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quinta-feira, 18 de março de 2021

GGN: Quebra de sigilo aponta para ‘rachadinha’ (ou seja, corrupção) em gabinete de Jair Bolsonaro

 

Em meio a crise, a ordem no Planalto é tratar rachadinhas como assunto "de fora do governo"

Foto: Reprodução

Jornal GGN – A quebra de sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) e outras 100 pessoas investigadas no caso das ‘rachadinhas’ apontou indícios da prática de peculato e lavagem de dinheiro também no gabinete de Jair Bolsonaro (sem partido), quando ele ainda era deputado federal, e do o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). As informações são do UOL.

“O UOL teve acesso às quebras de sigilo em setembro de 2020, quando ainda não havia uma decisão judicial contestando a legalidade da determinação da Justiça fluminense, e veio, desde então, analisando meticulosamente as 607.552 operações bancárias distribuídas em 100 planilhas -uma para cada um dos suspeitos. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou o uso dos dados resultantes das quebras de sigilos no processo contra Flávio, mas o Ministério Público Federal recorreu junto ao STF (Supremo Tribunal Federal)”, revelou a reportagem. 

O caso envolvendo Jair Bolsonaro, aponta que quatro funcionários que trabalhavam no gabinete do mandatário na Câmara dos Deputados retiraram 72% de seus salários em dinheiro vivo. Eles receberam R$ 764 mil líquidos, entre salários e benefícios, e sacaram um total de R$ 551 mil  em espécie. 

O volume de saques chama atenção para a prática currupta, já que identificado pelo MP-RJ como parte do método usado durante a “rachadinha” de Flávio, na Alerj. 

O filho 02 de Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro, também teve movimentações que indicam a prática em seu gabinete. Funcionários do vereador sacaram 87% de seus salários. Juntos, eles retiraram um total de 570 mil, também em dinheiro vivo.

De acordo com a jornalista Carla Araújo, ministros e auxiliares de Jair Bolsonaro minimizaram as suspeitas sobre o esquema e avaliaram que, por se tratar de supostos crimes cometidos no passado, o ideal é deixar o assunto o mais distante do Palácio do Planalto possível.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O clã miliciano ou os “pequenos” grandes ladrões no poder (e seus ministros que os encobrem), por Benedito Tadeu César


Bolsonaro e seus filhos, que constituem um ente uno, são oportunistas que se beneficiaram da descrença na política construída pela grande mídia e, principalmente, por setores do Judiciário e do Ministério Público.


