"É preciso coragem e grandeza cívica para abrir mão de projetos político-partidários e admitir que o melhor para o país seria uma eleição decidida no primeiro turno", afirma
Cristina Serra e manifestação contra Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Youtube | Reuters)
247 - A jornalista Cristina Serra afirma, em sua coluna na Folha de S. Paulo, que “a notícia mais auspiciosa dos últimos dias foi a ‘Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito’, uma vez que “espanou a letargia em que parte da sociedade civil parecia mergulhada, à espera de 2 de outubro, como uma data mágica”. Apesar disso, ela observa que “a derrota do herdeiro da ‘linha dura’ nas urnas é importante, mas não é tudo”.
“Para expulsá-lo do poder e arrancar as raízes do bolsonarismo é preciso coragem para muito mais. Por exemplo, para não aceitar qualquer conchavo que dê a ele o foro privilegiado, como pretendem os que concebem uma indecência chamada PEC do senador vitalício. A reconstrução ética do Brasil não será possível sem que Bolsonaro seja julgado pelos crimes que cometeu. Bolsonaro precisa de uma Comissão Nacional da Verdade”, destaca.
Ainda segundo ela, “também é preciso coragem e grandeza cívica para abrir mão de projetos político-partidários, por mais legítimos que sejam, e para admitir que o melhor para o país seria uma eleição decidida no primeiro turno. E em favor do candidato que representa o embate político minimamente civilizado e um esforço de pacificação social”.
“Este é o momento de saber quem vai sair da campanha eleitoral maior do que quando nela entrou. Para isso é preciso fazer política com sentido histórico, com os olhos no amanhã e nas próximas gerações. Vamos lá, coragem”, finaliza.
"Bolsonaro não serve mais como instrumento de seu projeto de poder e, ao que parece, eles irão buscar alternativas", diz a jornalista após nota de Barra Torres
Antonio Barra Torres e Jair Bolsonaro (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado | Alan Santos/PR)
247 - "Alcançou grande repercussão a carta do diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, cobrando de Bolsonaro uma retratação diante de suspeitas infundadas a respeito de decisões da agência sobre vacinas. Barra Torres vem se afastando do presidente, mas daí a considerar que estão em campos opostos vai uma longa distância", escreve a jornalista Cristina Serra na Folha de S.Paulo.
A jornalista avalia que a posição agora adotada por Barra Torres faz parte de "movimentos oportunistas". "Agora que Bolsonaro derrete nas pesquisas, outros tomam atitudes que contrariam o chefe. O comandante do Exército, Paulo Sérgio de Oliveira, determinou a vacinação contra a Covid para que militares retornem ao trabalho presencial. E proibiu que divulguem notícias falsas em redes sociais. Oliveira foi quem poupou o general Pazuello de punição quando este participou de um ato com Bolsonaro, em evidente transgressão disciplinar".
"Outro exemplo é o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que toma ares de democrata ao assumir cargo no TSE. É o mesmo que celebra o golpe de 1964 e que jogou dinheiro público no lixo ao autorizar a produção de cloroquina no laboratório do Exército".
"São movimentos oportunistas, típico "reposicionamento de marca" de uma parcela dos militares. Bolsonaro não serve mais como instrumento de seu projeto de poder e, ao que parece, eles irão buscar alternativas. Isso não os torna menos golpistas nem anula o fato, negativo em todos os sentidos, de que estão fazendo política quando deveriam estar nos quartéis". Leia a íntegra.
A jornalista fez referência à pretensão do governo em nomear "nada menos que 75 desembargadores para os seis tribunais regionais federais, cortes subordinadas apenas ao STF e ao STJ no ordenamento da Justiça no Brasil"
Jornalista Cristina Serra e o Palácio do Planalto (Foto: Reprodução / Agência Senado)
247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, a jornalista Cristina Serra afirma que Jair Bolsonaro cometeu um "assalto" ao pretender "nomear nada menos que 75 desembargadores para os seis tribunais regionais federais, cortes subordinadas apenas ao STF e ao STJ no ordenamento da Justiça no Brasil".
