Do Canal
Na live de hoje, Dora aborda o estado de guerra do mundo, com reflexões de como podemos encarar os tempos atuais.
Do Canal TV - Universidade Livre Pampédia / ABPE
Na live de hoje, Dora aborda o estado de guerra do mundo, com reflexões de como podemos encarar os tempos atuais.
Do Canal Retrocesso da Economia:
Há um padrão na história que se repete com precisão quase matemática — e neste vídeo você vai entender os 7 estágios que levam impérios ao colapso. Não é teoria conspiratória. Não é ideologia. É análise histórica comparativa. Da Espanha imperial ao Império Britânico, da União Soviética aos Estados Unidos, o roteiro se repete: superextensão militar → desvalorização da moeda → espiral de dívida → perda de capacidade produtiva → decadência social → perda do status de moeda de reserva → colapso.
Neste conteúdo, analisamos dados históricos, padrões econômicos e sinais atuais que indicam que os EUA podem estar no estágio cinco de sete. O que isso significa para o dólar? Para a economia global? Para o seu patrimônio? Para o século XXI? Você vai entender: • Como impérios entram em declínio justamente no auge do poder • Por que déficits permanentes e expansão monetária sempre terminam da mesma forma • O impacto da perda industrial e da dependência externa • O risco real de erosão do status do dólar como moeda de reserva • O que acontece quando confiança institucional se rompe A história mostra que nenhum império é eterno. A questão não é emocional. É estrutural. E ignorar padrões históricos nunca foi uma estratégia inteligente. Se você quer entender macroeconomia, geopolítica e ciclos de poder global sem filtros ideológicos, este vídeo é para você.
Do Canal Danny Haiphong Português:
A vida da proeminente figura MAGA, Charlie Kirk, foi abruptamente tirada em 10 de setembro em um assassinato político que causou choque em todo o mundo. Danny Haiphong expõe o que esse ato de violência política, como está sendo chamado, realmente significa, além do papel de Israel e do colapso do império americano no aumento da instabilidade que faz com que todos falem sobre esse evento. 📢 Inscreva-se para mais análises geopolíticas aprofundadas!
Do Canal Glenn Diesen em Português:
O professor Richard Wolff explica como é possível identificar um império em colapso. O caminho previsível à frente inclui declínio econômico, negação, busca por bodes expiatórios, manipulação de uma população desiludida e guerras externas sem sentido que só irão intensificar o declínio
Do Portal do José:
15/07/25 HOJE É DIA DE METEOROS CHEGANDO NA DIREITA BOLSONARISTA! CENÁRIO FICOU CLARO PARA O BRASIL E SOMBRIO PARA O CLÃ BOLSONARO. CENAS INTERESSANTÍSSIMAS NO NOSSO PORTAL DE HOJE. SIGAMOS
Pedro Costa Jr conversa com Hugo Albuquerque e Amanda Harumy sobre o impacto da eleição de Donald Trump para a extrema-direita mundial
Pedro Costa Jr conversa com Hugo Albuquerque e Amanda Harumy sobre o impacto da eleição de Donald Trump para a extrema-direita mundial. O programa Observatório de Geopolítica foi transmitido ao vivo, às 19 horas da última segunda (11/11), no canal TVGGN no Youtube.
Assista abaixo:
A conclusão da Eurasia Review é que os Estados Unidos são considerados, por muitos analistas, uma potência em declínio no Oriente Médio
Do Jornal GGN:

Segundo a NBC, os Estados Unidos confiam na influência da China sobre o Irã, para acalmar as tensões no Oriente Médio.
O maior sinal de fracasso da diplomacia americana ocorreu logo depois da ofensiva do Hamas sobre Israel. Uma comitiva de senadores democratas e republicanos americanos se reuniu com o presidente chinês Xi Jinping na manhã de segunda-feira. A reunião durou cerca de 80 minutos, disse Schumer, quase o dobro do esperado.
O líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, informou que a delegação pediu a Pequim que usasse sua influência com o Irã para evitar que o conflito Israel-Hamas se espalhasse.
O episódio mostra mais um fracasso da diplomacia Ocidental e da falência das instituições multilaterais.
