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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Jornalista revela bastidores do antidemocrático conselho editorial da Globo

 

Paulo Nogueira, editor do Diário do Centro do Mundo, que já integrou este grupo, como responsável pelas revistas da casa, revela como é o processo de comando no grupo de mídia dos Marinho, com destaque para o papel de Ali Kamel, diretor de Jornalismo, e do colunista Merval Pereira. "Pareciam odiar Lula e qualquer coisa que partisse do governo petista. E pareciam também querer que João Roberto [Marinho, um dos donos] soubesse disso", diz ele

Do Brasil 247:

    Jornalista Paulo Nogueira revela bastidores do conselho editorial da Globo


247 - O jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor da Abril e da Globo, decidiu revelar como funciona, por dentro, o conselho editorial do grupo de mídia dos Marinho. Confira:

Como funciona o Conselho Editorial das Organizações Globo

Sob o comando de João Roberto Marinho, o Conedit reúne os editores das diversas mídias da Globo para alinhar ações e debater assuntos. As reuniões são realizadas às terças, por volta das 11 horas, no prédio da Globo no Jardim Botânico, no Rio. Frequentei-as ao longo dos dois anos e meio em que fui diretor editorial das revistas da Globo. Quando cheguei, Kamel já estava lá, e ali permaneceu depois que saí.

A referência mais longa que eu tivera dele veio de um jornalista da Abril que o procurara em busca de emprego. A operação deu certo. O jornalista me contou que lera que Kamel valorizava gente que tivesse passado por revistas, por ser mais apta a mexer com palavras. O próprio Kamel passara pela Veja no Rio antes de se fixar nas Organizações Globo.

Kamel não confirma o folclore do carioca simpático, ao contrário de outros editores com quem convivi naquelas manhãs de terça. Seu chefe, Carlos Schroder, um gaúcho afável e sempre com um sorriso no rosto, parece mais carioca que ele.

De um modo geral, o ambiente no Conedit reflete o humor, a alegria, a capacidade de rir dos cariocas. (E também a falta de pontualidade.) Mesmo Merval Pereira, colunista de várias mídias da Globo e ex-diretor do jornal, ri com frequência – uma surpresa para quem lê seus textos em geral num tom de elevada preocupação, quase sempre ligada a um pseudopecado mortal de Lula.

Kamel, pela importância da TV, é uma presença destacada no Conedit. Sua expressão solene sublinha esse papel. Não sei se Kamel costuma beber no bar com os amigos para falar bobagens como futebol, mas não me pareceu.

O que inicialmente mais me chamou a atenção em Kamel, e em muitos outros ali, foi a obsessão com São Paulo. “Os jornais de São Paulo” são constantemente citados, como se representassem o mal. Não sou exatamente um admirador nem do Estadão e muito menos da Folha, mas achava engraçada a presença dos  “jornais de São Paulo” nos debates. Nós, jornalistas de São Paulo, jamais nos referimos aos “jornais do Rio”.

Não é exatamente confortável ser um paulista naquele plenário, logo entendi. Eu me sentava num canto próximo da porta, por razões de conforto. “Este é o canto dos paulistas”, ouvi, em tom de brincadeira, uma vez, de Luiz Erlanger, uma espécie de RP do alto escalão das Organizações.

Havia uma alta rotatividade naquele canto. O ambiente é carioca, para o bem e para o mal. E o ressentimento pelo tamanho que São Paulo tomou no Brasil acaba repercutindo, de uma forma ou de outra, em paulistas que participem do Conedit.

Ali Kamel não facilita a vida de ninguém, logo vi. Não é hospitaleiro. Lembro o dia em que Kamel foi apresentado ao jornalista Adriano Silva, na sede da Globo no Rio de Janeiro. Adriano estava sendo contratado com a missão de chacoalhar o Fantástico.

Adriano fizera isso na Superinteressante. Daí o interesse da Globo. Quem negociou com Adriano foi Carlos Schroder, então diretor de telejornalismo da Globo e hoje seu diretor-geral. Eu estava com ambos no prédio do Jardim Botânico quando Ali se aproximou.

Não deu um sorriso para Adriano. Seco, quase ríspido, colocou a Superinteressante na conversa — afirmou que a enteada a lia — para comentar supostos erros da revista. Ficou claro naquele momento que a vida de Adriano perto de Kamel não seria fácil. Não foi.

Adriano logo foi tocar sua vida longe da Globo, e o Fantástico continuaria a padecer dos problemas que levaram a Globo a procurá-lo — desinspiração editorial, perda de repercussão e um Ibope brutalmente em queda para um programa que se confundira com a noite de domingo dos brasileiros por muitos anos.

