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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Blog da Cidadania: Bolsonaro une O PLANETA contra si




  Em 2 dias, os 7 países mais ricos do mundo realizarão uma reunião de cúpula para discutir o que fazer com a ameaça Bolsonaro. O consenso no Brasil e no exterior é a de que ele está descontrolado. Enquanto a Amazônia arde em chamas, ele parece se divertir com o desastre.




Em 2 dias, os 7 países mais ricos do mundo realizarão uma reunião de cúpula para discutir o que fazer com a ameaça Bolsonaro. O consenso no Brasil e no exterior é o de que ele está descontrolado. Enquanto a Amazônia arde em chamas, ele parece se divertir com o desastre.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta quinta-feira (22/08) estar “muito preocupado” com os incêndios na floresta Amazônica: “Estou muito preocupado com os incêndios na floresta Amazônica. No meio de uma crise climática global, não podemos aguentar mais danos a uma fonte importante de oxigênio e biodiversidade. A Amazônia deve ser protegida“, escreveu

A fumaça dos incêndios florestais que afetam a Amazônia há mais de duas semanas chegou a algumas províncias do Peru, segundo o Centro de Operações de Emergência Regional (COER) do departamento de Madre de Dios
Não há um único grande jornal do Brasil ou do exterior que não relate alarme com o desastre ambiental gerado pelos incentivos retóricos de Bolsonaro ao desmatamento e às queimadas, enquanto inventa culpados pelos resultados causados pelo que sai de sua boca.
As reações ao surto bolsonarista já começaram.
O MPF abriu inquéritos para investigar aumento de desmatamento e queimadas na Amazônia. Os processos investigam a redução das fiscalizações ambientais na região
O Tribunal Penal Internacional pode responsabilizar o líder brasileiro por crimes contra a humanidade pelo desastre que ele causou na Amazônia com seu incentivo verborrágico ao desmatamento e às queimadas e com a suspensão da fiscalização que ele determinou no começo do ano.
Pesquisa Ipsos mostra Bolsonaro como 3º líder mais mal avaliado da América Latina. O Presidente brasileiro só aparece à frente de Maduro, da Venezuela, e de Díaz-Canel, de Cuba
No Brasil, a popularidade de Bolsonaro está derretendo. No maior Estado do Nordeste, a Bahia, nos últimos dias ele
A pior de todas as notícias, porém, é a de que, nos próximos dias, o G7, grupo dos sete países mais ricos e industrializados do mundo, vão se reunir para discutir a ameaça Bolsonaro e o que fazer para impedi-lo de destruir a Amazônia. O anúncio foi feito pelo presidente da França, Enmanuel Macron.
O G7, grupo dos 7 países mais ricos do mundo, é formado por Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Japão. À exceção do presidente dos Estados Unidos, todos os outros líderes querem ver Bolsonaro pelas costas. Ele insultou até o Japão.
Confira  a matéria em vídeo



terça-feira, 6 de agosto de 2019

Os números do desmatamento são reais apesar da negação de Bolsonaro



Bolsonaro alega estar “surpreso” com o grande aumento demonstrado pelos números recentes e alega que a constatação do INPE é inconsistente com os resultados dos primeiros meses de 2019

Resultado de imagem para desmatamento na amazonia

da Amazônia Real 

Os números do desmatamento são reais apesar da negação do presidente Bolsonaro

por  
O desmatamento na Amazônia brasileira em junho de 2019 foi 88% maior do que no mesmo mês de 2018 [1], e o desmatamento na primeira quinzena de julho foi 68% superior ao de todo o mês de julho de 2018 [2]. Não há razão para questionar os atuais números de desmatamento do programa DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) [3]. O presidente Bolsonaro atacou repetidamente o INPE, especialmente desde 19 de julho, quando declarou em um café da manhã com jornalistas: “A questão do Inpe, eu tenho a convicção que os dados são mentirosos” [4].

