O jornalista Luis Nassif conta como a Revista Veja se aliou a Arthur Lira para manchar a imagem da Ministra da Saúde Nísia Trindade. De acordo com as notícias, Lira quer comandar o Ministério. Nassif também explica que se Lula ceder a Saúde para o centrtão, significa o fim do governo.
Suposta transação ocorreu em hotel de Brasília e faz parte das apurações sobre contratos de kit robótica superfaturado para escolas pobres de Alagoas
Arthur Lira (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)
247 - A Polícia Federal (PF) monitorou e flagrou uma suposta entrega de dinheiro a um motorista de Luciano Cavalcante, ex-auxiliar direto de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados. A ação ocorreu durante investigações sobre desvios em contratos de kit robótica. Luciano Cavalcante é investigado no caso e foi exonerado na última segunda-feira (5) do cargo de assessor da liderança do PP na Câmara.
Na operação denominada Hefesto, realizada no dia 1º de junho, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra Luciano Cavalcante e seu motorista, Wanderson Ribeiro. Durante a ação, foi possível monitorar uma entrega suspeita de dinheiro ocorrida em 17 de maio deste ano, realizada pelo casal Pedro Magno e Juliana Cristina, apontados pela PF como operadores do esquema de movimentação financeira ilícita. A origem do dinheiro está relacionada aos possíveis desvios nos contratos públicos investigados.
Segundo a Folha de S.Paulo, a polícia identificou que Pedro e Juliana eram responsáveis pela movimentação do dinheiro, o que levou a PF a chegar até o assessor de Arthur Lira. Em uma filmagem realizada às 15h17 do dia 17 de maio, Juliana é flagrada fazendo saques em uma agência bancária de Brasília, enquanto Pedro a aguarda do lado de fora. Após os saques, o casal segue até um hotel no Setor Hoteleiro Sul da capital federal, onde estacionam o veículo próximo ao bloco B.
De acordo com as gravações, Pedro Magno sai do carro e aguarda a chegada do motorista de Luciano Cavalcante. Os dois se cumprimentam e seguem até um veículo modelo Toyota Corolla estacionado no hotel. A PF relata que, após a chegada de Wanderson Ribeiro, Pedro Magno pega uma pequena mochila no banco traseiro e, juntamente com o motorista de Cavalcante, entra no veículo Corolla. Os policiais que monitoravam a entrega perceberam que Pedro e Wanderson permanecem dentro do carro por aproximadamente um minuto.
Segundo o relatório da PF, durante esse período, "é possível afirmar que Pedro Magno deixa pacotes de dinheiro na porta luva do veículo Corolla" e, em seguida, retorna para o outro automóvel onde está sua esposa com a "bolsa aparentemente vazia". Após a entrega, Wanderson entra no hotel e se dirige ao apartamento 217, que foi identificado como sendo utilizado por Luciano Cavalcante. As imagens do circuito interno do hotel mostram Luciano chegando ao local no mesmo automóvel preto durante a manhã do mesmo dia da suposta entrega de valores.
A PF também obteve informações junto aos responsáveis pelo estacionamento do hotel, confirmando que o Corolla utilizado por Luciano Cavalcante está registrado no nome de Wanderson. A defesa de Luciano Cavalcante, representada pelo advogado André Callegari, afirma que as imagens não indicam qualquer ato ilícito praticado pelos investigados, incluindo Luciano, que sequer aparece nas gravações. Callegari ressalta que os fatos serão devidamente esclarecidos durante o decorrer das investigações.
Os investigadores chegaram ao casal Pedro Magno e Juliana Cristina após rastrearem pagamentos da empresa Megalic, responsável pelos contratos de fornecimento de kits de robótica para cidades de Alagoas. A PF passou a monitorar o casal em Brasília e descobriu uma movimentação intensa de saques em agências bancárias seguidos por entregas de valores em espécie. Entre novembro de 2022 e janeiro de 2023, foram registradas pelo menos uma dezena de visitas do casal às agências bancárias e entregas de dinheiro na capital federal, em cidades próximas e também em Maceió.
Em janeiro deste ano, o casal de operadores foi flagrado indo até a residência do assessor de Lira, com Glaucia Cavalcante, esposa de Luciano, sendo filmada dirigindo o veículo utilizado nas entregas de valores. O mesmo veículo foi utilizado por Lira, de acordo com o jornal, e foi declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante sua campanha de reeleição em 2022.
A defesa da Megalic, por meio do advogado Eugênio Aragão, afirmou em nota que há um "grave equívoco" nas suspeitas e que todos os contratos foram realizados com base em parâmetros técnicos do Ministério da Educação e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, com processos licitatórios e ampla competitividade. A nota também destaca que o Tribunal de Contas da União (TCU) não encontrou direcionamento nem preços incompatíveis e critica a comparação indevida dos produtos da Megalic com kits de qualidade inferior feita pela reportagem da Folha, que deu origem às investigações.
