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sábado, 15 de junho de 2019

Moro, a Globo (entre eles, tudo combina) e as táticas de manipulação para salvar a validade do golpe e dos interesses das elites, pelo professor José Fernandes





NESSE VÍDEO O PROF JOSÉ FERNANDES JUNIOR ANALISA A ESTRATÉGIA QUE COMEÇA A SER DELINEADA PELO MINISTRO MORO E A TV GLOBO RELACIONADA À PUBLICAÇÃO DAS GRAVAÇÕES NA LAVA JATO. QUE CONSEQUÊNCIAS TEREMOS? SIMPATIZANTES DE LULA ESTÃO COM ESPERANÇAS DE REVIRAVOLTA, MAS NÃO HÁ TANTO ESPAÇO AINDA PARA ESSAS CONCLUSÕES. O TEMPO DIRÁ. EDITORIAL DE O GLOBO 15/06/2019: https://oglobo.globo.com/opiniao/hack... #lavajato #moro #globo

sábado, 12 de maio de 2018

Kiko Nogueira: Com sangue nas mãos, Globo usa documento da CIA para dizer que o escancarado Golpe de 2016 e ainda em ação não foi golpe


"A fortuna da família é obra e graça daqueles ditadores que cultivou e ordenhou. Como disse o jornalista Glenn Greenwald, “o dinheiro dos Marinhos – hoje – está encharcado do sangue das vítimas”."
Figueiredo e Roberto Marinho


O Globo perpetrou um editorial canalha sobre o documento da CIA confirmando que Geisel controlava a política de extermínio de seu governo.
“Para as gerações mais novas, fica o ensinamento de como funciona um verdadeiro regime de exceção, instalado a partir de um golpe real, como foi o de 64, impondo uma ditadura radicalizada em 13 de dezembro de 1968, com a edição do Ato Institucional nº 5, o AI-5”, diz o texto.
“É oportuno este tema, resgatado pela descoberta do memorando, devido à facilidade e ligeireza com que se acusa a cassação de Dilma Rousseff de ‘golpe’ e se afirma viver o país um ciclo de ilegalidades, a principal delas a prisão do ex-presidente Lula. Credite-se esses desatinos à paixão política e ideológica, mas também à falta de informação histórica”.
Segue:
Revisitar aqueles tempos de escuridão ensina que nada existe no Brasil, a partir da Constituição de 88, que permita ao Estado sequestrar, executar cidadãos e cercear as liberdades em geral. Há imperfeições, é certo, mas as instituições funcionam, e o estado democrático de direito vigora.
É crucial ter consciência das diferenças em relação àquele passado, também para a sociedade poder rejeitar qualquer proposta autoritária que venha da direita ou da esquerda.
Golpe, portanto, só existe se houver torturas, “desaparecimentos” e soldados. Quando há juízes e jucás como protagonistas, é parte das regras do jogo.
A Globo usa um golpe que promoveu e que agora finge repudiar para afirmar que o outro golpe que promoveu não existiu.
Nem uma palavra acerca de seu papel na história.
Sem Roberto Marinho, a ditadura não teria durado 21 anos. A Globo deu sustentação, apoio, fez propaganda do Brasil Grande com Amaral Netto.
A TV nasceu em 1965 e cresceu à sombra dos generais. Armando Falcão, ex-ministro da Justiça, se referia a Roberto Marinho como o “mais fiel e constante aliado”.
Em relatórios do Departamento de Estado americano, o ex-embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, fala da interlocução privilegiada do dono da Globo com as lideranças do regime.
Segundo Gordon, Marinho estava “trabalhando silenciosamente” ao lado de um grupo composto por Geisel e Golbery discutindo o futuro de Castello Branco.
A decretação do AI 5, em 1968, foi comemorada. Em 7 de outubro de 1984, o “doutor” Roberto publicou em seu jornal um artigo exaltando o legado dos amigos.
“Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”, escreveu.
Marinho também apelava para as instituições, como seus descendentes o fariam três décadas depois.
A fortuna da família é obra e graça daqueles ditadores que cultivou e ordenhou.
Como disse o jornalista Glenn Greenwald, “o dinheiro dos Marinhos – hoje – está encharcado do sangue das vítimas”.

Sobre os documentos da CIA, a Globo dos Marinhos, Ditadura e Genocídio oficioso em análise de Jeferson Miola



"Os memorandos da CIA sobre a ditadura civil-militar instalada com o auxílio da Globo em 1º de abril de 1964 revelam uma realidade ainda mais tenebrosa do regime sanguinário que a família Marinho apoiou durante todos os seus 21 anos de existência." - Jeferson Miola


Do 247:

CIA, Globo, ditadores e genocidas




Os memorandos da CIA sobre a ditadura civil-militar instalada com o auxílio da Globo em 1º de abril de 1964 revelam uma realidade ainda mais tenebrosa do regime sanguinário que a família Marinho apoiou durante todos os seus 21 anos de existência.

