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domingo, 13 de maio de 2018

Seis crimes hediondos cometidos contra crianças durante a Ditadura Militar. Por Maurício Brum


Publicado originalmente na Gazeta do Povo em 22 de outubro de 2017, repeublicado em 13 de maio de 2018 pelo Diário do Centro do Mundo
POR MAURÍCIO BRUM

Zuleide, Luis Carlos e Ernesto: fichados pela ditadura. Foto: Reprodução

Prisão, tortura, desterro, estupro, aborto e morte: a lista de violências é tão longa quanto chocante. Na década de 70, no auge da repressão no Brasil, as crianças não estiveram imunes à violência do regime militar. Fosse por obra direta do terrorismo de Estado, como no caso de crianças presas e torturadas, ou por conivência do regime com figuras influentes, como nos escândalos de pedofilia que acabaram abafados em 1973, esses episódios deixaram uma memória traumática na história do país — e um legado de impunidade que se estende até os dias atuais.


Abaixo, recordamos alguns dos crimes mais famosos ocorridos durante o período ditatorial.

Prisão e exílio dos irmãos Nascimento

Suas fotografias 3×4, marcadas com o carimbo do DOPS, atestam sua condição de prisioneiros políticos. Irmãos de criação, Samuel Dias de Oliveira, Luis Carlos Max do Nascimento, Zuleide Aparecida do Nascimento e Ernesto Carlos Dias do Nascimento estiveram entre os mais jovens detidos pela ditadura: tinham idades entre 2 e 9 anos de idade no momento da prisão. Não foram as únicas crianças presas durante o período militar, mas se tornaram um caso famoso devido ao seu banimento do país com um grupo de pessoas vistas pelo regime como “extremistas”.
As crianças foram capturadas no Vale do Ribeira em 1970, onde eram cuidados pela avó. Usavam nomes falsos no dia a dia e saíam pouco de casa, na tentativa de evitar o destino que acabariam tendo. Seus pais faziam parte da luta armada contra o regime e, na região, a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) funcionava sob o comando de Carlos Lamarca.
Aos olhos dos militares, os filhos também podiam pagar pela incômoda militância dos pais: fichadas como terroristas, as crianças acabariam detidas por mais de dois meses. O mais novo deles, Ernesto, acompanhou os pais nas prisões clandestinas da Oban, do DOPS e do DOI-CODI. Ainda bebê, presenciou as torturas do pai.
Sem ter cometido qualquer infração além de terem nascido em uma família considerada “terrorista”, os quatro acabariam sendo banidos do Brasil, forçados ao exílio junto com a avó, Tercina Dias de Oliveira. Os pais continuaram presos. Os irmãos Nascimento foram incluídos numa negociação do governo pela liberação do então embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, que havia sido sequestrado por grupos da oposição armada. Ao todo, quarenta outros prisioneiros políticos – além das quatro crianças – foram desterrados, primeiro em direção à Argélia, vindo a obter asilo definitivo em Cuba.
Exilados em terra estrangeira e longe dos pais, que só seriam liberados dez meses mais tarde em outra troca de prisioneiros, os quatro “elementos menores subversivos” foram proibidos de retornar ao Brasil antes da promulgação da Lei da Anistia, em 1979.

Casos Ana Lídia e Araceli

A menina Ana Lídia Braga tinha 7 anos de idade quando foi sequestrada, torturada, estuprada e morta em Brasília, em setembro de 1973. Foi encontrada enterrada, nua, nas proximidades da UnB. A investigação do caso foi rapidamente abafada quando começaram a vir à tona suspeitas de que o filho do então Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, estaria envolvido no crime.
A presença de nomes influentes dentro do governo militar foi desconversada pelo regime, alegando que tudo não passava de uma boataria promovida pelos “subversivos”. Em 1974, a ditadura emitiria uma ordem expressa à imprensa proibindo novos comentários sobre o crime. O processo relacionado ao Caso Ana Lídia acabou sendo arquivado sem que se avançasse nas investigações.
Era a segunda vez naquele ano que um crime de tal natureza redundava em impunidade após surgir uma suposta conexão com nomes influentes. Em maio de 1973, a menina Araceli Crespo, de 8 anos, havia sido morta e desfigurada com ácido seis dias após o seu desaparecimento. As investigações indicaram que Araceli havia sido mantida em cárcere privado por pelo menos dois dias, durante os quais foi repetidamente estuprada.
Os principais suspeitos do crime eram Paulo Constanteen Helal e Dante de Barros Michelini (Dantinho), filho do latifundiário Dante de Brito Michelini, que gozava de grande influência junto ao governo militar. A denúncia da época mostrava que Michelini pai havia usado as suas ligações para dificultar as investigações policiais. Embora tenham sido condenados em um primeiro momento, os acusados sairiam impunes após a sentença ser anulada nas instâncias superiores.

