair Bolsonaro em 03 de julho de 2021 | 3J | Foto: Renato Cortez

Em primeiro, um alerta aos ingênuos e mal-intencionados: quem muito fala de corrupção pode ser tão ou mais corrupto que aqueles que denuncia. Falamos de corrupção no sentido amplo, “cor ruptum”, coração rompido. Prestem atenção em Moro, Dallagnol e Bolsonaro.

Segundo, a pior das democracias sempre é melhor que qualquer ditadura. Se a ilusão com as ditaduras for derrotada nesse momento, será um grande saldo positivo dessa tragédia.

Terceiro, boa parte dos militares que foi ao poder logo mostrou toda sua ganância por propinas e corrupção. Que se acabe de uma vez por todas o mito que militar é sinônimo de incorruptibilidade. Bolsonaro é o ícone maior dessa ilusão.

Quarto, todas as vezes que os militares saíram de sua tarefa constitucional e foram para a política, foi uma tragédia nacional. Dessa vez não foi diferente. No poder político, muitos se mostraram eticamente falhos, politicamente comprometidos com ditaduras, e tecnicamente uma lástima, como é o caso do especialista em logística. Quem sabe dessa vez os militares aprendam que não têm que se meter em política.

Quinto, a elite só é contra a corrupção dos pobres, não contra a própria. Em outras palavras, a corrupção também é propriedade privada das elites. Aqueles que querem mudar esse país também devem aprender essa lição.

Sexto, a destruição do Estado Brasileiro é, na verdade, um ataque aos bens comuns, é a destruição de uma legislação que garante direitos básicos à população e a proteção do ambiente. A elite nunca erra seu voto e sempre promove a luta de sua classe, sempre protege seus interesses, por mais mesquinhos e nefastos que sejam.

Sétimo, dessa vez não conseguiram corromper e cooptar todas as instituições brasileiras de peso. A Lava Jato mexeu nos brios do Supremo, alguns que pediram ditadura e tortura foram presos, espalhadores de fake news andam bem menos aguerridos. Como já se dizia antes, fascista só é corajoso enquanto está protegido. Depois, todos são covardes.

Oitavo, a religião pode ser manipulada para qualquer lado. Esses pastores, padres, bispos, leigos, defensores da família, dos bons costumes, da pátria, são o exemplo da religião cooptada e servil aos interesses dos poderosos e de seus chefes. A crítica das religiões como ópio do povo deve ser retomada, aprofundada e popularizada. Louvemos todos os setores eclesiais que ajudaram a fazer essa resistência positiva contra o pior governo de nossa história.

Nono, estamos sendo salvos pelas vacinas. Infelizmente, famílias como a minha, mais de 500 mil, perderam seus entes queridos para a covid-19, graças a uma campanha sistemática de descredibilização das vacinas, da ciência e a corrupção na compra das vacinas. Os fundamentalistas, tanto os religiosos como os do mercado, têm que ser combatidos permanentemente.

Décimo, enfim, estamos do lado certo da história. Com todos aqueles que resistiram a essa tragédia, sairemos desse pesadelo mais pobres, mais machucados, mais mortos, porém, com a consciência limpa que não temos as mãos mergulhadas nesse mar de sangue.


quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Após inclusão em inquérito, Bolsonaro ameaça Constituição

 

    O motivo do ataque foi sua inclusão nos inquéritos das duas Cortes por disseminação de notícias falsas e por ameaças às eleições. Bolsonaro questionou a legalidade desses inquéritos e disse que, em resposta, poderá atuar fora ‘das quatro linhas da Constituição’.



Jornal GGN – E o presidente Jair Bolsonaro voltou à carga, atacando novamente, neste dia 4, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral. O motivo do ataque foi sua inclusão nos inquéritos das duas Cortes por disseminação de notícias falsas e por ameaças às eleições. Bolsonaro questionou a legalidade desses inquéritos e disse que, em resposta, poderá atuar fora ‘das quatro linhas da Constituição’.

No TSE, o presidente é investigado depois de dizer, em diversas ocasiões, que as eleições de 2022 não irão acontecer, caso o Congresso não aprove a adoção do voto impresso. No STF, ele é alvo do inquérito das fake News, incluído pelo ministro Alexandre de Moraes.

O presidente questionou a legalidade do inquérito do STF que foi aberto, em 2019, sem a provocação do Ministério Público Federal, mas confirmado pelo plenário da Corte no ano passado.