Os assassinatos dos opositores políticos do regime faziam parte da política de Estado que foi criminosamente ocultada da população pelo noticiário cúmplice da Globo e do conjunto da mídia.

As decisões macabras sobre quem deveria ser morto eram tomadas dentro do gabinete presidencial do Palácio do Planalto, que fora convertido em escritório central do Terror de Estado.
Os ditadores Ernesto Geisel [1974/1979] e João Figueiredo [1979/1985], a quem a historiografia atribuía candidamente o papel de condução da "abertura" e "distensão" para a redemocratização, na realidade foram tão genocidas quanto o tirano Emílio Garrastazu Médici e seus antecessores.
Os documentos da CIA, recém liberados, contêm informações pormenorizadas, precisas e com detalhes ricos sobre datas, participantes das reuniões macabras e conteúdos nelas decididos.
Tal detalhamento e riqueza de informações mostra que a CIA tinha acesso privilegiado ao centro decisório da ditadura e conhecia os métodos terroristas – através da atuação direta de agentes estadunidenses, espiões ou mercenários brasileiros infiltrados pelos EUA.
Vendo em retrospectiva, é de se indagar se as mortes em circunstâncias estranhas de Zuzu Angel, JK e Jango, respectivamente em abril, agosto e dezembro de 1976 – todas no período presidencial de Geisel e com Figueiredo na chefia do SNI – também teriam sido decididas no próprio Planalto.
Da mesma maneira que no golpe de 2016 que derrubou a Presidente Dilma e instalou a ditadura Globo-Lava Jato, também foi notável a presença íntima da CIA e a participação da agência estadunidense na engrenagem golpista que derrubou o Presidente Jango em 1º de abril de 1964.
Ontem como hoje, o governo dos EUA foi partícipe e cúmplice dos atentados contra a democracia no Brasil – e o mesmo pode ser dito em relação à Globo.
A alegação do Exército, de que os registros da época foram destruídos, torna ainda mais turvo este deplorável período da história do Brasil, cuja verdade precisa ser estabelecida na nova historiografia a ser urgentemente escrita.
Em agosto de 2013, 49 anos depois do golpe terrorista que apoiou em 1964, a Globo escreveu, cinicamente, que "Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro".
O artifício de linguagem empregado pela Globo – apenas "um erro" – não apaga da história seu papel central de partícipe de crimes perpetrados contra a democracia, o Estado de Direito e a soberania do Brasil.
A Globo é incompatível com a democracia; é tão criminosa quanto os ditadores e genocidas que promoveram o terrorismo no passado com o apoio da potência imperial do Norte; e é tão criminosa quanto os fascistas de hoje, que abastardaram o Estado de Direito e instalaram a atual ditadura jurídico-midiática.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Partido da mídia segue unido e quer saída da crise ao seu modo. Artigo de Lalo Leal


Manifestantes por Diretas Já, em São Paulo: a mídia ajudou no golpe para botar Temer lá; agora quer trocá-lo pôr outro igual


A Globo interrompe sua programação, pouco antes do Jornal Nacional, para dar uma notícia extraordinária.

Gravação mostrava relações promíscuas entre Michel Temer e o dono da empresa JBS.

A partir dai o conglomerado de mídia líder do movimento golpista que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e apoiadora fiel do governo ilegítimo passou a atacá-lo duramente.

Outras empresas de comunicação não adotaram a mesma linha, caso dos jornais Folha de S.Paulo, o Estado de S. Paulo e da Rede Bandeirantes. Ao contrário, seguiram apoiando o governo ilegítimo.

Aparentemente rompia-se o monopólio de ideias defendidas pelo conjunto dos grandes meios de comunicação brasileiros, formadores há muito tempo de um verdadeiro partido político, hoje aliado a setores do Judiciário.

A divergência, no entanto, é apenas tática e superficial. O alinhamento de todos eles continua firme em torno das reformas trabalhista, previdenciária e política.

Discordaram momentaneamente em torno apenas de quem seria o condutor desse processo.

A novidade foi que as Organização Globo, com sua longa experiência de envolvimento com os poderes constituídos, viram com antecedência a impossibilidade do governo Temer de levá-las adiante com presteza e agilidade.

Um governo com baixíssima popularidade teria muita dificuldade de implementar as reformas.

Ainda mais depois do sucesso da greve geral de 28 de abril. O vazamento da conversa entre o presidente da República e o dono da JBS veio a calhar.

Serviu de justificativa para que a Globo virasse de lado e passasse a apostar numa rápida substituição do governo Temer por outro, eleito indiretamente pelo Congresso, capaz de seguir em frente com as reformas.

Repetia-se, dessa forma, o que ocorreu no episódio da eleição e da renúncia de Collor.