Os “pequenos” grandes ladrões

por Benedito Tadeu César, no GGN

Durante a primeira metade do ano de 2014, diversas vezes afirmei que Bolsonaro não romperia a barreira dos 18% da preferência do eleitorado e que ele poderia até retirar sua candidatura à Presidência da República, pois sem mandato legislativo sua carreira política se encerraria. Errei porque não percebi que a postura antipolítica em construção pela grande mídia e o consequente desalento já estivam tão fortes e tão disseminados na população e no eleitorado brasileiros.
Bolsonaro e seus filhos, que constituem um ente uno, são oportunistas que se beneficiaram da descrença na política construída pela grande mídia e, principalmente, por setores do Judiciário e do Ministério Público. As elites tradicionais brasileiras, agrupadas nos partidos de direita, de centro direita e de centro, na maioria das entidades de representação empresariais, em think tanks e por meio de novas formas de manifestações de rua, criaram o clima de opinião propício à emergência de um outsider que aparentasse se contrapor a “tudo isso que está aí”. Elas não conseguiram antever a dimensão do monstro que criaram e que quase as devorou, mas, frente a seu crescimento eleitoral, rapidamente se uniram a ele para implementar as medidas econômicas de seu interesse.
Da descrença e do desalento construídos emergiu uma família de pequenos ladrões do patrimônio público, inexpressiva politicamente e que sobrevivia havia décadas no baixo clero das casas legislativas nas quais exerciam mandatos, à custa do desvio do salário de suas assessorias por meio de “rachadinhas”, apoiando-se e sendo apoiada, numa relação simbiótica, pelas milícias que dominam as “comunidades” pobres das periferias do estado do Rio de Janeiro. Um apoio mútuo que envolvia (e continua envolvendo) também os remanescentes da ala mais truculenta da ditadura civil, militar e midiática de 1964/85, incluindo alguns de seus mais doentios torturadores.
Ladrões vulgares, em busca unicamente de pequenos ganhos (além das “rachadinhas”, as pescarias ilegais em área de preservação ambiental, a utilização de helicóptero da FAB para o transporte de familiares e as despesas no cartão de crédito da Presidência da República ao menos três vezes superiores à média dos dois últimos presidentes, são outros exemplos emblemáticos), tornaram-se os agentes ideais para executar o projeto das elites econômicas e políticas tradicionais brasileiras.
Ralé da política, com jeito “popular”, simples e grotesco, machista, misógina, racista, preconceituosa, ignorante e esperta, a família Bolsonaro, com seu patriarca à frente, atraiu a simpatia e canalizou a empatia das hordas de desassistidos nas periferias urbanas acolhidas pelas igrejas neopentecostais, dos setores mais arrivistas das classes médias, de amplos setores dos novos “empreendedores” e da quase totalidade do empresariado brasileiro.
Os Bolsonaro e sua trupe, à qual se agregaram integrantes de uma oficialidade militar de visão estreita (cuja concepção de soberania resume-se à defesa do território nacional e que está convencida de sua irrelevância frente aos grandes blocos armados mundiais e, por isso, perfila-se incontinente aos EUA) vieram para ficar no poder – este é seu único e grande objetivo. Servem aos interesses de uma elite cujo único projeto, salvo poucas e honrosas exceções, são os ganhos imediatos, sem projeto de Nação e sem projeto de desenvolvimento de médio e longo prazos.
Adepta da rapinagem, é uma elite também ela formada por “pequenos ladrões”, ávidos por se apropriarem dos “pequenos” ganhos que o capitalismo periférico lhes propicia. Convencidas de sua incapacidade de disputar espaço internacional e acomodadas confortavelmente na posição que historicamente se auto atribuíram de fornecedoras de commodities para os grandes centros de desenvolvimento tecnológico, aos quais elas nunca almejaram se equiparar, as elites brasileiras encontraram em Bolsonaro, Mourão e seu time os escudos necessários para a execução de suas políticas e a manutenção de seus objetivos.
São todos “pequenos ladrões”: bolsonaros, seus agregados e elites nativas tradicionais. Pequenos não nos seus ganhos imorais, no volume daquilo de que se apropriam ou nos prejuízos que provocam. São pequenos como o são os medíocres e os mesquinhos. Pequenos nos seus objetivos e em suas aspirações frente ao mundo e à competição internacional. Pequenos na posição a que se acomodam e à qual submetem o país e sua gente em relação ao mundo e ao desenvolvimento.
Vieram para destruir, como eles mesmos declaram. Seu objetivo é a destruição de qualquer resquício de soberania e de desenvolvimento social e econômico nacional. Por isso o desmonte das políticas sociais, dos direitos e das instituições públicas, das garantias constitucionais, das universidades, da investigação científica, das artes, da cultura e da educação, das indústrias (notadamente as com maior agregação e desenvolvimento de tecnologia, como a Petrobras, a Eletrobrás, a Embraer, a indústria naval e as grandes construtoras). Para que desenvolver conhecimento, que promove ganhos de produtividade e aumentos salariais (além de maior competitividade), se para obter seus “pequenos” ganhos no cenário internacional basta manter a mão de obra inculta e abundante, o desemprego alto e os salários baixos?
