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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A referência preconceituosa de Guedes às domésticas apenas explicitou o preconceito e o ódio de classe dos que visteiram a camisa da CBF pelo Golpe. É a classe média hipócrita candidata a opressora, por Armando Coelho Neto, advogado e ex-delegado da PF.



Ao se referir às domésticas, Guedes apenas assumiu o preconceito contra pobres em geral. Agora, aos apoiadores do golpe de 2016 só falta assumir que houve golpe mesmo.

A doméstica de Guedes é a classe média candidata a opressora

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Há uns três anos, eu estava com uma amiga em Fortaleza, a qual procurava um pequeno apartamento para comprar. Num dos imóveis visitados, o corretor mostrou o que seria o quarto de empregada doméstica. Com ar irônico, ele disse: “Esse quarto pode ser reversível. Afinal de contas, empregadas domésticas, hoje, você sabe, né? Estão cheias de direitos e não querem mais dormir no trabalho”. Sem cumplicidade para o que dizia, desconversou dizendo que se tirasse a parede a sala ficaria maior e o banheiro poderia se transformar em lavabo. Tão simples quanto acabar com a biblioteca do Palácio do Planalto para Dona Micheque vadiar.

“Empregada doméstica indo para a Disneylândia, uma festa danada”. (Paulo Guedes, ministro da Economia)

Em que pese o esforço de inclusão do Partido dos Trabalhadores, empregadas domésticas, como regra, não viajavam para Disney, exceto como babá. Nem com o dólar a R$ 1,80, nem com gás e gasolina a preços (objetiva e ou nominalmente) mais baixos, aquela categoria tinha ou teria, em tese, como custear uma viagem para o famoso parque, em Miami. Portanto, foi sem dúvida mais um “pronto falei” do chupim Paulo Guedes, o sanguessuga do povo que dois dias antes chamara servidores públicos de parasitas.

Ao se referir às domésticas, Guedes apenas assumiu o preconceito contra pobres em geral. Agora, aos apoiadores do golpe de 2016 só falta assumir que houve golpe mesmo. Eles continuam a tratar o impeachment como tal e as eleições presidenciais passadas como limpas (com a impagável cumplicidade das instituições controladas pelas elites).


Nenhum daqueles episódios sobreviveria a uma sindicância mal feita, quanto mais a uma avaliação mais profunda. Como dito antes neste GGN, nos primórdios dos protestos de 2013, a rigor não se via pobre na rua, mas sim gente que não gostava de pobre. Depois, os atos se reconfiguraram com apoio da mídia golpista, por meio do incentivo ódio, quando sim, pobres enganados e induzidos foram às ruas.

O povo odiado pelo golpe foi usado para o golpe e isso não é um trocadilho. Nunca é demasiado lembrar que pesquisa Data Folha divulgada em março de 2013, Dilma Rousseff tinha 65% de aprovação popular, inclusive de empresários. O índice de confiança era de 84% e as agências de avaliação estrangeiras conferiam ao Brasil altos índices de confiabilidade. Os protestos de junho 2013 foram, portanto, uma instrumentalização do golpe contra o povo. Isso prova a artificialidade daquilo sobre o que se pretende fabricar explicações oblíquas, sejam políticas, econômicas, de gestão (na base do como seria se assim não fosse).

A propósito da fala de Guedes, assisti entrevista do sociólogo Jessé de Souza para o economista Eduardo Moreira. Ele diz que o racismo de cor e de classe contra o povo estão fundidos, e que o próprio falso moralismo tão presente na classe média embute preconceito. Além disso, tem como ingrediente novo colocar povo contra povo – o povo certinho que apoia o governo e vai à igreja e o pobre que de alguma forma resiste que é criminalizado.
O ódio ao povo destilado pelo Chupim, diz Jessé, expressa o desprezo da classe dominante e seus acólitos pelo povo, especialmente os mais pobres. A elite golpista já não usa metáforas e tornou explícito esse sentimento. Há um ranço escravocrata que vai além do econômico e avança pelo prazer sádico de humilhar o pobre, o mais frágil. Segundo ele, não se permite sequer ao pobre, o direito de sonhar. Justamente o contrário, digo eu, do pensamento de Lula que, numa despedida em Recife, se declarou “um construtor de sonhos”.

Ao se referir às domésticas, Guedes apenas verbalizou o desprezo das elites. Em 2012, a jornalista Danuza Leão disse que ser rico perdeu o sentido. “Ir à Nova York já teve sua graça, mas, agora, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça?”.

