Mostrando postagens com marcador Folha de São Paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Folha de São Paulo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Carta Pela Democracia e pelo Estado de Direito Permanente

 


Bolsonaro ataca carta pela democracia e fala em 'caras de pau' e 'sem caráter


Manifesto organizado pela sociedade civil em reação a falas golpistas do presidente já tem mais de 661 mil signatários


Por Marianna Holanda

O presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou nesta terça-feira (2) de "cara de pau" e "sem caráter" quem assinou o manifesto pró-democracia organizado pela USP e que será lido no próximo dia 11 de agosto.

Hoje já são mais de 661 mil signatários na Carta em defesa do Estado Democrático de Direito, organizada pela sociedade civil e por setores do empresariado como reação às falas golpistas do chefe do Executivo.

"Esse pessoal que assina esse manifesto é cara de pau, sem caráter, não vou falar outros adjetivos, porque sou uma pessoa bastante educada", disse o mandatário, em entrevista à Rádio Guaíba.

Na véspera, ele havia chamado empresários de aderiram à carta de "mamíferos".

Apoiaram o texto os banqueiros Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, copresidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco, e Candido Bracher, ex-presidente da instituição financeira e hoje também integrante de seu conselho, dentre outros importantes nomes do setor.

Bolsonaro disse na entrevista desta terça-feira que o manifesto é apoiado por banqueiros que perderam cerca de R$ 20 bilhões de receita por causa do Pix, artistas "desmamados" da Lei Rouanet, e comunistas.

Segundo pesquisa Datafolha desta semana, a campanha golpista de Bolsonaro contra o sistema eleitoral e o Judiciário é vista com preocupação pela maioria dos brasileiros, que acreditam que as ameaças têm de ser levadas a sério pelas instituições. Ao mesmo tempo, o mesmo contingente não vê o presidente dando um golpe.

Nos últimos meses, Bolsonaro retomou com força sua carga contra as instituições, seja por convicção, seja pelo temor de derrota na eleição e possível exposição sua e de sua família à Justiça comum —as acusações contra o clã Bolsonaro se acumulam.

Bolsonaro convocou a população a ir às ruas novamente no 7 de Setembro deste ano criticando os "surdos de capa preta", ou seja, ministros do Supremo e do TSE.

Isso ocorreu em 2021, quando acabou entregando o controle do governo ainda mais ao centrão devido ao risco de ruptura e eventual processo de impedimento.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Ricardo Lewandowski aponta o caminho da punição a Bolsonaro em caso de ruptura (entenda-se GOLPE), segundo dizeres de ministros do STF

 

A análise é que Lewandowski foi o primeiro a dar concretude às estratégias que o Judiciário pode adotar caso o chefe do Executivo resolva partir para uma ruptura institucional.


Da Folha de São Paulo:

Lewandowski dá caminho da punição a Bolsonaro em caso de ruptura, dizem ministros do STF

MATHEUS TEIXEIRA, MARIANNA HOLANDA E RICARDO DELLA COLETTA

Foto: Wikipédia

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e integrantes da cúpula do Congresso dizem que o artigo publicado pelo ministro Ricardo Lewandowski no jornal Folha de S.Paulo, no final de semana, representa o mais claro recado de membro da corte ao presidente Jair Bolsonaro desde o início da escalada de tensão entre os Poderes.

A análise é que Lewandowski foi o primeiro a dar concretude às estratégias que o Judiciário pode adotar caso o chefe do Executivo resolva partir para uma ruptura institucional.

Essa é a diferença apontada, por exemplo, em relação ao presidente do Supremo, Luiz Fux, e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, que fizeram discursos duros contra Bolsonaro.

Os dois ministros, no entanto, não citaram a possibilidade de prisão nem detalharam o caminho jurídico a ser trilhado para punir o presidente, caso a disputa com a corte descambe para uma tentativa de golpe.

Além disso, Lewandowski deixou claro que não simpatiza com a ideia de haver algum tipo de anistia a quem ajudar a promover um movimento que viole as regras do jogo democrático estabelecidas pela Constituição.

No artigo, Lewandowski faz uma analogia com uma lei da Roma Antiga que proibia generais de atravessarem, com suas tropas, o rio Rubicão, que demarcava a fronteira ao norte com a província da Gália.

Depois, detalha a situação e passa a discorrer sobre artigos da Constituição e da nova Lei de Segurança Nacional que criminalizam qualquer tipo de intervenção armada contra as instituições.

O ministro também faz referência expressa ao trecho da Constituição que costuma ser distorcido por bolsonaristas para justificar eventual uso das Forças Armadas contra o STF e o Congresso.