A Globo criou o candidato na figura do Caçador de Marajás alagoano, o elegeu e depois de algum tempo resolveu destituí-lo, apoiando movimentos como o dos famosos “caras-pintadas”.

Agora faz o mesmo. Encabeçou o golpe contra Dilma colocando Temer na presidência para, neste momento, pedir a sua cabeça.

No primeiro domingo de junho, a Folha de S.Paulo, em editorial, deu também uma guinada. Sem o estardalhaço do grupo Globo, realizou mais discretamente o seu desembarque do governo Temer.

Mas foi bem mais explícita do que o grupo carioca na persistência do apoio às reformas e na descrença na capacidade do governo em realizá-las.

“O governo Temer vem implantando um audacioso elenco de reformas estruturais que estão no rumo certo. Sua capacidade de seguir adiante com esse programa parece seriamente prejudicada”, diz o jornal da família Frias.

E segue: “Por ora, o mais importante, com ou sem Temer, é que o governo e o Congresso persistam nesse rumo, único capaz de nos livrar da recessão e preparar um futuro mais próspero e promissor”.

Ainda não se ouviu algo semelhante do Estadão ou da TV Bandeirantes. Mas mesmo que não sigam as piruetas de Globo e Folha, esses e outros integrantes do partido da mídia continuam unidos na defesa das medidas anti-populares e anti-nacionalistas colocadas em prática pelo governo originário do golpe.

As diferenças superficiais entre um e outro meio de comunicação não representam, como se vê, nenhum alento para aqueles que sonham com um conjunto de meios diversificados, capazes de oferecer diferentes interpretações da realidade, dando ao público a possibilidade do entendimento e da escolha.

Aqui não é possível ler ou ouvir nesses veículos análises críticas às reformas trabalhistas, elaboradas por entidades acadêmicas ou sindicais.

Muito menos apreciações fundamentadas mostrando a falácia que é o tal “déficit da Previdência”, mote usado por essa mídia para justificar o fim desta que é, sem dúvida, uma das mais importantes proteções sociais ainda existentes no pais.

A guinada pioneira da Globo, seguida pela da Folha, um pouco mais tardia, representam também a tentativa de ambas de se tornarem fiadoras de primeira hora de um novo governo que parece se anunciar para breve.

Lalo Leal 
No RBA

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Manda quem pode, obedece quem tem a faixa. Esse é o poder sem voto. Artigo de Fernando Rodrigues



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Do site Poder 360, do jornalista Fernando Rodrigues:
Cada vez com menos poder político, o presidente Michel Temer se mexeu nos últimos 2 dias. Procurou quem ele acredita que pode ajudá-lo a pacificar as relações entre os Três Poderes. Nos bastidores, operadores da política já projetam cenários de uma possível queda do peemedebista.
Na 4ª feira (14.dez), o presidente jantou com João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, no Palácio do Jaburu. A conversa foi franca. Michel Temer falou o que considerava fora do tom no noticiário da maior emissora de TV do país.
Na avaliação de parte do governo, a TV Globo está animada com a possibilidade de a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, ser eleita pelo Congresso para presidir o país.
O Planalto acha exagerado o tom do noticiário da emissora. “Eles noticiam caixa 2 como se fosse homícidio”, foi uma frase ouvida pelo Poder360 de um alto integrante do governo analisando o tom dos relatos sobre a Lava Jato nos telejornais da Globo.
Depois, Michel Temer almoçou como ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, senhor de colocar ou não em votação as contas da chapa que ele formou com Dilma Rousseff, na qual parece ter naufragado o plano de separar as do candidato a vice.
Até no tempo dos generais tinha mais gente participando da escolha do presidente…
(fonte: Tijolaço)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O jogo sujo dos golpistas, sua "justiça" e sua mídia para provocar a "morte simbólica" de Lula. Análise de Paulo Nogueira


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Numa entrevista ao DCM, o advogado e professor de direito Pedro Serrano disse que o objetivo da perseguição a Lula é promover sua “morte simbólica”.
Isso leva a uma questão: qual seria a real situação de Lula nas pesquisas se ele não sofresse os constantes bombardeios que a mídia e a justiça lhe impõem?
A cada levantamento, Lula aparece mais distante dos adversários na corrida presidencial para 2018. É quase como se tivéssemos um candidato adulto contra um punhado de candidatos mirins.
Aécio? Marina? Alckmin? Serra? Temer? Todos somados parecem não dar um Lula.
Como explicar o fenômeno? Há duas alternativas. A primeira é que a estratégia da plutocracia não está funcionando. Em vez de “morte simbólica”, teríamos uma espécie de “martírio real”.
A perseguição, quando é demais, causa mais danos para o perseguidor do que para o perseguido.
A segunda alternativa a considerar é que Lula estaria já virtualmente eleito se lhe fosse dispensado um tratamento menos sanguinário.
Ninguém sabe direito qual das duas alternativas é a correta. Qualquer das duas possibilidades é funesta para o grupo que tomou o poder na marra e quer mantê-lo indefinidamente.
É como se eles se perguntassem: “O que mais temos que fazer para eliminar Lula?”
A resposta mais óbvia, e também a mais complexa, é prendê-lo. Mas o risco de uma convulsão social no caso de prisão de Lula é gigantesco – e já ficou claro que a plutocracia não se sente segura o suficiente para dar um passo dessa dimensão. Os conservadores são conhecidos por sua aversão a riscos.
Isso tudo sugere, para voltar às palavras de Pedro Serrano, que “promover a morte simbólica de Lula” continuará a ser um desejo remoto, quase irrealizável, da plutocracia.
Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

