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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Da crise ambiental ao pós-capitalismo, por John Bellamy Foster


170706-Ecossocialismo2b

A história da consciência ecológica quanto suas implicações estão profundamente ligadas ao ecossocialismo
Por John Bellamy Foster*, na Monthly Review | Tradução: Antonio Martins - do Outras Palavras
E é por nos mantermos na obscuridade sobre a natureza
da sociedade humana – entendida como oposta à natureza em geral –
que agora nos deparamos (assim me asseguram os cientistas implicados)
com a possível destruição completa deste planeta,
mal ele se converteu no lugar em que vivemos
.
Bertolt Brecht1
O Antropoceno, visto como uma nova Era geológica que substituiu o Era Holocena nos últimos 10 a 12 mil anos, representa o que tem sido chamado uma “brecha antropogênica 2” na história do planeta. Introduzido formalmente no debate científico e ambiental contemporâneo pelo climatologista Paul Crutzen em 2000, ele surge da noção segundo a qual os seres humanos tornaram-se a força emergente primária a afetar o futuro do sistema Terra. Embora normalmente identificado com as origens da Revolução Industrial, no final do século XVIII, é provável que o Antropoceno tenha eclodido no final dos anos 1940 ou 50. Evidências científicas recentes sugerem que o período a partir de 1950 mostra um grande pico e marca a Grande Aceleração nos impactos humanos sobre o ambiente, e que os traços mais dramáticos da brecha antropogênica são encontrados na chuva de radionuclídeos desencadeada pelos testes com armas nucleares 3.
Proposto desta forma, o Antropoceno pode ser visto como correspondente, grosso modo, à emergência do movimento ambientalista moderno, cujas origens estão nos protestos liderados por cientistas contra os testes nucleares sobre a superfície, após a II Guerra Mundial – e que emergiu como um movimento mais amplo em seguida à publicação de Primavera Silenciosa [Silent Spring], de Rachel Carson, em 1962. O livro de Carson foi logo seguido, nos anos 1960, pelos primeiros alertas, de cientistas soviéticos e norte-americanos, sobre um aquecimento global acelerado e irreversível 4. É esta inter-relação dialética entre a aceleração ao Antropoceno e o avanço de um imperativo ambientalista radical, em resposta, que constitui o tema central do maravilhoso livro novo de Ian Angus. Sua capacidade de oferecer perspectivas sobre o Antropoceno como um novo patamar de interação entre sociedade e natureza, produzido por uma mudança histórica; e sobre como os novos imperativos ecológicos tornaram-se uma questão central diante de nós no século XXI são o que faz Facing the Anthropocene [Diante do Antropoceno, em tradução provisória] tão indispensável.
Hoje parece provável que o Antropoceno será associado em particular, na ciência, à era pós-II Guera Mundial. Apesar disso, como em todas os grandes pontos de virada da História, houve sinais de picos menores, em etapas anteriores do percurso, a partir da Revolução Industrial. Isso reflete o que o filósofo marxista István Mészáros chama de “dialética da continuidade e descontinuidade”, que caracteriza todos os processos emergentes na história 5. Embora o conceito de Antropoceno tenha emergido completamente apenas com a concepção científica moderna de sistema Terra, e que suas bases físicas sejam cada vez mais identificadas com a Grande Aceleração após a II Guerra Mundial, esta era foi prefigurada por noções anteriores, que surgiram de pensadores cujo foco estava nas mudanças dramáticas provocadas, na interface entre seres humanos e natureza, a partir do capitalismo – entre elas, a Revolução Industrial, a colonização do mundo e a era dos combustíveis fósseis.
A natureza, a natureza que precedeu a história humana”, destacaram Karl Marx e Frederik Engels já em 1845, “não existe mais (exceto talvez em algumas ilhas de coral de origem recente)”6. Visões similares foram apresentadas por George Perkins Marsh, em Man and Nature, de 1864, dois anos antes de que Ernst Haeckel cunhasse a palavra ecologia, e três anos antes de Marx publicar o primeiro volume de O Capital, com sua advertência sobre o abismo metabólico na relação entre humanidade e natureza 7.
170706-Antropoceno

