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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Bob Fernandes: Eduardo Cunha vai viver sangramento e solidão. Acirra-se a luta política




 Eduardo Cunha vai viver sangramento e solidão. Acirra-se a luta política

Há anos tratamos aqui do personagem Eduardo Cunha (PMDB-RJ). E há meses abordamos como ele vem criando o Cunhistão, ou Cunholândia.

Cunha, agora acusado de ter recebido propina de US$ 5 milhões.
Os delatores, Júlio Camargo e Youssef, são criminosos confessos... Devem provar o que dizem.
Na sexta-feira, 17, o presidente da Câmara ocupou rede de Rádio e Tv. Não houve "panelaço". Se tanto, constrangida sessão "panelinha".
Constrangida porque Eduardo Cunha sempre foi isso aí. Não viu quem ele é quem não quis, ou não pode ver. E quem o usa para atingir adversário da ocasião.
Eduardo Cunha serviu aos poderes de PC Farias e Collor, Maluf, Garotinho, e deles se serviu...
Eduardo Cunha elegeu-se presidente da Câmara como se não soubessem o que ele é. PSDB e oposições de peso votaram em e com Eduardo Cunha.
Na marra, com cúmplices e silêncios abjetos, ele comandou reformas que são retrocessos...
Dias antes dessa explosiva delação pública de Júlio Camargo, Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, foi à casa de Cunha e conversou sobre...impeachment...
Presente também Paulinho da Força. Pano rápido.
Somando-se o Senado de Renan Calheiros (PMDB-AL), outro investigado na Lava Jato, o Congresso espetou R$ 77 bilhões em despesas a serem bancadas pelo Tesouro.
Sendo quem são, Eduardo Cunha e Renan foram poupados pelas panelas. Muitas das panelas, só de ocasião, tomadas pelo fígado e ressaca eleitoral...
E nunca é demais lembrar...
No dia seguinte à eleição para presidências da Câmara e Senado ambos prometeram: Regulação Econômica da Indústria de Mídia só por cima dos seus cadáveres e poderes.
No seu reinado, Eduardo Cunha foi recebido em público com aplausos e rapapés. E o baronato ofereceu conversas reservadas e tapete vermelho.
Quem colhe depoimentos e provas diz que se avolumam os indícios contra o presidente da Câmara.
Eduardo Cunha vai experimentar o que vinha impondo com verbo e verbas: sangramento, e a solidão de quem têm o Poder esvaziado...
Mas Eduardo Cunha segue vivo...
Acirra-se a luta política, aberta e nos bastidores. Agora com divisões, traições, fugas e carnificina também no Valle de Los Caídos.
Por isso tanto constrangimento para se aceitar que Eduardo Cunha é ... Eduardo Cunha.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Bob Fernandes: Derrotas na Cunholândia, ou Cunhistão. Mas calma... lá na Cunholândia vale tudo (e de fato, o vale tudo manobrista a favor da direita venceu depois)




Segue vídeo (e sua transcrição textual) com a análise do comentarista político Bob Fernandes sobre a derrota de Eduardo Cunha na terça e suas manobras contra o regimento para novamente aprovar o Financiamento Privado de Campanha e outras "garantias" para si e para a continuidade da corrupção....




Na largada, a Câmara votou Reforma que, ao menos na estreiam nada reformou. Reforma Porcina, a que foi sem nunca ter sido, como a viúva da novela. 

Mas calma, ainda falta mais... e na Cunholândia vale tudo. 

Falta votar o fim da reeleição, eleição unificada a cada 5 anos... e nesta quarta, 17, Cunha cunhou manobra para votar de novo o financiamento empresarial de campanhas. 

Agora não mais no varejão dos candidados, como na proposta derrotada, mas no atacadão, via partidos que repassariam a grana para os seus. 

Na estreia, nada obteve os 308 votos necessários para mudar a Constituição. 

"Distritão", o único sistema com chances de aprovação, foi jogada do PMDB de Temer e do grande derrotado da primeira noite e madrugada, Eduardo Cunha.

Cunha não aceita derrota no que mais defende: incluir na Constituição o financiamento empresarial. Com ele perderia também Gilmar Mendes.

Mendes pediu vistas do processo há um ano, quando o Supremo, já por maioria definitiva, vetava financiamento empresarial.

A primeira batalha Cunha perdeu por vários motivos, alguns evidentes: demasiado apetite e prepotência em mais um ato atrabiliário. 

Perdeu porque atropelou o relator Marcelo Castro (PI), do seu partido, e enterrou propostas negociadas por Castro na Comissão de Reforma.

Perdeu porque começa a ficar claro que, investigado por corrupção no esquema Petrobras, Cunha fará qualquer aliança para salvar o pescoço. 

Reforma tão cobrada, ainda que não se saiba exatamente qual, não pode ser feita porque um homem ambicioso e hábil sonha criar seu reino... a Cunholândia, ou Cunhistão.

Num sistema político gangrenando, Reforma não deveria ser imposta, com desprezo a regimentos, sugestões, debates, e também a erros acumulados.

O jogo não acabou, tem mais. Mas ao menos na estreia não houve avanço concreto.

Como, por exemplo, alguma barreira contra criação de partidecos que mordem dinheiro no fundo partidário e leiloam espaços no horário eleitoral. 

Estranhamente, o que se comemorava ao fim do primeiro round não foi alguma Reforma, mas o ficar tudo como está. Comemorava-se o não ter ficado pior...a manutenção do status quo. 
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Mas... calma, ainda falta. E, como se sabe, na Cunholândia, ou Cunhistão e seus múltiplos significados, vale tudo.