O caso do Fantástico me faria lembrar um comentário que certa vez ouvi, segundo o qual a força criativa da Globo repousava em Boni, “um fanático guardião da qualidade”. Achei isso podia fazer sentido ao ler que, numa corrida em que Galvão Bueno gritou triunfal “eu já sabia, eu já sabia!” quando Senna entregou a vitória ao segundo piloto de sua equipe, Boni teve uma reação irada no bastidor. “Se sabia, por que não contou para o espectador?”, perguntou a Galvão.

No Conedit, numa mesa em forma de U, João Roberto se senta no centro, na reunião. À sua esquerda,  numa das laterais, fica Merval. Na esquerda, na outra lateral, Kamel. Há uma tensão muda entre os dois, uma espécie de duelo pela preferência e pela simpatia do chefe. São os que mais falam lá.

Não daria o prêmio de simpatia a Kamel. E nem o de originalidade. Logo percebi que ele expressava com ênfase, com a fé cega de um jihadista, amplificando-as, as conhecidas ideias das Organizações Globo.

Não havia desafio a essas ideias, não havia uma tentativa de reolhá-las e reavaliá-las.  Bolsa Família? Assistencialismo. Ponto. Cotas em universidades? Absurdo, Ponto.

Um dia comentei isso com Luiz Eduardo Vasconcellos, sobrinho de Roberto Marinho e acionista das Organizações. Luiz teve cargos executivos durante muitos anos, mas depois se recolheu às funções de acionista minoritário.

É simpático, interessado nas coisas do mundo, simples no traje e no trato, como aliás os primos. Você não diz que ele é um dos donos da Globo se se sentar numa reunião do Conedit sem conhecê-lo.

“Sinto falta de pensamentos alternativos na reunião”, comentei com ele num almoço depois da reunião do Conedit. “A sensação que tenho é que as pessoas, principalmente o Kamel e o Merval, falam apenas as coisas que imaginam que o João vai gostar de ouvir.”

Quanto isso devia estar me incomodando estava claro em meu ataque de sinceridade no almoço. Era evidente o risco de que meu comentário fosse espalhado, ainda que Luiz Eduardo sempre tenha me parecido discreto e reservado.

Nas eleições de 2006,  meu diagnóstico do Conedit pareceu se confirmar para mim. João Roberto tinha um tom sereno ao debater a campanha. Vi João criticar várias vezes ações de militantes petistas, mas jamais o vi sair do tom no Conedit.

Curiosamente, dada sua posição de dono, o ambiente muitas vezes não refletia a tranquilidade de João Roberto. Kamel e Merval davam um tom épico, em branco e preto, a muitas discussões políticas. Pareciam odiar Lula e qualquer coisa que partisse do governo petista. E pareciam também querer que João Roberto soubesse disso.

Se o julgamento deles fosse acertado, Lula teria errado em todas as decisões que tomou em seus oito anos de administração. Quanto aquela inflamação toda era genuína ou não, é uma dúvida que carrego até hoje. Será que eles pensam mesmo aquilo, ou no bar, com os amigos, dão uma relaxada?

Não sei.

Minha intuição é que, como o poeta segundo Fernando Pessoa, o fingimento é tanto que uma hora você acredita no que fingia antes acreditar. A alternativa é um sentimento automassacrante de que você é uma pena de aluguel.

Há uma lenda urbana segundo a qual Kamel seria o homem por trás da ideologia das Organizações Globo, o “Ratzinger” da empresa. Kamel não é nenhum Hayek, ou Friedman. Não é formulador de pensamentos, não é um filósofo, não é carismático, não é nada daquilo que confere a alguém o poder de persuadir outras pessoas pelo vigor não dos gritos mas das ideias.

Uma designação provavelmente mais próxima da realidade é que Kamel comanda os “aloprados” da Globo. Relembremos. Num determinado momento da campanha de 2006, veio à cena, na mídia, a expressão “aloprados”, para designar petistas mais apaixonados. A certa altura, Lula disse a João Roberto Marinho que seguraria os “seus aloprados”, mas que queria que os “aloprados do outro lado” também fossem controlados.

Foram? Basta ouvir um comentário de Jabor ou um artigo de Merval para saber que não. A cobertura em 2010 do atentado da bolinha de papel contra Serra, ou mais recentemente a forma como foi tratado o julgamento do Mensalão, mostra que os aloprados estão de mãos livres na Globo.

Uma possibilidade que deve ser considerada é que aloprados não sejam exatamente alguns comentaristas ou colunistas, ou mesmo diretores da área jornalística – mas a própria Globo, em sua alma e em sua essência.

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Rodrigo Vianna sobre Bolsonaro no JN: zero a zero, com um show patente de mentiras que Bonner (e o Ali Kamel) não quis desmontar

 

"Bonner (e o Ali Kamel, no ponto) foram mansinhos, atrapalhados. Serão assim com Lula? A Globo foi tchutchuca do capitão", analisa o jornalista Rodrigo Vianna, vencedor dos Prêmios Vladimir Herzog e Embratel de Jornalismo, é também Mestre em História Social pela USP

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro, William Bonner e Renata Vasconcellos

Jair Bolsonaro, William Bonner e Renata Vasconcellos (Foto: Reprodução)

Por Rodrigo Vianna

Minhas observações, a quente, sobre Bolsonaro no JN...

