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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Biden venceu e o Bozo está com cara de cachorro que caiu da mudança, por Armando Coelho Neto, advogado e ex-delegado da PF e representante da Interpol

 

O Le Monde diz que o denominado “Estado profundo” dos Estados Unidos jamais abandonaram suas prioridades estratégicas “por causa das mudanças de inquilino na Casa Branca”.

Jornal GGN:

Biden venceu. Bozo com cara de cachorro que caiu da mudança

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Um policial racista estadunidense pôs a bota no pescoço de um negro que morreu pedindo para respirar. Sufocado, abriu os pulmões para gritos de Fora Trump. Racismo + pandemia Covid-19 converteram-se em qualquer coisa, menos o bufão biliardário e sonegador. Estados Unidos em festa, boa parte do mundo também.

Discriminados do mundo, uni-vos! Sim. O capitalismo nunca se propôs a dar resposta às questões sociais e precisava de culpados para seu próprio fracasso: imigrantes, má gestão, corrupção, preguiça… Nada a ver com má distribuição de renda e exploração de povos e países saqueados, bombardeados.

Um fracasso explicado e mantido para combater uma a ameaça: comunismo – mantra que imobiliza quem nada tem a perder e se alia ao opressor, sob pressão da cultura do terror.

A maior dita democracia do mundo é também o país mais rico. Estranhamente, os Estados Unidos têm alguns dos piores índices de pobreza no grupo dos países desenvolvidos, com 40 milhões de americanos vivendo abaixo da linha oficial de pobreza, informa a BBC de New York. Camden, em Nova Jérsei que o diga.

Pois é. Sempre desconfiei desse primeiro lugar de Primeiro Mundo que, para ser jardim, pobres do mundo precisam ser esterco. A primeira vez que escrevi isso foi durante um mochilão que fiz em 1980, quando vi nas bancas de revista europeias os mesmos títulos consumidos no Brasil. Nos EUA não era diferente.

Naqueles tempos, também descobri que o livro “O Alquimista”, de Paulo Coelho era um dos mais vendidos e lidos na Europa Maravilha. Aliás-1, consta hoje que superou em vendas o “Pequeno Príncipe” e “O Senhor dos Anéis”. Aliás-2, nada contra quem tem um pé no transcendental, desde que tenha pelo menos um pé no chão.

Mas, eu estava impregnado de “Geografia da fome” (Josué de Castro) e de seu homem caranguejo – aquele que morando sobre os mangues do Recife, comia o caranguejo e depois descomia. O caranguejo comia suas fezes, depois ele catava o caranguejo e comia, despois descomia, etc e … Segue-se o círculo vicioso de fome.

Biden venceu. Deixo EUA, Europa e Recife, sigo para o sertão de Pernambuco, na antiga cidade de Exu, onde as famílias Alencar e Sampaio oficialmente se mataram entre 1941 e 1981. Um ranço de ódio que veio do Brasil colonial e que mais parecia o filme “Abril Despedaçado”, com pessoas marcadas para morrer.

As famílias Alencar e Sampaio tinham ligações com partidos políticos, mas as siglas era o que menos importava, mas sim os interesses delas. Assim como Republicanos e Democratas nos Estados, onde na prática acabam se igualando. Primeiro EUA, segundo EUA, terceiro EUA, sobretudo quando o assunto é mundo.

Por que a alusão aos Alencar e Sampaio? Primeiramente pelo truculento clima de brejo e ranço político. Homens armados de fuzis, caixas de correio, urnas e cédulas falsas, com erro de impressão; urnas interditadas, corte de verba nos correios, tudo para dificultar o livre e facultativo exercício do voto, nem sempre respeitado.

Nascido em 1787, o sistema eleitoral americano criou os tais colégios, pois a extensão territorial e dificuldades não permitiam o voto direito. Parou nisso, preso a um passado de sangue, preconceitos, coronelismo, dominação. Eis o sistema que faz o mais votado perder. Trump foi o quinto a ser eleito com menos votos. (1)

Traço cultural à parte, o estado de Nevada, com pouco mais de três milhões de habitantes, que tem como capital a moderna, reluzente e extravagante Las Vegas, é símbolo desse contraste: uma contagem de votos digna de uma calculadora chinesa. Tudo a desmascarar o primeiro mundo com o qual tentam nos humilhar.