Bolsonaro disse que o presidente só pode ser investigado caso o inquérito comece no MPF e ‘não de alguém interessado’ e que esse alguém ‘vai começar a catar provas e essa mesma pessoa vai julgar’, disse em entrevista à Jovem Pan.

Daí apontou que o inquérito não está nas quatro linhas da Constituição e que o antídoto também não está dentro das quatro linhas da Carta Magna. ‘Aqui, ninguém é mais macho que ninguém. Meu jogo é dentro das quatro linhas. Agora, se começar a chegar algo fora das quatro linhas, sou obrigado a sair das quatro linhas. É coisa que eu não quero’, metralhou. E emendou dizendo que o que fazia era para ter eleições tranquilas.

Sobre o inquérito das fake News, Bolsonaro considerou que a medida é injusta e que ‘sua formação militar o impede de mentir’. Disse ainda que não se intimida com as apurações dos dois tribunais. ‘Não vai ser um inquérito, agora nas mãos do senhor querido Alexandre de Moraes, para tentar me intimidar’, atacou. E lamentou o TSE o acusar de atos antidemocráticos. Disse que pode errar, que tem direito de criticar, mas que nunca erra.

Com informações do Correio Braziliense.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

As ações contra o Facebook e as lições do caso Microsoft sobre monopólio, por Luis Nassif

 

Agora, com a ação em cima do Facebook, obrigando-o a vender o Instagram e o WhatsApp, haverá uma pesada guerra judicial. Mas abre-se o espaço para que surjam novos campeões, tendo na criatividade e na inovação o ponto central.

Jornal GGN:
The logos of TikTok and Facebook are displayed on a smartphone in this illustration taken January 6, 2020. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

A ação aberta pelos órgãos de controle americanos contra o Facebook marca uma nova etapa no padrão de capitalismo das últimas décadas.

Desde os anos 70, tornou-se vitoriosa a ideologia da escola de Chicago, de que monopólios e oligopólios não seriam necessariamente nocivos ao mercado. Primeiro, por possibilidades maiores ganhos de escala. Depois, pelo fato de que as novas características do mercado – disponibilidade de capitais, novas tecnologias, novos modelos de negócios – manterem os oligopólios sempre sob controle. Ou seja, o medo de que surgisse um novo concorrente do nada os faria lutar para preservar clientes, mais do que preservar mercados.

Esse modelo produziu as bigtechs, as novas empresas gigantes da economia, com um poder só igualado, anteriormente, pela Standard Oil. Mesmo ela, após uma boa temporada de atuação sem limites, acabou enquadrada devido ao balanço dos prejuízos trazidos à economia, com a eliminação da concorrência.

Quase um século depois, repetiu-se a saga com a Microsoft, apanhada em pleno vôo por um processo na União Européia, por práticas anti-concorrenciais.

Até que fosse contida, a Microsoft liquidou um enorme universo de empresas criativas, atraídas pelas possibilidades abertas pela microeletrônica.

No início da revolução da microinformática, o mercado de redes era dominado pela Novel. No campo dos aplicativos de escritórios, havia a Lotus, com seus aplicativos de editor de textos, planilha e apresentação, Os aplicativos de escritório tinham, ainda, produtos extremamente funcionais da Boreland.

Mas a Microsoft tinha a força, o controle do sistema operacional que alimentava a maior parte das máquinas do planeta. Primeiro, o DOS. Depois, quando desenvolveu o Windows, baseado em pesquisas da Xerox, montou uma política que esmagou um a um os concorrentes, devido às dificuldades de adaptar seus aplicativos para a nova linguagem.

O monopólio tornou a Microsoft preguiçosa. Reduziu o nível de inovação de seus produtos. A atualização do Windows e dos demais programas era uma encrenca periódica e não havia um canal que permitisse ouvir os usuários e providenciar programas mais funcionais.

A preguiça custou caro. Graças ao Windows, nos primórdios da Internet conseguiu desbancar o Netscape como navegador. Praticamente foi sua ultima vitória.

O acomodamento fez com que perdesse o bonde das comunicadores, apesar do seu Messenger que dominava amplamente o mercado ao lado do ICQ. Perdeu o mercado dos e-mails, apesar do pioneiro Hotmail. Conseguiu matar um concorrente muito superior ao seu Outlook, o Lotus Notes. E viu novos concorrentes montando aplicativos online a partir dos navegadores, sem necessariamente utilizar o sistema operacional da Microsoft – uma previsão feita pelos criadores do Netscape, mas que não tiveram fôlego para levar adiante.