Ele ocorre em um momento em que os Estados Unidos trabalhavam por uma pacificação entre Arábia Saudita e Israel. Por se tratar de processo complexo de reconciliação, apontou a Eurasia Review, cada lado terá que assumir compromissos para que o acordo seja aceitável para o outro lado.
No final de 2020 e início de 2021, governo Trump, Israel normalizou relações com países muçulmanos dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão.
Se fechado o acordo com a Arábia, haveria uma mudança radical no Oriente Médio. O ultradireitista primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro, chegou a anunciar que Israel estava no “limiar” de um acordo de paz transformador com a Arábia Saudita.
“Essa paz contribuirá muito para acabar com o conflito árabe-israelense”, disse Netanyahu. “Isto encorajará outros estados árabes a normalizarem as suas relações com Israel. Isto aumentará as perspectivas de paz com os palestinos. Promoverá uma reconciliação mais ampla entre o Judaísmo e o Islão, entre Jerusalém e Meca, entre os descendentes de Isaac e os descendentes de Ismael.”
A insensibilidade em relação a Palestina sempre foi a pedra no sapato de qualquer acordo.
Já houve 6 fases deste acordo. Na primeira, a partir da década de 1990, as negociações foram conduzidas pelo Mossad (o serviço secreto de Israel) e o embaixador saudita em Washington. A segunda foi a Iniciativa de Paz Saudita de 2002. Riade oferecia o reconhecimento árabe de Israel em troca de um estado palestino demtro das feonteiras de 1967, com Jerusalém Ocidental como capital. Israel rejeitou.
A terceira fase foi após a Segunda Guerra do Líbano, em 2006, especialmente depois de ambos os países definirem o Irã e o Hezbollah como inimigos comuns. A quarta foi no mesmo ano, quando o então primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, acompanhado pelo chefe do Mossad, reuniu-se com o príncipe Bandar Bin Sultan Al Saud na Jordânia.
A quinta etapa permitiu que aviões da Air India sobrevoassem o território saudita a caminho de Israel, e aviões de passageiros israelitas sobrevoassem o espaço aéreo saudita.
Entrou-se agora na sexta fase, através da diplomacia oficial, tendo os Estados Unidos como intermediário. O que levou as autoridades palestinas a irem a Riade para expor suas reivindicações no acordo de paz.
A questão palestina é tão central que o Ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, mais os Ministros do Egito e Jordânia, lideraram uma reunião extraordinária, à margem da Assembléia Geral da ONU, com participação de 50 Ministros de Relações Exteriores, visando promover uma solução de criação de dois Estados, Israel e Palestina, baseada na Iniciativa Árabe da Paz, junto com um “pacote de paz” a ser oferecido a israelenses e palestinos.
A Arábia Saudita definiu três questões principais para a aceitação do acordo. Uma delas, justamente, foi a questão palestina.
Israel teria muito a ganhar, se cedesse. Teria acesso ao petróleo árabe, mercado para seus produtos tecnológicos, conseguiria normalizar relações com todos países árabes, passaria a fazer parte do corredor econômico ferroviário, que vai da Índia, passando pelo Oriente Médio, até a Europa.
O presidente americano Joe Biden tentou convencer os israelitas e atender as reivindicações dos palestinos. Mas Netanyahu está preso aos compromissos com a extrema-direita que se opõe a qualquer concessão à Palestina.
Por isso mesmo, a paz local só seria possível quando um moderado assumisse o governo de Israel.
Enquanto os EUA debatem-se nesses dilemas, a diplomacia chinesa avança em todas as frentes. A China oferece uma central nuclear civil para a Atrábia Saudita. Em dezembro de 2022, Xi viajou para a Arábia Saudita, assinando vários acordos bilaterais sobre tecnologia, infra-estrutura e segurança. Os sauditas aderirão ao BRICS em 1o de janeiro de 2024 e em 2021 Riade tornou-se parceiro da Organização de Cooperação de Xangai. A China tornou-se o maior comprador do petróleo saudita e ambos negociam para pagar em yuan.
A conclusão da Eurasia Review é que os Estados Unidos são considerados, por muitos analistas, uma potência em declínio no Oriente Médio.
