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sexta-feira, 22 de agosto de 2025

As investigações contra Malafaia e Eduardo Bolsonaro. Artigo de Luis Nassif

 As investigações apontaram a participação de Jair Bolsonaro nos mesmos delitos atribuídos a seu filho, Eduardo Bolsonaro.

Do Jornal GGN:

As investigações contra Malafaia e Eduardo Bolsonaro



Resumo do Inquérito 4.995 e Petição 14.305

Com base em um relatório da Polícia Federal (PF), o Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou a defesa de Jair Messias Bolsonaro a prestar esclarecimentos, em 48 horas, sobre o descumprimento de medidas cautelares, reiteração de condutas ilícitas e o risco de fuga. A decisão, datada de 20 de agosto de 2025, foi tomada no âmbito do Inquérito 4.995, que investiga o Deputado Federal licenciado Eduardo Nantes Bolsonaro por crimes como coação no curso do processo e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Envolvimento de Jair Bolsonaro e Descumprimento de Cautelares

As investigações apontaram a participação de Jair Bolsonaro nos mesmos delitos atribuídos a seu filho, Eduardo Bolsonaro. O relatório final nº 3305694/2025 da PF indicou que o ex-presidente descumpriu reiteradamente as medidas cautelares impostas judicialmente.

As principais constatações da PF incluem:

  • Novo Aparelho Celular: Após ter um celular apreendido em 18 de julho de 2025, Jair Bolsonaro ativou um novo aparelho em 25 de julho de 2025, que também foi apreendido em 4 de agosto de 2025. A análise do backup revelou intensa atividade de produção e propagação de mensagens em redes sociais, contrariando ordem judicial.
  • Comunicação e Disseminação de Conteúdo: Menos de uma hora após ativar o novo celular, Silas Malafaia enviou mensagens a Bolsonaro pedindo que ele “dispare” vídeos. A PF identificou que Malafaia instigou Bolsonaro a usar sua “lista de transmissão” para compartilhar conteúdo, o que foi atendido pelo ex-presidente. Bolsonaro também utilizou quatro listas de transmissão (“Deputados”, “Senadores”, “Outros” e “Outros 2”) para enviar mensagens simultaneamente. Em 3 de agosto de 2025, ele compartilhou massivamente conteúdo pelo WhatsApp, incluindo vídeos sobre sanções da Lei Magnitsky. Uma das mensagens foi compartilhada ao menos 363 vezes.
  • Interação com Terceiros para Burlar Medidas: Para contornar a proibição de uso de redes sociais, Bolsonaro interagiu com o Deputado Federal Capitão Alden (PL-BA), orientando-o sobre como usar sua imagem em manifestações. O vídeo da interação foi publicado por Alden na rede social X. Mensagens e vídeos também foram enviados para um contato salvo como “Negona do Bolsonaro”, vinculado a Vanessa da Silva Oliveira, que publicou o conteúdo em um perfil no X.
  • Contato com Outros Investigados: A PF identificou que Bolsonaro violou a proibição de contato com Walter Souza Braga Netto, corréu na AP 2.668/DF. Braga Netto enviou um SMS a Bolsonaro em 9 de fevereiro de 2024, informando um novo número pré-pago para emergências. A mensagem foi enviada um dia após a Operação Tempus Veritatis, na qual ambos foram alvo de medidas cautelares que incluíam a proibição de contato.
  • Risco de Fuga: A investigação encontrou no celular de Bolsonaro um arquivo de texto (.docx) contendo um pedido de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. O documento, com 33 páginas e intitulado “Carta JAIR MESSIAS BOLSONARO.docx”, foi salvo no aparelho em 10 de fevereiro de 2024, dois dias após a Operação Tempus Veritatis. Os metadados indicam que o arquivo foi criado pelo usuário “FERNANDA BOLSONARO”. No texto, Bolsonaro alega ser perseguido por motivos “essencialmente políticos” e teme por sua vida e por uma prisão “injusta, ilegal, arbitrária e inconstitucional”.