O Presidente Bolsonaro alega estar “surpreso” com o grande aumento demonstrado pelos números recentes e alega que a constatação do INPE é inconsistente com os resultados dos primeiros meses de 2019 [5]. No entanto, as diferenças são facilmente explicadas e não invalidam os números que o presidente questiona.

Em três dos primeiros quatro meses de 2019, as taxas de desmatamento foram menores do que em 2018 [6], mas esses meses estão na estação chuvosa da Amazônia, quando praticamente não ocorre desmatamento, o que os torna essencialmente irrelevantes para o total anual. Ampla variação ano-a-ano nesses meses é normal, já que a variação em fatores como a cobertura de nuvens (que é sempre grande durante a estação chuvosa) podem influenciar bastante os resultados. Junho, por outro lado, é o primeiro mês inteiro da estação seca no governo do Presidente Bolsonaro, e o grande aumento do desmatamento é real e é importante.
O resultado de maio foi um aumento de mais de 30%, proporcionando um alerta para junho. Em vez de ser uma “surpresa” como afirma o Presidente, o resultado de junho confirma as muitas descrições pontuais do comportamento do desmatamento no solo [7], incluindo numerosas invasões de reservas indígenas [8] por madeireiros [9] e garimpeiros [10], e se encaixa com a expectativa de que o clima de impunidade que a retórica do governo promoveu levaria a crimes ambientais [11].

 
Ipiranga do Norte, MT- Gado em fragmentos floresta e áreas desmatadas com plantação de soja na Amazônia. (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)
Os resultados do sistema DETER têm sido uma parte importante do sistema de controle de desmatamento no Brasil nos últimos anos, porque fornecem os locais de atividade de desmatamento em tempo real, para que as autoridades ambientais poderam aplicar multas e parar o desmatamento [12]. No entanto, no atual governo, a fiscalização e emissão de multas foram quase completamente paradas [13], e, quando pegos, os desmatadores são, no máximo, simplesmente informados sobre os regulamentos que estão violando [14]. Embora os resultados do DETER sejam uma ferramenta importante para proteger a floresta, eles não terão esse efeito a menos que o governo altere suas políticas sobre o meio ambiente.

O grande salto no desmatamento pode ser atribuído tanto à retórica quanto às medidas reais do governo Bolsonaro. Outros fatores que poderiam fornecer explicações alternativas não mudaram muito, como a (baixa) atividade econômica geral do Brasil, os preços da soja e da carne bovina e a taxa de câmbio da moeda brasileira em relação ao dólar dos EUA.


As perspectivas para o restante do mandato de quatro anos do Presidente Bolsonaro são sombrias, já que o governo presidencial desmantelou em apenas seis meses as agências ambientais brasileiras, o programa de controle do desmatamento e o sistema de licenciamento ambiental [15]. Um artigo publicado na revista científica Environmental Conservation em 24 de julho fornece extensa documentação sobre esses revezes [11].
O surto de desmatamento é ruim para a imagem do Presidente Bolsonaro, que tem um longo histórico de contestar qualquer resultado científico que considere inconveniente [16]. A negação do aquecimento global antropogênico por Bolsonaro é o exemplo mais conhecido [17] e, como no caso do presidente americano Trump, essa negação é uma afronta a toda ciência, não apenas àqueles que estudam as mudanças climáticas. Similarmente, o atual ataque do Presidente Bolsonaro ao INPE por relatar números inconvenientes sobre desmatamento é um ataque a todas as instituições científicas brasileiras.[18]
Notas
[1] INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 2019. Alertas do DETER na Amazônia em junho somam 2.072,03 km². INPE, São José dos Campos, SP,


[2] Brant, D. 2019. Bolsonaro critica diretor do Inpe por dados sobre desmatamento que ‘prejudicam’ nome do BrasilFolha de São Paulo, 19 de julho de 2019.