domingo, 4 de setembro de 2016

Globo ameaça eleitores e próximos presidentes no seu editorial pós-golpe



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"(O editorial do Globo no dia seguinte ao impeachment), não é 'só um aviso geral à nação', mas uma ameaça aos eleitores e próximos presidentes, feita pela auto-proclamada suprema comandante do país, a Globo: ou o governo se alinha ideologicamente aos Marinho ou cedo ou tarde será derrubado."
Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho
No dia 31 de agosto de 2013, exatos 3 anos antes do golpe midiático/judicial/parlamentar de 2016, foi publicado um editorial no Globo afirmando que o apoio do jornal ao golpe de 64 foi um erro.
A Globo reconhece o erro mas ao mesmo tempo tenta justificá-lo: outros grandes jornais também apoiaram, havia o temor de que Jango instaurasse uma 'república sindical', 'a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia', etc.
Em um trecho o editorial afirma o seguinte:
A História não é apenas uma descrição de fatos, que se sucedem uns aos outros. Ela é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los.
A Globo, no entanto, não aprendeu com os próprios erros.
Podemos dizer com segurança que a empresa da família Marinho é a grande protagonista do golpe de 2016.
Afinal, sem o seu jornalismo furiosamente antipetista e macartista (não só o jornalismo, mas também através de mensagens subliminares nos seus programas de entretenimento: na minissérie ‘Felizes Para Sempre?’, de 2015, por exemplo. há uma cena em que aparece um quadro de Che Guevara na casa luxuosa de um empreiteiro corrupto, numa clara tentativa de ligar a corrupção à esquerda, quando o perfil de empreiteiros corruptos na realidade está muito mais para eleitor de Aécio Neves); sem a sua parceria com a Lava Jato, utilizando vazamentos seletivos para manipular a opinião pública, tentar interferir na eleição de 2014 e depois derrubar o governo; sem o seu poder de assassinar reputações que intimida deputados, senadores e ministros dos tribunais superiores; e sem a convocação do exército coxinha com cobertura em tempo real das manifestações da direita o golpe não seria possível.
O editorial do Globo de hoje, o dia seguinte ao golpe de 2016, é um festival de cinismo, soberba e ameaças.
Não vem com a mentira do editorial do dia seguinte ao golpe de 1964 - Ressurge a Democracia -, mas começa ameaçando os próximos presidentes: o título é ‘Para que jamais haja outro impeachment’ e o subtítulo ‘A partir de agora, governante que desejar tomar atalhos, e não apenas no manejo do orçamento, para contornar a Carta, sabe o risco que corre’.
No final do editorial fica claro que na verdade não são os governantes que ‘contornam a Carta’ que correm o risco de serem apeados do poder:
A partir de agora, qualquer governante que pense em atalhos à margem da lei, no manejo orçamentário, precisará refletir sobre as implicações de seus atos. O mesmo vale para delírios no campo político-institucional. O fortalecimento não é apenas das cláusulas da responsabilidade fiscal, mas da Constituição como um todo, para desaconselhar de vez projetos bolivarianos como o do lulopetismo. Serve de aviso geral à nação.
O impeachment de Dilma serve para “desaconselhar de vez projetos bolivarianos como o do lulopetismo”.
Não é 'só um aviso geral à nação', mas uma ameaça aos eleitores e próximos presidentes, feita pela auto-proclamada suprema comandante do país, a Globo: ou o governo se alinha ideologicamente aos Marinho ou cedo ou tarde será derrubado.
Neste trecho, todo o cinismo da Globo:
São um feito os dois impeachments (Collor e Dilma), sem rupturas, num continente cuja trajetória é pontilhada de acidentes institucionais e autoritários, à direita e à esquerda, tendo como ligação, entre esses dois campos que se opõem, o nacionalismo, muitas vezes turbinado pelo populismo, como tem sido na tragédia do chavismo e foi na debacle do lulopetismo, com a mais grave desestabilização da economia brasileira na República.
É de notável ineditismo, na América Latina, o fato de esses incidentes institucionais no país serem contornados sem as rupturas clássicas na região.
Uma empresa que apoiou a ditadura militar chamar os governos ‘lulopetistas’ e o chavismo de autoritários é positivamente ridículo.
E afirmar que o impeachment de Dilma se deu ‘sem ruptura’ é um escárnio.
Mas, como diz Jânio de Freitas em sua coluna de hoje na Folha, ‘nenhum golpista já admitiu ser golpista’.
A Globo ainda lembra várias vezes, no editorial, a ligação de Dilma com Brizola, tripudiando, após essa vitória suja, em cima de seu mais feroz combatente. Outro trecho:
No processo contra Dilma, não há acusações de corrupção, mas crimes que têm a ver com a visão ideológica lulopetista, com o tempero brizolista da ex-presidente. Não passou despercebido que, ao se defender no Senado, Dilma Rousseff usou tática do guia Leonel Brizola: nunca responder as perguntas e falar o que quiser.
Mais uma vez fica claro que o crime de Dilma, para a Globo, foi ter uma visão ideológica ‘lulopetista com tempero brizolista’, portanto desalinhada com o que os Marinho querem para o país: neoliberalismo selvagem e a conta da crise paga pelo povo, para que sua fortuna e seus privilégios permaneçam intocados.
O cientista político Moniz Bandeira afirmou, quando recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia, que ‘uma potência é muito mais perigosa quando está em decadência do que quando conquista o seu império’.
Com audiências minguando ano a ano - a internet e o Netflix vão acabar com a televisão como a conhecemos - e a narrativa política sendo disputada por sites progressistas, a Globo é uma potência em decadência.
E provou estar correta a frase de Moniz Bandeira, atuando decisivamente para que estejamos vivendo mais um golpe em nosso país.
Apenas 3 anos depois de afirmar que foi um erro o apoio ao golpe de 64.
Mas em algum momento a decadência será irreversível, e aí uma eventual admissão de culpa por mais um crime contra a democracia será muito pouco.
O fim do monopólio inconstitucional da Globo nas telecomunicações virá, de um jeito ou de outro.