Digo, pois, que a fala do Chupim apenas reforça as teses de que não foi nem a economia nem a corrupção que derrubou Dilma Rousseff, nem levou Lula à cadeia. Tudo é fruto do ódio pela da presença de pobres e negros nas universidades, nos açougues, aeroportos, trocando jegue por motoca, comprando lajota, fazendo puxadinho e sonhando com mais e mais. “O povo quer mais”, disse Lula a uma televisão estrangeira, quando perguntado sobre os protestos de 2013.

Numa excelente intervenção, Eduardo Moreira lembra a fixação da palavra pobre por parte do Chupim, sempre associada ao que é ruim ao que não dá certo. “O desmatamento é culpa do pobre, o problema é que o pobre não poupa, o problema é que o pobre foi pra Disney”.

 Sim. A rigor, Guedes ainda que movido a preconceito, sabe que domésticas não iam à Disney. Pobre passou a ir ver a mãe nos rincões do Brasil afora, outros tantos vieram pra “Sumpaulo” ou foram ver o Cristo Redentor de costas (como na canção Subúrbio, de Chico Buarque).


A doméstica do chupim Guedes é, no fundo, o porteiro de Danuza e trazem a mesma raiz de preconceito. A doméstica de Guedes é a classe média que majoritariamente votou no Bozo, que fez dele capataz dela e do povão. Ela que passou a ir a Disney e se imaginou rica, sonhando em ser também mais opressora, candidata a capataz. Abraçou o moralismo barato e assistiu passiva a conversão de um juiz cafajeste em herói nacional, que junto com Guedes e Bozo, e a depender deles, essa classe média não voltará mesmo à Disney. É Foz do Iguaçu e olhe lá!  O Brasil? É a doméstica de Trump que queria ser país.

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Ricardo Kotscho sobre os manés filhinhos de papai, incluindo Álvaro Garneiro e Guilherme Junqueira Motta Luiz, de uma elite capenga que tentou ofender Chico Buarque


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Colunista Ricardo Kotscho lamenta a agressão do ‘patético grupo de manés, herdeiros daquilo que restou da elite da outrora Cidade Maravilhosa’ ao cantor Chico Buarque: “Pelo que conheço dele, Chico deve ter se divertido com tudo isso, mas é triste viver num País em que não se respeita a opinião alheia e os argumentos se limitam a agressões gratuitas”, disse. Leia o texto completo de Kotscho no Brasil 247, clicando aqui.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Quem são os coxas com quem Chico bateu boca — e por que ele os incomoda. Por Kiko Nogueira

Isso não pode
Essa moleza vai acabar

Chico Buarque ama o Rio de Janeiro, entre outros motivos, porque pode circular ali à vontade. Faz caminhadas e corridas com regularidade, sem que ninguém o incomode, a não ser um ou outro fã para uma selfie.
Ou fazia. 
Chico vai ter de rever seus conceitos com relação a seus exercícios em sua cidade. Não são mais os paparazzi flagrando seus jantares com a namorada a uma distância regulamentar. 
Agora são fascistinhas em bando que acham normal tolher o direito de ir e vir. 
Uma “playboyzada” — na definição de Emicida — achou natural abordar de maneira agressiva um sujeito que vê pela TV por causa de suas posições políticas. Dois dos palhaços foram identificados: Túlio Dek, um rapper que ninguém ouviu falar a não ser por seu namoro fugaz com a prima Cleo Pires, filha da atriz Glória Pires, registrado por revistas de fofoca; e o filho de Álvaro Garnero, Alvarinho.
Nenhum deles faz, como diria minha tia calabresa, porra nenhuma. Também não são obrigados, claro. Estavam, ao que parece, saindo do restaurante Sushi Leblon. O filho de Garnero causou controvérsia, recentemente, com um vídeo em que aparecia, alcoolizado, acariciando Ronaldo Fenômeno, que o chamava de namorado. 
O pai saiu em sua “defesa” quando o rapaz foi “xingado” de gay. Álvaro, auto intitulado “empresário”, apresentava um programa de turismo jabazeiro na Rede TV, viajando e se hospedando de graça. Nunca deu Ibope, mas a intenção não era essa, e sim viajar na picaretagem. Filiou-se ao PRB. Pega uma praia com o amigo Aécio quando a agenda permite.
Mário Garnero, pai de Álvaro, portanto avô de Alvarinho, esteve no centro do “escândalo Brasilinvest”, banco de investimentos que fechou em 1985 porque mais da metade de seus empréstimos fora contraída por empresas “fantasmas”.
Garnero foi indiciado pela Polícia Federal por estelionato, formação de quadrilha e operações fraudulentas no mercado financeiro. Em 1997, teve a prisão preventiva pedida pela Procuradoria Geral da República.
Esses moleques inúteis e mal nascidos perderam a modéstia, a educação e a civilidade. Fundiram-se com a coxinhada revoltada on line que acabou com redes sociais, devastando as regras mais básicas, e agora atropelam a Constituição. 
Até prova em contrário, qualquer um tem o direito de acreditar no que quiser — no PT, na mula sem cabeça ou em bula de remédio. Não para eles. Se pudesse, esse pessoal construiria muros separando gente de “bem” e o resto. Tudo isso, obviamente, enquanto grita contra a ditadura bolivariana e manda os outros irem para Cuba.
Ao Globo, Túlio Dek se disse “um grande fã”, mas não entende como o ídolo “continua defendendo o PT”. Chico, um homem bem sucedido, branco, rico como ele, deveria ser como ele. 
O Rio de Janeiro que Chico ama talvez não exista mais. Acabou o sossego. Desta vez, o encontro com a milícia do ódio terminou relativamente bem. Da próxima, quem sabe o que pode acontecer?
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Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