1 Alguns na oposição tinham a expectativa (ou o desejo) de que a entrevista seria um desastre para o capetão, de que ele seria atropelado etc.

E não foi.

2 Mas está longe de ter sido um passeio bolsonarista. O presidente delinquente nao conseguiu usar a tribuna para falar pra fora da bolha dele.

3 Não acho que a história da corrupção ficou boa pro sujeito: Centrão na testa, cinco ministros da Educação, escândalo dos pastores. Tudo exposto, para milhões de brasileiras e brasileiros obrigados a ver a pele maltratada de um presidente decrépito. Faltou maquiagem? Certamente, aquilo foi proposital; assim como a ridícula colinha na palma da mão, para gerar engajamento e buscas na segunda tela.

4 Ele nao foi nocauteado (longe disso), mas não vi uma boa performance do pai de Carluxo.

Ficou no zero a zero.

5 Além disso, o amigo do Queiroz não se comunicou bem com as mulheres (que era um objetivo declarado do bolsonarismo ao ocupar a tribuna na Globo). Tratou a Renata mal, interrompeu pra caramba a apresentadora mulher, enquanto foi mais manso com Bonner.

6 Bolsonaro até pode comemorar porque passou quase ileso pelo JN. Mas não foi uma entrevista pra mudar muita coisa na eleição.

7 Já o Bonner (e o Ali Kamel, no ponto) foram mal.

Ou será que foram bem? Era essa a encomenda, quem sabe...

Mansinhos, atrapalhados. Serão assim com Lula?

A Globo foi tchutchuca do capitão.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O Dia em que Lula provou ser maior que a Globo


:

   Salva da bancarrota pelo ex-presidente Lula, a Globo  da Famiglia Marinho imaginava que esta sexta-feira 4 seria seu dia de glória; empenhada em destruir o ex-presidente mais popular da história do País, numa luta que já quebrou o setor de engenharia e vem arruinando o País, a Globo esperava celebrar a prisão de Lula; beneficiária de mais um vazamento ilegal, a Globo anunciou um "dia especial", por meio do Twitter de Diego Escosteguy; depois, alguns de seus colunistas, como Eliane Cantanhêde, decretaram a morte do PT; o que se seguiu, ao longo do dia, foi uma reversão total das expectativas da família Marinho; abusos da Operação Lava Jato foram denunciados por governadores, ministros do STF e pela presidente Dilma Rousseff; além disso, o ataque vil a Lula e todos os seus familiares acendeu a faísca da reação popular, que mobilizou sindicatos, movimentos sociais e simpatizantes; nas ruas, repórteres da Globo tiveram de trabalhar sem identificação para não serem agredidos pela população; para completar o quadro, Lula anunciou que agora, irá lutar para voltar ao poder; "Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça. Bateram no rabo e a jararaca está viva". Brasil 247. Leia mais, clicando aqui.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Paulo Henrique Amorim: Assim Moro manda no Brasil


globo.jpgComo se sabe, Kamel sequestrou o Moro e o Brasil se tornou refém desse eixo do Poder: o Kamoro ( não confundir com Kamora, com um "erre" só).

Como o Moro faz para mandar no Brasil ?

É elementar: tudo é crime, todo crime foi cometido na Petrobras e só ele julga a Petrobras.

O Moro pega as mil empresas brasileiras de Engenharia.

Seleciona os cem dirigentes de cada uma.

E "suspeita" que um deles roubou a Petrobras e portanto quem julga é ele.

É uma suspeita por dia.

Com a ajuda do Google.

E quanto mais o FHC se esconde da Miriam com o DNA de fora, mais suspeitos há.

Vamos supor que a Empresa Serrote e Cia tenha sido contratada para erguer uma das colunas da Torre Eiffel.

O Sistema Moro suspeita que um vice presidente da Serrote roubou o gato que ficava na porta da Petrobras, na Avenida Chile.

A Polícia Federal do zé e os procuradores que usam o Wi-Fi de Deus  sugerem ao Moro que o suspeito gatofilo ou gaticida é uma ameaça ao devido processo legal e tem que ser preso imediatamente!

Queria o gato para instalá-lo em Pasadena.

Moro manda prendê-lo assim que desembarca no Brasil, vindo de Paris.

A simples suspeita se torna crime no jornal nacional do Gilberto Freire, e ali mesmo o vice é executado na guilhotina atômica do Bonner.

A suspeita se conhece às 11h00 e a execução se dá às 20h30.

Cm isso, Moro e Kamel julgam tudo e todos, porque tudo é Petrobras.

E os outros juízes do Brasil ganham sem fazer nada.

Não fazem, sequer, protestar.

Nem ousam denunciar o Moro e o Kamoro.

Paulo Henrique Amorim

sábado, 14 de novembro de 2015

Em artigo (reproduzido no Brasil pela UOL), New York Times diz que a Globo é a TV que ilude e manipula o Brasil






















Um artigo publicado no jornal New York Times, e reproduzido  no site UOL, é de causar constrangimento a todo brasileiro mais crítico. Nele, Vanessa Bárbara revela com contundente precisão o quanto a TV  Globo historicamente interfere no cotidiano de um país que figura entre os de mais baixa qualificação de ensino do planeta. Lembrar que William Bonner comparou o telespectador médio de TV do país com Homer Simpson chega a ser obrigatório.

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

New York Times diz que a Globo é a TV que ilude o Brasil

Da Redação do Conexão Jornalismo


Gigante da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário.


Vanessa Barbara, no International New York Times, via UOL
Em São Paulo

No ano passado, a revista "The Economist" publicou um artigo sobre a Rede Globo, a maior emissora do Brasil. Ela relatou que "91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, a assistem todo dia: o tipo de audiência que, nos Estados Unidos, só se tem uma vez por ano, e apenas para a emissora detentora dos direitos naquele ano de transmitir a partida do Super Bowl, a final do futebol americano".

Esse número pode parecer exagerado, mas basta andar por uma quadra para que pareça conservador. Em todo lugar aonde vou há um televisor ligado, geralmente na Globo, e todo mundo a está assistindo hipnoticamente.

Sem causar surpresa, um estudo de 2011 apoiado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o percentual de lares com um aparelho de televisão em 2011 (96,9) era maior do que o percentual de lares com um refrigerador (95,8) e que 64% tinham mais de um televisor. Outros pesquisadores relataram que os brasileiros assistem em média quatro horas e 31 minutos de TV por dia útil, e quatro horas e 14 minutos nos fins de semana; 73% assistem TV todo dia e apenas 4% nunca assistem televisão regularmente (eu sou uma destes últimos).

Entre eles, a Globo é ubíqua. Apesar de sua audiência estar em declínio há décadas, sua fatia ainda é de cerca de 34%. Sua concorrente mais próxima, a Record, tem 15%.

Assim, o que essa presença onipenetrante significa? Em um país onde a educação deixa a desejar (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico classificou o Brasil recentemente em 60º lugar entre 76 países em desempenho médio nos testes internacionais de avaliação de estudantes), implica que um conjunto de valores e pontos de vista sociais é amplamente compartilhado. Além disso, por ser a maior empresa de mídia da América Latina, a Globo pode exercer influência considerável sobre nossa política.

Um exemplo: há dois anos, em um leve pedido de desculpas, o grupo Globo confessou ter apoiado a ditadura militar do Brasil entre 1964 e 1985. "À luz da História, contudo", o grupo disse, "não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original".

Com esses riscos em mente, e em nome do bom jornalismo, eu assisti a um dia inteiro de programação da Globo em uma terça-feira recente, para ver o que podia aprender sobre os valores e ideias que ela promove.

A primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a chuva.

A partir dos talk shows matinais e outros programas, eu aprendi que o segredo da vida é ser famoso, rico, vagamente religioso e "do bem". Todo mundo no ar ama todo mundo e sorri o tempo todo. Histórias maravilhosas foram contadas de pessoas com deficiência que tiveram a força de vontade para serem bem-sucedidas em seus empregos. Especialistas e celebridades discutiam isso e outros assuntos com notável superficialidade.

Eu decidi pular os programas da tarde -a maioria reprises de novelas e filmes de Hollywood- e ir direto ao noticiário do horário nobre.

Há dez anos, um âncora da Globo, William Bonner, comparou o telespectador médio do noticiário "Jornal Nacional" a Homer Simpson -incapaz de entender notícias complexas. Pelo que vi, esse padrão ainda se aplica. Um segmento sobre a escassez de água em São Paulo, por exemplo, foi destacado por um repórter, presente no jardim zoológico local, que disse ironicamente "É possível ver a expressão preocupada do leão com a crise da água".

Leia também: JN omite notícias importantes enquanto audiência despenca

Assistir à Globo significa se acostumar a chavões e fórmulas cansadas: muitos textos de notícias incluem pequenos trocadilhos no final ou uma futilidade dita por um transeunte. "Dunga disse que gosta de sorrir", disse um repórter sobre o técnico da seleção brasileira. Com frequência, alguns poucos segundos são dedicados a notícias perturbadoras, como a revelação de que São Paulo manteria dados operacionais sobre a gestão de águas do Estado em segredo por 25 anos, enquanto minutos inteiros são gastos em assuntos como "o resgate de um homem que se afogava causa espanto e surpresa em uma pequena cidade".

O restante da noite foi preenchido com novelas, a partir das quais se pode aprender que as mulheres sempre usam maquiagem pesada, brincos enormes, unhas esmaltadas, saias justas, salto alto e cabelo liso. (Com base nisso, acho que não sou uma mulher.) As personagens femininas são boas ou ruins, mas unanimemente magras. Elas lutam umas com as outras pelos homens. Seu propósito supremo na vida é vestir um vestido de noiva, dar à luz a um bebê loiro ou aparecer na televisão, ou todas as opções anteriores. Pessoas normais têm mordomos em suas casas, que são visitadas por encanadores atraentes que seduzem donas de casa entediadas.

Duas das três atuais novelas falam sobre favelas, mas há pouca semelhança com a realidade. Politicamente, elas têm uma inclinação conservadora. "A Regra do Jogo", por exemplo, tem um personagem que, em um episódio, alega ser um advogado de direitos humanos que trabalha para a Anistia Internacional visando contrabandear para dentro dos presídios materiais para fabricação de bombas para os presos. A organização de defesa se queixou publicamente disso, acusando a Globo de tentar difamar os trabalhadores de direitos humanos por todo o Brasil.

Apesar do nível técnico elevado da produção, as novelas foram dolorosas de assistir, com suas altas doses de preconceito, melodrama, diálogo ruim e clichês.

Mas elas tiveram seu efeito. Ao final do dia, eu me senti menos preocupada com a crise da água ou com a possibilidade de outro golpe militar -assim como o leão apático e as mulheres vazias das novelas.

* Vanessa Barbara é uma colunista do jornal "O Estado de São Paulo" e editora do site literário "A Hortaliça".

Veja também: Depois de 10 anos, Christiane Pelajo deixa bancada do Jornal da Globo

domingo, 12 de julho de 2015

O que o nazista Joseph Goebbels ensinou a Ali Kamel e à golpista Rede Globo?

12o. Principio do Kamel: abuse da palavra “crise” ! Tudo é crise ! – Paulo Henrique Amorim


O Conversa Afiada reproduz excelente contribuição do amigo navegante ocator:
​

Conhece Joseph Goebbels, o violento ministro de propaganda de Hitler? Estes são os 11 princípios que levaram o povo alemão a tentar exterminar à humanidade:

1.- Principio da simplificação e do inimigo único.
Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele.

2.-Princípio do contágio
Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem. Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro estão sendo contaminados por este inimigo.

3.-Princípio da Transposição
Transladar todos os males sociais a este inimigo.

4.-Princípio da Exageração e desfiguração
Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor. “O que nos acontecerá?”

5.-Princípio da Vulgarização
Transforma tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir.

6.-Princípio da Orquestração
Fazer ressonar os boatos até se transformarem em noticias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’, pigal.

7.-Principio da Renovação
Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.

8.-Princípio do Verossímil
Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido. O objetivo deste debate é que o receptor, não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.

9.-Principio do Silêncio.
Ocultar toda a informação que não seja conveniente.

10.-Principio da Transferência
Potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato se acresce com um fato que tenha acontecido antes

11.-Princípio de Unanimidade
Busca convergência em assuntos de interesse geral apoderando-se do sentimento produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.


Qualquer semelhança com as práticas do PIG é pura coincidência….

sábado, 14 de março de 2015

Site da Telesur, TV Americana, destaca a tentativa de Golpe da Rede Globo contra Dilma Rousseff



texto de

Carlos Antonio Fragoso Guimarães

 O modo como a grande mídia, com especial ênfase na Rede Globo, por meio de intensiva manipulação tenta dar um golpe no Brasil contra a Presidente democraticamente reeleita, Dilma Rousseff, e o poder de uma única empresa nos meios de comunicação foram destacados pela Telesur, rede de televisão norte-americana, a partir do impacto mundial do Hashtag #GloboGolpista como tópico mundial (trends topics) mais debatido no Twitter desde meados da quinta-feira até todo o dia de ontem. Confira a exposição original da Telesur clicando aqui.  Uma tradução em português pode ser acessada aqui.
  
    A Telesur faz um levantamento, a partir das postagens no Twitter e em fatos, dos vários envolvimentos das Organizações Globo em tentastivas e golpes anteriores, antes mesmo da Rede Globo, enquanto sistema de televisão, existir. Através de O Globo, por exemplo, Roberto Marinho teve papel importante na crise que abateu Getúlio Vargas e na orquestração do Golpe Militar de 1964. Também as controversas e conhecidas manipulações jornalísticas das Organizações Globo foram citadas na matéria da Telesur, indo da Edição do "debate" Lula e Collor às vésperas das eleições presidenciais de 1989 (e que foi decisivo na vitória deste último), à atuação do poderoso direitor de jornalismo da empresa, Ali Kamel, que persegue blogueiros que o criticam (como o fez, por exemplo, com Miguel do Rosário, também citado no artigo da Telesur). Outro diretor da Rede Globo, Erick Bretas, também é lembrado, especialmente por terr expliciticamente divulgado que participará das manifestações contra Dilma, no dia 15 de março. A atuação da Globo, em conluio com empresários, como Paulo Jorge Lemman, para derrubar o governo também é lembrada pela Telesur

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Ali Kamel, o todo poderoso chefe de Jornalismo da Rede Globo, segue o exemplo de Aécio Neves ao perseguir blogueiros que deles discordam: o Caso de Miguel do Rosário, de O Cafezinho e a "liberdade de expressão" de fachada


"A Repórteres Sem Fronteiras acusou o Brasil de ser o país dos 30 Bersluconis, referindo-se às famílias que dominam a mídia de massa no país.
 O relator da ONU para Liberdade de Expressão, Frank de La Rue, veio ao Brasil recentemente e afirmou que a concentração da mídia é a maior ameaça à liberdade de expressão. La Rue se referia, naturalmente, à situação da midia no Brasil.
 Essas denúncias foram abafadas por nossa mídia corporativa, cuja estrutura segue muito parecida, e até mais concentrada ainda, em relação aos chamados anos de chumbo."
Miguel do Rosário

Seguem textos de Miguel do Rosário, de O Cafezinho, e Fernando Brito, do Tijolaço.com:

Carta aberta ao povo brasileiro: liberdade de expressão em risco




  Dirijo-me ao nobre e valoroso povo brasileiro, na qualidade de um cidadão atingido por uma absurda violência política, e que não afeta somente a mim, mas o coletivo e a própria liberdade de expressão de uma nação continental.

  Trata-se de um processo movido contra mim por Ali Kamel, empregado da família mais rica do país.

Mais rica e que controla um dos maiores impérios de mídia do mundo.

Não creio que, em nenhum país democrático (com exceção talvez da Itália, que tem o seu Berlusconi), exista um grupo que reúna tanto poder financeiro e midiático como a Globo.

  Pois o empregado deste grupo, e não qualquer empregado, mas o seu diretor-geral de jornalismo, pediu-me, e venceu na justiça, uma indenização de mais de R$ 20 mil, a qual, acrescida pelos custos judiciais, me custarão mais de R$ 30 mil.
  
  O processo já terminou. Ele venceu na segunda instância e não conseguimos chegar ao Supremo Tribunal de Justiça. Não há mais como recorrer.

  O juiz mandou executar e terei de pagar o montante em alguns dias.

  E qual a razão do processo? Simplesmente porque fiz uma crítica política à empresa para a qual ele trabalha.

  Não ataquei sua honra. Não o chamei de ladrão ou corrupto. Não pedi sua demissão.

  Apenas disse que ele trabalhava para uma concessão pública que, na minha opinião, merece ser criticada.

 Para não faltar com a verdade, os únicos adjetivos que dirigi ao autor da ação, e que poderiam ser considerados pessoalmente ofensivos, foram: sacripanta e reacionário. E me referia a ele enquanto diretor de jornalismo da Globo, a concessão pública líder de audiência no país.

 O dia em que todos forem condenados porque chamaram, num artigo político, o diretor de jornalismo da maior concessão pública de um país, de “reacionário” e “sacripanta”, será o último dia de liberdade no Brasil.


Creio se tratar de um desses casos emblemáticos que podem influenciar o país durante muitos anos.

 Até porque, neste momento, já são vários blogueiros agredidos judicialmente pelo mesmo personagem, ou pelo mesmo campo político.

 É um fato notório o mal que a concentração da mídia faz à democracia, um mal denunciado por inúmeras organizações nacionais e internacionais.

 A Repórteres Sem Fronteiras acusou o Brasil de ser o país dos 30 Bersluconis, referindo-se às famílias que dominam a mídia de massa no país.

 O relator da ONU para Liberdade de Expressão, Frank de La Rue, veio ao Brasil recentemente e afirmou que a concentração da mídia é a maior ameaça à liberdade de expressão. La Rue se referia, naturalmente, à situação da midia no Brasil.

 Essas denúncias foram abafadas por nossa mídia corporativa, cuja estrutura segue muito parecida, e até mais concentrada ainda, em relação aos chamados anos de chumbo.

 O surgimento de blogs políticos que fazem um contraponto à grande mídia, devem ser entendidos, portanto, como uma reação biologicamente natural, saudável e necessária, do ambiente democrático.

 Se a mídia age como um partido político homogêneo, um verdadeiro cartel ideológico, impondo sempre as mesmas pautas, repetindo as mesmas opiniões e até usando os mesmos colunistas, é natural que emergissem blogs no lado oposto do espectro ideológico.