O acomodamento fez com que perdesse o mercado dos navegadores para o Google Chrome; que não conseguisse segurar o crescimento explosivo da Apple e de seu próprio sistema operacional. Perdeu o bonde das redes sociais, apesar dos ensaios em torno do Hotmail. E, finalmente, perder o bonde dos aplicativos doe celulares para o Google Chrome. Entrou atrasada no mercado de aplicativos de web, no de músicas.

Poderia ter tido o mesmo destino da HP, um furacão de criatividade que se perdeu no tempo. Conseguiu se reinventar, mas perdendo o domínio anterior. Consultado sobre a ação contra o Facebook, Bill Gates foi sincero: atribuiu ao processo da União Europeia o fato da Microsoft ter perdido o bonde dos sistemas para celulares.

Agora, com a ação em cima do Facebook, obrigando-o a vender o Instagram e o WhatsApp, haverá uma pesada guerra judicial. Mas abre-se o espaço para que surjam novos campeões, tendo na criatividade e na inovação o ponto central.

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sábado, 28 de novembro de 2020

Do Portal do José: Bolsonaro e Guedes mentem por quê? Quem lucra? Quem está no Poder? Ignorância sincera ou bandidismo?

 "O país vive tragédias diariamente sob o comando (?) de uma pessoas que reúne ignorâncias em todas as áreas do conhecimento à insensibilidade. O resultado é um ser político imprestável ao povo e altamente funcional para que interesses econômicos contrários ao Brasil (...)"




Faltam 765 dias para Brasil ejetar Bolsonaro do poder! Ele mente sem parar. Caiu no rídículo a fala em sua live onde dizia que nunca havia dito que a covid era uma gripezinha. As cenas que mostra como mente circulou o planeta.
O país vive tragédias diariamente sob o comando (?) de uma pessoas que reúne ignorâncias em todas as áreas do conhecimento à insensibilidade. O resultado é um ser político imprestável ao povo e altamente funcional para que interesses econômicos contrários ao Brasil se proliferem e suguem o que temos de mais valioso em nosso solo e população.
Nada é por acaso. Os meios de comunicação exercem seu papel de alienar e desinformar, amplificando todas as aberrações ditas pelo "Presidente". Isso aprofunda a confusão entre nós ao mesmo tempo que pavimenta a destruição nacional.
Não adianta atestarmos que temos um governante incapaz, ignorante, insensível, psicopata, egoísta, mentiroso e cruel. É necessário que entendamos a que interesses ele se presta. É fundamental percebermos que Paulo Guedes é o representante dos grandes interesses contrários ao Brasil.
Temos muito a fazer e resistir. O ambiente não está fácil, pois a pandemia propiciou um ambiente de entraga de nossa nação sem debates ou transparências. Nas reuniões pela internet o Brasil é entregue e vilipendiado a cada dia pelos deputados e senadores comandados por vigaristas notórios e investigados de todos os níveis. Sigamos em nossa jornada!



sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Eugenia, fascismo, racismo, violência e genocídio, o que tudo isso tem em comum? Descubra no texto de Tony Gigliotti Bezerra, mestre em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), bacharel em Relações Internacionais pela UnB.

 

Qual seria a relação entre conceitos aparentemente tão díspares, como eugenia, genocídio, fascismo e pandemia? Nesse artigo, vamos apresentar algumas das interrelações possíveis entre esses diversos conceitos e como eles podem nos ajudar a compreender a sociedade atual. 


Do site Justificando:




Terça-feira, 4 de agosto de 2020

Eugenia, fascismo e genocídio o que tudo isso tem em comum?

BG: Tomaz Silva / Agência Brasil – Imagem: Alan Santos / PR – Montagem: Gabriel Pedroza / Justificando

Primeiramente, cabe destacar que a eugenia é uma visão segundo a qual existiria uma ou mais raça superiores e, no interior dessa raça, algumas pessoas com características superiores. Esses indivíduos superiores deveriam ser estimulados a reproduzir de modo a criar uma linhagem de seres superiores. Aqueles considerados inferiores deveriam ser desestimulados a reproduzir ou até mesmo aniquilados. O termo eugenia foi criado pelo racista inglês Francis Galton, em 1883. Conforme matéria publicada na Superinteressante, “Para Galton, era necessário desestimular o coito entre humanos que a elite econômica via como vira-latas e incentivar os humanos de raça, com pedigree. Empreender um aperfeiçoamento autodirigido, para o bem do próprio povo. Em 1883, Galton deu à estratégia um nome: eugenia. Vem do grego: eu significa ‘bom’, gene significa ‘linhagem’, ‘raça’, ‘parentesco’”.