sábado, 27 de agosto de 2016

A Globo, o Poder e o que há de vir após o Golpe



Por trás das cortinas do golpe – O futuro da Globo

Por Bajonas Teixeira de Brito Junior, editor de política do Cafezinho
Pois é. A Globo se tornou grande demais. Já era a segunda maior rede comercial do mundo e o segundo maior complexo televisivo da América Latina, agora passa a ser também a maior força política do país. A emissora, como ninguém ignora, tem sido apontada como agente decisivo dentro do consórcio do golpe.
O problema é que um princípio que rege a história brasileira, e do qual exemplos não faltam,  reza que “quanto maior o homem, maior o tombo”. São tantos os casos, e não só de homens mas também de empresas, de instituições e partidos, que vale analisar o assunto com atenção.
Observando a home da Globo por esses dias, quando o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff entra na reta final no Senado, constata-se que seu ardor messiânico não arrefeceu em nada. Como sempre, lá estão as manchetes carregadas, forçadas nas tintas e nas dimensões, sempre negativas para Lula e para a presidenta.  Nem nesse momento,  da etapa final do julgamento no Senado, a empresa achou por bem adotar um tom mais sóbrio e simular alguma neutralidade. Ao contrário. A manchete que ontem ficou seis horas na home do G1, em fonte com dimensões espantosas, era sobre o indiciamento de Lula pela PF. (Pode ser vista aqui)
A imagem que escolhemos para ilustrar esse artigo (imagem da home G1, dia 12 de maio, às 7.34hs), uma dentre inúmeras de um arquivo de cinco mil imagens de homes e matérias que documentam a mídia nos últimos meses, é do início da manhã do dia em que o Senado aceitou o afastamento de Dilma para a continuidade do processo do impeachment. O enorme espaço ocupado pela imagem, cobrindo toda a faixa superior da home do portal naquela dia, e a sensação de cerco e opressão registrados nela, evocam o novo patamar de poder da Globo, deixando claro que o assédio ao Palácio do Planalto, o cerco, foi obra sua.
As intenções da Globo parecem ir muito além de uma mudança de governo, por mais traumática que esta tenha sido para a democracia, e para os 54 milhões de eleitores de Dilma. A empresa de comunicação, pelo que se constata em diversas intervenções nos últimos três meses, ou seja, desde o início da presidência interina de Temer, deixa poucas dúvidas sobre suas pretensões de comandar a política brasileira.
Alguns de seus posicionamentos são de quem pretende formular e conduzir as políticas decisivas para o país, sem se importar se essa condução contrariará os interesses das corporações mais bem situadas no funcionalismo público. Um exemplo importante foi o que veio no editorial da revista Época, que chamava de esquizofrênica a aprovação, em meados de maio, do regime de urgência na Câmara para votar os projetos de lei de aumento do Judiciário e do STF.
A Globo identifica a si mesma como genuína representante dos interesses da nação enquanto, do outro lado, põe as três instâncias do Estado como instituições esquizofrênicas. Estão completamente enlouquecidas pelo delírio salarial:
“A esquizofrenia política brasileira tem uma série de sintomas patológicos. Há uma completa falta de governança entre os Três Poderes – Executivo, Judiciário e Legislativo – no enfrentamento da crise. É um sinal de alheamento da gravidade da situação do país que a cúpula do Judiciário patrocine um projeto de reajuste  de 16,38% dos próprios vencimentos. O STF, que assume cada vez maior protagonismo na cena política, deveria assumir também a vanguarda da austeridade.”
Não só, portanto, a Globo se põe acima da instância executiva máxima do país, ocupada então pelo interino Michel Temer, mas também sobre os dois outros pilares do estado, igualmente tomados pela esquizofrenia.
