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domingo, 10 de abril de 2016

Bilhões de dólares e uma conta chamada tucano, por Armando Rodrigues Coelho Neto


por Armando Rodrigues Coelho Neto
Aconteceu na década de 90. US$ 124 bilhões saíram do Brasil através das chamadas contas CC5. Há quem diga que, na época, nem as reservas brasileiras em moeda americana chegavam a esse total. O banco usado para a roubalheira foi o Banestado e o ralo era Foz do Iguaçu/PR, cidade onde antes durante ou depois foi trabalhar o tal “Japonês da Federal”, que nada tem a ver com a história.
Também meio antes, durante ou depois - a essa altura pouco importa, aconteceu a CPI dos Precatórios, que desaguou numa tal Operação Macuco da Polícia Federal, que entrou em cena e descobriu que pelo menos US$ 30 bilhões daquela cifra foram remessas ilegais.
Durante as investigações, a Procuradoria da República ia junto aos órgãos oficiais, perguntava uma coisa, respondiam outra. Refazia o pedido e a resposta vinha incompleta. E aí, ela radicalizou: pediu a quebra de sigilo de todas as contas CC-5 do País. Sugiro ao leitor uma visita ao Google para entender melhor essas tais contas.
A PF descobriu que o dinheiro passava por Nova Iorque (EUA), uma roubalheira que apesar de gigante, seria apenas a ponta de um iceberg. Entre os suspeitos estavam empresas financiadoras de campanha, alto empresariado em geral e membros da alta cúpula do governo brasileiro da era Fernando Henrique Cardoso.
O rombo era tamanho que os promotores americanos, abismados com o volume de dinheiro que havia transitado por aquela cidade, quebraram sigilo bancário em Nova Iorque. A equipe da PF foi reconhecida e ganhou a simpatia até do enfadonho e burocrático Banco Central (EUA), além da FBI (Polícia federal americana).
O mecanismo descoberto era e é um traçado muito bem articulado, de forma que os verdadeiros nomes dos titulares não possam aparecer. Desse modo, num passe-repasse, plataformas financeiras e coisa e tal, os trabalhos para ocultação envolvem ou envolveriam até cinco camadas ocultadoras.
Com esse grau de sofisticação, investigar seria percorrer o complexo caminho inverso, mergulhar nas tais camadas, até que se chegar aos verdadeiros titulares do dinheiro.
Estava tudo tão bom e tão bem protegido, que a prática consolidou-se, e como a corrupção no País é endógena, além de “lubrificar economias” (a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE que o diga!) as ratuínas foram abrindo a guarda. Com impunidade garantida, alguns grandes nomes relaxaram e apareceram por descuido.
Haja descuido! Surgiu até um óbvio - “Tucano” e um aleatório “Serra”. Tão óbvio que deixou perplexo não só o delegado que coordenava o trabalho, mas também os procuradores. Mero ato falho e primário, em tempos de abertura de guarda, de “engavetadores gerais da República. Tempos de gente honrada e das panelas silenciosas, da dita “grande mídia” calada, dos arautos da moralidade hodierna.
Há uma entrevista no Youtube com o delegado federal José Castilho Neto, coordenador da Operação Macuco. Sem fulanizar ou partidarizar, ele reclama da oportunidade aberta e perdida, naquela época, para o enfrentamento da banda podre, seja da política, seja do empresariado. O Cônsul do Brasil, que trabalhava em Nova Iorque, teria dito para as autoridades americanas que a cabeça do delegado Castilho “estava a prêmio”. Só não disse quem seria o pagador, se os protegidos ou os protetores.
Castilho foi afastado. E o leitor a essa altura deve estar se perguntando: por que esse saudosismo tanto tempo depois?
Primeiramente para lembrar que a podridão de antes não inocenta ninguém. Mas serve pra provar a hipocrisia dos que hoje posam como arautos da moralidade. Mostra o cinismo dos paneleiros e demonstra com cristalina clareza a postura golpista da dita “grande imprensa”.
Em segundo lugar, para não ter que retornar aos tempos do Brasil Colônia ou da mordaça da ditadura militar, eu simplesmente gostaria de reafirmar que esse caso escabroso, narrado lá em cima, ocorreu na era do impoluto Fernando Henrique Cardoso. Sabe qual emissora de televisão de maior audiência? TV Globo. Sabem quem era o doleiro? Alberto Youssef. Sabem quem era o juiz? Sérgio Moro.
Fonte do texto: Jornal GGN

sábado, 9 de abril de 2016

Se vencer a primária de Nova Iorque, Bernie Sanders, um socialista, será o próximo presidente dos Estados Unidos


bernie

por Carlos Eduardo, editor-assistente do Cafezinho
Bernie Sanders está com a bola cheia.
Ele simplesmente superou sua adversária, Hillary Clinton, em 71 dos 72 condados do estado de Wisconsin, nas últimas primárias do partido Democrata. Sanders foi vencedor absoluto do pleito, angariando 99% dos municípios. E no único condado em que perdeu para Hillary, a margem de diferença foi de apenas 3,7%.
Sua vitória esmagadora e incontestável foi uma porrada e tanto nos críticos e analistas da grande imprensa, que desde o início da corrida eleitoral vinham afirmando dia sim, e outro também, que um autodeclarado ‘socialista democrático’, senador independente de longa data pelo estado de Vermont, pouco conhecido pelo público e sem apoio do próprio diretório nacional de seu partido, jamais teria chances de disputar pra valer a presidência dos Estados Unidos da América.
E ainda por cima contra a herdeira de um dos clãs políticos mais poderosos e influentes de sua geração: Hillary Clinton.