"E aqui cumpre registrar que não constitui excludente de culpabilidade a eventual convocação das Forças Armadas e tropas auxiliares, com fundamento no artigo 142 da Lei Maior, para a 'defesa da lei e da ordem', quando realizada fora das hipóteses legais, cuja configuração, aliás, pode ser apreciada em momento posterior pelos órgãos competentes", escreveu o ministro do STF.

Ao final do texto intitulado 'Intervenção Armada: crime inafiançável e imprescritível', o ministro faz um alerta: "Como se vê, pode ser alto o preço a pagar por aqueles que se dispõem a transpassar o Rubicão".

O artigo foi elogiado nos bastidores do Supremo e, no Congresso, a esperança é que o alerta de Lewandowski sirva para Bolsonaro recuar nos ataques ao STF.

Em conversas reservadas, integrantes da corte consideraram importante o ministro ter feito o alerta de que as ameaças à democracia e ao regular funcionamento das instituições caracteriza crime e não pode ser protegido pela liberdade de expressão.

Eles lembram que esse delito está previsto nas leis dos países mais avançados do mundo e não é uma exclusividade da legislação brasileira.

Já o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), disse que o artigo de Lewandowski é o que há de "mais lúcido se escreveu nos últimos tempos".

"O Judiciário está deixando claro quais são os limites e ele [Bolsonaro] fica cada vez mais só. Lembro de um presidente que ficou assim. Chama Fernando Collor de Mello", afirmou.

No Palácio do Planalto, entretanto, a avaliação é que o texto não representa uma novidade relevante, uma vez que ministros do Supremo vêm dando recados velados a Bolsonaro com frequência. O ministro não cita nominalmente Bolsonaro, mas há vários sinais no artigo de que ele foi direcionado ao mandatário.

Nos últimos meses, Bolsonaro atacou ministros do STF e colocou em dúvida a realização das eleições de 2022. Além disso, o presidente promoveu uma defesa do voto impresso, usando para tanto argumentações falsas de que pleitos passados foram fraudados.

A escalada de falas golpistas de Bolsonaro levantou o alerta de que ele pode estar pavimentando um discurso para não reconhecer o resultado eleitoral do próximo ano, caso ele seja derrotado.

Existe ainda forte tensão entre críticos e governadores com as manifestações em apoio a Bolsonaro convocadas para o feriado de 7 de Setembro. Um dos principais temores é com a politização das forças de segurança pública e com a possível insubordinação de Polícias Militares.

Nesta segunda-feira (30), Bolsonaro tentou esvaziar a raiz golpista dos protestos e afirmou, em entrevista, que as manifestações programadas terão como pauta a "liberdade de expressão" e a defesa do voto impresso.

Já nesta terça, em discurso em Uberlândia, Bolsonaro afirmou que a população brasileira nunca teve uma oportunidade como a que terá com os atos de 7 de Setembro. O presidente, porém, não deu detalhes sobre qual seria essa oportunidade e para fazer o que exatamente no feriado.

“A vida se faz de desafios. Sem desafios a vida não tem graça. As oportunidades aparecem. Nunca outra oportunidade para o povo brasileiro foi tão importante ou será importante quanto esse nosso próximo 7 de Setembro”, afirmou o presidente em discurso de improviso no interior mineiro.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Celso Rocha de Barros, na Folha: Forças Armadas têm que abrir fogo contra golpistas

 

Colunista da Folha opina que não basta escrever notas desmentindo o golpe, mas combatê-lo na prática. "Se o próprio presidente da República der a ordem do golpe, deve ser preso", escreve

Forças Armadas e o ministério da Defesa

Forças Armadas e o ministério da Defesa (Foto: Abr)

247 - "Em geral, as ameaças [de golpe] são seguidas por um desmentido no dia seguinte, depois que os golpistas nos quartéis e delegacias já foram informados que tem gente no topo que os apoiaria. Ninguém nunca é preso".

"Na semana passada, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo denunciou que o ministro da Defesa, Braga Netto, disse ao presidente da Câmara que não haverá eleições em 2022 sem voto impresso. O ministério da Defesa respondeu com uma nota em que não negou ter dito nada. Só negou que tivesse usado intermediários para falar com o presidente da Câmara".