GGN. - O Orçamento Secreto foi criado e sancionado por Jair Bolsonaro em 2019, começando a ser usado em 2020. Em discursos repetitivos, incluindo o debate presidencial na Band deste domingo, Bolsonaro afirma que não tem “nada a ver” com o Orçamento Secreto, que ele vetou a proposta, mas que o Congresso vetou o seu veto, ou seja, a autoria e responsabilidade da medida seriam dos parlamentares.
Trata-se de informação falsa, Fake News. O Orçamento Secreto, nome dado à emenda RP 9, modalidade que permite que o relator do Orçamento – atualmente o deputado Hugo Leal (PSD-RJ) – e o presidente da Câmara e do Senado escolham quem terá acesso às emendas de relator, foi criado na lei nº 13.957, em dezembro de 2019.
Trata-se de uma proposta assinada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, não somente por sanção – como diz ter sido “obrigado” -, como também é de sua autoria o texto que foi enviado ao Congresso, naquele ano, após os parlamentares vetarem o projeto inicial e o ministro Luiz Eduardo Ramos, Secretário de Governo, chegar a um acordo com os parlamentares e obter o aval de Bolsonaro.
Há uma carta com a assinatura de próprio punho de Bolsonaro, no qual o mandatário pede aos parlamentares “a elevada deliberação” do texto “que altera a Lei 13.898”, a que tratava da Lei Orçamentário de 2020, e que trazia o Orçamento Secreto. Essa carta foi revelada por reportagem do Estadão na semana passada:
Além desta carta, o texto que alterava o trecho da lei é a própria Lei nº 13.957, do dia 18 de dezembro de 2019 (acesse aqui). Nela, Bolsonaro escreve que se manteria o Orçamento Secreto, a critério e decisão do “relator-geral do projeto de lei orçamentária anual que promovam alterações em programações constantes do projeto de lei orçamentária ou inclusão de novas”, instaurando a modalidade RP 9.
Por fim, a alegação de Bolsonaro de que ele vetou o texto também é parcialmente falsa. Isso porque há dois vetos feitos pelo mandatário, naquele ano, e que não dizem respeito a acabar com ou impedir a RP 9.
Na introdução da Lei nº 13.957, há o link para a mensagem de veto do presidente. Nela há dois vetos de Bolsonaro: o do artigo que estabelecia algumas regras que o governo deveria seguir, como cumprir o Orçamento Secreto em até 90 dias; e o segundo veto era o que determinava que os investimentos em instituições de pesquisa não sofreriam limitações de gastos.
Esses dois tópicos (leia aqui a mensagem de veto do presidente) foram os vetos de Bolsonaro. Mas, o artigo que criou o Orçamento Secreto, na Lei nº 13.898, Art. 6º, parágrafo 4º, inciso II-6, manteria-se intacto. Ou seja, mesmo que os vetos de Bolsonaro fossem acatados pelo Congresso, o que mudaria seriam algumas exigências de aplicação dos recursos do Orçamento Secreto, mas não o mecanismo em si.
O tema foi novamente levantado pelo ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PSDB), na noite deste domingo (16).
“Mais uma mentira do presidente Bolsonaro, agora no debate”, disse. “Eu encaminho a mensagem da criação do RP9, assinada pelo presidente da República e pelo ministro Ramos (Luiz Eduardo Ramos, ex-chefe da Casa Civil e atual Secretário de Governo). São os dois criadores do RP9.”
“Ele [Bolsonaro] criou o RP-9 por uma mensagem assinada por ele e pelo ministro Ramos. Essa é a verdade, infelizmente, de verdade, eles conhecem pouco”, criticou o deputado.
A coalizão que levou o presidente Jair Bolsonaro ao poder em 2018 está rachada. Sinais de que o projeto de reeleição não vai bem, como sugerem as pesquisas. Quem será que pula do barco primeiro?
Ontem foi um jorrar de informações jornalísticas, boatos, rumores de toda ordem. Juntando todos os elementos em uma narrativa lógica, é possível entender o que está por trás das loucuras e do recuo de Jair Bolsonaro.
Ontem foi um jorrar de informações jornalísticas, boatos, rumores de toda ordem. Juntando todos os elementos em uma narrativa lógica, é possível entender o que está por trás das loucuras e do recuo de Jair Bolsonaro.
Peça 1 – Bolsonaro perde os caninos
A peça central dessa ópera bufa são as investigações das fake news, conduzidas pelo Ministro Alexandre de Moraes. Elas continuaram avançando, aparentemente chegaram ao destino final – os financiadores – e colocaram na alça de mira o filho Carlos Bolsonaro e o próprio Jair.
É esse fato que gerou todos os desequilíbrios de Bolsonaro e induziu-o aos desafios à democracia, nos eventos de 7 de Setembro, e à sua tentativa de antecipar o golpe de Estado marcado para 2022.