“A mídia corporativa e o establishment insistem em nos colocar fora do páreo, mas seguimos vencendo por larga maioria” – Bernie Sanders (tradução livre)
Desde o fim do mandato de seu ex-marido, Hillary Clinton é apresentada pela grande imprensa como uma pessoa destinada a ser presidente dos Estados Unidos.
Mas faltou combinar com os russos.
Uma das características mais interessantes desta campanha presidencial, diferente até da primeira eleição de Obama em 2008, é de que ela expôs pela primeira vez a indignação de uma imensa maioria do eleitorado norte-americano com o status quo e o establishmentpolítico.
Não é à toa que em ambos os partidos, Republicano e Democrata, vemos os chamadosoutsiders, ou, candidatos de ‘fora da política’, como Donald Trump e Bernie Sanders, conquistando um número expressivo de votos e levando multidões aos seus comícios.
Uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac, em Massachusetts, divulgada no dia da primária de Wisconsin, revelou que praticamente dois terços do eleitorado norte-americano — 64% dos entrevistados — desejam uma ‘mudança radical’ na maneira como funciona o sistema político. 57% ainda afirmam que a ‘América perdeu a sua identidade’ e que não veem mais o país como a terra das oportunidades iguais para todos.
Se por um lado Donald Trump e Bernie Sanders representam esse desejo por mudança, por outro Hillary Clinton é considerada pela opinião pública — segundo as mesmas pesquisas — como a candidata que mais representa o establishment e status quo.
Há pouco tempo, um meme apresentando Hillary Clinton como a ‘candidata dos bancos e das grandes corporações’ e Bernie Sanders como o ‘candidato do povo’, fez um burburinho danado nos Estados Unidos – a ponto da assessoria de Hillary Clinton vir à público responder que as informações contidas no meme eram errôneas.
Apesar das negativas por parte da campanha de Clinton, a agência de fact-checking,Politifact, constatou que os dados de arrecadação estavam corretos.
O erro apontado pela campanha de Clinton estava no fato de que os números não se referem à campanha de 2016, mas os dados do meme nada mais são do que a soma de todo o dinheiro já arrecadado por Hillary Clinton e Bernie Sanders ao longo de suas carreiras políticas e a fonte da informação é a ONG OpenSecrets.org – que possui um database do histórico de financiamento de campanha de centenas de políticos norte-americanos.
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Meme que circulou no Facebook mostra os dez maiores doadores de campanha de Hillary Clinton e Bernie Sanders, desde o início de suas carreiras na política
Se até memes são motivos de preocupação para o gabinete de Hillary Clinton, sinal de que as coisas não vão bem.
Mas tamanha aflição tem um motivo histórico.
Segundo o tabu das últimas campanhas eleitorais, a derrota de Clinton em Wisconsin pode realmente representar o fim de sua campanha.
Isto porque desde 1968, quando foi adotado o sistema moderno de campanha que conhecemos, com as primárias iniciando um ano antes do pleito e a eleição sendo realizada um ano depois, entre os vencedores dos dois partidos, Republicano e Democrata, Wisconsin só errou o candidato a presidente uma única vez, em 1984 – como mostra um repórter do Washington Post.
É claro que tabu não quer dizer lá grande coisa, mas como jornalista da área de política e admirador dos institutos de pesquisa norte-americanos – infinitamente melhores que os institutos brasileiros, aliás – considero este um dado importante.
Comendo pelas beiradas, Bernie Sanders foi aos poucos fechando o cerco pra cima de Hillary Clinton. Tanto que agora os números estão ao seu favor e nenhum analista político sério pode mais negar isso.
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‘Wisconsin simplesmente elegeu Bernie Sanders como presidente’, afirma colunista do The Huffington Post
Após a vitória de Sanders em Wisconsin, um dos articulistas do HuffPost chegou a escrever artigo intitulado: ‘Wisconsin simplesmente elegeu Bernie Sanders como presidente’.
Honestamente, acho a análise exagerada e inclusive precipitada.
Mas uma coisa é certa.
Se vencer as primárias de New York no dia 19 de abril, Bernie Sanders já pode se considerar como o próximo presidente dos Estados Unidos da América.
E não sou eu quem está afirmando isso. É o New York Times.