"Não basta que as Forças Armadas não participem do golpe de Bolsonaro. Elas têm que se declarar, desde já, dispostas a abrir fogo contra ele. É dessa nota que precisamos. Devem abrir fogo mesmo se os golpistas forem militares ou policiais que, por terem alma de desertor, escolham Bolsonaro contra a pátria. Se o próprio presidente da República der a ordem do golpe, deve ser preso. Se resistir, deve ser morto", escreve Celso Rocha de Barros na Folha de S.Paulo.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Bolsonazismo. Coluna de Ruy Castro na Folha de São Paulo

 

Bolsonazismo

Começa pela quebra do moral e da resistência do adversário. As armas só entram depois



O governo Bolsonaro reacendeu-me, veja só, o interesse pelo nazismo. No passado, ao ler sobre o assunto, era como se fosse um capítulo da história impossível de se repetir. De repente, 80 anos depois, sente-se nas proximidades o seu bafio, exalado por gente íntima de suas táticas. Pensei nisso outro dia ao aprender sobre uma delas, a Sitzkrieg, guerra de posições. Veja se lhe diz alguma coisa.

É a guerra moral, psicológica, das expectativas fatigantes, dos cansaços nervosos. É a desmoralização, a destruição das energias internas, o estímulo das discórdias interiores e da desagregação nacional. É também a infiltração e penetração dos agentes do terror, do pânico e da dúvida, de modo a provocar a divisão do adversário e a vulnerabilidade da sua resistência psíquica. É a guerra não declarada, a guerra em estado de paz. A ela segue-se, claro, a Blitzkrieg, a guerra-relâmpago, que pega a vítima alquebrada e a subjuga.

Transfira isso agora para os ataques, agressões, ofensas, desrespeitos, afrontas, aviltamentos, humilhações e perdas que há dois anos e meio nos são infligidos por Jair Bolsonaro e seus musculosos sub-führers. Acrescente à receita a degradação da educação, da cultura, do meio ambiente e dos outros valores nacionais, as provocações machistas, racistas e homofóbicas, os disparos em massa de fake news pelas milícias digitais e a constante ameaça de ruptura das instituições. Quem aguenta isso por muito tempo?

Quebrada a nossa capacidade de resistência por essa barragem de palavras, gestos e atos, seria um delírio imaginar uma Blitzkrieg formada pelas SS bolsonaristas —as falanges com porte de arma—, os milicianos, os soldados, cabos e sargentos da PM e a parte do Exército que tem uma leitura própria da Constituição?

Ah, sim, a descrição da Sitzkrieg. Tirei-a de uma fonte insuspeita: Lourival Fontes, o Goebbels de Getulio Vargas no Estado Novo.

Bolsonaro atira com metralhadora em Israel
Jair Bolsonaro faz mira com um fuzil de assalto - jairmessiasbolsonaro

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A Elite do Atraso começa, por meio da "grande mídia", a rifar Bolsonaro, mas sem abandonar o destrutivo (mas, para ela, lucrativo) Paulo Guedes



Imprensa conservadora ataca Bolsonaro de maneira cada vez mais violenta, rompendo com quem apoiou abertamente nas eleições de 2018, mas preserva Paulo Guedes. Antagonismo com Bolsonaro não afeta adesão das elites ao programa econômico que massacra os pobres e destrói o país.

Jair Bolsonaro e ministro Paulo Guedes
Jair Bolsonaro e ministro Paulo Guedes (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - A mídia conservadora, ecoando os humores das elites, tem atacado Jair Bolsonaro em seus editoriais nos últimos dias, cada vez mais violentamente. Mas não há uma palavra sequer contra Paulo Guedes. Ao contrário: os editoriais defendem a preservação do programa que está massacrando os pobres, paralisando a economia e entregando patrimônio nacional aos grupos privados, especialmente os internacionais.
O editorial de O Estado de S.Paulo desta sexta-feira é explícito quanto ao apoio entusiasmado à reformas desastrosas de Guedes para os trabalhadores e os mais pobres: “Até aqui, em meio ao crescente desconforto com as atitudes indecorosas e antidemocráticas do presidente Bolsonaro e de seu entorno, o Congresso tem demonstrado louvável determinação de levar adiante as pautas de interesse do País. No ano passado, votou e aprovou uma abrangente reforma da Previdência, crucial para frear a deterioração das contas públicas. Agora, prepara-se para discutir e votar matérias tão ou mais espinhosas, como a reforma tributária e o pacto federativo, além de uma já tardia reforma administrativa.”
O Globo igualmente separa a crítica a Bolsonaro do que considera, o mais importante para os Marinho e as elites, as reformas neoliberais em seu editorial desta sexta-feira: “Parte da alta do dólar e da queda de ativos em geral tem causa interna e endereço conhecido em Brasília. Com um ano e quase dois meses de governo, está evidente que o Planalto não tem agenda estratégica. Apoia formalmente as reformas, mas não trabalha politicamente para elas; desdenha dos partidos e da política; está mais preocupado com a “guerra ideológica”, e o presidente dirige sua atenção preferencialmente aos seguidores em suas redes sociais.”
A Folha de S.Paulo no editorial de hoje apontou a relatividade do impacto do coronavírus na economia, bem menor que o impacto das iniciativas de Bolsonaro, mas termina por apontar a centralidade das malfadadas reformas: “No Brasil, além do coronavírus, há a moléstia da instabilidade política. O comportamento conflituoso do presidente Jair Bolsonaro piora ainda mais o ambiente econômico já conturbado. (...) Se esse cenário mais negativo se consolidar, a disposição do Congresso para reformas pode sofrer avarias. Enquanto já se notam pressões crescentes por gastos públicos, o foco do governo deveria ser acelerar a preparação para um cenário mais difícil à frente.”