A ofensiva do Hamas pode ter sido uma pá de cal na pax americana. [link para Instagram aqui]
O denominador comum de todos os sistemas financeiros ocidentais: tudo gira em torno da dívida

O novo livro do Prof. Michael Hudson, The Collapse of Antiquity: Greece and Rome as Civilization’s Oligarchic Turning Point (O Colapso da Antiguidade: Grécia e Roma como o Ponto de Virada Oligárquico da Civilização) é um marco seminal neste Ano de Viver Perigosamente, para parafrasear Gramsci, quando a velha ordem geopolítica e geoeconômica vem morrendo e a nova nasce em velocidade alucinante.
A principal tese do Prof. Hudson é absolutamente devastadora: ele se propõe a provar que as práticas econômicas e financeiras da Grécia e da Roma antigas – os pilares da civilização ocidental – prepararam o terreno para o que vem acontecendo hoje frente a nossos olhos: um império reduzido ao rentismo econômico, colapsando de dentro para fora.
O que nos leva ao denominador comum de todos os sistemas financeiros ocidentais: tudo gira em torno da dívida que, inevitavelmente, só faz crescer com os juros compostos.
Sim, eis o problema: antes da Grécia e de Roma, tivemos quase três mil anos de civilizações, por todo o Oeste Asiático, fazendo o exato oposto.
Todos esses reinos sabiam da importância do cancelamento das dívidas. De outra forma, seus súditos decairiam na servidão, perderiam suas terras para um bando de credores hipotecários, que por sua vez tentariam derrubar o poder dominante.
Aristóteles resumiu a questão de forma sucinta: "Na democracia, os credores passam a fazer empréstimos que os devedores não conseguem pagar, os credores ganham cada vez mais dinheiro, acabam por converter a democracia em uma oligarquia, a oligarquia se torna hereditária e temos então uma aristocracia elitista".
O Prof. Hudson explica de forma aguçada o que acontece quando os credores assumem o controle e "reduzem todo o resto da economia à servidão": o que hoje chamamos de "austeridade" ou "deflação da dívida".
O que vem acontecendo na atual crise do sistema bancário, portanto, é que a dívida cresce de forma mais rápida do que a economia consegue pagar. Então, quando as taxas de juros passaram por fim a ser elevadas pelo Banco Central, o resultado foi uma crise para os bancos".
O Prof. Hudson propõe também uma formulação ampliada: "O surgimento das oligarquias financeiras e proprietárias de terras tornou permanentes a servidão por dívida e a escravidão, contando com o apoio de uma filosofia legal e social que favorecia os credores, o que distingue a civilização ocidental de tudo o que veio antes. Hoje, chamaríamos a isso de neoliberalismo".
Ele então passa a explicar em um nível de detalhamento excruciante como esse estado de coisas se solidificou na Antiguidade ao longo de mais de cinco séculos. Pode-se ouvir os ecos contemporâneos da "supressão violenta de revoltas populares" e de "assassinatos que tinham como alvo seus líderes" reprimindo as tentativas de cancelar as dívidas e "redistribuir as terras a pequenos proprietários que as haviam perdido para os latifundiários".
O veredito é impiedoso: "O que empobreceu a população do Império Romano" legou ao mundo moderno "Um corpo de princípios legais baseado nos credores".
O Prof. Hudson desenvolve uma devastadora crítica da "filosofia social darwinista do determinismo econômico": uma perspectiva autocongratulatória" levou a que as atuais instituições do individualismo e da segurança do crédito e dos contratos de propriedade (favorecendo as reivindicações dos credores em detrimento dos devedores, e as dos senhores de terras em detrimento dos arrendatários) que datam da antiguidade clássica sejam vistas como "desdobramentos evolucionários positivos que afastam a civilização do "Despotismo Oriental".
Tudo isso é mito. A realidade foi algo de totalmente diferente: as extremamente predatórias oligarquias de Roma lutaram "cinco séculos de guerras para privar as populações de liberdade, reprimindo a oposição popular às severas leis que beneficiavam os credores e a monopolização da terra por latifúndios".