"É um aumento de 50% em relação às vagas atuais", destaca. "O bolsonarismo é uma infestação com a força devastadora das maiores pragas".
A jornalista reforça que, "com a falta de pudor habitual, Bolsonaro disse ter '10%' do STF com Kassio Marques".
"Por esse padrão, dá para prever que as vagas de novas excelências nos TRFs tendem a ser preenchidas por lacaios da pior espécie".
Guedes é exemplo extremo de "aporofobia", expressão cunhada pela filósofa espanhola Adela Cortina para definir a aversão aos pobres e que se manifesta de diversas formas no mundo contemporâneo
Jornal GGN – Enquanto nos Estados Unidos o governo do democrata Joe Biden caminha para reformas de caráter progressista, no Brasil, o ministro da Economia, Paulo Guedes, continua expondo sua subordinação ao mercado e aversão aos pobres. A análise é da colunista Cristina Serra, na Folha de São Paulo.
“Biden quer criar empregos para a classe média e trabalhadores com menor qualificação, aumentar o valor do salário mínimo, ampliar a educação pública e melhorar o acesso à saúde, que, segundo ele, deve ser um direito, não um privilégio”, escreveu Serra.
“A questão é saber quem vai pagar a conta dos investimentos do Estado. Biden quer elevar a carga tributária das empresas e daqueles que ocupam, digamos, o topo da cadeia alimentar e que engordaram suas fortunas ainda mais durante a pandemia. Ele enunciou seu argumento de forma até singela: “É hora de pagarem a sua parte justa”, explicou.
Já aqui no Brasil, a população foi surpreendida – mais uma vez – pelas falas de Guedes. Em reunião do Conselho de Saúde Complementar nesta semana, o ministro afirmou que o Fies, programa federal para estudantes de baixa renda financiarem mensalidades do ensino superior, é “bolsa para todo mundo” e “um desastre”, ao contar que “o filho do porteiro do prédio” tirou zero em todas as provas e conseguiu financiamento.
Segundo Serra, “Guedes é exemplo extremo de “aporofobia”, expressão cunhada pela filósofa espanhola Adela Cortina para definir a aversão aos pobres e que se manifesta de diversas formas no mundo contemporâneo. A palavra vem do grego áporos (pobre) e fobéo (rejeitar)”.
“Guedes não cansa de demonstrar ódio de classe: empregadas domésticas não podem viajar e filhos de porteiros não merecem estudar. Cada vez que abre a boca, Guedes exala o mau hálito da Casa-Grande’, completou.
Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.
Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.
“Você tem um conjunto de trocas de mensagens entre jornalistas e a força-tarefa que é um comportamento completamente inaceitável, inadmissível, impróprio. É isso que eu chamo de jornalismo pervertido”, disse Cristina à TV 247. Assista
247 - A jornalista Cristina Serra analisou na TV 247 a participação da imprensa no processo de crescimento e excessos da Operação Lava Jato no Brasil nos últimos anos. Para ela, além do apoio equivocado dos grupos de comunicação à força-tarefa, o mais grave foi o modo como jornalistas, em sua individualidade, se empenharam em atuar de forma “pervertida” com procuradores de Curitiba.
Para Cristina, jornalistas compraram o projeto de poder da Lava Jato. “Quando eu falo da imprensa, na verdade eu estou falando quase sempre das empresas, das posições que elas tomam. No entanto, no caso da Lava Jato, eu observo uma coisa que acho muito mais grave: o engajamento de repórteres, de jornalistas que individualmente compraram essa história do projeto da Lava Jato que ia acabar com a corrupção no Brasil. Um projeto que hoje todo mundo sabe que era um projeto político, um projeto de poder. Isso está muito claro nas mensagens da Vaza Jato”.