Foi apenas no último quarto do século XIX e no início do XX, porém, que apareceu o conceito chave da biosfera, a partir do qual nossa noção moderna de sistema Terra iria se desenvolver. O marco mais notável é a publicação de A Biosfera, do geoquímico soviético Vladimir I Vernadsky, em 1926. “Vernadsky desmantelou, de maneira notável, a fronteira rígida entre organismos vivos e um ambiente não vivo, descrevendo a globalidade da vida bem antes que o primeiro satélite enviasse fotografias da Terra a partir de sua órbita”, escrevem Lynn Margulis e Dorian Sagan em What is Life 8.
A aparição do livro de Vernadsky coincidiu com a primeira introdução do termo Antropoceno (junto com Antropogene), por seu colega, o geólogo soviético Aleksei Pavlov, que costumava se referir a um novo período geológico no qual a humanidade seria a principal condutora da mudança geológica planetárias. Como Vernadsky observou em 1945, “A partir da noção do papel geológico do ser humano, o geólogo A.P. Pavlov (1854-1929) costumava falar, nos últimos anos de sua vida, da era antropogênica, na qual vivemos agora. (…) Ele enfatizou com razão que o ser humano, sob nossos próprios olhos, está se tornando uma força geológica poderosa e crescente. (…) No século XX, o ser humano conheceu e abarcou toda a biosfera, pela primeira vez na história da Terra, completou o mapa geográfico do planeta e colonizou toda a sua superfície” 9.
Simultaneamente ao trabalho de Vernadsky sobre a biosfera, o bioquímico soviético Alexander Oparim e o biólogo social britânico J.B.S Hadane desenvolveram independentemente, nos anos 1920, a teoria da origem da vida, conhecida como a “teoria da sopa primitiva”. Conforme sintetizado pelos biólogos Richard Levins e Richard Lewontin, da Universidade de Harvard, “a vida emergiu originalmente de matéria inanimada [o que Haldane descreveu, de mondo notório, como uma “sopa quente diluída”], mas esta origem tornou impossível sua ocorrência contínua, porque os organismos vivos consomem as moléculas orgânicas complexa necessárias para recriar a vida de novo. Além disso, a atmosfera rarefeita (desprovida de oxigênio livre) que existia antes do início da vida foi convertida, pelos próprios organismos vivos, em outras, rica em oxigênio reativo”. Deste modo, a teoria de Oparin-Haldane explicou pela primeira vez como a vida pode ter-se originado de matéria inorgânica, e por que o processo não poderia se repetir. Igualmente significativo, a vida, que emergiu desta maneira bilhões de anos atrás, poderia ser vista como criadora da biosfera, por meio de um complexo processo de co-evolução.10
Foi Rachel Carson, em seu discurso paradigmático “Our Polluted Environment” [“Nosso Ambiente Contaminado”], que introduziu o conceito de ecossistema entre o público norte-americano. Ela expressou de forma eloquente a perspectiva ecológica e a necessidade de levá-la em conta em todas as nossas ações. “Desde o início do tempo biológico”, escreveu ela, “estabeleceu-se a interdependência mais próxima possível entre o ambiente físico e a vida que ele sustenta. As condições na jovem Terra produziram a vida; então, a vida modificou imediatamente as condições da Terra, de forma que este único ato extraordinário de geração espontânea não poderia se repetir. De uma forma ou de outra, a ação e interação entre a vida e seus entornos mantém-se desde então”.
Penso que este fato histórico tem significado não apenas acadêmico. Uma vez que o aceitemos, percebemos que não podemos fazer, impunemente, ataques repetidos ao ambiente como os atuais. Qualquer estudante sério da história do planeta sabe que nem a vida, nem o mundo físico que a mantém, existem em pequenos compartimentos isolados. Ele reconhece, ao contrário, a extraordinária unidade entre os organismos e o ambiente. Por esta razão, sabe que substâncias danosas liberadas no ambiente retornam com o tempo, para criar problemas para a humanidade.
O ramo da ciência que lida com estas inter-relações é a Ecologia.. Não podemos pensar no organismo vivo isolado; nem podemos pensar no ambiente físico como um ente separado. Os dois existem juntos, cada um agindo sobre o outro para formar um ecossistema ecológico complexo.11
No entanto, apesar da visão ecológica integrada apresentada por figuras como Carson, os conceitos de Vernadsky sobre a biosfera e os ciclos biogeoquímicos foram por muito tempo subestimadas no Ocidente – devido às concepções reducionistas que prevaleciam na ciência ocidental e, também, ao fundo soviético que havia nestes conceitos. Os trabalhos científicos soviéticos eram bem conhecidos dos cientistas do Ocidente e foram frequentemente traduzidos, nos anos da Guerra Fria, por publicações científicas e mesmo pelo governo dos EUA – ainda que, de modo incompreensível, A Biosfera, de Vernadsky não tenha sido traduzido ao inglês até 1998. Era uma necessidade, já que, em alguns campos como a climatologia, os cientistas soviéticos estavam bem à frente de seus pares norte-americanos. Porém, este intercâmbio científico mais amplo, que atravessava as fronteiras da guerra Fria, foi raramente transmitido ao público mais amplo, entre o qual o conhecimento das conquistas soviéticas em tais áreas praticamente inexistia. Ideologicamente, portanto, o conceito da biosfera parece ter caído, por largo período, sob uma espécie de interdição.
Ainda assim, a biosfera assumiu o centro do palco em 1970, com uma edição especial da revista Scientific American sobre o tema 12. Mais ou menos à mesma época, o biólogo socialista Barry Commoner advertiu, em The Closing Cicle, sobre asa vastas mudanças na relação humana com o planeta, a partir da era atômica e da emergência dos processos modernos na química sintética. Commoner chamou a atenção novamente para os alertas precoces sobre a ruptura ambiental dos ciclos da vida, expressa na discussão de Marx sobre a quebra do metabolismo do solo13.