Roma, portanto, agia como um "estado fracassado", com "generais, governadores, coletores de impostos, agiotas e arrivistas" ordenhando prata e ouro, "na forma de saques militares, tributos e usura, da Ásia Menor, da Grécia e do Egito". E no entanto, esse enfoque de terra arrasada adotado pelos romanos sempre foi prodigamente descrito, no Ocidente moderno, como a empreitada de levar aos bárbaros uma mission civilisatrice ao estilo francês – enquanto Roma arcava com a proverbial "carga do homem branco".
O Prof. Hudson mostra que as economias grega e romana "terminaram em austeridade e ruíram após terem privatizado o crédito e a terra, colocados em mãos das oligarquias rentistas". Faz lembrar alguma coisa bem contemporânea?
Pode-se dizer que o nexo central desse argumento é o que se segue":
"A legislação romana que regia os contratos estabeleceu o princípio fundamental da filosofia jurídica ocidental, que dava às reinvindicações dos credores prioridade sobre a propriedade dos devedores – descrita hoje pelo eufemismo "segurança dos direitos de propriedade". Os gastos públicos com o bem-estar social foram minimizados – o que a ideologia política contemporânea chama de deixar as coisas nas mãos do "mercado", mercado esse que mantinha os cidadãos romanos e seu Império dependendo de patrocinadores abastados e de agiotas para a satisfação de suas necessidades mais básicas. Esses gastos eram canalizados para pão e circo, esmolas para os desempregados e jogos bancados por candidatos políticos, que muitas vezes se endividavam junto aos ricos oligarcas para financiar suas campanhas".
Qualquer semelhança com o atual sistema liderado pelo Hegêmona não é mera coincidência. Hudson: "Essas ideias, políticas e princípios pró-rentistas são as que o mundo ocidentalizado ainda hoje vem seguindo. É isso que torna a história romana tão relevante para as economias contemporâneas que sofrem tensões econômicas e políticas similares".
O Prof. Hudson nos lembra que os próprio historiadores romanos – Lívio, Salústio, Apiano, Plutarco, Dionísio de Halicarnasso, entre outros – "enfatizaram a subjugação dos cidadãos à servidão por dívida". Até mesmo o Oráculo de Delfos da Grécia, como também poetas e filósofos, advertiram contra a ganância dos credores. Sócrates e os estoicos avisaram que "o vício na riqueza e seu amor pelo dinheiro eram a maior ameaça à harmonia social e, portanto, à sociedade".
O que nos leva ao fato de essa crítica ter sido totalmente omitida pela historiografia ocidental. "Pouquíssimos classicistas", observa Hudson, seguem os historiadores romanos quanto à questão de que esses conflitos sobre dívidas e usurpações de terras foram "os principais responsáveis pelo Declínio e Queda da República".
Hudson também nos lembra que os bárbaros estavam sempre aos portões do Império: Roma, de fato, "enfraqueceu de dentro para fora" durante "século após século de excessos oligárquicos".
Essa, portanto, é a lição que devemos aprender com a Grécia e com Roma: as oligarquias credoras "tentam monopolizar a renda e a terra de maneiras predatórias, e interromper a prosperidade e o crescimento". Plutarco já havia entendido: "A ganância dos credores não dá a eles nem prazer nem lucro, e arruína a quem eles fizeram mal. Eles não aram os campos que tomam de seus devedores, nem moram nas casas dessas pessoas após despejá-las".
Seria impossível examinar por completo as muitas oferendas preciosas como jade que constantemente enriquecem a narrativa principal. Aqui vão apenas algumas dessas preciosidades (E outras virão: o Prof. Hudson me contou está trabalhando na continuação desse trabalho, agora, tratando das Cruzadas).
O Prof. Hudson nos lembra que as questões de dinheiro, dívidas e juros chegaram ao Egeu e ao Mediterrâneo vindas do Oeste Asiático trazidas por mercadores da Síria e do Levante, por volta do século VIII A.C. No entanto, "sem uma tradição de cancelamento de dívidas e redistribuição de terras que pusesse freio à busca de riquezas, chefetes e senhores guerreiros gregos e italianos, que alguns classicistas chamaram de mafiosos [por sinal, classicistas norte-europeus, não italianos] impuseram a propriedade de terras por latifundiários ausentes sobrepondo-se à mão-de-obra dependente".