sábado, 17 de outubro de 2015

O idiota útil que apoia Cunha é cúmplice de seus crimes e do risco à democracia. Por Kiko Nogueira


"O governo do Brasil pode ser derrubado por um bando de pessoas acusadas de corrupção, liderado por um sujeito que mete a mão há décadas sem ser incomodado.
"Com um detalhe importante: a anuência e a militância de milhares de idiotas úteis de todas as formas, preços e tamanhos que acham que Eduardo Cunha é um herói que vai nos livrar da "corja bolivariana".
"Você deve conhecer um deles. Não só no Congresso. Toda família tem um boçal desse tipo. Em toda esquina, em toda rede social perto de você." - Kiko Nogueira


O idiota útil que apoia Cunha é cúmplice de seus crimes e do risco à democracia

Texto de Kiko Nogueira, do Diário do Centro do Mundo

O governo do Brasil pode ser derrubado por um bando de pessoas acusadas de corrupção, liderado por um sujeito que mete a mão há décadas sem ser incomodado.
Com um detalhe importante: a anuência e a militância de milhares de idiotas úteis de todas as formas, preços e tamanhos que acham que Eduardo Cunha é um herói que vai nos livrar da "corja bolivariana".
Você deve conhecer um deles. Não só no Congresso. Toda família tem um boçal desse tipo. Em toda esquina, em toda rede social perto de você.
Marta Suplicy repetiu numa entrevista ao Correio Braziliense que foi para o PMDB por causa da “corrupção”: “A diferença é que no PT existe uma manutenção da estrutura partidária com recursos públicos. E no PMDB não vejo isso, vejo pessoas sendo investigadas, que eventualmente podem se tornar rés, ir para a cadeia. Até agora, não aconteceu isso nesse nível, não é?”
Não, não aconteceu nada. Revoltados On Line, colunistas hidrófobos e outros extremistas ainda se penduram no saco de Eduardo Cunha com perguntas retóricas do tipo “por que só ele?” 
Ora, as contas na Suíça são dele, não suas, as autoridades de lá não são como as daqui, porque ele é um operador reconhecido, porque mentiu à CPI etc etc etc.
A tática estúpida e irresponsável do “inimigo do meu inimigo é meu amigo” é de curto prazo e não tem sentido quando o companheiro de ocasião pode ser preso amanhã.
A isso se dá o nome de cumplicidade. Aécio, Agripino, Caiado, Bolsonaro, Paulinho da Força, Carlos Sampaio — complete a lista — são cúmplices de um crime. Bem como o fanático que continua apoiando Cunha com sua panela seletiva.
Em Dresden, na Alemanha, um grupo de colombianos que portava bandeiras com uma suástica foi espancado por neonazis numa manifestação, confundidos com refugiados. Foi em setembro.
Um deles reclamou: “Nós também somos de raça pura. A questão é que o clima nos afetou mais do que aos alemães”. Os “morenazis”, como são chamados, voltaram para casa humilhados, subjugados, mas crentes de que ajudaram uma causa. Como na fábula, são ratos querendo se passar por gatos, que acreditam na autoilusão até ser devorados.
O Brasil está sendo vítima de ratos, gatos e sobretudo do idiota útil.
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Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Altamiro Borges: os tucaninhos, o pastor e os fascistas