Interação com Advogado nos EUA

A PF também identificou conversas entre Jair Bolsonaro e o advogado norte-americano Martin De Luca, representante da Trump Media & Technology Group (TMTG) e da plataforma Rumble. Em 14 de julho de 2025, De Luca enviou a Bolsonaro a íntegra de uma petição apresentada à Justiça Americana contra o Ministro Alexandre de Moraes no mesmo dia. Uma versão traduzida e impressa do documento foi encontrada na mesa de trabalho de Bolsonaro durante uma busca e apreensão em 18 de julho de 2025. Bolsonaro também pediu orientação a De Luca para elaborar uma nota a ser divulgada em suas redes sociais.

Medidas Cautelares Contra Silas Malafaia

Com base na representação da PF, que apontou o envolvimento de Silas Malafaia na articulação criminosa, o Ministro Alexandre de Moraes determinou medidas cautelares contra o líder religioso. A investigação mostrou que Malafaia atuava em conjunto com os Bolsonaro, definindo estratégias de coação e ameaçando retaliações pessoais contra ministros do STF e seus familiares.

As medidas impostas a Silas Malafaia incluem.

  • Busca Pessoal e Apreensão: De materiais como documentos e aparelhos eletrônicos.
  • Proibição de se Ausentar do País: Com entrega de todos os passaportes em 24 horas.
  • Proibição de Comunicação: Com os demais investigados, por qualquer meio.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à decretação das medidas, afirmando que Malafaia aparece como “orientador e auxiliar das ações de coação e obstrução promovidas pelos investigados”33.


quinta-feira, 24 de julho de 2025

UOL: Bloqueio de contas de Eduardo Bolsonaro saiu barato pelo que ele fez contra o Brasil | Leoardo Sakamoto


 Do UOL:

O bloqueio das contas pelo STF da esposa de Eduardo Bolsonaro, Heloísa Bolsonaro, acabou saindo barato pela traição ao país que o deputado federal cometeu, disse o colunista Leonardo Sakamoto na edição do UOL News da tarde de hoje, no Canal UOL.



terça-feira, 26 de novembro de 2024

Em desespero, bolsonarismo ameaça a Polícia Federal

 

Do Blog da Cidadania, citando jornais e revistas:

Situação de Bolsonaro se agrava, ele surta e incita seus fanáticos a cometerem NOVOS crimes de ameaças à PF após a corporação indiciá-lo



terça-feira, 16 de novembro de 2021

Steve Bannon, articulador da extrema-direita mundial, mentor de Eduardo Bolsonar e ex-conselheiro de Trump, se entrega ao FBI

 


Jornal GGN – O conselheiro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, Steve Bannon, se entregou ao FBI hoje, dia 15, para responder pelas primeiras acusações criminais da investigação sobre o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro. Até agora, Bannon estava se recusando a cooperar com a investigação.

Mas Bannon não chegou quieto. Em declarações para uma câmera, que transmitia tudo ao vivo, ele instou seus apoiadores a manterem o foco, pois ‘estamos derrubando o regime Biden’, disse ele.

Bannon foi indiciado por um júri federal no dia 12, por desacato ao Congresso depois de ter se recusado a comparecer em depoimento e por não apresentar documentos. Esta é uma contravenção que pode garantir um ano de prisão e multa de US$ 1.000, segundo o Departamento de Justiça.

O ex-conselheiro é uma das mais de 30 pessoas próximas a Trump convocadas pelo Comitê Selecionado da Câmara dos Representantes dos EUA para testemunhar sobre os acontecimentos do dia 6 de janeiro. Neste dia, milhares de pessoas invadiram o Capitólio contra o resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos em 2020, que derrotou Trump e elegeu Joe Biden.