Em 1972, Evgeni Fedorov, um dos principais climatologistas do mundo e membro do Presidium do Soviete Supremo da União Soviética, assim como o principal apoiador soviético da análise de Commoner (autor das “Notas de Conclusão” à edição russa de seu livro) declarou que o mundo teria de livrar-se dos combustíveis fósseis. “Um aumento na temperatura da Terra é inevitável se não nos decidirmos a usar, como fontes de energia, a radiação solar direta e a energia hidráulica das ondas e do vento, e preferirmos obter energia de combustíveis fósseis” ou reações nucleares.14Para Fedorov, a teoria de Marx sobre o “metabolismo entre a humanidade e a natureza” constituía a base metodológica para uma abordagem ecológica da questão do sistema Terra 15. Foi nos anos 1960 e 70 que os climatologistas na União Soviética e Estade os Unidos encontraram as “evidências” – nas palavras de Clive Hamilton e Jacques Grinevald – de um “metabolismo mundial”.16
O avanço das análises do sistema Terra nas décadas seguintes sofreu também o forte impacto das visões de fora, que emanavam das primeiras missões espaciais. Conforme escreveu Howard Odum, um dos principais responsáveis pela criação da ecologia dos sistemas, em Environment, Power and Society:
Podemos iniciar uma visão dos sitemas da Terra por meio do telescópio de um astronauta muito acima do planeta. A partir de um satélite em órbita, a zona de vida da Terra parece muito simples. A fina camada de água e ar que cobre o planeta – a biosfera – está limitadea no interior por sólidos densos e no exterior pelo quase vácuo do espaço… A partir do céu, é fácil falar de equilíbrios gasosos, balanços energéticos ao longo de milhões de anos, e da magnífica simplicidade do metabolismo total da delgada casca exterior da Terra. Com a exceção do fluxo de energia, a biosfera é, em sua maior parte, um sistema fechado em que os materiais circulam e são reutilizados. 17
O mecanismo de mega-crescimento” que ameaça este “metabolismo total”, continuou Odun, “é o capitalismo”18. O conceito atual de Antropoceno reflete portanto, por um lado, um reconhecimento crescente do papel – em rápida aceleração – dos motores antropogênicos, na ruptura dos processos biogeoquímicos e dos limites planetários do sistema Terra; por outro um duro alerta de que o mundo está sendo catapultado, sob as lógicas atuais, para uma nova etapa ecológica – bem menos capaz de manter a diversidade biológica e uma civilização humana estável.
Ao articular estes dois aspectos do Antropoceno – o geológico e o histórico, o natural e o social, o clima e o capitalismo – num visão única e integrada, é a principal conquista de Facing the Antrhopocene. Ian Angus demonstra que, se não interrompido, o “capitalismo fóssil”, é um trem desgovernado, que conduzirá a um apartheid ambiental planetário e ao que o grande historiador marxista E.P. Thompson chamava de um possível estágio histórico do “extremismo”. Neste, as condições de existência de centenas de milhões, ou bilhões de pessoas, mudarão dramaticamente, a as próprias bases da vida como a conhecemos serão ameaçadas. Além disso, tudo isso tem como fonte o que Odum chamou de “capitalismo imperial”, que ameça as vidas das populações mais vulneráveis do planeta num sistema de desigualdade global forçada 19.
Tamanhos são os perigos, diz Angus que apenas um enfoque novo, radical das ciências sociais (e, portanto da própria sociedade) – uma abordagem que leve a sério a advertência de Carson sobre o risco de solapar os processos vivos da Terra e receber o troco – pode nos oferecer as respostas de que precisamos na era do Antropoceno. No que diz respeito a esta mudança, fazê-la “amanhã é tarde demais”20.
Mas a ciência social dominante, que serve à ordem social dominante e aos grupos no poder, ajudou até agora a obscurecer estes temas, preferindo jogar seu peso em favor de medidas paliativas, e soluções mecanicista como os mercados de carbono e a geoengenharia. É como se a resposta à crise do Antropoceno pudesse ser consistente – dos pontos de vista econômico e tecnológico – com um novo avanço da hegemonia do Capital sobre a Terra e seus habitantes. Isso, a despeito do fato de a acumulação presente do capital estar na raiz do problema. O resultado é projetar o mundo em direção a perigos ainda maiores.
O necessário, como alternativa é reconhecer que a lógica de nosso modo de produção atual – o capitalismo – é o que bloqueia o caminho para a criação de um mundo de desenvolvimento humano sustentável, que transcenda o desastre em espiral que, de outra forma, aguarda a humanidade. Para salvar-nos, precisamos criar uma lógica socioeconômica distinta, que conduza a diferentes fins humano-ambientais – uma revolução ecossocialista em que as grandes multidões da humanidade participem.
Mas não há riscos implícitos numa mudança tão radical? Todas as tentativas de derrocar o sistema de produção atual, e o uso de energia associado a ele não resultarão em grandes batalhas e sacrifícios? Há alguma certeza de que seremos capaes de criar uma sociedade de desenvolvimento humano sustentável, como concebem os socialistas do tipo de Ian Angus? Não seria melhor equivocar-se pelo negacionismo que pelo “catastrofismo”? Não deveríamos esperar para agir, até que saibamos mais?
Aqui pode ser útil citar o grande dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht, num poema didático:
A parábola de Buda sobre a casa em chamas
Gautama, o Buda, ensinou
A doutrina da roda da cobiça, à qual estamos atados, e aconselhou
Livrar-se de toda cobiça e assim
Sem ambição penetrar no Nada, que ele denominou Nirvana.
Perguntaram-lhe então um dia seus alunos:
Como é esse Nada, mestre? Todos nós queremos
Livrar-nos de toda cobiça, como nos aconselhas, dize-nos porém
Se esse Nada, no qual então penetraremos
É talvez como o ser-um com tudo criado
Ao deitar-se alguém na água, corpo leve, ao meio-dia
Sem pensamentos quase, com preguiça deitado na água, caindo
No sono, mal sabendo então que puxa a coberta
Afundando rapidamente. Se esse Nada, portanto
É assim contente, um bom Nada, ou se esse teu Nada
É simplesmente um Nada, frio, vazio, sem sentido.
Longamente silenciou o Buda, e disse então displicente:
Nenhuma resposta para vossa pergunta.
Mas à noite, quando haviam partido
Sentado ainda sob o pé de fruta-pão, contou o Buda aos outros
Aos que não haviam perguntado, a seguinte parábola:
Há pouco tempo vi uma casa. Queimava. A chama
Lambia o telhado. Aproximei-me e notei