Operação Camanducaia

Em outubro de 1974, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo prendeu e torturou 93 meninos com idades entre 11 e 17 anos. As detenções eram ilegais: embora a polícia afirmasse que se tratavam de delinquentes, jamais houve qualquer acusação formal contra os meninos. Todos os garotos tinham perfis modestos, saídos de famílias de baixa renda, e alguns viviam nas ruas da cidade. A Operação Camanducaia, na realidade, pretendia “limpar as ruas de São Paulo”.
Os meninos foram amontoados em um ônibus e agredidos ao longo da viagem — com as cortinas fechadas, não sabiam para onde estavam sendo levados. Finalmente, no meio da madrugada, foram obrigados a tirar as roupas e abandonados à beira da rodovia Fernão Dias, nas proximidades de Camanducaia (MG): para garantir que se dispersassem pelo mato, os policiais dispararam às cegas em sua direção. Machucados e nus, os meninos chegaram à cidade e acabaram acolhidos pela população chocada. Três dias depois, foram recolhidos pelas autoridades e levados de volta a São Paulo, onde permaneceram detidos.
As investigações judiciais sobre o caso nunca foram adiante, apesar da insistência do juiz responsável na época: “não há prova nos autos de que todos os menores detidos, encarcerados e transportados para Camanducaia fossem ‘trombadinhas’ (e se o fossem ainda seria injustificável a ‘Operação’)”, escreveu o magistrado, reforçando a necessidade de mais informações. A promotoria chegou a oferecer denúncia contra 14 delegados e 7 policiais, mas o caso acabaria arquivado sem que qualquer autoridade passasse perto de ser investigada.
Para dar a aparência de que havia procurado punir os responsáveis, o DEIC realizou uma sindicância interna (denunciada na época como uma farsa) e puniu um funcionário – um escrivão, suspenso por 30 dias sob a acusação de ter “comandado” o esquema.

Carlos Alexandre Azevedo

Ele é considerado o prisioneiro político mais jovem a ter sofrido tortura física durante a ditadura no Brasil. Carlos Alexandre Azevedo tinha apenas 1 ano e 8 meses quando foi trancafiado na sede do Departamento Estadual de Ordem Pública e Social (DEOPS), em São Paulo. Lá, foi torturado com choques elétricos.
Seus pais, o jornalista e cientista político Dermi Azevedo e a pedagoga Darcy Azevedo, eram acusados pelo regime de dar guarida a militantes de esquerda. O bebê foi capturado em 15 de janeiro de 1974, quando estava sob os cuidados de uma babá – o pai já estava preso desde a véspera e a mãe seria presa horas depois.
“Carlos Alexandre não parou de chorar após a invasão da casa pela polícia. Para que ficasse quieto, um dos agentes da repressão deu-lhe um soco na cara, que ficou sangrando”.
No DEOPS, o bebê ficou nas mãos da equipe do torturador Sérgio Fleury. Seria vítima de mais violência como forma de convencer os pais a confessarem os supostos crimes: passou mais de quinze horas sofrendo as sevícias da tortura.
O trauma trazido da infância deixou sequelas psicológicas que ele carregou pelo resto da vida – Carlos Alexandre voltou a ganhar destaque em 2010, quando o Estado finalmente o reconheceu como vítima da ditadura. Na época, em entrevista à revista IstoÉ, ele revelou sofrer de fobia social, que trazia desde a infância. Preso aos antidepressivos e antipsicóticos, o mais jovem torturado do Brasil vivia recluso, sem amigos nem emprego.
Carlos Alexandre Azevedo suicidou-se em 2013, aos 40 anos de idade. “Hoje a ditadura militar concluiu a morte de Carlos, iniciada em tão tenra idade”, escreveu o Movimento Nacional de Direitos Humanos na ocasião.