Com informações da CNN Brasil.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Inquérito da PF sobre organizações criminosas digitais chega a Eduardo Bolsonaro

 De acordo com investigadores, Eduardo Bolsonaro é um dos líderes do "núcleo político" da organização criminosa. O trabalho sigiloso da PF apontou que o parlamentar coordena a interlocução com Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump

Deputado Eduardo Bolsonaro

Deputado Eduardo Bolsonaro (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados | Agência Brasil | Pixabay

247 - As investigações da Polícia Federal sobre esquemas de milícias digitais chegaram ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Reservadamente, investigadores se convenceram de que o parlamentar é um dos líderes do "núcleo político" da organização criminosa. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob o comando de Alexandre de Moraes.

De acordo com informações do site O Bastidor, o trabalho sigiloso da PF apontou que Eduardo coordena a interlocução com Steve Bannon, ex-estrategista do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. "Dissemina ataques digitais contra o Supremo Tribunal Federal e as urnas eletrônicas, para desestabilizar as instituições democráticas e, por consequência, fazer a população achar que elas atrapalham a governabilidade", afirma o site. 

O ministro do STF já havia incluído Jair Bolsonaro no inquérito das fake news.   Agora, a crise entre o Palácio do Planalto e o STF alcançará novo patamar, caso a PF avance na investigação da maneira que os policiais querem.

quinta-feira, 18 de março de 2021

GGN: Quebra de sigilo aponta para ‘rachadinha’ (ou seja, corrupção) em gabinete de Jair Bolsonaro

 

Em meio a crise, a ordem no Planalto é tratar rachadinhas como assunto "de fora do governo"

Foto: Reprodução

Jornal GGN A quebra de sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) e outras 100 pessoas investigadas no caso das ‘rachadinhas’ apontou indícios da prática de peculato e lavagem de dinheiro também no gabinete de Jair Bolsonaro (sem partido), quando ele ainda era deputado federal, e do o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). As informações são do UOL.

“O UOL teve acesso às quebras de sigilo em setembro de 2020, quando ainda não havia uma decisão judicial contestando a legalidade da determinação da Justiça fluminense, e veio, desde então, analisando meticulosamente as 607.552 operações bancárias distribuídas em 100 planilhas -uma para cada um dos suspeitos. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou o uso dos dados resultantes das quebras de sigilos no processo contra Flávio, mas o Ministério Público Federal recorreu junto ao STF (Supremo Tribunal Federal)”, revelou a reportagem. 

O caso envolvendo Jair Bolsonaro, aponta que quatro funcionários que trabalhavam no gabinete do mandatário na Câmara dos Deputados retiraram 72% de seus salários em dinheiro vivo. Eles receberam R$ 764 mil líquidos, entre salários e benefícios, e sacaram um total de R$ 551 mil  em espécie. 

O volume de saques chama atenção para a prática currupta, já que identificado pelo MP-RJ como parte do método usado durante a “rachadinha” de Flávio, na Alerj. 

O filho 02 de Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro, também teve movimentações que indicam a prática em seu gabinete. Funcionários do vereador sacaram 87% de seus salários. Juntos, eles retiraram um total de 570 mil, também em dinheiro vivo.

De acordo com a jornalista Carla Araújo, ministros e auxiliares de Jair Bolsonaro minimizaram as suspeitas sobre o esquema e avaliaram que, por se tratar de supostos crimes cometidos no passado, o ideal é deixar o assunto o mais distante do Palácio do Planalto possível.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Revista Fórum: PGR pede informações à PF sobre envolvimento de deputados bolsonaristas com ataque hacker ao TSE

 

Entre os parlamentares investigados estão Filipe Barros (PSL-PR), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF)

 
Eduardo Bolsonaro com Bia Kicis e Carla Zambelli (Reprodução/Youtube)

O Procurador-Geral da República, Augusto Aras, afirmou neste domingo (29) que pediu à Polícia Federal informações sobre suposto envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro no ataque de hackers ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o primeiro turno das eleições, em 15 de novembro.