Cada estado com suas regras, a Geórgia, por exemplo, tem recontagem automática se a diferença de votos for inferior a 0,5%. Há estados onde a recontagem manual é paga por quem pede. Necas de pitibiriba pra Trump, que tem uma fortuna 278 vezes maior que a de Biden. Ambos, porém, financiados por milionários.

A exemplo da Europa maravilha que nos jogavam na cara para nos humilhar, a democracia-maravilha dos EUA continua presa aos seus próprios interesses. Acho até que as famílias Alencar e Sampaio se modernizaram. Já os valores americanos, congelados no tempo, descongelaram com “o manga chupada” Donald Trump.

Aquilo deu nisso. Quem tem o pé no chão não comemorou a vitória do Biden, mas sim a derrota de Trump, inspirador de primatas como o ainda presidente do Brasil. A eleição nos EUA foi opção entre inferno e inferno, disse o jornalista Pepe Escobar para o canal Brasil 247. Fosse americano, diz ele, votaria nulo.

Duas máquinas corruptas ameaçam os americanos e o mundo, inclusive o Brasil. Nessa mesma linha, o Le Monde diz que o denominado “Estado profundo” dos Estados Unidos jamais abandonaram suas prioridades estratégicas “por causa das mudanças de inquilino na Casa Branca”. Milhões de crianças mortas? E daí?

Trump tem como cofre um milionário dono de cassinos, enquanto Biden tem suporte num milionário produtor de televisão, sem contar que teria por trás o apoio da máquina de guerra, o que seria uma contradição. Os democratas defendem formalmente a contenção de verbas militares e os republicanos o inverso.

O que muda? Nada. O que está em jogo são interesses permanentes dos Estados Unidos, tanto econômicos quanto estratégicos. Nesse sentido, nada mais democrático e republicano, coisa de primeiro lugar de Primeiro Mundo no melhor estilo Alencar e Sampaio, sem ofensas, claro! Primeiro mundo uma ova!

Resta a quem torceu pela saída de Trump, voltar a alimentar a esperança de um novo congelamento do ideário fascista, do retorno às trevas dos que saíram da caverna, passaram pela sarjeta para disseminar o ódio. De todo modo, o melhor na vitória de Joe Biden foi e é o Bozo com cara de cachorro que caiu da mudança…

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo.

1 – https://www.facebook.com/professorfernandohorta/videos/689140895347864

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domingo, 11 de outubro de 2020

Xadrez do pacto de Bolsonaro com os velhos colegas da velha política, o establhisment e o Estado profundo do centrão, por Luis Nassif



 

Resta ver como esse pacto de Brasília resistirá aos problemas futuros da economia. Não se trata de favas contadas, porque pela frente há uma recessão prolongada, um aumento da miséria e do descontentamento geral. 


Do Jornal GGN:


Vamos entender melhor a natureza do pacto que está se formando no país. Bem-sucedido, transformará definitivamente Brasília no centro único de poder, com uma centralização jamais vista desde o regime militar.

Trata-se de um ensaio de consolidação do poder do chamado Estado Profundo, que já vinha sendo desenhado desde que houve a desmoralização do poder do voto, com o golpe do impeachment. 

Vamos tentar entender os principais personagens desse jogo:

Peça 1 – O Estado Profundo

São as instituições que dominam o Estado, independentemente do partido político do momento. A governabilidade de cada presidente eleito passa por pactos com essas corporações, através de funcionários de carreira aliados.

Mesmo com a instituição de concurso público, esses poderes são ocupados por dinastias que se perpetuam, sempre voltadas para seus próprios umbigos, convivendo apenas com seus iguais, sem familiaridade maior com a diversidade do país, com as características de uma sociedade democrática.