Nossas elites tradicionais têm vocação subalterna. A elas bastam seus “pequenos” grandes ganhos. Pouco lhes importam o país e sua gente. Pouco lhes importa o futuro coletivo. Bastam-lhes os ganhos imediatos. Temos uma elite extrativista, que promove e mantém há séculos algo que se pode definir como um tipo de colonialismo interno. Somos uma nação historicamente colonizada e espoliada por sua própria elite. Uma nação mantida conscientemente “subdesenvolvida” e “atrasada”, porque essa condição é suficiente para que nossas elites obtenham os ganhos imediatos que lhes asseguram riqueza e bem-estar.
Sempre exportamos muitas das commodities mais valiosas do comércio mundial: pau brasil, açúcar, ouro e diamantes, borracha, café, soja e, agora, petróleo bruto. Enquanto nossas elites se enriqueceram e continuam se enriquecendo, a grande maioria do nosso povo se manteve e se mantém paupérrima. Sempre estivemos entre as nações com os maiores PIBs mundiais, mas sempre nos mantivemos entre aquelas com as maiores concentrações de riqueza no mundo – hoje somos o segundo país em desigualdade social e a miséria retomou o processo histórico de crescimento, que fora momentaneamente rompido nas duas décadas iniciais dos anos 2000.
Bonifácio de Andrade, Vargas, Jango, Lula e Dilma, lideranças que tentaram por caminhos diversos e não sem erros romper com essa tradição histórica, foram submetidos a provações semelhantes. Bonifácio, não obstante tenha sido cognominado como o Patriarca da Independência, caiu logo em desgraça por idealizar e lutar por um país desenvolvido e soberano, tendo sido perseguido e exilado pelo imperador Pedro I.
Vargas, que iniciou o salto de industrialização e a legislação social do país, foi deposto e depois induzido ao suicídio, logo após ter criado a Petrobras e o monopólio estatal do petróleo. Jango, deposto por ter ousado propor “reformas de base” que modernizariam o capitalismo nacional, promoveriam desenvolvimento, competitividade e melhor distribuição de riquezas, morreu no exílio em situação até hoje não suficientemente esclarecida.
Lula, que promoveu a saída da miséria absoluta de 28 milhões de pessoas e a ascensão social de outras 40 milhões, que iniciou um novo projeto de integração do hemisfério sul e em cujo governo o país retomou o processo de crescimento econômico interrompido desde os anos de 1980, não obstante tenha terminado seu mandato com mais de 80% de aprovação da opinião pública, foi condenado e preso por mais de um ano sob a acusação de corrupção, foi impedido de se candidatar a novo mandato presidencial e hoje ainda responde a dezenas de processos e corre risco de ser novamente preso. Dilma, mesmo que tenha governado durante o período de menor desemprego já registrado na história do Brasil e tentado, ainda que sem sucesso, a retomada do processo de industrialização do país, teve seu mandato cassado e foi alvo de chacotas da grande mídia e do empresariado que ela pretendeu incentivar e induzir ao crescimento.
Os “pequenos” grandes ladrões que nos governam há séculos e que, nas poucas e rápidas vezes em que estiveram fora do poder por terem sido derrotados nas urnas, não hesitaram em empregar métodos fundados na violência e na fraude para retomar ao mando, só poderão ser afastados do poder por um intenso e difícil esforço coletivo de articulação de amplos e diversificados segmentos sociais prejudicados com o modelo concentrador, os quais se encontram fragmentados e não organizados.
Hoje, os ovos das serpentes de um novo e ainda mais nefasto tipo de fascismo, que sequer defende as riquezas nacionais, já eclodiram. Os seus ataques, que começaram na grande imprensa e tomaram as redes sociais, as conversas e reuniões de amigos e familiares, além de se incrustarem em grande parte das instituições públicas constitucionalmente destinadas a garantir a democracia, os direitos e os deveres dos cidadãos e dos governantes, já se espalharam pelas ruas e começam a espocar em bombas e atentados.
No último ano, aumentou exponencialmente a violência contra as mulheres, os negros e os pobres, o assassinato de lideranças rurais e indígenas e o esbulho de suas terras, bem como a truculência policial e sua impunidade. Espalharam-se por diferentes estados do país as milícias formadas por policiais e marginais e seu controle sobre as áreas desassistidas da população. A valer as revelações da história universal, a escalada do terror depois de iniciada tende sempre a aumentar.
Interromper o avanço desse novo fascismo só será possível com a união das organizações da sociedade civil comprometidas com a defesa da democracia e a reconstrução nacional, sejam elas partidos políticos da esquerda, do centro e da direita não adepta da barbárie, sejam sindicatos, associações, comitês e agrupamentos de cidadãos. Para isso, precisarão se refazer internamente e se reagrupar, minimizando suas diferenças e valorizando suas semelhanças e, ainda mais importante, buscando conquistar as amplas parcelas da população ainda hoje encantadas pelos brados nazifascistas dos “pequenos” grandes ladrões que nos governam.
Terão que fazer tudo isso construindo um novo projeto de Nação, capaz de atrair e abrigar as mais amplas camadas da população e, ao mesmo tempo, despertar uma identidade nacional brasileira (não xenófoba) hoje inexistente nas nossas classes médias e altas. A “revolução” que nos cabe lutar e vencer no Brasil (e no mundo) é a da reafirmação da democracia e da sua radicalização, cujo caminho é longo e exige capacidade de mobilização, diálogo e negociação. *Cientista político, professor da UFRGS (aposentado), integrante das coordenações do Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito e do M3D – Movimento Democracia, Diálogo e Diversidade.
btcesar@gmail.com