A PGR foi acionado pelo Ministério Público Federal (MPF) depois que deputados bolsonaristas, que têm foro privilegiado, foram listados como propagadores de uma ação nas redes sobre fraudes no sistema de votos pelas urnas eletrônicas.

Entre os parlamentares investigados estão Filipe Barros (PSL-PR), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF).

Vice-procurador-geral eleitoral, Renato Brill de Góes enviou o caso ao PGR, Augusto Aras, após receber relatório da SaferNet Brasil, instituição que tem colaboração formal com o MPF para monitoramento da desinformação nas eleições, com os dados.

Uma das linhas de investigação trabalhadas é a de que o hacker responsável pelos ataques pode ter sido auxiliado por radicais brasileiros ligados a núcleos bolsonaristas.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Jornal GGN: Conta de ataques a opositores do governo na Internet é ligada a Eduardo Bolsonaro, mostra o Facebook




O email "eduardo.gabinetesp@gmail.com" foi usado para cadastrar a página e é o mesmo usado por Eduardo para comprar passagens e reservar hoteis com a sua cota parlamentar

Foto: Divulgação
Jornal GGN Nas informações enviadas pelo Facebook à CPMI das Fake News no Congresso, após a quebra de sigilo, uma das páginas de ataques virtuais e de estímulo ao ódio contra adversários de Jair Bolsonaro tem relações com o filho do mandatário, Eduardo Bolsonaro.
É inclusive o email de deputado e filho do presidente que foi usado para registrar a conta da página intitulada Bolsofeios, e o cadastro da pagina foi feito a partir do telefone de um secretário de Eduardo. Já a conta foi criada em um computador localizado dentro da Câmara dos deputados, informou ainda o Facebook.
O email “eduardo.gabinetesp@gmail.com” foi usado para cadastrar a página e é o mesmo usado por Eduardo para comprar passagens e reservar hoteis com a sua cota parlamentar.
As informações foram obtidas a partir da quebra de sigilo determinada pela CPMI das Fake News, a partir de um pedido do deputado Túlio Gadelha (PDT-PE), depois que a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) decidiu acusar à CPMI o envolvimento da família Bolsonaro no esquema de Fake News.
Em depoimento prestado no dia 4 de dezembro, a parlamentar disse que a pagina “bolsofeios” era do assessor do filho do presidente, Eduardo Guimarães, entre uma das medidas do chamado “gabinete do ódio” do governo Bolsonaro.
“Conforme tal depoimento, os participantes do grupo “Gabinete do Ódio” não apenas articulavam sistematicamente a divulgação de Fake News no período eleitoral de 2018, mas também elaboram um ‘cronograma de ataques’ para ‘assassinato de reputações’, o que configura a prática de cyberbullying até a presente data”, disse o deputado Gadelha, ao fazer o pedido da quebra do sigilo.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Do Justificando: O AI-5 Bolsonarista, Por Carlos Eduardo Araújo, jurista


 "Como ficou público e notório para a sociedade brasileira, desde o período pré-eleitoral, pelo menos, o clã Bolsonaro é apologista veemente da ditadura militar e nunca se preocupou em escamotear seu autoritarismo atávico e perene. O patriarca do clã, durante seus vinte sete anos como parlamentar federal, viveu embalado pelo sonho “idílico” da volta da ditadura militar, enaltecendo a violência por ela perpetrada, nas figuras de seus principais facínoras, em guerra aberta contra a democracia. "

O AI-5 Bolsonarista
Terça-feira, 26 de novembro de 2019

O AI-5 Bolsonarista

Imagens: 3.mar.1964 CPDOCJB / Folhapress e Wilson Dias / Agência Brasil –  Arte: Gabriel Pedroza / Justificando