Que ainda havia pessoas dentro. Cheguei à porta e gritei-lhes
Que o telhado estava em fogo, incitando-as assim
A sair rapidamente. Mas as pessoas
Pareciam não ter pressa. Uma delas me perguntou
Enquanto o calor lhe chamuscava a sobrancelha
Se não soprava o vento, se não havia uma outra casa
E coisas assim. Sem responder
Afastei-me novamente. Estes, pensei
Têm que queimar, até parar de fazer perguntas. Em verdade, amigos
Àquele que ainda não sente o chão bastante quente
Para trocá-lo por qualquer outro, em vez de lá ficar, a este
Nada tenho a dizer. Assim fez Gautama, o Buda.
Mas também nós, não mais ocupados com a arte de suportar
Antes ocupados com a arte de não suportar, e apresentando
Sugestões várias de natureza terrena, e aos homens ensinando
A desvencilhar-se dos tormentadores humanos, achamos que àqueles que
À vista dos iminentes esquadrões de bombardeiros do Capital gastam tempo a perguntar
Como pensamos em fazer isto, como imaginamos aquilo
E o que será de suas economias e de seus trajes de domingo após uma reviravolta
Nada temos a dizer.
(Tradução de Paulo César Souza)21
O capitalismo e o meio ambiente global alienado que o sistema produziu constituem hoje nossa “casa em chamas”. Os ecologistas hegemônicos em geral preferem, diante deste dilema monstruoso, ir pouco além de contemplá-lo, observando e fazendo pequenos ajustes ao que os rodeia, enquanto as chamas lambem o telhado e toda a estrutura ameaça entrar em colapso. Trata-se, em vez disso, de mudar, de reconstruir a casa da civilização com princípios arquitetônicos diferentes, criando um metabolismo mais sustentável entre a humanidade e o planeta. O nome do movimento para conseguir isso, que surge dos movimentos socialistas e ecologistas radicais, é Ecossocialismo, Facing the Anthropocene é seu manifesto mais atualizado e eloquente
* Este artigo é uma adaptação do prólogo do livro de Ian Angus, Facing the Anthropocene: Fossil Capitalism and the Crisis of the Earth System(Monthly Review Press, 2016).
1 Bertolt Brecht, Brecht on Theatre (New York: Hill and Wang, 1964), 275
2 Clive Hamilton e Jacques Grinevald, “Was the Anthropocene Anticipated?”Anthropocene Review 2, no. 1 (2015): 67.
3 Paul J. Crutzen e Eugene F. Stoermer, “The Anthropocene,”Global Change Newsletter, 1º/5/2000, 17; Paul J. Crutzen, “Geology of Mankind,”Nature 415, no. 6867 (2002): 23; Colin N. Waters et al., “The Anthropocene Is Functionally and Stratigraphically Distinct from the Holocene,”Science 351, no. 6269 (2016): 137, 137, 2622-1–2622-10.
4 Spencer Weart, “Interview with M. I. Budyko: Oral History Transcript,” March 25, 1990, http://aip.org ; M. I. Budyko, “Polar Ice and Climate,” em J. O. Fletcher, B. Keller, and S. M. Olenicoff, eds.,Soviet Data on the Arctic Heat Budget and Its Climatic Influence (Santa Monica, CA: Rand Corporation, 1966), 9–23; William D. Sellars, “A Global Climatic Model Based on the Energy Balance of the Earth Atmosphere System,”Journal of Applied Meteorology 8, no. 3 (1969): 392–400; M. I. Budyko, “Comments,”Journal of Applied Meteorology 9, no. 2 (1970): 310. 
5 István Mészáros,The Power of Ideology (New York: New York University Press, 1989), 128.
6 Karl Marx and Frederick Engels,Collected Works, vol. 5 (New York: International Publishers, 1976), 40
7 George P. Marsh, Man and Nature (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1965); Frank Benjamin Golley,A History of the Ecosystem Concept in Ecology (New Haven, CT: Yale University Press, 1993), 2, 207; Karl Marx,Capital, vol. 1 (London: Penguin, 1976), 636–39;Capital, vol. 3 (London: Penguin, 1981), 949.
8 Lynn Margulis and Dorion Sagan, What Is Life? (New York: Simon and Schuster, 1995), 47; Vladimir I. Vernadsky,The Biosphere (New York: Springer, 1998). O conceito de biosfera, introduzido originalmente pelo geólogo francês Edward Suess em 1875, foi muito mais desenvolvido por Vernadsky e acabou associado basicamente a ele.
9 Vladimir I. Vernadsky, “Some Words about the Noösphere,” en Jason Ross, ed.,150 Years of Vernadsky, vol. 2 (Washington, D.C.: 21st Century Science Associates, 2014), 82; E. V. Shantser, “The Anthropogenic System (Period),” enThe Great Soviet Encyclopedia, vol. 2 (New York: Macmillan, 1973), 140. O artigo de Shantser introduziu a palavra “Antropoceno” no idioma inglês.
10 Richard Levins and Richard Lewontin, The Dialectical Biologist (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1985), 277; A. I. Oparin, “The Origin of Life,” en J. D. Bernal,The Origin of Life (New York: World Publishing, 1967), 199–234; and J. B. S. Haldane, “The Origin of Life,” en Bernal,The Origin of Life, 242–49.
11 Rachel Carson, Lost Woods (Boston: Beacon, 1998), 230–31
12 G. Evelyn Hutchinson, “The Biosphere,”Scientific American 233, no. 3 (1970): 45–53.
13 Barry Commoner,The Closing Circle: Nature, Man, and Technology (New York: Knopf, 1971), 45–62, 138–75, 280.  
14 E. Fedorov citado em Virginia Brodine,Green Shoots, Red Roots (New York: International Publishers, 2007), 14, 29. Ver também E. Fedorov, Man and Nature (New York: International Publishers, 1972), 29–30; John Bellamy Foster, ” Late Soviet Ecology and the Planetary Crisis ,”Monthly Review 67, no. 2 (June 2015): 9; M. I. Budyko, The Evolution of the Biosphere (Boston: Reidel, 1986), 406. Os apelos de figuras proeminentes, como Fedorov, a uma resposta mais rápida e radical diantes dos problemas ambientais foram basicamente ignorados pelo Estado soviético, com resultados trágicos.
15 Fedorov, Man and Nature, 146.
16 Hamilton and Grinevald, “Was the Anthropocene Anticipated?” 64. 
17 Howard T. Odum, Environment, Power, and Society for the Twenty-First Century (New York: Columbia University Press, 2007), 3.  
18 Odum, Environment, Power, and Society, 263
19 E. P. Thompson, Beyond the Cold War (New York: Pantheon, 1982) 41–80; Rudolf Bahro,Avoiding Social and Ecological Disaster (Bath, UK: Gateway, 1994), 19; Odum,Environment, Power, and Society, 276–78.  
20 Rolf Edburg and Alexei Yablokov,Tomorrow Will Be Too Late (Tucson, AZ: University of Arizona Press, 1991).
21Bertolt Brecht, Poemas (1913-1956), Editora Braziliense, São Paulo, 1986