A crença de que deveria haver um melhoramento progressivo de uma raça e desprezo pelos considerados inferiores pode ser observado em diversas etnias, mas a que mais inspirou os eugenistas da atualidade parece ser a da Grécia Antiga. O próprio Platão, no célebre livro “A República”, apresenta diálogos protagonizados por Sócrates em que o filósofo enfatiza ideias eugenistas. Em uma passagem flagrantemente discriminatória, Sócrates faz uma pergunta retórica e recebe uma resposta positiva do interlocutor:

“Portanto, estabelecerás na cidade médicos e juízes da espécie que dissemos, que hão de tratar, dentre os cidadãos, os que forem bem constituídos de corpo e de alma, deixarão morrer os que fisicamente não estiverem nessas condições, e mandarão matar os que forem mal conformados e incuráveis espiritualmente?

Parece-me que é o melhor, que para os próprios pacientes, quer para a cidade” (PLATÃO, 2009, p. 103).[1]

O genocídio é, de certa forma, uma decorrência da eugenia. É importante observar que ambas as palavras possuem o radical “genes”, que significa nascimento ou origem em grego. No caso da eugenia, o prefixo “eu” significa bem ou melhor. Ou seja, eugenia, em sua raiz etimológica, significaria “melhor origem” ou “bem nascido”, a raça com a melhor origem. A linhagem daqueles que possuem genes que deveriam prevalecer e deixar muitos descendentes com o objetivo de realizar o “melhoramento da raça”. No caso da república idealizada por Platão, ele sugere que a melhor linhagem de guerreiros deveria ser estimulada a reproduzir e prevalecer. 

Enquanto isso, a palavra genocídio teria surgido no fim da segunda guerra mundial e é composta pela união de “genes” com o sufixo “cídio”, originado do Latim “caedere”[2], que significa “derrubar, golpear, atacar, matar”. Ou seja, genocídio é a morte daqueles que possuem a mesma origem, a morte de um povo, de uma raça. No caso de ideias eugenistas, a prevalência da raça ou linhagem considerada superior geraria o desaparecimento das raças ou linhagens consideradas inferiores, seja porque os melhores guerreiros derrotariam militarmente os inferiores, seja porque a própria “natureza” (seleção natural) faria esse serviço. Nesse caso, condições tidas como naturais, como catástrofes naturais ou doenças levariam ao desaparecimento de raças inferiores. 

E aí que entra a atual pandemia de Covid-19. Essa doença cai como uma luva para a ideias eugenistas, tendo em vista que geraria o desaparecimento “natural” de raças consideradas inferiores, como a de algumas etnias indígenas brasileiras ou até mesmo de pessoas negras nas favelas. 

E o que o fascismo tem a ver com isso? O fascismo é uma ideologia baseada no militarismo, autoritarismo, pseudo-nacionalismo, culto irrefletido a um líder a quem se projetam ideais de bravura, força, etc. Não há dúvidas que alguns líderes políticos, como Trump e Bolsonaro, estejam relacionados à ideologia fascista, sendo que o fascismo, por sua vez, está estreitamente relacionado à eugenia. Vale lembrar que, nas décadas de 1930 e 1940, a parceria entre Mussolini e Hitler, além de ter causado a Segunda Guerra Mundial, enviou para campos de concentração pessoas de grupos considerados inferiores e nocivos para a sociedade, como negros, LGBT, judeus, pessoas com deficiência, etc. Contudo, ideias eugenistas existiam também entre os adversários do nazifascismo. Práticas eugenistas já existiam nos Estados Unidos bem antes de serem instalados campos de concentração na Alemanha ou na Polônia. Contudo, o nazi-fascismo desencadeia um aprofundamento e operacionalização de ideias eugenistas vigentes na sociedade da época, e que ressurgem com muita força agora com a reascenção do fascismo em diversos países.