Abortos forçados na prisão

Por muitos anos, os episódios de violência específica sofridos por mulheres na prisão política não foram denunciados. O medo, o trauma e a vergonha que marcavam esses episódios impediam que os relatos sobre estupros, partos clandestinos e abortos forçados viessem à tona. A abertura de comissões investigadoras por parte do Estado, desde os anos 90, ajudou a jogar luz sobre uma nova dimensão desses suplícios: as crianças vitimadas antes do nascimento, mortas ou carregando sequelas sofridas por prisioneiras grávidas.
Alguns bebês sobreviveram à tortura das mães. Criméia Schmidt de Almeida contava seis meses de gravidez quando foi presa. A barriga proeminente não impediu que fosse torturada. O seu caso, diferentemente de outros, teve uma espécie de acompanhamento médico. Segundo seu relato à Comissão da Verdade, o suposto especialista “disse o tipo de tortura que eles poderiam fazer, recomendava que não espancassem a barriga e não dessem choques elétricos na vagina, na boca, nos órgãos mais internos”. Criméia foi espancada no pau de arara e ouviu várias ameaças de que seu filho seria sequestrado após o nascimento. “Meu filho tinha soluços na barriga. […] [Até hoje,] qualquer tensão, ela se manifesta com soluços”, disse à CNV.
Nem todas passaram pela mesma tortura específica que foi reservada a Criméia. Rosa Maria Barros dos Santos, presa no DOPS de Recife no início de 1971, estava no início da gestação. Após as torturas, relatou à Comissão da Verdade, “começou um sangramento cheio de pedaços de coisas”. Passou a entender o que estava acontecendo quando trouxeram comprimidos de ácido acetilsalisílico (AAS), que sem orientação médica pode facilitar abortos. Rosa abortou completamente, e ainda precisou considerar isso uma sorte: “depois, conversando com a minha ginecologista, ela falou: ‘Foi uma sorte, Rosa. Você fez um aborto completo, porque se você tivesse feito um aborto incompleto, provavelmente, você morreria’”.
A professora Izabel Fávero, presa no interior do Paraná em 1970 por seu envolvimento na VAR-Palmares, estava grávida havia dois meses no momento da detenção. Segundo o relato dela, seu marido teria pedido aos soldados que não fizessem nada com ela – “pode me torturar, mas ela está grávida”. O suplício foi recebido com deboches. Os militares não acreditaram e não realizaram qualquer exame para comprovar a gravidez. Izabel sofreu torturas com choques elétricos ao longo de cinco dias – nos órgãos genitais, nos seios, nos dedos e atrás das orelhas. Ela também abortou.
Seu filho, como o de Rosa e outras mulheres que viveram situação semelhante, não aparece em nenhuma lista oficial de vítimas da ditadura militar.


domingo, 4 de março de 2018

O Globo: Livro reúne histórias de crianças presas, torturadas ou exiladas durante a ditadura no Brasil


Crianças filhas de perseguidos pela ditadura militar no Brasil eram fichadas pelo Dops Foto: Reprodução
Crianças filhas de perseguidos pela ditadura militar no Brasil eram fichadas pelo Dops - Reprodução

De O Globo:



POR 


SÃO PAULO - Os cabelos acastanhados desciam pelas costas estreitas até a cintura. Eram a expressão de vaidade da menina Zuleide Aparecida do Nascimento, de quatro anos. E uma das poucas coisas — além de uma boneca de plástico — que Zuleide supunha lhe pertencer quando foi presa por agentes da ditadura militar, em 1970. Talvez por isso a lembrança do corte de cabelo forçado que sofreu no Juizado de Menores seja uma das mais marcantes memórias de Zuleide.

— Aquilo foi uma violência muito forte para mim — afirma ela, aos 49 anos, emocionada.
Zuleide e os irmãos de 2, 6 e 9 anos foram “capturados” no Vale do Ribeira, onde sua família se engajara na luta armada contra o regime. Ali, Carlos Lamarca comandava quadros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Quando o grupo foi preso, as crianças também o foram. Acabaram fotografadas (Zuleide, na imagem ao lado, já com o cabelo cortado), fichadas e tachadas como “miniterroristas” no temido Dops (Departamento de Ordem Política e Social). E foram banidas do Brasil. Ao lado de 40 presos políticos, embarcaram em um avião em direção à Argélia, e depois à Cuba, em uma negociação da esquerda com o governo militar que envolveu o sequestro do então embaixador alemão Ehrenfried von Holleben. O retorno de Zuleide ao Brasil só seria possível 16 anos mais tarde.