Temer, o que nesse caso não surpreendeu ninguém, tomou a direção contrária aos ditames da Globo, e aprovou o aumento, até ampliando sua abrangência para outras categorias do serviço público. Esse alargamento se impôs para camuflar a intenção óbvia, de não parecer ingrato e de se precaver contra a fúria insana do STF, que já havia se abatido sobre Dilma. Não podendo dar um aumento exclusivo para o Judiciário e o STF, o que pegaria muito mal, teve que mascarar isso com uma ampliação dos beneficiados.
Matéria no UOL no dia da aprovação dos projetos (02 de junho) estimava o impacto dos aumentos sobre as contas públicas em 58 bilhões.
A Globo reagiu posteriormente com uma chocante cobertura da première da primeira-dama Marcela nas cerimonias públicas, ilustrada por uma imagem para além de qualquer dúvida. De certo, o recado foi bem entendido no Jaburu.  E a humilhação não será facilmente esquecida.
A Globo, por sua vez, apesar de todo seu poder, ou melhor, justamente por todo poder que acumulou como a força mais decisiva para o desenlace do golpe, não ignora que corre grande risco. Sim, por paradoxal que seja, no Brasil, um país meio taoista, todo extremo anuncia a chegada de uma brusca virada. Exemplos?
Os exemplos são inúmeros, dos mais óbvios aos mais modestos. Dos modestos, lembremos de apenas um, Demóstenes Torres, que se ergueu ao posto de senador modelo, diversas vezes premiado, e depois ruiu lamentavelmente como um ídolo de pés de barro. E ainda deste caso trágico, mas de todo previsível, que se pode contemplar na imagem do todo poderoso José Dirceu, que era apontado como o Maquiavel brasileiro, e que também foi tragado por sua insigne grandeza. Em escala ainda maior, observe-se o próprio Lula que chegou a uma altura enorme, e dessa altura colocou Dilma na cadeira presidencial.
A perseguição a Lula, e a vontade de reduzir a nada sua imagem, faz parte dos arcanos mais íntimos da alma brasileira, o que talvez ajude a explicar por que alguns milhões de adeptos, até ontem, permaneceram em casa assistindo passivos à cena da caçada ao líder. O prazer de ver o circo pegar fogo é o que aqui entretém os palhaços.
A lógica que orquestra a loucura brasileira é a do antigo ditado português – “Quanto maior o homem, maior o tombo”. Esse provavelmente será em breve o caso de Gilmar Mendes, e quem sabe até o de Sérgio Moro, como já foi o de tantos outros.
Agora que acumulou tanta musculatura, ao ponto de tornar-se, de fato, a força mais temível, e isso não apenas por um, mas por todos, a Globo ingressou com as próprias pernas em uma zona de grande risco. Agora, seja no velho espírito de horda primordial, daquele tipo freudiano que assassina o pai para apaziguar um temor coletivo, ou, mais próximo do que temos visto, no estilo máfia, que liquida o chefão, porque prefere conviver com várias famílias, do que ter que se subordinar a uma só, não será surpresa se a Globo for a vítima da vez.
Uma vítima imolada em sacrifício, para que os demais possam, em torno do seu cadáver, festejar a renovação da identidade grupal. Sem falar na partilha da herança. Como repetimos desde o dia 06 de março, dentro de um golpe há sempre muitos outros golpes ansiando por ver a luz do dia.
Temer deve ter medo da Globo. Muito medo. E não é o único. O temor aumenta na medida exata da gratidão que todos sentem pelos serviços prestados. Mas, como Stalin ensinou já faz um bom tempo, a gratidão é uma virtude canina. E, se pode acrescentar, os caninos são sempre cínicos.
Não sabemos o fim dessa história. Mas uma coisa é certa: a Globo se tornou grande demais.
Bajonas Teixeira de Brito Júnior – doutor em filosofia, UFRJ, autor dos livros Lógica do disparate, Método e delírio e Lógica dos fantasmas, e professor do departamento de comunicação social da UFES.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Lei Rouanet e os segredos da Globo, por Altamiro Borges