Especialmente nas áreas militar, jurídica e diplomática, há essa entropia de um país sem povo, que habita Brasília.            

Como são poderes organizados nacionalmente, há uma força centrífuga permanente, de centralização na cúpula, impedindo voos autônomos na base. O poder da cúpula é diretamente proporcional à capacidade de manter a base disciplinada.

Dentro do sistema de freios e contrapesos do modelo democrático, as instâncias hierárquicas das corporações públicas são peças de equilíbrio. Mas o grande moderador é o voto – “todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”. É o voto que permite a renovação dos quadros, impede a estratificação das lideranças corporativas e o controle de todos os atos públicos pelo Estado profundo.

É no by-pass ao voto que se tentará consolidar esse pacto Estado Profundo-mercado-Bolsonaro, através da aposta em um Bolsonaro domesticado como candidato à reeleição, e a inviabilização política de quem ousar ficar no seu caminho.

Peça 2 – o período PT

No período pós-Constituinte, Fernando Henrique Cardoso logrou manter um pacto com o Estado profundo. Lula manteve o controle, consolidando laços com o setor real da economia, trabalhadores, lideranças empresariais, movimentos sociais.

Mas não evitou que tornasse alvo da primeira demonstração de força das corporações, no “mensalão”, conduzido por três figuras oriundas do corporativismo público: os Procuradores Gerais Antônio Fernando de Souza e Roberto Gurgel, e o Ministro do STF (egresso do Ministério Público Federal) Joaquim Barbosa. Foi o primeiro ensaio de guerra das corporações com o PT. Mas não foi suficiente para o partido aprender.

Craque na montagem de táticas brilhantes de sobrevivência e políticas sociais fundamentais, Lula  cometeu erros estratégicos relevantes.

* Políticas macroeconômicas que foram enfraquecendo cada vez mais o setor industrial, que poderia ter sido seu grande aliado, fortalecendo a financeirização da economia e o ente mercado.

* Mudança na remuneração do alto funcionalismo público, atraindo uma geração nova, totalmente despida de vocação pública, e tentando emular hábitos e ambições do espírito yuppie do mercado financeiro.

* Não perceber que a ascensão social, promovida pelo próprio PT, geraria nas novas classes um sentimento de emular a classe média tradicional. Venceram pela meritocracia e não pelas oportunidades abertas pelas políticas públicas.

* Incapacidade de promover reformas centrais em três áreas críticas: mídia, Justiça e mercado.

* “Republicanismo” na nomeação de juízes para os tribunais superiores.

* Depois das ameaças do “mensalão”, escudou-se em um pacto político de alto risco, com o loteamento de estatais, especialmente a Petrobras, e a concentração das alianças políticas e empresariais em um terreno minado, das empreiteiras de obras públicas.

O PT era o outsider no Sistema. Tentou ganhar seu espaço democraticamente buscando na representatividade junto ao país real. Mas se perdeu no caminho e na incompreensão sobre as formas de conviver com o Estado profundo.

Peça 3 – a polarização política com a aliança ultraliberal

A Lava Jato foi o instrumento utilizado para a implosão da cidadela petista. Deu-se gás para um grupo de procuradores e delegados provincianos. Garantiu-se o apoio ilimitado da mídia. Permitiram-se todos os abusos até que sobreveio o impeachment.

Essa aliança ultraliberal, dando sustentação à Lava Jato, é o fio que amarra todos os episódios posteriores, o impeachment do governo Dilma, o interregno de Michel Temer e, mais à frente, o apoio a Bolsonaro.

A hegemonia ideológica do mercado é garantida pelo financiamento de mídia, partidos e políticos, pela perspectiva de empregos futuros para a alta burocracia pública e pela cooptação do Judiciário através de escritórios de advocacia próximos e convites para palestras remuneradas.

Obviamente, tem que haver uma justificativa “legitimadora”, um álibi intelectual para essa adesão incondicional à destruição do Estado e sua abertura aos grandes negócios públicos. O álibi intelectual foi o documento Ponte para o Futuro organizado por intelectuais ligados ao mercado e alta tecnocracia pública.