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Lava Jato destruiu a imagem do Brasil e das empresas brasileiras, aponta Marcelo Odebrecht




"Do jeito que a Lava Jato foi divulgada, acabou parecendo que o Brasil é o país mais corrupto do mundo, e que as empresas brasileiras exportavam corrupção. Não é verdade —nem uma coisa nem outra. Mas nossos competidores no mundo souberam tirar vantagem disso", diz o empresário Marcelo Odebrecht, que ficou quatro anos preso




247 – O empresário Marcelo Odebrecht concedeu sua primeira entrevista depois que passou quatro anos preso, à jornalista Bruna Narcizo, da Folha de S. Paulo, e apontou os danos causados pela Operação Lava Jato à imagem do Brasil e das empresas brasileiras. "Do jeito que a Lava Jato foi divulgada, acabou parecendo que o Brasil é o país mais corrupto do mundo, e que as empresas brasileiras exportavam corrupção. Não é verdade —nem uma coisa nem outra. Mas nossos competidores no mundo souberam tirar vantagem disso. Vários países culpam a Odebrecht. Essa é uma questão que vamos ter de superar", disse ele.
Marcelo Odebrecht também fez uma defesa enfática do BNDES, contra a acusação de que seria uma caixa-preta, e falou em detalhes do financiamento a Cuba, para a construção do porto de Mariel. "Até antes da Lava Jato, nenhum projeto nosso teve default [termo usado na economia como sinônimo descumprimento de acordo para pagamento]. Nenhum governo que a gente atuava entrou em default. Era uma coisa que a gente fazia questão de acompanhar, porque sabíamos que podia matar a galinha dos ovos de ouro. Por isso, a gente acompanhava de perto. Agora, depois da Lava Jato, com a destruição que foi feita da nossa imagem no exterior, ficou difícil de a gente ficar no pé dos governos para que os financiamentos fossem pagos", disse ele.
"Por exemplo, a questão do porto de Mariel, em Cuba. Estão dizendo que tem um default de Cuba com o Brasil. Mas veja bem, o que o Brasil tinha que pagar de Mais Médicos [pelo acordo, o governo brasileiro pagava apenas uma porcentagem aos profissionais, o restante ia para o governo cubano]. Era menos do que Cuba tinha que pagar para o Brasil. Agora, o Brasil vai e acaba com o Mais Médicos. Quer dizer: o Brasil acabou com a fonte de recurso que ajudava Cuba a pagar o financiamento. 
Se a gente fosse a Odebrecht de antes da Lava Jato, no momento em que a gente percebesse que o governo está ameaçando o Mais Médicos, nós teríamos usado de nossa influência para tentar manter o programa. Não em cima de nada ilícito, mas provando ao governo que o Mais Médicos é que iria pagar o financiamento que Cuba pegou do Brasil. Essa capacidade de negociar, de certo modo, a gente perdeu. A gente ajudava para que a geopolítica dos países fosse bastante fluída", afirmou.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Com atraso e miopia, a Folha de São Paulo faz autocrítica sobre cobertura da Lava Jato



Folha distorce um pouco a realidade quando faz autocrítica mas trata como se as irregularidades e abusos praticados na Lava Jato só tivessem saltado aos olhos agora