Essa polarização econômica só fazia piorar. Sólon cancelou as dívidas atenienses em fins do século VI B.C., mas sem que houvesse redistribuição de terras. As reservas monetárias de Atenas provinham principalmente das minas de prata – que construíram a marinha que derrotou os persas em Salamina. Péricles talvez tenha reforçado a democracia, mas a atribulada derrota frente a Esparta na Guerra do Peloponeso (431-404 B.C.) abriu as portas para uma forte oligarquia viciada em endividamento.
Todos nós que estudamos Platão e Aristóteles na universidade nos lembraremos que eles conceituavam todo esse problema no contexto da pleonexia ("vício em riqueza") – que fatalmente leva a práticas predatórias e "socialmente lesivas". Na República de Platão, Sócrates propõe que apenas gestores sem riqueza pessoal deveriam ser nomeados para governar a sociedade – para que não se tornassem reféns da hubris e da ganância.
No caso de Roma, o problema é que nenhuma narrativa escrita sobreviveu. As histórias-padrão só foram escritas após a queda da República. A Segunda Guerra Púnica contra Cartago (218-201 A.C.) é particularmente intrigante, levando-se em conta seus tons contemporâneos que nos fazem pensar no Pentágono: O Prof. Hudson nos lembra que empresários militares privados praticavam fraudes de larga-escala e bloquearam vigorosamente as tentativas do Senado de processá-los.
O Prof. Hudson mostra que essa "se tornou também uma ocasião para entregar às famílias mais ricas a propriedade de terras públicas, uma vez que o estado romano tratou como dívidas públicas retroativas e sujeitas a reembolso suas ostensivamente patrióticas doações de joias e dinheiro a título de contribuições para o esforço de guerra".
Depois de Roma derrotar Cartago, a turma do luxo quis seu dinheiro de volta. Mas os únicos bens que ainda restavam ao estado eram as terras da Campania, ao sul de Roma. As famílias ricas fizeram lobby junto ao Senado e se apossaram da totalidade delas.
Veio com César a última chance de as classes trabalhadoras conseguirem um acordo justo. Na primeira metade do século I A.C. ele defendeu uma lei das falências que perdoava dívidas. Mas o cancelamento das dívidas não chegou a se generalizar. A moderação de César não evitou que o Senado o atacasse, "temendo que ele viesse a usar sua popularidade para tentar 'tornar-se rei'" e adotar reformas ainda mais populares.
Após o triunfo de Otaviano e a designação de Princeps concedida a ele pelo Senado, e de Augusto, em 27 A.C., o Senado transformou-se em uma mera elite cerimonial. O Prof. Hudson resume a situação em uma única frase: "O Império do Ocidente esfacelou-se quando não havia mais terras a tomar nem barras de ouro e prata a pilhar". Aqui também devemos nos sentir à vontade para traçar paralelos com aos atuais dissabores do Hegêmona.
Em uma de nossas imensamente simpáticas conversas, o Prof. Hudson observou que ele imediatamente pensou em um paralelo com 1848. "Escrevi para o jornal empresarial russo Vedomosti: Afinal de contas, 1848 acabou sendo uma revolução burguesa limitada, que se opunha às classes proprietárias de terras rentistas e aos banqueiros – mas estava longe de defender a classe trabalhadora. O grande ato revolucionário do capitalismo industrial, de fato, foi libertar as economias do legado feudal dos proprietários ausentes e do sistema bancário predatório – mas houve um retrocesso à medida que as classes rentistas retornaram com o capitalismo financeiro".
O que nos traz ao que ele vê como "o grande teste para a cisão dos dias atuais": "Se os países quiserem meramente se libertar do controle dos EUA/OTAN sobre seus recursos naturais e infraestrutura – isso pode ser feito com a tributação da renda dos recursos naturais (usando assim os impostos para impedir a fuga de capitais dos investidores estrangeiros que privatizaram esses recursos naturais). O grande teste para os países da nova Maioria Global será optar ou não por melhorar as condições da classe trabalhadora como um todo, como o socialismo chinês vem tentando fazer".