[3] Diniz, C.G., A.A.D.A. Souza, D.C. Santos, M.C. Dias, N.C. da Luz, D.R.V. de Moraes, J.S.A. Maia, A.R. Gomes, I.D.S. Narvaes, D.M. Valeriano, L.E. Maurano & M. Adami. 2015. DETER-B: The new Amazon near real-time deforestation detection systemIEEE Journal of Selected Topics in Applied Earth Observations and Remote Sensing 8(7):3619–3628.

[4] Girardi, G. 2019. Bolsonaro acusa Inpe de divulgar dados mentirosos sobre desmatamentoO Estado de São Paulo, 19 de julho de 2019.
 
[5] Girardi, G. 2019. Bolsonaro quer acesso prévio a dados sobre desmatamento para ‘não ser pego de calças curtas’O Estado de São Paulo, 22 de julho de 2019.

[6] INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 2019. DETER.

[7] Branford, S. & M. Torres. 2019. Brazil sees growing wave of anti-indigenous threats, reserve invasionsMongabay, 19 de fevereiro de 2019,


[8] Phillips, D. 2019. Amazon gold miners invade indigenous village in Brazil after its leader is killedThe Guardian, 28 de julho de 2019.

[9] Faleiros, G. 2019. Invaded Uru-eu-wau-wau indigenous reserve awaits relief by Brazil’s new governmentMongabay, 14 de fevereiro de 2019.

[10] Branford, S. 2019. Yanomami Amazon reserve invaded by 20,000 miners; Bolsonaro fails to actMongabay, 12 de julho de 2019.

[11] Ferrante, L. & P.M. Fearnside. 2019. Brazil’s new president and “ruralists” threaten Amazonia’s environment, traditional peoples and the global climateEnvironmental Conservation,

[12] Branford, S. & T. Borges. 2019. Brazil guts environmental agencies, clears way for unchecked deforestationMongabay, 10 de junho de 2019.

[13] Assunção, J., C. Gandour & R. Rocha. 2013. DETERing deforestation in the Amazon: Environmental monitoring and law enforcement. Climate Policy Initiative, Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas, Pontifica Universidade Católica (PUC). Rio de Janeiro, RJ. 36 p.

[14] OC (Observatório do Clima). 2019. Sob Bolsonaro, autuações do Ibama são as menores em uma décadaOEco, 23 de maio de 2019.

[15] Branford, S. & T. Borges. 2019. Dismantling of Brazilian environmental protections gains paceMongabay, 08 de maio de 2019.

[16] Fearnside, P.M. 2018. “Apocalipse Agora” para a Amazônia: Promessas devastadoras do presidente-eleitoAmazônia Real 13 de novembro de 2018.

[17] Fearnside, P.M. 2019. Bolsonaro e o Acordo de Paris. Série. Amazônia Real.

[18] Este texto é traduzido de um comentário publicado em Inglês no site de MongabayBrazilian Amazon deforestation surge is real despite Bolsonaro’s DenialMongabay, 29 de julho de 2019.

*Philip Martin Fearnside é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e também coordena o INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) dos Serviços Ambientais da Amazônia. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 500 publicações científicas e mais de 200 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis aqui.


FonteAmazônia Real

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Me diga Vale privatizada (que, enquanto era estatal, de 1942 a 1997 nunca matou ninguém), quanto vale a vida de alguém?