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Sobre pretensos falsos leões e supostas hienas, ou sobre como a real hiena quer se passar por leão, por Ricardo Cappelli




  "Bolsonaro pode ser acusado de tudo, menos de incoerência. Sempre defendeu a ditadura militar. Publicamente, chegou a considerar a tortura necessária.  Deixou claro antes do pleito que representava as viúvas dos anos de chumbo. Seu desprezo pela democracia e pela Nova República não é nenhuma novidade. Sua família condecorava milicianos muito antes do Capitão subir a rampa do Planalto."

Sobre leões e hienas

por Ricardo Cappelli, no GGN

Bolsonaro pode ser acusado de tudo, menos de incoerência. Sempre defendeu a ditadura militar. Publicamente, chegou a considerar a tortura necessária. 

Deixou claro antes do pleito que representava as viúvas dos anos de chumbo. Seu desprezo pela democracia e pela Nova República não é nenhuma novidade. Sua família condecorava milicianos muito antes do Capitão subir a rampa do Planalto.

O presidente espancou a Globo nas eleições usando o apoio de Roberto Marinho ao Golpe de 64. Disse em alto e bom som que iria acabar com a Folha de São Paulo para uma Avenida Paulista eufórica.

Diante destes fatos, não é natural que seu filho considere a edição de um novo AI-5?

Mais importante que o protesto – a normalização precisa ser fustigada -, é tentar descobrir como, jogando deste jeito, o time adversário venceu a partida. O que fez o povo votar nele “com ditadura, tortura e milícia no pacote”?

Jair Messias venceu por se apresentar simbolicamente como a negação do sistema, de instituições incapazes de apresentar respostas para os problemas da Dona Maria.

Alguns profetizam – movidos pelo sempre necessário otimismo da vontade – que o isolamento crescente levará ao impeachment. Sua excelência, o povo, assiste a tudo de longe. Queda de presidente sem gente na rua seria uma tremenda novidade.

No Congresso, eventual palco da queda, a agenda de Guedes reina absoluta.
Deputados e senadores nunca tiveram tantas emendas, impositivas e “extras”. O Capitão criou o “presidencialismo de emendão”. Tirou a confusão da Esplanada e empurrou para parlamentares e prefeitos. Vem funcionado bem, apesar de ter potencial para virar o próximo escândalo nacional.

Os liberais que dirigem o Congresso demarcam com os arroubos autoritários, mas aplaudem a agenda econômica. Não há sinal de que a verborragia vai atrapalhar o andamento das reformas. Com emendas pagas e a Bolsa batendo recordes, a roda vai girando.