Não é de surpreender que o "socialismo com características chinesas" apavore tanto a oligarquia credora do Hegêmona, ao ponto de ela correr até mesmo o risco de uma Guerra Quente. O que é certo é que o caminho para a Soberania, em todo o Sul Global, terá que ser revolucionário: "A independência do controle dos Estados Unidos equivale às reformas westfalianas de 1648 – a doutrina da não-interferência nos assuntos de outros países. Um imposto sobre os rendimentos financeiros é um elemento central dessa independência – as reformas tributárias de 1848. Quando ocorrerá o 1917 moderno?"
Ouçamos a opinião de Platão e Aristóteles: Tão logo quanto humanamente possível.
Tradução de Patricia Zimbres. Publicado no 247.
A cooperação econômica global será baseada em investimentos coligados, tendo como meta melhorar o bem-estar dos povos.

O Xadrez abaixo é um resumo da entrevista do cientista russo Sergey Glazyev, da Academia Russa de Ciências, publicada no The Slaker, e traduzida no Brasil 247.
É a melhor interpretação que li, nos últimos tempos, sobre a nova ordem mundial.
Segundo Glazyev, há dois fenômenos mundiais ocorrendo simultaneamente.
Um, são as grandes mudanças tecnológicas que acontecem a cada 50 anos, exigindo novas formas de gerenciamento.
Outro, as mudanças econômicas, que ocorrem a cada 100 anos.
A mudança dos padrões tecnológicos geralmente é acompanhada por uma revolução tecnológica, por uma depressão e por uma corrida armamentista.
Já os padrões econômicos mundiais mudam a cada 100 anos e suas mudanças são acompanhadas por guerras mundiais e revoluções sociais. Deve-se ao fato das elites dominantes, na antiga estrutura, se enclausurarem nos sistemas antigos de gestão, tentarem combater as mudanças e os novos líderes, e manter a sua hegemonia e posição de monopólio por todos os meios, incluindo os meios militares e revolucionários.
Foi o que ocorreu com o Império Britânico. A primeira revolução industrial esgotou-se e o império passou a ser confrontado por novas economias dinâmicas, especialmente o Império Russo e a Alemanha. Segundo o autor, a Primeira Guerra foi provocada pelos serviços de inteligência britânicos. A guerra levou a autodestruição dos três impérios europeus. – a Rússia czarista, o império alemão e o austro-húngaro, e também o quarto império otomano.
O Reino Unido manteve a dominância global. Mas foi sufocado pelas leis inexoráveis de desenvolvimento econômico.
Seu poder se baseava no sistema colonial, no trabalho escravo e na relação de trocas com outras economias, trocando matérias primas por produtos industrializados.
O modelo britânico foi superado pelos por três novos modelos, o soviético, o americano, e o da Alemanha nazista, com eficácia produtiva muito maior, porque organizados sobre princípios diferentes.
No caso dos EUA, o capitalismo das famílias foi sendo substituído pelo poder das grandes corporações multinacionais. Em todos os casos, estruturas centralizadas de regulação econômica, emissão monetária ilimitada, usando a moeda fiduciária para ativar a produção em massa de produtos, de forma muito mais eficaz.
Na Europa, o vitorioso foi o modelo nazista, segundo ele, apoiado pelas agências britânicas e pelo capital estadunidense. Hitler desenvolveu rapidamente um sistema centralizado de governança corporativa na Alemanha – o qual permitiu que o Terceiro Reich conquistasse rapidamente toda a Europa”.
Com a Alemanha destruída pela Segunda Guerra, a nova ordem imperial mundial restringiu-se ao modelo soviético e ao modelo ocidental, tendo como centro os EUA.
Os anos 60 em diante foram palco de novas revoluções tecnológicas, da microinformática, da eletrônica e dos bens de consumo. E a União Soviética fracassou devido a um sistema de gerenciamento planificado, pouco flexível para responder às necessidades dos novos tempos.
Mas, mesmo com os EUA assumindo a posição de potência única, as estruturas hierárquicas verticais – características do que ele denomina sistema econômico imperial mundial – revelaram-se rígidas demais para assegurar processos de inovação contínuos e crescimento da economia mundial.