Em mais uma operação cinematográfica, batizada de “Boca Livre”, a Polícia Federal prendeu 14 pessoas na manhã desta terça-feira (28) acusadas de desvio de recursos públicos através das isenções fiscais previstas na Lei Rouanet. Segundo as investigações, o grupo mafioso atuou por quase 20 anos no Ministério da Cultura e conseguiu aprovar R$ 180 milhões em projetos “culturais”. O desvio ocorria por meio de diversas fraudes, como superfaturamento, apresentação de notas fiscais relativas a serviços e produtos fictícios, projetos duplicados e contrapartidas ilícitas feitas às incentivadoras. Entre os presos na Superintendência da PF em São Paulo, estão os donos da produtora Bellini Cultural e o agente cultural Fábio Ralston.

Segundo relato do portal G1, do suspeitíssimo Grupo Globo, “a Polícia Federal concluiu que diversos projetos de teatro itinerante voltados para crianças e adolescentes carentes deixaram de ser executados, assim como livros deixaram de ser doados a escolas e bibliotecas públicas. Os suspeitos usaram o dinheiro público para fazer shows com artistas famosos em festas privadas para grandes empresas, livros institucionais e até a festa de casamento de um dos investigados na Praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis. Além das 14 prisões temporárias, 124 policiais federais cumpriram 37 mandados de busca e apreensão, em sete cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília”.

Ainda de acordo com a reportagem, “entre os alvos da operação, estão o Ministério da Cultura, o escritório Demarest Advogados, a empresas Scania, Roldão, Intermédica Notre Dame, Laboratório Cristalia, KPMG, Lojas 100, Nycomed Produtos Farmacêuticos e Cecil... Os presos devem responder pelos crimes de organização criminosa, peculato, estelionato, crime contra a ordem tributária e falsidade ideológica, cujas penas chegam a doze anos de prisão”. O site explica que a Lei Rouanet foi criada em 1991, no governo Fernando Collor, e permite a captação de recursos para projetos culturais por meio de incentivos fiscais. “A lei permite que uma empresa destine parte do dinheiro que iria gastar com impostos para financiar propostas aprovadas pelo Ministério da Cultura”.

O produtor fascista e o Judas Temer

O portal do Grupo Globo não se preocupou em pesquisar a história dos integrantes desta máfia. Já a revista Fórum foi atrás e descobriu um caso bem curioso. “Júlio Plácido, sócio diretor da J2A Eventos, empresa acusada pela Policia Federal de desviar verbas da Lei Rouanet para bancar casamentos e festas privadas posta com frequência xingamentos e ofensas a Dilma, Lula, ao prefeito Fernando Haddad e frequenta passeatas contra a corrupção... Em alguns posts, Júlio Plácido pede para que Lula seja assassinado e xinga a presidenta afastada de ‘vaca’... Um dos episódios que mais chamou a atenção da PF foi o casamento de Felipe Amorim e Caroline Monteiro, organizado pela empresa de Plácido, que aconteceu na luxuosa Jurerê Internacional em 22 de abril deste ano”.

Há ainda muito mais coisa a se descobrir sobre os desvios criminosos praticados através do uso ilícito da Lei Rouanet. A questão é se o Ministério Público e a Polícia Federal irão investigar a fundo as mutretas, que envolvem interesses poderosos. Como se sabe, a Globo é uma dos maiores beneficiárias das isenções fiscais. Logo após o “golpe dos corruptos”, o ministro interino da Cultura, indignado com os protestos do setor pelo “Fora Temer”, anunciou que reavaliaria a legislação em vigor. Nas redes sociais, os fascistas mirins acusaram os artistas contrários ao impeachment de Dilma de “petralhas” que vivem da Lei Rouanet. No seu cinismo, o mafioso de Jurerê Internacional talvez até tenha reforçado a mentira. Na sequência, porém, os golpistas enterraram o assunto inflamável.

Milhões para a Fundação Roberto Marinho

Já o jornalista Kiko Nogueira, do blog Diário do Centro do Mundo, foi atrás e descobriu que as isenções fiscais beneficiam principalmente grandes empresas. O título da sua postagem é demolidor: “Globo captou, pela Fundação Roberto Marinho, R$ 147 milhões na Lei Rouanet sob o PT”. Vale conferir a reportagem:

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A Globo, através da Fundação Roberto Marinho, captou R$ 147 858 580 desde 2003, primeiro ano do governo Lula, até 2015.

Os valores não foram atualizados.