 "A empresa (privatizada por FCH em 1997), tem a sistemática prática de achar que o dinheiro sujo de sangue compra tudo. Enquanto o presidente da Vale recebe um salário de 1.587.280 reais por mês, ou seja, mais de um milhão e meio, a empresa tem a crueldade de tentar quantificar os impactos com base no seu interesse de lucratividade, e ainda falar em "doação"."

do MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens


Ao propor a “doação” no valor de R$ 100 mil aos familiares das vítimas do massacre em Brumadinho, a mineradora Vale atua na tentativa de precificar vidas. A empresa, tem a sistemática prática de achar que o dinheiro sujo de sangue compra tudo. Enquanto o presidente da Vale recebe um salário de 1.587.280 reais por mês, ou seja, mais de um milhão e meio, a empresa tem a crueldade de tentar quantificar os impactos com base no seu interesse de lucratividade, e ainda falar em "doação". 
A Vale não está fazendo nenhum favor ao destinar recursos para atender as vítimas. É uma obrigação e um direito das famílias. Iniciativas como esta revelam as práticas criminosas com que a empresa tem sido acostumada a agir, muitas vezes protegidas por representantes do Estado, tal é o caso de Mariana, onde tentou e ainda tenta controlar todas as iniciativas de reparação no entuito de gastar menos e manter seus lucros, mesmo em cima das vítimas da tragédia.
O judiciário também tem sua parcela de responsabilidade. O fato de deixar em liberdade os diretores e os acionistas da Vale responsáveis pelo acontecimento é uma clara autorização para que a empresa siga determinando o que deva ser feito. A impunidade no crime da Vale em Mariana, já começa se repetir no caso de Brumadinho.
Porém, o MAB defende que as famílias dos mortos e desaparecidos recebam sim os R$100 mil reais como medida de reorganização emergencial de suas vidas, isso é um direito das famílias e deve ser garantido. Mas não é isso que resolverá a perda e a dor das famílias, nem resolverá a imagem da Vale suja de sangue, muito menos garantirá uma reparação justa e plena às famílias atingidas. Ao mesmo tempo, estamos atentos para que isto não seja abatido das indenizações e sobretudo das ações de reparação e reconstrução da vida das famílias e comunidades atingidas.
Sabemos que o modelo de privatização se apropria de toda matéria e coloca o  lucro acima de tudo. Mas vidas não se compram.
O MAB está na região de Brumadinho (MG) desde o rompimento da Barragem Mina Córrego de Feijão acompanhando e ajudando as famílias atingidas na luta em defesa da vida e pelos seus direitos.


domingo, 27 de janeiro de 2019

Janio de Freitas: Brumadinho e Bolsonaro, tragédias permitidas por falta de fiscalizações rigorosas do Judiciário e Forças Armadas


  "Sentenças rigorosas, e em tempo admissível, para os culpados pela tragédia em Mariana levariam os administradores de barragens a fiscalizações sérias e permanentes."



As tragédias permitidas

Faltaram providências para que administradoras de barragens fizessem inspeções


A par das causas físicas e empresariais, a Procuradoria-Geral da República, os Ministérios Públicos federal e de Minas e o Judiciário destacam-se entre os responsáveis pela segunda tragédia causada por ruptura de barragem.

Sentenças rigorosas, e em tempo admissível, para os culpados pela tragédia em Mariana levariam os administradores de barragens a fiscalizações sérias e permanentes.

E à prevenção devida aos habitantes, seus bens e áreas produtivas atingíveis por possível ruptura –caso óbvio de Brumadinho.

Faltaram ainda àqueles poderes providências, por exemplo, para que todas as empresas administradoras de barragens fizessem, em seguida ao desastre de Mariana, inspeções e laudos formais em prazo determinado.

Talvez evitassem em Brumadinho o desaparecimento de tantas pessoas, colhidas na ingenuidade perversa do perigo. E por certo o fariam em outras barragens também deixadas ao seu potencial ameaçador.

Já sabemos como aqueles poderes procederão outra vez.

ESTÁ NO AR

Excluído do Exército, sob ponderações no Superior Tribunal Militar que puseram em dúvida até seu equilíbrio mental, Bolsonaro ficou à distância de sua classe por muito tempo. 
Embora refletindo-a nas opiniões e, proveito também eleitoral, nas reivindicações.

A perspectiva da candidatura à Presidência mudou sua relação com o passado.