Jornal GGN – Folha de S. Paulo fez neste domingo (6), no espaço destinado à ombudsman Flávia Lima, uma tímida autocrítica a respeito da cobertura da Lava Jato. A repórter relata que num almoço para comemorar os 30 anos da função, o diretor de redação Sérgio Dávila admitiu que as delações premiadas, com base no “fulano disse que beltrano fez tal coisa”, foram usadas sem critério para fazer alarde quase diariamente.
“Se eu tivesse que revisitar o caso e fazer a cobertura de novo, sei que isso não é possível, talvez repensasse o espaço que demos, manchetes atrás de manchetes…”, disse. “Então, sim, faço essa autocrítica. Mas a postura que o jornal teve em relação à operação, talvez não desde o começo, mas desde que se configurou que eles estavam ultrapassando todos os sinais, eu estou satisfeito com ela”, pontuou Dávila.
O mea culpa da Folha não pode ser desprezado, mas é indiscutivelmente tardio e carregado de uma visão míope dos fatos.
Primeiro porque estabelece como divisor de águas o vazamento do dossiê Intercept, que expôs os desvios de conduta da força-tarefa da Lava Jato. A cobertura crítica, contudo, quase sempre existiu em meios alternativos, seja em blogs independentes, nos sites especializados ou nos veículos estrangeiros. Não é como se grandes jornais como Folha, Estadão e O Globo não tivessem condições de fazer uma cobertura mais equilibrada.
Este GGN, por exemplo, produziu uma série de reportagens mostrando os furos nos processos contra o ex-presidente Lula utilizando, em parte, documentos e vídeos que foram disponibilizados na íntegra pelo Estadão. O material para questionar o que diziam as testemunhas e delatores sempre esteve disponível. Faltou vontade ou coragem para não se curvar à agenda oculta da Lava Jato, que facilmente tomou a grande mídia por“cão de guarda”.
A própria ombudsman da Folha admitiu essa falha quando escreveu que “a imprensa foi transformada, muitas vezes, em linha auxiliar da operação como uma estratégia de angariar suporte” e que “apontar problemas na Lava Jato virou quase um tabu em nome de um objetivo maior: o combate à corrupção.”
Em segundo lugar, ainda que jornais como Folha não quisessem se pautar pela cobertura crítica na mídia alternativa, não precisavam esperar o dossiê do Intercept ser vazado em julho de 2019 – mais de 5 anos depois do início da operação – para começar a apurar melhor os passos controversos da Lava Jato. Os sinais de que as delações premiadas que alimentavam “manchetes atrás de manchetes” não eram confiáveis apareceram muito antes disso.
Só para citar um exemplo: em setembro de 2017, o procurador da República Ivan Cláudio Marx apresentou à 10ª Vara Federal de Brasília as alegações finais do Ministério Público Federal no caso em que Lula era acusado de comprar o silêncio de Nestor Cerveró, com base na delação de Delcídio do Amaral. Marx pediu a absolvição de Lula porque a narrativa construída pelo ex-senador era imprestável, e isso não poderia ser ignorado em “prol de uma cruzada acusatória”.
Essa crítica, que partiu de dentro do próprio Ministério Público, deveria, no mínimo, ter despertado o interesse da imprensa pela veracidade de outras delações.
Folha distorce um pouco a realidade quando faz autocrítica mas trata como se as irregularidades e abusos praticados na Lava Jato só tivessem saltado aos olhos agora. Ao contrário, o dossiê Intercept serviu num primeiro momento para confirmar as convicções dos críticos de sempre. E seguiu dali em diante revelando outras condutas inimagináveis, que deveriam conduzir outros veículos à autocrítica também.
Como disse a ombudsman, esse reconhecimento de que a cobertura foi desequilibrada é “importante”, “mesmo que esse reconhecimento venha muito depois das primeiras ressalvas feitas aos métodos da Lava Jato e num momento (após os vazamentos), em que ficou mais fácil fazer a crítica.”

terça-feira, 20 de agosto de 2019

A Folha mostra que, durante as eleições, a tendenciosa Lava Jato de Moro-Dallagnol não quis investigar as ligações de Paulo Guedes com lavagem de dinheiro




De Fábio Fabrini, na Folha de S. Paulo (trechos da reportatem):


Lava Jato ignorou repasse de Guedes em denúncia contra empresa de fachada


A Lava Jato descobriu que uma empresa do atual ministro da Economia, Paulo Guedes, fez pagamento a um escritório de fachada, suspeito de lavar dinheiro para esquema de distribuição de propinas a agentes públicos no governo do Paraná.
A força-tarefa da operação em Curitiba apresentou denúncia sobre o caso em abril de 2018 e não incluiu no rol de acusados Guedes ou outros representantes de sua empresa.
Na época, o agora ministro integrava a pré-campanha de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República.
O repasse de R$ 560,8 mil foi feito em 2007 pela GPG Consultoria —da qual Guedes foi sócio-administrador entre novembro de 2005 e outubro do ano passado— à Power Marketing Assessoria e Planejamento, operada por um assessor do ex-governador Beto Richa (PSDB-PR).
Uma citação ao pagamento foi registrada em nota de rodapé da peça de 138 páginas encaminhada à Justiça.
(…)
Os responsáveis por outras duas companhias que destinaram recursos ao escritório suspeito foram presos, denunciados e viraram réus de ação penal aberta pelo então juiz Sergio Moro.
A Lava Jato afirma que a denúncia focou pessoas e empresas sobre as quais havia “prova robusta”, mas que a investigação prossegue.
(…)
Para ler a reportagem completa, clique aqui.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Cerco de Dallagnol a Toffoli: Deltan precisa ser preso antes de acabar de destruir as provas de seus delitos. Por Kiko Nogueira

DCM:




Nova leva de diálogos da Vaza Jato mostram Deltan Dallagnol mandando investigar o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, visto como inimigo da causa.

