Mostrando postagens com marcador escândalo HSBC. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escândalo HSBC. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de maio de 2015

A divulgação seletiva de escândalos e o abafamento da Operação Zelotes, da lista de Furnas e do Escândalo do HSBC





A divulgação seletiva de escândalos

A mídia dá a impressão de que o único grande escândalo de corrupção do país é o da Petrobrás. Cadê Zelotes? Cadê as contas secretas no HSBC? Cadê o metrô de SP?

texto de

Fonte: Carta Maior

Nos últimos tempos, a sociedade brasileira se defronta com grandes escândalos de corrupção. Para citar alguns: os casos de propinas na Petrobrás [Lava Jato], no Carf [Conselho Administrativo de Recursos Fiscais] do Ministério da Fazenda [Zelotes] e no metrô de SP; os depósitos secretos em contas do Banco HSBC na Suíça etc.

Pelo noticiário, todavia, fica-se com a impressão de que existe somente a Operação Lava Jato. Não bastasse esta seletividade, a notícia é ainda recortada para vincular Dilma, Lula e o PT à gênese da corrupção no Brasil.

É uma cobertura evidentemente anômala, por muitas razões. A começar pelo fato óbvio de que é sabido que o escândalo da Petrobrás é apenas um, dentre outros conhecidos, e que se assemelham no modus operandi: alguns políticos de vários partidos, empresários e funcionários públicos inescrupulosos formam quadrilhas para a prática criminosa.

Sabe-se também que a roubalheira da Petrobrás, que surrupiou cerca de 6 bilhões de reais da empresa, é pelo menos três vezes menor que a sonegação fiscal praticada por empresas num esquema de corrupção que atua sobre o Carf. O prejuízo do erário, segundo se estima provisoriamente na Operação Zelotes, é de 19 bilhões de reais – quase um terço dos cortes orçamentários anunciados pelo governo.

É compreensível o silêncio no noticiário. Afinal, se diz que entre os envolvidos estão o império daquele mega-empresário siderúrgico que ironicamente “ensina” a governos a magia da “eficiência e da produtividade privada” [sic]; estão também empresas de comunicação, bancos, banqueiros, conglomerados econômicos, grandes anunciantes, etc.

Seria difícil ao noticiário deixar de sonegar que alguns donos de jornais, algumas celebridades e um punhado de empresários e banqueiros sejam titulares das 7 mil contas no HSBC da Suíça que receberam depósitos milionários – em muitos casos, sem comprovação da origem legal da dinheirama.

No caso do metrô de SP, embora seja um esquema montado a mais de década e que atinge a casa de bilhões em prejuízos, um noticiário acanhado dá conta de uma apuração apartidária, despolitizada e que não criminaliza agentes políticos, porque joga a culpa em funcionários públicos que "agiam por conta própria”. Fosse o PT o partido no governo em SP durante duas décadas, estaria assegurado o carnaval midiático massacrante.

Embora os implicados na Petrobrás sejam majoritariamente identificados com os demais partidos [só o PP tem mais de 30 envolvidos], o noticiário trata como "petrolão do PT" [sic]. No circo da investigação da Operação Lava Jato, bandidos viram celebridades e ganham fé pública no noticiário das 8 da noite. Nos casos da Zelotes, das contas-fantasmas no HSBC, do metrô de SP, entretanto, não existe circo; porque existe silêncio, quando não a ocultação.

Uma prova prática disso: quem pesquisar no Google notícias sobre estes escândalos perceberá a abundância de registros diários sobre a Petrobrás, porém registros esparsos e em quantidades infinitamente menores dos demais escândalos.

Ante tal anomalia do noticiário, é fundamental que haja pressão pública para que a mídia repercuta com isonomia, imparcialidade e isenção a realidade brasileira – sem recortes e seletividade. A mídia tem exercido este papel danoso à democracia porque lamentavelmente encontra em setores da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário atores políticos que instrumentalizam as investigações para, dependendo do caso, criminalizar adversários ou proteger amigos.

Esta "midiatização justiceira" que perigosamente toma conta da arena pública infundindo ódio, se não for revertida a tempo poderá legitimar uma trajetória de regressão jurídica e democrática do país.

domingo, 15 de março de 2015

A pouca moral que poderia ainda restar no tacho hipócrita da grande mídia e suas seis famílias caiu por terra com a divulgação de nomes de suas fileiras na lista do HSBC



Carlos Antonio Fragoso Guimarães

  Diz a sabedoria popular que quem muito grita muito esconde. Pois bem, a mesma "grande mídia" das seis poderosas famílias da área de comunicação a imperarem no Brasil, e que tanto faz para estimular mais um golpe neste país (fizeram exatamente a mesma coisa em 1954, com relação a Getúlio, e em 1964, derrubando Jango), teve sua hipocrisia posta a nu com a lista dos envolvidos no escândalo internacional do HSBC, ou SwissLeaks.

 
 Ao menos (e o número ainda pode aumentar, já que a divulgação, aqui no Brasil, primeiramente ficou nas mãos de um empregado da família Frias, da Folha e, agora, está nas mãos da Globo) 22 empresários ligados ao setor das Comunicações e suas famílias, bem como sete jornalistas conhecidos e auto-intitulados "formadores de opinião", estão envolvidos no escândalo de desvio de divisas para o exterior no caso Swissleaks, o que constitui, no mínimo, um crime a ser apurado. Mas o mais importante é que tal fato põe ainda mais sob suspeição a moral e os interesses dos grandes grupos midiáticos deste país e sua associação explícita e amoral com o golpismo. Afinal, eles não parecem estar sozinhos na tática de desviar divisas e devem apoiar que os ajuda neste mister, impreterivelmente gente de direita ou ligadas aos setores mais conservadores da sociedade. Aliás, entre os envolvidos no escândalo, constam nomes e grupos ligados ao escândalo do Trensalão Tucano-Alstom.

 Na lista dos correntistas do HSB em Genebra, Suíça, estejam ou não ainda ativas suas contas, podemos ver, entre outros, os nomes de:

* Octávio Frias de Oliveira, Luis Frias e Carlos Caldeira Filho, do grupo Folha/UOL.

* Quatro integrantes da família Saad, do grupo Bandeirantes: João Jorge Saad (o fundador do grupo, já falecido), Maria Helena Saad Barros, Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet.

* Lily de Carvalho Marinho, viuva de donos de jornais Horácio de Carvalho e das Organizações Globo, Roberto Marinho.

* Membros proprietários do Grupo Edson Queiroz, da TV Verdes Mares e Diário do Nordeste: Lenise Queiroz Rocha, Paula Frota Queiroz e Yolanda Vidal Queiroz.

* Luiz Fernando Ferreira Levy, da extinta mas até então influente "Gazeta Mercantil".

* O histriônico "Ratinho", Carlos Roberto Massa, ligado ao SBT e dono da "Rede Massa", do Paraná, que tanto dizia que Dilma Rousseff (que não aparece na lista) deveria "fugir" do país.

* Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (da rede Transamérica).

Dos jornalista envolvidos, devemos destacar o nome de Mona Dorf, braço direita do ultra-direitista Reinaldo Azevedo (que está na planilha de pagamento do grupo Camargo Correia).

Para maiores detalhes do caso, consulte os textos de Rodrigo Vianna (clique aqui) ou, se desejar de um dos empregados dos grupos envolvidos, o de Fernando Rodrigues (clique aqui).