Os tucaninhos, o pastor e os fascistas



Por Altamiro Borges

A postura irresponsável do PSDB, que até agora não aceitou a derrota nas urnas, e a violenta cruzada midiática, que visa "sangrar" Dilma e "matar" Lula, estão chocando serpentes fascistas no Brasil. Na semana retrasada, um candidato derrotado do PSDB do Distrito Federal postou vídeo afirmando que iria "arrancar a cabeça" da presidenta Dilma com "foice e martelo". Temendo as consequências, sua família agora diz que ele é maluco. Já nesta semana, o presidente da juventude tucana no Espírito Santo apareceu, vestindo farda militar e de arma em punho, garantindo que está "pronto para a guerra". Além dos tucaninhos aloprados, um pastor também pregou "morte a Lula, morte a Dilma".

No caso do primeiro maluco fascista, o "advogado" Matheus Sathler Garcia, a Folha deste domingo (6) informa que a Justiça Federal do Distrito Federal o proibiu de comparecer ao desfile do 7 de Setembro. "O juiz Macus Vinicius Bastos determinou que Garcia permaneça a uma distância mínima de 1 quilômetro da Praça dos Três Poderes e da Esplanada dos Ministérios". Após a repercussão das suas ameaças terroristas, a Polícia Federal finalmente foi acionada e o valentão virou um covarde. "A família argumentou à Polícia Federal que Garcia sofre de problemas psicológicos. O magistrado argumentou, porém, que o fato de exercer uma profissão, ser casado e bem articulado comprova que o advogado é capaz de cumprir a determinação judicial", descreve a Folha.

Já o segundo fascista mirim, ainda está livre - mas também recuou covardemente. Segundo notinha do blog Diário do Centro do Mundo, "o presidente da juventude do PSDB do Espírito Santo, Vitor Otoni, achou normal vestir uma farda, pegar uma pistola, fazer uma foto da fantasia e postá-lo no Facebook. Na legenda: 'Pode vir Evo Morales, Maduro, MST, e todos os esquerdopatas do cão, estamos prontos para a guerra'. A imagem foi reproduzida pelo jornal A Tribuna de Vitória no domingo, dia 30. O semianalfabeto Otoni, um sujeito corajoso, apagou o post depois".

Quanto ao pastor Odilon Trevisan, que explora a fé religiosa em Curitiba, ele postou no seu twitter nesta sexta-feira (4): "Morte a Dilma… Morte a Lula… Matem sem dó e pindurem (sic) na praça da Sé". O terrorista, que tem como mote "servindo pessoas e trabalhando para o Senhor", segue fazendo as suas pregações de ódio e tirando grana dos fieis. Ainda não foi acionado pela Justiça!  

Leia também:

- Cunha é o novo líder dos fascistas mirins

- Haitianos baleados e fascistas soltos

- A agressão a Padilha e o ódio fascista

- Aécio Neves congrega a escória fascista

- Mídia tenta esconder monstro fascista


terça-feira, 2 de junho de 2015

Depois da Redução da Maioridade Penal e do Golpe Militar, o próximo passo para agradar os filhinhos de papai será esse:

A imagem do vídeo publicada pelo portal Terra com a faixa carregada por um menino e duas meninas pedindo "Pena de Morte Já!", ontem, no bairro de classe média-alta do Jardim Marajoara, em São Paulo é o retrato dos tempos que estamos vivendo.


Marcha pela “paz”, alma de Herodes



1 de junho de 2015 | 20:52 Autor: Fernando Brito, extraído do Tijolaço.com



 A fina flor da juventude da alta burguesia paulista na marcha pela "paz"



A imagem do vídeo publicada pelo portal Terra com a faixa carregada por um menino e duas meninas, ontem, no bairro de classe média-alta do Jardim Marajoara, em São Paulo é o retrato dos tempos que estamos vivendo.

Já nem é uma discussão, que deveria ser anacrônica no mundo moderno – excetuados, claro, os fanáticos do Exército Islâmico –  sobre a legitimidade ou a eficácia da pena de morte (que, em tese, deveria ter feito dos EUA um dos países menos violentos no mundo), mas a sua aplicação, como sugere a faixa, até mesmo a crianças de qualquer idade.
Algo assim semelhante a Herodes.