No evento, Bolsonaro repetiu o valentão de todos os tempos. Com os seguidores, sentiu-se fortalecido, bradou, blasfemou, ameaçou. No dia seguinte voltou à realidade, ele sozinho contra as instituições.
Os abusos do dia 7 provocaram riscos de ruptura em dois pontos de apoio de Bolsonaro: as Forças Armadas e o Centrão. Há menção na mídia de recados que teriam sido passados pelo Alto Comando a Bolsonaro, sobre os riscos de jogar o país na anarquia.
Por outro lado, houve manifestações em defesa das instituições da parte do presidente da Câmara Arthur Lira, do Senado, Rodrigo Pacheco, e do Procurador Geral Augusto Aras.
Barroso não é Alexandre Moraes, capaz de correr riscos em pleno apogeu de Bolsonaro. Barroso só caminha em terreno firme. Aliás, o comportamento de Barroso lembra o clássico “O homem que matou o facínora”. James “Luís Roberto Barroso” Stewart desafia o pistoleiro Lee “Bolsonaro” Marvin. Mas quem atira, de fato, é John “Alexandre Moraes” Wayne.
Ontem, o duríssimo discurso do Ministro Luís Roberto Barroso claramente refletiu os novos tempos. Sem a garantia expressa de que Bolsonaro tinha perdido seus dois caninos – o que foi confirmado poucas horas depois – Barroso jamais avançaria na retórica daquele modo desafiador.
A única diferença é que, no filme, o advogado mocinho desafiou o pistoleiro de peito aberto, sem a garantia de que teria respaldo do outro mocinho.
Peça 2 – o fator Michel Temer
Se Barroso é basicamente um personagem de marketing, seu colega Gilmar Mendes é o conhecedor das entranhas do poder. Provavelmente foi um dos tecelões do novo pacto que se está montando, tendo como parceiro Arthur Lira, presidente da Câmara, Ciro Nogueira, o PGR Augusto Aras e fontes militares confiáveis.
Como dissemos em outro Xadrez, Bolsonaro não tinha envergadura política, nem alcance intelectual, sequer para negociar uma anistia ampla pós-governo, para ele e sua família. Ele é um bruto, um tosco que só sabe resolver diferenças no braço.
No braço, no caso, foi organizar as manifestações de 7 de Setembro, estimular a participação de policiais armados e, depois, dar-se conta de que a fantasia se esfumaçou no dia 8. Aí entrou em pânico.
Não foi de Bolsonaro a iniciativa de chamar Temer. Ele a aceitou como bóia de salvação e entrou no pacto pagando um alto preço.
Peça 3 – o falso pastor Jim Jones
O pacto acertado impôs a Bolsonaro sua mais dura derrota. Exigiu-se dele:
A carta à Nação, pedindo desculpas até o limite da humilhação.
O humilhante telefonema a Alexandre Moraes,
Não foi apenas um gesto de recuo tático. Com sua decisão, Bolsonaro se queima com seus seguidores. Até então, os fanáticos eram a única arma com a qual ele contava. Para manter esse ponto de apoio, valia tudo.
Logo após a divulgação da carta, youtubers bolsonaristas, líderes da quadrilha que invadiu o Planalto, das quadrilhas que atuaram nas rodovias, o próprio Zé Trovão, trataram de desautorizar o, até então, chefe maior. Sem liderança, nem rumo, deram declarações confusas de que manteriam as manifestações contra o STF, e não de apoio a Bolsonaro, uma incongruência à altura do seu nível intelectual.
Nos próximos dias, assistirão, bestializados, as milícias que pararam as rodovias sendo caçadas pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal por todo o país.
O efeito do recuo de Bolsonaro sobre seus fiéis seria o mesmo que o reverendo Jim Jones, depois de induzir 900 seguidores ao suicídio coletivo, voltasse atrás e deixasse os fiés estrebuchando. A diferença é que Jim Jones era um fanático autêntico e Bolsonaro apenas um manipulador do fanatismo alheio.
O pacto não se resumiu a isso.
Há mais pontos de interesse unindo os principais personagens:
O pacto permitirá a Lira manter a presidência do Congresso e a articulação do Centrão; blindará Aras contra as ações judiciais que pipocariam em todas as instâncias, depois que ele deixasse o comando da PGR; garantirá algum tempo a mais para a concretização dos grandes negócios da privatização. E, principalmente, haverá uma reaglutinação da direita contra a ameaça Lula.
Peça 4 – a nova etapa do jogo
Bolsonaro sossegará o facho? Sossegará. Ele é mente primária, valentão de torcida organizada. Terá outras recaídas, berrará, baterá a cabeça na parede, mas não assustará mais nem as emas do Palácio, nem avançará nos arroubos retóricos públicos.
Como malandro-que-se-faz-de-louco que é, sabe que Alexandre de Moraes continuará com a bala de prata, pronto para atirar no primeiro filho a qualquer novo exagero retórico.