A influência do mercado se dá através do martelar incessante dos grupos de mídia em mantras liberais, praticando a retórica do “terrorismo” econômico. Se a Lei do Teto for revogada, o país acaba. Se as taxas de juros longas o aumentam meio ponto, é sinal de fim do mundo. Se a reforma administrativa acabar com a estabilidade do emprego, o país estará salvo. Toda privatização é virtuosa, independentemente de análise de casos.

O desmonte das políticas sociais e a reabertura dos grandes negócios na área pública começaram com o governo Michel Temer e associados – representando o centrão. Bolsonaro é apenas uma continuidade trapalhona.

Mas a liberdade conferida à Lava Jato promoveu uma enorme confusão institucional, colocando sob ameaça as cúpulas dos poderes que constituem o Estado profundo. E a eleição de Bolsonaro ampliou essa confusão. Daí a necessidade da freada de arrumação para refazer o pacto.

Peça 4 – os abusos da Lava Jato

Assim que Bolsonaro foi eleito, montei o quadro abaixo tentando organizar os pedaços do sistema político brasileiro, após a implosão.

No quadro, importam dois grupos especiais.

O primeiro, as instituições que compõem o chamado Sistema, o pacto histórico tradicional que garantiu a democracia precária brasileira pós-Constituinte. Compõem a coalizão a chamada Mídia 1 (sistema Globo), Congresso, Supremo Tribunal Federal, Alto Comando das Forças Armadas, e (até aquela época) a Procuradoria Geral da República.

Nos demais quadros, novos-velhos atores políticos que surgem no embalo da confusão midiática, institucional e popular criada pela Lava Jato.

No quadro, previa os futuros fatores de conflito, sempre que o álibi “delenda Lula” ficasse enfraquecido.

 Democracia x Ditadura

◆        Pauta de costumes

◆        Luta de classes.

Era essa a salada geral. A Lava Jato trouxe pela primeira vez a insubordinação ao sistema Judiciário. Com Bolsonaro, pela primeira vez entraram em cena outros atores políticos, não ligados a partidos, e dispostos a levar o freio aos dentes e a romper com a hierarquia das instituições – o que seria o caos generalizado.

Com esse quadro, Bolsonaro tentou montar sua estratégia golpista. De um lado, aumentando sensivelmente a presença militar na administração. De outro, estimulando os radicais através do Gabinete do Ódio.

São esses movimentos que fizeram o Estado profundo se mover.

Houve encontros entre Ministros do STF e Alto Comando Militar que passaram a convicção de que os militares não iriam se meter em uma aventura política.

Com essa garantia, procedeu-se ao cerco sobre Bolsonaro.

Peça 5 – a pizza

As duas armas centrais foram o inquérito sobre o gabinete do ódio e as investigações do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro sobre Flávio Bolsonaro. E o golpe final foi a decisão de Celso de Mello de divulgar o vídeo da reunião ministerial e o obrigar Bolsonaro a depor sob vara.

Aí se percebeu que o dispositivo militar de Bolsonaro não passava de um Exército de Brancaleone, ele estava a um passo do impeachment e seus filhos a meio metro da cadeia.Toda a valentia de Bolsonaro acabou. E ele teve que reconstruir sua estratégia.

Nessa revisão, há uma limpa na salada política. Atores novatos, como os youtubers, são afastados do jogo. Afastam-se todos os terraplanistas verborrágicos.

Mas Bolsonaro é mantido. Primeiro por se render à real politik do Estado profundo. Depois, por exercer um papel essencial da falsa legitimação da democracia mitigada brasileira: o político com votos.

 No plano político,Bolsonaro trouxe o Centrão de volta, abrindo cargos políticos e Ministérios com porteira fechada.