Por utilitarismo, sem dúvida, Bolsonaro empenhou-se em ser dado como capitão, representante legítimo de todas as idiossincrasias e da radicalidade conservadora, anticultural e patrioteira da caserna. O candidato identificado com as Forças Armadas.

Os comandos do Exército aceitaram o risco dessa identificação, apesar da preocupação até revelada. Os da reserva, categoria em que as pretensões de superioridade e os sectarismos podem se mostrar mais, regozijaram-se com a atitude de Bolsonaro.

O então comandante do Exército, general Villas Bôas, que se reconhecera como um dos preocupados, formalizou a aceitação do risco, aparentando dá-lo por extinto.

Em duas semanas após a posse, a preocupação voltou a muitos. Pelo avesso, porém.

Como preocupação com a possibilidade de identificação, aos olhares internos e sobretudo externos, dos militares e seus generais com Bolsonaro, suas ideias irrealistas e o círculo familiar-religioso insustentável.

Desde a terceira semana, o lento desenrolar do caso Flávio Bolsonaro e seus tentáculos até o próprio Bolsonaro tiveram a contribuição do vexame no Fórum Econômico Mundial para agravar o estado de coisas.

Se cá fora, sem comprometimento com a situação, seus possíveis desdobramentos causam inquietações, é fácil imaginar o que se passa com a maioria dos generais, inclusive como contribuintes da identificação militar com o novo e caótico poder.

Nos últimos dias, as interpretações, análises, deduções, dos mais diversos calibres, povoaram as mentes e conversas dos próximos e dos mais atentos às várias movimentações no poder e arredores.

Admitidas exceções, entre os generais do governo militarizado e Jair Bolsonaro o ar já não é o mesmo.

Apesar do esforço, a poluição é perceptível.

Ainda não se conhece poluição que não deixe (trágicas) consequências.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Desastre da Vale em Brumadinho atinge em cheio política “desambiental” de Bolsonaro. Análise de Fernando Berito




Do Tijolaço:



Escrevi, antes, sobre a exploração que tenta fazer o General Mourão da “inocência” do Governo Bolsonaro no caso do rompimento da barragem de Brumadinho.
E é verdade que o novo governo não tem nenhuma responsabilidade sobre a tragédia que se passou com o deslizamento de lama, que ainda não mostrou seus horrendos números definitivamente e talvez não venha a mostrar, até pela dificuldade de resgatar corpos soterrados a muitos metros de profundidade.
Mas há um ponto em que o deslizamento de milhões de toneladas de rejeitos de mineração atingiram – além da natureza, casas e pessoas – os projetos insanos do governo que se inicia.
Diante das primeiras evidências que  houve – com consequências ainda não esclarecidas – uma aprovação a toque de caixa da ampliação da capacidade de produção da mina – algo tão provável que, antes de todas as informações, já se aventara aqui – a intenção bolsonarista de eliminar ou transformar em mera e rápida formalidade os processos de licenciamento ambiental vai demorar muito tempo até poder colocar suas mãos acima da lama de Brumadinho.
Nem tanto porque as consciências ambiciosas, públicas ou privadas, tenham se comovido, mas porque se evidenciou, de maneira tragicamente didática, que é preciso cuidar com rigor dos inevitáveis danos e riscos ambientais e humanos de processos industriais de porte significativo.
Sobrevôos e “grupos de emergência” diante do desastre não são novidade nem representam mais do que a demonstração – tardia ou hipócrita – de minimizar o dano que antes se assumiu causar.
Na prática, porém, o efeito sobre o governo, por conta do impacto na opinião pública, aqui e lá fora, será o de frear, ao menos temporariamente, o processo de liberação da fome de lucros empresarial, que gasta alguns milhões imprimindo cadernos em papel couchet sobre sua responsabilidade social e ambiental mas não hesita em violá-la por alguns bilhões que lhes virão da exploração predatória.
Empresas privadas – ao contrário das estatais, onde o corpo técnico tem garantias e identidade – avaliam projetos minimizando riscos. Se o estado não interferir, controlando e fiscalizando (o que é muito mais difícil quando a minimização do risco não vem desde o berço dos projetos) é inevitável que tragédias se sucedam.
Neste aspecto, a lama de Brumadinho pode ter feito, ainda que frágil  temporária, uma barragem contra a exploração voraz e temerária que esta gente, ao colocar o dinheiro acima de todos e o lucro acima de tudo, pratica contra o Brasil.
Fernando Brito