Eduardo Bolsonaro, em mais uma de suas diatribes despóticas e antidemocráticas, disse em entrevista que foi ao ar em fins de outubro, em um canal do YouTube, que “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta e uma resposta ela pode ser via um novo AI-5”.
  O que ele sabe sobre a ditadura civil-militar brasileira, aprendeu, certamente, por meio das narrativas distorcidas, viciadas e embusteiras de seu genitor. Tudo nos leva a crer que sua formação histórica é pífia ou inexistente. Ocorre, ainda, na aludida entrevista, cometer falsificações históricas, apontando como fatos deflagradores do famigerado AI-5 eventos que surgiram como reação radicalizada ao mesmo. Assertivas e ameaças à democracia, como as feitas pelo atual deputado federal, não podem ficar sem uma enfática resposta das instituições políticas e jurídicas, encarregadas de velar pela defesa de nosso regime constitucional-democrático. 
 Como ficou público e notório para a sociedade brasileira, desde o período pré-eleitoral, pelo menos, o clã Bolsonaro é apologista veemente da ditadura militar e nunca se preocupou em escamotear seu autoritarismo atávico e perene. O patriarca do clã, durante seus vinte sete anos como parlamentar federal, viveu embalado pelo sonho “idílico” da volta da ditadura militar, enaltecendo a violência por ela perpetrada, nas figuras de seus principais facínoras, em guerra aberta contra a democracia. 
 Com a questionável e ilegítima vitória eleitoral da extrema direita, em 2018, acendeu ao poder, além do presidente eleito, como chefe do executivo federal, uma camarilha de pessoas, autocráticas, retrógradas e reacionárias, ostentando uma retórica colérica, violenta e injuriosa, que passou a infestar governos e parlamentos estaduais, Brasil afora, assim como a Câmara e Senado Federais. 
A ignóbil ditadura civil-militar brasileira é um defunto insepulto que ainda nos assombra, como um espírito maléfico que não foi eficazmente exorcizado. A cultura da violência, do autoritarismo e da intolerância, introjetada na sociedade brasileira, durante os 21 anos em que ela esteve sufocada pelo véu plúmbeo que a encobriu, deixou marcas indeléveis, cicatrizes que se fazem visíveis ainda hoje no tecido social. A redemocratização brasileira é um processo incompleto e inconcluso. Problemas viscerais, decorrentes desse indigitado período, jamais foram enfrentados na profundidade e na extensão que deveriam sê-lo. Por meio de um acordo das elites, materializado na “Lei de Anistia”, escolhemos esquecer do que enfrentar o problema. Não se atravessa impunemente o coração das trevas. 
 Como nos incita Vladimir Safatle “… faz-se necessário mostrar, àqueles que preferem não ver, a maneira insidiosa que a ditadura militar brasileira encontrou de não passar, de permanecer em nossa estrutura jurídica, em nossas práticas políticas, em nossa violência cotidiana, em nossos traumas sociais que se fazem sentir mesmo depois de reconciliações extorquidas”. [1]
É estarrecedor nos depararmos, ainda hoje, com brasileiros de diferentes extratos sociais, cuja concentração maior está incrustada na classe média, saudosistas da ditadura militar, emoldurando-a em um nostálgico e idealizado passado, que se quer invocar no presente. Uma parte considerável desses idólatras da autocracia não tinha sequer nascido ou eram muito jovens entre os anos 1964-1985. Logo, não sabem do que falam, seja por não terem vivido a inclemente experiência, seja por não terem conhecimentos históricos mais abalizados e fundamentados do que foram aqueles hediondos anos de chumbo.
 A recente ascensão da extrema direita ao poder tornou visível aquilo que há muito é denunciado por sociólogos, historiadores, filósofos e cientistas sociais, ou seja, que a violência, a intolerância à diversidade, o autoritarismo, a desigualdade e exclusão social, o machismo e o racismo estão ínsitos na formação do caráter nacional brasileiro, forjado no modelo escravocrata, que vigeu no Brasil por mais de trezentos anos. Tal caldo de cultura autoritária encontrou terreno fértil para frutificar e florescer durante a ditadura civil-militar brasileira. 
 Parecia que nas últimas três décadas, havíamos ingressado, enfim, num momento democrático, com promessas de estabilização e consolidação. Chegamos a acreditar que com o fim da ditadura militar e o conseqüente ingresso do Brasil no regime democrático, havíamos deixado para trás nosso congênito e histórico autoritarismo. Como o demonstraram a eleição presidencial do ano passado e falas como as de Eduardo Bolsonaro, estamos ainda bem longe de vivenciarmos uma experiência democrática plena. 
Os artífices da ditadura brasileira e suas viúvas desconsoladas têm investido, desde a redemocratização, num revisionismo histórico, com o propósito de reescrever o período autoritário com tintas mais amenas ou até mesmo pondo em dúvida sua existência, promovendo um apagamento da história, que lhes é muito deletéria.
 Como alerta Vladimir Safatle:

