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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

A burrice e estupidez do futuro - criticado no filme "Idiocracia" - já estão entre nós, por Wilson Ferreira



O filme que originalmente era uma comédia e que se tornou um documentário. Assim é definido o filme “Idiocracia” (“Idiocracy”, 2006) do diretor e escritor Mike Judge


O filme que originalmente era uma comédia e que se tornou um documentário. Assim é definido o filme “Idiocracia” (“Idiocracy”, 2006) do diretor e escritor Mike Judge (“Beavis e Butthead” e “O Rei do Pedaço”): um casal acorda de uma longa hibernação criogênica de 500 anos para encontrar um mundo no qual a burrice, estupidez e preguiça (e suas consequências como o machismo e a intolerância) se tornam virtudes. O presidente dos EUA é um ex ator pornô e lutador de Telecatch e a água potável foi substituída por um isotônico produzido por uma gigantesca corporação, gerando uma catástrofe ambiental. E a política se confunde com entretenimento e vídeo-game. Um filme tão profético que o próprio estúdio 20th Century Fox resolveu boicotar o lançamento da sua própria produção, escondendo “Idiocracia” das grandes redes de exibição. “Idiocracia” é visionário: como uma sociedade inteira não percebeu que emburrecia enquanto as expectativas sobre o que é ser inteligente cada vez mais diminuíam com o avanço tecnológico e da indústria do entretenimento. 
“Um filme que era originalmente uma comédia, mas que se tornou um documentário”, senteciou a crítica especializada. O filme foi lançado em 2006, sem alarde ou cerimônia, em um punhado de redes de cinemas. Jamais um trailer promocional sobre o filme foi exibido anteriormente no cinema ou nos canais habituais de divulgação na Internet, como o IMDB.
No Brasil, foi lançado diretamente em DVD, sem qualquer esquema promocional.
Praticamente o estúdio 20th Century Fox descartou a produção por não saber como vende-lo ou defini-lo: é uma distopia sci-fi? Uma comédia de sátira social? O problema é que o argumento do filme se concentrava numa sociedade estúpida, muito mais próxima de se realizar do que poderíamos imaginar. Uma sátira “hipo-utópica”, isto é, uma projeção hiperbólica no futuro de eventos que já estão acontecendo no presente – sobre esse conceito clique aqui.
Estamos falando do filme Idiocracia (Idiocracy, 2006), do diretor e roteirista Mike Judge (Beavis and Butthead e O Rei do Pedaço) – uma narrativa tão premonitória que, catorze anos depois, parece até um documentário.
Depois de catorze anos do “não-lançamento” de Idiocracia o que vemos? Comediantes ou estrelas de reality shows de TV eleitos presidentes como na Ucrânia e EUA (ou o  governador eleito João “O Aprendiz” Doria Jr, no Brasil; ou também o apresentador Luciano Huck sendo cogitado a candidato à presidência em 2022); apresentadores do canal Fox News defendendo racistas como patriotas; uma série reality de sucesso chamada Os Kardashians na qual uma família nada faz de relevante além de mostrar cirurgias plásticas, quem ficou gordo ou magro ou quem casou ou se separou; ou ainda a maior rede de comunicação da história humana, a Internet, que deu direito à palavra aos idiotas de aldeia que outrora tinham vergonha de si mesmos.
Talvez exatamente por isso a 20th Century Fox se viu embaraçada com o resultado final que Mike Judge apresentou para os executivos do estúdio: o filme era muito profético, quase um documentário sobre um futuro próximo. Futuro que certamente os executivos da indústria do entretenimento idealizavam.
 Idiocracia começa descrevendo como o processo da evolução darwiniana caminhou para um sentido oposto na História. Até um certo ponto, a seleção natural sempre favoreceu os mais inteligentes e rápidos que se reproduziam em maior número que os demais. Um processo que favoreceu os traços mais nobres da humanidade, ao ponto que todo o gênero da ficção científica antevia sociedades civilizadas e inteligentes.
Mas o que aconteceu para a História premiar o embrutecimento e a involução? Como chegamos ao ano 2501 no qual a inteligência se extinguiu e a mentalidade limítrofe tornou-se o modelo desejável de existência?
Será que a Teoria da Evolução de Darwin estava errada? Ou a evolução tecnológica reduziu as expectativas dos padrões de inteligência a um ponto em que a burrice se tornou uma virtude?