"Há relação entre o acidente em Brumadinho e o surto econômico da mineração", diz biólogo sobre o segundo grave acidente de responsabilidade da Vele vendida aos gringos por FHC



Dirigente do MAM (Movimento da Soberania Popular na Mineração) afirma ao GGN que a liberação acelerada de licenças para a ampliação das atividades (e lucro) das mineradoras - movimento puxado pela alta no preço dos minérios  - tem conexão com o rompimento da barragem em Brumadinho. A mineradora Vale obteve autorização para crescer sua operação na Mina do Feijão em dezembro de 2018

Reportagem de Cíntia Alves:
Jornal GGN - O rompimento de uma barragem de responsabilidade da mineradora Vale, em Brumadinho (MG), tem relação com o processo "acelerado" de obtenção de licenças para a ampliação das atividades do setor - um movimento puxado pela alta no preço dos minérios em 2018. É o que afirma ao GGN o biólogo e dirigente estadual do MAM (Movimento da Soberania Popular na Mineração), Luiz Paulo de Siqueira, em entrevista nesta sexta (25).

Segundo o especialista, na ânsia de "aumentar o lucro" aproveitando o "surto econômico da mineração", várias empresas do ramo - entre elas, a Vale - passaram a pressionar o governo estadual, no apagar das luzes da gestão Pimentel, para obter rapidamente as autorizações necessárias para crescer as operações.
"Em um mês de ampliação do projeto da Vale, houve esse acidente com a barragem", pontuou.

Ainda sem estimativa do número de vítimas fatais, o desastre  em Brumadinho reflete, na opinião de Siqueira, como as licenças são concedidas em processos que tramitam "sem critérios" e à revelia da opinião de moradores das comunidades afetadas e de movimentos que lutam pela preservação do meio ambiente.
De acordo com Siqueira, a região da Córrego do Feijão é uma unidade de conservação ambiental importante para o manancial da região metropolitana de Belo Horizonte, e este é um dos motivos que levaram as comunidades em Brumadinho e o MAM - entre outros organismos - a acompanhar de perto os processos de licenciamento.

Em 11 de dezembro de 2018, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), órgão ligado ao governo mineiro, aprovou a ampliação de duas minas em Brumadinho e Sarzedo, a despeito da resistência dos impactados.
Em Sarzedo, a empresa Minerações Brasileiras Reunidas S.A. ampliou as atividades da Mina da Jangada e deve construir também uma estrada dentro da unidade de conservação Parque Estadual da Serra do Rola Moça.
Já em Brumadinho, a Vale conseguiu ampliar as operações da Mina do Córrego do Feijão, "também uma lavra a céu aberto de minério de ferro. Foram autorizadas, em uma mesma reunião, as Licenças Prévia, de Instalação e de Operação", reportou o Brasil de Fato, naquele mês.

Segundo a ambientalista Maria Teresa Viana, integrante do Copam, os projetos foram aprovados a toque de caixa. "Não importa o que a gente traga de elementos e provas de que os processos não estão devidamente instruídos, que há informações inverídicas. Eles votam e aprovam”, relatou à época ao Brasil de Fato. Segundo ela, produção, só nestes dois casos, foi "ampliada em 88%, e as mineradoras tem aval até 2032."