 Se a mídia torna-se dia a dia mais conservadora, os blogs se notabilizam por defender pautas progressistas e trabalhistas.

 Não é fácil manter um blog, contudo. Raros são os blogs que são atualizados constantemente, e raríssimos aqueles que conseguiram se profissionalizar.

 Entretanto, creio que, neste momento da nossa história, os blogs políticos constituem um respiro democrático no ambiente histérico, reacionário, udenista, muitas vezes flertando com o golpismo, da nossa imprensa corporativa.

 Não digo que os blogs sejam perfeitos, nem que a nossa imprensa seja 100% um lixo (digamos que ela seja 75% lixo). Mas representamos um contraponto importante. E ajudamos a concretizar um dos princípios que norteiam a nossa Constituição: a pluralidade política.

 Claro, os blogs não resolvem o problema da concentração midiática. Apenas ajudam a enriquecer o debate, a criar uma válvula de escape num ambiente que, sem eles, seria talvez desesperador para muita gente.

 A sustentação financeira dos blogs é complicada. Apesar dos adversários nos acusarem de recebermos “apoio do governo”, sabemos que isso não é verdade.

 Recentemente, os dados referentes a todos os órgãos de governos, incluindo estatais, foram abertos e comprovamos que apenas dois ou três blogs ou sites recebiam apoio oficial (não estou incluído), e mesmo assim, irrisórios se comparados ao custo de manutenção dos mesmos, e ridiculamente ínfimos, se comparados ao que receberam os grandes ou mesmo medianos grupos de mídia tradicionais.

 Os blogs políticos, em geral, são sustentados pelo próprio bolso dos autores.

 Em alguns casos, como o meu, o blog é sustentado por assinaturas e contribuições dos leitores, uma ou outra publicidade, além do adsense do Google, um esquema randômico de propaganda.

 Não posso reclamar de nada, todavia.

 A blogosfera, aqui entendida como o conjunto de leitores, sempre foi generosa comigo. Tenho centenas de assinantes pagantes e as contribuições sempre foram generosas por parte de um público idealista.

 Não espero matérias elogiosas a meu trabalho em reportagens de TV, em jornais ou revistas de grande circulação.

  Ao contrário, sempre que me citam, e são obrigados a fazê-lo de vez em quando, fazem-no tentando me prejudicar.

  Entretanto, às vezes recebo doações e assinaturas até mesmo de pessoas de baixa renda, e isso realmente me comove e me faz entender a importância de continuar o meu trabalho.

  DDigo isso para mostrar a fragilidade financeira dos blogs, por representarem uma coisa nova, ainda não assimilada pelos agentes econômicos, sobretudo num país onde o ambiente publicitário permanece sob o controle dos monopólios corporativos consolidados no regime militar.

 Frágeis, mas essenciais!

  De qualquer forma, contra tudo e contra todos, estamos crescendo.

 Os blogs têm cada vez mais visitas. O Cafezinho tem cada vez mais assinantes.

 Adentramos até mesmo o terreno mais custoso do jornalismo: a investigação.

 Os blogs hoje também realizam investigações importantes, como eu fiz no caso da sonegação da Globo, do apartamento em Miami de Joaquim Barbosa, e agora, sobre a participação de graúdos das finanças e da política na lista do OffShore Leaks e do HSBC suíço.

 Pois bem, diante de tal situação, o que posso fazer diante da ofensiva covarde da Globo contra o meu trabalho?

  O dinheiro que ganho serve para pagar meu custo de vida, ao qual tive que acrescentar agora os honorários do meu advogado.

  Como posso entrar numa batalha judicial com o diretor de jornalismo da Globo, cujos proprietários têm uma fortuna maior que a de Rupert Murdoch, o magnata australiano dono de um império midiático nos EUA, maior que a de Berlusconi, proprietário de vários canais de TV na Itália e um dos principais expoentes da direita europeia?

  O valor imposto, R$ 20 mil mais custos judiciais, equivale ao valor que o Judiciário costuma impor à revista Veja, que pertence também a uma das famílias mais ricas do país. E isso quando a Veja perde na justiça, o que é raro.

 Não falta aqui um senso de proporção?

 Depois de judicializarem a política, agora partirão para a judicialização da censura?

 Qual o objetivo da Globo? Reduzir o já diminuto pluralismo político do país?  E ela ainda quer se vender como defensora da liberdade de expressão?

 Ainda quer acusar a esquerda de pretender promover a censura por querer estabelecer uma regulamentação que evite esse tipo de aberração, na qual a grande mídia pode destruir reputações, e a pequena mídia não pode falar nada?

 É muito cinismo! Dão golpe e falam que a democracia voltou! Censuram e acusam os outros de censura! Roubam e gritam pega ladrão!

 Só blogueiros cubanos serão defendidos por nossa mídia?