O Filme

Idiocracia a companha Joe Bauers (Luke Wilson) ainda no tempo atual, um bibliotecário de uma instalação das Forças Armadas. Ele é um típico militar mediano e sem ambições: seu único sonho é se esconder numa função sem responsabilidades, à espera da aposentadoria.
Mas, para o seu desespero, um oficial chega com novas ordens que o tirarão da sua rotina para sempre – ele foi escolhido como cobaia de um experimento envolvendo uma hibernação criogênica que durará um ano. O objetivo é monitorar alterações físicas em indivíduos congelados.
Joe é a cobaia perfeita: sem esposa, filhos ou família. Assim como uma prostituta selecionada também para a experiência, Rita (Maya Rudolph).
Mas, enquanto as duas cobaias humanas estão congeladas, o oficial responsável se envolve com um escândalo sexual envolvendo o próprio cafetão de Rita. Resultado: o experimento é cancelado, a instalação é demolida e, pela lentidão burocrática, as câmaras criogênicas de Joe e Rita são esquecidas nas ruínas do laboratório. E lá ficam por séculos.
Enquanto isso, a narrativa descreve a lenta deterioração da sociedade em direção da ignorância e anti-intelectualismo. O resultado, é um mundo devastado por um crise ambiental que transformou as cidades em depósitos de lixo que sobe às alturas dos prédios, entretido por um cultura pop humilhante, corrupção corporativa implacável, ineficácia política (o presidente dos EUA é um ex ator pornô e lutador de Telecatch) regida por uma elite supostamente mais inteligente do planeta.
A língua inglesa foi reduzida a uma estranha combinação híbrida de expressões adolescentes, dialetos locais, gírias de gangs e vários grunhidos. O que impera é a misoginia e machismo, no qual as mulheres ou são prostitutas ou donas de casa estúpidas.
As câmaras criogênicas de Joe e Rita abrem acidentalmente depois que despencam de uma montanha de lixo. Joe acredita que vive uma alucinação pós-hibernação e vai a um hospital, para ali cair a ficha de que está 500 anos à frente num futuro bizarro: médicos e pacientes se nivelam na indigência mental, todos os equipamentos são precários e o hospital está quase em ruínas – a burrice foi tão normalizada que ninguém é capaz de consertar ou manter nada funcionando direito.
Enquanto Rita rapidamente se adaptou àquela cidade, como prostituta, Joe passa a ser procurado pela polícia: descobriram que ele é “inescaneável” – como não possui tatuagem com código de barras, não pode ser identificado.
Na prisão, Joe ganha uma “identidade” e é feito um teste de QI protocolar nele – para descobrirem que ele possui a maior inteligência do planeta.

Um “Einstein” em 2505…

Essa é a primeira ironia de Idiocracia: em seu tempo, Joe era um militar medíocre que não pensava em responsabilidades. Em 2505, chega a ser comparado a Einstein. Sua notoriedade chega à Casa Branca do presidente Camacho (Terry Crews) – o ex artista pornô. Ele nomeia Joe Secretário do Interior, para resolver um problema agrícola e ambiental terrível: os campos estão áridos, secos. As montanhas de lixo produziram um ambiente desértico, com tempestades de pó e poluição. Nada cresce e a crise alimentar é cada vez maior.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Artigo do Promotor de Justiça do Paraná sobre as Fake News e Fake Justice, especialmente da Globo e comparsas da grande mídia, que querem salvar os abusos da Lava Jato