A partir da periferia foi sendo moldada uma nova ordem mundial, baseada em modelos flexíveis de gestão, de organização de redes de produção nas quais o Estado age como agente integrador, combinando os interesses de vários grupos sociais ao redor de uma meta: aumentar o bem estar social público.
O caso mais notório é a China que por mais de 30 anos, cresceu três vezes mais rapidamente que os EUA. “Atualmente, a China já ultrapassa os EUA em termos de produção, exportação de bens de alta tecnologia e taxas de crescimento”.
Outro exemplo é o da Índia, com um sistema político distinto, mas com a primazia do interesse público sobre o privado e onde o Estado busca maximizar a taxa de crescimento, a fim de combater a pobreza.
Ao mesmo tempo, diz ele, a Índia – e também China – usa mecanismos de competição de mercado, o que garante a eficácia da alta concentração de recursos a fim de promover saltos econômicos.
Desde 1995 a economia chinesa cresceu 10 vezes, enquanto a economia americana cresceu apenas 15%. China, Índia e Indochina já produzem mais produtos que Estados Unidos e União Europeia. Se somar Japão e Coreia – com sistemas similares de gerenciamento – a nova ordem mundial já domina o mundo.
E aí, diz ele, a elite dominante dos EUA não consegue aceitar.
Segundo ele, nos últimos 15 anos, esta elite está travando uma guerra híbrida, buscando o caos nos países fora do seu controle e refrear o desenvolvimento da China. Mas, devido ao seu sistema arcaico de gerenciamento, não consegue sucesso.
A crise de 2008 foi um divisor de águas. Segundo Glazyev, o ciclo de vida da antiga ordem tecnológica já terminou e o processo de redistribuição em massa do capital para uma nova ordem tecnológica começou. Essa nova ordem tecnológica inclui um complexo de tecnologias de nano bioengenharia e de comunicações e informações.
E aí, aconteceu a diferença fundamental.
O passo essencial de um Estado moderno é dar acesso a dinheiro barato de longo prazo a todas as empresas, permitindo adotar as novas tecnologias.
Mas nos EUA e Europa os fundos foram gastos em bolhas financeiras, criando déficits orçamentários. Já na China, a enorme emissão monetária foi completamente dirigida para o crescimento da produção e o desenvolvimento de novas tecnologias. E a enorme monetização chinesa não produziu inflação porque o aumento do dinheiro foi acompanhado por um aumento na produção de bens, introdução de novas tecnologias avançadas e aumento do bem-estar social público.
Trump tentou deter o crescimento chinês e falhou. Segundo o autor, porque a China tem um sistema de gerenciamento mais eficaz. Principalmente porque o gerenciamento do dinheiro conserva a questão monetária no quadro da reprodução expandida do setor real da economia, focalizando o financiamento do investimento para o desenvolvimento.
Na China, cerca de 45% do PIB é investido, contra 20% nos EUA e Rússia.
Na China, o sistema bancário é estatal e opera como uma única instituição de desenvolvimento. Nos EUA, o dinheiro é usado para financiar o déficit orçamentário e realocado para as bolhas financeiras.
Segundo ele, a eficácia dos sistemas econômico e financeiro dos EUA é de apenas 20% – ou seja, somente um em cada cinco dólares chega à economia real -, contra quase 90% na China.
Segundo Glazyev, quando as guerras comerciais falharam, os EUA abriram a frente de guerra biológica. Aqui, uma afirmação polêmica: os EUA teriam lançado o coronavírus na China, na esperança que a liderança chinesa não conseguisse lidar com a pandemia. Mas o sistema de gerenciamento chinês mostrou uma eficácia muito maior, especialmente quando a pandemia se espalhou pelo mundo, revelando o fracasso das políticas púbicas dos EUA e Europa.
Segundo ele, paralelamente à guerra comercial com a China, os “serviços especiais” dos EUA já preparavam a guerra contra a Rússia.
A guerra foi deflagrada após a anexação da Crimeia pela Rússia e o primeiro passo foi a organização, pelos serviços especiais estadunidenses, do golpe de Estado de 2014 na Ucrânia.