Se a economia não decola, também não afunda. O mais provável é que a situação do povo continue congelada. Até onde irá sua paciência? A agenda de costumes e valores será suficiente para manter uma base unida e mobilizada? Qual a capacidade da oposição de ressignificar a esperança e mobilizar a população?

Quando o bolsonarismo rouba da esquerda a bandeira do “Abaixo a Rede Globo!”, fica ainda mais difícil para o Seu João distinguir quem luta contra o sistema.

Num país que, segundo o IBGE, caminha para se tornar uma nação evangélica, como a esquerda pretende se reconectar com o povo? A defesa do passado recente é suficiente? Que posição assumir na disputa simbólica entre o novo e o velho, entre o passado e o futuro?

No debate sobre o Estado, que reformas sistêmicas a oposição propõe? A luta de resistência na defesa deste sistema é o melhor caminho?


Na política, muitas vezes a dificuldade está em aceitar a realidade e fazer as perguntas corretas. As bolhas seduzem e o ego nos empurra para dentro delas.  É preciso tomar cuidado para não vestir a fantasia de Hiena imaginando estar posando de Leão.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

TV GGN: Bolsonaro é suspeito de ter manipulado provas, no caso Marielle. Por Luis Nassif, em vídeo e em artigo



Informações da Polícia Civil, de que a voz do áudio de Carluxo não era a do porteiro que atendeu o carro do assassino, aumentam suspeitas sobre manipulação de provas


Do Canal da TV GGN:




Entenda a novela da reportagem da Globo sobre o porteiro, por Luis Nassif

Os desdobramentos criam uma situação incômoda para o Ministro da Justiça Sérgio Moro e para o procurador Geral da República Augusto Aras: se não entrarem no caso, mais tarde poderão ser denunciados por prevaricação.

GGN.- Vamos tentar entender o episódio do porteiro do condomínio Vivendas da Barra, a partir da nota divulgada por Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo.
O ponto de partida – Dia 1° de outubro, quando a editoria teve acesso a uma página do livro de ocorrências do condomínio em que mora Ronnie Lessa, o acusado de matar Marielle. Ali, estava anotado que, para entrar no condomínio, o comparsa dele, Elcio Queiroz, dissera estar indo para a casa 58, residência do então deputado Jair Bolsonaro. Nada foi feito então, corretamente, aliás, porque as informações ainda eram insuficientes..
Investigações iniciais – as primeiras investigações comprovaram que o porteiro deu dois depoimentos sustentando que ligara para Bolsonaro. E apuraram também que naquele dia Bolsonaro estava em Brasilia, em sessão da Câmara. Uma investigação meticulosa teria procurado ouvir o porteiro, os colegas do porteiro e saber do sistema de interfones do condomínio, que permite transferência de chamadas para celulares.
O caso no STF – segundo Kamel, uma “fonte absolutamente próxima à família” informou que o caso estava no Supremo Tribunal Federal (STF). “Absolutamente próxima” poderia ser Gustavo Bebiano, o homem do PSL, que era tão próximo a ponto de ter sido advogado de Bolsonaro, mas que havia rompido com ele. Mas poderia ser alguém do STF. De qualquer modo, tinha suficiente credibilidade junto a Kamel. Há uma observação importante de Kamel: “É importante frisar que nenhuma de nossas fontes vislumbrava a hipótese de o telefonema não ter sido dado para a casa 58. A dúvida era somente sobre quem atendeu e só seria solucionada após a decisão do STF e depois de uma perícia longa e demorada em um arquivo com mais de um ano de registros”.
A armação – aí ocorreu a jogada. A Globo informa os Bolsonaro da matéria, para ouvir sua versão. Segundo a nota de Kamel, advogado escondeu o fato de que havia gravações supostamente desmentindo o porteiro. Sai a matéria e a reação dos Bolsonaro é fulminante. De madrugada, o ataque de Jair; de manhã, o vídeo de Carlos Bolsonaro. No dia seguinte, a falsa perícia providenciada pelas promotoras do GAECO (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado), quase colocando a perder as investigações.
É evidente que Carluxo já estava preparado para o contra-ataque, manipulando um sistema de gravação que ficou meses à disposição dos suspeitos, devido à pouca vontade das promotoras do GAECO de requisitá-lo como prova.
Aí, o delegado da Polícia Civil,  que Bolsonaro chamou de “amiguinho de Witzel”, deu o troco. Pegou o vídeo de Carluxo, deve ter submetido a uma perícia mais honesta que a do GAECO e constatou que a voz do porteiro não era a mesma do porteiro original, que autorizou a entrada do motorista do crime no condomínio. Com isso, salvou a Globo.
O próximo passo será periciar o sistema de telefonia do condomínio, e constatar que permite transferência de ligações para celulares. E encontrar o arquivo que comprovaria a ligação para o celular de Jair Bolsonaro.
Os desdobramentos criam uma situação incômoda para o Ministro da Justiça Sérgio Moro e para o procurador Geral da República Augusto Aras: se não entrarem no caso, mais tarde poderão ser denunciados por prevaricação.