"Nestes tempos nauseabundos inaugurados pela República de Curitiba vê-se que juízes federais e procuradores da república midiáticos, pretensos gostosões de plantão judiciário, instituíram um novo mantra na aplicação da lei penal e das penas, o qual entoam com súplicas, jejuns e religiosa iteração: sendo dos outros, a depender do asterisco de quem (inimigo ou amigo ungidos), carrega-se pouco ou muito na pimenta o que proporcionará refrescâncias mil traduzidas em  likes patofascistas, a benção de Dom Mercado, palminhas do bilionário e corrupto oligopólio de empresas de mídia, além de orgasmos múltiplos em seres anacrônicos que pensam viver nos anos 50 do século passado." - Fuad Faraj

Do Justificando:


Fake justice: justiça de araque
Segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Fake justice: justiça de araque




Arte: André Zanardo
Nestes tempos nauseabundos inaugurados pela República de Curitiba vê-se que juízes federais e procuradores da república midiáticos, pretensos gostosões de plantão judiciário, instituíram um novo mantra na aplicação da lei penal e das penas, o qual entoam com súplicas, jejuns e religiosa iteração: sendo dos outros, a depender do asterisco de quem (inimigo ou amigo ungidos), carrega-se pouco ou muito na pimenta o que proporcionará refrescâncias mil traduzidas em  likes patofascistas, a benção de Dom Mercado, palminhas do bilionário e corrupto oligopólio de empresas de mídia, além de orgasmos múltiplos em seres anacrônicos que pensam viver nos anos 50 do século passado.
Essa forma torpe de justiçamento é ficção jurídica de ampla audiência no jornalão jurássico transmitido entre duas novelas que em tv aberta destila para nossas crianças condicionamentos pavlovianos sobre ideologias, estilos de vida e principalmente sobre o que devem consumir para satisfazer Dom Mercado e os anunciantes publicitários.É a informação trabalhada como arte da manipulação e da deformação.
Julios Hermann Von Kirchmann, filósofo alemão insolente, jurista de contrabando, dedicava finos vitupérios àquilo que boçais, ao estilo de juízes-ostentação desta nova e podrona república sabuja aos interesses do império americano, chamam de ciência do direito. É dele o magistral ensinamento moldado em vaticínio: “Três palavras modificadoras do legislador convertem em lixo bibliotecas inteiras”. Invocava ele que direito não é, nunca foi e nunca será ciência.            
Não imaginava Kirchmann em seus sonhos mais psicodélicos que sua fala de efeito retórico marcante seria ultrapassada por uma Curitiba sombria de uma República agourenta que, falindo o Brasil, criou surtados da hora travestidos de togados juristas num belo domingo de plantão judiciário.
No domingão do Serjão, num histórico e infame 08 de julho, no descumprimento de um habeas corpus da vítima e do paciente Luiz Inácio (um remédio heróico, segundo a finada constituição brasileira) viu-se que direito além de não ser ciência é uma espécie de manifestação de vontade divina ao estilo do coronelato ou chefia de bando e que as palavras mágicas desta nova jurisdição estão na base do mais puro sotaque de mandonato chucrês: “Eu tô mandâno. Tu bedéce. A lei que se f@&@.” Sem quaisquer retoques esta jurisdição malsã amolda-se em perfeita sincronia à fina aristocracia de donos dos puteiros mais decadentes.
Nós não dávamos bola, mas é verdade o que à pretexto de piada sempre dizia a sabedoria popular: há juízes que pensam ser o braço de Deus na Terra; outros há, todavia, que embalam a certeza inabalável de ser o próprio Todo Poderoso.
É triste ver pessoas que ao invés de vestirem condignamente capas pretas e exercer de forma imparcial a jurisdição acham que estão lacrando ao pretender concorrer em megalomania e arrogância com abilolados Napoleões de hospício.
E naquele domingão maldito o vaticínio de Kirchmann ganhou uma paráfrase mal cheirosa: “Três ligações telefônicas de juízes transformam bibliotecas inteiras em excrementos fedorentos”. Neste dia o ouvido do pobre e digno Superintendente da Polícia Federal deve ter virado um largo, extenso e borbulhante buraco de estrume. Em nome da justiça e da verdade deve-se dizer que ao esgoto sanitário se lançaram não só as ditas inteiras bibliotecas. Lançou-se mais. Lançou-se também qualquer um dos 171 tons de dignidade que o sistema constitucional brasileiro poderia ter a veleidade de invocar e desfilar perante nosso ego esfarrapado ou perante um mundo civilizado cada vez mais espantado com o que magistrados anabolizados por um oligopólio de mídia estão fazendo com o nosso Brasil.