— Sou uma pessoa sem identidade. Fui alfabetizada em espanhol. Meus documentos foram cassados, nem sei que dia nasci. Me sinto mais cubana do que brasileira — diz.
A história de Zuleide e de outras 39 pessoas que hoje têm entre 40 e 60 anos e foram crianças durante o regime militar estão contadas no livro “Infância roubada”, recém-lançado pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. O material é uma tentativa de rememorar, a partir dos relatos das vítimas, como o Estado militar tratou os filhos de seus inimigos. São narrativas inéditas de um dos trechos menos conhecidos da história nacional. Em pouco mais de 300 páginas, ilustradas com fotografias e documentos históricos, há depoimentos e contextualizações dos casos.

“Infância roubada” tem valor historiográfico por sugerir um certo padrão de tratamento dispensado pelos militares às crianças. Além de serem banidas, ficaram presas com os pais, participaram de sessões de tortura das mães, como espectadores ou como alvos das sevícias. E tiveram a própria existência ameaçada. É o que relata Paulo Fonteles Filho, nascido em 1972, em um hospital militar. Seus pais foram presos por atividades comunistas. Fonteles conta que o pai assistiu a torturas da mãe, Hecilda, grávida de cinco meses. Antes do nascimento da criança, os agentes teriam dito a ela que “filho dessa raça não deve nascer”. Depois do parto, os militares teriam demorado a entregar o bebê para a família de Hecilda porque não encontravam algemas que coubessem nos pulsos do recém-nascido. “Eles deviam me achar bastante perigoso!”, ironizou Fonteles em seu depoimento.
Zuleide partilha com Fonteles a mesma impressão:

— Tratavam-nos como se o comunismo fosse uma doença hereditária, sem cura. Como se fosse uma praga que pudesse se espalhar pela sociedade. Éramos um risco.
Apesar das semelhanças entre os regimes militares brasileiro e argentino, as narrativas sugerem uma diferença fundamental entre eles no tratamento dispensado às crianças. Se, na Argentina, os militares entendiam os filhos de inimigos como uma espécie de riqueza nacional, uma matéria bruta valiosa a ser moldada para a construção da sociedade que desejavam, no Brasil, o Estado, de inspiração fortemente positivista, foi para o lado oposto. As argentinas presas grávidas eram tratadas com cuidado até o nascimento da criança. Casos de aborto eram raros e acidentais. Depois de nascidos, os bebês eram entregues a famílias da elite militar ou a seus apoiadores. O resultado foi mais de 500 crianças sequestradas e adotadas ilegalmente.

Já as forças repressivas brasileiras parecem ter revivido uma inspiração lombrosiana. O cientista italiano Cesare Lombroso fez sucesso entre a polícia nacional nos séculos XIX e XX ao defender que características físicas hereditárias — tais como o formato da orelha — eram capazes de predizer se um sujeito era louco ou bandido. Ao tratar o comunismo quase como doença congênita, os militares parecem ter flertado com a estapafúrdia teoria. Esta hipótese, discutida por especialistas, ainda demanda estudos mais profundos para ser comprovada ou descartada. A tarefa deve ser facilitada quando forem publicados os relatórios das comissões da verdade em curso.

O segundo trunfo de “Infância roubada” é dar voz a pessoas cuja dor nunca havia sido abordada. Muitos dos que se dispuseram a falar jamais tinham revelado completamente seu passado. É o caso de Eliana Paiva, cujo pai, o ex-deputado Rubens Paiva, foi morto em tortura pela ditadura. Eliana passou 24 horas presa. Durante metade do tempo, teve que usar “um capuz fedorento” que a sufocava. Aos 15 anos, foi chamada de comunista, levou cascudos na cabeça, apertões nos seios.

— Conforme o tempo passava, os agentes diminuíram a agressividade no interrogatório. Intuí que meu pai já estava morto — conta.

Sua prisão, o desaparecimento do pai e o sofrimento contínuo da mãe marcaram sua vida:
— Nunca tinha conseguido contar tudo sobre a prisão. Nem para marido, nem para terapeuta. Mas, aos 59 anos, quero resolver algumas coisas. Falar pode ajudar.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/livro-reune-historias-de-criancas-presas-torturadas-ou-exiladas-durante-ditadura-no-brasil-14496104#ixzz58nE42QmJ 
stest 

terça-feira, 26 de julho de 2016

Crianças sírias usam Pokemon Go para lançar apelo ao mundo, pedindo que as salve

Lembrando que o judas interino Michel Temer proibiu apoio e refúgio aos sírios, chegando a dizer ao Kojak imitação posto no Ministério da Justiça que eles "devem morrer no mar"....