sábado, 20 de abril de 2019

GGN: Completando o Xadrez da confraria fascista-miliciana dos cultivadores de assassinatos e do Xadrez da entrega do Brasil ao crime organizado



As milícias passaram a controlar tanto quem se candidata a cargo eletivo, como os eleitores que votam nestes candidatos.

Do GGN:


Completando o Xadrez da confraria dos cultivadores de assassinatos e do Xadrez da entrega do Brasil ao crime organizado

Contribuição enviada ao GGN
Os governos do Rio de janeiro aprofundaram tanto as práticas de diminuir a influência do Estado como ator econômico e social, que deram vazão ao surgimento de outro tipo de agente para ocupar o seu lugar. Tirando proveito das falhas operacionais, do volume e lentidão da burocracia defasada, se abriu espaço, seja pela corrupção ou pelas relações permissivas de poder, ao que durante muito tempo ficou conhecido como “Estado paralelo’.
Hoje, o estado do Rio faliu sua capacidade de induzir prosperidade econômica e social à sociedade e o “estado paralelo” se tornou o Estado de fato, como afirma o professor José Claudio Souza Alves[1] ao Apublica. Este fato acontece, sobretudo, no que se refere às principais atividades desempenhadas pelo poder público, como é o caso da segurança.
O Rio, sobretudo a cidade, é a caixa de ressonância do país. A continuidade de redução dos investimentos do Estado em segurança tende a repetir o que ocorreu nesta cidade nos demais entes federativos.
A degradação da qualidade de vida e das condições de trabalho de policiais e bombeiros provocou a necessidade deste grupo vender sua força de trabalho e seu conhecimento técnico ao setor privado. Desta forma, foram se proliferando grupos de segurança privados e paramilitares ilegais que invariavelmente são organizados ou possuem relações muito próximas políticos, como relata a reportagem de Breno Costa, Reinaldo Chaves, Hyury Potter do intercept[2]
Assim, a população, sobretudo a mais pobre, se tornou vulnerável e dependente do fornecimento de serviços irregulares destes grupos. Luz, gás e telecomunicações não podem ser garantidas pelo Estado, mas que por serem de regiões de risco, muitas empresas privadas não podem atuar.
Aos poucos, o que era aparentemente uma troca comercial, passou a ser realizado através de coação. E o nível de organização destes grupos evoluiu. Hoje, moradores da praça seca, no Rio de janeiro, relatam, por exemplo a cobrança das taxas de segurança através de boleto bancário[3].
A milícia tem origem nos grupos de extermínio da época da ditadura militar, lembra o professor José Claudio e a violência da época passou a ganhar apoio da classe média e da classe política de maneira velada. Atualmente, através das milícias, esses atos foram reavivados e receberam apoio de autoridades, como foi o caso do ex-prefeito Eduardo Paes e do atual presidente Jair Bolsonaro, por supostamente ajudar a força policial oficial a acabar com a criminalidade[4].
Como atesta o jornal Nexo[5], existem diferentes grupos de milícias no Rio de Janeiro e no país. Estes grupos são geralmente compostos por membros das forças armadas e policiais que abrem um espaço de poder e canais de influência e impunidade. Desta forma, seja pela coação de moradores, seja pelo fornecimento irregular de serviços, como televisão a cabo, gás, luz (em alguns casos já ocorrem registro de tráfico de drogas e armas) eles financiam a disputa pelo controle de comunidade contra o tráfico.
Fato é que as imbricações da milícia com o Estado são multifacetadas. Existem relações com a classe política, com o sistema de persecução judicial, fiscalizatório (com braços em diferentes setores desde sanitário ao de engenharia civil e imobiliário) e eleitoral. Há referência farta disto no relatório da CPI das milícias presidida pelo então deputado estadual Marcelo Freixo, PSOL.
