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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Metade do país é realmente fascista? Entrevista com o Prof. Chico Teixeira, da UFRJ

 

Da TV 247:

Andrea Trus entrevista Francisco Carlos Teixeira da Silva é doutor em História Social pela Universidade de Berlin e pós-doutorado pela Universidade Técnica de Berlin. Foi professor Titular de História Moderna e Contemporânea da Universidade do Brasil/UFRJ, de 1993 até 2012. Presidente do Instituto Pandiá Calógeras de Estudos Estratégicos do Ministério da Defesa e Assessor de Estratégia Internacional do Ministério Da Defesa, no governo Dilma Rousseff. Atualmente é professor da UFJF.



sexta-feira, 4 de novembro de 2022

A desmoralização de Jair Bolsonaro entre seus seguidores, por Mario Vitor Santos

 

"Bolsonaro mostrou-se um incompetente como chefe político e um completo covarde como homem", escreve Mario Vitor Santos

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro e bloqueios de rodovias

Jair Bolsonaro e bloqueios de rodovias (Foto: ABr)

Por Mário Vitor Santos 

Há quatro anos, por esta mesma época, o país ainda tentava assimilar o impacto da eleição de Jair Bolsonaro, um parlamentar e  ex-capitão de extrema-direita, herdeiro político extremo do que houve de mais hediondo nos tempos da ditadura militar de 64.

Vai ser necessário algum tempo para que sejam sentidas as consequências da debacle ocorrida no domingo passado. Seus efeitos ainda estão se disseminando e devem evoluir para uma desmoralização irrecuperável. Alguns efeitos são demorados, outros rápidos demais. Partidos já transitam, veículos de mídia também.

Muitas vezes é na derrota que o perdedor se revela e decepciona seus seguidores.  Bolsonaro não está se demonstrando fiel à sua palavra. Fez seguidos chamamentos ao golpe. Disse que as urnas eram fraudadas e não aceitaria o resultado. Seus adeptos mais sinceros seguiram o figurino, cheios de fervor. De joelhos imploraram por golpe e ditadura militar diante dos quartéis, braços esticados na saudação nazista. Passaram dias expostos às intempéries tumultuando a vida do país em bloqueios insanos. 

Enquanto isso, Bolsonaro se tranca às escuras no Palácio da Alvorada. Fecha-se por três dias sem dizer sim nem não e quando fala é ambíguo e tíbio. O machão falastrão de arminha na mão agora diz que está triste e pede desculpas ao seu gado. Não há golpe algum, não vai haver virada de mesa nem ditadura. Deram com os burros nágua. É da vida. Não dá pra vencer todas. O que não dá para ignorar é o fato de o sujeito insuflar por meses uma rebelião e, quando ela se materializa, o Mito nem dá as caras. 

Derrotado e desacreditado, Bolsonaro é agora evitado por chefes militares que até há pouco participavam da farsa. O mesmo tratamento lhe é dado pelos caciques políticos da Câmara e do Senado, já negociando espaços no novo governo. Bolsonaro tenta manter o movimento que criou.Só saberemos quando a derrota decantar. Bolsonaro não visitou um doente ou família na pandemia. Agora, o machão imolou os revoltosos que acreditaram nele, e que esperaram uma sublevação dos militares.

Uma insurreição que ele sempre promoveu, em meio a anos de acessos de ódio e insanidade. Revelado agora o maior de todos os seus blefes, o militar, "durão" como os torturadores de 1964 que defende, mostrou-se um incompetente como chefe político e um completo covarde como homem. Não terá papel relevante no futuro.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Bolsonaro usa expressão nazista para atacar a imprensa, lembra Jamil Chade



"A imprensa que mente", a estratégia utilizada pelo regime autoritário de Adolfo Hitler contra a oposição agora é a arma de Bolsonaro
Jornal GGN – Durante transmissão ao vivo nesta quinta-feira, 27 de fevereiro, Jair Bolsonaro se apropriou de expressão popularizada pelo regime autoritário de Adolfo Hitler para atacar a imprensa. Em sua coluna desta sexta-feira, 28, publicada no UOL, Jamil Chade lembra que a “‘Imprensa que mente’ foi instrumento nazista, senhor presidente”. 
O texto lembra que o termo ‘Lügenpresse’, em português ‘imprensa mentirosa’, surgiu no começo do século 20, “mas foram os nazistas que se apropriaram do termo como parte de sua arma para silenciar a oposição ou simplesmente a imprensa livre”.
Na Alemanha nazista, as ações que traziam a público o autoritarismo do regime eram sempre podadas com a mesma frase: “a imprensa que mente” é a inimiga do povo. No Brasil, a cena se repete.
“No caso do Brasil, a ofensiva de mentiras não se limita ao presidente e suas lives. Na ONU, um país que não existe foi promovido nesta semana pelo governo”, escreveu o colunista. 
Jamil Chade explicou o episódio em que a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, critica de forma presunçosa a alta comissária da ONU, Michelle Bachelet, que a denunciou o desmonte dos direitos humanos no Brasil. Para defender Bolsonaro, Maria Nazareth chegou argumentar que o programa de proteção do governo para ativistas foi ampliado para incluir jornalistas. 
“Ela, porém, não citou as ofensas sexuais do presidente contra a jornalista Patrícia Campos Mello e nem as bananas dadas à imprensa. Mas a embaixadora tem sua recompensa: além de ter recebido um telefonema de Bolsonaro no ano passado para agradecê-la por seu comportamento, ela é aplaudida efusivamente pelo bolsonarismo mais radical e ignorante”, lembrou Jamil Chade.
O texto traz à tona o peso das expressões utilizadas por Bolsonaro e alerta que “estamos sob ataque. A liberdade está sob ataque”. Para Jamil Chade, cabe a todos o enfrentamento deste episódio. “A história não nos poupará de críticas se não tomarmos a iniciativa de, diariamente, denunciar a deriva autoritária”. 

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