Do HuffPost Brasil:

A mania do Pokemon Go também está presente na Síria, país dilacerado pela guerra, e algumas crianças sírias estão aproveitando a popularidade do aplicativo para lançar um apelo para serem resgatadas.
A coalizão Forças Revolucionárias da Síria, composta por alguns dos grupos oposicionistas do país, postou no Twitter uma série de fotos comoventes de crianças segurando desenhos de personagens Pokemon com dizeres escritos abaixo.
O app usa a realidade aumentada, com a qual os usuários podem captar o Pokemon em locais no mundo real.
“Há muito #Pokemon na #Síria. Venha me socorrer!”, escreveu o menino na foto ao alto, segurando um desenho de Pikachu.
Na foto abaixo, o menino escreveu: “Estou em Kafr Nabl na zona rural de Idlib venha me resgatar”.
“Sou de Kafr Nabudah…Me salve”, escreveu este garoto segurando um desenho de Squirtle.
O país está em guerra civil desde 2011. Muitas das cidades principais são alvos de ataques aéreos incessantes, deixando à população muito poucas chances de sobrevivência.
Segundo cifras da entidade Save the Children, nos últimos cinco anos quase 12 mil crianças foram mortas e mais de 2,3 menores foram obrigados a deixar o país.
O país está em guerra civil desde 2011. Muitas das cidades principais são alvos de ataques aéreos incessantes, deixando à população muito poucas chances de sobrevivência.
Segundo cifras da entidade Save the Children, nos últimos cinco anos quase 12 mil crianças foram mortas e mais de 2,3 menores foram obrigados a deixar o país.
Este artigo foi originalmente publicado pelo LINK">HuffPost US e traduzido do inglês.
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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Educar é mais eficaz e traz melhores consequências do que punir



Extraído do Política no Face:


Mês de junho será travada uma verdadeira guerra na Câmara Federal. O presidente Eduardo Cunha (Dudu) não vê a hora de votar a redução da maioridade penal. Uma discussão pouco explorada na sociedade onde o senso comum é levado em conta, como maioria absoluta da opinião das ruas.

Por sua vez a TV e seus programas policiais enfatizam por vez ou outra que o crime, o qual ele explora à exaustão para poder fazer seu nome e se eleger, foi cometido por um menor. Mas não dizem, por exemplo, que menos de 1% dos jovens cometem crimes de atentado a vida. Ou seja, na maioria dos casos são furtos e penas menores. Mas querem levar este jovem pra dividir uma cela, por anos, com verdadeiros assassinos, estupradores e tudo mais. Escondem também que em países como Espanha, onde a maioridade penal era de 16 anos, não registrou diminuição no índice de violência e voltou atrás da decisão.

Nessa votação a bancada da bala vai ter orgasmos. Pra eles quanto mais punição mais audiência. O que veremos se for aprovado? Jovens da periferia aos montes jogados em cadeias superlotadas. E os da middle class e high society? Continuarão impunes, com 16 e 17, assim como ficam impunes hoje com 18, 19, 20, 21, 22...

O buraco é muito mais embaixo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Reencarnação: evidências possíveis na recordação espontânea de crianças


Memória Extra-Cerebral: Evidências a favor da Reencarnação

Carlos Antonio Fragoso Guimarães



Memória Extra-Cerebral.... É este o termo técnico usado por cientistas e parapsicólogos para as lembranças espontâneas de crianças que, geralmente a partir do começo da fala ao redor dos dois anos, parecem demonstrar recordações referentes a pessoas e fatos existentes ou ocorridas antes de seu nascimento (STEVENSON, 1995; ANDRADE, 1993; SHRONDER, 2001). As crianças não dizem lembrar-se que vêem tais pessoas ou fatos, mas que são estas pessoas e que vivenciaram pessoalmente estes fatos.

