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segunda-feira, 4 de março de 2024

Diário de Augusto Heleno, general, fala em prender delegados e meios de descumprir ordens judiciais

 

Ideia do general era criar um sistema autoritário de proteção contra decisões das quais o governo Bolsonaro discordasse


ICL Notícias. - O general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Jair Bolsonaro, manteve um diário, escrito à mão, com anotações de teor golpista. As informações são de Laryssa Borges na revista Veja.

Segundo as ideias alopradas de Heleno, o Ministério da Justiça, a Advocacia-Geral da União e a Presidência da República poderiam atuar juntas sob o pretexto de combater ordens judiciais que fossem consideravas exorbitantes. Nas anotações, Heleno chega a falar em prisão de delegados, caso necessário — o objetivo seria impedir que a polícia cumprisse determinadas decisões de juízes.

De acordo com os documentos, a atuação do GSI funcionaria da seguinte forma: o Ministério da Justiça primeiro identificaria uma linha de ações para a PF; na sequência, a AGU apontaria se a decisão judicial é legal ou ilegal. Por fim, Bolsonaro, então, daria força normativa à nova regra, que previa, por exemplo, prender em flagrante um delegado que cumprisse a ordem judicial que a AGU determinasse como ilegal.

“O AGU faz um texto fundamentado na Corte Federal afirmando sobre ordem ilegal. Existe um princípio de Direito que ordem manifestamente ilegal não se cumpre”, escreveu Heleno.

O general continua:

“Aprovando o parecer do AGU, para toda ordem manifestamente ilegal não é para ser cumprida porque seria crime de responsabilidade”.

O diário de Heleno tem pontos em comum com o roteiro do golpe encontrado no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Na época, a PF havia identificado o texto de uma minuta para a decretação de Estado de Sítio, a ser colocada em prática diante de supostos desmandos do Poder Judiciário.

Segundo a revista, policiais encontraram no apartamento de Heleno, na Asa Norte, em Brasília, dois documentos com o título “Chegou a hora de salvar o Brasil” e “General Heleno”. Tratam-se de anotações e relatórios baseados em informações falsas sobre urnas eletrônicas nas eleições brasileiras.

Durante a diligência na casa do general, no dia 8 de fevereiro, os policiais perceberam que Heleno, ao trocar de roupa, tirou dois volumes de dinheiro de uma gaveta e os guardou nos bolsos de sua calça. Eram R$ 1.400 em notas de R$ 100, que foram devolvidos ao militar.

Na ocasião, os investigadores apreenderam duas pistolas Imbel 9 mm e um relógio Hublot modelo Classic Fusion, que pode chegar a R$ 70.000.

Ex-comandante do Exército, General Freire Gomes confirma à PF que reuniões golpistas aconteceram

 

Do iclnoticias.com.br


General Freire Gomes não teria compactuado com plano de golpe, mas participou de encontros



O aguardado depoimento do general Marco Antônio Freire Gomes à Polícia Federal começa a trazer notícias além de sua duração de oito horas. O comandante do Exército Brasileiro no último ano de Jair Bolsonaro no poder, chamado de “cagão” em mensagens de WhatsApp do general Braga Netto por discordar da intentona golpista, confirmou à PF ter participado de reuniões onde foram discutidos termos da minuta do golpe.

A informação é da repórter Gabriela Prado, da CNN Brasil. A partir desse depoimento, segundo ela apurou com fontes na PF, devem vir novos passos na investigação sobre os planos de Bolsonaro e seu núcleo político e militar contra a democracia. 

Reservista do Exército, general respondeu a mais de 300 perguntas

O depoimento do general Freire Gomes foi tão longo que ele se despediu dos investigadores às 2h da madrugada deste sábado. Segundo o Jornal da Band, ele respondeu a mais de 300 perguntas.

A PF questionou o general sobre uma nota conjunta assinada pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, em novembro de 2022, defendendo o direito de manifestação dos acampados. O militar afirmou que a declaração foi ideia do então ministro da defesa, Paulo Sergio Nogueira, disse o Jornal da Band.

Ex-comandante do Exército em primeiro plano, à frente de Bolsonaro. Isac Nóbrega / PR

Ex-comandante do Exército em primeiro plano, à frente do almirante Garnier e do tenente-brigadeiro Almeida Baptista, ex-chefes da Marinha e da FAB. Isac Nóbrega/ PR

O ex-comandante admitiu ainda que no dia 29 de dezembro, mandou suspender a ordem do general Gustavo Henrique Dutra, então comandante militar do planalto, que determinou o desmonte do acampamento na porta do QG em Brasília. Isso, porque Bolsonaro não tinha autorizado a ação.

Freire Gomes teria confirmado o que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, disse em sua delação: que houve uma reunião, com a presença de Jair Bolsonaro, onde uma minuta considerada golpista pela PF foi apresentada aos chefes das forças. Apenas o comandante da Marinha, Almirante Garnier, teria concordado em assinar o documento.

O “não” do líder do Exército teria irritado os militares ligados a Bolsonaro — o que motivou os xingamentos do general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil de Bolsonaro, contra seu colega de armas.

Agora a expectativa é pelo novo interrogatório de Mauro Cid após a descobertas de muitos fatos novos. Os investigadores acreditam que Cid ainda tem muito a falar.