“Em 1907, o Estado de Indiana adotou a primeira lei de esterilização compulsória do mundo. Entre 1907 e a década de 1960, mais de 64 mil americanos considerados “inaptos” evolutivamente foram castrados com anuência das autoridades. Eram alcoólatras, esquizofrênicos, epiléticos, criminosos, prostitutas… Essa modalidade de eugenia era chamada de negativa. Um relatório sobre o resultado da prática na Califórnia – recordista de esterilização entre os 32 Estados que a adotaram – serviu de inspiração para os oficiais nazistas que implantaram a prática do outro lado do Atlântico.”[3]

No caso específico do Brasil, essa reascenção do fascismo vem aprofundar e acelerar processos genocidas já existentes, em especial dos povos indígenas e da juventude negra e periférica. Além disso, intensifica processos de violência contra mulheres e LGBT+, o desamparo e desassistência a idosos, pessoas com deficiência, crianças e adolescentes empobrecidas. A retirada de direitos trabalhistas e previdenciários afeta as trabalhadoras e trabalhadores mais pobres. Quem ganha (ou supostamente ganha com isso) é a “melhor linhagem” de empresários e executivos de sucesso das grandes corporações capitalistas, bancos, etc. Nesse sentido, fascismo e eugenia andam juntos, produzindo morte e destruição da natureza, tudo em nome de um suposto “melhoramento da raça”, sabidamente a branca.

Nesse contexto, a Covid-19, doença resultante de um vírus altamente contagioso e potencialmente fatal, cai como uma luva nesse processo fascista de genocídio. A pandemia atua como uma catalisadora do genocídio. Os fascistas não precisariam sujar suas mãos de sangue, bastaria deixar os mais pobres sem acesso à saúde e expostos ao risco constante de contaminação pelo vírus.

O fascismo brasileiro tem a sua especificidade se comparado ao alemão ou o estadunidense. Observando as ideias do integralismo de Plínio Salgado, que é uma espécie de fascismo brasileiro, observa-se que o mais importante, para ele, não é a aniquilação das raças negras e indígenas, mas sim a aniquilação de suas culturas. Negros e indígenas poderiam sobreviver, no contexto de integralismo, desde que assimilassem os valores da cultura branca cristã capitalista. O mais importante, nessa versão abrasileirada do fascismo, é prevalência da cultura branca sobre as demais. Esse rebuscamento das ideias eugenistas podem estar relacionados ao mito da democracia racial. Algumas das ideias integralistas possuem grande influência sobre o governo atual, seja na ala olavista como no núcleo militar ou até no grupo formado por fundamentalistas religiosos.   

Apesar de tudo isso, quero terminar esse texto com uma mensagem positiva. Em meio a tudo isso, há esperança por um motivo muito simples: os fascistas que acreditam que a raça branca é superior e que os negros e indígenas estão fadados a desaparecer estão simplesmente errados. Em todos os lugares onde há tentativa de genocídio, há também resistência. 

Quando terminou formalmente a escravidão dos negros e negras, em 1888, o mote do movimento eugenista era a política de branqueamento da população brasileira por meio do estímulo a imigração europeia para o Brasil. Eles achavam que, com isso, a população negra iria, aos poucos, desaparecer ou se tornar ínfima e minoritária. Contudo, o que os dados do IBGE mostram hoje é que a maioria da população brasileira é negra. O Brasil é um dos maiores países negros do mundo e, apesar de toda a política de extermínio da juventude negra, os afro-brasileiros apresentam uma grande capacidade de resistência e resiliência, buscando, de diversos modos, preservar seus costumes e suas culturas. Os povos indígenas também desenvolvem estratégias de resistência.

Ao que tudo indica, a atual onda fascista e genocida vai passar e as populações negras e indígenas vão sobreviver, não sem lutas, não sem perdas humanas, não sem resistência. Como diz o cântico tradicional: “Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não pode com a formiga, não assanha o formigueiro.” 

Tony Gigliotti Bezerra é doutorando em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), mestre em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), bacharel em Relações Internacionais pela UnB. É professor e pesquisador voluntário no Núcleo de Estudos da Diversidade Sexual e de Gênero (NEDIG), vinculado ao Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) da UnB. É Analista Técnico-Administrativo da Secretaria Especial de Cultura.

Notas:

[1] PLATÃO, Aristocles. A República. 2ª ed. Editora Martin Claret: São Paulo, 2009.

[2] ORIGEM DA PALAVRA. Mix. Disponível em: < https://origemdapalavra.com.br/pergunta/mix-2/>. Acesso em: 25 jul. 2020.

[3] LISBOA, Marcel; VAIANO, Bruno. Eugenia não é coisa do passado. Superinteressante. Publicado em 26 fev. 2019. Disponível em: <https://super.abril.com.br/ciencia/a-longa-historia-da-eugenia/>. Acesso em: 25 jul. 2020