Freixo, ameaçado sequencialmente de morte, anda escoltado desde então.
Da face politica
A ALERJ, hoje, abriga uma gama de políticos eleitos por causa da ação de milicianos, como retrata a matéria do el país[6]. A milícia cumpre o papel de angariar votos, seja pela coação ou pelo convencimento da população em votar no político X, mas também são responsáveis pela arrecadação financeira que são “doadas’ aos candidatos. Esses pactos não são feitos de maneira gratuita: os políticos eleitos devem favores aos grupos de milicianos e passam a trabalhar de maneira extraoficial para eles. Seja legislando de forma a facilitar a ação desses grupos[7], seja empregando familiares e amigos em seus gabinetes.
Um caso suspeito é o de Flavio Bolsonaro, atualmente senador da república. O então deputado estadual empregou familiares (Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega) do ex- capitão Adriano Magalhães da Nobrega, chefe do escritório do crime, milícia acusada de ter realizado a execução da vereadora Marielle Franco, correligionária de Freixo e sua suposta sucessora política, sendo ele, Adriano, suspeito do crime.
Cabe ressaltar que a milícia costuma assassinar políticos que “atrapalham’ suas ambições de poder. Seja para ajudar a campanha de algum político adversário do alvo, seja para inibir a atuação de políticos com perfil que não se alinham aos interesses dos grupos[8]. As milícias passaram a controlar tanto quem se candidata a cargo eletivo, como os eleitores que votam nestes candidatos.
O grupo miliciano, supostamente chefiado por Adriano e por Ronald Paulo Alves, também suspeito de atuar na morte da vereadora supracitada, tem atuação na Região do Rio das Pedras e do Muzema. A comunidade do Muzema recentemente enfrentou uma tragédia com cerca de 20 fatalidades por causa de uma construção imobiliária que teria sido realizada pelo grupo, de acordo com matéria divulgada pelo G1 [9]
Em nota à imprensa, Flavio Bolsonaro afirmou que a funcionária contratada em seu gabinete e parente de Adriano, foi indicação de seu assessor político, Fabricio Queiroz. Este, por sua vez, segundo relatório do COAF, procedeu com movimentações suspeitas nos valores de 1,2 milhões de reais entre janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017, valores incompatíveis com salário de assessor parlamentar. Este relatório faz parte da operação “os intocáveis’ que prendeu deputados estaduais do rio de janeiro e o documento traz informações sobre movimentações financeiras suspeitas de assessores dos deputados, inclusive de Flavio Bolsonaro.
Ainda no que diz respeito às movimentações de Queiroz apontadas no relatório, uma das destinatárias foi Raimunda Veras Magalhães, mulher de Adriano, suspeito de chefiar o “escritório do crime” de atuação no empreendimento imobiliário irregular que desabou no Muzema e também da execução de Marielle Franco. A outra destinatária seria Michele Bolsonaro, atual primeira dama da república.
De acordo com o site “ o antagonista”, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o destinatário final dos depósitos feitos por Queiroz a sua esposa era ele, e que foram frutos de um empréstimo que teria feito ao ex – assessor de seu filho Flavio[10] e seu amigo pessoal.
Cabe observar que não apenas Queiroz era assessor de Flávio, mas sua mulher, Márcia Oliveira de Aguiar, e duas filhas, Nathália e Evelyn Melo de Queiroz, também eram empregadas no gabinete do então deputado estadual[11] durante o período de análise do relatório do COAF.
