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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Coronel Blanco admite que fazia negociações sobre vacina com empresas privadas para que estas lucrassem em detrimento da saúde da população antes de lei aprovada e CPI considera revelação "muito grave"

 

À CPI da Covid, o coronel Marcelo Blanco da Costa, ex-assessor do Ministério da Saúde, admitiu negociações sobre vacinas com a iniciativa privada e afirmou que "gostaria de já ter algo desenhado", após o Congresso aprovar a distribuição de imunizantes por entes privados. "Muito grave, projetando um mercado que ainda não existia", disse Renan Calheiros

Tenente-coronel Marcelo Blanco

Tenente-coronel Marcelo Blanco (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

247 - Em depoimento à CPI da Covid, nesta quarta-feira (4), o tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa, ex-assessor do departamento de Logística do Ministério da Saúde, confessou que fazia negociações com o setor privado sobre a distribuição de vacinas contra a Covid-19. Segundo o coronel, após a aprovação de um projeto no Congresso para a distribuição de vacinas por entes privados, ele (o militar) "gostaria de já ter algo desenhado".

Em sua fala, o ex-assessor acrescentou que, "ao perceber um movimento no parlamento em debater uma pauta desta só queria construir um modelo de negócios". "Meu intuito ao senhor Dominguetti, tinha apenas o desenvolvimento de parcerias ao setor privado", disse Blanco.

O coronel Blanco mostrou áudio do dia 22 de fevereiro. O jantar ocorreu no dia 25 de fevereiro - nesta última data teria havido o pedido de propina, segundo afirmou o policial militar Luiz Paulo Dominghetti à CPI no dia 1 de julho. No dia 25 de fevereiro, Blanco já não era servidor do Ministério da Saúde.

Após o coronel citar o áudio do dia 22, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), destacou que o projeto foi aprovado no dia 23/02 e sancionado somente no dia 22 de março. 

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), alertou para a necessidade de maiores cuidados por parte do coronel. "O Sr não acha que foi muito açodado em pensar em venda de vacina, sem ter pesquisado a empresa? Era para ter pesquisado que empresa é esta, quem é Dominghetti. Muito estranho isso coronel...", disse o parlamentar. 

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AM), também criticou as revelações do coronel. "Muito grave, projetando um mercado que ainda não existia e que depois se comprovou, de interesse da Precisa", disse o emedebista. 

"A posição dele confrontando interesses dentro do MS, reunindo servidores com empresário era demonstração do enfrentamento que havia no órgão em mercado que seria de interesse da Precisa, que seria criado para tanto. Para a precisa que seria uma espécie de Domighetti da Covaxin. É o estado que chegamos no Brasil, de roubalheira", complementou.

PM havia confirmado propina

Em depoimento à CPI da Covid, no dia 1 de julho, o cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti Pereira falou sobre o jantar do dia 25 de fevereiro e disse que US$ 3,50 era o valor da dose na primeira tratativa sem propina. 

De acordo com o militar, as solicitações de propina só viriam com um US$ 1 dólar por dose a pedido de Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde.

Assista à CPI pela TV 247:

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Quebra de sigilo de diretora da Precisa Medicamentos, empresa intermediadora de vacinas superfaturadas inexistentes, aponta ligações com telefones de oficial da Defesa e de senador bolsonarista da CPI

 Quebra do sigilo telefônico da diretora da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, revelou que ela manteve contatos telefônicos com um capitão-de-mar-e-guerra do Ministério da Defesa e com o senador Luis Carlos Heinze, que integra a CPI da Covid

Emanuela Medrades e Luis Carlos Heinze

Emanuela Medrades e Luis Carlos Heinze (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado | Leopoldo Silva/Agência Senado)


247A quebra do sigilo telefônico da diretora da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, determinada pela CPI da Covid, revelou que ela manteve oito contatos telefônicos com um capitão-de-mar-e-guerra que ocupa um cargo de gerência no Ministério da Defesa e quatro ligações do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), um dos principais defensores de Jair Bolsonaro e do uso de remédios sem comprovação científica contra o coronavírus no colegiado. As ligações foram realizadas antes do escândalo envolvendo a intermediação da compra da vacina indiana Covaxin pela Precisa.  

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, Medrades efetuou uma ligação para  o número de um celular utilizado pelo capitão da Marinha Leonardo José Trindade de Gusmão, gerente do Departamento de Promoção Comercial do Ministério da Defesa. As ligações foram feitas em 22 e 23 de julho de 2020. A secretaria teria feito prospecções por insumos como seringas, agulhas e testes, que não estão entre os produtos principais da Precisa.

“Quando as ligações foram feitas, a Precisa já estava envolvida em outra suspeita, que resultou na Operação Falso Negativo, no Distrito Federal. A operação foi deflagrada a partir de junho de 2020, após indícios de superfaturamento na aquisição de testes para detectar a Covid-19 pelo governo local”, destaca um trecho da reportagem. 

A quebra do sigilo também revelou registros de quatro contatos mantidos com o celular do senador Luis Carlos Heinze, todas elas feitas em 18 de abril deste ano, cinco dias após a CPI ter sido formalmente criada. A instalação do colegiado, porém, aconteceu em 27 de abril, nove dias após as ligações para a diretora da Precisa Medicamentos. Questionado sobre o assunto, o parlamentar disse não se lembrar do acontecido. 

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