Segundo a jornalista, o comportamento da imprensa na cobertura da operação precisa ser estudado e discutido para que não se repita no país. “Você tem um conjunto de trocas de mensagens entre jornalistas e a força-tarefa, os procuradores, o Deltan Dallagnol sobretudo, que é um comportamento completamente inaceitável, inadmissível, impróprio. É isso que eu chamo de jornalismo pervertido, porque é uma perversão total. Tem repórteres que estavam ali na linha de frente da apuração das investigações que sacrificaram completamente sua independência, deixaram de usar seu senso crítico em troca de ter acesso às fontes com rapidez, acesso aos documentos e às delações. Esse é o pior dos mundos do jornalismo. Essa cobertura da Lava Jato é de extrema gravidade, precisa ser estudada, criticada e analisada para que isso não se repita”.
Bolsonaro não vai largar o osso
Questionada sobre suas expectativas para a segunda metade do governo Jair Bolsonaro, Cristina se mostrou apreensiva com o que se escancara no Brasil: a preparação de um golpe.
Ela citou o decreto das armas de Bolsonaro para argumentar que o chefe do Executivo pode em algum momento convocar seus apoiadores a uma insurreição. “Estou superpreocupada, bastante temerosa do que o Brasil vai enfrentar nos próximos dois anos porque eu acho que ele [Bolsonaro] está dando todos os sinais de que não vai largar o osso sem espernear bastante. Acho que é exatamente isso que a gente está vendo [um golpe em câmera lenta], e me remete muito àquele livro ‘Como as democracias morrem’. Por exemplo na política de armas, na calada da noite ele decretou uma série de medidas gravíssimas com relação à posse, compra e porte de armas e munições. Ele já tinha dito naquela reunião horrorosa em abril do ano passado que tem que armar a população. Ele está fazendo isso. Não resta a menor dúvida que ele está abastecendo legalmente milícias privadas, apoiadores, pessoas que em um determinado momento, se ele precisar mobilizá-las, e ele tem poder para isso, ele vai fazer e as pessoas estarão com as armas”.
"Muitos que ajudaram Jair Bolsonaro a se eleger, sabendo quem ele é, agora fingem espanto cada vez que ele aumenta a voltagem das barbaridades que despeja de sua boca pestilenta", diz a jornalista Cristina Serra
247 - A jornalista Cristina Serra observa que muitos dos que apoiaram a chegada de Jair Bolsonaro ao poder “agora fingem espanto cada vez que ele aumenta a voltagem das barbaridades que despeja de sua boca pestilenta. Teve até general escrevendo cartinha lamuriosa. Sentem-se traídos? Bem feito”.
“Bolsonaro arrasta o país ao ridículo mundial junto com sua figura grotesca, capaz de comemorar a interrupção dos testes da vacina contra a Covid e de lançar suspeitas infundadas sobre a imunização; aparelhar a Anvisa e destruir o que resta da credibilidade do órgão regulador, num momento em que a pandemia está longe de ser controlada. Isso é um crime contra o país”, diz a jornalista em sua coluna deste sábado (14) na Folha de S. Paulo.
“No Amapá, o clima é de convulsão social em consequência do apagão de energia. Há mais de dez dias, a população se tornou refém da inépcia da empresa transmissora e das autoridades, em todos os níveis. Abandono não é novidade nos confins da Amazônia. E qual o plano dos fardados para a região ? Controlar ONGs e levar embaixadores para um passeio”, destaca.
“Bolsonaro nos legará um farrapo de país. Na mesma cerimônia, disse: "Não estou preocupado com minha biografia, se é que tenho biografia". Nisso, ele tem razão. Bolsonaro e família não têm biografia. Sua história será contada nos arquivos policiais”, diz Cristina no texto.
“Aos que contribuíram para o estado de coisas que levou à sua eleição, aos que o naturalizam como figura normal do jogo democrático, aos que lhe dão sustentação política, evoco Tancredo Neves em 1964. Canalhas, canalhas, canalhas!”, finaliza.