Além disso, depois da enorme mobilização para os comícios de São Paulo e Brasília, para a invasão da praça dos Três Poderes, e de ver dois dias depois o chefe maior se humilhando perante os adversários, que seguidor repetirá o ato de solidariedade?
Definitivamente, Bolsonaro virou carta fora do trabalho, perdão, do baralho também.
A partir de agora, em cima do vácuo criado pelos episódios, haverá dois movimentos políticos relevantes.
Do lado dos Centrões – o político, o militar e o jurídico – a tentativa de reconstruir o pacto com Supremo e com tudo, para enfrentar o adversário comum: a candidatura Lula. E, principalmente, para terminar a obra de desconstrução nacional, consolidando o grande negócio da privatização.
A direita órfã, que provavelmente irá desaguar ou no PSDB – espelho mais sociável do bolsonarismo – ou nos DEMs da vida. E se limitará a louquinhos de palanque.
Peça 5 – Brasil e sua melhor tradução
Agora, o Brasil velho de guerra volta a se manifestar. O pacto será a imagem de Michel Temer, a melhor tradução do país institucional. O presidente que foi gravado indicando um intermediário para um encontro com o subornador; o intermediário gravado saindo do encontro com uma pasta com R $500 mil, o político pequeno, encantador do baixo clero, o deputado eleito pelo jogo de bicho, que passou toda sua vida política se alimentando do feudo do porto de Santos, voltará a frequentar o panteão dos grandes nomes nacionais.
Até a gloriosa Ordem dos Advogados do Brasil e seu aguerrido presidente, Felipe Santa Cruz, prestam loas a Temer, a cara (de pau) do Brasil.
Só há um porém.
No meio do caminho há 650 mil vítimas da Covid e dos desmandos de Bolsonaro; políticas públicas essenciais desmontadas; retrocessos imensos em todos os campos, nas políticas sociais, na educação, na política econômica. enriquecimento explícito dos filhos. E há sócios nessa tragédia, por ação ou omissão: militares, políticos, magistrados.
Tudo terminará em pizza novamente, com Supremo e com tudo? Os 650 mil mortos serão apenas uma peça a mais do jogo político?
Por mais que tentem, em nossos olhos cansados haverá no meio do caminho, sempre a imagem de 650 mil mortos, de 120 mil crianças órfãs, de centenas de milhares de vulneráveis abandonados pelas políticas públicas.
Definitivamente, o Brasil não se suicidará novamente.
"Nos próximos meses, no embalo das novas formações políticas, visando o pós-bolsonarismo, ficarão mais nítidas as diferenças entre a centro-esquerda progressista e a centro-direita liberal. Ambas tratarão de avançar em discursos sociais. A diferença é que a centro-direita se limitará a demonstrações de bom mocismo, preservando a extraordinária concentração de renda no país, a continuação do desmanche do Estado e a privatização de estatais estratégicas."
Dois episódios recentes, fundamentais, ditarão os cenários políticos futuros: as últimas pesquisas, mostrando a probabilidade de Lula ser eleito no 1o turno; o escândalo Biontech-Covaxim, expondo as relações políticas e de negócios entre a família Bolsonaro (representada por Flávio) e o Centrão (representado pelo líder do governo Ricardo Barros.
Entenda.
Peça 1 – a economia, o momento e o futuro
A pesquisa reflete o momento, os desastres continuados de Bolsonaro no combate à pandemia, seus arroubos e a permanência da crise econômica.
Há um conjunto de fatores pela frente, com vistas a 2022, cujos desdobramentos são de difícil aferição:
Recuperação relativa da economia – aumento das commodities, recuperação relativa da ociosidade da indústria poderão melhorar os indicadores de PIB. Por outro lado, permanece o enorme exército de desempregados.
Inflação em alta – a inflação está sendo pressionada pela soma de alta internacional das commodities e desvalorização cambial. Os últimos movimentos, de apreciação do câmbio poderá reduzir um pouco a pressão. Mas a elevação dos preços comprimiu as margens das empresas. Por isso, é pouco provável que a apreciação do câmbio se reflita sobre os preços.
Alta nos juros – a irracionalidade da política de metas inflacionárias levou o Banco Central a promover nova rodada de alta de juros, com impacto na recuperação da economia .
Efeitos da vacinação – em tese, deveria reduzir a incidência do Covid-19. Mas há sinais claros de entrada da terceira onda da pandemia, em um momento em que parcela pequena da população foi completamente vacinada.
Crise energética – a partir do segundo semestre haverá racionamento de energia ou, nos dizeres do governo, racionalização do consumo da energia. Haverá impacto óbvio nas tarifas de luz, impactando o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado e, também, o custo de produção das empresas.
Há uma probabilidade menor de recuperação da economia. Mas há que se considerar que qualquer melhoria, por mais discreta que seja, muda relativamente os humores do eleitorado.
Os próximos movimentos políticos se darão em torno desse jogo de dados sobre o potencial eleitoral de Bolsonaro.