São três guris que levam a faixa – como na idade deles eu levei pedindo democracia e respeito à dignidade humana – da morte sem idade para ter visto a vida, sequer e dar-lhe o valor que, velhos, nos faz querer conservá-la até o último suspiro.

Era uma marcha pela “paz”.

Paz, como a “pax romana” dos tempos daquele Herodes, feita com armas e autoritarismo.

E com a arma suprema destes tempos, avassaladora: a mídia.

Pena de morte, sem limite de idade, a crianças, até.

A esta turma, um pobre ateu feito eu, recomendo a leitura de Mateus 5:20-22:

“Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus”.
“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’.
Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’ (significa desprezível) , será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco! ’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.

domingo, 23 de março de 2014

A "Marcha da Família" em São Paulo foi um encontro de múmias com acéfalos, ou os 500 de sapata

A Marcha da Família em São Paulo foi o encontro das senhoras de Santana com os skinheads


Postado em 22 Mar 2014
por : 
marcha 10

 Enfim, não é uma lenda urbana. Eles existem. E não são 500, como emissoras de TV disseram. O final da Marcha da Família com Deus na Praça da Sé tinha cerca de mil integrantes ou mais. O que, se não é muito, também não é pouco.
Trata-se de um pessoal que tem uma visão no mínimo exótica sobre como se toca uma nação. Fiquei a me perguntar se com suas empresas alguns deles agiriam da seguinte maneira: “Bom, os negócios não vão bem. Chamem o pessoal da segurança e vamos colocar a administração nas mãos deles.” É essa a brilhante ideia?
Pois foi unânime o pedido de intervenção militar já. E demais pautas típicas. Contra a corrupção, fora PT, fora Dilma, Lula na cadeia, cadeira elétrica aos mensaleiros.
Que quem é contra deve ir para Cuba ou Venezuela. É o “ame-o ou deixe-o” reeditado.
Senhoras, senhores, representantes da maçonaria, da igreja católica, skinheads e integralistas. Caras pintadas e roupas verde-amarelas. Discursos inflamados a respeito da existência de um grande complô comunista em andamento. Faixas em apoio à manutenção da militarização das polícias. Hino nacional na concentração e durante todo o trajeto.
Mas nem tudo é paz para a família e seus deuses.
Desde o início, na Praça da República, abordagens altamente intimidadoras contra quem estivesse de camiseta vermelha ou preta terminavam em conflito. A polícia precisou agir várias vezes e retirar o “estranho no ninho” que, cercado, ouvia os gritos de “Fala agora que a polícia não protege, comuna filho da puta.”
Conflitos que durante o trajeto ganharam contornos ainda mais sinistros. A família tem tolerância zero. Em frente à faculdade de direito no Largo São Francisco, uma dupla de amigos encenou um apoio à causa gay. Foram agredidos a pontapés e tiveram seus cartazes rasgados. A agressão só não terminou em algo pior devido à proteção da imprensa.
Mas na Sé outras brigas, feridos e pelo menos uma detenção evidenciaram o enorme desrespeito pelas diferenças. “Ou pensa igual a mim ou lhe quebro a cara.” No Anhangabaú, um grupo de fãs do Metallica a caminho do show foi confundido com black blocs (roqueiros vestem-se de preto, filhos de família não). Foi preciso muita gritaria para que não fossem linchados.
Não ocorreu o aguardado confronto entre as duas manifestações (uma antifascista havia saído da mesma Sé, mas rumou em outro sentido). Sorte. A “segurança” da Marcha da Família estava com sangue nos olhos. Os mastros das bandeiras eram de ferro.
A todo instante os carecas criavam uma tensão no ar com boatos sobre o iminente confronto com black blocs que estariam a caminho. Por fim, simularam estar indo embora mas foram acompanhados de perto por 4 ou 5 jornalistas. Dentro do vagão, um contínuo cochichar entre eles deixou passageiros temerosos. Em determinado momento, tomaram conta de todas as portas e saíram apenas durante o sinal sonoro, permanecendo ainda em frente na plataforma para que não mais os acompanhássemos. Estava nítido que não estavam indo embora, a caça aos black blocs iria prosseguir sem a presença da imprensa.
Em 1964, quinhentas mil pessoas fizeram exatamente o mesmo trajeto da praça da República até a Sé e, poucos dias depois, deu no que deu.
Desta vez foi modesto, porém ocorreu em várias cidades do país e tem um agravante para os dias atuais: eles também saíram do Facebook.

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Sobre o Autor
Jornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo.