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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Gilmar Mendes desmonta a farsa criminosa Lava Jato e denuncia a cooperação ilegal da operação paranaense com os Estados Unidos

 

Decano do STF diz que é preciso detalhar mais a ligação de órgãos “como o DOJ [Departamento de Justiça dos EUA] e coisas do tipo” com integrantes da força-tarefa da Lava Jato

Ministro do STF Gilmar Mendes

Ministro do STF Gilmar Mendes (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

247 - O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a força-tarefa da Lava Jato sofreu “influência de setores de agências internacionais”, mais especificamente dos Estados Unidos, e trocou informações sem o aval do Ministério da Justiça, denunciando mais uma vez as ilegalidades cometidas pelos procuradores à época liderados por Deltan Dallagnol.  “O que a gente vê, e está muito presente nas informações que temos, é essa troca de informações, que passou a ser informal, entre Curitiba e setores do governo americano. Uma das queixas é que isso não passava pelo órgão do Ministério da Justiça incumbido dessa função, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI)”, disse Gilmar ao Brazil Journal.

Para o magistrado, é preciso “aprofundar a ligação” dos órgãos do governo dos EUA, “como o DOJ [Departamento de Justiça] e coisas do tipo”, com integrantes da força-tarefa da Lava Jato. "O nosso aparato de Justiça, os órgãos de corregedoria, que são acoplados ao STJ, e o Conselho da Justiça Federal, que funciona lá e é quem administra a Justiça Federal, falharam muito”.

“Para ser considerada ruim, essa coordenação precisaria ter melhorado muito! Ela foi um desastre! Porque se assistiu a isso sem nada fazer. Agora, está se encerrando esses dias o trabalho de correição feito lá na 13ª Vara Federal, em Curitiba, um trabalho do ministro Luís Felipe Salomão, do STJ”, completou. 

Sobre o processo que levou ao surgimento e ao fortalecimento da Lava Jato, o ministro relembrou: "se a gente olhar a Operação Satiagraha, da qual participaram o juiz Fausto De Sanctis, o delegado da PF Protógenes Queiroz, envolvendo o banqueiro Daniel Dantas [grupo Opportunity], já havia um certo conlúio entre o juiz, o promotor e o delegado que foi o protagonista da operação. Tivemos uma operação também contra a magistratura de São Paulo, da Justiça Federal. E também, no âmbito da Justiça Federal, a instalação das varas de lavagem. E, aí, vem um discurso, que precisa ser mais iluminado e aprofundado, que, talvez, tenha influência de setores de agências internacionais. (...) Dos americanos. Tem a história da Enccla [Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, instituída pelo governo federal em 2003, com o objetivo de aprofundar a coordenação dos órgãos públicos envolvidos na prevenção e no combate aos crimes de lavagem e corrupção]. Meu saudoso colega Gilson Dipp, aqui do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que foi corregedor do STJ, trabalhou na instalação das varas de lavagem. Elas se tornaram muito poderosas porque, obviamente, os crimes financeiros passaram a ser investigados ali. É nesse contexto que a Lava Jato veio com mais força, inclusive, com essa competência universal".

quarta-feira, 13 de abril de 2022

O último suspiro da Lava Jato. Debate entre Luis Nassif, o criminalista Pierpaolo Bottini e Marcelo Auler

 

Da TV GGN:


O jornalista Luis Nassif recebe o colega Marcelo Auler, e o convidado especial, o criminalista Pierpaolo Bottini. Bottini é professor livre docente do Departamento de Direito Penal, Criminologia e Medicina Forense da Faculdade de Direito da USP. Mestre e doutor pela Universidade de São Paulo. Esteve à frente da Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça (2005-2007) e do Departamento de Modernização Judiciária do mesmo órgão (2003-2005). Foi membro efetivo do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária e da Comissão de Juristas instituída na Câmara dos Deputados para revisão da lei de drogas (2019).É Coordenador do Observatório de Liberdade de Imprensa do Conselho Federal da OAB (2019). Foi membro da banca examinadora do concurso para juiz federal substituto (TRF 3ª Região). Juntos, eles conversam sobre os últimos suspiros da Operação Lava Jato.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Bob Fernandes: Dallagnol, o Justiceiro condenado pelo STJ, debocha da Justiça. No MEC, lobby farisáico pastoral no Pátio dos Milagres

 

Do Canal do analista político Bob Fernandes:


CRÉDITOS

Direção Geral: Bob Fernandes Direção Executiva: Antonio Prada Produção: Eliano Jorge Edição: Mikhael Theodoro Arte e Vinhetas: Lorota Música de abertura e encerramento: Gabriel Edé

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Lava Jato, Deltan Dallangol e Érika Marena: Convicções, delírios, ouvidos moucos e ódio visceral, por Frederico Firmo

 Sem indícios e sem evidências, os objetivos da Ouvidos Moucos foram traçados a partir de delírios de uma delegada e de um procurador.

Montagem Rev Fórum

Convicções, delírios, ouvidos moucos e ódio visceral

por Frederico Firmo

Durante o período Lava-Jato, criou-se no país a “convicção” de que as operações deflagradas midiaticamente tinham objetivos bem definidos, baseadas em indícios de corrupção. Na sociedade, a presunção da inocência foi trocada pela máxima “onde há fumaça, há fogo”. Quando acusados se manifestavam  eram contestados   com  um dito prisional: “todos dizem que são inocentes”. De forma incomoda, e na ausência de argumentos e ainda acreditando nas instituições, imprensa e público questionaram as defesas. Com a crença de que  PF e MP não fariam tudo aquilo por nada surgia sempre a pergunta: “Se não há nada, porquê  a Polícia Federal e Ministério Público deflagrariam operações como a Ouvidos Moucos?”

 O Intercept, em mais uma série de mensagens da vaza-jato, dá  a resposta a esta pergunta. Sem indícios sem evidências, os objetivos da Ouvidos Moucos foram traçados a partir de delírios de uma delegada e de um procurador.

 Se alguém, numa mesa de botequim, falasse da existência de  um conluio, entre Petrobrás, Universidades e Fundações, para desviar verbas para ONGS do MST, causaria risos. Se isto fosse feito em tom de denúncia a uma autoridade judicial, esta pessoa seria taxada de irresponsável.  Uma autoridade que ouvisse esta denúncia deveria obviamente questioná-la e tentaria levar a conversa para um  campo mais racional. Se as palavras viessem de uma policial, um membro do Ministério Público Federal teria o dever de  exigir dela elementos  que corroborassem as acusações. Mas….

12 de Julho de 2017 – Chat pessoal

Érika Marena – 01:18:49 – Deltan, descobri um novo jeito que a Petrobras vinha mandando dinheiro para os partidos … através de dinheiro dado a projetos das universidades federais ! Eu estou aprofundando desvios da educação em casos aqui em SC e comecei a estudar essa questão, vai por mim, peçam a Petrobras a lista de todo o dinheiro que ela destinou para projetos com universidades federais/fundações de apoio nos últimos dez anos , ou o dinheiro chega para a universidade, que dá na mão da fundação para gerir (desviar), ou a Petrobras pula a universidade e faz o contrato (mutreta) direto com a fundação , e dali são os valores são enviados para onde se quiser, do jeito que quiser, sem qualquer prestação de contas a quem quer que seja ….

Dallagnol  se anima com a perspectiva.

 Deltan Dallagnol – 23:16:21 – Caramba, Erika! Vamos seguir essa linha sim

A  conversa entre Marena e Dallagnol não se deu num botequim e ganhou contornos oficiais quando a delegada Federal pede ao procurador do MPF, para desencadear uma busca por informações sobre todos os convênios da Petrobrás com a Universidade nos últimos dez anos.

 Isto é, o papo delirante num  chat  se transforma em  pedido institucional gerando a  instauração de uma investigação envolvendo   vários servidores, várias horas de trabalho  e muito  gasto de dinheiro  público.

 Na frase de Marena, está explícita a convicção de   que todos os projetos, geridos por professores, entre Petrobrás e Universidades Federais/fundações de apoio são fraudulentos e concebidos para desvios e mutretas. Dallagnol, como todos sabemos, sempre foi um homem de  convicções. Desejando ardentemente voltar para o seio da Força Tarefa,  Marena tenta  transformar Florianópolis num novo centro da Lava Jato. No raciocínio simplista,   a menção à  Petrobrás seria suficiente para definir   a  jurisdição em Curitiba. O desejo e os objetivos  e a loucura ficam mais explícitos na segunda mensagem.

 13 de Julho de 2017 – Chat pessoal

Érika Marena – 10:50:54 – Detalhe, vários ministérios e estatais estavam fazendo isso , só aqui tínhamos professores gerindo 250 milhões em “projetos”, o dinheiro cai em gastos fantasmas e as empresas “contratadas” mandavam em seguida para ONGs do MST, por exemplo

Marena – 10:51:16 – Tudo sem fiscalização de ninguém

Marena – 21:35:35 – Deltan, com esses milhões e milhões da Petrobras jogados nas universidades federais, podemos levar a LJ para a educação… se eu explicar pra vocês como os desvios estão ocorrendo, vão ver q está fácil de espalhar investigações dessa natureza

Erika expressa a convicção de que professores gerindo projetos tinham como objetivo desviar o dinheiro para o MST. Esta frase mostra quanto  a Força Tarefa da Lava Jato adota  a mesma ideologia do bolsonarismo.  Para ambos,  as Universidades são um antro de comunistas trabalhando para o PT. 

 Em 14/09/2017, apenas  dois meses após esta troca de mensagens,   Marena convoca 105 policiais federais de todo o país, pagos com dinheiro público, para promover a prisão de um reitor e mais seis professores. ONGS,  MST e Petrobrás simplesmente desapareceram do processo, mas não a convicção acusatória. A convicção é tanta que sequer acharam necessário fazer alguma investigação sobre as hipóteses.

 O ódio visceral de Marena contra a  Universidade e  professores  fica manifesto quando, com requintes de crueldade e  sem nenhuma argumentação plausível, envia os professores e Reitor para uma penitenciária de segurança máxima, onde sofreram revista íntima ficaram nus  expostos numa gaiola aos outros presos sem sequer saber do que estavam sendo acusados.

Sem nenhuma base anunciaram uma fraude de R$80 milhões. Antes da coletiva o montante foi contestado de forma categórica, quando se demostrou a impossibilidade de uma fraude tamanha. Marena  fez ouvidos moucos e na coletiva à imprensa manteve a acusação.  Ao estilo Lava Jato não apresentou provas  mas  manifestou suas convicções.

Enquanto Marena fazia a Coletiva à Imprensa, um policial subalterno interrogava o Reitor. A grande maioria dos acusados prestou depoimento apenas no dia da operação. Isto é, não foram inqueridos posteriormente e  tiveram acesso as acusações apenas pelo relatório final da PF. Sem nenhum  critério, nem método, coletaram uma quantidade imensa de documentos  que ficaram sem nenhuma análise. Porém os   tiraram  do alcance da Universidade, das fundações e das   defesas dos acusados.  

Na mídia, o banimento dos professores colocou sob suspeita toda a Universidade.  Alegaram  que   a presença dos professores  e reitor na Universidade levaria ao  acobertamento de  provas. Numa medida cautelar surpreendentemente longa  para a justiça, mas usual  na Lava Jato, os professores permaneceram banidos por 1105 dias, mesmo com  toda a documentação  sequestrada pela PF.  Esta  medida cautelar é a versão  Florianopolitana das intermináveis prisões preventivas de Curitiba.

 As mensagens da  vaza jato  mostram de forma clara que a “justificativa  para o Operação Ouvidos Moucos”   nasceu de  delírio e “convicção”  de  uma delegada da PF e de um procurador do MPF. Com  profundo ódio da Universidade e de seus professores. Este ódio visceral  causou a morte de Cancellier, prendeu professores e jogou tantos outros numa masmorra judicial.

Apenas agora, tantos anos depois, é possível começar a quebrar o feitiço maligno da Lava Jato, que levou o país a uma espécie de transe coletivo  onde a frase- “onde há fumaça, há fogo” –  dominou a imprensa e a opinião pública.

 As mensagens vazadas mostram que as digitais de Dallagnol estão nos fatos que levaram  à morte do reitor Cancellier.  Portanto   a solidariedade  à Marena é um também um  ato de auto justificação.  A desumanidade de Dallagnol e companhia não param por aí, pois além do reitor muitas outras vidas  inocentes foram destruídas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

“Estou envergonhado”, diz ao 247 o subprocurador-geral da República que permitiu o ingresso de Deltan Dallagnol no MP

 

Em entrevista ao jornalista Joaquim de Carvalho, o subprocurador-geral da república Domingos Sávio Dresch da Silveira, citado em uma das escandalosas conversas de Deltan Dallagnol, se diz envergonhado, depois de tudo o que foi divulgado, por ter dado um parecer a favor de Deltan na instituição, onde ele entrou com apenas dois anos de formado

Deltan Dallagnol e Domingos Sávio Dresch da Silveira

Deltan Dallagnol e Domingos Sávio Dresch da Silveira (Foto: Ministério Público)

Por Joaquim de Carvalho

O subprocurador-geral da república Domingos Sávio Dresch da Silveira, citado em uma das escandalosas conversas de Deltan Dallagnol, disse que se sente envergonhado por ter dado parecer no processo que garantiu ao ex-coordenador da Lava Jato ingressar no Ministério Público Federal, em 2003. 

Domingos Silveira era procurador regional no TRF-4 quando Deltan Dallagnol recorreu de uma ação da Advocacia Geral da União que tentou anular sua nomeação para o Ministério Público Federal. É que Deltan prestou concurso sem atender a uma das regras do edital: ter dois anos de formação em Direito.

Filho de um procurador de justiça do Paraná aposentado, Dallagnol se inscreveu para o concurso tão logo se formou bacharel. Passou, e começou a trabalhar no Tribunal de Contas da União. O AGU entendeu que a posse era ilegal e iniciou uma batalha jurídica.

Quando o caso bateu no TRF-4, o procurador regional Domingos aceitou a tese do fato consumado e deu parecer favorável a seu recurso, aceito por meio de duas decisões de desembargadores federais, uma de Valdemar Capeletti e outra de Marga Inge Barth Tessler.

Nas voltas que o mundo dá, treze anos depois, já subprocurador geral da república, Domingos foi entrevistado pela TV Globo para falar sobre os grampos ilegais autorizados por Sergio Moro no escritório dos advogados de Lula, em março de 2016. E criticou duramente a Lava Jato.

Os procuradores da república em Curitiba comentaram a entrevista.

Era 17 de março, às 22 horas e 21 minutos, um dia depois das interceptações telefônicas de Lula lidas em jogral por William Bonner e Renata Vasconcellos, quando Deltan Dallagnol postou no chat que o Jornal Nacional havia exibido reportagem sobre o grampo no escritório de advocacia.

A procuradora Jerusa Viecili comentou:

“Tem um vídeo do Domingos!”

Sete minutos depois, Deltan Dallagnol revelou que, sem o parecer do subprocurador-geral, ele talvez não tivesse entrado no Ministério Público Federal.

"Domingos me ajudou a entrar no MPF (2 anos de formado). Deve estar arrependido kkk”.

Na manhã de hoje, procurei Domingos Sávio Dresch da Silveira, um dos mais respeitados membros do Ministério Público Federal, e ele comentou:

"Vi ontem a mensagem. Fiquei pensando e acho que a única explicação é por eu ter dado parecer favorável, no TRF-4, no recurso no mandado de segurança que ele interpôs para poder fazer o concurso”.

Sobre estar arrependido ou não, disse:

"Com relação a estar arrependido, depois de tudo o que foi divulgado, estou é envergonhado.”

Na sequência das conversas, os procuradores deixam claro que têm consciência da ilegalidade das escutas no escritório de Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, advogados de Lula — o grampo foi em um PBX com ramais que permitiram a interceptação de mais de 20 advogados.

Com autorização de Moro, policiais federais e procuradores tiveram a oportunidade de saber de outros casos e também da estratégia de defesa de Lula, o que é uma violação grave e sem precedentes no Brasil. 

Não obtiveram nenhuma informação que incriminasse o ex-presidente, porque, se a tivessem detectado, certamente seria usada na investigação, já que o conceito de prova ilícita não era uma preocupação da Lava Jato, como fica claro pelas conversas.

Em outros trechos, Deltan Dallagnol e Moro conversaram sobre a colaboração informal e ilegal com autoridades da Suíça.

No dia 27 de outubro de 2016, Moro perguntou a Deltan Dallagnol, exercendo seu papel de chefe de fato da investigação:

"Descobriu algo sobre a demora da remessa de contas da Suíça para cá?”

Deltan respondeu:

"Estamos aguardando resposta do Stefan. Ficou público ontem que ele deixará a promotoria, o que é ruim pq ele é mto eficiente.”

O procurador suíço citado é Stefan Lenz, apontado como o cérebro da colaboração das autoridades daquele país com o Brasil.

A colaboração era feita à margem da lei, como ficou claro na sequência da conversa centre Deltan e Moro, um dia depois, às 23h56:

"Autoridade Central Suíça barrou transferências e quer que façamos pedidos de cooperação (que podem demorar até um ano para resposta). Tentaremos reverter”.

Moro aprovou a iniciativa de Deltan Dallagnol de tentar reverter a decisão suíça, que nada mais era do que fazer cumprir tratados internacionais de colaboração:

"Excelente, mas muito bom mesmo.”

Segundo o jornalista Jamil Chade, do UOL, o colaborador informal da Lava Jato Stefan Lenz já havia enviado carta a um dos membros da Lava Jato para sugerir que ele fosse contratado como advogado pela Petrobras e fornecesse informações relevantes que ainda não eram de conhecimento público.

No caso dos grampos ilegais no escritório de defesa de Lula, os procuradores têm consciência de que não podiam investigar.

Um procurador comentou:

"Pessoal, a questão da empresa de Roberto Teixeira, acho q não dá para investigar”, afirma, para em seguida sugerir vazamento à imprensa aliada, que ele chama de “jornalistas abutres”.

O procurador é possivelmente Carlos Fernando dos Santos Lima, provável administrador do chat, porque o nome não aparece, mas a referência a ele é dada nas respostas:

"Temos q pensar se não é bom jogar esta informação para os jornalistas abutres para fazer o papel deles. Com isso, vai ajudar a derrubar o rapaz mais rapidamente”, comentou. 

A empresa em questão é a que organizava palestras para Lula e que teve como telefone provisório o número do escritório de Roberto Teixeira, que, como advogado, abriu a empresa.

No curso da interceptação, Moro foi informado pela operadora de telefonia que se tratava de um escritório de advocacia, que é inviolável, conforme a lei. Mesmo assim, manteve o grampo.

No mesmo dia 17 de março de 2016, Deltan Dallagnol ordenou à equipe que ninguém poderia vazar nada à imprensa sem falar com Carlos Fernando, que ele chama de CF.

Nesse trecho, o coordenador da Lava Jato se refere ao ex-presidente da República pela deficiência física que este tem — Lula perdeu o dedo mindinho da mão esquerda em uma prensa metalúrgica: 

"Caros, peço um especial favor a todos: ninguém falar com a imprensa sem falar com CF. Especialmente em relação ao caso do 9, não pode vazar nada, nem quanto à preparação, nem quanto ao planejamento, ou à divisão de trabalho, sob pena de termos problemas com bsb (Brasília).

Já passava da meia-noite quando o procurador Diogo Castor de Mattos fez um comentário, possivelmente dando a solução para a ilegalidade da escuta no escritório de advocacia:

"Roberto Teixeira era investigado. E pronto.”

Não era, ele se tornaria alguns dias depois, quando Moro, a pedido do MPF, quebrou uma série de sigilos bancários, entre eles o de Marisa Letícia e de Roberto Teixeira.

O então juiz, ao que tudo indica, quis lavar a investigação e dar legalidade tanto à interceptação do escritório quanto àquela fala de Marisa Letícia divulgada sem nenhuma relação com fatos investigados, a do uso da panela pelos coxinhas.

Diogo Castor de Mattos acabaria afastado da Lava Jato dois anos depois, quando foi flagrado financiando em nome de terceiro outdoor com elogio a ele e a seus colegas em Curitiba.

Os diálogos transcritos neste artigo fazem parte das mensagens periciadas a pedido da defesa de Lula, depois que o ministro Ricardo Lewandowski autorizou o acesso aos chats hackeados por Walter Delgatti Neto e apreendidos pela Operação Spoofing.

Ontem, atendendo ao princípio da publicidade dos atos judiciais e dos processos, Lewandowski suspendeu o sigilo das conversas entre Moro e os procuradores e destes entre si.

As mensagens não dão margem à dúvida quanto à parcialidade do ex-juiz na condução dos casos que envolvem Lula, bem como da falta de isenção dos procuradores da Lava Jato.

O grupo (seria exagero se referir a eles como quadrilha?) transformou atos judiciais em um movimento político.

O caráter político da Lava Jato fica claro quando Deltan Dallagnol, procurando tranquilizar Andrey B. Mendonça, preocupado com a ilegalidade da captação e divulgação da conversa entre Dilma e Lula, escreveu, também em 16 de março de 2016:

"No mundo jurídico concordo com Vc, é relevante. Mas a questão jurídica é filigrana dentro do contexto maior que é político.”

Na sequência, alguns procuradores postaram fotos que mostram a massa ensandecida na avenida Paulista e em frente à Justiça Federal em Curitiba, depois que os grampos pinçados por Moro foram divulgados pelo Jornal Nacional.

O conhecimento liberta. Saiba mais


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Reinaldo Azevedo, em vídeo: Certa imprensa (veja-se a Globo) puxa mais o saco de Dallagnol do que o MP

 

Do Canal BandNews FM:


O Conselho Nacional do Ministério Público decidiu aplicar uma pena de censura ao procurador Deltan Dallagnol. A ação foi movida pelo senador Renan Calheiros (MDB), que acusa o servidor de usar o cargo público para interferir politicamente na eleição da presidência do Senado, em 2019. Reinaldo Azevedo criticou as "omissões horríveis" de alguns órgãos da imprensa em relação ao caso, que noticiaram a punição "como se Dallagnol estivesse indo para o fuzilamento".





terça-feira, 18 de agosto de 2020

Xadrez de Deltan, o deslumbrado procurador midiático agora chorando pelos cantos do twitter e se tornando boi de piranha da hipocrisia nacional



Deltan está reduzido à sua verdadeira dimensão: um jovem procurador choramingando pelas cantos do Twitter e clamando por apoio
Jornal GGN:

Movimento 1 – o apogeu da Lava Jato

Primeiro, houve o impacto da dimensão da corrupção instalada na Petrobras. Em cima desse impacto, o efeito manada com claras intenções políticas. Todos os abusos foram permitidos, de invasão de escritórios de advocacia à tortura moral para arrancar delações; narrativas sem evidências, sem provas, sem verossimilhança aceitas e transformadas em armas políticas. E um partidarismo amplo, acelerando as investigações contra o PT e poupando o PSDB.
Tinha-se um Supremo Tribunal Federal (STF) totalmente submisso à onda. Votos dissidentes só eram apresentados quando havia maioria consolidada em favor das investigações. Os dissidentes tentavam salvar sua biografia graças ao voto majoritário, dos que não se importavam nem com a Constituição nem com a imagem de defensores da lei.

Movimento 2 – o ocaso da Lava Jato

A Lava Jato começou a decair quando o STF, corretamente, passou a encaminhar a outros estados processos que não se referiam diretamente à Petrobras. O enorme esforço da Lava Jato Curitiba – e do juiz Sérgio Moro – para assumir todos os processos era uma questão de preservação de poder.
À medida que os casos iniciais iam se encerrando, a estrela da Lava Jato foi se apagando, obrigando-a a avançar, com enorme relutância, sobre partidos aliados.
Quando o STF se deu conta de que delações, inquéritos e processos  eram cartas marcadas, e direcionadas, resolveu diluir o poder da Lava Jato Curitiba permitindo à Polícia Federal negociar delações. Apenas não lhe deu o poder de definir penas. A votação, no plenário, foi de 10 x 1 em favor da PF.
Consequência: espalhou gasolina para outros poderes. O grande problema das delações não era a definição de penas – embora os acordos de leniência fossem obscuros, espalhando suspeitas sobre as relações da força com advogados de delação -, mas a exploração política.
O episódio da delação de Antonio Palocci é a demonstração do erro crasso do STF e conta pontos para a Lava Jato Curitiba, que não aceitou o acordo, dada a fragilidade das denúncias. No Vaza Jato, aliás, uma procuradora séria se espanta com a fragilidade da delação de Pallocci.
Agora, um delegado  da PF desmonta a delação, mostrando que foi montada, em grande parte, em cima de pesquisas no Google.
Como sempre ocorreu em toda Lava Jato, algumas verdades aparecem, mas só apenas depois que o mal está feito. E o mal foi o uso político da delação na véspera das eleições de 2018.
Aliás, é mais provável que a retificação da PF tenha por objetivo livrar o banco BTG, de André Esteves, do que tratar Lula com isenção.

Movimento 3 – os movimentos erráticos do Supremo

Ontem, o principal agente da Lava Jato no Supremo, Ministro Luiz Edson Fachin, cometeu a primeira e curiosa alta-crítica (com L mesmo, uma modalidade de autocrítica em que se critica o crime que se cometeu como se fosse de responsabilidade de terceiros).
Disse que a inabilitação de Lula para as eleições foi o pior erro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que ele, Fachin, foi voto vencido.
A decisão que tirou Lula do jogo foi a votação para a prisão de 2a instância. O voto decisivo foi da Ministra Rosa Weber, lendo um voto extenso que, por todos os indícios, tinha sido preparado pelo próprio Fachin – que votou também pela prisão em 2a instância com o objetivo precípuo de impedir a saída de Lula da prisão.
Além das declarações de Fachin, há um movimento dos Ministros de maior visibilidade, cada qual se valendo da sua própria dimensão política.
Por exemplo, Gilmar aproxima-se de grupos democráticos de advogados e até do MST (Movimento dos Sem Terra) e, ao mesmo tempo, fortalece o inquérito das fake news e, na outra ponta, alisa Bolsonaro domado, autorizando a volta de Fabrício Queiroz para a casa. Enquanto isto,  Luís Roberto Barroso se torna mediador de debates de youtubers terraplanistas. Cada qual com um desafio à altura da sua dimensão política.
Próximo presidente do STF, Luiz Fux impede que o Conselho Nacional do Ministério Público julgue Deltan Dallagnol, mantendo a tradição horrorosa do Supremo, da imposição de decisões monocráticas.
O STF cresceu, quando se interpôs à ofensiva do ódio de Bolsonaro. Aparentemente contida a besta, volta às indecisões anteriores.

Movimento 4 – a ofensiva sobre os procuradores

A decisão de Fux interrompeu o que parecia ser a primeira iniciativa do CNMP superando o corporativismo dos julgamentos. Parecia que, pela primeira vez, haveria uma censura pública aos abusos cometidos pela Lava Jato Curitiba, a manipulação das delações, o exibicionismo, os ganhos financeiros com o trabalho, as vinculações políticas.
Mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma situação complexa.
Deslumbrado, inexperiente, Dallagnol foi ocupando os espaços que lhe eram oferecidos. Recebeu aval  do Procurador Geral Rodrigo Janot, que nada fez para definir limites, mesmo sabendo do risco de imagem para todo o MPF. Teve o apoio maciço de seus colegas e da Associação Nacional do Ministério Público (ANPR), julgando que tinham sido erigidos a 5o poder da República. Tolos! Contou com o apoio caloroso do Ministro Luís Roberto Barroso, encantado com o marketing juvenil anti-corrupção. Foi cortejado por jornalistas para quem, tê-lo como fonte contava pontos profissionais. Aceitou-se acriticamente o ridículo de seu salvacionismo, suas orações em templos religiosos e, claro, suas palavras altamente remuneradas em templos financeiros. Sem eles, Dallagnol seria apenas um rapaz latino-americano, incrustado em Curitiba, não indo muito além das suas chinelas.
Lembro-me de uma conversa com a economista de um desses bancos, espantada com as exigências de cachê de Dallagnol.
Hoje em dia, Deltan Dallagnol está reduzido à sua verdadeira dimensão: um jovem procurador choramingando pelas cantos do Twitter e clamando por apoio. A cada dia que passa, mais Sérgio Moro vai sendo trazido de volta ao seu próprio tamanho. E se tornam – especialmente Dallagnol – o boi de piranha preferencial para medidas de contenção do poder dos procuradores em geral em um momento em que a Lava Jato acabou.
Quando procuradores lavajatistas deslumbrados invadiram o Twitter, houve um movimento para o CNMP censurar os ativistas.
Quase todas as sanções se voltaram contra procuradores independentes.
Agora se pretende avançar sobre as prerrogativas dos procuradores, tendo como pressuposto a necessidade imperiosa de usar Dallagno, como exemplo, inclusive a possibilidade de afastamento dele da operação.
Não se leva em conta que, aberta a exceção, os alvos preferenciais serão os procuradores que não se ligam a panelas, aqueles que exercem seu trabalho individual sem se curvar a influências políticas, financeiras ou de grupo e sem faturar financeiramente com seu trabalho.
Esse é o ponto que deveria acordar os que batalham por um MPF independente: a aplicação das penas estará nas mãos “deles”.