Peça 2 – a crise da Bharat Biotech
A sucessão de escândalos em torno da vacina, obrigará as instituições a tomarem posição. Bolsonaro está se tornando insustentável. O que o mantém são apenas os cálculos em relação a 2022, pela dificuldade de se avaliar os desdobramentos do que vier a acontecer.
1. Se Bolsonaro é mantido no cargo, chegará a 2022 como uma ameaça de continuidade. Essa perspectiva reforçará a ideia do pacto em torno de Lula, afastando a viabilidade da terceira via.
Pelo contrário, se Bolsonaro cai, há dois movimentos subsequentes.
2. O primeiro, a tentativa do Partido Militar de se recompor em torno do vice-presidente Hamilton Mourão. Impressiona pelo eventual potencial golpistas, jamais por fôlego político.
3. A segunda, a tentativa de empinar a candidatura de um terceira via, da centro-direita autoritária, com probabilidade de ser Ciro Gomes.
Uma terceira possibilidade – menor – seria o bom senso baixar em um país e se manter a ideia de um pacto mais amplo, ensaiado a partir do encontro de Fernando Henrique Cardoso e Lula.
Peça 3 – as disputas políticas
Nos últimos meses, esvaíram-se os últimos ecos da Lava Jato. Sérgio Moro foi jogado no lixo da história sem choro nem vela. Deltan Dallagnol, que um dia julgou se tornar mais popular que Lula, não provoca comoção nem em seu antigo exército de robôs vingadores. No TRF-3, as últimas eleições afastaram de cargos de comando os principais desembargadores avalistas de Sérgio Moro. No Supremo, Luiz Edson Fachin queda e Luis Roberto Barroso se cala, esboçando alguma ação apenas na defesa do voto eletrônico. Mas o Supremo, como um todo, avança para segurar os esbirros autoritários de Bolsonaro.
Em todo esse movimento, foi mantido incólume a espinha dorsal da corrupção brasileira, o Centrão, a mais espúria força política do período pós-Constituinte. O grupo assumiu postos relevantes no governo FHC, quando houve a crise da energia, no governo Lula, depois do “mensalão”. E, quando extirpado do governo Dilma, promoveu o impeachment.
Ontem, a CPI confirmou o que o GGN vem antecipando há semanas: o papel do Centrão e do líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR) no caso Covaxin-Biotech, talvez o maior escândalo da história da República, devido ao envolvimento direto do presidente da República no episódio.
O oportunismo da Lava Jato e Sérgio Moro de atuarem como atores políticos, acabou poupando o Centrão, com exceção do breve interregno da prisão de Michel Temer e da condenação de Eduardo Cunha. Nada aconteceu com Eliseu Padilha, Wellington Moreira Franco, Fernando Bezerra, Ricardo Barros.
Agora, o episódio liga o Centrão, articulado por Ricardo Barros, diretamente ao esquema Bolsonaro, representado por seu filho Flávio Bolsonaro. Ontem, a revista Veja mostrou que Flávio teve reunião virtual com o presidente do BNDES para interceder pelos donos da Precisa, a distribuidora de medicamentos por trás do escândalo Covaxim-Biontech.
O episódio pega a centro da corrupção política brasileira, com desdobramentos imprevisíveis. De qualquer modo, acendeu uma luz para iluminar o futuro. Daqui para frente, o desmanche do Centrão entra no foco de qualquer reforma política futura. E será peça central para a disputa em torno do impeachment de Bolsonaro.
Peça 4 – as disputas econômicas
O ponto central, para o pós-Bolsonaro, é a disputa econômica. O extraordinário poder acumulado pelo lobby financeiro levou à tragédia atual. Valeram-se da crise do governo Dilma para impor o início do desmanche do Estado brasileiro, com a “ponte para o futuro”, a destruição de qualquer veleidade de estado social, com Lei do Teto, reforma da Previdência e reforma trabalhista e os obscuros negócios da privatização. E mantiveram intocado o controle do mercado sobre a política econômica
Nos próximos meses, no embalo das novas formações políticas, visando o pós-bolsonarismo, ficarão mais nítidas as diferenças entre a centro-esquerda progressista e a centro-direita liberal. Ambas tratarão de avançar em discursos sociais. A diferença é que a centro-direita se limitará a demonstrações de bom mocismo, preservando a extraordinária concentração de renda no país, a continuação do desmanche do Estado e a privatização de estatais estratégicas.
Haverá consenso apenas em relação às políticas de saúde, educacional e de renda básica.
Peça 5 – os prováveis atores políticos
O próximo tempo político provavelmente será ocupado por Lula e Ciro Gomes. O restante é perfumaria, Mandetta, Sérgio Moro, Dória, Huck.
Lula é o negociador nato, com todas as vantagens e desvantagens dessa posição. No grande pacto que pretende montar, como ficariam as relações com o mercado? Mudaria as políticas de câmbio e juros? Conseguiria implementar suas bandeiras de desenvolvimento social com as restrições monetárias e fiscais? A necessidade de manter a governabilidade permitiria reconstruir parte do estado social destruído?