Dallagnol buscou informações sobre as finanças pessoais do atual presidente do STF e da mulher dele, Roberta Rangel, além de evidências que os ligassem a empreiteiras. 

“Caros, a OAS touxe a questão do apto do Toffoli?”, diz ele, em 13 de julho de 2016, aos procuradores que negociavam com a empresa acordo de colaboração.

“Que eu saiba não”, responde o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes, de Brasília.
 
“Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela”, pede Dallagnol.

Recorreu à Receita Federal para levantar informações sobre o escritório de advocacia de Roberta.

Gilmar Mendes também estava na mira.

“Tem uma conversa de que haveria recebimentos cruzados pelas esposas do Toffoli e Gilmar”, conta Deltan ao procurador Orlando Martello.
“Tem mta especulação. Temos a prova disso na nossa base? Vc teve contato com isso?”
A Folha aponta que os magistrados STF não podem ser investigados por procuradores da primeira instância.
 
Segundo a Constituição, só com autorização do próprio tribunal, onde quem atua em nome do Ministério Público Federal é o procurador-geral da República.

Pelos critérios da operação que comandava com Sergio Moro, Dallagnol já estaria em cana. Preventiva na cabeça.

Já falei disso e repito aqui: se fosse o que prega, já teria pedido demissão.


Ele precisa ser preso, entre outros motivos, antes de terminar de destruir as provas de seus crimes.


Fosse o Brasil sério, estaria atrás das grades.

domingo, 7 de julho de 2019

Novas revelações do The Intercept e Folha mostram que Moro agiu como chefe de gangue internacional. Por Jeferson Miola



  "A Lava Jato nunca conseguiu ocultar sua ambição de poder. Os agentes da força-tarefa, todos eles funcionários públicos dos mais altos níveis de remuneração do Estado brasileiro, agiam contra os interesses nacionais e se moviam em função de um projeto de poder entreguista, liquidacionista e pró-EUA."


Do Site de Jeferson Miola:


Moro agiu como chefe de gangue internacional

moro agiu como chefe de gangue
Jeferson Miola                     
Os documentos do Intercept que a Folha de São Paulo revelou neste domingo 7/7/2019 sobre a interferência da Lava Jato na Venezuela [aqui], trazem conclusões estarrecedoras:
[1] a força-tarefa da Lava Jato agia mais do que como um partido continental, mas como uma gangue internacional chefiada por Sérgio Moro;
[2] Sérgio Moro, o “Russo”, Capo di tutti capi, era o chefão que cuidava meticulosamente do planejamento e do passo-a-passo da gangue: “Talvez seja o caso de tornar pública a delação dá Odebrecht sobre propinas na Venezuela”, ele ordenou em 5 de agosto de 2017;
[3] Deltan Dallagnol atuava como capacho obediente do “Russo”. Dallagnol sempre se submeteu e submeteu o MPF, enquanto instituição, à coordenação e às ordens do “Russo”. O caso do Dallagnol, aliás, merece análise psíquica exaustiva. Além da obediência cega e irrestrita, ele expressava notável adoração e idolatria ao Capo di tutti capi;
[4] a Lava Jato se associou à Transparência Internacional [TI], uma ONG norte-americana criada nos anos 1990, para operar uma ação secreta e ilegal em país vizinho. A força-tarefa pediu à TI financiar a viagem clandestina de oposicionistas venezuelanos a Curitiba para vazarem pessoalmente aos colegas venezuelanos as informações da Odebrecht que estavam sob sigilo legal;
[5] FHC, aquele a quem o “Russo” não quis “melindrar”, atuou como conselheiro da Lava Jato e da TI. E foi um péssimo conselheiro, pois sabia tratar-se de conspiração em país estrangeiro com potencial de gerar guerra civil: “FHC veio conversar comigo no final e disse que é uma boa idéia” [sic], informou Bruno Brandão, diretor-executivo da TI. Como ex-presidente do Brasil, seria de se esperar o mínimo de decência e postura estadista de FHC, o que notoriamente não é crível na trajetória desse personagem deplorável.
A Lava Jato nunca conseguiu ocultar sua ambição de poder. Os agentes da força-tarefa, todos eles funcionários públicos dos mais altos níveis de remuneração do Estado brasileiro, agiam contra os interesses nacionais e se moviam em função de um projeto de poder entreguista, liquidacionista e pró-EUA.
Não foi necessário mais que alguns meses para se perceber, já em 2014 e início de 2015, que a Operação agia secretamente, à sombra da lei, como um partido político de extrema-direita, o Partido da Lava Jato.
Gilmar Mendes foi cúmplice da Lava Jato enquanto a Operação corrompia o Estado de Direito e atendia aos propósitos da conspiração do PSDB e do MDB para derrubar a Dilma e perpetrar o golpe para instalar a cleptocracia Temer-Cunha-Aécio-FHC.
O ministro do STF, apesar dessas posições do passado recente, revisou seus conceitos, e hoje equipara a força-tarefa a uma organização criminosa, o que realisticamente parece ser o caso.
O regime de exceção, de quebra da institucionalidade, foi propício para a atuação criminosa cada vez mais destemida dos agentes da Lava Jato. Num ambiente de vale-tudo, eles se sentiram em condições de expandir internacionalmente os tentáculos do projeto de poder teleguiado desde os Departamentos de Estado e de Justiça dos EUA para desestabilizar países e derrubar governos progressistas e de esquerda da região.
No vértice de comando deste movimento criminoso estava Sérgio Moro, o chefe desta verdadeira gangue internacional.
A despeito das monumentais provas de crimes, Moro ainda continua ministro, de onde comanda sua gestapo [PF] na perseguição daqueles que, como o The Intercept Brasil e meios de comunicação comprometidos com a verdade, estão trazendo à realidade a podridão do reino do Moro que a Globo faz de tudo para esconder.
Em qualquer país do mundo onde a Constituição, as Leis e a democracia funcionam, Moro estaria preso e respondendo à polícia e à justiça.
É compreensível, contudo, que no Brasil de Globo, Bolsonaro, Aerococa, Queiroz, laranjas do PSL, milícias e traficantes de cocaína e de armas, Moro ainda continue onde está.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Empresas contrataram disparos pró-Bolsonaro no WhatsApp, diz especialista em agência de marketing virtual espanhol. Artigo de Patrícia Campos Mello, na Folha de São Paulo