O Estado brasileiro e seu governo, por obra e graça destes procuradores e juízes midiáticos que mais parecem empregados deste grande, corrupto, bilionário e global oligopólio de imprensa é um pária internacional, inviável, sem futuro e fora da lei. Seu juridiquês no nascimento e na aplicação é uma afronta vergonhosa ao estado liberal e ao sistema político inaugurado pelo iluminismo.
Se analisarmos a fundo veremos que este sistema da República de Curitiba e asseclas supera em obscurantismo os ordálios e os julgamentos com base na prova obtida da leitura e interpretação das tripas dos animais ou das fezes humanas. Surpreende o ambiente farsesco e de corte bizantina destes tribunais midiático-globais e juízes-ostentação a enunciar decisões feitas pelos seus assessores, recheados com uma procissão de nomes de autores jurídicos estrangeiros cujos livros sequer abriram, enquanto se metem a palestrar para endinheirados e mal intencionados. 
No estilo e no caráter esse sistema de justiça deste nosso Reich tropical de Bananalândia se assemelha muito à justiça das leis invocadas em Salem para se queimar bruxas, tal qual como hoje ocorre na República de Curitiba para se queimar Lula, lulistas e assemelhados. Salem, Maçaxustississ, na colonial e irrepreensível dicção do honorável Guia daquela República.
Por tudo isso Luiz Inácio se viu encarnado na figura de um preso político julgado por um juiz que carrega a má-fama de ser um usurpador de jurisdição além de dono de uma jurisdição sobrenatural. Tão sobrenatural que, a par de manifestamente parcial, é mantida incólume até mesmo dormindo ou em férias, de terno ou roupa domingueira no meio de uma churrascada fingindo não ouvir Duran Duran.
Por tudo isso Luiz Inácio se viu encarnado na figura de um preso político porque é vítima de uma das maiores fraudes judiciárias que se tem notícia na história do sistema jurisdicional internacional. Criou-se um padrão Lula de julgamento: rápido, rasteiro, e de objetivos político-eleitorais, assentado nos princípios da Gambiarra Hermenêutica e da Justiça do Auê, onde decisões judiciais fundamentadas em absurdos jurídicos e em exercícios de mitomania são extorquidas de juízes postos contra a parede da opinião pública manipulada por um corrupto oligopólio de mídia.
Por tudo isso, pela ação e graça destes déspotas de toga, Luiz Inácio além de preso político não demorará muito para se ver encarnado na figura do mártir que morreu lutando contra a tirania de um sistema antidemocrático, podre e corrupto que explora e humilha todo um povo debaixo de uma canga no pescoço desde 1500.
Devemos isso aos luminares que criaram a República de Curitiba que se não respeitam Constituição, leis, tratados internacionais ou a memória ou o ensinamento de autores jurídicos sumariamente fraudado sem suas teses acusatórias muito menos respeitariam colegas seus. Colegas seus, juízes ou promotores, humilhados em praça pública, pelos atos nefastos, deletérios e socialmente corruptos desta República supostamente instituída para combater a corrupção. Juízes e promotores que não buscando os holofotes da fátua fama tripudiando sobre a honra e a vida de acusados e seus familiares realizam anonimamente e dignamente o seu trabalho.
Agora ainda é preciso dizer isso: depois deste sórdido trabalho feito quem há de pagar a conta da falência política e econômica do país ou nos livrar da humilhação internacional a que está sendo submetido o Brasil sob os tacões do soft power do império americano?

A URSAL?      

Fuad Faraj é Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Paraná.