Segundo o NY Times, Sanders já possui 45% dos delegados restantes e se vencer em New York é dado como certo que será nomeado como candidato pelo partido Democrata.
O agregador de notícias, RealClearPolitics, reconhecido por fazer as melhores médias de pesquisas nos Estados Unidos, mostra que em todas as simulações entre Trump vs. Sanders, Bernie leva a presidência por uma margem superior a oito pontos de diferença.
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O quadro abaixo mostra a evolução de votos entre os candidatos Donald Trump e Bernie Sanders. É possível ver que desde março há uma queda brusca de Trump nas pesquisas e uma alta expressiva de Sanders, ao ponto deste abrir uma diferença de 16 pontos frente ao rival — 53,4% vs. 37,4%
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Portanto, não há nenhum exagero em afirmar: se Bernie Sanders vencer as primárias de New York, teremos um socialista como presidente dos Estados Unidos da América.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Saiu até na Folha: Alstom vai pagar R$ 60 mi para se livrar de processo sobre propina aos tucanos


Em um acordo fechado na Justiça, a Alstom aceitou pagar uma indenização de cerca de R$ 60 milhões para se livrar de um processo em que é acusada de pagar propina para conquistar um contrato de fornecimento de duas subestações de energia, em 1998, para uma empresa do governo de São Paulo, na gestão do tucano Mário Covas.

O acordo não contempla os processos sobre o Metrô, a CPTM e as acusações de que a multinacional francesa fez parte de um cartel que agia em licitações de compra de trens. Em todos esses casos, há suspeitas de que integrantes do PSDB tenham sido beneficiados por suborno.

No acordo, a empresa não reconhece culpa no processo instaurado em 2008. Nas primeiras negociações, promotores haviam pedido R$ 80 milhões, mas a Alstom refutou.

O valor da indenização foi calculado a partir do suborno pago pela Alstom, que correspondeu a 17% do valor do contrato, segundo documento interno da própria multinacional, revelado pela Folha em janeiro de 2014.

Os promotores trabalhavam com a informação de que a propina havia sido de 15%.

Também entrou no cálculo da indenização uma espécie de multa de 10%, para cobrir o que a lei chama de danos morais coletivos.

Como o valor do contrato foi de cerca de R$ 317 milhões, em valores atualizados, a Alstom pagará cerca de R$ 55 milhões pelo suborno e perto de R$ 5 milhões a título de danos morais.

Continua como réu na ação o mais importante auxiliar de Mário Covas à época, Robson Marinho, um dos fundadores do PSDB. Chefe da Casa Civil de Covas entre 1995 e 1997, as iniciais do seu nome (RM) foram citadas em documento interno da Alstom, escrito em francês, sobre a distribuição da propina.

Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, ele foi afastado do cargo em agosto de 2014 por decisão judicial. Marinho é acusado de ter recebido US$ 2,7 milhões da Alstom em contas secretas na Suíça entre 1998 e 2005, o que ele nega enfaticamente.

O documento francês que menciona as iniciais de Marinho cita também a SE, que seria a Secretaria de Energia, segundo executivos da Alstom. À época do contrato, a secretaria era dirigida por Andrea Matarazzo. Ele, porém, nunca foi réu no processo.

Dinheiro bloqueado

Um dos motivos que levaram a Alstom a fechar o acordo foi a decisão judicial de fevereiro deste ano, que bloqueou R$ 282 milhões dos réus, dos quais R$ 141 milhões eram da multinacional. Com o acordo, a Alstom poderá receberá de volta o montante.

O acerto foi fechado na última sexta-feira (18), diante da juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi. Aturaram no acordo os promotores José Carlos Blat, Silvio Marques e Valter Santin.

O acordo só deve ser homologado em fevereiro porque a Procuradoria Geral do Estado precisa aprovar os termos do pacto selado.

A suspeita de que a Alstom pagou propina em contrato com uma empresa do governo paulista, a EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia), foi revelada em 2008 pelo jornal americano "Wall Street Journal".

Outro lado

A Alstom não quis comentar o acordo acertado por advogados contratados pela empresa, em processo em que a multinacional é ré, sob a alegação de que vendeu a sua divisão de energia para a GE e esta deveria se manifestar.

Procurada, a GE não quis se pronunciar sobre o acordo.

Em outras ocasiões, a Alstom afirmou que vem colaborando com as investigações feitas em São Paulo e que adota elevados padrões de conduta ética em seus negócios.

Para entender o caso Alstom

2008

Autoridades suíças descobrem que a Alstom pagou propina para obter contratos com estatais paulistas. Esquema envolveu suborno de R$ 23,3 milhões, em valores atualizados, para obter contrato de R$ 181,3 milhões para fornecer equipamentos para três subestações elétricas da Eletropaulo e EPTE

2014

Robson Marinho, conselheiro do TCE-SP, que estaria envolvido no esquema, é afastado por ordem da Justiça

2015

Em fevereiro, Justiça decide bloquear R$ 282 milhões da Alstom e de Marinho

Agora

Alstom fecha acordo com a Justiça e pagará R$ 60 milhões. Justiça havia bloqueado R$ 140 milhões da empresa.