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Para o jornal francês Le Monde o Brasil do golpe tornou-se presença pálida no cenário internacional


Jornal GGN - No jornal francês Le Monde, uma análise assinada pela correspondente Claire Gatinois e publicada nesta quinta-feira (22) classifica o Brasil como uma “estrela pálida” no cenário internacional. 
 
As viagens internacionais do presidente Michel Temer - primeiro para a Rússia, e depois para a Noruega - são consideradas como um ativismo do presidente que quer “mostrar que seu país não está paralisado”, diz Gatinois. 
 
O periódico europeu também diz que Temer tenta, em vão, a convencer outros países que o Brasil não virou uma República das Bananas. Na análise, a correspondente também aponta como sinal da queda do prestígio do país o fato de que nenhum chefe de Estado vem visitar o Brasil
 
Leia mais abaixo:

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Foto: Marcos Correa/PR
 
 
Do RFI
 
 
O jornal francês desta quinta-feira (22) publica uma análise da crise econômica que o país atravessa e do escândalo de corrupção sem precedentes que influenciaram a imagem do Brasil no exterior.
 
"A estrela pálida do Brasil na cena internacional” é o título da análise que o Le Monde traz nesta quinta-feira, assinada pela sua correspondente no país, Claire Gatinois. Segundo ela, o presidente brasileiro ignorou a ameaça da Justiça e foi para Rússia em viagem oficial, posando até mesmo ao lado do chefe de Estado russo Vladimir Putin em um espetáculo do balé Bolshoi, em Moscou.
 
Para o Le Monde, a viagem, que termina na Noruega nesta sexta-feira, é uma “demonstração do ativismo internacional de um presidente que está “determinado a mostrar que seu país não está paralisado."
 
Apesar da Operação Lava-Jato, que revelou um esquema de corrupção com tentáculos mais longos do que o esperado, Temer busca convencer os outros países que o Brasil não se transformou em uma República das Bananas. Segundo o Le Monde, a tentativa é em vão.
 