Para Siqueira, a relação é clara: "Sobe o preço do minério, a empresa quer licença para ampliar a operação na mineradora e lucrar mais, e o processo de liberação da licença fica prejudicado."

Segundo o biólogo, do governo federal a Vale já obtém, "de longa data", os "direitos minerais" necessários para se manter em funcionamento. Já "a gestão Pimentel, no esforço de sair da crise econômica, liberou a licença para ampliação [na Mina do Feijão] no ano passado."

"Esses acidentes da mineração são criminosos e evidenciam a negligência das empresas, que deveriam adotar medidas de prevenção de acidentes, mas preferem seguir com as atividades das minas, visando manter e ampliar os lucros", comentou.

De acordo com reportagem do Brasil de Fato, obter as licenças necessárias à ampliação das atividades de mineração ficou mais fácil a partir da aprovação da Lei 21.972 de 2016. "A mudança diminuiu a participação da comunidade e do Ministério Público, e colocou um prazo de seis meses para a finalização do processo", frisou o veículo.
Leia a reportagem completa aqui.

VÍTIMAS

Vítimas da barragem Mina do Feijão estão sendo encaminhadas para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. 
Por volta das 16h, o hospital informou a entrada de seis pessoas. O estabelecimento não informa o estado de saúde dos pacientes.
Às 17h30, o Corpo de Bombeiros estimou que o número de desaparecidos após o desastre ambiental gira em torno de 200.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Defensor da caça de animais silvestres comandará o Serviço Florestal Brasileiro no governo Bolsonaro




Jornal GGN (com informações de O Globo) - Valdir Colatto, ex-deputado que se notabilizou pela defesa da caça de animais silvestres, vai para o comando do Serviço Florestal Brasileiro. A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, deu a notícia por rede social, de que o ex-deputado do MDB de Santa Catarina dará o tom ao tema.
Colatto é autor de projeto de lei, apresentado em 2016, que libera a caça de animais silvestres no Brasil, mesmo dentro de unidades de conservação. No projeto, previsão de se criar fazendas particulares de caça de animais silvestres e permissão aos zoológicos que vendam animais para criadouros particulares. Fora da mira dos caçadores, só ficariam os animais domesticados e as espécies em risco de extinção.
O autor não foi reeleito em 2018, e também incluiu no projeto a permissão para comercialização de animais silvestres e retirada do porte de arma de fiscais ambientais. Colatto, membro da bancada da bala, incluiu ainda no projeto a flexibilização da posse de armas para proprietários rurais.
O projeto não vingou, foi considerado um retrocesso para a biodiversidade brasileira pela WWF-Brasil, entidade ambientalista, que também considerou que o PL trazia risco para a natureza e também para as pessoas.
Colatto é dono de fazendas em Tocantins e Rondônia. Ele apresentou, ainda, projeto de lei descaracterizando como improbidade administrativa ato de apoio de agentes públicos a produtores rurais em demandas apresentadas por associações e cooperativas. O projeto está, desde 2015, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, da Câmara dos Deputados.
Ativista de redes, Colato usou sua página de Facebook, nesta terça, dia 16, para criticar a escolha do general Franklimberg Ribeiro de Freitas para a presidência da Funai. Para ele, o militar havia sido exonerado da própria Funai, no governo Temer, a pedido da Frente Parlamentar Agropecuária 'por ser onguista e petista'. 'Começamos mal na Funai', disse o ativista da caça.
O ex-deputado criticou também a exoneração da diretora de Proteção Terrritorial da Funai, Azelene Inácio, a pedido de Sergio Moro, ministro da Justiça. Azelene é investigada pelo Ministério Público por conflito de interesse. 'A diretora Azelene Inácio, exonerada pelo ministro Sérgio Moro, é a única indicada pela FPA que enfrentava o PT e as ONGs do deputado Nilton Tatto (líder da ONG ISA – Instituto Socioambiental)', disparou Colatto nas redes.
Com informações de O Globo

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