 O caso do blogueiro saudita, condenado a levar algumas centenas de chibatadas, foi denunciado por nossa “imprensa livre” e aqui o diretor de jornalismo da nossa maior empresa de mídia persegue judicialmente os blogs?
É uma contradição atrás da outra!

 Entendo, contudo, perfeitamente, que as pessoas se sintam ofendidas e procurem reparação na justiça.

 Se houvesse a lei de imprensa, o ofendido ganharia direito de resposta no blog, que eu publicaria com o maior prazer.

 Ali Kamel poderia explicar, a meus leitores, que não pode ser culpabilizado pelos crimes que a Globo cometeu contra a democracia, no passado remoto e recente.
Tudo bem.

 Não há mais lei de imprensa, porém. Não há qualquer tipo de regulamentação da mídia, que proteja o cidadão contra ofensas e o jornalista contra abusos do poder econômico e arbítrios da justiça.

 Voltamos à lei da selva, à lei do mais forte.

 Não tenho pretensão de acertar sempre. Entendo que um blogueiro pode passar dos limites às vezes. O limite entre o sarcasmo, o humor, o chiste, e a ofensa, é frequentemente tênue.

 Pode-se publicar por vezes uma denúncia equivocada (o que não é o caso aqui, não “denunciei” nada acerca de Ali Kamel).

 O blogueiro costuma caminhar sobre a corda bamba.

 Ora, mas então que se aplique uma multa proporcional ao padrão financeiro de um blog!

 Um blog político independente não tem R$ 20 ou R$ 30 mil para sair distribuindo para o primeiro que se sentir ofendido!

 Se não conseguir pagar este valor, minhas contas serão bloqueadas e, evidentemente, meu trabalho ficará comprometido.

 E aí é que não conseguirei pagar nada mesmo!

 É uma coisa tão absurdamente injusta, tão ridiculamente sem sentido, que dá vontade de rir.

 Os caras mais ricos do país, donos do maior império de mídia da América Latina, tentando matar um blogueiro de fome!

 Tudo com apoio de uma justiça sem grande apreço, aparentemente, pela liberdade de expressão (ou que entende que esta liberdade seja propriedade da grande mídia); e a complacência de uma sociedade amedrontada e chantageada por uma mídia doentiamente inchada pelo totalitarismo político.

 Vivemos uma ditadura sanguinária, onde a liberdade de expressão é monopólio de meia dúzia de poderosos?

 O querelante se aproveita do fato do poder judiciário não estar devidamente atualizado sobre a importância dos blogs para o pluralismo político no Brasil, nem habituado à linguagem às vezes agressiva, própria da blogosfera, sobretudo quando se trata de enfrentar a grande mídia, herdeira da ditadura, símbolo do mainstream e de séculos de opressão e desigualdade social.

 Eu fui condenado, aliás, porque escrevi um texto em apoio a um outro blogueiro, também condenado injustamente.

 Até isso querem criminalizar, a solidariedade.

 Até onde vai essa perseguição política, promovida por um gigante corporativo, através de seu diretor de jornalismo, contra simples blogueiros?

 Gostaria de acreditar que vivemos um regime democrático, que vencemos a luta contra a ditadura, e que, portanto, os herdeiros dos anos de chumbo não vencerão esta batalha fundamental.

*
Aos leitores que quiserem ajudar, podem fazê-lo através deste link. Qualquer dúvida, use o email assinatura@ocafezinho (falar com Mônica Teixeira). Meu email é migueldorosario@gmail.com (que é também meu ID no Paypal).


A solidariedade a Miguel do Rosário

20 de fevereiro de 2015 | 15:41 Autor: Fernando Brito


Miguel do Rosário, por um post em O Cafezinho, foi condenado, já em segunda instância, a indenizar por Ali Kamel, que, como se sabe, tem conseguido diversas condenações a blogueiros.

Não entro no mérito – porque, ao que parece, não se pode mais discutir o que dizem juízes – e tento não abrir  o flanco a processos judiciais deste senhor, é evidente. Razão pela qual este posts não será aberto a comentários, pois não disponho de uma equipe para triá-los todos e no que sair nas intervenções dos leitores, pode-se explorar uma eventual co-responsabilidade do autor, ainda que seja nenhuma, nestes tempos de redes sociais.

Peço que visitem o post em que ele comenta o assunto e vejam como podem, se desejarem, ajudá-lo.

Nos poucos créditos que este blog possui e do qual Miguel é sócio, será possível buscar algo para complementar o que for necessário para que ele quite o débito que lhe foi imposto.

Algo, apenas, não porque se tenha aqui qualquer sentimento de mesquinharia, mas porque as receitas são poucas, embora sejamos apontados como “sujos” por receber publicidade oficial que, afinal,  não recebemos.

As razões do lobo são assim mesmo.

Então é assim, com 10, 20, 50 reais da generosidade pública que sobrevivemos e será com isso que Miguel pagará esta sentença.