A memória extra-cerebral traz o incômodo paradoxo de que as lembranças narradas (e, em vários casos, posteriormente confirmadas através de documentos, etc.) não foram registradas através da aparelhagem neuropsicomotora do sujeito que as detêm, mas, a principio, pelo "cérebro" e demais órgãos sensoriais de uma outra pessoa, impreterivelmente morta à época em que a criança espontaneamente narra suas lembranças, muitas vezes referentes a outras famílias e em outros locais que não estão em relação com a família da criança hoje (STEVENSON, 1995; ANDRADE, 1993; SHRODER, 2001). Este fenômeno faz questionar se o modelo mecanicista da mente dominante na ciência não será limitado demais... Pois o fenômeno parece ter um substrato psíquico não necessariamente associado ao sistema nervoso da criança que recorda.

Hoje, a pesquisa da Memória Extra-Cerebral adentra os corredores das universidades. Entre estas, temos de destacar as pesquisas iniciadas pelo Dr. Ian Stevenson na Universidade de Virgínia, Estados Unidos, onde foi professor de Psiquiatria e Psicologia e, mas recentemente, chefe da Divisão de Estudos da Personalidade. A Psychical Research Foundation, da mesma universidade, possui uma revista própria, científica, dedicada a todos os aspectos metodológicos da pesquisa que sugiram a sobrevivência após a morte do corpo físico, incluindo todos os fenômenos parapsicológicos, além dos estudos de casos de Memória Extra-Cerebral. A revista chama-se THETA, não sem razão o nome dado aos prováveis agentes não-físicos causadores de vários dos fenômenos paranormais ligados à teoria da sobrevivência (Poltergeists, Memória Extra-Cerebral, Aparições, etc.). As pesquisas neste sentido realizadas por pesquisadores da Universidade de Virgínia ganhou o nome de "Projeto THETA".

Diversos fatores diferenciais são utilizados como métodos e técnicas de indícios de Reencarnação. Citemos:

1) Experiências de Regressão de Memória Artificialmente Provocadas quer seja através de hipnose ou de relaxamento profundo. Tem o incoveniente de que a sugestão da regressão possa provocar lembranças fictícias para atender a expectativa do hipnólogo, mas, ao mesmo tempo, pode atingir realmente instâncias profundas do inconsciente (PINCHERLE, 1990);

2) Regressão de Memória Espontânea. Caso raro em que certas pessoas entram em transe espontâneo e recordam de eventos prováveis de vidas passadas;

3) Memórias Espontâneas. Geralmente ocorrem em crianças e adolescentes que, em dado momento, começam a recordar nitidamente reminiscências ligadas a uma personalidade que elas dizem ser em outro tempo e lugar. Em algumas destas lembranças existem marcas de nascença que, de alguma forma, estão ligados a traumas físicos que elas dizem ter causado a morte na sua vida anterior.

Entre os primeiros investigadores europeus a realizar estudos sobre memórias espontâneas ligadas a marcas de nascença, está o Dr. Resart Bayer, psiquiatra e presidente da Sociedade Turca de Parapsicologia. Fala o Dr. Bayer que "Certos sinais ou marcas congênitas, muito evidentes, como cicatrizes, etc., que não têm explicações dentro das leis biológicas mas que obrigatoriamente têm de ter uma causa" geralmente associadas às lembranças espontâneas em sua quase totalidade ligadas a ferimentos e traumas que causaram a morte em outra vida, e obrigam a ciência a ocupar-se com seriedade destes fenômenos.

O Dr. Stevenson publicou um livro, em dois volumes, com mais de mil páginas, com casos documentados de memórias espontâneas ligadas a marcas de nascença (STEVENSON, 1997). Estes casos são muito raros, mas o conjunto de casos levantados por Stevenson e colaboradores não podem ser negligenciados como as melhores evidências a favor da hipótese da Reencarnação.

Bibliografia

  • Andrade, Hernani Guimarães. Reencarnação no Brasil. Matão, 1993, Casa Editora O Clarim.
  • Shroder, Tom. Almas Antigas - A busca de evidências científicas da reencarnação. Rio de Janeiro, Sextante, 2001.
  • Pincherle, Livio et al. Terapia de Vida Passada. São Paulo, Summus Editorial, 1990.
  • Stevenson, Ian. Twenty Cases Suggestive of Reincarnation. Charlotteville, University Press of Virginia, 1995.
  • ______________ Reincarnation and Biology, vol. 1: BirthmarksVol. 2: Birth Defects and Other Anomalies. Esport, Connecticut. Prager, 1997
(Publicado no Boletim GEAE Número 456 de 27 de maio de 2003)