Nas outras frentes, acenou para o Supremo e para a advocacia com a indicação do novo candidato a Ministro do STF.  E se reconciliou com o presidente da Câmara Rodrigo Maia que, por sua vez, aproximou-se do STF para conseguir a reeleição, ao lado do presidente do Senado, David Alcolumbre. Ao mesmo tempo, enquadrou seus dois filhos mais tresloucados, Carlos, que é desequilibrado, Eduardo, o típico fanfarrão de academia E colocou na linha de frente das negociações o mais vulnerável deles, Flávio, mas, por outro lado, o único que fala lé-com-cré, atuando como representante comercial e político da família.

Aproximando-se de Maia, conseguiu colocar de lado o Ministro da Economia Paulo Guedes, um trapalhão incorrigível. E, no momento, equilibra-se entre a renda básica e os acenos ao mercado, com a Lei do Teto e as tais reformas.

O banquete antropofágico que selou a aliança teve a presença de próceres do Supremo, do Tribunal de Contas, do Congresso.

Desenha-se, por aí, o mais ameaçador pacto contra a democracia, porque envolvendo o Estado profundo, o Supremo, o Congresso cooptado e o trunfo político de Bolsonaro: a renda básica permitindo recuperar a popularidade perdida.

Peça 6 – a divisão do butim

O pacto está sendo desenhado no dia a dia, e, se bem-sucedido, será a maior ameaça já conhecida à democracia brasileira e aos direitos sociais.

Consistirá dos seguintes movimentos.

1.         Bolsonaro garantirá a legitimação de quem foi eleito pelo voto, dentro do conceito de democracia mitigada, Tentará a reeleição recorrendo a práticas populistas, mas persistindo no desmonte de todas as políticas públicas.

2.         O Supremo facilitará o trabalho do Estado profundo, atuando como agente moderador de alguns excessos –na questão do meio ambiente e nos ataques do gabinete do ódio. Mas será essencial para manter a oposição manietada e Lula fora do jogo. E também como avalista final de todas as loucuras ultraliberais e do desmonte de todas as redes de proteção social. Algumas das destruições planejadas serão irreversíveis. Na linha de frente, o Judiciário prosseguirá no lawfare às vozes dissidentes. Tudo isso seguindo os procedimentos formais de uma democracia mitigada.

3.         Tribunal Superior Eleitoral, Polícia Federal e Tribunal de Contas da União também poderão ter papel relevante na inviabilização da oposição, da mesma maneira que a Polícia Federal hoje em dia.

4.         O centrão terá à sua disposição Ministérios inteiros, de porteira fechada.

5. Se passar a reforma administrativa proposta, o governo terá à sua disposição milhares de cargos para barganha política.

6.         O mercado terá o desmonte do Estado, o esvaziamento das políticas sociais e os grandes negócios com as privatizações, através do mantra das “reformas”.

7.         As Forças Armadas terão aumento no orçamento e um amplíssimo mercado de trabalho no setor público para militares da ativa e da reserva. Militares ocupando cargos estratégicos na máquina pública, abrirão  mercado para lobistas atuando junto ao setor privado – como ocorreu no período militar.

De seu lado, Bolsonaro terá plena liberdade para prosseguir com as seguintes políticas:

1.         Desmonte da política educacional.

2.         Esvaziamento dos órgãos de financiamento da ciência e tecnologia.

3.         Abandono de todas as políticas inclusivas, de saúde ou de educação, e entrega de verbas públicas a instituições religiosas ou particulares especializadas em explorar a deficiência.

4.         Desmonte das políticas culturais.

5.         Desmonte dos sistemas de fiscalização ambiental.

6. Abertura de mercado para milícias, indústria do lixo, indústria de armas, cassinos e outros setores associados.

No Pacto da Pizza, as corporações terão privilégios preservados. A conta do funcionalismo público será bancada pela rapa, os que atuam na prestação de serviços aos cidadãos. Cada vez menos o cidadão será objeto central das políticas públicas, com o desmonte final do Estado social.

No momento, ainda é um ensaio de pacto. Aqui se apresentou o desenho final, caso seja bem sucedido.

Resta ver como esse pacto de Brasília resistirá aos problemas futuros da economia. Não se trata de favas contadas, porque pela frente há uma recessão prolongada, um aumento da miséria e do descontentamento geral.