Crise moral e ostracismo
 
A crise moral no país se aprofunda e o mergulha em um ostracismo diplomático. Impossível, lembra o diário, não notar que nenhum chefe de Estado vem visitar o país, contrariamente à época de Lula, admirado por pesos pesados da política internacional como o ex-presidente dos EUA Barack Obama, por exemplo. Período em que o Brasil também foi escolhido para sediar a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016).
 
A destituição de Dilma e os escândalos de corrupção também fragilizaram a imagem do Brasil dentro da América Latina, lembram especialistas citados pelo Le Monde, onde o país também não exerce mais uma liderança.
 
A perda de influência na cena internacional, lembra o Le Monde, começou entretanto com Dilma – economista tecnocrata que nunca foi uma “expert” em política externa, observa o jornal. Foi início de uma derrocada que se concretizou depois do impeachment. Paulo Sergio Pinheiro, ex-secretário dos Direitos Humanos, relator da ONU, diz querer acreditar em um “parênteses maldito”.
 
Para o jornal francês, o tamanho do Brasil e seus recursos naturais podem ajudar o país virar novamente o jogo e voltar a ser um ator nas questões internacionais. “Mas é necessária uma limpeza de sua paisagem política”, conclui o artigo.

terça-feira, 14 de junho de 2016

De como o conspirador interino trata a Educação e a Ciência num governo dominado por fundamentalistas, bandidos e hipócritas em texto publicado no The Huffpost



"Pra mim que sou cientista, fica difícil ver o corte de mais de 10 bilhões do orçamento do Ministério da Educação, corte de 1,4 bi no Ministério de Ciência e Tecnologia, cortes no financiamento de auxílio à pesquisa da CAPES, cortes nas fundações de amparo, cortes de milhares de bolsas de estudo no Brasil e corte de todos os novos pedidos para o exterior." (...)

(Agradecimento especial à minha inteligente e encantadora amiga +Angélica Maia por me ter mostrado este texto do Huffpost Brasil)

Que se f* ciência cara!


Texto de Hugo Fernandes-Ferreira, publicada no Huffpost Brasil



Frases prováveis de um diálogo pouco provável, amparado por fatos para lá de concebidos.
-- E aí, cara, beleza?
-- Opa! Mais ou menos. Tá difícil essa vida. Pra mim que sou cientista, fica difícil ver o corte de mais de 10 bilhões do orçamento do Ministério da Educação, corte de 1,4 bi no Ministério de Ciência e Tecnologia, cortes no financiamento de auxílio à pesquisa da CAPES, cortes nas fundações de amparo, cortes de milhares de bolsas de estudono Brasil e corte de todos os novos pedidos para o exterior. É muito corte. Isso sem contar o exército de doutores desempregados, assistindo um outro exército se formando, sem perspectivas de concurso ou vaga no mercado privado.
-- Que se foda a Ciência, cara! Estamos em uma crise econômica, à beira de um colapso em diversos setores da indústria e do comércio. Temos mais com o que nos preocupar. Quem liga pra Ciência uma hora dessas?
-- Mas olha só o exemplo do Japão. Após ser sido derrotado na Segunda Guerra Mundial e com a economia completamente destruída, resolveu investir em Ciência e Educação. Hoje, o país conta com quase 700.000 cientistas dentre os seus 127 milhões de habitantes. A pasta tem hoje um orçamento anual de cerca de 120 bilhões de dólares, a nação é líder mundial na produção de pesquisa fundamental e detém um PIB de quase cinco trilhões de dólares, cuja maior parte é fruto de insumos tecnológicos.
-- Ah, mas o Japão é o Japão. Quero ver fazer isso com um PIB que nem o nosso.
-- Dá pra fazer até com menos. Israel tem seu PIB de US$ 290 bilhões fortemente atrelado à produção científico-tecnológica e ocupa o sexto lugar em relevância científica. Apesar de ter crescido bastante no número de publicações, alcançando um 23º lugar, o Brasil ocupa o 40º lugar em termos de qualidade de suas produções. Pra piorar, a produção econômica advinda de nossas pesquisas é pífia, mesmo com nosso PIB de US$ 2,2 trilhões. Mesmo se considerarmos o PIB per capita brasileiro (cerca de US$ 11.000), o Brasil ainda está atrás da Índia na produção científica, país que detém aproximadamente US$ 1.000 per capita, valor 10 vezes menor.
-- Então o Alckmin tá certo quando diz que a Fapesp prioriza financiar um monte de projeto de sociologia ou então pesquisas sem utilidade prática.
-- Rapaz, o Alckmin, em uma simples frase, conseguiu errar três vezes. Pra começar, a Fapesp é a maior financiadora do maior centro de produção científica do país, que é o estado de São Paulo. USP, Unicamp e Unesp são responsáveis por mais da metade das publicações do Brasil se considerarmos apenas as 10 melhores nacionais. Detém também o maior número de publicações de alto impacto, o que invalida essa afirmação de priorizar inutilidades. E ele erra também porque as ciências humanas são as que recebem menos recurso. Muito me espanta ele tratar a sociologia como algo inútil, já que essa ciência foi base primordial para a fundação de seu partido. Mas ele erra principalmente no conceito de "pesquisa inútil". Ciência básica não é inútil. Você sabe o que é Caspr-Cas9?
-- Não.
-- Basicamente, é uma técnica de edição de DNA muito precisa, que tem a promessa de curar qualquer doença genética. A notícia saiu esse mês e é considerada como a maior revolução da biotecnologia depois da ovelha Dolly. Resultados prévios já apontaram a cura para a AIDS inclusive, mas aqui no Brasil, esse país de analfabetos científicos, quase ninguém falou sobre isso. O que eu quero te ilustrar é que o Crispr-Cas9 foi descoberto através de pesquisas básicas envolvendo defesa de bactérias. Ninguém encomendou essas pesquisas com o objetivo de revolucionar a genética. Ninguém sequer sabia disso. Isso porque não existe avanço sem base. E tem mais, se o problema é a falta de aplicabilidade, há de se mudar a maneira de se aplicar a Ciência e não simplesmente cortar suas pernas. Se você tem um produto muito bom e quer fazer com que ele seja consumido, você tem que investir no acesso ao seu cliente ao invés de fechar a fábrica.
-- Muito bonito, mas uma descoberta dessa não acontece aqui no Brasil.
-- Não acontece porque há um sistema que colabora fortemente para isso. A profissão de cientista no Brasil é quase inexistente. Ele tem que conciliar suas pesquisas com uma carga horária grande de aulas, além de administrar desde a complexa contabilidade do seu laboratório até a compra de papel higiênico pro banheiro. Pedidos de materiais básicos passam por longos processos de licitação, que custam caro e retornam em baixíssima qualidade. Não à toa, estamos perdendo parte de nossos melhores cientistas. Essa semana, a Suzana Herculano-Houzel, neurocientista de renome internacional, após anos dando soco em ponta de faca, aceitou em tom de desabafo um convite para trabalhar nos Estados Unidos.
-- Rapaz, você falou muito, mas pra mim só falou abobrinha. Quando o assunto é Ciência, já me falaram pra recorrer a um amigo de uns amigos meus. Ele com certeza concorda com tudo que eu to falando e ainda tem uma visão de Ciência bem diferente da sua.
-- É mesmo? Ele é cientista também?
-- Não, ele é bispo da Igreja Universal. Por falar em igreja, tenho que ir. Tenho uma reunião com o Marquinhos. Sobre esses problemas aí que você falou, não se preocupe, que Deus há de ajudar.
-- Meu medo é esse.
-- Medo por que?
-- Sabe qual o nome que se deu ao período onde homens agiam sobre a Ciência em nome de Deus?
-- Não. Qual é?
-- Idade das trevas, Michel. Chamava-se Idade das Trevas...