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quarta-feira, 29 de julho de 2020

Aras e as suspeitas sobre a Lava Jato Paraná



Agora, com as revelações de Aras, não haverá como não iniciar a devassa sobre os (muitos) abusos cometidos pela Lava Jato Paraná e seus yuppies do setor público.
Jornal GGN:
O depoimento do Procurador Geral da República Augusto Aras ao grupo Prerrogativas, ontem à noite, foi histórico. Foi a mais contundente crítica já feita contra os abusos da Lava Jato Paraná. E para uma audiência que contava com alguns dos mais ilustres juristas garantistas do país, Aras colheu aplausos unânimes não apenas por expor os vícios da Lava Jato, mas os princípios que devem nortear a atuação do Ministério Público.
O MPF não deve ser o órgão punitivista que assume todos os casos pensando na condenação, disse ele, reforçando as análises de Lenio Streck. Deve ser um promotor de justiça, colher todos os elementos e firmar convicção sobre o caso, sem posições apriorísticas. Não deve também se basear no julgamento midiático, nem montar parcerias com a mídia visando ganhar força através da espetacularização dos casos para pressionar o Judiciário, que invariavelmente assassina a reputação das vítimas mesmo antes de levantar provas e/ou evidências de crimes cometidos.
As informações fornecidas pela PGR em relação à Lava Jato de Curitiba são chocantes, mesmo para os críticos da operação. 38 mil pessoas com dados depositados, 50 mil documentos, uma base de dados muito maior do que todas as bases do Ministério Público Federal sem nenhuma supervisão. Era o poder absoluto, compartilhado entre procuradores com intenções políticas, ex-procuradores que ingressaram no mercado da advocacia corporativa, uma operação com ligações estreitas com advogados que atuam no milionário mercado das delações premiadas e das disputas corporativas.
Houve quem julgasse precipitada a divulgação da base de dados, antes de uma perícia para averiguar irregularidade eventuais. Mas o tamanho da base é uma evidência óbvia de ilegalidade. Como pode um controle estrito sobre informações de 38 mil pessoas sem nenhuma forma de controle superior ou externo? Em uma das conversas divulgadas pela Vazajato Deltan Dallagnol menciona as tratativas com uma empresa de bidgatas, para turbinar a base de dados. Inclusive, ele apareceu até como garoto propaganda da empresa em uma live. A empresa fornece sistemas para governos de estados, procuradorias, ministérios públicos. Dias depois, surgiram denúncias de propinas pagas a outras empresas para colocar seu produto. O que demonstrava claramente o apoio incondicional e nenhum pouco seletivo ao mundo dos aliados.
As esperanças suscitadas pelas palavras de Aras, no entanto, não são suficientes para esclarece pontos controversos do governo que o indicou, o mais obscurantista da história.
O Ministro da Justiça André Mendonça está transformando a Polícia Federal em uma polícia política, invadindo residências de governadores adversários com todo o aparto midiático que caracterizou o lavajatismo.
Há uma ofensiva clara do governo contra populações vulneráveis, índios, quilombolas, além de ataques contra o meio ambiente.E, principalmente, há em curso uma série de pedidos de impeachment de Bolsonaro.
Nessa luta contra o obscurantismo cada dia é um dia. Nas próximas semanas, ao montar as comissões temáticas da PGR se saberá melhor qual o fôlego da gestão Aras em direção ao reencontro do Ministério Público com os princípios levantados pela Constituição de 1988. A prova de fogo será a maneira como serão tratados os grupos ligados a direitos humanos que, em nenhum momento, se aliaram ao corporativismo tacanho dos lavajatistas.
A posição de Aras desnudou o populismo corporativo de seus antecessores, especialmente Rodrigo Janot, um fraco que sucumbiu às pressões da mídia e da base lavajatista do MPF. Aliás, o próprio Janot tentou se prevalecer da cumplicidade imoral com a mídia, em uma sessão do Conselho Superior do MPF, no qual articulou com jornalistas policiais uma armação tentando desmoralizar sua colega Raquel Dodge, e impedi-la de disputar a PGR.
Agora, com as revelações de Aras, não haverá como não iniciar a devassa sobre os abusos cometidos pela Lava Jato Paraná e seus yuppies do setor público.

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terça-feira, 7 de julho de 2020

TV GGN: O fim do modelo Lava Jato e da força tarefa do MPF, entrevista de Luis Nassif com Hindemburgo Diniz



Entrevista com o subprocurador Hindemburgo Diniz, corregedor da PGR no período da Lava Jato e atualmente Secretário de Cooperação Internacional do MPF
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