“Ela vai aos poucos não sendo mais chamada pelo seu nome, ou sendo chamada apenas entre aspas, como se nunca houvesse realmente existido. Na melhor das hipóteses, como se houvesse existido apenas em um curto espasmo de tempo no qual vigorou o AI-5. Talvez o que chamamos de ditadura tenha sido apenas uma reação um pouco demasiada às ameaças de radicalização que espreitavam nossa democracia. Quem sabe, daqui a algumas décadas, conseguiremos realizar o feito notável de fazer uma ditadura simplesmente desaparecer?” [2]
 Eduardo Bolsonaro não invoca “apenas” a volta da ditadura, mas o retorno do ato deflagrador do período mais violento da mesma, o AI-5. Deu-se com o aludido Ato Institucional nº 5, editado no dia 13 de dezembro de 1968, o início do que o jornalista Elio Gaspari denominou de “A Ditadura Escancarada”. 
 Como nos dirá o brasilianista Thomas Skidemore: “A censura ad hoc, que surgira mal coordenada em dezembro de 1968, foi regularizada em março de 1969 por um decreto que tornava ilegal qualquer crítica aos atos institucionais, às autoridades governamentais ou às forças armadas. Como se quisessem indicar de onde achavam que se originava a oposição, os arquitetos da censura também proibiram a publicação de notícias sobre movimentos de trabalhadores ou de estudantes. Toda a mídia foi colocada sob a supervisão dos tribunais militares. Setenta professores da Universidade de São Paulo (USP) e de várias outras universidades foram involuntariamente aposentados em maio de 1969”. [3]
 Houve, também, em decorrência do AI-5 o fechamento do Congresso Nacional e a cassação de direitos políticos de centenas de parlamentares, além das aposentadorias compulsórias dos Ministros do STF, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva e Victor Nunes Leal.
 Como ensina Thomas Skidmore “… o AI-5, não tinha prazo para expirar. E, além do mais, dava ao presidente poder para suspender indefinidamente o habeas corpus. Pela primeira vez, desde o golpe de 1964, não havia data marcada para o retorno ao império da lei.” [4]
 Com o malfadado AI-5 o Brasil mergulhava de ponta-cabeça em uma era de iníquas violações das liberdades individuais e dos direitos humanos, praticadas pelo Estado. Constituiu-se, a partir dele, um espiral de violência que encontrou na tortura e morte de pessoas, sob a guarda do Estado, seu ápice de degradação e infâmia.
Como adverte Elio Gaspari: “É falsa a suposição segundo a qual a tortura é praticada em defesa da sociedade. Ela é instrumento do Estado, não da lei. Pertence ao episódio fugaz do poder dos governantes e da noção que eles têm do mundo, e sobretudo de seus povos”. E continua o jornalista: “Ao materializar-se nos cárceres, a tortura obedece a uma lógica que novamente nada tem a ver com a defesa da sociedade. A condição necessária para a eficácia da burocracia da violência é a recompensa funcional, tanto através das promoções convencionais como das gratificações que esse mundo policial engendra”. [5]
 Os reacionários e os autocratas, como Eduardo Bolsonaro e seu progenitor, são apologistas da ditadura, desde que a mesma seja aplicada aos seus adversários e inimigos políticos ou pessoais. Esquecem-se ou desconhecem que a ditadura militar pode se voltar contra seus artífices ou propugnadores. Basta citar o exemplo de um político entusiasta da ditadura instaurada em 1964 que, pouco tempo depois, em decorrência do AI-5, teve seus direitos políticos cassados.
 O AI-5 está intimamente associado à tortura e a centenas de mortes, dando início aos anos mais pavorosos da recente história brasileira. É um escândalo, é um acinte, é inaceitável a ameaça de um novo AI-5, feita de modo explícito e despudorado pelo deputado Eduardo Bolsonaro. Não pode ficar sem uma resposta veemente da sociedade brasileira e dos poderes institucionalizados da República Federativa do Brasil.
  