Segundo ele, a Rússia foi inicialmente convencida que se tratava de um fenômeno temporário. O jogo sapo ficou claro quando os EUA passaram a treinar as forças armadas da Ucrânia, deram educação militar aos “nazistas” (como se refere ao exército ucraniano) em suas academias e, depois, polvilharam com eles as Forças Armadas da Ucrânia.
Ao mesmo tempo, a mídia de massa ucraniana reforçava na opinião pública a imagem da Rússia como inimiga da Ucrânia.
Finalmente, passaram a usar o dólar e o front financeiro como guerra híbrida, Em 2014 impuseram as primeiras sanções e interromperam os empréstimos ocidentais para a economia russa.
Agora, tentam impor o isolamento total da Rússia no mercado financeiro.
Segundo Glazyev, tudo isso foi previsto por ele há 10 anos. Historicamente, a geopolítica anglo-saxã é orientada contra o Império Russo e seus sucessores, porque a Rússia sempre foi vista como principal oponente dos anglo-saxões.
Criou-se um dogma: quem controlar a Eurásia controlará o mundo inteiro. Zbigniew Brzezinski cunhou um teorema, segundo o qual, para derrotar a Rússia enquanto superpotência, teria que lhe arrancar a Ucrânia.
Esse tipo de dogma incrustou-se no pensamento da elite política estadunidense, diz ele. O objetivo é impedir a aliança estratégica entre a Federação Russa e a República Popular da China, por seria forte demais para os EUA.
Segundo Sergey Glazyev, as novas formas de guerra se desdobram em cinco fronts:
* Monetário e financeiro, nos quais os EUA ainda dominam o mundo.
* Comercial e Econômico, nos quais os EUA já perderam a liderança para a China.
* Informações e cognitivo, campo onde os EUA têm tecnologias superiores.
* Biológico, aberto com o aparecimento do coronavirus no laboratório dos EUA-China em Wuhan. Segundo ele, hoje em dia há uma rede de laboratórios biológicos na Ucrânia.
* As operações militares, como último instrumento.
Segundo ele, os EUA não conseguirão vencer, assim como a Inglaterra não venceu com a Segunda guerra, Apesar de terem vencido formalmente, eles perderam política e economicamente. Perderam mais de 90% de seu território e 95% de sua população. Dois anos depois do fim da guerra, seu império ruiu, porque os outros dois vencedores – URSS e EUA – não necessitavam mais dele.
Do mesmo modo – afiança ele – o mundo não precisa das corporações multinacionais estadunidenses, do dólar dos EUA, de suas tecnologias e pirâmides financeiras.
O início da decadência começou quando os EUA apreenderam pela primeira vez reservas em moedas estrangeiras da Venezuela e passaram para a oposição. Depois, fizeram o mesmo com o Afeganistão, o Irã e, agora, a Rússia.
Ali, o dólar deixou de ser a moeda mundial, assim como o euro e a libra.
Segundo Sergey Glazyev, depois que os últimos dólares foram retornados dos países asiáticos aos EUA, será inevitável o colpado do sistema monetário e financeiro baseado em dólares e euros.
No momento, a Academia Russa está trabalhando no rascunho de um acordo internacional para a introdução de uma nova moeda mundial para liquidações financeiras, atrelada às moedas nacionais dos países participantes e dos bens comercializáveis que determinam seus valores – a propósito, é o mesmo conceito apresentado recentemente em artigo de Fernando Haddad e Gabriel Galipolo.
Com o novo sistema de pagamentos baseado em tecnologias digitais modernas – como o blockchain – os bancos perderiam sua importância.
Segundo ele, o capitalismo clássico, baseados em bancos privados, é coisa do passado. Todas as relações internacionais, incluindo a circulação de moedas mundiais, estão começando a ser formadas baseadas em contratos. Ao mesmo tempo, está sendo restaurada a soberania nacional, porque países soberanos estão chegando a um acordo.
A cooperação econômica global será baseada em investimentos coligados, tendo como meta melhorar o bem-estar dos povos. A liberalização do comércio deixa de ser prioridade, as prioridades nacionais passam a ser respeitadas e cada Estado constrói um sistema para proteger seu mercado interno e seu espaço econômico.