domingo, 24 de abril de 2016

Os 28 Golpistas na planilha da Odebrecht.... E a Globo se cala....

Os 28 golpistas na planilha da Odebrecht

Por Altamiro Borges

No show de horrores da aprovação do impeachment de Dilma, o cinismo ficou estampado na cara de vários deputados. Eles falaram pela família, por Deus e contra a corrupção numa encenação grotesca para esconder os seus podres. Aos poucos, porém, fica patente a farsa destes moralistas sem moral. O Jornal do Brasil divulgou neste sábado (23) um balanço revelador: "Dos 367 deputados que votaram no último domingo (17) pela admissibilidade do impeachment da presidente Dilma, na Câmara dos Deputados, 28 deles compõem as planilhas da Odebrecht apreendidas na 26ª fase da Operação Lava Jato". Vale conferir e gravar os nomes destes "nobres" e "éticos" parlamentares:

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1- Afonso Hamm (PP-RS);

2- Arthur Maia (PPS-BA);

3- Arthur Virgilio (PSDB-AM);

4- Beto Mansur (PRB-SP);

5- Bruno Araújo (PSDB-PE);

6- Celso Russomano (PRB-SP);

7- Daniel Coelho (PSDB-PE);

8- Duarte Nogueira (PSDB-SP);

9- Eduardo Cunha (PMDB-RJ);

10- Giovani Cherini (PDT-RS);

11- Heráclito Fortes (PSB-PI);

12- Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE);

13- José Carlos Aleluia (DEM-BA);

14- José Otávio Germano (PP-RS);

15- Julio Lopes (PP-RJ);

16- Jutahy Magalhães (PSDB-BA);

17- Luciano Ducci (PSB-PR);

18- Luiz Fernando Faria (PP-MG);

19- Mendonça Filho (DEM-PE);

20- Nelson Marchezan Filho (PSDB-RS);

21- Osmar Terra (PMDB-MG);

22- Otavio Leite (PSDB-RJ);

23- Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG);

24- Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP);

25 Renato Molling (PP-RS);

26- Rogério Marinho (PSDB-RN);

27- Rodrigo Maia (DEM-RJ);

28- Sergio Sveiter (PMDB-RJ).