Carlos Eduardo Araújo é Professor Universitário e Mestre em Teoria do Direito (PUC – MG).
Notas:
[1] Safatle, Vladimir. O que resta da ditadura. Boitempo Editorial, 2010.
[2] Safatle, Vladimir. O que resta da ditadura. Boitempo Editorial, 2010.
[3] Thomas Skidmore. Brasil. de Castelo a Tancredo. Paz e Terra, 4ª edição, 1988.
[4] Thomas Skidmore. Brasil. de Castelo a Tancredo. Paz e Terra, 4ª edição, 1988.
[5] Elio Gaspari. As Ilusões Armadas – 2. A Ditadura Escancarada. Intrínseca, 2014.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Os Bolsonaros espalham o ódio aonde vão e põem em risco a segurança nacional. Por Kiko Nogueira



Do DCM:


O tuíte de Flávio Bolsonaro chamado o Hamas para a briga
Jair Bolsonaro é um caso de estudo de governante que procura dividir uma nação ao invés de tentar uni-la.
Coloca-nos em permanente risco, aqui e no exterior.
No Brasil, enquanto denuncia o “viés ideologico” do PT, faz um governo ideologicamente comprometido com as orientações psicóticas de seu guru Olavo de Carvalho, um elemento perigoso e patético da extrema direita.
Fomenta uma batalha interna entre a ala militar e a ala psiquiátrica olavista.
Todos os que não se alinham com as mentiras e as teorias conspiratórias sobre o “globalismo” e o “marxismo cultural” são comunistas e inimigos do povo.
No Chile, causou repulsa por sua defesa de Pinochet. O presidente da Câmara e o do Senado se recusaram a recebê-lo.
Piñera teve de se distanciar de Jair numa entrevista horas depois de o hóspede indesejado ir embora.
O México pediu explicações sobre as declarações favoráveis de Eduardo Bolsonaro ao indecente muro de Donald Trump.
A palhaçada da ajuda humanitária à Venezuela e o apoio idiótico aos interesses americanos robusteceram Maduro.
No Paraguai, teceu loas ao general Stroessner, assassino corrupto e pedófilo.
Em Israel, cavou mais ainda o fosso com os países árabes — e não só com relação ao comércio exterior.
O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, emitiu uma nota dura afirmado que “a visita não apenas contradiz a histórica atitude do povo brasileiro de apoio à causa palestina, mas também viola leis internacionais”.
Condenou os planos de abertura de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém.
“Essa política não ajuda a estabilidade e a segurança da região e ameaça os laços com países árabes e muçulmanos”, afirma o comunicado.
O filho Flávio, aquele do Queiroz, resolveu pôr lenha na fogueira e, qual um moleque mamando Whey Protein, achou por bem chamar o Hamas para a briga.
“Quero que vocês se EXPLODAM!!!”, escreveu o valentão, que deletou em seguida a bravata.
Esse bando está destruindo o país a um ritmo alucinante e precisa ser detido antes que uma bomba estoure não no colo deles, mas no nosso.
00:00/00:40Diário do Centro do Mundo
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