Tem a vantagem de um acervo de experiências bem sucedidas, e de experimentos mal sucedidos – com as lições de como corrigir erros. E, certamente, conseguirá reverter os maiores exageros do período Paulo Guedes, fortalecendo novamente as representações de trabalhadores, da indústria e do setor real.
Mas o grande pacto do passado – PT e PSDB – hoje é apenas simbólico, representado pelo encontro FHC-Lula, depois que o PSDB derivou irremediavelmente para a direita.
Ciro Gomes é um camaleão político de viés autoritário. Com exceção da idoneidade e do melhor preparo intelectual, é parecido com José Serra. Fareja determinadas bandeiras, de nicho ou mais amplas, e incorpora em seu discurso, sem se preocupar muito com a coerência.
Por exemplo, no auge dos abusos da Lava Jato, chegou a afirmar que, se sua casa fosse invadida, como foram as de tantas outras vítimas – inocentes ou não – da Lava Jato, receberia Moro à mala. Agora, vendo a bandeira do punitivismo sem dono, incorpora o moralismo exacerbado da Lava Jato, pretendendo herdar os lavajatistas órfãos.
No início do Real, tornou-se um defensor ultra-radical das políticas de câmbio e juros. Depois, se tornou um crítico visceral da política de câmbio e juros. Nos últimos tempos, de crítico severo de FHC tornou-se admirador.
Percebeu que o desenvolvimentismo estava órfão de candidatos e se aproximou dos principais pensadores. Depois, se tocou que a Terceira Via estava sem candidato e tratou de empinar seu papagaio em direção a ela e ao mercado. E, agora, soma seu caráter bélico a João Santana, marqueteiro especializado em destruir adversários e responsável pelos momentos mais ilegítimos da campanha de Dilma Rousseff e radicaliza um antipetismo anacrônico e iracundo.
O que seria o presidente Ciro? Em relação à economia manteria o desenvolvimentismo ou negociaria com o mercado? Qual seria reação teria se medidas suas fossem contidas pelo Supremo? A única certeza é que, pelo seu temperamento, jamais se abriria para a sociedade civil, movimentos sociais, associações empresariais, corporações públicas, fórum de prefeitos e governadores, já que é dono de convicções mutantes, porém inabaláveis em cada etapa da mudança.
Em suma, mesmo após o pesadelo Bolsonaro, há um longo caminho para a conquista da democracia e do pacto em torno de um projeto de desenvolvimento social.
Luiz Eduardo Soares, cujo novo livro analisa fascismo e bolsonarismo, diz que novas aproximações políticas e postura mais branda do presidente não significam moderação em seu "programa fascista", que mobiliza o ódio
O presidente Jair Bolsonaro lidera um movimento com características fascistas, que evoca uma ideologia elaborada ainda na década de 1930, no integralismo brasileiro, posteriormente assimilada pela ditadura militar e infiltrada no período democrático. Considera-se guiado pela vontade de Deus e não vê limites para o exercício da violência com o objetivo de destruir o inimigo, representado no comunismo ou no mal. Para fazer isso, mobiliza o ódio na sociedade para alimentar um “espírito de linchamento”.
A análise é do antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública e autor dos livros que deram origem aos filmes Tropa de elite. Ele lançou, no final de setembro, o livro Dentro da noite feroz – O fascismo no Brasil, pela Boitempo Editorial, no qual interpreta o movimento em torno do presidente à luz das ideias e experiências fascistas.
Em entrevista à DW Brasil, Soares afirma que a aproximação de Bolsonaro com o Centrão e a redução da frequência de suas falas radicais, ocorridas após ver seu filho Flávio Bolsonaro e aliados sofrerem revezes em investigações judiciais, não indicam que o presidente se moderou, mas apenas que houve um recuo temporário em sua estratégia de longo prazo. “Antes, tínhamos o dragão na sala de visita. Hoje temos um dragão na garagem. Mas continua sendo o dragão, e seus propósitos continuam sendo os mesmos”, diz.
Ele associa o sucesso do bolsonarismo à capacidade de aplacar inseguranças provocadas por mudanças rápidas na sociedade, como o questionamento dos significados tradicionais de homem, mulher e família, aliado ao apoio das polícias – segundo o antropólogo, um enclave autoritário em meio à democracia – e de parcela da elite econômica.
Soares diz que apenas cerca de 15% da população concorda com o “programa fascista” do presidente, e que o apoio ao governo Bolsonaro, hoje em torno de 40% dos eleitores, deve diminuir com o fim do auxílio emergencial, abrindo “possibilidades de disputa política”.
DW Brasil: Qual é a origem da ideologia fascista no Brasil?