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Ao todo, a corrosiva "lista da Odebrecht" trouxe os nomes de 36 deputados federais. Destes, 28 falsos moralistas votaram pelo impeachment (78%), um se ausentou da sessão e seis rejeitaram o "golpe dos corruptos". As planilhas também incluem vários governadores - como Geraldo Alckmin (PSDB-SP) -, prefeitos e ministros - totalizando mais de 316 políticos. Quando a lista veio a público, em março, o clima foi de desespero. Alguns analistas afirmaram que ela desmoralizaria a votação do impeachment de Dilma. De imediato, a mídia golpista tratou de abafar o escândalo e o juiz Sergio Moro "arquivou" as apurações e mandou libertar nove investigados, em mais um gesto suspeitíssimo do "justiceiro".

Agora, porém, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de procedimento para uma apuração preliminar sobre a lista. "A Procuradoria-Geral da República ainda analisará o caso para decidir se pede ou não a abertura de inquéritos contra políticos que figuram nas planilhas. Por enquanto, ainda não é possível afirmar se elas tratam de doações legais de campanha ou caixa 2", descreve a reportagem do Jornal do Brasil. O correntista suíço Eduardo Cunha, o chefão do golpe, já admitiu que pediu pessoalmente grana para a empreiteira, mas jura que foi dentro da lei. "Eu só recebo doação de caixa um", afirmou o frio e cínico golpista.

Aécio Neves e o "caranguejo"

As planilhas foram apreendidas pela Polícia Federal em fevereiro na casa de Benedicto Barbosa Silva Junior, ex-executivo da Odebrecht. Elas exibiram possíveis repasses de recursos para 316 políticos de 24 partidos, que teriam sido feitos para as eleições de 2012 e 2014. O jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, foi o primeiro a ter acesso às planilhas em mais um caso sinistro. Em matéria postada em 23 de março, ele citou o nome do presidente do PSDB e de outros lideres do impeachment de Dilma:

"Expoente da oposição, o senador tucano Aécio é mencionado em planilha de pagamentos da eleição de 2010. Ele aparece como beneficiário de um repasse de R$ 120 mil da empreiteira. O senador José Serra (PSDB-SP) também aparece... Adversário do Planalto, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é chamado de 'caranguejo' ao lado de anotação que indica o pagamento de '500', sem maior especificação", descreveu o repórter, que ainda fez questão de enfatizar os nomes de Paulinho da Força (SDD-SP), integrante da tropa de choque do correntista suíço, e do demo Agripino Maia.

A revelação dos nomes de vários políticos golpistas parece que esfriou o interesse da mídia e o tema simplesmente saiu da pauta. O juiz Sergio Moro, sempre tão implacável na sua caçada ao PT, também optou por abafar o caso. Ele decretou, "com urgência", o sigilo dos autos que continham as planilhas da Odebrecht. O justiceiro ainda mandou soltar os nove investigados - entre doleiros e executivos da empreiteira - presos na chamada Operação Xepa, da Lava-Jato. O escândalo sumiu da mídia e os 28 deputados federais que constavam da lista da Odebrecht puderam votar tranquilamente na deposição de Dilma. Muitos deles discursaram em defesa da família, de Deus e da ética! Haja cinismo!  

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sábado, 23 de abril de 2016

Repórteres sem Fronteiras afirmam: "Imprensa brasileira insufla população para derrubar Dilma”



A monopolização da mídia por grandes grupos de empresário também foi alvo de críticas. Segundo a organização, a informação está vinculada a interesses políticos e econômicos desses grupos.
Reprodução/rsf.org
Para a organização, o conflito de interesse da mídia brasileira é um dos principais motivos para o aumento da violência –  Reprodução/rsf.org
organização internacional Repórteres Sem Fronteiras publicou na última quarta-feira (20) um artigo criticando a cobertura mídia brasileira sobre o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Segundo a ONG, os maiores veículos de comunicação do Brasil estão insuflando a população para tentar derrubar a presidenta.
De acordo com o artigo, “os jornalistas que trabalham para estes grupos de mídia estão claramente sujeitos à influência de interesses particulares e partidários [de seus donos], e esses conflitos de interesses são claramente prejudiciais para a qualidade de suas reportagens”.
Recentemente, a organização publicou o Liberdade de Imprensa no Mundo, no qual o Brasil caiu quatro posições, e como consequência, hoje ocupa a vergonhosa colocação de 104° entre 180 países analisados. Para a organização, esse conflito é um dos principais motivos para o aumento da violência que atinge repórteres no País.
Outros fatores elencados que contribuíram para o aumento da violência são as organizações criminosas e até a Policia Militar, que exerce papel de protagonista nesse enredo, agindo de forma “autoritária e violenta” contra os jornalistas.
Em 2015, sete jornalistas morreram, todos investigavam problemas ligados à política e ao crime organizado.
Publicado todos os anos desde 2002, o relatório mede e compara o nível de liberdade oferecido aos jornalistas em 180 países diferentes. A classificação final depende de uma estatística que é elaborada de acordo com o “pluralismo no país, independência da mídia e a segurança dos profissionais”. A pesquisa é elaborada por meio de um questionário de 87 perguntas preenchido por especialistas em cada nação.
Foto: André Sampaio
Outro fator que contribuiu para o aumento da violência foram as ações violentas e autoritárias da Policia Militar – Foto: André Sampaio
Link curto: http://brasileiros.com.br/e85z0