A FRM foi criada nos anos 70 e é uma instituição privada, teoricamente sem fins lucrativos, voltada, diz o site oficial, para “a educação e o conhecimento”. Ela “se dedica à concepção e implementação de museus e exposições”.

Entre outros projetos, estão sob seus cuidados o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio, a nova sede do MIS no Rio e o Museu da Língua Portuguesa.

O DCM teve acesso aos dados do Ministério da Cultura. A fundação é apontada na linha dos “maiores proponentes”.

O ano em que mais se captou foi 2011: 35,2 milhões de reais. A destinação era a revitalização da Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, o Paço do Frevo, o MIS e o Museus de Arte do Rio – Mar, todos no Rio de Janeiro. O MIS, sozinho, abocanhou 20,7 milhões.

Refinando, chega-se aos “incentivadores”.


Quem mais doou, segundo a planilha, foi a Globosat, com 9,5 milhões, seguida da Globo Comunicações e Participações. A Infoglobo entra com 700 mil.

Grana para fundações é restituída no Imposto de Renda. Quando a fundação é do próprio grupo, tem-se uma situação ganha-ganha. O dinheiro sai do caixa da companhia, livre do fisco, e entra numa fundação que lhe pertence. É quase lavagem. E é, em tese, legal.

Um ex-diretor do MinC ofereceu uma explicação sobre a generosidade com a Globo na aprovação de projetos. “O MinC foi leniente na gestão. Havia gente muito próxima do mercado em cargos chaves. Para se legitimar no lugar de Gilberto Gil, o ex-ministro Juca Ferreira teve de fazer várias concessões”, diz.

Ele continua: “As prestações de contas são frágeis. Não se analisa nada direito. É uma festa.”

A Lei Rouanet financia boa parte dos institutos e fundações privadas no país — do Itaú Cultural, passando pelo Alfa até o Instituto FHC. É um cipoal de altos interesses.

No final de maio, o DEM entrou com um pedido de CPI, fruto da histeria coletiva de uma direita lelé segundo a qual artistas petralhas tinham ficado milionários com o incentivo. Assim que surgirem os verdadeiros beneficiários e o partido descobrir que deu um tiro no pé, a comissão será enterrada rapidamente.

Assim como ocorreu com a investigação da Polícia Federal dos cem maiores captadores. Sergio Moro mandou anular o requerimento de um delegado ao Ministério da Transparência. Segundo Moro, a apuração, “se pertinente”, deve ser feita em um inquérito à parte na Lava Jato e com “objeto definido”.


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A grana para o Rock in Rio

Será que a midiática Operação Boca Livre topa colocar a mão neste vespeiro? Caso vá fundo nas investigações, outros casos sinistros devem surgir. Segundo o Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), implantado pelo Ministério da Cultura, entre os anos de 1992 e 2011 foram aprovados na Lei Rouanet 34.521 projetos, cujos valores de captação somados totalizaram R$ 11,7 bilhões. É muito dinheiro! Com estes recursos, importantes iniciativas artísticas foram patrocinadas, ajudando a valorizar a cultura nacional. Elas merecem aplausos! Outras, porém, serviram apenas para encher os bolsos dos oportunistas e dos magnatas do setor. No início de junho, a Folha estampou no título: “Rock in Rio pede R$ 8,8 milhões via lei Rouanet para show sem público”.

Segundo matéria de Rodolfo Viana, a empresa “Rock Word”, produtora do Rock in Rio, encaminhou ao Ministério da Cultura o pedido de isenção fiscal no valor total de R$ 8,8 milhões “para custear o Amazônia Live, um show em um palco flutuante montado no rio Negro, em Manaus, agendado para ocorrer em 27 de agosto. O evento será fechado a 200 jornalistas e formadores de opinião, diz o texto do projeto. A assessoria da produtora, contudo, ressalta em nota: o público poderá acompanhar, por telões espalhados por Manaus e pela transmissão do Multishow [pertencente ao Grupo Globo], as apresentações do tenor lírico Plácido Domingo ao lado da Orquestra Amazonas Filarmônica e do Coral do Amazonas”.

A própria reportagem registra: “O caráter restritivo é proibido pela lei Rouanet, que veda a concessão de incentivo a eventos que estabeleçam limitações de acesso, lembra o advogado Fábio de Sá Cesnik, presidente da Comissão de Mídia e Entretenimento do Instituto dos Advogados de São Paulo e membro da Comissão de Direito às Artes da OAB-SP. ‘Mesmo com a transmissão por telões e na TV, eles não poderiam criar restrição de acesso no evento principal’, diz. ‘Se, no show, respeitassem a distribuição estipulada pela lei [em que até 20% dos acessos podem ser destinados a patrocinadores e ações de divulgação, reservando o restante ao público], não teria problema’”. Será que a TV Globo fará algum escarcéu contra este projeto? Quando ela iria garfar em publicidade com a transmissão do “Amazônia Livre”?

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