Luiz Eduardo Soares: Os traços fascistas se converteram em programa ideológico e político nos anos 1930, sob a liderança de Plínio Salgado, no movimento integralista, que exaltava o fascismo e o nazismo e pleiteava a união do Brasil ao Eixo na Segunda Guerra Mundial. Eles tentaram dar um golpe de Estado contra Getúlio [Vargas], não foram bem-sucedidos e foram para a clandestinidade, mas não deixaram de exercer influência e deter um quinhão da opinião pública brasileira.
Nos anos da ditadura, de 1964 a 1985, os velhos integralistas tiveram uma participação ativa. Um dos exemplos é Filinto Müller, que tinha sido o chefe da polícia política no Estado Novo, responsável por muitas mortes e torturas, e se tornaria, nos anos 1970, líder do governo militar no Senado pela Arena.
Sempre houve candidatos que se identificavam com programas integralistas ou neointegralistas, e eles voltaram a agir publicamente no século 21, em várias manifestações. No Rio, por exemplo, saindo em marchas, queimando bandeiras, e, depois de 2010, apoiando candidaturas, particularmente da família Bolsonaro.
Mas os traços fascistas ou protofascistas ultrapassam os limites de um partido ou de um movimento específico e se enraizam na sociedade, camuflados e articulados a outros valores e símbolos. Somos um país de quatro séculos de escravidão, autoritário e muito violento. Além do integralismo, que é uma referência ao novo partido que Bolsonaro está tentando criar, temos na sociedade elementos que se articulam facilmente a essa nebulosa fascista que Bolsonaro encarna e inscreve na política.
O sr. pode citar exemplos recentes de situações em que o fascismo se manifesta?
Quando Bolsonaro elogia como herói nacional um torturador, estuprador e assassino como o [coronel Carlos Alberto Brilhante] Ustra, ele eleva esse personagem ao status de referência identitária nacional. A exaltação à violência, nesse caso, vem associada à ideia de uma pátria do bem, sob proteção divina, que luta contra o mal. E quem é o inimigo? O grande Outro, contra o qual se identificam aqueles que são próximos a Bolsonaro.
Sempre que grupos se agregam, forma-se identidade por oposição, até nos esportes. O diferencial é quando a identidade se produz pela definição do Outro não como adversário ou antagonista, mas como inimigo que deve ser destruído em uma guerra santa. Quando nossa percepção do mundo tem como fundamento a vontade divina, acreditamos que não há limite para o exercício da violência, e temos como meta a destruição do inimigo, que representaria o comunismo, o diabo ou o mal, temos uma estrutura de concepções e valores análoga ao que se categoriza como fascismo.
O último discurso que Bolsonaro fez antes do segundo turno das eleições de 2018, por celular da casa dele, ouvido na Avenida Paulista, prometia às oposições a ponta da praia, a fuga do país, o exílio. A ponta da praia significa, na linguagem da repressão da ditadura, a execução. Naquele momento, ele abomina as diferenças. Sabemos que o grupo ligado a Bolsonaro deseja eliminar o pluralismo. O bolsonarismo se define como uma revolução para destruir tudo o que está aí, o que envolve a Constituição, os direitos conquistados e as instituições como se organizam.
Qual é a função do ódio e da pulsão de destruição nessa ideologia?
É central. O fascismo precisa mobilizar o ódio e a sociedade para que ela se sinta identificada nesse esforço guerreiro bélico comum contra o mal, alimentando um espírito de linchamento. Para que haja a efetivação desse regime simbólico de construção de identidade, é necessário que o afeto dominante seja o ódio, porque só o ódio se encaixa na afirmação de que estamos numa guerra e precisamos eliminar os inimigos.
Bolsonaro se aproximou do Centrão nos últimos meses e reduziu a frequência de manifestações mais radicais. Esse movimento atenuou o que o sr. define como traços fascistas?
Não, porque em nenhum momento ele voltou atrás em relação ao que pensa e ao que diz. O que houve foi uma mudança tática. Ele viu que a correlação de forças estava pendendo contra ele e recuou. Mas não há nenhuma mudança em relação à estratégia. Antes, tínhamos o dragão na sala de visita. Hoje temos um dragão na garagem. Mas continua sendo o dragão, e seus propósitos continuam sendo os mesmos. Não podemos confundir a tática com a substância do que está em jogo.
O governo Bolsonaro é hoje apoiado por cerca de 40% da população. Como o sr. explica isso à luz da sua análise do fascismo?
Uma consideração que derivaria de um mal-entendido sobre o que digo seria: “Se o Bolsonaro venceu as eleições, é porque a maioria do povo brasileiro é fascista”. De jeito nenhum. O voto é uma escolha num determinado momento entre candidaturas. Uma adesão muitas vezes parcial ao ideário. Não temos mais que 15% da sociedade identificando-se plenamente com o bolsonarismo, que é o programa fascista.