Informação aparece em gravações obtidas pela Folha; dono de agência negou saber que se tratava de mensagens massivas de campanha


Durante a campanha eleitoral de 2018, empresas brasileiras contrataram uma agência de marketing na Espanha para fazer, pelo WhatsApp, disparos em massa de mensagens políticas a favor do então candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A informação, que aparece em gravações obtidas pela Folha, é do espanhol Luis Novoa, dono da Enviawhatsapps.

Nos áudios, ele diz que “empresas, açougues, lavadoras de carros e fábricas” brasileiros compraram seu software para mandar mensagens em massa a favor de Bolsonaro.

Além de obter o áudio, a Folha confirmou posteriormente detalhes da conversa.

De acordo com Novoa, ele não sabia que seu software estava sendo usado para campanhas políticas no Brasil e só tomou conhecimento quando o WhatsApp cortou, sob a alegação de mau uso, as linhas telefônicas de sua empresa.

O WhatsApp confirmou que cortou linhas da empresa. “Não comentamos especificamente sobre contas que foram banidas, mas enviamos uma notificação judicial (Cease and Desist) para a empresa Enviawhatsapps.”

Não há indicações de que Bolsonaro ou sua equipe de campanha soubessem que estavam sendo contratados disparos de mensagens a favor do então candidato. Procurada, a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto afirmou que não iria comentar.

Doação de empresas para campanha eleitoral é proibida no Brasil. Doações não declaradas de pessoas físicas também são ilegais.

A empresa de Novoa é especializada no envio automático de mensagens para milhares de números de telefone.

A Folha teve acesso à gravação na qual o espanhol fala sobre a contratação da empresa para disparar mensagens a favor de Bolsonaro. Ela foi realizada durante um encontro de empresários com Novoa, na Espanha. A Folha confirmou as informações citadas na gravação.

“Eles contratavam o software pelo nosso site, fazíamos a instalação e pronto [...] Como eram empresas, achamos normal, temos muitas empresas [que fazem marketing comercial por WhatsApp]”, afirma o espanhol, na gravação.

“Mas aí começaram a cortar nossas linhas, fomos olhar e nos demos conta de que todas essas contratações, 80%, 90%, estavam fazendo campanha política”, completa o empresário espanhol.

Uma outra pessoa, nessa mesma gravação, pergunta a ele: “Era campanha para algum partido?” Novoa então responde: “Eram campanhas para Bolsonaro”.

Os cortes de linhas a que ele se refere foram feitos pelo próprio WhatsApp, cujas regras proíbem o uso da plataforma para envio de mensagens em massa.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), apenas as campanhas oficiais podem fazer contratação de impulsionamento de conteúdo eleitoral nas redes sociais.