Ainda segundo a folha de SP[12], Flavio teria realizado 19 operações envolvendo imóveis durante seu mandato na ALERJ. Mesmo ramo econômico em que os supostos envolvidos no “escritório do crime” atuam no Muzema. E mais, a evolução patrimonial da família Bolsonaro se multiplicou durante os anos de suas atividades políticas como sinaliza a Folha de SP[13]
Recentemente, como foi apurado pela Folha de SP[14], Carlos Bolsonaro, também filho do presidente e irmão de Flavio, empregou outra pessoa ligada a Queiroz, Márcio da Silva Gerbatim, ex-marido da atual mulher de Queiroz durante 2008 e 2010. De onde saiu apenas para ser nomeado por Flavio como assessor, cargo que ocupou entre 2009 e 2011. No seu lugar, Carlos nomeou Claudionor Gerbatim de Lima, ex-assessor de Flavio.
Do espraiamento para outras atividades
Como visto no caso do “Escritório do crime”, os tipos de serviços prestados pelas milícias se expandiram. Além de extorquir moradores e comerciantes, os milicianos passaram a construir e vender casas. Eles invadem áreas, loteiam e vendem as construções, além de cobrar taxas de repasse aos que revendem o imóvel. Segundo matéria da Folha de São Paulo, o MP estadual e federal investigam denúncias de ocupações feitas em áreas de proteção ambiental na zona oeste do rio e em Duque de Caxias[15]
Com relação ao caso da milícia que atua no Rio das pedras e no Muzema, a reportagem de Sergio Ramalho, da Folha de SP[16], esclarece o grau de complexidade de atuação desse grupo. Eles utilizam laranjas que são sócios de construtoras e pagam propina para funcionários da prefeitura do Rio para conseguirem alvarás para as construções.
No que compete à atuação do judiciário em barrar esses empreendimentos, o prefeito Marcelo Crivella tem reclamado das liminares que impedem a demolição das construções irregulares [17]. Em especial no caso da Muzema, a desembargadora Marília de Castro Neves Vieira foi a responsável por impedir a prefeitura de derrubar os imóveis localizados na área em que ocorreu o desabamento. Esta mesma desembargadora se envolveu em uma polêmica no ano passado, quando por meio de suas redes sociais chamou a falecida vereadora Marielle Franco de bandida e divulgou noticia falsa de que ela seria ligada ao Comando Vermelho, facção de tráfico de drogas, e ainda  pediu o fuzilamento profilático de outro deputado do PSol, Jean Wyllys. [18]
De acordo com o professor José Cláudio, há registros da atuação da milícia no controle de quem é empregado nas obras do COMPERJ – Complexo Petroquímico em Itaboraí. As obras atraem a presença de empresas terceirizadas e ao perceberem a chegada dessas empresas, os milicianos controlam através da violência quem é empregado e passam a cobrar taxas para que as pessoas possam trabalhar nessas empresas.
Esta prática de cooptar funcionários e pegar parte dos salários destes, se assemelha bastante com o que se convencionou como “rachinha” realizados por políticos. Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro por exemplo, em petição endereçada ao MPRJ, relatou que o objetivo desta prática era ampliar a base eleitoral do político. Toda vez que um novo funcionário era empregado no gabinete sabia que teria que repassar, a ele, parte de seu salário para que fosse então repassado para pessoas que não estavam na folha de pagamento oficial.[19]
Ainda segundo o relato do sociólogo, ao saberem que o Ministério de pesca e agricultura não está mais fornecendo licença de pesca, eles abordam os pescadores em alto mar e passam a exigir valores mensais ou semanais para que eles continuem a atividade.[20]