Há dois elementos importantes [para explicar o apoio a Bolsonaro]. Um é o auxílio emergencial, que tem um impacto grande. A população que acompanha o dia a dia pela mediação das suas necessidades de sobrevivência, o que é mais imperioso, se sente atendida e declara seu apoio. Que não é necessariamente permanente. O auxílio vem sendo retirado e a crueza da crise vai mostrar a sua profundidade. Será difícil manter esse nível de popularidade.
O outro elemento, que conversa com o fascismo, é o que eu chamo de demanda por ordem. Não no sentido da segurança pública, que também está envolvida. Há uma demanda da sociedade brasileira pela restauração de uma ordem no nível do ser, por referências fixas.
Nossa época é de mudanças rápidas e profundas, com muita angústia. E surgiram movimentos libertadores, como o movimento feminista, que começa a bater contra o patriarcalismo, e nesse espaço surgem novas possibilidades para a constituição de si em que sexo, corpo e gênero se separam e podem se combinar de formas inesperadas. Isso desestabiliza as figuras arquetípicas de homem, mulher e família. Os machos formados no patriarcalismo sentem de forma muito aguda, precisam se proteger contra isso e contra o que está dentro de cada um deles, e descobrem lideranças capazes de endereçar o seu discurso a essa demanda.
O que é o bolsonarismo, senão vingança do macho, o retorno do macho grosseiro rudimentar? Bolsonaro promete restaurar as âncoras, em um apelo dirigido pelo que há de neurótico e defensivo em cada um e cada uma, porque muitas mulheres absorvem essa cultura machista também.
Nesse quadro, como o sr. interpreta o apoio de parte da elite econômica a Bolsonaro?
Os candidatos preferenciais da elite eram outros, mas foram ficando pelo caminho. Bolsonaro foi o pangaré que passava e surpreendia mostrando a possibilidade de vitória. Quando essa possibilidade se tornou real, as elites acenaram de volta, [dizendo] “fingimos que não estamos vendo o banho de sangue que você traz no seu programa, porque supostamente somos civilizados, desde que você implemente aqui a nossa agenda”.
Como as polícias se ligam ao neofascismo no Brasil?
Tivemos uma transição para a democracia negociada, e havia um preço a se pagar. Os militares reservaram uma área que deveria se manter fora do processo de democratização, que foi a segurança pública. Houve mudanças na legislação, mas os policiais e as estruturas organizacionais eram as mesmas. Esse espaço se constituiu como um enclave na democracia, com valores e práticas refratários a ela. É um universo grande, que hoje corresponde a quase 800 mil profissionais. Há contradições, mas o que sempre dominou foi a continuidade com o passado. E temos também uma rede de cumplicidade [com a Justiça e o Ministério Público], com apoio popular.
Se há problemas de crime é porque não se matou o suficiente, essa sempre foi a toada. Por isso, havia bolsonarismo nas polícias muito antes de Bolsonaro. Quando Bolsonaro aparece, suas palavras soam como música. Ele realiza esse messianismo das polícias que esperavam um redentor que iria acabar com essa democracia e essa história de direitos humanos, e de dar autoridade para que a força vencesse o mais fraco em nome desses valores. Uma espécie de saneamento, de higiene, que se dá pelo sangue.
Nesta sexta-feira (23/10), o referendo sobre a proibição do comércio de armas e munição no Brasil faz 15 anos, em um momento em que o governo federal patrocina iniciativas para flexibilizar a compra de armas e munição. Qual o papel das armas nesse contexto?
Se há um consenso no meio científico que se dedica a essa questão é que mais armas implicam em mais crime, mais acidentes e violência doméstica, mais feminicídios e mais suicídios. Que conflitos interpessoais tendem a se converter mais em crimes de morte.
Flexibilização no acesso às armas significa também a provisão para o mercado ilegal, pois facilita o acesso de criminosos e do tráfico de armas às armas. É um caminho que favorece o crime, particularmente as milícias. Além disso, todos os meios que facilitavam investigações para rastrear munições e armas estão sendo destruídos.
O referendo de 2005 foi um momento triste da nossa história, tínhamos uma oportunidade de radicalizar o controle das armas, e houve uma reversão. A despeito dessa derrota, preservamos o controle e ampliamos o rastreamento até Bolsonaro chegar ao poder.
Como superar o que o sr. descreve como ameaça fascista no Brasil?
Não tenho uma resposta. Precisamos mobilizar todos os recursos disponíveis. Escrever livros, participar dos debates, fortalecer entidades, associações, organizações não governamentais, cobrar das instituições reação a essa corrosão. Apelar à sensibilidade internacional, que tem sido muito importante – se não foi capaz de impedir a devastação ambiental, tem chamado a atenção para limites.
Temos do outro lado a força econômica associada ao fascismo, que agora se veste de ovelha, como que a legitimar as adesões de camadas médias e das elites. As camadas populares terão o seu momento de enfrentamento com a dura realidade quando os auxílios emergenciais forem interrompidos. Temos diante de nós muitas possibilidades de disputa política.
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