​“A contratação do serviço de impulsionamento deve ser realizada exclusivamente por partidos, coligações, candidatos ou seus representantes e diretamente por meio da ferramenta responsável pelo serviço, cujo provedor deve ter sede e foro no Brasil, ou com filial, sucursal, escritório, estabelecimento ou representante legalmente estabelecido no país”, segundo lei de outubro de 2017.

Além disso, está proibido o uso de ferramentas de automatização, como os softwares de disparo em massa.

A contratação de empresas estrangeiras para enviar mensagens de WhatsApp evidencia a dificuldade de contabilizar gastos de campanhas efetuados por terceiros em favor de candidatos.

Procurado, o empresário espanhol negou que tenha trabalhado para políticos brasileiros.

“É mentira, não trabalhamos com empresas que tenham enviado campanhas políticas no Brasil”, afirmou.

“Tanto faz se gravaram sem permissão uma conversa informal. Repito pela enésima vez: não trabalhamos com campanhas políticas no Brasil”, disse à reportagem o empresário espanhol.

No áudio, Novoa afirma que não sabia que empresas estavam usando seu software para beneficiar candidatos e só tomou conhecimento disso após o WhatsApp iniciar o corte das linhas.

Ou seja, pode ser que ele de fato nunca tenha sido contratado por uma campanha política brasileira, mas somente por brasileiros que se identificavam como empresas.

“Estávamos tendo muitíssimos cortes, fomos olhar os IPs, era tudo do Brasil, olhamos as campanhas, eram campanhas brasileiras”, diz Novoa, ainda no áudio.

Segundo a Folha apurou, os brasileiros compraram cerca de 40 licenças de software na agência espanhola. Cada linha pode disparar até 500 mensagens por hora — portanto, o pacote permitia até 20 mil disparos políticos por hora nas últimas eleições.

Alguns usavam números da Colômbia para enviar mensagens a números do Brasil, também por meio do software comprado de Novoa.

Os pagamentos eram feitos pela plataforma PayPal. As contas ficaram ativas durante alguns dias durante a campanha. Os brasileiros contratavam o software por meio dos seis diferentes websites que pertencem à empresa.

Segundo o site da Enviawhatsapps, a licença para um mês sai por 89 euros (R$ 386), a anual custa 350 euros (R$ 1.518), e o WhatsApp Business API, voltado especificamente a empresas, sai por 500 euros ao ano (R$ 2.169).

Eleição na Espanha

Na eleição espanhola deste ano, o espanhol Luis Novoa, dono da Enviawhatsapps, foi responsável pelas campanhas de disparos em massa de WhatsApp dos partidos Podemos e PSOE.

A plataforma suspendeu as contas desses partidos e do PP durante a campanha eleitoral, ao alegar que as legendas estavam violando as regras de uso da plataforma ao fazer envios em massa.

A Folha apurou que Novoa também prestou serviços para o partido de extrema direita Vox. Procurado, o partido não retornou pedido de entrevista.

Entenda o caso

Empresários

Em 18 de outubro de 2018, a Folha revelou que empresários impulsionaram disparos por WhatsApp contra o PT na campanha eleitoral. O serviço foi vendido pelas agências Quickmobile, CrocServices e Yacows. Uma ação foi aberta no TSE para apurar o caso.

PT

Uma semana depois, o UOL mostrou que o PT também usou o sistema de envio de mensagens em massa e que a agência responsável pela campanha de Bolsonaro teve registros de uso do sistema da Yacows apagados após a reportagem da Folha.

Fraudes com CPFs 

Em dezembro, reportagem baseada em relatos de um ex-funcionário, fotos e documentos apresentados à Justiça do Trabalho detalhou o submundo dos disparos em massa que se instalou no Brasil durante as últimas eleições. Uma rede de empresas recorreu ao uso fraudulento de nome e CPF de idosos para registrar chips de celular e garantir o envio em massa de mensagens em benefício de políticos.

Multa

Em março deste ano, o TSE multou a campanha de Fernando Haddad por ter impulsionando um site com ataques a Bolsonaro no mecanismo de busca do Google. Na decisão, o ministro Edson Fachin considerou que o impulsionamento feriu a lei eleitoral e causou desequilíbrio na disputa.

TSE

Até agora, ninguém foi ouvido na ação que apura os disparos contra o PT. O processo é relatado pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Jorge Mussi

Empresário espanhol

Luis Novoa, dono da Enviawhatsapps, afirma, em gravação obtida pela Folha, que empresas brasileiras compraram seu software para fazer disparos em massa pelo WhatsApp de mensagens a favor de Bolsonaro

Patrícia Campos Mello
No Folha